(Em breve muda-se a profundidade da imagem entre Zuma e Mbeki; foto ©Paul Simão, daqui)
De acordo com as últimas
informações o presidente sul-africano Thabo Mbeki, antecipando-se a uma quase mais que certa moção de censura que o Congresso Nacional Africano (ANC) iria apresentar, no início da próxima semana, na Assembleia Nacional, terá entregue a sua carta de intenções de demissão ao Presidente do parlamento sul-africano para que a mesma se torne efectiva após o Parlamento ter confirmado a sua cessação de funções.
Um pouco estranha esta atitude de Mbeki quando, na prática, se expõe à moção de censura porque só nessa altura a Assembleia Nacional poderá, de facto, confirmar o fim do seu mandato.
Ou, então, o que Mbeki terá solicitado ao Speaker sul-africano é que este solicite ao parlamento deste país que aceite a sua demissão e a torne efectiva.
Em qualquer dos casos, Mbeki já há muito tinha perdido a confiança do seu partido, o ANC, principalmente quando incutiu a demissão do seu então vice-presidente Jacob Zuma por motivos jurídicos, mais concretamente devido a acusações de corrupção e de violação.
Por isso não foi surpreendente que Mbeki, na declaração pública televisiva que fez quando informou da entrega da demissão, ter relembrado que desde 1994, com a conquista da liberdade o poder político e executivo tem "
actuado de forma consistente na defesa da independência do sistema judiciário. Por esta razão os nossos sucessivos governos honraram todas as decisões judiciais, incluindo aquelas tomadas contra o executivo".
Mas como bom e subserviente homem do ANC que Mbeki é, aceitou as instruções do seu partido e que diz ainda pertencer diz e, por esse facto, "
respeitar as suas decisões", ou seja, não continuar do poder até ao final do seu mandato em 2009. Não se sabe se haverá eleições antecipadas ou se o seu sucessor, interino por certo, continuará até às previstas eleições do próximo ano.
Enquanto isso, vamos ver como alguns dos seus vizinhos se vão comportar até porque, dois deles e ao contrário do que fazem crer não gozam das simpatias de Zuma, apesar de ainda recentemente o actual presidente do ANC ter visitado a capital desse país e dizer que as relações são privilegiadas…