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08 agosto 2024

A visita de Montenegro a Angola e a “não-atenção” à Oposição Angolana e um esclarecimento prévio

Na recente viagem – a primeira a um país de língua oficial portuguesa, que não Portugal, claro… – fui abordado para dar a minha opinião sobre o que poderia antever dessa visita. Por lapso, certamente, ou por deficiente na audição da conversa telefónica em que possa ter havido interferência que colocasse dúvidas na sua audição, o meu entrevistador, por acaso, jornalista do Novo Jornal, repito, certamente por lapso, colocou no texto que eu teria dito que o PSD, o PS e o MPLA seriam partidos comunistas, o que não corresponde à verdade.

Recordo-me, por causa das boas relações que sempre houve entre partidos portugueses e o Governo de Angola, liderado, desde a independência pelo MPLA, de ter falado no PSD e de ter afirmado que no caso do PS e do MPLA, essa relação até era mais consistente, dado ambos pertencerem à Internacional Socialista (talvez a deficiente audição esteja aqui…). E até falei nas boas relações que existem entre o MPLA e… o CDS-PP que, não me recordo de as ver citadas

Bom, honestamente, e verdade seja dia, num país onde já quase predomina o 5G, no caso de Portugal, não poucas vezes as chamadas caem, mesmo as chamadas, “ditas normais”, quanto mais as via Whatsapp, embora a chamada tenha sido via “normal, mais natural ainda que em Angola, onde é o 4G que procura assentar, as “audições”, por vezes, sejam e se tornem, difíceis.

E como sou acusado de, por vezes, falar muito depressa, principalmente em matérias que me são muito próximas, daí, continuo a dar o total benefício e dúvida ao jornalista que me entrevistou. Por exemplo, ainda ontem numa entrevista sobre uma outra matéria, pediram-me que fosse menos rápido porque estavam a ter dificuldades em compreender algumas partes; esta conversa foi via Whatsapp e não sei quando será publicada – se for…

Mas recordemos, um pouco como tem evoluído – e já muito debatidas – desde sempre as relações entre os dois países e, a recente tomada de posição do primeiro-ministro português Luís Montenegro, face à Oposição, na visita que fez a Luanda.

As relações entre Portugal e Angola têm sido históricas e complexas, e têm evoluído ao longo dos anos, especialmente desde a independência de Angola em 1975. O laço entre os dois países é influenciado por laços históricos, culturais e económicos, e começou a ser redefinido após o fim da guerra civil em Angola e a descentralização de sua economia, levando Portugal a cada vez mais procurar reforçar a sua presença económica em Angola, aproveitando a busca do país em tentar continuar a diversificar as suas parcerias e investimentos externos.

Só que a questão das reformas económicas em Angola, a luta contra a corrupção e a promoção dos direitos humanos continua a ser factores chave que influenciam as relações entre Angola e muitos potenciais financiadores.

Todavia, não devemos esquecer a “fama” e o “proveito” que o “Corredor do Lobito” tem, e continua a obter, juntos de muitos investidores, seja, portugueses, belgas, suíços, norte-americanos – principalmente – e de outras nacionalidades que começam a se perfilar para integrarem a “Lobito Atlantic Railway” (LAR) que explora este corredor ferroviário e a sua ligação ao porto do Lobito, bem como o interesse o Interland Africano em aproveitar esta importante infra-estrutura.

Sobre Luís Montenegro, enquanto líder do PSD (Partido Social Democrata) em Portugal, a sua posição em relação a Angola, era uma, a de relações entre partidos e organizações políticas luso-angolanas. Naturais, ou estas não fossem muito cordiais – diria, muito boas – entre o PSD e Angola, com algum especial destaque, para as relações entre o PSD e o Governo de Angola (liderado pelo MPLA).

Agora, já, propriamente, sobre a visita de Montenegro, enquanto primeiro-ministro, pode ser interpretada através do prisma do realismo político e das relações bilaterais. Montenegro tem enfatizado a importância das relações de Portugal com os países africanos de língua portuguesa, mas a sua abordagem pode ser sensível ao contexto político interno de Angola e às suas implicações para a oposição.

Por isso, ainda que, porquanto observador angolano possa considerar pouco cordial, já como analista e académico o não ter mostrado “capacidade” para falar com a oposição angolana, pode ser visto como um reflexo de uma estratégia política mais ampla que evite evidenciar posicionamentos que possam ser considerados intervencionistas e, ou, intromissores.

