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10 abril 2012

Mugabe agarrado?

(Da Internet)

As notícias que uma parte significativa – só no Google, versão inglesa, são mais de 392 notícias, e 9 na versão portuguesa – da comunicação social hoje nos oferecem sobre Robert Mugabe prende-se com a sua periclitante vida, de 88 anos, e a hipótese de estar a “lutar pela vida” em Singapura.

Isso é o que os idiotas da Comunicação Social transmitem. Porque tudo não passa de mentira. De acordo com um relatório oficial – da ZANU-PF, claro – ele está “well, on holiday” (como se o País estivesse em condições de lhe pagar as principescas viagens anuais a Singapura, Malásia e Hong Kong…).

Pois, é possível que seja um – mais um – rumor, mas quando até muito próximos, caso da ANGOP, também afirmam a “luta pela vida”…

Se uns, a grande maioria, dizem que Mugabe estará hospitalizado, em Singapura, em situação de risco, com o “ABC Online” a reafirmar que estará “gravely ill”, o britânico “The Telegraph” vai mais longe e admite que está já estará “no leito de morte”…

Vamos aguardar pelos próximos capítulos e se o “Fim” não estenderá para outros que Olhão para Mugabe como o seu “farol” para manterem os seus virtuais “status quo”…

31 agosto 2011

Mugabe anda calado, mas quando fala…

Lembram-se do senhor da foto? É ele mesmo: Robert Mugabe, o guru do arrivista sul-africano Julius Malema.

Mugabe tem andado muito calado. Nem após a estranha morte do marido da vice-presidente e das suas legítimas dúvidas quanto ao acidente de que resultou o tal passamento (devido a um incêndio inexplicável durante a noite…) o ainda presidente (há cerca de 31 anos no poder há quem esteja mais...) do Zimbabué falou.

Mas quando abre a boca, lá vem moscardo…

Pois o senhor Mugabe mandou expulsar os diplomatas líbios que renegaram a Jamairia e o seu líder, Kadhafi.

Como sempre os autocratas auto-defendem-se e protegem-se.

Quatro da gerotoncracia política africana já foram (Bem Ali, da Tunísia, Hosni Mubarak, do Egipto, Laurent Gbagbo, na Costa do Marfim, e, segundo parece, porque a União Africana ainda não o reconheceu, excepto a Nigéria, Muammar Kadhafi, na Líbia); quase outros tantos estão na calha...

Assim os Povos queiram e o decidam!

18 abril 2010

Fez hoje 30 anos e (dês)esperam…

Fez hoje 30 anos que os zimbabueanos se tornaram no Zimbabwe sob a égide de um revolucionário e de um patriota.


30 anos depois constatam que o “velho” patriota revolucionário se tornou num déspota que não deseja largar o poder e colocou o País num caos profundo que nem os amigos já sabem como ajudar.


Até quando o País vai ter de suportar Robert Mugabe?


Até quando os amigos vão continuar a apoiar a esperar que ele saia por si como recorda hoje, e bem, Mário Pinto de Andrade, analista internacional e reitor da Univ. Lusíada de Angola, numa entrevista ao DN, sobre a situação no Zimbabwe “A solução passa, numa primeira fase, por este Governo de transição e, depois, por uma nova Constituição e por um acordo nas elites da ZANU-PF para a substituição de Robert Mugabe por nova liderança que possa trazer estabilidade ao país. Este teve papel importante na luta de libertação e é o pai da independência do Zimbabwe, mas, quando o líder no poder já não gere consensos, é melhor sair com dignidade do que originar uma guerra civil, factor de instabilidade no país e na região.”


Mas será que realmente haja quem esteja preparado para lho dizer cara a cara?

Citado no Zwela Angola na rubrica "Malambas de Kamutangre"

28 fevereiro 2009

Mugabe faz 85 anos e mantém mesmas atitudes

(Enquanto o Povo passa fome Mugabe devora caviar: foto daqui onde podem ver mais fotos da festa)

Costuma-se a dizer que a idade é um posto e sinónimo de maturidade e clarividência.

Daí que em África se reconheça aos Mais Velhos o direito à sensata sabedoria e prudência.

