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20 agosto 2008

Há 40 anos confirmava-se a DSL

(checos procuram impedir avanço das tropas soviéticas em Praga; imagem via Google)

Faz hoje 40 anos que Praga viu entrar cerca de 250 mil soldados e 5 mil tanques russos e soviéticos para abafarem, de vez, a chamada Primavera de Praga, iniciada em Abril de 1968, que assentava num socialismo livre desestalinizado onde não haveria ditadura e nem censura à imprensa; era aquilo que os líderes checos chamavam de “socialismo com face humana”.
Só que a brezneviana Doutrina de Soberania Limitada (DSL) – que, por acaso, até foi Tito quem assim a apelidou –, já testada pelos soviéticos, em 1956, na Hungria, era formalmente confirmada em Praga com uma violência considerada, na altura, inaudita e inexplicável.
Os dirigentes checos que tiveram a coragem de alinhar com o novo socialismo foram levados para Moscovo onde foram forçados a assinarem o Protocolo de Moscovo que confirmava a total integração da então Checoslováquia na organização do Tratado de Varsóvia, vulgo “Pacto de Varsóvia”, à renúncia do líder checo Alexander Dubcek, por vias pouco dignas, e serviu de aviso para todos os países que pudessem querer sair da órbita moscovita.
Na altura o jornal oficial Pravda, sob o aplauso de personalidades com Fidel Castro e Álvaro Cunhal, justificava que tinha sido “um dever internacionalista”, enquanto o líder chinês Chu En-Lai – iniciava-se aqui, com clareza, o cisma sino-russo – protestava veementemente.

04 novembro 2005

4 de Novembro, há 49 anos...

Revolta Húngara há 49 anos
Igreja Nª. Srª Arrábida, onde fui baptizado e perto do local onde nasci
Há 49 anos um belo país da Europa Central, que procurava aprofundar a desestalinização do país, via-se invadido em nome da solidariedade internacionalista capitulando sete dias depois, a 11 de Novembro.
Há 49 anos, num belo domingo matinal, nascia na africana Angola, mais concretamente na Restinga do Lobito um tipo, que, mais tarde, viria a ter a pretensão de querer virar o Mundo, defender que o seu país seja cada vez melhor e escrever algumas coisas que, para ele, são importantes mas que, para outros, mais não serão que umas letras em amálgama e que, provavelmente, nada dirão.
Há 49 anos Budapeste, que tinha tentado libertar-se do jogo comunista dias antes, via – tal como iria acontecer anos mais tarde em Praga – tanques de guerra entrarem na cidade e destruírem tudo o que não fosse da e pró Organização do Tratado de Varsóvia (reconhecida pelo Pacto de Varsóvia). Foram necessários quase trinta nos para se libertar desse jugo quando, enfim, caiu o primeiro Muro da Vergonha – há outra em emergência – pela co-iniciativa de um ex-director do KGB.
Há 49 anos nascia um tipo que 18 anos depois iria ver o seu país ascender à independência sete dias após, no ano de 1975, a Dipanda. Também quase 30 anos depois iria ver o país ser realmente quase liberto do jogo internacionalista que alguns ainda querem manter contra todas as evidências em contrário.
Ou seja, até parece que a Hungria e eu estamos umbilicalmente ligados.