06 janeiro 2005

Na Nigéria, greve de médicos...

FAZ 20 MIL MORTOS.
Esta li, e podem também lê-lo, no caboverdiano Paralelo 14.
Incrível!!!
Para quem quer ser membro permanente das Nações Unidas...
Sem mais comentários.

Mandela: O meu filho morreu de SIDA

Nada há mais pungente para um pai que anunciar a morte de um filho. E nas circunstâncias em que as mesmas ocorreram ainda é mais triste.
Por isso, em homenagem ao “mais velho” pela sua coragem e dignidade perante a dor permitam-me utilizar as suas palavras para chamar, uma vez mais, a atenção para o maior flagelo deste último meio século: o HIV/SIDA.
Mandela, contrariando tanto Thabo Mbeki, que declarou nunca ter conhecido ninguém que tivesse morrido devido ao SIDA, ou Mugabe que afirmou que os infectados deveriam apodrecer no inferno, limitou-se a afirmar:
"Deixem-nos dar publicidade ao HIV/SIDA e não escondê-lo, porque a única maneira de começar a parecer uma doença normal, como o cancro, é anunciar que alguém morreu de SIDA", afirmou o ex-presidente acrescentando que ninguém "vai para o inferno" por causa de sofrer da doença.
Era bom que mais pensassem assim e as autoridades africanas e mundiais canalizassem mais fundos para publicitar e não calar este flagelo.
Como pai, a minha total solidariedade.

05 janeiro 2005

Investigação suiça arquivada

Segundo a Folha do Brasil, citada no Angonotícias, o procurador suiço do cantão de Genebra mandou arquivar a investigação sobre fundos angolanos depositados naquele país.
Segundo as autoridades suiças as investigações levadas a efeito sobre "os negócios" com o pagamento da dívida de Angola à Rússia foram correctos tendo mesmo merecido da parte de um perito do Banco Mundial "um aplauso" por ter sido um bom negócio os serviços prestados por Falcone.
A questão que se põe agora é saber se os fundos eram do erário público angolano ou particulares.
Se particulares, nada tenho a objectar. A dúvida é como foram gerados esses fundos.
No entanto, se são da República de Angola, e como a dívida parece já estar paga, então eles que voltem para o país para que sirvam para os fins mais desejáveis. Melhoria social das populações angolanas.
Ok!! Já sei que sou naif.

Decisão de Mugabe gera contestação

Um raro protesto aconteceu às portas do quartel general do partido governamental Zanu-PF.
Manifestantes femininas cercaram o carro do comissário político Manyika Elliot e não o deixaram partir até que este tivesse concordado em ouvir seus problemas. Elas acusam o governo de manipular as listas de candidatos às eleições parlamentares de Março.
Tudo isto porque alguns funcionários do partido, a maioria presidentes provinciais, decidiram contestar a escolha de Mugabe para o cargo de vice-presidente.
Mas não foram só eles os preteridos.
Ministros de peso bem como o líder dos veteranos de guerra, Joseph Chinotimba, também não aparecem nas listas do partido, indo ao encontro de notícias que dão como tendo sido afirmado por Mugabe que seria ele a determinar quais dos seus ministros seriam candidatos parlamentares.
Como se espera que Mugabe se retire em 2008, é de prever que a luta pelo poder dentro da Zanu-PF possa vir a ser muito intensa, prevendo os observadores que seja uma das piores em 30 anos de poder.
Entretanto, o principal partido de oposição já ameaçou boicotar as eleições.

Não há dúvida Zimbabwe mantém-se sob um poder despótico e ditatorial que nem a própria oposição parece ter condições (ou não quer) para a debelar, além de ter o beneplácito explícito, ou discreto, de alguns dirigentes de países vizinhos.
Até lá o povo vai mantendo-se numa letargia assustadora vendo as suas riquíssimas matérias-primas serem leiloadas conforme os interesses em presença. Agora são as reservas de platina, avaliadas em 290 milhões de dólares que estão a ser negociadas com investidores estrangeiros.

Ano Novo, coisas novas e coisas velhas

Apesar de já ter acontecido no final do ano 2004, não deixar de rejubilar com o acordo entre os separatistas de Casamanse, o Movimento das Forças Democráticas de Casamanse, de Augustin Senghor, e o governo senegalês.
Guiné-Bissau e Gâmbia poderão ser os grandes beneficiados, principalmente o primeiro, porque a crise casamansense foi motivo de algumas crises castrenses no país.

