13 Abril 2014

Eleições na Guiné-Bissau

Hoje há eleições legislativas e presidenciais na Guiné-Bissau.

O Alto-representante da ONU para a “estabilização política” da Guiné-Bissau, senhor Ramos-Horta, há pouco tempo, não deixou de aconselhar que todos aceitem o veredicto das urnas e do vencedor chamar todos ao Governo para que o resultado seja um executivo forte e unido na persecução de uma boa-governação.

Ou seja, e por outras palavras, e a interpretação é minha, aconselhou aos partidos que se unissem para evitarem que os militares voltem a fazer das suas e se arrumem, uma vez mais, no Poder (até porque agora não há desculpa que os militares angolanos – Missão de Cooperação Militar de Angola na Guiné Bissau (MISSANG) – estão no país para o dominar…).

São candidatos à presidência os seguintes pretendentes:
1- Arregado Mantenque Te (PT)
2- Abel Incada (PRS)
3- Paulo Gomes (Independente)
4- Jose Mario Vaz (PAIGC)
5-  Ibrahima Sorry Djalo (PRN)
6- Jorge Malu (Independente)
7- Afonse Te (PRID)
8- Nuno Gomes Na Bian (Independente – apoiado pelo fantasma de Koumba Yalá)
9- Helder Lopes Vaz (RGB-MB)
10-  Iaia Djalo (PND)
11- Domingos Quade (Independente)
12- Cirilo de Oliveira,Partido Socialista (PS)
13- Luis Nancassa (Independente)

Às legislativas candidatam-se os partidos:
  1. Frente Democrática Social (FDC)
  2. Manifesto do Povo (MP)
  3. Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC)
  4. Partido da Convergência Democrática, PCD
  5. Partido da Nova Democracia (PND)
  6. Partido Republicano da Independência para o Desenvolvimento (PRID)
  7. Partido da Reconciliação Nacional, PRN
  8. Partido da Renovação Social (PRS)
  9. Partido Social Democrata (PSD)
  10. Partido Socialista da Guiné-Bissau (PSGB)
  11. Partido dos Trabalhadores (PT)
  12. Partido Unido Social Democracia (PUSD)
  13. Resistência da Guiné-Bissau (RGB/Movimento Bâ-Fata)
  14. União para a Mudança (UM)
  15. União Patriótica Guineense (UPG)

Vamos aguardar que o acto seja o mais calmo, sensato e o resultado o mais democraticamente aceite.


E sem fantasmas, de preferência…

10 Abril 2014

Eduardo dos Santos a Nobel da Paz – Comentário

Adoro quando se quer dar primazia à adulação para se tornar falado nas artes apostólicas da epistemologia comunicacional. Penso, mesmo, que é uma arte muito nossa – pelo menos, ultimamente – e bem aprendida com o actual dilema do antigo colonialista: bajular, bajular, bajular e quando não é bajular é subservir, subservir, subservir, sem esquecer a cunha, a nossa eterna gasosa!

Periodicamente e quando começam as “inscrições” para os Prémios Nobel lá surgem os habituais candidatos a um deles, nomeadamente o mais desejado, pelo menos a nível de interesse comunicacional: o Prémio Nobel da Paz. Pré-candidadtos e candidatos e quase certos… candidatos, nunca faltam. E se não são os próprios a se auto-proporem há sempre uma alma caridosa que nos oferece um nome, por mais estranho ou impossível que seja.

Não é o caso, mas já há uns 4 ou 5 anos que há sempre alguém que manda o seu nome para os meios informativos. De certeza que ele não tido nem achado e se deve divertir à grande ver os proponentes fazerem figura de acanhados.

