Podem aceder ao pdf do texto (imagem acima) publicado na revista científica da Academia Militar, Proelium, edição nº 10, de Janeiro de 2016, nas páginas 129-140, através daqui.
29 janeiro 2016
28 dezembro 2015
Os estrangeirismos na língua portuguesa (artigo)
"Acabei de ouvir numa televisão portuguesa um
ministro português dizer algo como “(…) têm de “setocar” (…)”. Como reconheço, sempre que isso o exija, a
minha ignorância e o meu desconhecimento de muitas palavras e expressões
portuguesas tentei procurar nuns dicionários (por acaso dois e bem
reconhecidos) o que quereria dizer aquela palavra sublinhada. Nada! Népia!
Nothing (como está na moda…)!
Bom, se os dicionários não me ajudam, bota lá uma
ida ao “sabe tudo”: o Google. Surpresa, também não conhecia esta palavra.
Bolas se um ministro, um membro responsável
governativo e representante nacional (de qualquer que seja o país) perante os
jornalistas e em representação do seu país (ou de outro qualquer, neste caso,
era português) envia para o éter esta palavra é porque existe; não será?
Mas como o Google quando não reconhece alguma
palavra dá-nos sempre uma pista, fiquei a aguardar; poderia ser um
brasileirismo. Como se sabe os brasileiros, nós agora também usamos muito deste
exagero, usam muitos estrangeirismos, principalmente anglicismos, para mostrar,
penso eu – talvez esteja errado –, alguma sabedoria intelectual utilizando-as
como expressões de português, de uso corrente. Isto quando não usam mesmo
palavras estrangeiras nos seus vocábulos.
Ora o Google também me esclareceu… NADA! Ainda
avançou se eu não quereria dizer… «Stock»? Coitados dos ianques, tipo
“português”, ficaram bué malucos!
Pois, é que uma coisa será adoptar como nossas,
palavras que não existiriam no léxico português; outra é havê-las e usar com
denodo um estrangeirismo. Nos primeiros casos, estava a recordar de “abat-jour”
“anorak”,
“atelier”, “ayatollah” “badminton”, “ballet”, “barman”,
“blog”, “cartoon”, “donut”, “doping”,
“dossier”, “dumping”, “eau-de-toilette”, “fair-play”, “gulag”, “self-service”,
“sexy”, “soutien” e muitas e muitas dezenas de palavras nas mesmas condições. A
maioria manteve a palavra de origem, outras foram aportuguesadas.
Para o segundo caso, estava a recordar de uma,
actualmente muito em voga nas cidades e na comunicação social brasileiras, o “impeachment”! Palavra que, por acaso,
tem dupla tradução em português. Uma de raiz brasileira (cassação) e duas de
raiz continental (destituição ou impugnação). Mas é mais intelectual dizer um
estrangeirismo!
Os portugueses têm uma dupla expressão para estes
pseudo-intelectuais: parolice!
E nós gostando muito de mostrarmos essa vertente
pseudo-intectual brasileira – adoptada em muitas telenovelas que se veem no
burgo – estamos a copiar desenfreadamente os estrangeirismos. É bué curtido!
Ora aqui (ou será aki? – com sms ou restrições
métricas por causa do Twitter, por vezes já nem sei como se escreve português)
está uma palavra nossa adoptada pelos brasileiros exportada para Portugal, v ia
telenovelas brasileiras e considerada como brasileira, e recuperada por nós
pela mesma via! Bué!!!
Temos um riquíssimo léxico nas nossas línguas
nacionais para usarmos sem parcimónia em frases de vocabulário português. Se de
facto o temos, e nas nossas mais variadas línguas nacionais, porquê usarmos
anglicismos, galicismos ou, mesmo, castelhismos (ou espanholismos – falam
castelhano e não, como erradamente se costuma dizer, espanhol)?
Está tudo “Malaique” ou como
dizem os nossos Kotas sobre estes pseudo-intelectuais: Ãhi! Anjalumba! (do
umbundo: Irra! Vaidade!)
E porque estamos na época tenham todos Bué Festas
Felizes e um Nice Merry Xtmas. Upps. Desculpem estava a escrever e ver um site
(upsss… portal) brasileiro e fui numa wave bué flat (uppsss… desculpem, numa calma
onda)!
Na realidade o que queria dizer e escrever era que
desejo a todos os funcionários, colaboradores e leitores do Novo Jornal, um
Feliz Natal e um Ano Novo 2016, se não melhor – o que se espera e deseja sempre
–, pelo menos que não seja pior.
