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05 junho 2008

Os poetas são como os gatos

Mais uma interessante análise de João Craveirinha sobre a problemática racismo versus xenofobismo, ainda não publicada na imprensa.

"Notas adicionais sobre XENON:

Xenofobia não tem cor mas o racismo tem cor. Não confundir os dois - pois acabam por se diluir se assim for feito.

Ambos são violentos mas o racismo é duplamente violento. No imaginário de séculos e na acção colonizadora do Eu do outro, considerado inferior em África - (NESTE CASO O DENONIMADO NEGRO / BLACK / NOIR / SCHWARZE / T'CHORNI etc etera).

A xenofobia é anti-estrangeiro mesmo sendo da mesma “cor” epidérmica.
O racismo tem cor diferente e é de cima para baixo vindo da superioridade europeia (leia-se do que se diz branco).

Não confundir dos que reagem (mais morenos ou negros ou castanhos) ao se sentirem espezinhados há séculos em tudo que fosse a sua cultura a começar pela língua que passou a ser desvalorizada para dialecto. Indicando que não sofrera evolução como raça humana ao longo de milhares de anos.
(Paradoxalmente apesar dessa raça humana global ter saído de África, Etiópia) numa evolução de cerca de 4 milhões de anos (Lucy)...

... e da transição do dito negro (negróide) para o dito branco (europóide ou caucasiano) numa mudança genética (mimetismo) de cerca de 20 mil anos de África para a Europa via Índia e pelo Cáucaso (entre o mar Negro e o Cáspio – o maior mar interior do mundo. Fronteira do Irão e da antiga União Soviética).

Em 20 mil anos um negro (sem mistura e dependendo do clima) fica branco e muito menos um branco fica negro com a mestiçagem em sentido inverso. Bastam 4 gerações. Avô, Pai, Neto, Bisneto.

Jean-Paul Sartre, dizia a Negritude ser uma forma de “racismo anti-racismo” e a única encontrada pelo negro para se afirmar contra a negação de seu Eu pelo branco.

Foi assim que surgiu a corrente literária da Negritude que nada tem a ver com um pseudo-racismo negro mas sim com o recuperar da dignidade perdida de ser humano, "assumindo" o intelectual negro (ou mestiço) os epítetos derrogatórios (negro, cafre, narro et cetera) de sua condição imposta de infra-humano, numa assumpção irónica dessa negação para desfazer o que lhe impõem de cima para baixo fazendo-lhe crer que era inferior ao que ele recusa:

NEGRO :
SER OU NÃO SER
NÃO É A QUESTÃO!
(é tudo imposição)

Queres que eu seja negro
da cor da noite das trevas?
Então sou!
E depois não digas que a mulher negra não é bela.
É tão bela como pode ser a tua mulher
que dizes ser, da cor da luz branca,
onde vive o divino!
Sou negro e depois?

Ah, não!!

Agora sou racista por aceitar com um sorriso
o que me impões e aceito,
e te devolvo?
Só quero igualdade.
Nada mais!
(JOÃO Craveirinha 02.06.2008)

Na negritude, o negro intelectual ao reagir não era para ser superior, mas igual ao branco que não queria essa igualdade e em muitos casos mantendo-se na actualidade, mesmo quando se afirmam como não racistas contra o negro. Alguma reacção residual surgirá, invertendo os papéis. Analise-se o caso da xenofobia inter-negro na África do Sul para alegria de muitos desse tipo padrão para dizer que o negro é pior que o branco.
Em Moçambique, na comunicação social, tornou-se norma com ajuda de alguns negros à deriva de si mesmos. E na comunicação social em Portugal ainda pior.
Des – contextualiza-se o fenómeno esquecendo que a essência da desumanidade não tem cor. É intrinsecamente genética, e nisso a Europa é a última a acusar de ânimo leve o africano. Foram os senhores e mestres do africano durante muito tempo. E se calhar ainda continuam.

“DEMOCRACIA, IGUALDADE E LIBERDADE:
“Porque é que os povos democráticos mostram um amor mais ardente e mais durável pela igualdade que pela liberdade?” Alexis de Tocqueville (1805-1859, França).
In Teorias Sociológicas p. 259.

É isso aí - no fundo o negro nem democracia queria porque não sabia o que era. Uma coisa importada e deturpada dos antigos gregos que são europeus. Daí a desconfiança.


Pois o colonialismo da Globalização, veio da Europa. O fascismo veio da Europa. O marxismo veio da Europa. A África pós-colonial tem sido (como no passado) um laboratório de experiências de tudo que já está a ficar ultrapassado na Europa e no mundo ocidental.

