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23 janeiro 2012

O contínuo dos outros…

(míssil balístico iraniano Shahab3)

A União Europeia, perdão, os líderes diplomáticos da União Europeia vão fechar hoje a pasta que pondera impor ao Irão um embargo ao consumo (leia-se, importação) do seu crude.

Tudo porque o Ocidente, no alto da sua preventiva sobrevivência teme que a campanha iraniana pelo enriquecimento do urânio, lhe possa permitir usufruir de condições para criar uma arma nuclear.

E isto tudo porque a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) – cujo principal patrão, é os EUA – suspeita que o programa nuclear do Irão tem fins militares. e é uma suspeita credível, porque...

Não se contesta este receio até porque os iranianos já dispõem, segundo eles e alguns dos seus aliados, de mísseis balísticos com capacidade para chegar a algumas das principais cidades europeias.

E, unicamente, cidades europeias e, por exclusão de partes e porque são os seus inimigos religiosos – e só por isso e nada mais – os israelitas/judeus.

Ora, se só chegam à Europa (e mesmo nesta nem em todas) – e aqui incluo, naturalmente, algumas regiões russas, mesmo que asiáticas – e aos seus oficiosos inimigos árabes – o grande problema do Irão é não poder ser árabe – e não chegam aos EUA o seu “enorme” inimigo, a par de Israel, porque é que a União Europeia avança com as citadas sanções?

Vontade de ser vítima e justificar a queda do Euro?

Ou seja, parece que a União Europeia continua a ser a lança de ataque de terceiros e, neste caso, o contínuo dos EUA e dos outros.

Ou será que os “simpáticos” ministros da relações exteriores eurocratas estão a ser os executantes das vontades dos euro-nórdicos (Noruega e Reino Unido/Inglaterra) bem assim, dos os russos, os principais produtores de crude na Europa.

Ou seja, a UE vai meter a cabeça na trampa e os outros é que ganham dinheiro.

E, depois, a União Africana ainda parece querer seguir as pisadas dos eurocratas quando deseja criar mais uma casa a partir do telhado: a livre circulação de capitais, bens e serviços a partir de 2017 sem ter criado condições para a integração plena dos países-membros...

Este apontamento foi citado e transcrito no portal do Jornal Pravda, em 24/Jan./2012 (http://port.pravda.ru/news/mundo/24-01-2012/32816-continuo_ue-0/) e no Zwela Angola (http://www.zwelangola.com/index-lr.php?id=8170)

04 maio 2009

Angola e Guiné-Bissau com verdades em sentidos diferentes?

Há verdades que, mesmo que o sejam e indiscutíveis, nunca devem ser ditas.

E, muito menos, por um responsável diplomático de um País que tem estado a ajudar o parceiro criticado ou visado.

Segundo o Africa Monitor Intelligence, citado pelo Angonotícias, George Chikoty, vice-ministro das Relações Exteriores de Angola, parece que
terá dito, na cidade da Praia, Cabo Verde, durante a Mesa Redonda sobre Reestruturação e Modernização do sector da Defesa e Segurança da Guiné-Bissau, uma frase que não agradou aos Bissau-guineenses.

Mesmo que possam ser verdades e absolutas…

O interessante é que às vezes aparecem países com certo sentido diferente do que é a verdade. Só vale a que nos interessa…


E, então, se forem verdades inconvenientes...

19 agosto 2007

E assim vai a cultura e a investigação em Portugal

(estaremos perante uma nova Inquisição? imagem furtada...)