Essa hesitação pode ser motivada pela preocupação com as repercussões que uma tomada de posição pública possa ter em termos de diplomacia ou estabilidade bilateral. Além disso, muitas vezes, figuras políticas optam por não se envolverem em dinâmicas internas de outros países para não comprometer as relações diplomáticas ou para evitar acirrar tensões e criar novos “casos irritantes” que possam levar a consequências imprevistas.

Assim, a posição de Luís Montenegro e do PSD em relação a Angola poderá ser entendida no contexto das dinâmicas políticas e económicas, bem como das suas implicações para as relações bilaterais e a segurança política numa região já marcada por suas próprias complexidades.

E o recente “debate” que as ONG da Sociedade Civil levantaram aos Procuradores-gerais de Angola e Portugal sobre Isabel dos Santos e os activos nacionalizados e vendidos por Portugal e ainda – supostamente – não canalizados para Luanda, é mais um facto que leva – presume-se – a posição (equi)distante de Montenegro face à Oposição Angolana e à comunicação com as questões levantadas.

Daí que, repito e tendo em conta uma recente análise do Africa Monitor, sobre o referido distanciamento de Montenegro face à Oposição – não se sabendo que entre Montenegro e Adalberto Costa Júnior parece haver uma ligação directa entre ambos, enquanto líderes partidários –, a posição do primeiro-ministro português, não surpreende.

Realmente, como poder-se-ia surpreender quando, antes da visita, a Amnistia Internacional e a própria UNITA solicitaram a Luís Montenegro que, e cito de memória,

em vésperas da sua visita a Angola, que aproveitasse a ocasião para abordar com as autoridades de Luanda, várias questões relacionadas com os Direitos Humanos e com as liberdades cívicas e políticas que, na opinião deles, consideram estarem, de forma sistemática, a ser violadas pelo regime.

Ora, sejamos honestos, como poeria um primeiro-ministro que ainda está nos primeiros degraus da sua liderança política, ir, logo na sua primeira visita a Luanda (e a Benguela – parece que se esqueceu que Lobito é a sede do ois empreendimentos; pelo menos não li que tivesse ido à minha cidade, ou estarei errado… também…) –, criassem um… irritante?

Até lá,…

Lx, 8.Agosto.2024

09 julho 2018

Estado da Nação: Investigador diz que dossiê económico é prioridade da visita de Costa a Angola


(foto ©RTP via MSN.com)

Análise/Entrevista concedida à jornalista Joana Hadeler, da Agência Lusa, no final da semana passada e hoje mais desenvolvida.
(parte desta entrevista, publicada no passado dia 5 pode ser lida, por exemplo, em: https://www.publico.pt/2018/07/05/politica/noticia/investigador-lusoangolano-diz-que-rio-foi-a-luanda-como-secretario-pessoal-de-costa-1836999 (jornal “Público”) )

