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07 maio 2014

Eleições na África do Sul...

 O actual Presidente
e o seu Delfim?

Hoje, a África do Sul vai a eleições para os Parlamentos nacional e provinciais e para a Presidência. 

O ANC e Zuma, apesar dos inúmeros escândalos deste último - arranjos na sua residência particular com fundos públicos - e do sangue que fez verter junto dos mineiros de Marikana, não deverão perder a oportunidade de manter os seus habituais 60% a 65% dos votos.


Por outro lado a Aliança Democrática (DA) e o partido dos

Combatentes da Liberdade Económica (EFF), de Julius Malema, não vão conseguir questionar a vitória do partido de Madiba. Nem os restantes 8 candidatos presidenciais…


Apesar da DA de já estar a ocupar um lugar significativo junto dos negros, mestiços e indianos, ainda é visto como um partido dos brancos; já o populismo chaviano de Julius Malema – antigo líder juvenil do ANC – é visto como muito desestabilizador para a África do Sul e para os países da SADC; só Mugabe, porque é um dos faróis de Malema, o deve ver com bons olhos…

13 dezembro 2013

Mandela versus dos Santos

(Foto do Google)

Pelas exéquias e homenagens a Mandela, um amigo próximo fez-me um repto. Tentar verificar as semelhanças ou dissemelhanças entre os líderes das duas maiores potências regionais da África Austral ou seja, entre Nelson Mandela e Eduardo dos Santos.


Um repto nada mais difícil dado que um acabou de falecer e já não era presidente há vários anos e outro mantém-se no poder há cerca de 35 anos.

Mas como não fujo a reptos tentei criar um quadro onde pudesse colocar as características de cada um e, no fim, tentar fazer coexistir as várias similitudes e, ou, diferenças entre eles. Realmente, nada mais difícil. Mas, vejamos pois…

Mandela tal como dos Santos lutaram pelos seus ideais que passaram por lutas revolucionárias, em alguns casos, armada. Mas enquanto Mandela visava o direito à qualificação humana e ao direito a “um Homem um voto”, dos Santos apontou sempre para a consolidação do Poder face àquilo que considerava os inimigos de Angola.

Pelas suas ideias Mandela foi detido enquanto dos Santos tornou-se o detentor do Poder após o falecimento de Agostinho Neto – já lá vão 34 anos bem medidos –; Depois da sua libertação Mandela apoiou a criação de uma Comissão de Verdade e Transparência onde inimigos se auto-confessaram os eventuais crimes cometidos contra terceiros e todos ficaram felizes e de consciência tranquila. Ou seja, Mandela em vez de perseguir quem o perseguiu conseguiu unificar e fortalecer um Nação, a que chamaram de “Nação Arco-íris”. Já dos Santos, apesar de ter chamado alguns dos antigos combatentes da UNITA para cargos ministeriais e militares, poucos, nada fez, ou parece ter tentado fazer, para diluir as diferenças políticas entre os antigos contendores. E se fez ou tentou, muitos dos seus correligionários mantém as velhas políticas de “eles são os maus, os assassinos” e “nós os bons, os visionários”. Dúvidas, basta ver o que estes escrevem nas páginas sociais.

Mandela concorreu e venceu as eleições legislativas e presidenciais e ao fim de um mandato optou por devolver o cargo a novos concorrentes ficando como a personalidade de referência nacional, o Líder; já dos Santos, que entro por indicação do Comité Central do seu partido após o falecimento de Neto, já concorreu a duas eleições, uma das quais não terminada e prevê manter-se no cargo por dois, pelo menos oficiais, mandatos, ou seja, deverá sair ao fim de cerca de 42 anos de Poder. Parece que quer ficar do Guiness-Book de records como o líder que mais tempo esteve no Poder, isto se Obiang, da Guiné-Equatorial, o deixar, já que está no poder há mais 1 ou 2 meses…

Finalmente e em análise simples e curta porque haveria muito para apontar a ambos, Mandela após deixar o cargo presidencial ofereceu a sua imagem e inteligência para uso – e abuso, muitas vezes – da Nação sul-africana e criou uma fundação que visou a harmonização social no País. De dos Santos, além da sua Fundação que também visa, reconheça-se, defender valores sociais, hoje em dia aparece, levado pela forçada imagem que os seus assessores – ou outro nome – fazem emitir como um líder afastado da população – não esqueçamos as manifestações recentes – virado para farol de uma certa África que muitos já não a reconhecem.