Portugal ocupa os lugares cimeiros da cultura e da investigação universitária quer a nível europeu como, e porque não dizê-lo, a nível mundial. Dúvidas? Então leiam o que se segue.
Quando no centenário de um dos poetas mais populares portugueses, Miguel Torga, o Ministério da Cultura – presumo que seja assim que se chame e é se existe – pautou para ausência oficial a nível de chefias ou que uma Universidade a quem lhe ofereceram duas obras – dois ensaios – por acaso, e só mesmo por acaso como adiante compreenderão, da minha autoria, a biblioteca não os aceitar previamente sem antes analisarem à lupa (dixit) as referidas obras é porque se nada em cultura em Portugal.
Se se entende, apesar de eu como autor, embora não tenha sido eu quem as ofertasse mas o meu editor, não goste desta forma de gerir uma Biblioteca que deve ser um local de consulta – e para isso de depósito sem restrições – de qualquer tipo de obra, principalmente se estas até são consideradas de consulta obrigatória como o são na universidade Agostinho Neto, em Luanda, ou na Universidade Lusíada, na mesma cidade, – ah! mas aqui devem estar atrasados na compreensão do que é cultura, provavelmente, – como se entende que numa universidade portuguesa, e receberiam, repito, por oferta, são tão “exigentes”?
Talvez pelas mesmas razões que a seguir descrevo.
Na Universidade Técnica de Lisboa (UTL), existe um Instituto, o Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) onde uma das suas principais vertentes lectivas, e como o nome sugere, está no estudo das Ciências Sociais (Ciências Políticas e Relações Internacionais).
Um dos suportes que os futuros licenciados, Mestres ou Doutores desta duas áreas era o Centro de Estudos do Pensamento Político (CEPP), cujo um dos seus principais dinamizadores e ex-Director foi o Professor José Adelino Maltez, agrupado, mais tarde, como portal no ISCSP que eu cheguei a aceder e de lá tirar inúmeras informações quer quando estava a fazer o meu Mestrado, quer agora como Doutorando.
O CEPP era, ultimamente, um portal onde se podia aceder a cerca de 12000 (DOZE MIL) ficheiros da Ciência Política portuguesa e universal com uma área de 183 Megabytes. Um enorme ficheiro que a cultura e o ensino muito agradeciam.
Mas como a cultura é um bem de luxo – daí se compreende que em certos aspectos e em certos produtos se pague IVA dos mais altos; se pague IVA – e como em Portugal não abundo o dinheiro, uma personalidade – não acredito que o tenha feito sozinho e sem apoio de outras – decidiu que este enorme tijolo que pesaria sobra as incautas e (in)cultas cabeças portuguesas – e que estrangeiros, inopinadamente e sem quaisquer custos, também tinham a mania de aceder – além de poder prejudicar, seriamente, os futuros utilizadores da UTL/ISCSP obrigando-os a pagar insuportáveis propinas (aquelas que já são das maiores da Europa, a nível de Universidades públicas), decidiu, escrevia, acabar com o CEPP e limpar dos acessos do ISCSP.
183 Mb deletados e mandados para o lixo como se de um antigo e inapropriado jornal ou livrinho de cordel se tratasse; 183 Mb daquilo que Pacheco pereira considerou como ...o execelente "site" sobre o pensamento político contemporâneo existente em Portugal
Se Portugal soubesse o que é cultura – há quem diga que já o soube até porque tem uma das universidades, a de Coimbra, mais antigas do Mundo – e se houvesse um Ministro ou um Ministério que tutelasse a Cultura ou o Ensino Superior capazmente, de certeza que em vez de limparem o portal tê-lo-iam transferido para uma qualquer fundação – não é isso que um tal Ministério do Ensino Superior propôs às universidades públicas portuguesas? devo ter lido em jornal errado… – e ficaria disponível para quem quisesse aceder.
A pagar, gratuito, restrito, pois fosse assim. Mas ninguém ficaria prejudicado.
Assim… sigo o conselho de quem acha, e bem, que este assunto deve merecer melhor ponderação e pedir que reponham o acesso do CEPP no sítio que existia até encontrarem local mais apropriado. Parece que na Biblioteca do ISCSP não o é…
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ADENDA: Transcrito no Democracia Liberal, na rubrica "Hoje convidamos..." e citado na Manchete do Notícias Lusófonas

29 dezembro 2006

Somália, que caminho para a crise?


Há primeira vista parece que a crise somali poderá estar em regressão. As tropas do Governo provisório de transição – leia-se as milícias dos senhores da guerra – fortemente apoiadas pelos etíopes retomaram Mogadíscio e expulsaram os radicais islâmicos da UTI que parece já terem aceite a derrota.
Parece, porque se há algo que um radical não aceita é a derrota. Para ele, a derrota de um combate é o princípio da vitória de uma guerra. E na região – que não só no Corno de África e nem só em África – estão muitos interesses em jogo e muitas vontades para serem cumpridas.
Como já escrevi, o Corno de África é um importante e apetecível check-point na região onde pontuam potências como o imprevisível Iémen ou a tradicionalista islâmica Arábia Saudita além da Etiópia e das forças francesas estacionadas no Djibuti.
Ora, apesar dos islamitas da UTI estarem conotados com a al-Qaeda, é ponto assente que tinham alguns militares eritreus a combater ao seu lado. Como na guerra de secessão, que a Eritreia levou contra a Etiópia, os eritreus foram apoiados pela Arábia Saudita é de crer que muitos sauditas estivessem por detrás da UTI.
Haverá país islâmico mais tradicionalista, ortodoxo e radical que a Arábia Saudita?