Essas modernidades vêm da Europa (assim como os dinheiros da corrupção para África). No fundo mesmo, o negro queria (quer) é ser tratado como igual. Lá dizia o Tocqueville e era europeu.

As coisas positivas deixam de ter cor e nação. Passam a ser universais. O racismo e a xenofobia só assim serão superados.

Saber peneirar na m’benga o capim da mapira.

Exempli gratia:
ADEUS À HORA DA PARTIDA

Agostinho Neto
(Poeta-mor de Angola)

“Eu já não espero
sou aquele por quem se espera
(…)
Hoje
somos as crianças nuas das sanzalas do mato
os garotos sem escola a jogar a bola de trapos
nos areais ao meio-dia
somos nós mesmos
os contratados a queimar vidas nos cafezais
os homens negros ignorantes
que devem respeitar o homem branco
e temer o rico”
(...)

Agostinho Neto (1974). Sagrada Esperança. Livraria Sá da Costa Editora, Lisboa.

Este poema da Negritude é um manifesto contra o racismo colonial português…ao mesmo tempo e duplamente, associando e dissociando “o homem rico” com a cor da pele.

Uma premunição à Angola independente. Em que o homem rico deixou de ter cor. Pois passou a ser da cor do dinheiro.

OS POETAS SÃO COMO OS GATOS. VÊM EM MUITAS DIMENSÕES: ESPREITAM O PASSADO; VIVEM NO PRESENTE; E PROJECTAM-SE NO FUTURO QUE PARA ELES JÁ É PRESENTE.

Em baixo um manifesto contra a xenofobia neste poema do tio paterno do autor destas notas de reflexão:

“TERRA DE CANAÃ

Não, piloto israelita.
Inútil procurares nos incêndios de Beirute
e nos inocentes corpos mutilados pelos estilhaços ardentes
as belas palavras do Cântico dos Cânticos. (…)

Poeta-mor José Craveirinha (10.08.1982 de regresso do Líbano)

in F. Mendonça, N. Saúte (1983). Antologia da Nova Poesia Moçambicana (p.211).
E na hora da partida destas notas de reflexão, saboreiem a poesia de Agostinho
Neto na voz e na autêntica Música de Angola por Rui Mingas, ao alcance de um click:
http://www.esnips.com/doc/93bbecc8-d3e1-48f7-a02e-6a7c26d46894/Adeus-à-hora-da-partida (09.05.2008)
.
©João Craveirinha"

05 fevereiro 2008

Dos Santos pode e deve ser criticado, mas…

Podemos, e devemos ter opiniões diversas uns dos outros, nomeadamente, no que toca a questões angolanas como será o caso entre mim e o Presidente Eduardo dos Santos. Temos opiniões diferentes quanto à gestão do País e das ideias.
Mas costuma-se a dizer que é assim, com a polivalência e com a diferença, que as ideias florescem e as vontades do todo acabam por prevalecer sobre os interesses pessoais.
Depois de ouvir a gravação rap que está na Internet sobre Eduardo dos Santos, famílias e alguns dos seus colaboradores ainda pensei em escrever alguma coisa, apesar de já o ter escrito, ainda que superficialmente, no artigo hoje publicado no Notícias Lusófonas sobre a demissão de Job Capapinha. São acusações feitas, segundo parece, sob cobarde anonimato que ultrapassam meras diferenças de ideias e atingem valores de vil e ordinário racismo que não é apanágio dos angolanos.
Mas depois de ler o artigo de Orlando Castro, sob o título acima, n’ O Observador, de Moçambique, tomei a liberdade de o respigar e aqui o deixar na íntegra, com a minha reverência.
Porque, gostemos ou não, José Eduardo dos Santos ainda é o Presidente de Angola e de todos os Angolanos, mesmo que estejamos nos antípodas das ideias como relembra Orlando Castro. Só por esse facto já é mais que obrigação nossa respeitá-lo institucionalmente!

