12 novembro 2004

As PMC's e o neo-colonialismo francês

Belíssimo artigo de Aly Silva no Ditadura do Consenso, sob o título “Cães de Guerra”, sobre a questão costamarfinense e a problemática dos mercenários “legais” e o neo-colonialismo francês.
Um artigo na linha daqueles que habitualmente nos proporcionava quer no Jornal Lusófono, quer no sítio do Jornal, que irá perfazer no próximo dia 15, mais um aniversário de saudosa vivência
Só uma coisa detestei no artigo. A fotografia.
Tão belos animais deveriam ser poupados a uma eventual conotação com as PMC (Private Military Companies) empresas recrutadoras e formadoras dos novos e legais mercenários da moderna sociedade proto-militarista.
Também entendo que a cadela pode passar pela Mãe África onde os cachorrinhos (leia-se os exploradores) mamam até fartar e secar.
Mas caro Aly tem dó. Adoro demasiado os animais – mesmo os que são treinados para lutar e matar – para os ver neste meio.

11 novembro 2004

Angola, dipanda 29 anos depois


Vinte e nove anos se passaram desde 11 de Novembro de 1975; houve
Intransigências várias e uma guerra fratricida por tempo demasiado, um
Nepotismo imenso e incongruente sempre presente aliado a uma
Tirania e desrespeito pelo próximo, quantas vezes insuportáveis; vis
Embustes, trapaças e despotismo por vezes contínuos e descontroláveis.

Este foi um dos piores períodos de Angola.

Nova vida está emergente, prenhe de novos valores;
Outros importantes actores começam a surgir para dar força necessária para
Viver o dia-a-dia de outra forma e com uma outra perspectiva do País;
Este é o novo rumo que todos desejamos para o Futuro de Angola


Hoje é o Dia Nacional de Angola. Estamos longe, mas perto de todos.

10 novembro 2004

STP, que liberdade de imprensa??

Em Portugal fala-se muito no contraditório por causa do Caso Marcelo / TVI / Governo.
Ora, pelos visto a moda pegou para além-fronteiras lusas. Já ontem a RTP África fez eco; hoje é na Angop, como se reproduz, em parte:
"O Sindicato dos Jornalistas São-tomenses (SJS) insurgiu-se contra a exigência do partido no poder para a revisão dum acordo assinado com Portugal que permitiu a entrada no arquipélago da RDP e da RTP, soube-se hoje de fonte segura em São Tomé. Numa recente sessão parlamentar, os deputados do MLSTP/PSD, no poder, exigiram ao primeiro-ministro, Damião Vaz d`Almeida, tome medidas para a revisão do acordo de cooperação no sector da comunicação social assinado com Portugal, alegando que a RDP e a RTP "estão a sujar a imagem do país". Entretanto, o SJS diz-se atento e prometeu denunciar as acções que visam silenciar os dois órgãos portugueses que abordam, essencialmente, assuntos ligados aos PALOP. "O primeiro alvo a abater pelo actual poder são vocês os jornalistas para depois proporem em vosso lugar profissionais fiéis ao poder. A direcção da RDP e da RTP- África têm que estar atentas porque até agora os seus correspondentes têm prestado um bom serviço à São Tomé e Príncipe" afirmou o presidente do SJS, Ambrósio Quaresma, que prometeu, ainda, também levar a cabo um "combate cerrado" em nome da liberdade de imprensa no arquipélago.
Primeiro na Guiné-Bissau, ontem em Portugal, hoje em São Tomé e Príncipe, amanhã...
Soubre esta problemática da Liberdade de imprensa, estou a recordar-me de uma comunicação de David Borges, no Congresso da Quadros da Lusofonia, organizado pela Liáfrica, sob o título "A libertação do jornalista" - citada na íntegra do Jornal Lusófono, nº 52 de Maio de 2004 - onde abordava as sete "libertações" do jornalista. E duas delas diziam respeito à "libertação é a do respeito interno e externo pela função jornalística" e a outra à "do corte com todos os condicionalismos políticos" com a consequente "defesa das conquistas já obtidas".
Penso que deveria ser reeditada esta Comunicação que embora tenha sido dita em Maio passado está muito actual.