02 dezembro 2006

O dia da abolição da Escravatura

(Museu da Escravatura, Luanda)

Depois da evocação do Dia Mundial de um dos piores flagelos da modernidade comemora-se hoje o dia do fim da Escravatura.
Infelizmente, a realidade diz-nos que este flagelo humanitário ainda persiste em pleno século XXI sob as mais diversas formas: a clássica, nomeadamente em certos países árabes ou arabizados; a da coacção de crianças para servirem de soldados em conflitos menores, as crianças-soldados; a laboral, através de serviços deficientemente ou mesmo não remunerados – relembremos o que se passa com os clandestinos – ou mesmo forçado, já para não esquecer o trabalho infantil; a utilização de crianças para fetiches e práticas sexuais, a prostituição infantil; e o que são os actuais barcos que transportam de África para a Europa pessoas cheias de sonhos de uma vida melhor; nada mais que modernos negreiros.
Enfim, no Dia Internacional da Abolição da Escravatura, criado pelas Nações Unidas em 2002 e implementado em 2004, ainda continuam a subsistir inúmeras acções que nos alertam que o esclavagismo ainda perdura.

30 novembro 2006

Isto é que vai uma poloniodemia

Na véspera do Dia Mundial do HIV-Sida/Aids interessante a nova endemia que começa a proliferar por certos locais europeus.
Primeiro terá tido início em Londres; agora já se fala em Moscovo e, provavelmente, por outras cidades e capitais europeias e, ou, de outros continentes onde os “emissários” terão interesses.
E estes, segundo uns o principal culpado, e inocente, segundo outros, terão como precedência um nome em comum e a quem a liberdade parece querer dizer pouco ou nada: Vladimir Putin.
Há poucos dias faleceu um coronel do extinto (substituído) KGB, Alexander Litvinenko, segundo parece envenenado com Polónio-210, um isótopo obtido a partir do bombardeamento de neutrons de urânio numa placa de bismuto, e que foi detectado em vários locais de Londres por onde terá passado a vítima que, por mero acaso, estava a investigar a morte da jornalista Anna Politkovskaia e que, segundo aquele, tudo indiciava como tendo havido mão de pessoas afectas ao Kremlin.
Agora, vários aviões, nomeadamente da empresa britânica British Airways, estão em quarentena por terem sido detectados vestígios de polónio nos mesmos. Por acaso, terão viajado nesses aviões cerca de 30 mil passageiros. Coisa pouca, a confirmarem-se os mais pessimistas receios.
Entretanto, o antigo primeiro-ministro do consulado de Boris Yeltsin, Yegor Gaidar, foi acometido de doença súbita quando se preparava para dar uma Conferência em Irlanda e os sintomas apresentados parecem indicar um eventual envenenamento com Pulónio-210. Interessante o facto de quererem associar a morte de Litvinenko a esta indisposição súbita através de uma terceira personalidade, Andrei Lugovoy, um gaurda-costa de Gaidar e também ex-KGB.
Mas os nomes não ficam por aqui.
Um dos opositores de Putin, o milionário Boris Beresovski, viu os seus escritórios serem selados pela Scotland Yard depois de ter sido detectado no local resíduos daquela substância radioactiva.
Não há dúvidas que anda por aí uma poloniodemia estranha…

20 novembro 2006

Ideias de Moçambique, um blog-suporte de estudo

Interessante cronologia política de Moçambique (entre 1976-2001) colocada pelo historiador e investigador moçambicano Egídio Vaz Raposo.
Como complemento, apesar de o primeiro estar logo a anteceder mas, em qualquer dos casos, para mais fácil acesso na busca, bom seria que este texto tal como os próximos, porque penso não devem ficar por aqui, tivessem um acesso directo ao(s) antecessor(es).
Fica a sugestão e a deixa.

05 outubro 2006

Rússia e Geórgia em clara rota de colisão

(Russos entregues à OSCE, foto ©AFP/BBC Brasil)

Nunca os russos perdoaram a Tbilissi a sua emancipação total (faz lembrar um certo Sekou Touré quando a França quis oferecer a independência à Guiné mas dentro da Comunidade Francófona) embora, de início e até à crise da Chechénia, tivesse optado por uma solução de compromisso com a Federação Russa, nem os georgianos perdoam aos russos não os terem ajudado no seu conflito interno com a Abkházia e Ossétia do Sul.
Entretanto, e enquanto analista europeus – nomeadamente a Comissão e Parlamento da União Europeia – e especialistas norte-americanos se vão esquecendo do
assunto, a crise começa a mostrar contornos de poder se tornar numa desproporcionada crise económica, diplomática e militar muito perto do coração da Europa.
E as periferias serão as que sofrerão mais fortemente.