Quase na mesma altura, governo sudanês e rebeldes assinam um histórico cessar-fogo com vista à pacificação do sul cristão-animista do Sudão.
Todavia, Darfur, o principal foco de crise humanitária em África, fica fora deste acordo que vai ter o testemunho de cerca de 20 Chefes de Estado e de Governo.

Entretanto, nos Grandes Lagos, a rotina volta.
Desta feita, o Uganda decide suspender um letárgico cessar-fogo entre Kampala e o Exército de Resistência do Senhor (LRA), de Joseph Kony, depois daquele, segundo as autoridades ugandesas ter atacado um posto militar.
De registar que, segundo a ONG Word Vision, durante os últimos 18 anos, o LRA, terá raptado mais de 20 mil jovens, obrigando os rapazes a combater e as raparigas a efectuarem serviços sexuais.

Já na Guiné-Bissau, a Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) denunciou recentemente uma "nova tentativa de atrocidades" no seio das Forças Armadas da Guiné-Bissau capaz de perigar o processo de reconciliação em curso no país.
Segundo o presidente da Liga, Luís Manuel Cabral, citado pela Panapress, alguns ex-responsáveis ministeriais e militares têm sido chamados a depôr na Marinha de Guerra Nacional num num nítido atentado contra os direitos humanos e contra a Constituição da República.

Por sua vez, STP quer mostrar a impolutilidade da gestão do país.
Para isso fez aprovar e publicar a lei-quadro das receitas petrolíferas, que segundo o Fradique de Menezes, é fruto da vontade e determinação da nação são-tomense, em impor transparências nas contas do ouro negro.
Veremos até onde chegará a vontade e a boa gestão.

Por fim, a importância da língua na perspectiva de um linguista e Homem da Cultura caboverdiano, Manuel Veiga, Ministro da Cultura, que defendeu a ratificação, pelo parlamento do arquipélago, do novo acordo ortográfico da língua portuguesa, que designou como um "instrumento necessário para a superior unidade da língua"
Para veiga, há que acabar com a tendência para se pensar que o acordo diz respeito apenas a Portugal e Brasil, rejeitando o "papel passivo que se quer atribuir aos outros interessados".
Ou seja, é fora dos grandes centros decisórios da língua portuguesa que a sua defesa se faz mais sentir. Veja-se o que se passa, infelizmente pelas piores razões, em Saurimo, Angola.

Como vemos muda o ano, e tudo se mantém quase inalterável.
Às promessas do bom contrapõe-se a realidade do mau.

03 janeiro 2005

Racismo intra-muros???

.......
Com a devida vénia retranscrevo parte de uma notícia do Jornal Apostolado que pela sua gravidade merece, da nossa parte, uma análise cuidada e muito ponderada.

“Cidadãos angolanos repatriados sobretudo do Congo Democrático queixam-se de discriminação em Saurimo. Ao "Apostolado", alguns dos regressados, naturais da própria Província da Lunda-Sul, disseram que são tratados de zairenses.
A cidadã Simbumguenda Kakula, que não fala correctamente o Português, mas que se expressa fluentemente em Cócwe (língua da Lunda), testemunha a discriminação. “É mesmo verdade isso que estão a dizer, estão a falar para todos... as pessoas da cidade é que nos maltratam e o coração fica atrapalhado porque também somos angolanos". Kakula cresceu, teve filhos e netos no Congo e apenas 30 anos depois regressa a Angola e lamenta a maneira como os seus compatriotas os tratam.
Mas o também regressado Paulo Rodrigues acusa os próprios funcionários do Minars de serem os primeiros a desprezá-los. "Somos mal vistos como se não fossemos filhos do país. Dizem que somos zairenses..".
Em muitos casos, esses refugiados agora regressados ao país permaneceram 20 anos no Congo Democrático.
O mau tratamento dado a regressados não é exclusivo da Lunda Sul. Recentemente, no Uíge, uma associação denunciou casos semelhantes de cidadãos, que por falarem mal o português tinham até sido detidos pela polícia a pretexto de serem zairenses.
”

Como poderemos exigir respeito perante actos abomináveis que compatriotas nossos sofrem no estrangeiro se somos os primeiros a exemplificá-los em casa?