Falo da proposta de Eduardo dos Santos a Nobel da Paz! A última foi avançada pelo cónego Apolinário ou Apolónio (nem no nome há acordo entre os meios de informação que avançaram esta proposta), um membro de destaque da Igreja Católica angolana, em recente entrevista ao Jornal de Angola (só podia…; lisonja por lisonja).
Não me parece impossível a sua candidatura; muito natural até. Se Barack Obama que fez a guerra no Afeganistão – onde ainda hoje morrem civis “por engano” – foi laureado com o Nobel da Paz, se Vladimir Putin, líder da recente anexação militar da Crimeia e dos ataques militares e mortíferos à Ossétia e Abkázia (retirados a Geórgia que, por acaso, até é associada da OTAN, coisas…) foi um dos principais candidatos – quase certo –, no ano passado, ao Nobel da Paz, porque Eduardo dos Santos que também teve uma guerra de onde saiu vencedor; esteve, indirectamente, no caso do 27 de Maio de 1977 então como líder da Comissão que estava a analisar o fraccionismo no seio do MPLA e que degenerou naquele datado caso, é o líder da Nação mais que mais se tem desenvolvido (política e economicamente que não socialmente) em África só ultrapassada – e viva o auto-sabujismo – pelas contas no novel PIN nigeriano, não há-de ser um natural candidato.

Nesse aspecto Oslo não é esquisita; aceita qualquer candidatura independentemente de ela vir de onde venha e de quem a proponha.

Mesmo que seja um cónego que vê a sua Rádio Eclésia-Emissora Católica de Angola continuar a ser condicionada nas transmissões radiofónicas só à cidade/província de Luanda e nada mais!


Adulação não tem limites; ou talvez tenha sido uma forma de louvaminhar as ideias de quem continua a não admitir a expansão radiofónica da Rádio Ecclésia; através da Cidade Alta…

(escrito em 10/Abril e posto aqui em 12/Abril/2014)


Igualmente publicado no semanário Folha 8, em 12-Abril-2014, pág 8, sob o título «A adulação não tem limites»

08 Abril 2014

Deputados: quer-se exclusividade!


De acordo com a TVI (televisão independente, Portugal) o partido político Bloco de Esquerda - considerado próximo da esquerda mais radical ou extrema-esquerda, conforme os azimutes - quer que os deputados eleitos para o Parlamento português (a Assembleia Nacional portuguesa) gozem - tenham - um regime de exclusividade para evitarem aquilo que muitos praticam: mixórdia entre as actividades legislativas e as práticas de actividade privada (às vezes bem pública...)

Subscrevo esta pretensão do Bloco de Esquerda português. Até deveria ser extensiva a todos os representantes eleitos do Povo - diria, a todos os que, verdadeiramente, são os legítimos representantes do Povo e não funcionários partidários.

Na realidade se isto viesse a acontecer, acredito que só haveria no parlamento luso deputados do BE, e mesmo assim...

04 Abril 2014

Há 12 anos de Paz militar mas não faltará a Paz social?...

"Faz hoje 12 anos que as armas se calaram, oficialmente, em todo o território nacional com a assinatura do Memorando de Paz de 2002.

Bom, infelizmente não se pode dizer que a Paz militar é total em todo o País; porque em uma certa parte do território nacional ainda vão persistindo alguns recontros militares, mesmo que esporádicos e a espaços, entre as FAA e os rebeldes (insurgentes, secessionistas, independentistas ou que quiserem chamar, mas que existem) da FLEC em Cabinda.

Do mesmo território que nós persistimos, e bem na minha opinião, em considerar angolano mesmo que sendo enclave, mas que o nosso governo pareceu estar disponível em “descartar” ao aceitar a anexação da Crimeia pela federação russa ao criticar aqueles que na Assembleia-geral condenaram essa mesma anexação.

Talvez uma disparatada distração semântica ou uma preparação para o Governo vir admitir aquilo que muitos de nós preconizam, entre eles, este que aqui assina, ou seja um estatuto autonómico especial para a província de Cabinda. Para isso, claro, há que alterar a nossa Magna Carta.

Em 12 anos muito aconteceu com a Paz militar e muito há ainda por se fazer para uma efectiva Paz social.