09 novembro 2004

O Muro... quinze anos depois

Berlim Palestina
Há 15 anos, um Muro da Vergonha desabava e com ele uma ideologia utópica e retrógrada, causa de alguns escolhos cujos efeitos ainda hoje fazem sentir.
15 anos depois um novo e vergonhoso Muro cresce com a complacência muda de um Ocidente que se reclama de princípios democráticos, despreconceituosos e da livre e sã convivência.
Até quando?

07 novembro 2004

Com vizinhos destes...

Alguns dias atrás li, algures, que o grande problema da Guiné-Bissau era conseguir sobreviver ao turbilhão que se passa à sua volta.
Ele é a Serra Leoa, o Mali, a Casamance, a Libéria e a Costa do Marfim.
A Serra Leoa parece estar relativamente calma; a Casamance não viram com bons olhos a posse das novas chefias prevendo que lhes aconteça o mesmo por quando do consulado de Ansumane Mané, - ou seja, ver o apoio guineense congelado -, a Libéria, apesar das imagens relativas à entrega de armas ainda não mostra sinais de estabilização; agora temos, de novo, a Costa do Marfim.
Depois de se ter conseguido um cessar-fogo entre as forças governamentais de Laurent Gbagbo e os rebeldes em Maio de 2003, eis que, sem que nada o fizesse prever a força aérea governamental ataca Bouaké, o bastião dos ex-rebeldes das Forças Novas, bem assim no norte do país, provocando mortos e feridos entre a força francesa “Licorne” e norte-americanos da ONUCI que estão estacionados ao abrigo dos acordos de cessar-fogo.
A primeira grande reacção veio de Paris onde o presidente Chirac ordenou a destruição dos meios aéreos militares costa-merfinenses (FANCI) no que foi apoiado pelo Conselho de Segurança da ONU que remeteu todas as responsabilidades ao presidente Gbagbo.
De acordo com uma fonte anónima citada pela
panapress "estas operações são programadas e vão continuar com outras do mesmo género nos próximos dias".
De facto, com vizinhos destes, quem é que se sente seguro?

06 novembro 2004

As "desestabilizações" da Mauritânia

Desde há um tempo a esta parte que o regime integrista mauritano vem reclamando de constantes tentativas de Golpes de Estado. Foi em 8 de Junho de 2003, e mais recentemente, a 8 de Agosto, com algumas crises desestabilizadoras intermédias.
Um dos seus inimigos predilectos – leia-se incentivador dos mesmos – tem sido a Líbia, no que, a pedido de Khadafi, já originou uma intervenção quer da União do Magrebe Árabe (UMA), quer da Liga Árabe quer, ainda, da UA no sentido de normalização de relações.
Mas não foi só a Líbia ser acusada dessa participação, em particular no frustrado Golpe de 8 de Agosto. Também o Burkina Faso foi acusado de envolvimento na conspiração para derrubar o Governo do Presidente Maaouya Ould Sid'Ahmed Taya, no que foi prontamente negado pelo MNE burquinabe, Youssouf Ouédraogo.
Agora algumas dezenas de oficiais e civis foram detidos e acusados pelo regime mauritano de terem participado numa reunião preparativa de um Coup d’ État para 15 de Agosto passado no qual participaria, entre outros, o comandante Mohamed Lemine Ould, mentor da tentativa de Junho de 2003, no que o regime chama de tentativas de desestabilização do Governo.
Só que o problema mauritano não está tanto nas questões político-militares mas, tão só, nas sociais, económicas e, acima de tudo, alimentares, agravadas com a praga acridiana e uma prolongada seca de vários anos.
É, infelizmente, um problema congénito do Sahel para o qual não se vislumbra alternativas.
A região é pobre. Os gestores políticos incompetentes.