O respeito é muito bonito e, creio, todos gostamos. No que ao presidente do MPLA e de Angola respeita, é público que o considero um ditador e o principal responsável, entre muitas outras coisas, pela fome que atinge milhões de angolanos. Isso não me dá direito de ofender José Eduardo dos Santos, esquecendo a educação e entrando pelo insulto soez, torpe e ordinário.
Vem isto a propósito de um CD (“xumuna – Trilha Ze Dú – Vairada 2008") em que o presidente de Angola é insultado de forma vil e cobarde. O facto de eu estar política, ética e moralmente nos antípodas de Eduardo dos Santos, não me dá o direito, nem a mim nem a ninguém, de dizer o que é dito do, goste-se ou não, mais alto magistrado de Angola.
Criticar Eduardo dos Santos? É claro que sim. Tenho-o feito, continuarei a fazê-lo, de forma incisiva e por vezes violenta mas, é claro, de modo educado e cívico. As ideias de poder (tão típicas do MPLA e da ditadura de Eduardo dos Santos) só se devem combater com o poder das ideias.
Ofender o presidente, chamando-lhe tudo e mais alguma coisa (metendo ao barulho a própria Mãe), não é a melhor – pelo contrário – forma de se defender a democracia, a liberdade, a justiça social e a alternância democrática num estado de direito.
O autor da referida canção e todos aqueles que lhe dão cobertura deveriam saber que a liberdade de cada um acaba onde começa a dos outros. Além disso, enquanto não percebermos que melhor do que pensar e agir com total liberdade é pensar e agir com rectidão, não vamos a lado algum.
Goste-se ou não, e eu não gosto, José Eduardo dos Santos é o mais alto magistrado de Angola e merece respeito. Respeito dos amigos e dos adversários.


Nota: vi que também publicou este artigo no seu blogue Alto Hama, sob o título “Eduardo dos Santos pode e deve ser criticado - Mas, goste-se ou não, devemos-lhe respeito”.

19 outubro 2007

Brancos, negros...

(imagem daqui)
.
Como referi em apontamento anterior um pesquisador nobelizado terá afirmado – e pelos vistos afirmou mesmo – ao Sunday Times, mais ou menos por estas palavras, "que os brancos seriam mais inteligentes que os negros".
Ele só não disse – ele, chama-se James Dewey Watson, é americano (deve estar com a cabeça cheia de bushismos, se lembrarmos as dos fetos… homossexuais), e foi Nobel da Medicina em 1962, juntamente com o britânico Francis Crick pela descoberta do ADN – se eram ratos, coelhos ou rinocerontes. Porque de pessoas não deveria estar a falar.
E continua a não o dizer, apesar de hoje, talvez depois de ter visto ser barrada a sua entrada no Museu de Ciências de Londres, vir a público se desculpar “profundamente” por tão infelizes palavras.
Realmente, sejam ratos, coelhos ou rinocerontes não se deve ser ter, publicamente, opções mais favoráveis por uns que outros. Ainda mais quando a Humanidade anda a destruir não só o seu – neste aspecto a Humanidade não é egoísta – como também o meio ambiente onde aqueles vivem…




29 janeiro 2007

A "desmiscigenação" humana ou uma forma encapotada de racismo?

Já tenho escrito nestas mesmas páginas temas sobre o racismo e a questão da miscigenação dos portugueses e do facto da maioria dos portugueses serem mestiços apesar de se considerarem, alguns em posição de relevo na sociedade portuguesa, “branquinhos da silva”.
Também o jornalista e intelectual João Craveirinha escreveu um tema sobre esta questão aqui transcrito.
Mas parece que em Portugal, face ao que às vezes se lê, ainda persiste a ideia de que ou há “brancos” ou há “negros” e não o resto. Ou seja, NÃO PARECE HAVER MESTIÇOS. E foram os portugueses quem inventaram as duas palavras mais usuais da miscigenação: Mulatos e Cabritos.
Por isso não deixa de ser interessante esta análise de Joffre Justino no seu blogue sobre um dos potenciais pré-candidados à nomeação democrata para a presidência dos EUA, o senador Barack Obama.
JJ, citando o matutino português “Público” identifica o senador como “filho de "pai negro e imigrante do Quénia e de mãe branca da chamada “middle América" ” para logo de seguida o mesmo matutino afirmar que "Barak Hussein Obama, 45 anos, não é o primeiro negro…", o que, tal como relembra JJ “coloca este senador no contexto de uma das minorias americanas, a afro-americana”, ou seja, exclusivamente, dentro do grupo rácico “Negro”.
Tal como JJ relembra Obama é um indivíduo miscigenado; como a maioria dos norte-americanos não provenientes da Europa do Norte.
Só que o racismo norte-americano – e, infelizmente até naqueles onde essa miscigenação é clara como se constata pelo artigo do Público citado por JJ – não reconhece as diversas diferenças. Porque para eles ou são “brancos” ou são “outros”. E os outros são “negros” ou são “hispânicos”.
Uma forma laxista de ver a raça humana não como uma Raça Única – a HUMANA – mas como “sub-espécies” a analisar e criticar…

