24 Maio 2008

Pelo Dia de África: Por onde anda e para onde vai esta África?

"Instabilidade política, contínuas mudanças políticas, sociais e ideológicas, espasmos sociais e xenófobos persistentes, saúde precária e falta de saneamento básico…

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25 de Maio está consagrado como Dia de África. Mais um que se passa e mais um ano que África vê alguns dos seus Estados em convulsões pouco agradáveis. Como seria bom que África padecesse de agitações provocadas por um crescimento económico consistente que resultasse num abalo social vitorioso. Infelizmente, vemos que os Objectivos do Milénio para 2015 estão perigosamente próximos da sua data limite e aqueles para os quais a ONU batalhou parecem cada vez mais longínquos.
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África comemora o seu dia há cerca de 36 anos, desde que a ONU instituiu, em 1972, a data da formação da OUA como o Dia de África. Mas África continua, infelizmente, igual a si mesma.
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Ou seja, mantém uma insistente instabilidade política, contínuas mudanças políticas, sociais e ideológicas, espasmos sociais e xenófobos persistentes, saúde precária e falta de saneamento básico.
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Quando tudo parece que os dirigentes africanos caminham no sentido de dar aos seus povos aquilo que mais desejam, Paz, Saúde, Estabilidade ou Desenvolvimento há sempre uma qualquer agitação que coloca em causa esse desiderato.

Elas são as eleições, cujos resultados raramente são aceites sem estrebuchamento do perdedor – se à partida todos são vencedores porque todos estão no jogo democrático, no final não há vencedores porque o maior derrotado é o povo que depositou na urna o seu veredicto e nunca é formalmente aceite sem haver questiúnculas, por vezes e não poucas vezes, por motivos mais imbecis que camuflam a verdade: a vontade iníqua do poder! Ainda não há uma verdadeira unidade africana.

Persistem crises inesgotáveis – ou como inextinguíveis, por vontades externas, – como os de Darfur, no Chade, na Somália ou na República Democrática do Congo, para já não falar das crises surdas dos Grandes Lagos ou das tentativas sessionistas de Cabinda, na Nigéria, ou mesmo embrionárias no Príncipe.

E depois temos casos ainda mais flagrantes e incompreensíveis. Autocratas, ditadores e assemelhados exercem o poder e blasonam fortunas que ninguém sabe esclarecer como obtiveram. (...)" (pode continuar a ler aqui ou aqui)
Publicado no /Manchete de hoje.

23 Maio 2008

Navegar numa varanda na fronteira norte de África

(só faltou isto para ser uma tarde perfeita...)

Digam lá se para um africano, diasporado por terras da Europa, há algo mais agradável do que estar sintonizado com a imprensa africana – a TV ainda aqui não chega, nem via Internet, – numa qualquer varanda da fronteira Norte africana – na perspectiva de um africano – ou fronteira sul europeia – ALLGarve – na perspectiva do ministro português Manuel Pinho ou de um africano um pouco europeizado.
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Aproveitar este tempo meio fresco, meio chuvoso, ou meio ensolarado, enquanto a TMN me deixa para pôr em dia as notícias do meu Continente – a esta hora, cerca das 5 e picos da tarde, a velocidade é de 3,6Mb; à noite, um apelo à paciência porque a velocidade, e só na varanda, não ultrapassa os 236 kb; – ou ler, na blogosfera, poesia da boa e apontamentos interessantes, ou pôr em dia alguns dos livros que há muito comecei e factores vários não me deixa(va)m acabar de os ler, sob a névua de uma cachimbada (ah! a mim não há DGS que me multe porque estou em casa própria e... numa varanda!) enquanto vou ouvindo maravilhado o chilrear dos pássaros ou admirando o voo errático das andorinhas.