Provavelmente, sê-lo-ia em pessoas que dessem mostras disso, o que não é o caso do senhor Robert Mugabe que hoje completou 85 anos em displicente festão de cerca de
250 mil dólares norte-americanos e unicamente pagos em dólares norte-americanos pelos convivas.

Entre eles, estava previsto a ida do primeiro-ministro Morgan Tsvangirai. Será que foi e pagou a sua quota-parte da festa? Quero crer, ou espero, que não tenha ido ou pago porque isso seria uma afronta a todo o Povo zimbabueano que padece de fome, miséria e doença enquanto o déspota presidente Mugabe se alardeia em festas e
compra casas luxuosas na Ásia. (A ANGOP diz que ia, o portal do Diário IOL diz que esteve ausente).

E como o senhor Mugabe não consegue estar, onde quer que seja, sem dizer baboseiras aqui vai mais uma dita hoje na sua “pequena e singela” festa dada pelos seus “
pobres correligionários”: as “propriedades agrícolas dos brancos” vão continuar ao abrigo da sua tão contestada lei “aquisição das terra” e dadas “aos novos agricultores negros”, na sua quase totalidade – ou mesmo totalidade – partidários ex-combatentes do partido de Mugabe.

Bem clama o primeiro-ministro Tsvangirai para que se pare com os ataques aos agricultores brancos mas Mugabe continua a fazer ouvidos de mercador. Para ele os brancos são todos britânicos mesmo que sejam comprovadamente zimbabueanos e estejam nomeados para o Governo. Recordemos a detenção por “
terrorismo” de um vice-ministro proposto pelo MDC à sua chegada ao aeroporto de Harare, para a tomada de posse…

13 fevereiro 2009

Mugabe dará posse ao novo Governo?

(será que Mugabe, uma vez mais, está a fazer um manguito ao seu Povo?)

Segundo o previsto o presidente Mugabe dará (daria) posse hoje ao novo Governo de Unidade Nacional, liderado por Morgam Tsvangirai, resultante do acordo do final do mês de Janeiro.

A posse de hoje seria a natural consequência da posse, como primeiro-ministro, que o senhor Mugabe conferiuu a Tsvangirai.

E para que vejam como o senhor Mugabe está de muito boa fé quanto ao Governo, o indigitado vice-Ministro da Agricultura, designado pelo MDC – partido por indigitado primeiro-ministro – foi detido ao chegar ao aeroporto de Charles Prince, em Harare.

Ora este pequeno – pequeníssimo – imbróglio jurídico criou, naturalmente, um impasse na tomada de posse dos restantes ministros que vão compor o governo zimbabueano.

Mas o que é que isto preocupa ao senhor Mugabe e ao martirizado povo zimbabueano se os vizinhos vão continuando a dar cobertura política aos desmandos do antigo e octogenário guerrilheiro no poder há… quase 29 anos (completa-os no próximo dia 18 de Abril).

12 fevereiro 2009

A vida paupérrima de Mugabe...

(Um Tsvangirai atónito olhar para a glutice de Mugabe e a pobreza endémica do Zimbabué; Cartune compilado por mim com imagens da internet; algumas daqui e daqui)

Enquanto País tenta assentar com um novo primeiro-ministro e, dentro do possível, um credível Governo nacional, Mugabe pré-diverte-se…

No Zimbabué, e depois de ler este alerta do GG, no
Universal, constata-se que o senhor Robert Mugabe e os seus amigos continuam a brincar com o Povo e com a sua miséria, ou então…

No mesmo dia que Morgan Tsvangirai tomou posse como
Primeiro-ministro de um Governo de Unidade, e conseguia que o ministério das Finanças fosse de alguém próximo de si, ao abrigo do protocolo assinado no final do mês passado para a partilha do poder entre Tsvangirai e Mugabe, mesmo com a grande desconfiança interna e externa que a mesma causou;

Ao mesmo tempo que a Cruz Vermelha Internacional
pede ajuda à comunidade internacional para minorar a crise epidémica da cólera no País que já provocou, de acordo com a OMS, cerca de 3380 vítimas e 69 mil infectados;