25 dezembro 2006

Fazer filhos é um dos únicos crimes impunes no Mundo

"Fazer filhos é um dos únicos crimes impunes no Mundo", terá afirmado um apresentador francês, acrescentando que em África "as pessoas copulam de qualquer maneira".
Será que os pais do autor desta imbecil, inopinada e estúpida frase também foram condenados por terem dado à luz um obtuso destes?
Da terra da Liberdade, Igualdade e Fraternidade também saiem abortos como estes; talvez por isso que haja quem defenda tanto a Interrupção Voluntária da Gravidez, vulgo aborto.

30 junho 2006

Desapareceu há 15 anos

Faz hoje 15 anos que desaparecia “oficialmente” um dos sistemas políticos e sociais mais indecentes e segregacionistas que há memória: o Apartheid
Oficialmente” porque, na prática, verifica-se que ainda se mantém em muitos países ao ponto de, sob a capa de salvaguardar eventuais fraudes – espero que seja esta a razão – se colocar nos Bilhetes de Identidade a cor da pele sob a expressão RAÇA:...
E não precisamos de ir muito longe, pois não… Angola?

05 junho 2006

Sobre o racismo, uma reflexão de Yahia ben Yokhanon

Photobucket - Video and Image Hosting (Yahia ben Yokhanon)

