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31 outubro 2008

Por onde andam os frutos dos diamantes?

A revelação que uma ONG, Parceria África-Canadá (PAC), fez sobre os lucros de uma sociedade angolana de exploração de diamantes, detida por altos graduados (no activo ou fora, isso não está bem explícito) castrenses angolanos, obtidos durante os últimos 10 anos é, no mínimo, escandalosa para se calar e não meditar.

Perante tais números (
120 milhões de dólares ou 83 milhões de euros), torna-se cada vez mais compreensível as palavras do senhor Presidente José Eduardo dos Santos, quando, no encerramento da campanha eleitoral, o então número um da lista do MPLA – se não sabia os resultados que ia obter, por certos teria tido uma premonição –, afirmou que era altura de certas pessoas perceberem que deveria começar a dar ao País e não explorar do País, ou por outras palavras, havia que "mudar a mentalidade das pessoas que põem os interesses pessoais acima dos interesses gerais".

É que os tais 120 milhões de dólares ganhos pela tal sociedade, “dariam para construir 150 escolas e pagar a 800 professores um salário mais digno de 300 dólares todos os meses durante 25 anos, sobrando ainda dinheiro para giz, papel e canetas”.

Bom isso seria bonito se não tivéssemos de admitir que os gestores, são gente, e também têm de ganhar algum. Ou será que só os gestores da Lehman Brothers, da AIG ou da Fortis é que se podem locupletar com os fundos dos outros? Ou há moralidade financeira ou comem todos, desde que, parafraseando
Orwell, “uns possam comer mais que outros”…

22 setembro 2008

Militares a contas com a justiça?

(imagem internet)
De acordo com uma notícia do Notícias Lusófonas e assinada por Jorge Eurico que, recentemente, esteve na província do Bié, algumas altas patentes militares da Forças Armadas Angolanas (FAA) e membros da Polícia Nacional estarão em vias de serem chamadas à Procuradoria-Militar angolana para explicar uma sua eventual (com)participação na extracção de pedras preciosas naquela província de uma forma que parece não estar totalmente institucionalizada.

Segundo parece esta eventual chamada à Procuradoria-militar seria do conhecimento e teria o respectivo assentimento do Comandante-em-Chefe das FAA, o Presidente da República, José Eduardo dos Santos, antevendo-se como sendo uma das primeiras medidas do então candidato e líder do MPLA quando avisou que a corrupção e a utilização pouco clara da coisa pública tinha os dias contados.

Mas dado que são os militares quem mais mandam em Angola, nomeadamente, desde a crise do "27 de Maio" e ao contrário do que alguns querem fazer crer, ou não fossem eles que detêm uma importante fatia do espaço económico angolano como, ainda hoje, o portal macaeense que faz a ligação entre a China e os PALOP,
MacauHub, denunciava, é de temer que algum “apertão” que o espaço castrense possa sofrer poderá ter preocupantes consequências para a nova Democracia angolana e para a tão já propalada 3ª República.

As informações que Jorge Eurico nos oferece neste seu artigo são preocupantes pelo facto de, se nos recordarmos e não há muito denunciado num semanário independente angolano, alguns dos militares, nomeadamente antigos generais, são donos de empresas de segurança que trabalham com algumas das empresas extractoras de diamantes.

Não há que temer, mas deve-se tomar todas as providências para que algum indivíduo do espaço castrense não tenha demasiadas pretensões e que estas ultrapassem o espectro estritamente militar…

27 fevereiro 2007

N’zage em perigo de extinção?

(garimpo no rio Cuango; foto ©Diamang)
Pelo menos é o que terá alertado a Juventude Ecológica Angolana em notícia hoje divulgada na RDP-África.
Tudo devido ao garimpo que se faz nas margens do rio Cuango e ao “excesso” de diamantes que o rio transporta, que põem em perigo esta localidade angolana no norte da província da Lunda Norte situada junto à zona restrita regulada pelo Regime Especial das Zonas de Reserva Diamantífera (Lei 16/94).
Ora só que aqui há algumas incongruências. Pela audição parece que o presidente da JEA dizer que é a cidade de Negage, mas esta cidade fica bem afastada do rio Cuango, além de ficar na província do Uíge. Já o locutor de serviço da RDP-África diz ser N'zage, na Lunda Norte; só que os rios mais próximos são os rios Cassai/Kasai e o Chicapa.
Apesar destas eventuais divergências locacionais não podemos deixar de acolher e alertar para os desastres ambientais que se fazem em nome do garimpo e em nome de umas quantas belas e precisosas pedras, os diamantes.

20 abril 2006

Diamantes o melhor amigo do Partido

(diamantes... quem não gosta?)

Alguém me explica como é que, numa sociedade democrática ou em vias de democratização, um partido político tenha direito a explorar e comercializar gemas obtidas numa região diamantífera que lhe foi concessionada, mesmo que isso esteja ao abrigo de um Protocolo de Paz anteriormente assinado?
A quem agradam estas situações?