17 setembro 2006

Um fim-de-semana não-alinhado

Já que em Cuba os países Não-alinhados estão reunidos para debater os problemas que grassam no seu seio, não faria sentido que, não tendo sido convidado para a XIV Cimeira dos ditos me pronunciasse.
Mais a mais, e neste momento, nem sei se ainda existe o “não-alinhamento” segundo a original génese de Tito, Nerhu e Nasser e dos Dez princípios de Bandung.
Os africanos, quase todos em geral e sem excepção (as excepções que confirmam a regra serão o senhor Mugabe – interessante, ultimamente pouco se tem ouvido do Zimbabué – e El Beshir, do Sudão), estão alinhados segundo os interesses ou do FMI ou do G8 – noblesse oblige; na Ásia, a própria China não tem problemas em continuar a se considerar um “Não-alinhado” tendo em vista a sua melhor penetração no seio dos países em desenvolvimento ou subdesenvolvidos (leia-se paupérrimos) enquanto outros têm relações priveligiadas ou com a Rússia ou com os EUA e aceitam o estacionamento e a presença de forças estrangeiras no seu solo; na América latina, aqueles que não estão contemporizando directamente com os EUA, fazem-no através da Mercosur – hipocrisia máxima.
Dado que, na prática, o actual Movimento dos Não-alinhados deixou de fazer sentido não seria mais plausível aceitar a sensata proposta do presidente Mbeki, feita na cimeira de África do Sul, em 1998, e aprofundar a força do G77, o movimento que agrupa os países em desenvolvimento?
Penso que só assim os países pobres poderão fazer frente às suas descomunais dívidas e provocar no seio da OMC uma melhor partilha da riqueza mundial.
Não basta ser a Organização que, a seguir à ONU, mais países engloba. É necessário saber conciliar as diferentes sensibilidades que geram no seu seio. Saber qual a posição que deverão tomar na Assembleia-geral das Nações Unidas quando o Conselho de Segurança bloqueia certas directrizes.
E isso, os tais “Não-alinhados” não o têm sabido – ou o não querem – fazer.
Basta lembrar como o processo descolonizador conseguiu passar nas Nações Unidas…
Bom, eu disse que iria ficar “não alinhado” mas existem certas hipocrisias que mesmo um analista internacional não consegue digerir.

11 setembro 2006

Ground Zero, 11 de Setembro de 2001

Cinco anos se passaram desde que uma grande ignomínia fez desmoronar um mundo que conhecíamos.
E nestes cinco anos o que sobejou neste Mundo cada vez mais incrédulo, instável, dependente do terror e mais temente?
Diminuíram os actos de terror? Não! As pessoas estão mais calmas e seguras? Não!
Os Governos ditos ocidentais e cristãos aprenderam com os erros subsequentes? Não! Certos países islâmicos ou tendencialmente islamizados trabalharam melhor para impedir que o terror continue a subsistir ou que os seus países deixassem ser palco de acolhimento de radicais? Não!
Então o que temos?
Um Mundo onde os líderes continuam a insistir no já desgastado discurso de “o combate ao terrorismo é um desafio que exige uma grande mobilização de vontades” (Durão Barroso, presidente da Comissão europeia) ou que os “EUA estão mais seguros” e os “terroristas mais enfraquecidos” (Condoleeza Rice, secretária de Estado norte-americana);
a manutenção das guerras no Afeganistão – cuja a inicial e exacta justificação já perdeu há muito a validade, ou seja a detenção do líder do ataque, – ou no Iraque – quando um recente relatório do Senado norte-americano voltou pôr em causa outra das justificações que levaram à invasão deste país;
e porque continuam a estar a monte os líderes da principal organização fomentadora dos ataques e das suas ramificações?
ou porque bin Laden nunca terá sido “apanhado”? será que os residentes de Langley ou da Pennsivania av. não desejam que seja apanhado? o que poderia, caso capturado vivo, dizer a sua “obra” criada para eliminar os soviéticos no Afeganistão?
Entretanto, o Mundo continua a lembrar a maior infâmia que há memória, o 11 de Março e o 7 de Julho, esquecendo, por vezes, os atentados em Marrocos, na Indonésia, na Turquia, no Iraque, na Arábia Saudita, no Quénia ou no Iémen.

20 agosto 2006

Surpresa?!