Resumindo, parece-me que é difícil estabelecer paralelos similares ou não entre Mandela e dos Santos. Até porque as raízes políticas e sociais de ambos são bem dissemelhantes. Se de um sabe-se que vem de uma família nobre e de casta reconhecida, o outro mantém segredo quanto às suas origens apesar dos seus assessores tentarem, periodicamente o que não ajuda, fazer crer que é uma personalidade clara e bem formada. Eu acredito, mas será que a população menos enquadrada e intelectualmente afirmada acreditará?

Vamos dar um pouco de espaço temporal e voltemos a esta matéria quando as ideias estiverem mais assentes e frias

(Este texto foi também hoje citado e publicado no Folha 8 conforme imagem, com os meus agradecimentos aos editores deste bissemanário!)

06 dezembro 2013

Mandela (1918-2013) um dos 5 Humanistas do Século XX/XXI

(Só em 1 de Julho de 2008, que Mandela saiu da lista norte-americana dos "terroristas" e com Bush)

Em 1989, no âmbito da Licenciatura, escrevi uma monografia sobre o ANC onde, em abono da verdade e apesar de não transparecer totalmente, não fui muito bom com Nelson Mandela.

Essa monografia pode ser lida, integralmente, aqui.

Dela não tenho qualquer pudor em a mostrar, até porque foi uma das primeiras, se não mesmo a primeira que fiz na Universidade, onde se espalham muitas deficiências que, ao longo dos anos, fui esbatendo ou tentando esbater e melhorar, se o consegui ou não, os críticos que o disparem!

Mas voltando a Nelson Rolihlahla Mandela, um dos 5 ou 6 Grandes Humanistas do último século que decorreu entre o fim da 2ª Guerra Mundial e esta altura – os outros foram Mohandas Karamchand (Mahatma) Gandhi (1869-1948), Martin Luther King Jr, John (1929-1968), John Fitzgerald Kennedy (1917-1963), Mikhail Sergeyevich Gorbachev (ou Gorbachov, 1931-) e e Karol Józef Wojtyła (Papa João Paulo II, 1920-2005)  –, Mandela mostrou o quanto estava errado nas minhas cogitações e como um "rebelde", como lhe chama o jornalista António Mateus se tornou na principal figura política e Humana de África.

Obrigado Madiba!

África perde, talvez, a sua mais cintilante estrela, mas a Humanidade ganha mais uma enorme estrela polar, um cruzeiro do sul, um farol para a dirigir!

Até sempre Madiba!

05 dezembro 2013

Mandela RIP!


Faleceu Nelson Mandela "Madiba"  com 95 anos (1918-2013).

Que África nunca o esqueça!

27 julho 2012

O triângulo meridional de África

"Na sua recente viagem a Moçambique o presidente português Aníbal Cavaco e Silva afirmou, no retorno com uma passagem pela África do Sul, que os portugueses tinham de olhar com outra perspectiva para o triângulo que emerge, em força, no sul do continente africano, devido à sua enorme estratégia central: ou seja, olhar para o triângulo formado por Angola, África do Sul e Moçambique; um quase completo Southern African Rainbow Triangle.

Segundo o presidente português estes três pontos triangulares suportam, estrategicamente, um dos mais populosos e poderosos grupos económicos de África: a Comunidade para o Desenvolvimento dos Estados África Meridional (SADC) com cerca de 250 milhões de pessoas prontas para suportarem um forte grupo multicultural, económico, social e política.

Nada mais verdadeiro. No entanto, há muito que fazer para sustentar não só o desenvolvimento político, económico e social da SADC como, e principalmente, escorar as periclitantes incertezas sociais dos três pilares da sub-organização económica africana.

Se a África do Sul é, claramente, a potência afirmada em África e Moçambique começa a ver a sua situação política e económica estabilizada, principalmente com o desenvolvimento mineiro e a descoberta de bons veios de gás, – já no sector social ainda há muito para fazer, como, registe-se, na áfrica do Sul – não é menos verdade que Angola caminha para esse desiderando, embora, por vezes, esquecendo que uma casa não começa pelo telhado mas pelos alicerces que são, como tudo o vem provando – basta ler a nossa comunicação social –, muito deficientes ou vacilantes.