Sarkozy em Luanda

(foto Angonotícias)

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, efectua esta sexta-feira uma visita relâmpago a Luanda.
Segundo o presidente Eduardo dos Santos, esta visita só acontece devido aos esforços de Sarkozy em tudo ter feito para “ultrapassar os "obstáculos" que impediam as boas relações entre os dois países, falando numa "nova era" nas relações bilaterais”.
Ou seja, e por outras palavras, por ter abafado o caso “Angolagate”, já velhinho de uma década, e alguns dos eventuais indiciados!
E com o petróleo a preços tão altos convém recuperar o prestígio – nunca perdido, diga-se, – da petrolífera francesa Elf-Total que já chegou a deter alguns dos mais importantes poços petrolíferos da costa angolana…
E, já agora, pode ser que o presidente Eduardo dos Santos consiga persuadir os seu colega francês a solicitar à euro-franco-qualquer-coisa Airbus a deixar cair o lobby anti-TAAG por esta não ter comprado aviões àquela companhia.
É que dizer que a TAAG já está no bom caminho quanto à segurança é uma utopia, até porque essa mesma companhia não vê os seus voos proibidos noutras regiões; e uma delas bem mais restritiva que a europeia, os EUA.

22 Maio 2008

No Chile, Allende caiu com os camionistas…

(DDR)

Em Portugal, o aumento desenfreado e inexplicável dos combustíveis – será que as gasolineiras não ouviram o presidente português Cavaco Silva que o custo é em Euros e não em Dólares (e que um dólar vale quase 50% do euro?) – começam a preocupar camionistas e pescadores.
Os pescadores já ameaçaram entrar em lock-out a partir do final da próxima semana e sem término previsto.
Os camionistas já foram dizendo que se param Lisboa morre à fome.
Será que a memória socialista – e de muitos portugueses, em geral – é curta e se esquecem que o que realmente despoletou a queda de Salvador Allende, no Chile, não foram os militares – estes foram o objecto final – mas uma greve dos camionistas?
A reestruturação e reescalonamento da dívida pública portuguesa não pode continuar a ser feita à custa dos contribuintes efectivamente pagantes, sob pena de um bebé chorão, um dia, ver a lhe tirarem a chucha!

21 Maio 2008

O Dia de África em Portugal

O "Dia de África" vai ser comemorado em Portugal:

na Cidade do Porto, como habitualmente, no próprio dia 25 de Maio, com organização de personalidades luso-africanas (clique na imagem supra)


e em Odivelas, arredores de Lisboa, no próximo dia 24 de Maio, organização da RDP-África num previsto programa cultural, em colaboração com a Câmara daquela cidade dos arredores de Lisboa.

Do programa, que entretanto me fizeram chegar, destaca-se uma uma exposição colectiva de pintura no Salão Nobre da Câmara Municipal de Odivelas, à QUINTA DA MEMÓRIA, patente ao público, até ao final do mês.
Ainda no sábado, dia 24 de Maio, poderão assistir à apresentação de vários grupos tradicionais de música e dança de vários países, destacando-se Bonga, Semba Master, Tabanka Djazz, Hélder Rei do Cú Duro, Vadu, Dom Kikas, Orquestra Super Mamadjombo Gilyto.

Em casa de ferreiro, espeto…

(Foto Elcalmeida, via RTP-África)
Há um adágio popular na Europa que diz, mais ou menos, isto “em casa de ferreiro, espeto de pau”.
E pelos vistos também em Angola a situação é idêntica.
No já maior produtor de petróleo de África, a falta de gasolina é o pão-nosso de cada dia.
Enquanto na Europa, nomeadamente em Portugal há quem esteja largos minutos em bichas para atestar a sua viatura de gasolina a um preço mais convidativo, em Luanda, a capital do maior produtor de petróleo de África – e o maior exportador de crude para a China (ou como diz a canção "eles levam tudo e não deixam nada"...) – há quem esteja horas na bicha para conseguir uns litritos para a sua viatura!
A Sonangol diz que a situação já está regularizada.
O problema são os bidões e bidões que os luandenses guardam para especular.
Se a Sonangol – leia-se, o Governo angolano – não estivesse tão preocupado em tomar parte do capital dos Bancos angolanos e, ou, estrangeiros em vez de estabilizar os seus stocks nacionais ou se se preocupasse em pôr de pé e de vez – infelizmente, mas, do mal o menos – a refinaria do Lobito e recuperar a de Luanda – até já a compraram de vez – por certo que os angolanos, em geral, e os luandenses, em particular, não sentiriam a falta de gasolina.
E quem diz gasolina, por certo que dirá, também, a energia eléctrica, já que, se as barragens ainda não laboram a 100%, poderiam implantar nos arredores das grandes cidades, centrais termoeléctricas com o crude nacional.
E quase todos os dias a luz eléctrica só existe via geradores...