(os novos soldadinhos europeus? originalmente daqui)

Surpresa só para os que não sabem como pensam a França, o Reino Unido, a Alemanha, a Itália e a Espanha; ou seja, os quatro grandes mais o quase grande. E não é de agora mas desde que a História europeia vem sendo formada.
Melhor é começar do início.
Luís Amado, o actual inquilino do Palácio das Necessidades – parece um nome bem adaptado à actual diplomacia luso-afro(?)-europeia – acha que a Europa anda a pensar a 25, em vez de o fazer em convergência e… uninismo?
Tudo isto por causa de indefinição por que passam os líderes europeus quanto à sua presença no Médio Oriente, em geral, e no sul do Líbano, em particular.
Vindo de um americano-atlantista puro é, no mínimo, estranho.
Por outro lado porque precisa a Europa dos 25 pensarem a “uno” se, ainda há pouco, foi um membro do Governo português a dizer que não tem de prestar contas ao Parlamento Europeu mas ao seu próprio Parlamento.
Para quem queria, desalmadamente, fazer aprovar a Constituição Europeia…

09 julho 2006

Uma nova política externa portuguesa para África?

No âmbito de um fórum organizado pelo Diário Económico “III Fórum África” o novo inquilino do Palácio das Necessidades (isto não lembra outra coisa?), Luís Amado, terá afirmado que Portugal tem de mudar as suas linhas externas, nomeadamente em África, que diz ter de ser mais ambiciosa, porque ter-se-á concentrado, em demasia, nos PALOP (qualquer coisa como Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa).
Mudar porque quer ser mais ambiciosa…
Para quê? Para obter mais petróleo da Líbia? Mais gás natural da Argélia? Mais redes móveis em Marrocos? Distribuir mais militares por outros países africanos, ao abrigo da ONU/UE, como no Congo Democrático? Colocar-se em bicos de pés na União Africana como tem sido apanágio da política externa portuguesa, que se considera sempre pequenina face aos “tubarões” seus parceiros?
A mudar alguma coisa, só se for passar de Língua Oficial Portuguesa para outra coisa qualquer.
É sabido que Portugal já há muito que não tem tido uma relação muito privilegiada com os países africanos da CPLP (o que é isto?) salvo quando algum Chefe de Estado ou de Governo quer fazer uma visita de cortesia levando cerca de 1/3 do PIB para amostra.
Só para amostra, porque depois quando entidades e organizações os contactam sobre as suas perspectivas de apoio aos mesmos levam com resposta igual a “Nada!”.
Ou seja, com Luís Amado, parece voltar a velha política externa portuguesa da esquerda envergonhada pelo fantasma do “neo-colonialismo”. Até quando?

30 junho 2006

Freitas abandona as Necessidades

De acordo com uma notícia de última hora do portal português Sapo.pt “O actual Ministro dos Negócios Estrangeiros, Freitas do Amaral abandonou hoje o Governo e será substituído pelo antigo Ministro da Defesa, Luís Amado.
Segundo um comunicado do gabinete de José Sócrates «o primeiro-ministro solicitou hoje ao senhor Presidente da República a exoneração, a seu pedido, do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, professor doutor Diogo Freitas do Amaral, por motivos imperiosos de saúde que requerem uma intervenção cirúrgica». Segundo a SIC, Severiano Teixeira irá ficar com a pasta do Ministério da Defesa.
Nota complementar: Esta notícia está mais desenvolvida no Notícias Lusófonas.
Sabendo que já há um tempo o antigo MNE dizia que não ia morar no Palácio das Necessidades até ao fim, esta notícia não surpreende. O problema está em saber como a Europa, nomeadamente a dos 25, irá subsistir sem as congénitas gaffes do ex-MNE. E o senhor Bush como irá aguentar sem as críticas de Freitas?
Por outro lado, e quando se estava a ultimar uma importante reunião da CPLP – que por acaso estava periclitante devido a problemas logísticos, que não de agora, mas de há muito, – faz pouco sentido esta saída salvo se, realmente Freitas do Amaral está com uma saúde tão preocupante que tivesse de sair já.
Quanto ao novo Ministro dos Negócios Estrangeiros não farei qualquer comentário aguardando pelos desenvolvimentos. Só um ponto; Luís Amado já foi Secretário de Estado da Cooperação e Negócios Estrangeiros, nos XIII e XIV Governos Constitucionais, quando era Ministro, o Dr. Jaime Gama, com os resultados que se conhecem…

07 junho 2006

A primeira partilha do Mundo Moderno

(painel do Museu da Marinha)

A 7 de Junho de 1494, foi assinado aquele que se pode considerar o primeiro acto de clara partilha geopolítica do Mundo moderno entre duas superpotências: o Tratado de Tordesilhas.
O Tratado de Tordesilhas (Tordesillas, localidade espanhola da comunidade autónoma de Castela e Leão) foi definido por um meridiano situado a 370 léguas a oeste de Cabo Verde que determinava que as terras à sua esquerda seriam dos espanhóis e os territórios à direita, que incluía o Brasil, como se verificaria mais tarde, seriam de Portugal.
O acordo também assegurava o domínio português sobre o Atlântico Sul.
E contou com o beneplácito de uma terceira hiperpotência, a Igreja Católica, e aceitação táctica dos ingleses e franceses que estavam exangues por via de conflitos internos e externos.