Relembramos como a nossa população ainda aguarda pelas 1 milhão de residências que deveriam ser distribuídas pelos angolanos. Centralidades novas e bonitas já as hão. Falta é a sua distribuição por aqueles que delas necessitam…

Só que o grande e principal problema dos três pilares da SADC mais não é que um contratempo por que trespassa o continente africano. Ou seja, e na prática, os africanos têm uma inexorável sede de criação e uma enorme fome pelo futuro. Tudo porque a África que desejamos ainda não existe. Uma África que está farta se ser um subúrbio de si mesma e dos que a rodeiam.

Uma África onde a legitimidade dos princípios colige com a vontade dos que se perpectuam, ainda que, por vezes, de forma (in)discreta, no Poder, esquecendo os princípios que norteiam as relações entre aquele e os súbditos assentes sobre certos princípios e certas regras que fixam a atribuição e os limites do poder.


Recordo as palavras do revolucionário e jornalista italiano anti-fascista, Giorgio La Pira, citadas pelo Professor José Adelino Maltez sobre os diferentes valores dicotómicos entre os problemas políticos e sociais. (...)"  (continuar a ler aqui)

Publicado no semanário "Novo Jornal", edição 236, de hoje, 1º Caderno, página 21

08 janeiro 2012

ANC é centenário

O Congresso nacional Africano (ANC – African National Congress) completa hoje 100 de existência a favor do predomínio da maioria em detrimento do domínio da minoria.

Uma das minhas primeiras monografias, em Janeiro de 1989, quando me iniciais nas lides académicas universitárias – e por isso mesmo, muito sintética, despretensiosa e fraca – foi precisamente um estudo sobre o ANC que pode ser visto aqui.

Só estranho, dadas as similitudes que existem entre o ANC e o MPLA e as simpatias entre Eduardo dos Santos e Jacob Zuma, que o portal do Jornal de Angola nada refira a esta data…

Parabéns ao ANC e ao seu líder histórico, Nelson Mandela.

(imagem da internet)

09 dezembro 2011

Há um efeito boomerang das crises árabes?

Há “manifs” em Angola, no Congo Democrático (RDC) há movimentações contestatárias a Joseph Kabila Jr, entretanto declarado vencedor das eleições, embora sem maioria absoluta – uma providencial alteração constitucional permite-lhe a vitória com maioria simples –, na Cote d’Ivoire (Costa do Marfim) o antigo presidente foi colocado sob detenção pelo Tribunal Penal Internacional onde presta declarações por acusação de vários delitos contra a Humanidade.

Na África do Sul houve três antigos baluartes do ANC que viraram para a oposição democrática e para um dos seus antigos membros, entretanto expulso daquela organização. (ver aqui)

Em Moçambique as eleições intercalares regionais deram vitória repartida entre a Frelimo – em Pemba, onde o seu candidato obteve quase 89% dos votos (também Mubarak chegou a obtê-los e vê-se…) – e a MDM, com o pretendente democrático a conquistar, com significativa maioria, a cidade de Quelimane, e a contestar a vitória da Frelimo em Cuamba. (ver aqui e aqui)

Será o início do efeito boomerang da Primavera Árabe, agora na parte meridional de África?
Transcrito no , secção "Moçambique"

13 julho 2011

Mandela Day em Portugal

A Embaixada da África do Sul em Portugal, aproveitando o aniversário de Madiba, o 93º, no próximo dia 18 de Julho – o Mandela Day – vai realizar um jantar convívio, com a presença do sr. Tito Mboweni, antigo governador do South African Reserve Bank e, actualmente, Presidente da Comissão de Angariação de Fundos do Nelson Mandela Children’s Fund (Fundo Nelson Mandela para a Criança), que prevê a construção na África do Sul de um hospital às crianças neste país, na África Austral, e na verdade de toda a África.

Essa é uma das maiores vontades de Nelson Mandela e do Nelson Mandela Children’s Hospital Trust.

Aliaram-se a este desígnio o Hospital de S. João e uma Comissão Honorária, dirigida pela Primeira-dama portuguesa, Dra. Maria Cavaco Silva e pelas anteriores Primeiras-damas, Dras. Maria Barroso, Manuela Eanes e Maria José Rita, bem como pela Dra. Margarida Uva e S.A.R. Dona Isabel de Bragança.