Numa altura que o
desemprego atingiu proporções incompreensíveis e que poderão aumentar consideravelmente caso se confirme o despedimento de muitos mineiros na África do Sul – a maioria zimbabueanos e moçambicanos – o que aumentará o nível de fome para mais de metade da população do país e a taxa de inflação já faz parte das principais enciclopédias mundiais de economia;

Quando a maior parte do dinheiro em circulação serve quase que unicamente para pagar os parquíssimos salários dos soldados e polícias evitando que estes entrem em crise e provoquem a queda do Poder de Mugabe;

E se recordarmos de última visita da esposa de Mugabe a
Hong Kong e Singapura e as dificuldades em comprar produtos para os seus concidadãos, mas não para ela e família…

O senhor Robert Gabriel Mugabe, nascido no ano da Graça do Senhor – não esqueçamos que ele está em contacto directo com Deus porque este ainda não decidiu, segundo Mugabe, pela sua saída – de 1924, juntamente com os seus amigos vão – ou pensam – celebrar os seus 85 anos, no próximo dia 21 de Fevereiro, com um lauto acontecimento.

E porque as festas dos “Príncipes” são sempre de arromba e carecem de “entradas-pagas” cada um dos seus amigos deverá depositar uma “dotação” numa conta, em USDólares e só nesta divisa, criada especificamente para este acontecimento qualquer coisa como entre 45 mil e 55 mil dólares.

Segundo o portal do espanhol
El País, o lauto repasto contará com, entre outros opíparos produtos, 2000 garrafas de champanhe (de preferência 61 Moët & Chandon e Bollinger), 8000 lagostas, 100 quilos de camarão/gambas, 4.000 doses de caviar, 3.000 patos, 16.000 ovos, 3.000 bolos de chocolate e baunilha e 8.000 caixas de bombons Ferrero Rocher.

Realmente se isto não é brincar com a miséria do Povo zimbabueanos pelo senhor Mugabe e a sua pandilha e, ainda por cima, com Mugabe a manter o claro beneplácito da maioria dos seus vizinhos para se conservar no Poder, mesmo que, agora, em partilha.

Falta saber até quando essa partilha se manterá…

11 dezembro 2008

Mugabe passou-se de vez?

(sugestivo cartune daqui)

O senhor Mugabe quando não é notícia, procura a notícia.

Ele não tem a culpa. De facto, culpa temos nós que ainda vamos dando novas dele. Só que o fazemos, pelo menos por mim falo, mais por respeito ao Zimbabué e ao martirizado Povo do Zimbabué do que procurar perder tempo com um déspota decrépito e inimputável.

Como se sabe, e disso a ONU e a OMS muito têm procurado dar conta, o Zimbabué padece de uma grave crise epidémica de cólera com cerca de 16.000 infectados e mais de 750 mortos. Pelo menos até ontem, segundo a divulgação de uma nota da ONU. Isto apesar da OMS admitir que o número poderá
ascender aos 60 mil infectados!

Felizmente que ainda há quem no Zimbabué consiga milagres apesar da super-inflacionadíssima inflação (mais de 230 milhões %) até porque, segundo personalidades externas aos zimbabueanos – não estou a dissertar sobre quem pensam, não –, como
Obi Egbuna, membro-fundador da Organização de Libertação Pan-Africana, tudo o que se tem dito do Zimbabué mais não é que pura especulação do imperialismo e dos seus acólitos, como Graça Machel, por exemplo.

Mas não é só Ebguna que acha que o senhor Mugabe é vítima; uma vez mais a União Africana impediu
qualquer crítica ou verberação ou deposição ao todo poderoso senhor Mugabe e ao seu regime (quem serão os seus brilhantes advogados que têm conseguido protelar sempre as críticas?).

Mas voltando aos milagres zimbabueanas. Se ainda ontem a ONU afirmava que o Zimbabué estava com uma difícil e incontida epidemia, o senhor Mugabe, em declarações hoje prestadas na televisão zimbabueana veio anunciar o grande milagre (será o terceiro ou quarto milagre de Fátima?) mugabeana; segundo o senhor Mugabe "
Estou feliz em dizer que nossos doutores receberam a ajuda de outros e da Organização Mundial da Saúde (...), assim não há mais cólera"!!!!