22 maio 2006

A falta de alternância…

(Também não é só em África © cartune de Eugénio Yanez)

A ausência de alternância democrática em vários países africanos onde uma pessoa pode monopolizar o poder e permanecer durante 15, 20, 25 ou 30 e mesmo 40 anos se as condições o permitirem está na origem de todas as crises que conhece o continente. (…) Semelhante estilo de gestão do poder está na origem seja dum golpe de Estado militar ou duma medida de segurança e de ódio [e] que um líder que fica no poder um período tão longo, que pensa não ter de prestar contas a ninguém, [acredita, também,] que o quando o momento chegar cederá o poder a um delfim que ele escolherá.
Estas sensatas palavras – embora circunstanciais porque está em campanha para o Referendo Constitucional do próximo mês de Junho que restringe os mandatos políticos a não mais de 2 consecutivos – foram proferidas pelo coronel Ely Ould Mohamed Vall, presidente do Conselho Militar para a Justiça e Democracia (CMJD) e chefe de Estado da Mauritânia que, em Agosto de 2005, levou a feito um golpe de Estado que derrubou o regime islâmico e autocrático de Maaouiya Ould Taya.
Em qualquer dos casos, umas palavras que não deverão cair em saco roto e trará algum incómodo a alguns certos dirigentes africanos, principalmente àqueles que ainda estão indecisos quanto à marcação de eleições porque não sabem se devem ir a elas ou nomear algum seu delfim.

21 maio 2006

O fim da Nação jugoslava ou o início da crise Europeia?

Os eleitores da república autónoma de Montenegro que forma com a Sérvia e o território autónomo do Kososo– sob administração efectiva da NATO/Kfor – a República Jugoslava da Sérvia e Montenegro, terão dado hoje, em referendo e segundo notícias divulgadas na SIC Online, a machadada final na Grande Sérvia.
O referendo para a independência, que teve a afluência de mais de metade dos cerca de 485 mil montenegrinos eleitores, parece ter obtido a aprovação de 56,3% (1,3% mais do que era exigido como mínimo legal para ser aceite pelos observadores da União Europeia(?)).
Este acto poderá matar a União Jugoslava (a terra dos eslavos do sul) mas dificilmente matará a vontade sérvia de refazer a Grande Sérvia que nos princípios do século XX levou à morte do arquiduque austro-húngaro Francisco Fernando e que despoletaria a 1ª Guerra Mundial e a formação, no fim desta, do Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos.
De facto, como poderá a poderosa e, ultimamente, vexada Sérvia poder desenvolver-se sem uma saída para o mar – um dos grandes obstáculos para as independências anteriores – que lhe oferecia Montenegro – uma nota que esta região só passou a República autónoma por vontade do seu antigo veraneante mais conhecido, o croata Josef Broz “Tito” – e sem o rico e monástico – desde o século XIV – território do Kosovo?
Uma vez mais o Ocidente continua a não sopesar os prós e os contra das suas opiniões geopolíticas; ou seja, tanto os americanos como os britânicos continuam a sustentar a velhinha política do “se não se entendem que se separem” com evidentes maus resultados.
É assim com o Kosovo que o Ocidente se esquece que se tem maioria albanesa devo-o repovoação que o império otomano fez deste território que, desde que passou para administração ocidental tem provocado algumas, e não poucas, dores de cabeça à Macedónia com crises fronteiriças quase constantes.
Até quando o resto do Ocidente e a Europa vão atrás daquela medida extrema anglófona?
E a pergunta final é: será a morte da Grande Sérvia ou prospectiva-se a maior crise da Europa do pós-guerra?
Os fundos euro-comunitários não pagam nem apagam nacionalismos! E os sérvios são-no e já o demonstraram até à exaustão.
Daí a pergunta no título: será "O fim da Nação jugoslava ou o início da crise Europeia?" e ficará por aqui?