A este evento podem associar-se todos os que estiverem dispostos a colaborar através de um donativo ou por via da compra de lugares na mesa de jantar, com o custo de €200 cada lugar.

Para isso basta depositar o citado donativo na conta 0000 4292 5314, do BES, em nome de Mandela Children’s Hospital e contactar os telefones 213192215 ou 925783515 ou o e-mail ambsa@embaixada-africadosul.pt até ao próximo dia 14 de Julho.

14 dezembro 2010

Jornalista lusófono censurado na África do Sul?

De acordo com um artigo hoje publicado na sua rubrica Alto Hama, no Notícias Lusófonas, o jornalista angolano-português Orlando castro terá sido, eventualmente, censurado num órgão de informação sul-africana.


Digo, eventualmente, porque ainda quero acreditar que tudo não passou de uma gralha do jornal sul-africano Mail and Guardian na não publicação, ou, então, que a sua jornalista, Louise Redvers, se enganou no endereço da secção para onde deveria dirigir a publicação da entrevista.


É que ninguém quer acreditar que as boas relações políticas relançadas ainda recentemente entre Luanda e Pretória sejam suficientes para que um órgão informativo e independente de um outro país sejam suficientes para que haja uma clara violação da liberdade de escrita e de pensamento, mesmo que este seja contrário ao que eu defendo!


Recordemos que é na diversidade e no contraditório que está a beleza do contraste das opiniões!

12 agosto 2009

Golpe no Lesoto, será…?

Parece que em Abril passado terá havido uma tentativa de Golpe de Estado no quase desconhecido Reino do Lesotho (para quem não conheça, fica no continente Africano, que não é um país…)

Parece, porque a comunicação social, veiculando notícias fornecidas pelo próprio Governo de Moçambique (or Mozambique – perguntem à Frelimo e à Renamo), indica que seus nacionais terão estado envolvidos neste eventual acto externo tendo sido mortos
4 moçambicanos e detidos outros 5 num pretenso grupo de 13 mercenários.

É estranho que só agora as notícias tenham ocorrido principalmente quando quem, na prática, quem gere os destinos políticos e governativos do pequeno reino sotho incrustado na África do Sul é, precisamente, este país.

Mas se o embaixador moçambicano na África do Sul e no Lesotho,
Fernando Fazenda, o afirma e diz que queriam derrubar o Governo do premiê Pakalitha Mosisili, é porque tem razão. Só não se entende, à parte de haver necessidade de apurar a efectiva nacionalidade dos envolvidos que tudo tenha estado no segredo dos deuses…

Segundo o que se sabe, os moçambicanos, na maioria
antigos militares desmobilizados, teriam sido recrutados como seguranças para os Estádios do Mundial da África do Sul, do próximo ano, e quando estava numa região do estado de Orange é que tomaram conhecimento da sua real missão.

Sendo, como já afirmei atrás que a África do Sul é quem, efectivamente, gere os destinos deste pequeno reino de 30.355 km2, onde nada se passa sem que os sul-africanos saibam, torna-se evidente que a história está demasiadamente mal contada.

Esperemos que as autoridades moçambicanas aprofundem a matéria e tragam à tona o que efectivamente aconteceu.

A SADC e os países da zona por certo agradecerão…

E Moçambique, por certo, ainda mais. É que se conseguem arregimentar pessoas da forma que o fizeram e para os fins em causa, com os problemas sociais que persistem em Moçambique, e com as eleições tão próximas com partidos descontentes quem garante que o mesmo não possa vir a acontecer na Princesa do Índico… ou num outro qualquer lugar onde o mesmo acontece?

E tudo isto “aparece” 100 dias após o início do
consulado de Jacob Zuma e da visita de Hillary Clinton à África do Sul…

25 junho 2009

Taça das Confederações, ninguém avisou a Espanha?

(imagem daqui)

A soberba nunca foi boa conselheira e no desporto, em geral, e no futebol, em particular, como dizia uma antigo futebolista português, previsões só no final do jogo.

Foi o que parece ter acontecido à Espanha que davam, pelo menos os seus jogadores, ou aqueles que tiveram direito a falar à comunicação social, como certa a final e, em princípio, para eles certo, com o Brasil.

Pelos vistos, o departamento técnico espanhol não lhes mostrou como os norte-americanos tinham eliminado a selecção sensação que nas vésperas tinham derrotado a campeã mundial Itália.

