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04 julho 2015

Maurícias: uma senhora na presidência


(fonte: foto África21)

A República das Maurícias (ou Maurício) tem desde 5 de Junho passado uma senhora na Presidência do País. Ameenah Gurib-Fakim (de nome completo Bibi Ameenah Firdaus Gurib-Fakim) era, até esta data, uma cientista bióloga e professora universitária, tendo sido proposta pelo primeiro-ministro, Anerood Jugnauth, e ratificada pelo Parlamento nacional maurício (a eleição é indirecta).

O anterior Presidente, Kailash Purryag, resignou ao cargo em 29 de Maio, passado.

Gurib-Fakin tornou-se na primeira mulher a ocupar o cargo na república maurícia e a 6ª Chefe de Estado desde que as ilhas se tornaram uma república, em 1992.

12 junho 2014

Al-Sisi, o novo faraó do Egipto

(Tão colegas que nós éramos...; foto Internet)

Numa cerimónia perante o Tribunal Constitucional e transmitida pela televisão, o senhor marechal, na reforma Abdel al-Sisi (de seu nome completo, Abdel Fattah Saeed Hussein Khalil al-Sisi) que ganhou as presidenciais de 26 a 28 de Maio com cerca de 97% dos votos expressos, onde apenas pouco mais de 47% dos eleitores inscritos a votar, tomou posse o segundo presidente egípcio eleito democraticamente, declarando “em nome de Deus, respeitar a lei e a Constituição” egípcias e defender a independência da nação e a sua integridade territorial. Se não fosse dramático, tendo em linha de conta como a sua eleição ocorreu e como ela teve início – com o Coupe d’État (golpe de estado) contra o anterior e primeiro presidente eleito pelo voto secreto directo e universal, Mohammed Morsi, – a tomada de posse seria risível.

Acontece que o novo presidente egípcio é conhecido pelas suas inúmeras reencarnações. Ele já foi, logo após o golpe, a reencarnação de Muhammad Naguib, o general que liderou a revolta para derrubar a monarquia egípcia em 1952; posteriormente, se transformou em Gamal Abdel Nasser, o coronel que derrubou Naguib e construiu um sistema socialista ambicioso e manipulou o processo árabe e o médio oriente face às superpotências; agora, acha-se próximo de um tipo de líder mais autocrata e autoritário exemplificada em... pasme-se, António de Oliveira Salazar, um professor de economia política que governou, sob mão-rígida, Portugal durante quase quatro décadas, com início na década de 1930. Um sistema político que durou até 25 de Abril de 1974…

Coitado dos egípcios, coitada de África!

Só falta vir dizer que também é uma reencarnação de um qualquer faraó do Egipto antigo; ainda está a tempo de descobrir um cartomante que o diga ou ateste…

De recordar que o senhor marechal na reserva, al-Sisi, tomou o poder em 03 de Junho de 2013, com o derrube de Mohammed Morsi e do governo do Partido da Liberdade e da Justiça, umbilicalmente ligado à Irmandade Islâmica (dito, também, Fraternidade Islâmica ou Muçulmana) e eliminou toda a oposição, islamita, liberal ou laica. Um amor de pessoa que está, efectivamente e “de jure”, no poder desde aquela data…

De evocar que Al-Sissi – na altura do derrube governamental era o chefe do exército – estabeleceu, logo após o golpe, um governo interino, que instalou uma implacável e sangrenta repressão sobre os apoiantes de Morsi, em particular da congregação islamita, Irmandade Islâmica, que venceu todas as eleições desde a queda de Hosni Mubarak, no início de 2011, após as crises da Praça Tahrir.

Este é um mesmo senhor que, antes das eleições presidenciais (até aí foi, sucessivamente, primeiro vice-primeiro-Ministro e Ministro da Defesa), aceitou que os tribunais egípcios – levou bem à letra a separação de poderes entre o legislativo-governativo e o judicial, principalmente quando isso lhe convém – condenassem à morte centenas de egípcios, ditos próximos dos islamitas.

Pobre África que continua a ter dirigentes como o egípcio al-Sisi, ou Bissau-guineense António Indjai, que decidem superintender os destinos dos seus países através de golpes de Estado e da manutenção subsequente do status quo, directa ou indirectamente, sem que a União Africana consiga, de facto e de jure, anular estas alterações constitucionais de forma imperativa e justificada.

Em ambos os casos nenhum dos países foi suspenso da UA ou tornados párias. E não foi por razões de capacidade potencial; nesse aspecto tanto o Egipto, como a Guiné-Bissau são bem diametralmente opostos!