04 maio 2006

Os países mais vulneráveis ou o Failed States Index

Apesar do grande esforço de guerra e de apoio social que os EUA e os seus aliados têm canalizado para o Iraque e no Afeganistão, estes dois países estão, de acordo com um estudo efectuado pela organização Fund for Peace “Failed States Index” e citado pela a revista norte- americana Foreign Policy, entre os países mais vulneráveis para efeitos de “country-risk”.
De entre os 148 países analisados (a pontuação vai de 1, a mais baixa, a 10, a mais alta) constata-se que nos dez mais vulneráveis estão 6 países africanos (Sudão – o mais vulnerável de todos e em grande parte devido ao conflito no Darfour –, Congo Democrático, Costa do Marfim, Zimbabwe, Chade – a proximidade do Sudão e dos conflitos no Norte não serão alheios a esta posição – e Somália que, estranhamente, é só o 7º mais vulnerável), 3 asiáticos (Iraque – o 5º mais vulnerável –, Paquistão e Afeganistão) e um do Caribe (Haiti).
Entre os países da CPLP destaque para Angola que está como o 37º país mais vulnerável, em grande parte devido a factores como a pressão demográfica, movimento maciço de refugiados, desenvolvimento económico desigual no país, deterioração progressiva dos serviços públicos, ascensão de certas elites, criminalização e legitimação do Estado, violação dos Direitos Humanos e muito exposto à intervenção de actores externos.
Paradoxalmente, Angola está muito atrás de países como a Guiné-Bissau – o 46º estado mais vulnerável (aqui são o desenvolvimento económico, os serviços públicos e os Direitos Humanos os mais fortemente pontuados) –, de Moçambique – o 80ª país (migração crónica e os serviços públicos são os piores) –, Brasil – o 101º estado (desenvolvimento económico desigual no país) – e Portugal no 131º país entre os 148 analisados; no caso português os piores indicadores são as pressões demográficas e deterioração progressiva do serviço público.
Os cinco países menos vulneráveis são os nórdicos Noruega, Suécia e Finlândia, a Irlanda e a Suiça.
De notar que atrás de Portugal estão países como o Reino Unido, os EUA, França, Itália, Espanha ou Alemanha ou que Moçambique está melhor posicionado que países como Israel, Arábia Saudita, Rússia ou China.
Uma vez mais, constata-se que países como Cabo Verde, São Tomé e Príncipe ou Timor não estão analisados. Não serão pelo facto de serem ilhas ou micro-estados, já que na tabela surgem países como as Maurícias ou Singapura.

03 abril 2006

Senghor, o centenário do nascimento

A 20 de Março decorreram as Jornadas Internacionais da Francofonia.
Era minha intenção alertar para este facto em contra-ponto àquilo que se faz – ou não e faz – quanto à Lusofonia.
Uma das razões prendia-se com o facto de um dos maiores defensores da Francofonia ser, também ele, um dos criadores da Negritude, corrente mais tarde adoptada por muitos dos intelectuais e políticos africanos: Leopold Ségar Senghor (1906-2001), Poeta, Ensaísta e Homem de Estado estar a comemorar o centenário do nascimento.
Havia também o facto da proximidade do Dia Mundial da Poesia. Todavia, nem por esse facto, a data deixou de ser indesculpavelmente, esquecida. Mas como vale mais tarde que nunca e porque em Angola está a decorrer a Feira do livro infantil – comemorou-se ontem o Dia Mundial – e em Maio vai decorrer a Feira do Livro e do Disco da CPLP, aproveito para vos deixar aqui um poema de Senghor na versão francesa (da obra "Oeuvres Poétiques", ed. Le soleil) e na versão portuguesa de Guilherme de Souza Castro:

Femme noire
Femme nue, femme noire
Vétue de ta couleur qui est vie, de ta forme qui est beauté
J'ai grandi à ton ombre; la douceur de tes mains bandait mes yeux
Et voilà qu'au coeur de l'Eté et de Midi,
Je te découvre, Terre promise, du haut d'un haut col calciné
Et ta beauté me foudroie en plein coeur, comme l'éclair d'un aigle
Femme nue, femme obscure
Fruit mûr à la chair ferme, sombres extases du vin noir, bouche qui fais
lyrique ma bouche
Savane aux horizons purs, savane qui frémis aux caresses ferventes du
Vent d'Est
Tamtam sculpté, tamtam tendu qui gronde sous les doigts du vainqueur
Ta voix grave de contralto est le chant spirituel de l'Aimée
Femme noire, femme obscure
Huile que ne ride nul souffle, huile calme aux flancs de l'athlète, aux
flancs des princes du Mali
Gazelle aux attaches célestes, les perles sont étoiles sur la nuit de ta
peau.
Délices des jeux de l'Esprit, les reflets de l'or ronge ta peau qui se moire
A l'ombre de ta chevelure, s'éclaire mon angoisse aux soleils prochains
de tes yeux.
Femme nue, femme noire
Je chante ta beauté qui passe, forme que je fixe dans l'Eternel
Avant que le destin jaloux ne te réduise en cendres pour nourrir les
racines de la vie.