Quando as vitórias chegam demasiado alto e queda na realidade é, quase sempre, catastrófica que, por razões da conclusão da minha Tese não pude ver e apreciar. Daí os 2-0 com que o seleccionado do Tio Sam despachou os “manolitos” e espera, agora, pelo jogo entre os “bafana-bafana” e os canarinhos latino americanos…

10 maio 2009

África do Sul tem novo Presidente!

(foto ©BBC)
Depois do seu partido, o ANC, ter garantido a maioria absoluta, que não a qualificada o que lhe levou a criticar a Comissão Eleitoral local – deve ser caso único em que um partido vence as eleições e está contra o organismo que regula as eleições – Jacob Zuma prestou hoje juramento como Chefe de Estado, o quarto, do país do arco-íris (só se lamenta que a sua eleição, como prevê a Constituição, seja por maioria e não por maioria qualificada dos votos do parlamento – votação indirecta – o que lhe traria mais responsabilidade e legitimidade).

Esperemos que como Chefe de Estado, Zuma consiga o que não conseguiu noutras circunstâncias; ou seja, deixar as controvérsias e gerir a potência regional afro-austral – não esquecer que, economicamente, a África do Sul é membro do G20 – na linha daquilo que o seu mentor e apoiante, Nelson “Madiba” Mandela mais espera dele, governar bem sem as utopias e desvios do segundo presidente e seu anterior antecessor, Thabo Mbeki (Kgalema Motlanthe, o terceiro, foi-o somente como interino e de transição entre Mbeki e Zuma).

Talvez, por isso, e pela primeira vez, Angola se fez representar ao mais alto nível na tomada de posse. Será que se perspectiva uma maior aproximação entre os dois colossos afro-austrais e o eixo Luanda-Pretória se vai afirmar ainda mais no contexto austral e centro-aaustral de África?

Ou como
prospectiva, e com certa razão, Mário Pinto de Andrade, esta reunião, logo no primeiro dia, entre Jacob Zuma e Eduardo dos Santos será não só um reforçar do eixo, como o acelerar da integração regional da SADC?

Vamos aguardar…

30 abril 2009

Madagáscar poderá vai virar grande vespeiro

Como se já não bastasse que a pressão de um “jovem turco” que conseguiu que o exército se lhe juntasse para, e pela primeira vez na vida política do País que isto aconteceu, sublevar-se contra um Presidente eleito democraticamente;

Como se não fosse surpreendente que o “Tribunal Constitucional” acabasse por aceitar, embora por maioria, conceder o poder a um indivíduo que, constitucionalmente, ainda não tem idade para ser Presidente;

Como se tudo fosse pouco, os militares decidiram deter os três membros do Tribunal que contestavam a entrega do poder a Andry Rajoelina;

Apesar da vida económica e social em Madagáscar mostrar que está num claro e quase irreversível ponto de ruptura onde se associa o facto de nem a União Africana e nem a SADC mostrarem ter qualquer efeito dissuasor junto dos Estados-membros onde situações análogas persistem;

Face a todas estas situações parece que uma parte da população quer fazer reverter a situação social e política perigosa onde caiu o País.

Há umas semanas que apoiantes do presidente Marc Ravalomanana têm aumentado a sua contestação ao “TGV” Rajoelina, ao mesmo tempo que sectores militares fiéis ao novo Presidente, continuam a apertar o cerco aos opositores à nova Administração enquanto a violência na capital, Antananarivo, aumenta aliado ao facto de forças militarizadas saquearem escritórios à procura, pensa-se, de dinheiro o que mostra o quanto caiu a frágil economia malgache.

Face a esta situação, um grupo de personalidades próximas de Ravalomanana decidiu
formar um novo Governo o que irá criar uma maior confusão até porque, se a comunidade internacional não reconheceu a autoridade de Rajoelina terá de reconhecer o Governo pró-Ravalomanana.

Uma situação preocupante no cone austral de África, até porque Madagáscar, apesar de ser uma ilha, ou talvez por isso mesmo, é um mosaico rácio-cultural muito diversificado com calaras influências exógenas e fortes.

Se os dois Estados da região que se perfilam com potências (África do Sul e Angola), com particular destaque para o próximo presidente da África do Sul, e por razões diferentes não tiverem uma intervenção mais clara e objectiva na República Malgache, este país, mais ainda que Zimbabué, poderá se tornar num perigoso vespeiro para a região.