Depois disto ainda acham que o racismo faz algum sentido?
(Reencaminhado…de: Conceição Dasmaceno pela Internet, Data: 05/18/06 10:03:30 - Assunto: FW: gémeas)...
Gêmeas idênticas.
Pode parecer mentira, mas estas duas meninas (nas fotos) são irmãs gêmeas! Uma inglesa negra com ancestrais brancos deu à luz estas gêmeas em 2005, uma negra e a outra branca. Tanto a mãe, Kylie Hodgson, 19 anos, quanto o marido, Remi Horder, 17 anos, são filhos de casais mistos (negro e branco). As chances de nascimento de gêmeas assim eram de uma em uma milhão, segundo especialistas em fertilidade. Eles explicaram que um espermatozóide com genes exclusivamente da raça branca fecundou um óvulo do mesmo tipo, enquanto outro espermatozóide com genes da raça negra fecundou um óvulo com genes dos ancestrais negros, o que resultou no nascimento dessas duas gracinhas. Elas completam um ano em abril.
”…(fim de citação).
Comentário do Colunista desta página:
De acordo com o título: - “Depois disto ainda acham que o racismo faz algum sentido?” … Concordamos com, “isto”, se for no sentido de caso…exemplo.
Mas bem no fundo não sei onde está tanta admiração apesar da peculiaridade do caso…Talvez seja devido à ignorância generalizada sobre a ORIGEM AFRICANA do MUNDO evoluindo numa MESTIÇAGEM permanente.
No entanto, sem dúvida, o caso das Gémeas é mais uma prova da base anti-natural e anti-científica do racismo.
Legenda das fotos: As duas Fotos das meninas gémeas idênticas –, uma mais ROSADA, a outra mais MARROM (castanha). A cor de pele dita Branca e a cor de pele dita Negra, ausentes nesta imagem de pureza infantil. Nos corpos e nas almas inocentes sem preconceito. Esperemos duradoiro ad aeternum.
Em mestiçagem “isto” é normal...entre irmãos e entre gémeos...as pessoas é que andam distraídas e cegas devido ao preconceito (do racismo) e não reparam melhor na rua...e noutros locais…O ADN (Ácido Desoxirribo–Nucleico), matriz da herança genética nunca se esquece ou se engana de onde vieram os antepassados das pessoas deixando sempre sua marca de uma forma ou de outra.
Numa família mestiça há sempre uns mais claros que outros (ou mais altos e mais baixos). E é devido ao preconceito instigado sobretudo nas meninas mais claras que crescem "como brancas"...isto é muito comum entre os Portugueses...e em Portugal ainda hoje.
Em geral nas antigas colónias Europeias em África, Caraíbas e Américas, quer Inglesas, Portuguesas, Francesas, Alemãs e mesmo colónias Holandesas (Antilhas e África do Sul), infelizmente era (é) também muito comum e se procedia assim para esconder com vergonha a origem mais escura isto é a parte “negra”...da família só falando da parte europeia "branca"...A esta atitude apelida-se de Complexo Colonial. Existindo o Complexo de inferioridade como nestes casos e o Complexo de superioridade de muitos cidadãos europeus em relação aos cidadãos das suas antigas colónias sempre baseados num eurocentrismo cultural, económico, (ICT) científico-tecnológico e epidérmico (cor da pele muito mais clara associada à mais inteligência e QI).
A Comunicação Social desses Países (em Portugal é um facto), tem contribuído muitas vezes para esse pressuposto inferindo por indução uma visão distorcida da verdade histórica, causadora da alienação colonial dos ex – colonizados “presos” a um passado em suas mentes, passando esta memória subserviente através da educação a seus descendentes por várias formas. Uma delas muito actuais, é a do “fanatismo do Futebol” pelas equipas portuguesas de novo “metropolitanas” num conceito muito passadista ou de “saudade” colonial. Reflicta-se no aspecto da ausência de uma consciência política, colectiva, sobre a recente visita do Benfica de Lisboa a Moçambique e nas partidas em que participou. Num estudo sociológico, psicológico, da alienação da mentalidade contraditória do Moçambicano, seria de se perguntar a esse grupo alvo se ao preterirem “fervorosamente” as equipas Moçambicanas a favor das estrangeiras se sentiriam confortáveis na sua “pretensa” Moçambicanidade? A resposta poderia ser desoladora.
No Brasil e Portugal este complexo colonial da pele mais clara é fortíssimo...e mesmo em Cabo Verde camufladamente estão lá...quiçá, restos na mentalidade, do tempo da escravatura...levada pelos portugueses…para as Ilhas, durante séculos. E o mais curioso e triste é que tanto em Portugal como no Brasil este complexo parece ter atingido até a classe política e dirigentes alguns dos quais de origem mestiço-negróide. É como diz um pensador, meu conhecido, de origem luso-germano-belga-angolana*, que: - … “alguma da imbecilidade que reina em alguns países, nomeadamente em Portugal, e,” (…) “ o facto de algumas cabeças dirigentes serem mestiços e parecerem ter – ou têm mesmo – medo de que se saiba”… (fim de citação). É aí, nessa identidade do Portugal mestiço sem complexos que estaria a força da verdadeira Lusofonia se houvesse coragem em assumir essa mestiçagem no sangue português, “laboratório” iniciado compulsivamente há séculos com os mouros e negro – africanos, passando pelos judeus e goeses (canarins). Mestiçagem que perdura aos dias de hoje numa reciclagem contínua com a absorção pela sociedade portuguesa europeia do fluxo imigratório consequência das independências Africanas das antigas colónias lusitanas e posteriores. O que poderia ser uma mais valia parece infundir medo em alguns ditos “nacionalistas”, apologistas de uma pureza racial de Portugal e em outros mais europeístas, de costas voltadas para África e a Lusofonia. Se esquecem que a “moeda forte” que Portugal tem na União Europeia parece pressupor ser este País um interlocutor válido ou parceiro nas relações Norte-Sul, “soi-disant”: - Portugal com África, Brasil e por extensão Timor-Leste e mesmo Macau e Goa. A questão é se tem sido.
E em Moçambique, Angola e S. Tomé e Príncipe qual o panorama dos complexos ditos raciais? Na Guiné -Bissau talvez exista alguma excepção na assumpção da condição de ser Africano e Guineense, dentro e fora da Guiné! Obviamente não há regra sem excepção!
Ao que nos levou a informação sobre as Gémeas inglesas, filhas de pais mestiços, ao completarem um ano de idade em Abril de 2006.
De facto a reflexão cognitiva anda em círculo. Aparentemente parece que nos desviamos do assunto central mas na realidade enriquecemo-la ao aprofundarmos a dissertação. Enriquecer o debate. É isso que é preciso numa sociedade Moçambicana suburbanizada e cada vez mais redutora no pensamento colectivo “atrofiado” com o consumismo “selvagem” da publicidade, da promoção de marketing e da alienação estereotipada, induzindo inconscientemente a uma negação da essência da Independência de Moçambique. Mas isso seria outro tema acrescido! Shalom!

(Artigo e fotos publicados no Jornal moçambicano “O Autarca da Beira” edição de 2 de Junho 2006 – publicação devidamente autorizada pelo autor).

*O pensador em questão pode ser identificado se olharem para o “profile” deste blogue.

