02 Março 2012

Guiné-Bissau prepara eleições presidenciais antecipadas, mas…

"Como se sabe, devido ao prematuro falecimento, por doença, de Malam Bacai Sanha, a Guiné-Bissau vai a eleições presidenciais a 18 de Março próximo. Nelas vão ao pleito 14 candidatos, havendo pretendentes novos e, naturalmente, repetentes.

Ente os candidatos estão o actual primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior, com o apoio do PAIGC (não será já altura de alterar o nome do partido, nacionalizando-o e admitindo, de vez, que nunca haverá a tão desejada coligação Guiné-Bissau/Cabo Verde?), e Kumba Yalá, o antigo deposto presidente, que volta a concorrer com o apoio do Partido da Renovação Social (PRS), maior partido da oposição.

Mas também vão a “concurso” candidatos que foram preteridos pelos seus partidos de origem, nomeadamente, candidatos que queriam ser apoiados pelo PAIGC (“again”…) como, por exemplo, Baciro Djá, ministro, e Manuel Serifo Nahmadjo, presidente interino da Assembleia Nacional, concorrem como independentes a que se juntam, também como independentes, Luís Nancassa, professor ou Henrique Rosa, empresário, (um dos repetentes ao cargo).

Depois surgem candidatos apoiados por partidos mais pequenos ou candidatos de coligações, como Aregado Mantenquete, do Partido dos Trabalhadores (PT); Serifo Baldé, do Partido Democrático Socialista de Salvação Guineense (PDSSG); Iaia Djaló, do Partido da Nova Democracia (PND); Ibraima Djaló, do Congresso Nacional Africano (CNA); Cirilo Augusto de Oliveira, do Partido Socialista da Guiné-Bissau (PS-GB); Empossa Ié, do Centro Democrático (CD); e Vicente Fernandes, da Aliança Democrática (AD).

São 14 candidatos a uma cadeira que, até hoje, nunca viu nenhum dos laureados” terminar a sua função no respectivo lugar. (...)" (continuar aqui)

Publicado no , ed. 215, de hoje, pág. 21

Nota: já depois de ter sido elaborado e enviado o artigo acima, soube-se que, afinal, só 10 candidatos é que foram aceites pelo Supremo Tribunal de Justiça, entre eles, os principais.

29 Fevereiro 2012

Novas mudanças?...

Nos”mentideros”, que se dizem próximos da Cidade Alta, fala-se em perspectiva de novas mudanças no espectro político governativo angolano.

Um dos casos, ou talvez o único episódio, e em qualquer dos casos, o mais mediático – até pelo facto de aos “media” dizer respeito – passará pela ida de Manuel José Ribeiro, o actual director do Jornal de Angola e seu principal editor de combate, para Ministro da Comunicação Social em eventual substituição de Carolina Cerqueira que, como alguns insinuam, não ter capacidade – leia-se, poder, – para exercer em pleno as suas funções.

Das duas uma, ou a senhora não é realmente qualificada e como tal, naturalmente, o Presidente Eduardo dos Santos – até às eleições, gostemos ou não, é-o por direito constitucional (enfim) – deverá substituí-la ou alguém teme que a senhora ministra comece a desenvolver medidas conducentes a uma maior e plena igualdade entre os meios comunicacionais para uma mais equilibrada e justa campanha eleitoral como tem defendido e como tem sido saudada pelos diferentes órgãos de comunicação social, dito independentes, e por alguns jornalistas, claramente independentes.

Ou seja, parece que as suas medidas estão a criar problemas intestinais a alguns políticos e, por essa via, procuram desestabilizar o tal espectro político governativo angolano.

Vamos aguardar serenamente e “não pagar” para ver!...

Excesso de medidas de segurança ou receios conspirativos?

(imagem Jornal de Angola online)

O secretário-geral (SG) da ONU, senhor Ban Ki-Moon, esteve em Luanda em visita oficial de cerca de dois dias.