O artigo «
Estado da Nação: Investigador diz que dossiê económico é prioridade da visita de Costa a Angola» da Jornalista Joana Hadeler, com áudio (link em baixo)
O investigador luso-angolano Eugénio Costa Almeida defendeu hoje que o dossiê económico, nomeadamente o tema da transferência de divisas dos trabalhadores para Portugal, deve ser um tema prioritário a abordar pelo primeiro-ministro, António Costa, na sua visita a Angola.
O investigador do ISCTE (Instituto Universitário de Lisboa) considerou, em declarações à Lusa, que as relações entre Portugal e Angola “já estiveram muito mais frias do que agora, pelo menos em termos institucionais e governativos”. 
Por outro lado, o relacionamento entre os povos dois países “mantém-se normal e saudável”.
“Em termos gerais, as relações estão a melhorar”, disse, dando o exemplo de as autoridades angolanas já terem designado o novo embaixador em Lisboa, Carlos Alberto Fonseca, que deverá entregar as cartas credenciais ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, na próxima quarta-feira.
O especialista em Angola comentava o atual panorama das relações entre Lisboa e Luanda e as perspetivas da viagem oficial do primeiro-ministro português a Angola, um tema que poderá ser abordado no debate do estado da nação, na próxima sexta-feira, na Assembleia da República.
A viagem “está a ser tratada com luvas de veludo”, considerou, referindo que “além das relações políticas e institucionais, há vários dossiês que têm de ser tratados”.
A facilitação das transferências de divisas dos expatriados portugueses em Angola é um dos temas prioritários, no entender de Eugénio Costa Almeida, que apontou como um dos entraves o facto de Luanda continuar a utilizar como moeda corrente o dólar, advogando que Lisboa pode ajudar aquele país africano a “ter acesso ao euro mais vantajoso”.
Por outro lado, a “normalização do pagamento das importações” é outro assunto pendente entre os dois países, mencionou, referindo que “Portugal não espera que Angola pague tudo de um dia para o outro, terá de ser de forma faseada”.
“O dossiê económico vai ser complicado e tem de ser abordado com ponderação e paciência”, disse.
Antes, Eugénio Costa Almeida comentara que, historicamente, o MPLA (partido no poder em Angola) tem melhores relações com o PSD português do que com o PS, apesar de ambos os partidos pertencerem à Internacional Socialista.
Em causa está, na sua opinião, apoios de setores do PS à UNITA, maior partido da oposição em Angola, durante a guerra, “um trauma que é difícil de ultrapassar”.
A visita de António Costa a Luanda está prevista para este ano, após ter sido sucessivamente protelada devido ao processo que corria na justiça portuguesa envolvendo o ex-vice-presidente angolano Manuel Vicente, e que as autoridades angolanas exigiam que fosse transferido para o seu país.
Da parte do Governo português, a intenção é que a deslocação de António Costa se realize ainda este verão, mas o Presidente angolano, João Lourenço, foi mais cauteloso, dizendo apenas que será certamente este ano e que ele visitará Portugal depois.
João Lourenço também garantiu que a visita não está dependente do processo que envolve o ex-vice-Presidente angolano Manuel Vicente, o que o Governo português tinha classificado como “um irritante” nas relações entre os dois países.
Questionado sobre se esta posição do executivo angolano respeita o princípio da separação de poderes, Eugénio Costa Almeida considerou que “a justiça e o poder político em Angola estão casados com comunhão de bens”, referindo que “Angola ainda não está suficientemente madura nessa separação”.
O chefe da diplomacia angolana, Manuel Augusto, estará hoje e terça-feira em Portugal, sendo recebido por Marcelo Rebelo de Sousa e pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, sendo a preparação da visita de António Costa um dos temas do encontro dos dois governantes.  
A Procuradoria-Geral da República (PGR) de Angola informou no final de junho ter recebido da congénere portuguesa, no dia 19 de junho, a certidão digital integral do processo envolvendo o ex-vice-Presidente angolano, mas indicou só com a receção em formato papel poderá continuar diligências.
O envio do processo de Manuel Vicente para as autoridades judiciárias angolanas resultou de uma decisão, em sede de recurso, do Tribunal da Relação de Lisboa.
O julgamento da Operação Fizz teve início em 22 de janeiro e assenta na acusação de que o ex-procurador Orlando Figueira recebeu 760 mil euros para arquivar processos de Manuel Vicente no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), um deles, o caso da empresa Portmill, relacionado com a aquisição em 2008 de um imóvel de luxo situado no Estoril.
JH (IEL/PD/PVJ/FC/CC/GC) // VM
Lusa/Fim

03 maio 2018

05 abril 2018

Neutralidade colaborante conveniente no caso Skripal - artigo

«Desde há umas semanas que se regista um litígio entre o Reino Unido e a Rússia por causa de um eventual envenenamento de um antigo espião russo, de nome Sergueï Skripal, em terras de Sua Majestade, com um produto muito neurotóxico.
Nada demais, até habitual este bate-bocas entre dois países da antiga «Guerra-fria» de concepções políticas e económicas diferente, não fosse, em princípio, esta dita guerra-fria parecia estar ultrapassada no tempo.
O problema é que a coisa ressecou entre os dois países com a acusação, pelo Reino Unido, de terem sido russos a envenenar o antigo espião num bar ou botequim e, com ele a sua filha e um polícia que os terá socorrido.
A Rússia e o governo do senhor Putin refutaram, liminarmente, as acusações e devolveu-as à Senhora Theresa May, líder do governo britânico, por serem de uma “desfaçatez inaudita, sem precedentes” e roçar o “banditismo”.
Bate-bocas normais e naturais, se…
Se o Reino Unido não tivesse expulsado diplomatas russos – leia-se, espiões, – como represália por Moscovo não ter assumido a origem do envenenamento e continuar a negá-lo; e se, como solidariedade, os países ocidentais, nomeadamente – porque ainda é Estado–membro – a União Europeia, e mais tarde, os EUA e a Austrália, procederam da mesma maneira, com a previsível retaliação, na mesma moeda – com ingleses já aconteceu –, por parte dos russos; ou seja, expulsão de diplomatas ocidentais.
Só que um país da União Europeia, e por acaso o mais velho aliado do Reino Unido, não seguiu essa linha e pensamento e atitude. Refiro-me a Portugal.
O MNE português Santos Silva – similar ao nosso MIREX – apesar de se solidarizar com os actosda UE e NATO – de que é Estado-membro fundador, e que também expulsou diplomatas russos –,não vê necessidade de o fazer, de imediato, ainda que não tire essa hipótese da equação. A única coisa que o MNE fez foi chamar o Embaixador português em Moscovo, a Lisboa, considerado pelo Ti Celito, como um constitui “um aviso” e “uma decisão forte por parte do Estado português”» (...)
Pode ser lido, na íntegra, em Vivências Press News: http//vivenciaspressnews.com/neutralidade-colaborante-conveniente-no-caso-skripal/ 