12 maio 2006

De novo a imbecilidade

Dois partidos portugueses, ditos nacionalistas, vão levar a efeito uma manifestação contra a presença de 50 famílias imigrantes brasileiras em Vila do Rei (Portugal) que se fixaram ao abrigo de um acordo entre esta autarquia e autoridades brasileiras para o repovoamento da localidade.
Provavelmente, o medo daquelas organizações deve estar no facto dos brasileiros que migraram para Portugal serem intelectual e profissionalmente capazes e não grunhos como, por certo, gostariam que fossem.
Chegaram a Portugal para trabalhar e desenvolver o país de acolhimento e não para viverem do erário público ou dos paizinhos de bolsos cheios.

26 abril 2006

Mas que se passa com os jovens?...

Segundo um relatório do SIS, os Serviço de Informação e Segurança (a secreta portuguesa), citado por alguns órgãos de comunicação portuguesa, os jovens portugueses estão a aderir com preocupante adesão aos movimentos nacionalistas – leia-se “skinheads”, neo-nazis e afins.
Não entendo porquê essa adesão dos jovens...
Os partidos, em geral, e os da “governação”, em particular, são cada vez mais apelativos: senão veja-se que sempre que muda a cor a cor governativa, muda o discurso oposicionista;
o desemprego está devidamente controlado: há uns tempos que não desce e sobe diária e paulatinamente, logo o Estado português tem o dito bem administrado;
o ensino está a ter uma adesão completa dos estudantes: não há alteração que não dê em greve e que eles não participem em massa;
as Universidades continuam a mandar cá para fora estudantes com canudo: é certo que não arranjam emprego… bom, também nem trabalho, mas bolas pelo menos são licenciados, mestres, pós-graduados e têm direito ao "Dr." nos cheques;
Realmente!!! Não percebo porque aderem a movimentos ditos nacionalistas.
Será que é para terem direito a transporte gratuito para poderem vibrar e “cacetar” com o espectáculo que vai ser a caqueirada no Mundial FIFA 2006. Espera-se que a FIFA não o suspenda devido à chamada gripe aviaria, senão como o Ricardo, o de Portugal, não o de Angola que até nem tem clube, poderia oferecer a Portugal alguns franguinhos.
Lá vai estar toda a panóplia colorida que forma a Humanidade…
Eh lá!!! isto cheira-me a um partido ou um sítio próximo dos nacionalistas. Querem ver que ainda vou ser citado pelo SIS…

31 março 2006

Futebol vai punir energicamente o racismo

(contra o racismo)

As equipas e os clubes cujos jogadores, dirigentes ou adeptos sejam comprovadamente responsáveis por insultos racistas ou quaisquer outros atentados à dignidade humana nos estádios de futebol terão à perna a mais recente emenda ao Código Disciplinar da FIFA (CDF). O primeiro acto público de discriminação será punido com três pontos e a reincidência penalizada com seis. Para a terceira infracção não haverá dó: descida de divisão, sem apelo... A revisão do artigo 55 do CDF já chegou às federações, com ordem de entrada imediata em vigor.

Pode ser uma medida dura. Ainda bem que o é. Assim, haverá mais mão dos clubes nos energúmenos que, hipoteticamente, os apoiam porque serão as suas finanças que mais sofrerão.
Mas não serão só os clubes os mais prejudicados. Também a sociedade civil ficará - terá de ficar - mais exposta devendo ser, por isso, menos condescendente e, espero, mais activa no combate ao racismo.
Só espero que as "lutas" futebolísticas em alguns países, ou regiões, não levem adversários criarem, artificialmente, conflitos rácicos para "despojarem" os seus adversários de corridas a títulos.

11 março 2006

Quem é africano?

Um excelente grito de revolta de Orlando Castro hoje na sua rubrica Alto Hama, no Notícias Lusófonas sob o título "Ser africano é ser negro?".
Um grito que muito bem entendo porque quando a minha chipala é publicada, em alguns órgãos de comunicação social, nunca - ou muito raramente - sou identificado como um africano mas sempre como europeu ou tuga.
Muitos se esquecem que se há povo mais mestiço, esse é o português. Façam uma análise retrospectiva de quem por aqui passou ao longo dos séculos e verão. É bom que alguns idiotas comecem a pensar, seriamente, neste ponto e deixar de alvorar certos dogmas que não podem arrogar de serem credores.
Entretanto deixo-vos aqui um cheirinho do magnífico artigo de OC:
"Fico virado do avesso quando, e aqui em Portugal isso é mais do que comum, africano é sinónimo de negro e angolano é sinónimo de empregado da construção civil ou de mulher da limpeza. Dir-me-ão que não é uma questão de racismo mas, talvez, de ignorância. Na melhor das hipóteses admito que seja uma simbiose das duas. De qualquer modo chateia ver, por exemplo, uma Comunicação Social supostamente nada racista e intelectualmente válida a confundir a estrada da Beira com a beira da estrada.
Estou farto de, entre dois eventuais autores – um negro e outro branco - de um qualquer crime, o suspeito principal ser sempre o negro. Estou farto dos discursos e das práticas racistas que, depois de tantos anos de democracia, associam a população negra a toda a criminalidade."
Leiam, e meditam, o resto no acesso acima.

