26 março 2015

Iémen, palco de uma luta fratricida

(foto do ©Público, de 26Mar2015)
O Iémen desde há muito que se tornou no palco do confronto fratricida entre duas correntes islâmicas da Península Arábica: de uma lado os sunitas apoiados pela Arábia Saudita; do outro xiitas com o suporte financeiro e militar do Irão.

Raúl Braga Pires, no seu blogue Maghreb-Machrek faz algumas análises à situação no Iémen, a última teve a haver com o massacre a duas mesquitas iemenitas.

Razões que, talvez, e entre outras, nomeadamente a dicotomia sunita-xiita, tenham levado à intervenção, hoje, de uma coligação árabe chefiada pela Arábia Saudita através de bombardeamentos à capital Sanaa e a outras zonas controladas pelos xiitas.

Ainda assim, de destacar que as zonas controladas pela al-Qaeda ainda estão "sossegadas"; ou, mera consideração analítica, não fossem estes sunitas...

Interessante!

Não esquecer que o Iémen controla uma das entradas para o Mar Vermelho e é vizinho frontal do Djibuti e da conturbada Eritreia. E se o controlo do Mar Vermelho cair nas mãos de insurgentes isso terá efeitos catastróficos para o Canal de Suez; daí o Egipto também participar na coligação.
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14 março 2015

Lobito de luto!

(Sobre foto de ©Elcalmeida; Lobito, Maio de 2009)

Lobito está de luto devido às fortes chuvas que ocorreram na passada quinta-feira e que provocaram inúmeras enxurradas. Há 63 mortos, 35 das quais crianças, só no Lobito (e mais 1 vítima na aldeia piscatória da Caota, a sul de Benguela, capital da província).

Segundo o semanário Sol, o Bairro da Luz, onde vivi uma bela infância, durante muitos anos, foi um dos afectados.

Já a TPA (Televisão Pública de Angola) criou uma linha solidária para apoiar todos que foram afectados pelas enxurradas. e diga-se, que não foi só a província de Benguela a afectada. Também Luanda, como habitualmente, viu parte dos seus bairros afectados pelas chuvads dos últimos dias.

A minha cidade está de luto!


12 março 2015

Duas Conferências no repositório do CEI-IUL

(Conferência de 6-Março-2015; eu ao centro)
As duas mais recentes conferências (2-3 de Julho-2014 e 6 de Março-2015) em que participei com orador já está no Repositório do ISCTE-IUL (com a chancela do Centro 6 de Março-de Estudos Internacionais - CEI-IUL):

«Almeida, Eugénio Costa (2014) «A África‐colonial e a I Guerra Mundial: a participação africana no conflito euro‐mundial de 1914‐1918». In II Congresso Internacional do OBSERVARE - Guerra Mundial e Relações Internacionais ‪#‎openaccess‬
Acesso ao repositório através do URI: http://hdl.handle.net/10071/8567

e

Almeida, Eugénio Costa (2015) «A participação de Angola no Conselho de Segurança da ONU e a sua contribuição para a Arquitectura de Paz e Segurança Africana». In Conferência - Angola no Conselho de Segurança das Nações Unidas, Desafios e Oportunidades ‪#‎openaccess‬
Acesso ao repositório através do URI: http://hdl.handle.net/10071/8598

17 fevereiro 2015

Quando o terrorismo serve para perpectuar o poder…


(A comunidade internacional anda muito distraída...; imagem daqui)

"No próximo domingo, a Nigéria estava preparada para ir a eleições gerais. Estava! Porque os militares, evocando a situação social e militar, que acontece só numa parte do País, solicitaram à Comissão Eleitoral que adiasse as eleições de 14 de Fevereiro.

As eleições estão agora programadas para 28 de Março, as presidenciais, e 11 de Abril, as legislativas.

Segundo Sambo Dasuki, um assessor dos militares e conselheiro de segurança do presidente Goodluck Jonathan, em seis semanas “todos os campos conhecidos do Boko Haram serão desmantelados”. Também os militares disseram terem resgatado as meninas raptadas pelo Boko Haram e até hoje nunca ninguém as viu, se não, aqueles que conseguiram fugir ou que os radicais islamitas enviaram com “recados”.

Como pode um exército fazer em 6 (seis) semanas o que não conseguiu em quase uma década? Destruir o Boko Haram. Ou será que a corrupção, que eventualmente haja no seu seio, é tão evidente que já não podendo disfarçar tenta anular o que antes não conseguiu?