Publicado em 30 de Março de 2018

30 dezembro 2016

A hipocrisia diplomática tem limites...

As relações entre estados são caracterizadas por actos que são realizados entre os seus representantes, mas sustentadas em instrumentos próprios que institucionalizam essas relações, onde as pessoas que os levam a efeito são meros elos de uma cadeia contínua e sustentada.

Ou seja, as relações são entre Estados e não entre pessoas. Até aqui, tudo natural, não fosse que gere os Estados pessoas "susceptíveis" nas relações pessoais.


E dito isto, é de uma hipocrisia total que nossos representantes critiquem (ainda que, oficialmente, possam nunca ter expresso verbal ou não críticas às alterações governativas na cidade de Niemeyer) o certo é que órgãos oficiosos (imprensa e partido) o fizeram e não forma nada meigos, nomeadamente, com o Presidente substituto e o “seu” novo Governo, e, depois, esperem que Brasília mantenha o seu estatuto de actor privilegiado nas suas relações connosco, pressionando estes a retomarem a linha de crédito que tinham connosco.

Por isso não seria de esperar outra coisa que uma retaliação diplomática de Brasília na suspensão de créditos, nomeadamente, os que eram sustentados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a contas com as investigações sobre esquemas de corrupção a diversas personalidades brasileiras com ligações externas, onde, entre os visados, está a construtora Odebrecht. Esta foi a desculpa necessária e caída do céu para o reforço da retaliação.

Compreendo a posição do ministro Chikoty, principalmente depois posição de Israel, transmitidas pelas absurda, quanto inopinada, atitude do seu diplomata em Luanda, tudo porque Angola apoiou a Resolução 2334 que critica os colonatos judeus na Cisjordãnia, (ainda que esta tomada de posição de Telavive não tenha sido, formalmente, anunciada a Luanda).

Face a estas considerações, é bom que alguns dos nossos diplomatas e jornalistas compreendam que a hipocrisia nas relações diplomáticas - mesmo quando habitual nesta área - tem limites...

27 janeiro 2014

Angola e Portugal: relações não prioritárias - comentário


Comentário (entrevista escrita) para o portal da Lusomonitor (LM) sobre a noticia de Angola não considerar prioritário o desenvolvimento das relações económicas com Portugal.

LM: qual a importância, em termos práticos da relação econômica e comercial de Portugal com Angola, de o ministro relações exteriores nao ter referido Portugal quando anunciou lista dos países com quais relações devem ser reforçadas? Pode significar a perda de mercado para outros países europeus como Espanha e França ou mesmo o Brasil?

ECA: Na minha perspectiva houve a necessidade de mostrar, por parte do MRE George Chikoty, a vontade de diversificar as relações comerciais angolanas. Não creio que as relações comerciais com Portugal sejam postas em causa, até porque a maioria dos produtos de primeira necessidade não produzidos em Angola vão de Portugal com outros países a, também, se chegarem, mas ainda a uma certa distância.
Se analisarmos bem os países que Chikoty deu como “prioritários” são aqueles que mantém uma longa relação política e económica baseada no petróleo, excepto a Alemanha e a Espanha, dois países que vão produzir produtos industriais pesados para as forças armadas angolanas, nomeadamente, no caso alemão, que vai fabricar navios patrulhas para a marinha angolana, o que talvez venha já tarde face ao eventual e possível sequestro de um navio petroleiro nas águas territoriais – note-se que não foi na zona exclusiva económica mas a poucas milhas da capital – por piratas. No caso espanhol, não esquecer a propalada tentativa de compra de um porta-aviões e o facto de ser um país-sede para tratamentos médicos, como, diga-se, o reino Unido.