Recordemos outras ilhas na zona e como elas vão evidenciando uma preocupante alteração social e política com ciclos de alguma certa instabilidade…

23 abril 2009

África do Sul e a contagem dos votos

(Jacob Zuma, o novo presidente? Foto ©daqui)

A República da África do Sul (RAS) foi ontem a votos para as Legislativas e, complementarmente, para a eleição, por via indirecta, do seu novo Chefe de Estado. Cerca de 77% da população participou no acto eleitoral.

À partida tudo indica que o ANC (Congresso Nacional Africano), que está no poder há cerca de 15 anos, ou seja, desde que o a RAS se tornou no “País de Arco-íris” e desde que Nelson “Madiba” Mandela assumiu, com a inteligência que todos lhe reconheceram, e reconhecem, os destinos do País, deverá manter a sua larga maioria.

Ainda assim, se a vitória não está em discussão, já a sua habitual maioria qualificada parece não estar assegurada, ainda que o seu principal candidato, o polemitizado Jacob Zuma, considere isso possível bem assim a sua imediata eleição na Assembleia Nacional.

Hoje começou a ser feita a lenta contagem do escrutínio. E as primeiras indicações antevêem um ANC com dificuldades em mater a maioria qualificada devido não só ao aparecimento de um reforçado Congresso do Povo (COPE) e que inclui elementos descontentes do ANC, como da Aliança Democrática (DA) que já garantiu a vitória numa circunscrição.

Algumas das razões para o eventual fracasso na não renovação da maioria qualificada estará, em parte, segundo analistas sul-africanos, no
Jacob Zuma (as acusações proferidas, em tempos, contra ele, como a de corrupção, foram anuladas por interferência de terceiros, como o referenciou o PGR local, pelo que a sua eventual culpa, ou não, nunca foi, nem será, parece, provada em Tribunal) e na possível alteração da Constituição sul-africana que, a ser feita, seria a contento exclusivo, do ANC.

De acordo com notícias da RAS, o ANC teria perdido, também, numa das regiões mais pobres do País, perto da província de Joanesburgo.

Vamos ver quem no fim irá, de facto, cantar uma efectiva vitória… (porque na prática e como sempre todos cantá-la-ão.)

22 setembro 2008

Ainda nem arrefeceu e… ala que se faz tarde!

(foto AFP via BBC/Google)

Ainda não arrefeceu nem foi confirmada no Parlamento sul-africano a demissão de Thabo Mbeki e já o ANC apresentou o seu vice-presidente Kgalema Motlanthe como presidente da República e com plenos poderes.

Até parece que o ANC tem receio que a sua maioria não acate a ordem do partido e rejeite a demissão de Mbeki, embora uma das razões que alguns analistas sul-africanos apontem com válidas para a escolha de "um conciliador" é que Motlanthe é visto como uma ponte entre os partidários de Mbeki e os acólitos de Zuma dado que, até ao momento, sempre soube estar equidistante das duas partes havendo quem dentro do ANC o considere demasiado “politicamente correcto”.

Note-se que o nome de Motlanthe chegou a estar virtualmente ligado ao escândalo do programa "Petróleo por Alimentos", no Iraque, mas nunca chegou a ser processado.

Vamos ver se realmente a Assembleia Nacional confirma a demissão de Mbeki e se aceita a proposta do ANC até às previsíveis eleições no segundo trimestre de 2009.

Apontamento citado no , na rubrica "Opiniões e Análises"

21 setembro 2008

Thabo Mbeki demitie-se?

(Em breve muda-se a profundidade da imagem entre Zuma e Mbeki; foto ©Paul Simão, daqui)


De acordo com as últimas informações o presidente sul-africano Thabo Mbeki, antecipando-se a uma quase mais que certa moção de censura que o Congresso Nacional Africano (ANC) iria apresentar, no início da próxima semana, na Assembleia Nacional, terá entregue a sua carta de intenções de demissão ao Presidente do parlamento sul-africano para que a mesma se torne efectiva após o Parlamento ter confirmado a sua cessação de funções.

Um pouco estranha esta atitude de Mbeki quando, na prática, se expõe à moção de censura porque só nessa altura a Assembleia Nacional poderá, de facto, confirmar o fim do seu mandato.