31 agosto 2005

Liberdade, igualdade, fraternidade e...

Do Brasil, via e-mail, recebi de uma amiga e uma das que, quase desde o início, tem visitado e deixado algumas das suas impressões (e a quem também já roubei algumas fotos maravilhosas) este “desabafo”.
Poderia ter lido, concordado – ou não – e deixado na biblioteca dos meus e-mails mais interessantes ou importantes.
Mas porque, em alguns – e não poucos – pontos, compreendo e concordo com o seu teor (apesar de nele se encontrar uma palavra bem lusófona - o "bold" é da minha safra) aqui o deixo na íntegra e na prenúncia brasileira:

Tenho acompanhado pela net e TV os incêndios em Paris.
A imprensa brasileira tem divulgado essa "série de incêndios" com detalhes
[um a 26Ago com 17 mortos (maioria crianças senegaleses e malianos) e outro a 29Ago com 7 mortos (a maioria, e uma vez mais, crianças e desta feita a maioria costa-marfinenses)].
Como num passe de mágica os prédios "começaram" a pegar fogo. Coincidência?
Eu tenho um olhar muito crítico do Brasil.
Quando tomo conhecimento desses fatos sinto que não deveria ser tão crítica.
Aqui padecemos de muitas desigualdades. Mas atrocidades como os incêndios em Paris ultrapassa o sentido de humanidade.
Para um país de primeiro mundo é um absurdo o que vemos.
Pior são as explicações das autoridades parisienses. Dizem que os prédios não possuem condições de serem habitados. Aí fica a pergunta no ar: Por que permitem a permanência dos africanos nesses locais?
Será que a França é tão pobre que não tem condições de transferí-los?
Se fosse no Brasil não tenho dúvidas que a imprensa internacional caíria pesado sobre nós. Afinal somos um bando de subdesenvolvidos.
Só idiota pode achar que os incêndios não são criminosos.
Enfim...Liberdade, Igualdade, Fraternidade....e fodam-se os africanos.
Viva a França!!!!

17 abril 2005

Racismo!!!!

Na semana que está a acabar uma notícia sobre o racismo no desporto voltou a criar parangonas nos órgãos de informação escrita, falada e televisiva.
Muito sinteticamente um jogador argentino terá insultado verbalmente um jogador brasileiro (as palavras não eram audíveis mas os actos não deixavam dúvidas que o argentino não estava a perguntar ao brasileiro pela saúde dos familiares).
Um blogue que muito prezo, “O Bazonga da Kilumba” sob o título “
Aconteceu no Brasil” veio a terreiro também dar a sua opinião sobre o assunto fazendo um paralelismo entre a rapidez da justiça brasileira e a celebrada morosidade da portuguesa.
Hoje recebi um e-mail de uma amiga brasileira sobre o assunto que, pela sua oportunidade e certeira flechada merece que o mesmo seja aqui colocado.
Complemente-se, ainda, que esta semana também a Comunidade Europeia criticou o Estado português por haver poucos casos de origem rácica, como se cá não houvesse também a sua quota-parte de racismo ou não houvesse atentados rácicos.
Há-os como bem referiu um representante da justiça portuguesa a uma rádio nacional. Mas há também uma norma jurídica em Portugal que impede que seja tipificada a etnia do queixoso ou da vítima; uma forma de evitar atitudes racistas até por quem esteja a receber a queixa ou por quem a produza. É legítimo, é certo… pessoalmente aprovo esta medida. Não existem etnias ou raças, existem pessoas. Umas caucasianas, outras negróides, outras mongóis…
Em recente entrevista, Dalmo Dallari, comentou sobre o racismo que são vítimas os jogadores negros que atuam na Europa.
O caso virou manchete no Brasil após o jogador argentino Desabato ofender em campo o jogador Grafite do São Paulo. Os meios de comunicação não divulgaram todas as palavras ofensivas que Desabato disse. Quem navega na net e tem assinatura de algum provedor teve acesso as ofensas. Além de chamá-lo de negro, Desabato disse-lhe para enfiar uma banana no rabo e chamou-o de macaco. Grafite deu queixa do jogador argentino. Muitos comentáristas e jornalistas brasileiros "acharam" exagero.
Todos sabemos que há uma rivalidade enorme entre brasileiros e argentinos, principalmente no futebol.
O Marcelo Tas que tem um blog no UOL também achou exagero e publicou nos seus comentários a pergunta: Por que o Grafite é chamado de Grafite?
A pergunta era uma provocação aos que responderam ao seu comentário anterior criticando-o.
Que existe racismo no Brasil não resta dúvidas. O racismo atinge aos negros e também aos nordestinos. Baiano no Brasil é sinônimo de gente indolente e preguiçosa.
Ao meu ver existe uma grande diferença entre os jogadores do São Paulo chamarem o colega de Grafite e o Desabato chamá-lo de negro e mandá-lo enfiar uma banana no rabo.
De toda essa polêmica o que mais me deixou perplexa é que no Brasil o racismo é crime inafiançável e o Desabato saiu da prisão após pagar 10 mil reais de fiança.
Desse jeito é melhor rasgar a lei...uma vez que o judiciário não a cumpre.