LM: considera o gesto consequência direta dos desentendimentos públicos em torno dos casos judiciais angolanos em Portugal? Foi mais uma retaliação?

ECA: Talvez ainda haja resquícios – uma amizade constrói-se bloco a bloco e quando há um sismo há sempre um período de desânimo que necessita de ser minorado para que a reconstrução da amizade volte – do que se passou entre as autoridades judiciais dos dois Estados e as proverbiais e sistemáticas fugas de informação da justiça portuguesa que ninguém consegue entender; nem mesmo os portugueses, mas mantêm-na…
Todavia parece que tem havido uma reaproximação entre as duas partes, principalmente desde que essa matéria entrou no esquecimento e os visados – nunca arguidos ou indiciados – deixarem de estar sob a alçada da PGR portuguesa.
Por isso, e pelas razões atrás evocadas não me parece que haja retaliação, mas tão-somente uma mudança de linhas políticas e económicas; diversificação!

LM: isto é um sinal de que, ao contrário do que foi dito recentemente pelo Mne português, as relações não estão ainda sanadas? São de esperar novas retaliações no futuro?

ECA: Não creio que sejam de esperar mais retaliações ou que as relações não estejam sanadas – talvez não totalmente, mas nos “arrufos de namorados” o que vem a seguir…  –, até porque Angola e os angolanos têm muito capital investido em Portugal e em diferentes áreas económicas; algumas das quais, bem importantes para a economia portuguesa. O que virá a seguir é uma incógnita, principalmente quando se perspectivam eventuais e possíveis mudanças nos órgãos e nas dinâmicas que detêm as relações exteriores de ambos os países. Vamos esperar para ver como São Tomé.

15 outubro 2013

Ameaça de «shutdown» nas relações luso-angolanas?

O presidente José Eduardo dos Santos, na abertura da 2ª sessão legislativa, da 3ª legislatura da Assembleia Nacional, em discurso do Estado da Nação, tendo abordado vários assuntos entre eles, a vontade de reduzir a pobreza abaixo dos 35% - se bem me recordo, na entrevista a Henrique Cymerman e emitida na SIC, já tinha referido que estávamos abaixo desse limiar; será que houve algum retrocesso - e, principalmente, pela sismografia decorrente, o fim da parceria estratégica com Portugal.

Este impacto que está a ter quer em Portugal quer noutros meios, nomeadamente, na Europa levou que fosse contactado tanto pela agência LUSA como pela secção portuguesa da Rádio France International (RFI Africa a Liliana Henriques - ver "Convidados" c/ audio) para dar a minha visão.

A ambos, não deixando de sublinhar que nas palavras de Eduardo dos Santos há um certo aviso, afirmei - e reafirmo - que as mesmas foram mais para consumo interno que, propriamente, para provocar algum descalabro nas relações entre os dois Estados.

Ainda assim, é bom que a diplomacia lusa faça alguma coisa para minorar os estranhos socalcos provocados pelas declarações do seu MNE e tornadas quase cataclísmicas pela comunicação social e por uma certa franja política portuguesa.

É que, apesar de achar que as palavras do presidente Eduardo dos Santos foram para consumo interno - se virmos os arquivos, cada vez que há inflamados editoriais do oficioso Jornal de Angola, aparece sempre dos Santos como o temporizador e "amaciador" nas tensas relações políticas que as económicas nunca tiveram percalços - é também verdade que se estranha que as mesmas surjam pouco mais de 48 horas depois do Secretário de Estado da Cooperação e Negócios Estrangeiros de Portugal afirmar que a cimeira entre as cúpulas governativas de Angola e Portugal iriam acontecer não em Novembro. como previsto, mas, já confirmadas, em Fevereiro de 2014.

Vamos aguardar os próximos desenvolvimentos...

NOTA: A análise da LUSA foi, igualmente, referida na TVI24

05 fevereiro 2013

E na terceira visita de Portas...

Paulo Portas visita, pela terceira vez, enquanto Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, a república de Angola.

De visita, que teve honras de "Super Estado" - segundo a insuspeita ANGOP seria, ou terá sido, recebido por Eduardo dos Santos, Manuel Vicente (Presidente e Vice-presidente, respectivamente) e, naturalmente, por George Chikoti (Ministro das Relações Exteriores) - Paulo Portas já anunciou que, ainda este ano, haverá uma Cimeira Bilateral entre a República Portuguesa e a República de Angola.