E passaram 4 anos; viva o 5º

Há 4 anos, depois de uma pequena experiência num blogue amigo "Ditadura do Consenso", começava, com um portal e logótipo próprios, esta minha caminhada na blogosfera.
Desde o início que afirmei a minha angolanidade e a vontade de ajudar, segundo as minhas ópticas, o desenvolvimento social e político do meu País.
Houve quem achasse que xingar e tentar insultar seria a forma mais fácil e rápida para me demover deste o caminho e fechar o Blogue.
Muitos me viam não como um Angolano mas como um Tuga perigoso e intrometido que se metia em terrenos que não eram meus. Como est(ão)avam enganados!
Neste dois últimos anos, e por duas vezes, senti que o Blogger parecia estar contra mim e me “prendia” o sistema.
Por duas vezes estive tentado a criar um novo blogue e, desta vez, sem me preocupar em ter paninhos quentes com a imbecilidade, a incúria, a impudência, ou o roubo descarado; ou seja, sem me preocupar com a vilania.
Felizmente que nas duas vezes – e quero acreditar que sim apesar de escritos em sentido contrário – devem ter acontecido acidentes de percurso dentro do sistema e do browser que suporta o Blogger.
Em qualquer dos casos, acreditem que não penso alterar a minha linha de pensamento só para agradar a uns certos “amigos” que me vão escrevendo sob anonimato.
Até porque, como já disse e escrevi várias vezes, não insulta quem quer mas quem pode! E se há alguém aqui que pode dizer “Vão à Tuge!”* sou eu!
E, assim, entro no 5º ano de existência epistemológica para azia de uns, felicidade de outros e, espero, compreensão analítica de muitos!
Aos que me honram com a leitura diária, felizmente já são mais de 150 visitas diárias, em média – nestes dois últimos dias e por razões que desconheço, ultrapassaram as 300 visitas –, aqueles que me têm incentivado a não esmorecer nunca, ao Rildo Ferreira pelos dois belíssimo logótipos que me ofereceu, um dos quais está a seguir ao original e o outro é o que actualmente aparece em relevo, aos meus companheiros de lides e de escritas noutros mêtiês, o meu muito obrigado.

* O angolê sabe o que é; os outros lusófonos utilizam uma palavra semelhante de ascendência francesa...

20 Maio 2008

MPLA impôs, MPLA votou

O MPLA tinha, há dias, proposto uma alteração à Lei Eleitoral, nomeadamente ao período para divulgação dos resultados, e hoje fez uso da sua maioria parlamentar para impor as alterações.
A Oposição não se esqueceu de relembrar os problemas do Zimbabué.
Caberá ao Tribunal Supremo, como Tribunal Constitucional dizer se reconhece legitimidade para esta alteração até porque estamos em vésperas – será que estamos? – de eleições legislativas.
Ou será que o MPLA teme perder as eleições como se infere das palavras do seu Secretário-geral, num comício havido no fim-de-semana no Lobito?
Ou será que quer que as cenas recentemente havidas no Bié possam vir acontecer e tornar o acto eleitoral impossível?
Eu gostaria que Angola continuasse a ver a sua classificação a subir no ranking dos mais pacíficos.
Mas estas atitudes e alterações não vão ajudar nada!