Das duas três. Ou os membros da OMS que ainda estão no Zimbabué já deixaram de saber fazer contas e divulgaram números miseravelmente incorrectos; ou os meios de telecomunicações zimbabueanas devido à crise económica operam com intermitência e por isso há números incorrectamente transmitidos para fora, ou… o senhor Mugabe conseguiu o milagre de correr todos os infectados a tiro e enterrá-los (leu mal a história; um
outro déspota, mas iluminado, num país europeu que o recebeu quase como herói há cerca de um ano, mandou foi enterrar os mortos e tratar os feridos; não manou desprezar os mortos e varrer a tiro os infectados…)!

De facto ou o senhor Mugabe pensa que pode continuar a fazer os africanos de parvos ou passou-se de vez!

Será altura, mais do que altura, dos seus amigos o aconselharem, de vez, a ir passar definitivas férias para onde melhor quiser e deixar o Zimbabué eo seu Povo. Mas, por favor, para o Mussulo não!!!

03 dezembro 2008

Mugabe está cada vez mais espartilhado, mas não desiste

Como já não bastasse a depauperada e desfalecida economia do país, que Mugabe acusa terceiros de serem os causadores, da enorme epidemia de cólera com milhares de infectados e centenas de vítimas, de um apego ao Poder inusitado com o apoio silencioso e cobarde de alguns países limítrofes e de alguns dirigentes políticos africanos, o Zimbabué vê as suas forças de segurança combaterem entre si.

No passado dia Mundial do Combate ao Sida em vez de todos se juntarem para combater esta doença,
Polícias e soldados da guarda pretoriana de Mugabe envolveram-se em confrontos.

A falta de dinheiro é um dos factores considerados considerado importante para a crise social e política do Zimbabué.

Mas como habitualmente, Mugabe acusa o Mundo que não lhe é afecto de ser o grande causador de todos os males da sua economia…

23 novembro 2008

Dizer insólitos, é um aforismo…

A selecção angolana dos sub-17 rumou a Zimbabué para tentar o quase impossível. Ou seja, virar o 2-3 da primeira-mão para uma vitória que os levasse à fase final do CAN2009 em Argélia.

Se foram com essa vontade, e todos acreditamos que os palanquinhas iam com essa vontade indesmentível, ficaram-se pela vontade.

Mas o que está em causa não é terem perdido. Isso, apesar de nos aborrecer, nunca gostamos de ver a nossa equipa ou selecção baquear, não foi um insólito, ou não foi a razão dos insólitos acontecidos com o jogo de que
Angop fez eco.

Insólitos foram o jogo ser antecipado em uma hora e mudarem de local do jogo quase em cima da hora. Insólitos é a FAF estar, parece porque ainda não ouvi ou li qualquer intervenção nesse sentido, muda e queda e nada proferir. Insólitos é a CAF permitir que se abuse dos jovens para benefícios de interesses próprios e nada condizentes com a actividade desportiva que, nesta idade, é, ou deve ser, a base de formação de um futuro profissional do desporto.

Insólitos? Talvez não. Insólitos seria que isto não acontecesse no país do senhor Mugabe que, ainda ontem, impediu uma representação do “Grupo de Anciãos” entrar no Zimbabué porque ainda decorrem negociações para a formação do Governo – as eternizadas negociações do senhor Mugabe – e porque, segundo o seu partido, aquele “Grupo” apoia o MDC.

Ora, só por curiosidade, a delegação era
composta por Kofi Annan, antigo secretário-geral da ONU, Jimmy Carter, Nobel da Paz e antigo Presidente norte-americano, e por Graça Machel, activista dos Direitos Humanos, os quais pretendiam, unicamente, avaliar a situação humanitária no País, principalmente quando uma epidemia cólera entrou em força no Zimbabué tendo já feito cerca de 300 vítimas mortais o que levou a República da África do Sul tomar medidas para evitar o avanço da epidemia para o cone sul de África.

18 novembro 2008

Já nem os Veteranos o suportam

Será desta que o senhor Mugabe, o “venerando” – pelo menos para certas pessoas e autocratas africanos – senhor Robert Mugabe vai sentir a cadeira do Poder a fugir-lhe do mataco?