Na expectativa de saber onde se realizará esta Cimeira, não poderei avançar quem, na minha perspectiva, serão os representantes de cada Estado. Presumo, e só isso, que de Portugal, talvez seja o Chefe de Governo, senhor Passos "Kandimba" Coelho que aproveitará para visitar algumas áreas da sua infância -inveja, que eu tenho -; quanto ao nosso representante, se for no País, lógico que será o Presidente Eduardo dos Santos, mas se for fora de Angola, aí, nem tento arriscar. É que estou farto do "foi..." e nunca "vai..." típico de um antigo estadista português...

Ainda relativamente a esta visita podem ouvir um comentário meu à secção portuguesa da Rádio Deutsche Welle em: http://www.dw.de/popups/mediaplayer/contentId_16577610_mediaId_16577672 entre os minutos 15 e 18,40 - a minha intervenção lá para os 16',35''; ou em http://radio-download.dw.de/Events/dwelle/dira/mp3/bra/DB65D54E_1_dwdownload.mp3).

Transcrito no portal do jornal Pravda.ru (http://port.pravda.ru/news/cplp/06-02-2013/34268-angola_portas-0/), em 6/Fev./2013

11 julho 2011

Angela Merkel em Angola

(imagem do N. Lusófonas)

"A líder do economicamente mais forte país da União Europeia (EU) – considerado o motor da UE –, a senhor Angela Merkel, chanceler da Alemanha, vai efectuar um périplo por África, onde inclui, como uma segunda visita, uma estadia em Angola, nas próximas terça e quarta-feira.

Nada demais. Será, por certo, uma visita a retribuir a do presidente Eduardo dos Santos efectuada em 2009, visando, uma vez mais e como sempre, o reforço das relações diplomáticas e económicas entre o potentado alemão e o seu terceiro parceiro económico ao sul do Sahara e segunda potência regional da África meridional.

É assente que o desenvolvimento que Angola vem registando nos últimos anos, sobretudo após a implementação da Paz no País, tem trazido às terras de NJinga e de Ngola Kiluange muitos dirigentes internacionais com vista à estímulo do comércio entre Angola e os seus países bem como mostrar o quanto admiram a forma como, nos tempos modernos – principalmente depois dos casos que ocorreram (e ocorrem) no Norte de África e no Golfo da Guiné –, ainda persista uma democracia pri-mexica-hegemónica como a que vigora em Angola. ...)" (continuar a ler aqui ou aqui)
Publicado no , secção "Colunistas", de hoje

21 novembro 2010

MIREX com novo “patrão” e há novo GPL

(foto Club-k)

George Rebelo Chicoty, até agora Secretário de Estado das Relações Exteriores, ascendeu um grande degrau ao ser foi nomeado para o cargo de Ministro da mesma pasta em substituição do embaixador Assunção dos Anjos que terá solicitado a sua resignação por "razões pessoais absolutamente atendíveis", conforme noticiou, ontem, a agência PANAPRESS, citando a ANGOP.


George Chicoty tornou-se mais conhecido depois de ter participado nas reuniões para a estabilização de “compromissos” após as recentes movimentações na Guiné-Bissau.


De notar, que uma vez mais, Eduardo dos Santos pôs ao seu lado e num cargo de máxima confiança um antigo membro da UNITA, tendo sido um dos mais fortes lobistas do movimento na África Oriental, e fundador do Fórum Democrático Angolano que agrupou, entre outros, antigos membros e militantes da UNITA que questionavam a democraticidade interna; todavia, a sua ascendência paterna aconteceu na antiga UPA. O pai, Mateus Chikoty(i), foi um membro destacado no movimento que antecedeu a FNLA, tendo sido representante daquele movimento na antiga Elizabethville, a actual Kinshasa, e fez parte dos primeiros líderes da UNITA.


Note-se que houve alterações no executivo e no governo provincial de Luanda (GPL). Segundo aquela agência o ministro do Urbanismo e Construção, José dos Santos Silva Ferreira, terá sido substituído por Urbanismo e Construção, José dos Santos Silva Ferreira, e a governadora provincial de Luanda (capital), Francisca do Espírito Santo., um quadro da Sonangol, e a governadora Francisca do Espírito Santo substituída no cargo por José Maria dos Santos , até agora vice-governador da província do Kuando-Kubango.