03 janeiro 2005

Racismo intra-muros???

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Com a devida vénia retranscrevo parte de uma notícia do Jornal Apostolado que pela sua gravidade merece, da nossa parte, uma análise cuidada e muito ponderada.

Cidadãos angolanos repatriados sobretudo do Congo Democrático queixam-se de discriminação em Saurimo. Ao "Apostolado", alguns dos regressados, naturais da própria Província da Lunda-Sul, disseram que são tratados de zairenses.
A cidadã Simbumguenda Kakula, que não fala correctamente o Português, mas que se expressa fluentemente em Cócwe (língua da Lunda), testemunha a discriminação. “É mesmo verdade isso que estão a dizer, estão a falar para todos... as pessoas da cidade é que nos maltratam e o coração fica atrapalhado porque também somos angolanos". Kakula cresceu, teve filhos e netos no Congo e apenas 30 anos depois regressa a Angola e lamenta a maneira como os seus compatriotas os tratam.
Mas o também regressado Paulo Rodrigues acusa os próprios funcionários do Minars de serem os primeiros a desprezá-los. "Somos mal vistos como se não fossemos filhos do país. Dizem que somos zairenses..".
Em muitos casos, esses refugiados agora regressados ao país permaneceram 20 anos no Congo Democrático.
O mau tratamento dado a regressados não é exclusivo da Lunda Sul. Recentemente, no Uíge, uma associação denunciou casos semelhantes de cidadãos, que por falarem mal o português tinham até sido detidos pela polícia a pretexto de serem zairenses.


Como poderemos exigir respeito perante actos abomináveis que compatriotas nossos sofrem no estrangeiro se somos os primeiros a exemplificá-los em casa?

2 comentários:

mariah1979 disse...

É verdade. O racismo vem de todos os lados, até daqueles menos "improváveis". Um ano em grande pra você!

Sacha disse...

O pior é que são muitas vezes as próprias autoridades, e aqueles que deveriam ter responsabilidades na formação da consciêcia moral das populações ( como os meio de comunicação) quem, não só finge não ver, como às vezes até fomenta estes sentimentos descriminatórios. É que precisam de arranjar um bode expiatório, um alvo fácil para canalizar a frustração do povo.