Segundo ele só Deus
o poderia tirar do Poder. Mas como todo os autoritários que utilizam os dogmas religiosos para justificar o injustificável, o senhor Mugabe esqueceu-se que além de Deus – que segundo ele tudo vê, tudo coordena e tudo decide, mas não para já, no que toca a ele, claro… – existem aqueles que estão, também segundo eles próprios muito próximos das decisões divinas.

Alguém, há tempos li eu, afirmava que Deus está em todo o lado mas não pode fazer tudo, nem controlar tudo. E, por isso, criou as mães.

Só que o autor desta frase não deverá conhecer nem o Zimbabué nem uma outra importante personalidade para ajudar Deus: Os Veteranos de Guerra!

Pois são, agora, precisamente os seus melhores “amigos” aqueles que demonstram estar fartos dele e o criticam, acusando-o de "matar o seu próprio povo", e, pasme-se, criticam severamente os líderes regionais africanos acusando-os, também, de "
tentarem mantê-lo no poder depois de perder as eleições".

Será desta que o senhor Mugabe vê “fugir-lhe” Deus? Será desta que o senhor Mugabe perceberá que já nem Deus o suporta ver no Poder?

10 novembro 2008

Vergonhoso!

Vergonhoso que os líderes da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) não tenham assumido, de vez, que Mugabe é um tirano despótico e não pode continuar a manter o seu País como coutada pessoal, suserado, sem rumo e cada vez mais empobrecido.

Vergonhoso, porque se acoitam na ideia de acordarem na maquinação de um Governo de Unidade Nacional, quando sabem que esse já foi um acordo já foi aceite há mais de dois meses e que Mugabe tem, sistematicamente, protelado.

Vergonhoso que os líderes da SADC adoptem a política britânica e norte-americana de "quem não está junto que se separe". Só que para não os considerarem britânicos ou norte-americanos adoptaram o inverso. Mugabe tem de ter os mesmos direitos e regalias que a Oposição que venceu as eleições, mesmo que, para isso, um Ministério-chave tenha de ser bicéfalo.

Vergonhoso que Angola mantenha uma política de apoio, por vezes nada discreta, a Mugabe, segundo a perspectiva que um Libertador é impoluto e nunca se altera. Mugabe foi, de facto um dos principais Libertadores do Zimbabué. Só que se tornou no que é actualmente e Angola perdeu uma grande oportunidade soberana de se afirmar – confirmar –, com firmeza, como um líder na região. Não é proteger os tiranos, que se afirma na cena internacional. E Angola, em vésperas das festas da Dipanda, sabe quanto isso é verdade…

Vergonhoso que, quando as acusações de participações estrangeiras no conflito no Congo Democrático são cada vez mais consistentes, não seja a União Africana a tomar uma posição firme e tenha de ser a SADC a pensar no envio de tropas de manutenção de Paz para, por certo, justificar a presença de tropas e conselheiros não congoleses no conflito.

Vergonhoso que a União Africana não consiga mostrar capacidade decisória e consinta que seja a União Europeia a mandar uma frota para combater a pirataria na Somália. Enquanto os países africanos se limitarem a considerar que só o exército e a aviação são factores de defesa continuaremos a ver África ser gerida por agentes externos ao Continente.

Vergonhoso!!

07 novembro 2008

Zimbabué, a crise aumenta...

Segundo o portal do Africa21, o maior produtor de ouro do Zimbabué, Metallon Gold, fechou as suas portas e todas as 5 minas que produziam o "vil metal", colocando no desemprego 5.000 funcionários.

De acordo com o presidente (PDG) da Metallon Gold, Collen Gura, a razão do encerramento da empresa que pertence ao sul-africano Mzi Khumalo, e que cobria 40% da produção aurífera do País, se deveu por falta de pagamento por parte do Banco Central zimbabweano que tem o monopólio do comércio de ouro.

Mas conforme anuncia a Câmara de Minas, não será só a Metallon Gold que estará com problemas financeiros dado que, segundo aquela entidade, o Banco Central deve no total US$ 30 milhões de dólares aos produtores de ouro, desde finais de 2007.

E enquanto Mugabe brinca com a política e com os zimbabueanos o País vai de penúria em penúria...