Talvez que pelas costas dos outros vejamos as nossas…

09 setembro 2009

2500 - Feijó também aponta para novas eleições

(imagem Club-K)

O jurista e antigo membro da casa presidencial Carlos Feijó, em conversa no programa "Cara a Cara", da TV Zimbo (portal mais que desactualizado), defendeu que é impossível esta Assembleia Nacional, depois de aprovada a nova Constituição, poder aprovar e eleger o novo (?) presidente da República.

Para o jurista angolano a alteração constitucional que indique uma eleição indirecta obrigará, na sua perspectiva, a novas eleições simultâneas para uma nova Assembleia Nacional e para a Presidência.

Parece que é consenso global, também isso já
aqui foi debatido, que se a actual Assembleia Nacional, saída das eleições de Setembro de 2008, se aprovar uma Constituição onde defenda a eleição indirecta da Presidência terá os dias contados e deverá ser convocadas novas eleições.

Será que os partidos – e se pensarmos no que se perspectiva para amanhã em Benguela, mais evidente se torna a dúvida – estarão preparados para novas eleições a tão curto prazo?

08 setembro 2009

Guiné-Bissau tem novo presidente

(foto retirada do Notícias Lusófonas)

Malam Bacai Sanha tomou posse como Presidente da República, tornando-se no 6º Presidente da Guiné-Bissau – inclui-se os interinos – e o segundo civil.

A Guiné-Bissau tem, a partir de agora, um Presidente, um Governo, uma maioria Parlamentar e, porque não afirmá-lo, um Chefe Militar, tudo dentro da mesma linha político-ideológica, pelo que a partir desta altura deixou de haver razões para que o país continue instável, ingovernável e sem condições humanitárias e sociais para vingar.

Até porque a Oposição, nomeadamente, o candidato derrotado na segunda volta, Kumba Yalá, bem assim os da primeira volta, afirmaram desejar apoiar todas as iniciativas que visem melhor as condições dos Bissau-guineenses.

E os novos líderes têm essas condições além das que a comunidade internacional se prestou a fornecer, nomeadamente, para o combate ao narcotráfico que tornou o Pais num quase narco-Estado.

Já agora e por falar em comunidade internacional, alguém sabe explicar porque razão o Chefe de Estado português se fez representar por um Ministro – é certo que é dos Negócios Estrangeiros (e quais foram os negócios que Luís Amado fez?) o mesmo que também esteve no aniversário do ditador que mais tempo está no poder em África (não, esse ainda não é o mais velho, estava a referir-me a Kadhafi) – em vez de estar lá presente? Que eu saiba, o Presidente Cavaco não está em campanha eleitoral ao contrário do Ministro, que creio ser cabeça de lista por um Distrito ao parlamento português.

Enfim coisas da diplomacia portuguesa ou seria que alguém temeu pela sua própria segurança e em Bissau poderia não haver carros à prova de bala?...

04 setembro 2009

No Gabão, a Bongo sucede… Bongo

Parece o tipo de… Rei Morto, Rei Posto ou…, Morra o Rei I, Viva o Rei II. Foi o que se passou no Gabão.

Depois da morte do Kota Patriarca Omar Bongo – e o então mais velho líder africano no poder – o gabão foi a eleições presidenciais onde três candidatos se destacavam: Ali Bem Bongo, filho do falecido Presidente e próximo do Partido Democrático Gabonês (PDG), no poder); André Mba Obame, antigo Ministro do Interior; e Pierre Mamboundou, líder oposicionista histórico que liderou, em 1990, alguns motins por quando do processo transitório para o multipartidarismo.

Como a Constituição gabonesa não exige uma maioria absoluta para que um candodato seja eleito, era certo e sabido que muito rapidamente saber-se-ia quem seria o novo presidente só havendo expectativa quanto aos números e como seria recebido o veredicto popular.

Pois o Povo – errando ou não, e muitas vezes erra – foi soberano e decidiu que a Bongo sucede… Bongo. O novo Presidente terá obtido – terá porque há quem defenda a existência de fraude eleitoral – cerca de 41,7%, seguido de Obame, com 25,9%, e de Mamboundu, com 25,2%. Ou seja, os “derrotados” perfaziam mais de 50% dos votos o que vem colocar em causa a questão da vantagem – ou não – das maiorias absolutas como forma de legitimar mais e melhor os candidatos.

E a prova disso é que os seguidores do terceiro candidato mais votado provocaram vários confrontes no Gabão, nomeadamente na sua região, em Port-Gentil, onde terão atacado a prisão local e libertado presos, e incendiado o consolado francês.

Vamos aguardar pelos próximos desenvolvimentos até porque só votaram 357.402 dos 807.402 eleitores inscritos, ou seja, bem menos de 50% dos potenciais eleitores.