Por outro lado, até agora nunca nenhum exército da região – e aqui incluem-se, os da Nigéria, Camarões, Chade e Níger – conseguiram qualquer desenvolvimento efectivo e real contra os radicais.

Como recorda o matutino português, Público, e cito com a devida vénia, é certo que “acaba de ser aprovada uma força regional de 8700 membros do Chade, do Níger, das Camarões e do Benim para se juntarem aos nigerianos, mas grande parte destes militares e polícias vão operar nas regiões de fronteira.” Como também é verdade que só o Chade, e de momento, “está envolvido em batalhas no Nordeste da Nigéria.

Ora os radicais nigerianos do Boko Haram já avisaram – e nisso, não pedem meças aos militares nigerianos, se ameaçam, fazem – que é sua firmeza desestabilizar outros países, nomeadamente o Níger, onde já têm lançado ataques quase diários, ou os Camarões, onde o exército os tem confrontado. (...)" (continuar a ler aqui)

Publicado no semanário Novo Jornal, edição 367, de 13 de Fevereiro de 20155, página 21 (1º Caderno)

02 fevereiro 2015

Eu sou Angola, Eu sou África



Publicado na edição 365 do semanário Novo Jornal, de 30 de Janeiro de 2015, 1º Caderno, páginas 20 e 21.


Pode ser lido no portal Página Global (onde foi citado e retranscrito) ou aqui.

29 janeiro 2015

Grécia aproxima-se da Rússia, no pós-eleições

Na passada segunda-feira (26 de Janeiro), num restrito grupo de amigos e colegas, perguntaram-me a minha opinião sobre a pós-eleição na Grécia e os efeitos do Syriza no seio da União Europeia (UE). Como sabem que sou um crítico da UE e do Euro, enquanto ambos forem dominados e subjugados por um ou dois países europeus (Alemanha, principalmente, e França)...

Na altura disse – e mantenho – que ou a Europa compreende as eleições e os pontos de vista dos gregos, independentemente de todas as falcatruas feitas anteriormente por estes para entrarem no Euro – diga-se com o claro e interessado apoio da banca alemã e da Goldman Sach – ou os gregos provocarão a bancarrota do país com o necessário impacto e descrédito do Euro.

Ora isso só iria dar razão àqueles que afirmam que o Euro está sobre – demasiado – sobrevalorizado. Recordo as constantes dúvidas dos britânicos e do reconhecido especulador George Soros.

O Euro e o Banco Central Europeu (BCE) não têm a mesma capacidade que o FED norte-americano e o Bank of England nem a sua total independência face ao poder político. São estes dois que determinam a vida económica dos seus Estados/Países ao contrário do BCE que, na maior parte dos itens está subjugado às políticas de Berlim e de Frankfurt.

E na sequência desta minha visão – provavelmente catastrofista para alguns e infantil para outros – perguntaram-me no caso da tal bancarrota para onde os gregos se virariam. E aí afirmei e continuo a fazê-lo – as reações posteriores vêm confirmando a minha posição – que os gregos (e não seriam os primeiros a ameaçarem fazê-lo; já os cipriotas o tinham feito) voltar-se-iam para os russos e para a sua “ajuda desinteressada”.

Achavam, os meus interlocutores, que isso era impossível até porque Moscovo vive numa incerteza económica muito forte e porque a Europa e os norte-americanos estão a “asfixiarem” a Rússia com sanções políticas e económicas, em grande parte devido à questão Ucrânia.

Talvez, mas…

Uma das primeiras medidas do novo premiê grego, Alexis Tsipras, foi, além de colocar em causa algumas das medidas da troika, como travar certas privatizações e repor o ordenado mínimo nacional, declarar-se contra as novas medidas sancionatórias contra a Rússia e ao povo russo.

Ou seja, ou a Europa se recorda que há umas dezenas de anos um país viu a sua dívida ser perdoada em 60% - com o apoio, e não foi pequeno, também dos gregos – e hoje é a maior potência económica da Europa, no caso, a Alemanha, ou Bruxelas, Paris e Berlim verão a União Europeia e o Euro estilhaçarem totalmente devido a uma “criancice” muito nacionalista só porque os eurocratas não compreendem os Povos nem as virtudes das suas dissemelhanças na unidade.

E a Rússia tornar-se-á no foco, indirecto, de uma nova crise política, de uma nova e quente Guerra-Fria, como vem denunciando, e com certa insistência nos últimos tempos, o senhor Mikhail Gorbachev.

Reproduzido no portal Pravda.ru em 31 de Janeiro de 2015 (http://port.pravda.ru/news/busines/31-01-2015/38021-grecia_russia-0)