Ou, então, o que Mbeki terá solicitado ao Speaker sul-africano é que este solicite ao parlamento deste país que aceite a sua demissão e a torne efectiva.

Em qualquer dos casos, Mbeki já há muito tinha perdido a confiança do seu partido, o ANC, principalmente quando incutiu a demissão do seu então vice-presidente Jacob Zuma por motivos jurídicos, mais concretamente devido a acusações de corrupção e de violação.

Por isso não foi surpreendente que Mbeki, na declaração pública televisiva que fez quando informou da entrega da demissão, ter relembrado que desde 1994, com a conquista da liberdade o poder político e executivo tem "actuado de forma consistente na defesa da independência do sistema judiciário. Por esta razão os nossos sucessivos governos honraram todas as decisões judiciais, incluindo aquelas tomadas contra o executivo".

Mas como bom e subserviente homem do ANC que Mbeki é, aceitou as instruções do seu partido e que diz ainda pertencer diz e, por esse facto, "respeitar as suas decisões", ou seja, não continuar do poder até ao final do seu mandato em 2009. Não se sabe se haverá eleições antecipadas ou se o seu sucessor, interino por certo, continuará até às previstas eleições do próximo ano.

Enquanto isso, vamos ver como alguns dos seus vizinhos se vão comportar até porque, dois deles e ao contrário do que fazem crer não gozam das simpatias de Zuma, apesar de ainda recentemente o actual presidente do ANC ter visitado a capital desse país e dizer que as relações são privilegiadas…

20 setembro 2008

Mbeki de saída? Com isso Mugabe vai protelando

(as preocupações de Mbeki são evidentes; foto ©Jon Hrusa/EPA/RTP)

Thabo Mbeki sabe, apesar da PGR sul-africana, a NPA, ter recorrida da decisão do Tribunal que considerou inválidas as acusações contra Jacob Zuma, que o seu, ainda, partido ANC não lhe perdoa ter estado por detrás – mesmo que não seja verdade, da acusação não se safa – do chamado complôt contra Zuma.

Por isso não é de estranhar que na África do Sul os mujimbos que correm sejam de que o ANC quer Mbeki seja demitido do cargo de presidente da república.

Apesar de Mbeki já ter feito chegar a informação que acolherá qualquer que seja a decisão do ANC, demiti-lo ou apresentar um voto de censura no Parlamento, ainda não colocou o seu cargo à disposição do partido nem se demitirá forçadamente, antes do fim do seu mandato no próximo ano.

Todavia, Mbeki terá convocado uma reunião de emergência do seu Gabinete para ver se consegue acolher o apoio – que parece difícil, se não mesmo impossível – de todos os seus ministros numa possível demissão em bloco, fazendo ver, deste modo, ao ANC que ainda goza de muito prestígio político.

Vamos aguardar pelos próximos capítulos desta novela Mbeki-Zuma e como estará pelos ajustes a procuradoria sul-africana sobre o caso Zuma.

Enquanto isso, o senhor Mugabe, apesar de ter assinado o acordo para o fim da crise zimbabuena e na linha do que eu próprio já havia preconizado, vai fazendo render a sua teimosia em não querer um Governo com ministros rejeitando as propostas do MDC e do seu líder quanto à distribuição das pastas. Para alguma coisa Mugabe afirmou que era humilhante ter de conviver com o MDC…

12 setembro 2008

Mbeki em maus lençóis com Zuma ilibado

(Tomem!!; imagem daqui)


Apesar de, parece, ter conseguido um acordo entre os líderes zimbabueanos, Thabo Mbeki, e a sua equipa mais próxima, teve hoje um triste dissabor ao ver o Tribunal de Pietermartizburg, considerar inválidas as acusações de corrupção, fraude, lavagem de dinheiro e associação criminosa que tinham sido apresentadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) sul-africana (NPA) contra Jacob Zuma, presidente do ANC, partido no poder.

Segundo o juiz-presidente as razões para a absolvição de Zuma estarão no próprio PGR ao considerar que este e a NPA sofreram fortes influências do poder político, incluindo vários ministros e personalidades ligadas ao executivo de Mbeki, para que a NPA voltasse a acusar Zuma no caso de aquisição de armamento para as forças armadas, no final dos anos 90.