Mulher Negra
Mulher nua, mulher negra
Vestida de tua cor que é vida, de tua forma que é beleza!
Cresci à tua sombra; a doçura de tuas mãos acariciou os meus olhos
E eis que, no auge do verão, em pleno Sul, eu te descubro,
Terra prometida, do cimo de alto desfiladeiro calcinado,
E tua beleza me atinge em pleno coração, como o golpe certeiro
de uma águia.
Fêmea nua, fêmea escura.
Fruto sazonado de carne vigorosa, êxtase escuro de vinho negro,
boca que faz lírica a minha boca
savana de horizontes puros, savana que freme com
as carícias ardentes do vento Leste.
Tam-tam escultural, tenso tambor que murmura sob os dedos
do vencedor
Tua voz grave de contralto é o canto espiritual da Amada.
Fêmea nua, fêmea negra,
Lençol de óleo que nenhum sopro enruga, óleo calmo nos flancos do atleta,
nos flancos dos príncipes do Mali.
Gazela de adornos celestes, as pérolas são estrelas sobre
a noite da tua pele.
Delícia do espírito, as cintilações de ouro sobre tua pele que ondula
à sombra de tua cabeleira. Dissipa-se minha angústia,
ante o sol dos teus olhos.
Mulher nua, fêmea negra,
Eu te canto a beleza passageira para fixá-la eternamente,
antes que o zelo do destino te reduza a cinzas para
alimentar as raízes da vida.

16 março 2006

Casamança um assunto esquecido…

© foto retirada do Africanidades.com
Interessante os vários apontamentos de Carlos Narciso, durante este mês de Março, sobre uma crise latente e esquecida: a tentativa de secessão de Casamanse, uma região entre Guiné-Bissau e o rio Gâmbia, outrora sob domínio colonial português e entregue aos franceses, no século XIX, que precisavam de viabilizar a sua colónia senegalesa.
Alguns dos grandes problemas da região estão, ou prendem-se, com as diferenças étnicas – a maioria dos casamansenses (Djola/Felupe, Balanta, Malinké, Mandinga, Fula) estão mais próximos dos guineenses –, culturais – falam, na sua maioria, crioulo guineense-português –, económicos – a fronteira marítima guineense-senegalesa é rica em petróleo – e religiosos – os membros da Movimento das Forças Democráticas de Casamanse (MFDC), movimento separatista casamansense é católico e liderado por um padre católico.
Apesar das partes em litígio, já terem assinado, em 2004, um programa de fim de hostilidades, a crise casamansense mantém-se latente e esquecida pela comunidade internacional.
Mais uma…

ADENDA: Nem de propósito, e infelizmente, a Manchete do Notícias Lusófonas de hoje, sobre confrontos militares ocorridos na região entre separatistas e militares guineenses - estranha-se quando eles eram tão amigos e trocavam "prendas" entre si... ah!!, mas isso era no tempo de Ansumane Mané - com baixas não quantificáveis.

12 março 2006

Duas mortes providenciais?

© "War on the Balkans". Tela em óleo de Werner Horvath
Não respeito nem tenho pena por que possa acontecer a ditadores ou algozes, principalmente se acusados – e quase mais que provado – de horrorosos crimes de guerra.
Mas é de estranhar que dois altos suspeitos de genocídios, e sob protecção policial do Tribunal Penal Internacional – o tal TPI que os EUA não reconhecem – de Haia há cerca de 5 anos, tenham perecido de forma pouco convencional e em tão curto espaço de tempo. E ainda por cima, logo após a Bósnia-Hercegovina ter colocado uma petição no TPI para ser ressarcida pelos crimes de guerra levados a efeito por sérvios.
Um, Milan Babic, líder sérvio da Croácia, suicida-se após testemunhar contra Slobodan Milosevic que, por sua vez, aparece morto, em princípio devido a eventuais problemas cardíacos de que, parece, padecia.
O problema, está numa hipotética carta apresentada pelo advogado de Milosevic a acusar o TPI de o querer envenenar com tratamentos inadequados.
Uma vez mais, não tenho pena de algozes, mas respeito a verdade e quero continuar a acreditar que os Tribunais e seus funcionários prezam e protegem a vida humana.
Quando é que será que os Balcãs terão direito à PAZ?
Não esqueçamos que algumas das principais guerras europeias aí começaram…