Para ajudar à festa, o UOL-Notícias voltava à carga com mais um acto racista contra um atleta de raça negra, no caso passado, e uma vez mais, em Espanha (ultimamente tem sido useira e vezeira nestes casos; foi contra a Inglaterra, Roberto Carlos também já foi vítima destes energúmenos que vilipendiam uma Nação):
A torcida do Atlético de Madri fez uma nova manifestação de racismo ao atirar uma banana em direção ao goleiro camaronês Carlos Kameni, do Espanyol, no empate entre as duas equipes por 0 a 0 neste sábado, em Madri, pelo Campeonato Espanhol.
Kameni defendeu um pênalti cobrado pelo atacante Fernando Torres, do Atlético de Madrid, evitando a vitória da equipe local. Esta foi mais uma demonstração de racismo no futebol da Espanha
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Até onde é que iremos?

03 janeiro 2005

Racismo intra-muros???

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Com a devida vénia retranscrevo parte de uma notícia do Jornal Apostolado que pela sua gravidade merece, da nossa parte, uma análise cuidada e muito ponderada.

Cidadãos angolanos repatriados sobretudo do Congo Democrático queixam-se de discriminação em Saurimo. Ao "Apostolado", alguns dos regressados, naturais da própria Província da Lunda-Sul, disseram que são tratados de zairenses.
A cidadã Simbumguenda Kakula, que não fala correctamente o Português, mas que se expressa fluentemente em Cócwe (língua da Lunda), testemunha a discriminação. “É mesmo verdade isso que estão a dizer, estão a falar para todos... as pessoas da cidade é que nos maltratam e o coração fica atrapalhado porque também somos angolanos". Kakula cresceu, teve filhos e netos no Congo e apenas 30 anos depois regressa a Angola e lamenta a maneira como os seus compatriotas os tratam.
Mas o também regressado Paulo Rodrigues acusa os próprios funcionários do Minars de serem os primeiros a desprezá-los. "Somos mal vistos como se não fossemos filhos do país. Dizem que somos zairenses..".
Em muitos casos, esses refugiados agora regressados ao país permaneceram 20 anos no Congo Democrático.
O mau tratamento dado a regressados não é exclusivo da Lunda Sul. Recentemente, no Uíge, uma associação denunciou casos semelhantes de cidadãos, que por falarem mal o português tinham até sido detidos pela polícia a pretexto de serem zairenses.


Como poderemos exigir respeito perante actos abomináveis que compatriotas nossos sofrem no estrangeiro se somos os primeiros a exemplificá-los em casa?

12 junho 2004

Euro 2004 - Neo-nacionalismo?

Com este nacionalismo em prole do EURO 2004 que , por vezes atinge proporções demasiado enormes para o meu gosto, aliado à eventual presença de skinheads, à exoneração do Comandante da Polícia Municipal de Lisboa, devido a expressões mais infelizes e consideradas xenófobas por Santana Lopes, e à detenção de alguns árabes no Porto, só espero que no caso de não vitória, não venhamos a ter uma Noite dos Cristais (Kristallnacht ou Reichspogromnacht).
Que seja passageiro!!! Assim o espero, assim o desejo!!!!