Esta vitória jurídica de Zuma teve como primeira consequência gritos de vitória dos seus apoiantes e queima de esfinges de Mbeki por parte destes o que condiciona, cada vez mais, a sua tentativa de recandidatura à presidência sul-africana. Os activistas do ANC consideram que Mbeki que está por detrás destes processos-crimes contra Zuma; registe-se que este era o quarto processo depois de outros três terem dado em absolvição: dois processos-crime por corrupção e um terceiro por alegada violação de uma amiga próxima.

Razões suficientes para não surpreender se este desfecho jurídico e o ANC não irão provocar antecipar as eleições na África do Sul. Há muito que o maior partido sul-africano, principalmente deste que Zuma ganhou a liderança, anda em quase completa rota de colisão com o actual presidente sul-africano.

Daí que o líder sul-africano se tenha agarrado à tentativa de resolução do conflito político no Zimbabué para recuperar algum do seu crédito político.

11 setembro 2008

Zimbabué, há acordo mesmo?

(imagem algures via Google)

Não chegou a 24 horas desde que aqui disse que ou o mediador da crise, o presidente sul-africano, Thabo Mbeki, conseguia um acordo entre os partidários de Mugabe e a Oposição fosse possível sob pena de haver uma intervenção angolana com muitas possibilidades de o mesmo ser atingido para que o dito acordo pareça ter sido possível.

Segundo Mbeki o acordo de partilha de poderes já foi possível e será assinado na próxima segunda-feira. Um acordo que já tinha sido pré-anunciado pelo líder vencedor das legislativas Morgan Tsvangirai.

Era claro que estava muito em jogo na África Austral, mais do que aproximar os dois opositores zimbabueanos.

A liderança política austral era um dos factores que estava em jogo e os sul-africanos, nomeadamente o seu presidente não poderiam, sob pena deste perder todo o resto de capital político que ainda conserva, principalmente no ANC, para as presidenciais do próximo ano, deixar, eventualmente, cair nas mãos de Luanda.

Vamos aguardar que este não seja mais um acordo que dará em nada, como os anteriores.

20 maio 2008

A quem interessa os actos anti-emigrantes na África do Sul?

(Imagem via RTP-África)
Há uns dias que reapareceram na África do Sul, mais especificamente, perto de Joahnnesburg, como Alexandra, os maus célebres Necklacing (colares de fogo) com que o Umkhonto we Sizwe, braço armado do ANC, castigava os seus opositores ou os colaboracionistas pró-Apartheid, mulheres são estupradas e lojas incendiadas.
Sob a desculpa de falta de trabalho – há uma taxa de desemprego na ordem dos 23% e –emigrantes zimbaueanos e moçambicanos (já morreram 6 moçambicanos) são perseguidos e mortos por populares sul-africanos.
Desde Janeiro que os ataques aos chamados emigrantes ilegais, ou indocumentados, se vêem registando. E paradoxalmente, ou talvez não, um dos líderes dessa sanha é um antigo refugiado dos anos do regime de apartheid e que voltou ao país sob a protecção do ACNUR.
Os actos já entraram na parte “nobre” da capital do ouro sul-africano.
Mas será que estes actos anti-emigrantes são mesmo derivados ou movidos unicamente por problemas sociais e económicos?
Não esquecer que o ANC vive com algumas tensões internas que se irão reflectir nas próximas eleições.
As disputas entre o presidente Thabo Mbeki, que tem sido tolerante com o Zimbabué, e Jacob Zuma, que quer uma maior pressão sobre Mugabe são por demais conhecidas e poderão aumentar durante a campanha eleitoral.
Também a Congresso dos Sindicatos Sul-Africanos (COSATU) reconhece que os problemas económicos sul-africanos não se devem à emigração; bem pelo contrário. Foi muito à custa desta que, desde há 100 anos, se tem desenvolvido o tecido económico sul-africano.
Não esquecer que cerca de 10% dos 50 milhões de habitantes da África do sul são emigrantes e são esses que têm mantido a crença Mundial de que os sul-africanos conseguirão realizar o Mundial de futebol de 2010.
Estes distúrbios aparecem no momento menos oportuno e que põe em causa a habitual imagem de tolerância tão querida do país do Arco-Íris.
Por isso a pergunta do título é pertinente. A quem interessam estes distúrbios na África do Sul?
Com estes desacatos e a imagem transmitida a comunidade internacional vai, por certo e conveniência de terceiros, se esquecendo do Zimbabué e do Congo Democrático…