29 julho 2009

Malam Bacai Sanhá é o presidente eleito…

(imagem Internet)

Guiné-Bissau tem novo presidente eleito. A segunda volta, e à terceira tentativa, concedeu o direito a Malam Bacai Sanhá, um histórico do PAIGC e antigo presidente interino, de dirigir os destinos da Nação Bissau-guineense e fazer com que a Paz possa ser não uma miragem mas um objectivo a médio-curto prazo.

As condições são propícias para Sanhá: um Governo e uma Assembleia da mesma linha política, uma linha militar próxima e uma oposição que, por certo, procurará lamber feridas e reorganizar-se para os próximos combates, porque sabe que o Povo não esquece e está farto de quezílias absurdas.

Vamos aguardar que com estes ingredientes os Bissau-guineenses tenham enfim, a estabilidade desejada e a Comunidade Internacional cumpra o prometido; ou seja, em caso de vitória clara e sem subterfúgios ajudariam o País a emergir daquilo que os brasileiros tão bem sabem caracterizar: sair da fossa!

10 abril 2009

Pré-candidatos vão aparecendo…

(Porque é tão difícil descobrir na Internet uma foto/imagem do palácio onde ainda mora o senhor da foto? Será que é caso de "salvaguarda de Estado"?)

Ainda nem se sabe se vai haver eleições presidenciais este ano em Angola – parece que tudo conjuga que não – mas pré-candidatos já há.

O primeiro, que se mantém, é o economista e professor universitário
Vicente Pinto de Andrade; o segundo, por acaso uma segunda, é Luisete Macedo Araújo, uma finalista de bacharel em Teologia e próxima da Igreja Maná (a única que tem um blogue pessoal de campanha); e, agora, surgiu um terceiro pré-candidato, Vasco Cristóvão, médico, ex-militar das FAPLA e, parece, professor universitário (parece porque sei que houve quem contactasse a “sua” Universidade, a UAN, onde dizem leccionar e que estes terão afirmado ser aí desconhecido).

No entrementes, e de acordo com O Apostolado, há um outro pré-candidato,
João Kambwela, que, honestamente, não sei quem seja embora saiba ser um politólogo e dirigente do Amplo Movimento dos Cidadãos (AMC), organização que congrega representantes da sociedade civil angolana, e cuja intenção será ajudar o candidato a concorrer às presidenciais visando a mudança na liderança do país e a "eliminação da corrupção".

Entretanto, há um quinto sempre visível e imposto que nunca afirmou se seria ou não mas que todos aqueles que temem perder certos benefícios procuram que seja obrigatoriamente o “candidato”: José Eduardo dos Santos.

Não se preocupam com a sua vontade nem com a defesa da sua imagem – quer gostemos, quer admitamos, quer saporificamente aceitemos ou não, é o estabilizador e o actual aglutinador da actual paz social, política e militar que gozamos, mesmo que o sapo seja tão grande como a vaca bíblica –; só se preocupam o seu status quo no seio da nomenklatura e da bela vidinha que levam.

Pode ser, como alvitrava um analista há dias, e que também eu já tenho prospectivado e considero a mais adequada nos tempos actuais, que no Congresso de Dezembro saia um novo e surpreendente coelho da cartola de Dos Santos para azia de uns – e não poucos – quantos.

Vamos aguardando pelas modas e por mais aqueles que vão, por certo, aparecer. Até porque há um “galinheiro” de onde poderá ver sair para a conquista mais de um galo, mais ou menos depenado, mais ou menos, careca. Tudo dependerá de como se apresentarem no início do escadote…
Posteriormente retranscrito no /"Opinião" de 12.Abr.2009

28 novembro 2008

Chumbadas levam as presidenciais para o caminho do adiamento?

"Ou seja, as presidenciais em Angola foram atingidas com, pelo menos, cinco certeiros tiros

.Depois do líder da Oposição e presidente da UNITA, Isaías Samakuva, ter condicionado a sua eventual participação às presidenciais, previstas para 2009, desde que estas fossem manifestamente transparentes, democráticas e sem constrangimentos como os ocorridos nas legislativas e de que a UNITA já fez eco através de um comunicado; ou seja, e segundo as palavras de Samakuva se "… não houver garantias […as presidenciais] [que] não vão ser uma farsa".

Um primeiro tiro nas presidenciais.

Depois da sondagem que o Semanário Angolense publicou na sua edição 291,
de 15 a 22 de Nov, que mostravam que o actual inquilino da Cidade Alta não tinham concorrentes à altura, nem mesmo dentro do seu partido, o que tornaria as presidenciais num autêntico plebiscito, tornando quase desnecessária a votação.