Esteve em Luanda e contactou a comunidade e sociedade civil luandense. Mas, segundo o SG não conseguiu contactar com a Oposição e com a sociedade civil foi o que se segue…

Mas, o problema é que o excesso de segurança levou a que as autoridades angolanas impedissem as pessoas que foram para o debate de entrarem com quaisquer “produtos” como denuncia a APJD (Associação Justiça, Paz e Democracia) num comunicado que enviou para a sociedade Civil.

Excesso de protecção ou demasiados receios conspirativos? Em qualquer dos casos foi posta em causa a civilidade e democraticidade do nosso Povo, no que, naturalmente, se reflectirá nos rankings internacionais de Angola.

Vejamos o que a AJPD nos diz e o comunicado presidente, o jurista António Ventura:

“AJPD tinha preparado para apresentar na reunião da sociedade civil com o Secretário Geral das Nações Unidas, mas que não foi possível ler porque os serviços de segurança angolano no local proibiram os participantes de entrarem para a sala com papel, esferográficas, livros, Pen Drive, CD’s, máquinas fotográficas, gravadoras, telemóveis, pastas de documentos, etc. Ninguém podia entrar para a sala de reuniões com nenhum objecto incluindo dinheiro.” (o itálico é meu)

Comunicado.

«Excelência,

A Paz constituiu uma marca indelével na mudança de vida das populações em Angola. E tem mudado a maneira de viver dos angolanos. No entanto, o processo de Reconstrução Nacional e o merecido crescimento económico ainda não se traduziram em desenvolvimento das pessoas e, muitas vezes, é acompanhado de violações dos Direitos Humanos, concretamente os direitos à terra e ao meio ambiente saudável, sem que as vítimas sejam devidamente indemnizadas e assistidas, conforme impõem as leis nacionais e internacionais aprovadas pelas Nações Unidas.

Como é do conhecimento geral, Angola como país membro das Nações Unidas, ratificou vários tratados de protecção dos Direitos Humanos. Esta realidade também está vertida na Constituição da República de Angola, e nas demais leis, bem como nos Tratados e Convenções Regionais ratificadas por Angola. No entanto, a observância e o respeito pelos direitos, liberdades e garantias fundamentais dos cidadãos são, muitas vezes, violados pelos Agentes do Estado. Por exemplo:

- Liberdades Fundamentais: Os direitos de reunião, manifestação, associação são constantemente restringidos pelas forças policiais e militarizadas e pela Administração do Estado;

- O direito à informação e liberdade de Imprensa: a Imprensa Pública tem vindo a ser, cada vez mais, parcial, controlada pelo Executivo – há constantes censuras de informações de carácter público e manipulação da informação, é usada frequentemente para intimidação de pessoas singulares, organizações e instituições privadas que não sufragam as posições e as ideias de quem está no exercício do poder político; a imprensa pública é um meio de propaganda das acções do Executivo, não promove o pluralismo de conteúdos de ideias ou de opiniões e o exercício contraditório, por fim, é recorrentemente, utilizada como meio de desinformação dos cidadãos, em detrimento do interesse público e para ultrajar membros da oposição política.

- Boa Governação, Transparência Justiça Económica: Constata-se em Angola um processo de acumulação de riqueza por parte das elites políticas por meio de actos de corrupção e tráfico de influência, consubstanciado na prática da elite política usar os meios do Estado (fundos do petróleo, diamante, etc) para enriquecer os seus familiares mais chegados – filhos, primos, tios e também amigos, em manifesto nepotismo, contrariamente ao que dispõe as Convenções das Nações Unidas e da União Africana sobre a corrupção de que Angola é parte. O acesso à informação sobre a gestão das contas públicas, sobre as contratações públicas não é fácil.

- Eleições, democracia e Estado de Direito: O processo de preparação das próximas eleições tem sido feito de acordos com as condições existentes no país, mas com muitos atropelos às leis que regulam o processo eleitoral em Angola e contra as Normas e Princípios da SADC sobre as eleições, sem que os órgãos de gestão eleitoral competentes tomem medida; o sistema judicial funciona com deficiência e manifesta frequentemente dependência funcional do Executivo. A democracia participativa é incipiente e quase não é aceite.