A todos, Bué Festas Felizes!"
(texto escrito em mesados de Dezembro)
Publicado no semanário Novo Jornal, edição 412, de
23 de Dezembro de 2015, página 19 (1º caderno)
23 dezembro 2015
Boas Festas 2015
Desejo a Todos @ Amig@s Um Feliz Natal cheio de harmonia, paz e amizade!(Merry Christmas! Joyeux Noël! Feliz Navidad! Frohe Weihnachten! Веселого Рождества!)
(este meu poema, pode ser lido integralmente aqui.)
20 novembro 2015
Conferência: 40 anos das independências
Em modo de Conferência no ISCTE com a apresentação deste tema no passado dia 18 de Novembro no painel: «Colonialismo, neocolonialismo e as novas alianças estratégicas» e com comentário à agência Lusa que podem ler aqui
Os 40 anos da Dipanda: persistimos a querer continuar a sonhar… (artigo)
"Há 40 anos, Angola, numa difícil noite de 11 de Novembro de 1975,
ascendia à sua independência como Estado e como uma República, embora politica
e militarmente dividida, mas unida na mesma génese: a Liberdade.
Comemoremos pois mais um dia da Dipanda e esperemos – diria mais,
desejamos –, que os nossos políticos meditem sobre o dia Nacional e se lembrem
que os Angolanos só pensam numa única condição, por sinal a maior delas todas,
como pessoas, como cidadãos e como Mulheres e Homens que se querem livres:
ANGOLA.
Por isso, 40 anos depois continuamos a querer, exigir, uma Angola
realmente livre, justa, fraterna e enorme, como os seus filhos só o sabem ser!
E nestes 40 anos que
balanço podemos fazer?
Na realidade deverá ser
mais elegante escrever “tentar fazer um balanceamento” do que avançarmos para
afirmação de um balanço do que já aconteceu nestes 40 anos em que Angola leva
de independência.
Estes 40 anos
mostraram-nos um País onde houve 27 anos de conflitos fratricidas (1975-2002),
intercaladas por um curto período de 1991-1992 (período das primeiras eleições
multipartidárias) e de 1995-1998 (quando foi empossado o GURN – Governo de
Unidade e Reconstrução nacional); na realidade o País ainda regista a
existência de um conflito interno, devido à questão do Enclave de Cabinda que
opõe as FAA aos secessionistas da FLEC. E enquanto esta questão não se resolver
– e terá de ser pela via política e nunca militar – Angola nunca estará,
realmente em paz militar; duas eleições legislativas e presidenciais (1992 e
2012), a primeira com resultados impossíveis de acolher porque julgávamos que
tudo tinha acabado e, na realidade, degenerou num novo período de instabilidade
político-militar – as próximas deverão ocorrer em 2017 e até lá continuamos a
aguardar a realização de eleições provinciais e autárquicas, sempre prometidas
e nunca vistas a sua realização;
Com a assinatura de Paz
de Luena, em 4 de Abril de 2002, assinada entre duas personalidades castrenses
(os generais Cruz Neto, por parte das FAA, e Kamurteiro, pela parte da UNITA)
Angola entrou num período de desenvolvimento económico, chegando a registar
crescimentos de cerca de 20% ao ano. O petróleo e os elevados preços que o
crude registava no mercado internacional muito concorreram para este
crescimento.
Para este crescimento
muito amplamente contribuiu o apoio financeiro da China. Angola diplomaticamente
abraçou a celebrada linha pragmática chinesa: não nos perguntem e nem nos
critiquem pelas nossas actividades político-sociais que também não vos
perguntamos para que querem o dinheiro e onde vão aplica-lo: era, estava e continua
a estar em causa o problema dos Direitos Humanos (DH). Os chineses facultaram
dinheiro em troca de crude angolano. Ainda que essa disponibilidade financeira
nunca tenha sido cabalmente esclarecida quanto aos contornos que levaram à sua
celebração e que agora, estão, uma vez mais, a ser postos que caso devido à
recente detenção na China, de uma dos maiores intermediários que cooperou para
a consolidação desses financiamentos: o senhor Sam
Pa, chinês, igualmente com, também, nacionalidades angolana e britânica e é
reconhecido nos meios internacionais por, entre outros nomes, António Sampo
Menezes.
Ora, a questão da não
evocação dos DH, verdadeiramente melindrosa, não deixou de ter sido pertinente
nem foi a despropósito. A China além de ter fornecido fundos financeiros
contribuiu para a produção nacional com a presença de inúmeras empresas e
trabalhadores chineses. Foi um contrato inteligente por parte do governo
chinês. Na prática, obtiveram o que precisavam e, na realidade, poder-se-á
dizer, grátis: o crude; ou seja, pela entrega do petróleo, enviavam dinheiro e
este volvia à China através das suas múltiplas empresas, a maioria de capital
público.