Segundo chumbo certeiro nas presidenciais

Sabendo que um dos grandes objectivos de certas personalidades próximas, e mesmo dentro, do MPLA querem que o regime angolano seja total e claramente presidencialista em vez desta encapotada situação em que a Constituição aponta para um regime parlamentarista semi-presidencialista, mas que a prática mostra ser claramente presidencialista, é sua vontade é que a actual Constituição sejam rapidamente revista.

Perfeitamente natural num regime democrático e onde o Parlamento é dominado por uma maioria qualificada de um partido, no caso o MPLA. Mal ou bem, com desacertos ou situações questionáveis, os adversários aceitaram e sancionaram o que o Povo, mesmo que em eventual teoria, decidiu. E se decidiu…

Pois é aproveitando esta situação de eventual alteração da Constituição, que não tem data prevista de início e, ou, termo, que o Presidente José Eduardo dos Santos, potencial jogador nas presidenciais, decidiu
condicionar as presidenciais previstas para o próximo ano à aprovação da nova Constituição; ou seja, e como o próprio Presidente fez questão de sublinhar, o presidente eleito terá de o ser "a partir do que ficar plasmado na Lei Fundamental angolana" (...)" (Continuar a ler aqui ou aqui).

Publicado no /Manchete, sob o título "Tudo pronto para adiar eleições presidenciais" e retranscrito no portal , em 28/Nov/2008

03 novembro 2008

Zâmbia tem novo presidente… oficial

(imagem daqui)

O Chefe de Estádio interino, Rupiah Banda, no poder após a morte de Levy Mwanawasa, falecido em Agosto na sequência de um ataque cerebral, foi eleito Presidente de Zâmbia por somente 40,09% dos votos válidos, contra 38,13% do principal opositor Michael Sata, de acordo com o anúncio do presidente da Comissão eleitoral, Florence Mumba.

Numas eleições onde só votaram!! 45% das pessoas inscritas nas listas eleitorais, ou seja, cerca de 1,8 milhões eleitores, o candidato eleito, Banda, tem a contestação de Sata que, nos primeiros resultados de sexta-feira passada (as eleições foram no passado dia 29 de Novembro), davam um largo avanço sobre o presidente interino.

Para evitar os conflitos e motins ocorridos nas eleições de 2006 a Polícia e o Exército foram mobilizados e, mesmo assim, não puderam evitar os desacatos registados no bairro pobre de Mandevu, na capital Lusaka, onde dispersar uma multidão em cólera, aliados de Sata incendiaram o mercado local.

O novo presidente, de 71 anos, é antigo diplomata, com um perfil mais tecnocrático mas que prometeu continuar com a política económica levada à cabo pelo falecido Mwanawasa, que conseguiu conter uma inflação enorme e galopante.

22 setembro 2008

Ainda nem arrefeceu e… ala que se faz tarde!

(foto AFP via BBC/Google)

Ainda não arrefeceu nem foi confirmada no Parlamento sul-africano a demissão de Thabo Mbeki e já o ANC apresentou o seu vice-presidente Kgalema Motlanthe como presidente da República e com plenos poderes.

Até parece que o ANC tem receio que a sua maioria não acate a ordem do partido e rejeite a demissão de Mbeki, embora uma das razões que alguns analistas sul-africanos apontem com válidas para a escolha de "um conciliador" é que Motlanthe é visto como uma ponte entre os partidários de Mbeki e os acólitos de Zuma dado que, até ao momento, sempre soube estar equidistante das duas partes havendo quem dentro do ANC o considere demasiado “politicamente correcto”.

Note-se que o nome de Motlanthe chegou a estar virtualmente ligado ao escândalo do programa "Petróleo por Alimentos", no Iraque, mas nunca chegou a ser processado.

Vamos ver se realmente a Assembleia Nacional confirma a demissão de Mbeki e se aceita a proposta do ANC até às previsíveis eleições no segundo trimestre de 2009.

Apontamento citado no , na rubrica "Opiniões e Análises"

31 julho 2008

Comunicação de Cavaco Silva ou avisos reais a terceiros?

(Residência oficial do Presidente português)

Como não é habitual escrever sobre a política interna de Portugal, poderei estar enganado, na análise seguinte, mas...
Mas a mim pareceu-me que o Presidente da República Portuguesa, Aníbal Cavaco Silva, enviou mais um “aviso” a terceiros através do veto Constitucional ao Estatuto Regional dos Açores do que propriamente uma análise informativa ou alerta a este veto.
E os terceiros poderão ser – e não serão? – aqueles que pensam que as zonas que governam são coutadas pessoais e que podem gerir como bem entendem… e como endereços reconheço logo dois: um que tem a mania que é um soba e outro que tem a mania que isto é um paraíso tecnológico simplex…