A quem interessa os actos anti-emigrantes na África do Sul?

(Imagem via RTP-África)

Há uns dias que reapareceram na África do Sul, mais especificamente, perto de Joahnnesburg, como Alexandra, os maus célebres Necklacing (colares de fogo) com que o Umkhonto we Sizwe, braço armado do ANC, castigava os seus opositores ou os colaboracionistas pró-Apartheid, mulheres são estupradas e lojas incendiadas.
Sob a desculpa de falta de trabalho – há uma taxa de desemprego na ordem dos 23% e –emigrantes zimbaueanos e moçambicanos (já morreram 6 moçambicanos) são perseguidos e mortos por populares sul-africanos.
Desde Janeiro que os ataques aos chamados emigrantes ilegais, ou indocumentados, se vêem registando. E paradoxalmente, ou talvez não, um dos líderes dessa sanha é um antigo refugiado dos anos do regime de apartheid e que voltou ao país sob a protecção do ACNUR.
Os actos já entraram na parte “nobre” da capital do ouro sul-africano.
Mas será que estes actos anti-emigrantes são mesmo derivados ou movidos unicamente por problemas sociais e económicos?
Não esquecer que o ANC vive com algumas tensões internas que se irão reflectir nas próximas eleições.
As disputas entre o presidente Thabo Mbeki, que tem sido tolerante com o Zimbabué, e Jacob Zuma, que quer uma maior pressão sobre Mugabe são por demais conhecidas e poderão aumentar durante a campanha eleitoral.
Também a Congresso dos Sindicatos Sul-Africanos (COSATU) reconhece que os problemas económicos sul-africanos não se devem à emigração; bem pelo contrário. Foi muito à custa desta que, desde há 100 anos, se tem desenvolvido o tecido económico sul-africano.
Não esquecer que cerca de 10% dos 50 milhões de habitantes da África do sul são emigrantes e são esses que têm mantido a crença Mundial de que os sul-africanos conseguirão realizar o Mundial de futebol de 2010.
Estes distúrbios aparecem no momento menos oportuno e que põe em causa a habitual imagem de tolerância tão querida do país do Arco-Íris.
Por isso a pergunta do título é pertinente. A quem interessam estes distúrbios na África do Sul?
Com estes desacatos e a imagem transmitida a comunidade internacional vai, por certo e conveniência de terceiros, se esquecendo do Zimbabué e do Congo Democrático…

STP, Governo cai?

O que realmente querem os santomenses, ao aprovarem a moção de censura ao Governo e provocarem eventual derrube 3 meses após a sua posse?
Até parece que não gostam de elogios...
Querem que algum chefe militar – e no Governo está um que já deu bastas provas de que gosta de se mostrar… – ou outra entidade, aproveitando a não presença do presidente – Fradique de Menezes está em visita oficial a Taiwan e ao Japão – provoque um Golpe de Estado?
E com isso, querem a intervenção armada – ou pressionante – de algum dos Estados que mais giram – leia-se, mais querem dominar – em torno de São Tomé e Príncipe?
Para bom entendedor meio-termo é suficiente para saber de onde virão as pressões quer a Norte, quer a Sul!
E desta vez não me parece que algum eventual putsch fique só pela ameaça.
E nessa altura não pensem os deputados e dirigentes santomenses que irão ser Governo a breve trecho ou que haverá eleições que os salvaguardem.
Acreditem que quando o poder chama não há Cartas da União Africana que valham aos povos. Já viram o Darfur, a Somália, o Chade ou o Zimbabué? Como estão?
Parece que há quem queira tornar as ilhas maravilhosas em dois rincões turísticos mas sob a protecção de terceiros…
Da fama já não se livram; e, por este andar, poderão ser mesmo a 19ª província… (até porque já ensinaram terceiros como actuar...)