Os chineses, tal como
os judeus, sempre foram conhecidos por saberem fazer negócios frutuosos.(...)" (continuar a ler aqui)
Publicado no Novo Jornal,
edição de 406, de 13 de Novembro de 2015, páginas 18 e 19
08 novembro 2015
Portugal: haverá quem não ache que já chegaram 4 anos de austera crise?
No próximo dia de 10 de Novembro, se tudo seguir de acordo com as
previsões, o Governo de Passos Coelho e da coligação PàF cairá na Assembleia da
República portuguesa, devido a uma coligação de interesse político entre o PS,
o BE, o PCP e o Verdes - estes coligados na CDU - (ou seja, nada de anormal em democracia).
Pelo menos o PCP, pela voz do seu secretário-geral e em véspera de entrega no parlamento do programa de governo da coligação PàF e face ao ultimato de Costa de tudo estar resolvido antes do debate, veio a afirmar, hoje, que aprova o programa debatido com o PS.
A dúvida, pertinente, é se o PCP, e de Sousa, também o fará com próximo e futuros orçamentos? E irá assinar um documento nesses termos e em conjunto com o BE de quem ainda ontem, sob o protesto de estarem a divulgar antecipadamente factos sob segredo, fazia críticas bem fortes? Na realidade Catarina Martins, a porta-voz do BE, mais parece uma sólida e bem informada ministeriável do que somente uma "sponsor", como a CDU, do Governo do PS. Dupla questão que se põe e com pertinência
Só que nesse dia, e após essa votação, alguém, algures, onde ninguém
sabe bem onde é, estará a bater palmas feliz; não porque faria 102 anos se fosse
vivo, mas por, ao fim de 40 anos, conseguir o que viu ser negado em 25 de
Novembro de 1975: o Poder. Essa personalidade, chamava-se, em vida, Álvaro
Barreirinha Cunhal.
Nesse dia, esteja onde ele estiver, deixará de dizer o que disse em 1976, face a
Mário Soares, e passará a dizer bem alto: Olhe que sim! Sr. Doutor, olhe que
sim!
Ora este acordo – e se for como preconizam, sem a presença
dos outros parceiros no Governo - é também uma vitória do BE e do PCP. Porque
se der para o torto, só haverá um único culpado: o PS! E isso vai se reflectir
em próximos actos leitorais.
Veremos se nessa altura os dirigentes socialistas
conseguirão que o PS português não se torne num novo PASOK ou num PSOE.
Se por acaso fosse assessor de algum dirigente de cúpula PS –
e não sou, como alguns, se lerem isto (certamente muito poucos) dirão – nunca quereria
derrubar o Governo de Passos e deixava-o cair de podre.
É que se com um Governo do PS e o novo apoio parlamentar, o PSD e
CDS-PP nada farão, no imediato, para o derrubar. Vão esperar para ver o que dará as eleições presidenciais e como o possível no Governo manterá equilibradas as contas do País.
Ora caso a coligação PàF estivesse no
poder, se o novo
presente eleito for da mesma área política que o putativo novo Governo – como seria e será natural – ele daria imediata via a eleições antecipadas e, aí, o PS teria mais possibilidades
de vencer, e, talvez, se não com maioria absoluta, com um larguíssima maioria.
São muitos “ses” e veremos como vai ser no futuro imediato. De
certeza, nesta altura, e em várias frentes e em vários sectores haverá quem
esteja já a verificar as suas armas políticas para os próximos tempos!
Só se espera que, com tanta despesa e menos receitas não
acabe, depois, tudo voltar ao mesmo e com impacto maior. Porque, fazendo fé no
documento ontem apresentado, viver só do consumo interno, não me parece que
faça desenvolver o País.
É que 4 anos já foram demais e muitos parecem esquecer que
os contribuintes que vivem e pagam impostos em Portugal sofreram e de que
maneira os efeitos de um memorando/crise que não estavam preparados.
Agora na dúvida não irão de certeza desbaratar o que lhes
querem “oferecer” de retorno.
Realmente 4 anos de inferno austero foi demais! Será que
haverá quem ache que não chegaram?
Reproduzido no portal do semanário Folha 8 com o título "E agora Portugal?"
Reproduzido no portal do semanário Folha 8 com o título "E agora Portugal?"
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