A Sociedade Civil tem estado a colaborar através de actos de educação cívica, desenvolvimento de programas e projectos de Educação para o respeito pelos Direitos Humanos, monitoria das Políticas Públicas no domínio da educação, saúde – com maior pertinência no combate ao VIH/Sida e Malária; programas de promoção do género e participação da mulher na vida pública.

Assim, recomendamos ao senhor Secretário Geral das Nações Unidas:

- Que as Agências das Nações Unidas representadas em Angola e não só, continuem a dar o seu apoio ao processo de reconstrução e reconciliação nacionais; ao combate ao VIH/Sida e grandes Endemias; ao processo eleitoral, ao processo de fortalecimento da sociedade civil através da formação dos seus membros, de apoio financeiro aos seus projectos de impacto social.

Muito obrigado!

Pela Associação Justiça, Paz e Democracia

António Ventura

(Presidente)»

28 Fevereiro 2012

A Democracia segundo o "The Economist"









Esta é a nossa posição no Índice de Democracia 2011, de acordo com a revista britânica "The Economist" e citado aqui.

Sem comentários, a não ser que estamos demasiado "mal" acompanhados e muito pouco bem classificados.

Para ser ponderado por quem deverá fazê-lo. Por mim, cito um conhecido britânico do futebol, entretanto já falecido "No comment!"

Com a curiosidade de Portugal estar considerada como uma "Democracia Imperfeita" e logo atrás de... Cabo Verde!

23 Fevereiro 2012

Recuperar estradas é bom, mas...

(imagem ©Expansão)

INEA prevê recuperar três mil quilómetros de estrada

Este projecto insere-se no Programa de Investimentos Públicos e, a partir deste ano, a prioridade vai para a Estrada Nacional 180, onde se destaca a recuperação dos troços Dundo/Saurimo/Luena, Dundo/Xá Muteba, Luena/Bié e Luena/Kuando Kubango.” (notícia do portal d' Expansão)

É muito bom que se recuperem as estradas, verdadeiras artérias e veias do desenvolvimento do País.

Todavia, bom seria também, que se começasse, e de vez, a preocupar com a recuperação imediata - já passaram 10 (dez) anos desde o fim da guerra - das ligações de redes de água e energia, principalmente, nas principais cidades e vilas angolanas e nas que poderão cimentar o aumento do turismo.

Pelos menos, e de imediato, aqui naquelas, depois, e tão breve quanto possível, nas restantes!

Não basta quererem, e bem, que o País esteja na vanguarda do turismo em 2020 se não houver condições para isso.

Ou será que pensam que basta só hotéis (ainda poucos) e estradas boas aliadas às nossas magníficas praias e paisagens?

22 Fevereiro 2012

Foi há 10 anos!!…

Morte de Savimbi foi desnecessária porque a paz chegaria em breve — general Camalata Numa:

Isso agora é irrelevante se os acordos de paz seriam antes ou depois da morte de Savimbi, o que é interessante é como se há-de consolidar essa paz com desenvolvimento humano, fim da pobreza e exclusão social, desemprego e todos os males que fazem questão de não abandonar o quotidiano da maior parte dos angolanos(in CIAngolano)

Passaram dez anos mas acredito o Mais Velho, onde quer que esteja, não estará, por certo, satisfeito com o que os seus seguidores têm feito à UNITA.

Acredito que ainda virão bons ventos e boas ideias aos actuais dirigentes e introspectivarem que o melhor para Angola não é criticarem os que criticam ou sugerem ideias diferentes/inovadoras mas recebê-las, analisá-las e, em caso disso, adoptá-las ou guardá-las para tempos melhores.

Com estas atitudes só os adversários políticos ganham proveitos!

Ainda há tempo até às eleições…