- Desenvolveu-se o Pais – é um eterno estaleiro de obras –, mas ainda faltam muitas casas para a população, água e luz e um saneamento básico por incrementar;
- Há uma Constituição, um Governo, mas ainda não há total justiça social nem um poder autárquico assente no voto dos que vivem nas comunas, nas aldeias, nas vilas, nas cidades, nas províncias;
- Há muito dinheiro resultante da, talvez, desmesurada extracção do petróleo, dos diamantes, de alguns minérios, mas o seu legado continua a estar dividido por muitos poucos em detrimento de muitos que ainda subsistem na miséria;
- Há partidos e organizações políticas legais, mas quem ouve, lê ou televê as notícias fica com a ideia que só há um partido no País; só muito esporadicamente se vislumbram notícias televisivas dos partidos da oposição;
- As principais vias-férreas estão quase totalmente operacionais, mas não teria sido mais aconselhável agora que estávamos a recuperar estas vias, ter modernizado as linhas ferroviárias tornando-as mais apelativas aos utilizadores (passageiros e aos exportadores/importadores) electrificando os caminhos-de-ferro? (...)" (continuar a ler aqui

Publicado no semanário Novo Jornal, edição 323, de hoje, 1º Caderno, pág. 22

24 Março 2014

Voo MH370 pode ter despenhado – comentário

(imagem da Internet)

Segundo a Malaysia Airlines o voo “perdido” há cerca de duas semanas ter-se-á despenhado no Oceano Índico, ao largo da cidade australiana de Perth, sem que haja sobreviventes.

Até aqui nada demais, se…

Se a rota indicada para a autonomia do voo – mesmo considerando um acréscimo previsto de mais uma hora de voo – não estivesse fora, e bem fora, a área indicada do possível despenhamento.

E como só agora uma empresa britânica é tão certa nas suas conclusões, quanto ao despenhamento do avião Boeing 777; ora segundo uma foto ontem divulgado o satélite Inmarsat estará posicionado numa área bem longe do previsível local da queda da aeronave, mas...

Se o voo “perdido” continuasse em zona de cruzeiro, ou seja, a 30 mil pés de altitude, cerca de 12 a 15 mil metros, e não, como estão fartos de indicar que o avião tenha descido para cerca de 1500 metros de altitude. Uma coisa é consumir combustível em voo de cruzeiro a altitude "normal", outra, bem diferente, é consumir substancialmente mais em voo de baixa altitude; logo, diria, impossível os destroços serem do voo MH370, salvo se…

Se os telemóveis/celulares não continuassem a recepcionar as transmissões que são feitos para eles, embora os seus donos e utilizadores não “respondam”.

Se tivesse despenhado e ficado destruído, como indicam as últimas notícias, não me parece que os referidos celulares continuassem a recepcionar as chamadas telefónicas, mas…

E é estranho que a companhia afirme que está confirmado o despenhamento e que o primeiro-ministro malaio também o confirme e não mostrem provas, efectivas desse despenhamento, salvo umas hipotéticas fotos de um satélite chinês e obtidas a demasiado altitude para um satélite e sem boa resolução.

Até agora não ouvimos as autoridades australianas afirmarem que recolherem peças identificadoras do avião malaio, que terá despenhado. Mas…

Mas, ainda bem que não somos das teorias da conspiração, principalmente depois de ter sido desviado, de haver conluio de ou dos pilotos, de…, enfim…

Parece haver, da parte da companhia malaia e depois de muitas críticas, uma vontade expressa de descartar qualquer intenção de manter a dúvida por mais tempo, mesmo que isso implique desvirtuar qualquer verdade do voo MH370.

Ou da companhia malaia ou das autoridades chinesas para não admitir que dentro do país também há vontades secessionistas que vão do Tibete aos territórios do noroeste de maioria islâmica.

14 Março 2014

Os preços nos mercados (formal e informal) de Luanda...


Ficam aqui alguns produtos onde se registam diferenças assinaláveis entre o Mercado informal, no caso o Mercado de Catinton, no distrito urbano da Maianga (o antigo Mercado dos Materiais), e os preços nos Mercado dito formais.

Este gráfico está publicado no semanário Novo Jornal, edição 320, de hoje, nas páginas 18 e 19. Um gráfico bem elucidativo sobre como alguém anda a gasosar em demasia a vida dos luandenses...

Cada um tire as suas conclusões!