20 setembro 2008

Mbeki de saída? Com isso Mugabe vai protelando

(as preocupações de Mbeki são evidentes; foto ©Jon Hrusa/EPA/RTP)

Thabo Mbeki sabe, apesar da PGR sul-africana, a NPA, ter recorrida da decisão do Tribunal que considerou inválidas as acusações contra Jacob Zuma, que o seu, ainda, partido ANC não lhe perdoa ter estado por detrás – mesmo que não seja verdade, da acusação não se safa – do chamado complôt contra Zuma.

Por isso não é de estranhar que na África do Sul os mujimbos que correm sejam de que o ANC quer Mbeki seja demitido do cargo de presidente da república.

Apesar de Mbeki já ter feito chegar a informação que acolherá qualquer que seja a decisão do ANC, demiti-lo ou apresentar um voto de censura no Parlamento, ainda não colocou o seu cargo à disposição do partido nem se demitirá forçadamente, antes do fim do seu mandato no próximo ano.

Todavia, Mbeki terá convocado uma reunião de emergência do seu Gabinete para ver se consegue acolher o apoio – que parece difícil, se não mesmo impossível – de todos os seus ministros numa possível demissão em bloco, fazendo ver, deste modo, ao ANC que ainda goza de muito prestígio político.

Vamos aguardar pelos próximos capítulos desta novela Mbeki-Zuma e como estará pelos ajustes a procuradoria sul-africana sobre o caso Zuma.

Enquanto isso, o senhor Mugabe, apesar de ter assinado o acordo para o fim da crise zimbabuena e na linha do que eu próprio já havia preconizado, vai fazendo render a sua teimosia em não querer um Governo com ministros rejeitando as propostas do MDC e do seu líder quanto à distribuição das pastas. Para alguma coisa Mugabe afirmou que era humilhante ter de conviver com o MDC…

15 setembro 2008

Zimbabué celebra partilha de poder; por quanto tempo?

(Os três homens da partilha com o negociador; imagem RTP)

Desta vez parece que as negociações tiveram mesmo um presumível final feliz.

Em sessão pública – esperar para ver o futuro – Robert Mugabe e Morgan Tsvangirai, com o apoio discreto, mas subscrito, de Arthur Mutambara, assinaram o acordo de partilha de poder entre eles e aconstituição de um Governo de Unidade Nacional com cerca de 31 ministros(!).

Há primeira vista a formação do Governo parece ter pernas para andar. Todavia, dois factos são de realçar. Um, prende-se com a distribuição dos pelouros ministeriáveis (teoricamente serão distribuídos equitativamente entre as duas maiores formações políticas; teoricamente, porque a antiga oposição – onde se inclui a facção de Mutambara – ficará com 16 ministérios e a ZANU-PF com 15 lugares; ora como não se sabe ainda como vão ser distribuídos os 16 da maioria, é muito possível que a ZANU-PF acabe por ter mais Ministros, como aqui parece indiciar…); o outro prende-se com a futura atitude de Mugabe. Não me parece que o líder da ZANU-PF, apesar de ficar como Comandante-Chefe das Forças Armadas, enquanto presidente, acabe por aceitar o poder dos Serviços de Segurança que serão tutelados por Tsvangirai, o novo primeiro-ministro.

Só uma forte melhoria da vida económica e social dos zimbabueanos poderá impedir esse confronto. Um primeiro passo já foi dado pela União Europeia que não renovou esta segunda-feira as sanções económicas ao Zimbabwé. Mas enquanto o caos social perdurar, os “maquis” de Mugabe serão sempre um potencial foco desestabilizador que será muito bem aproveitado por Mugabe e pelo mundo que o rodeia.

Não esqueçamos que este precipitado – porque o foi – acordo entre Mugabe, Tsvangirai e Mutambara se deveu, em grande parte a dois factores preocupantes para Mbeki, o negociador; a vitória folgadíssima do MPLA e o revés judicial do caso Zuma.

Estes dois casos poderiam transformar o muito depauperado capital político de Mbeki num agente para algo que se avizinha com certa intensidade O pedido da sua demissão como presidente, já muito solicitado nos meios públicos do ANC.

11 setembro 2008

Zimbabué, há acordo mesmo?

(imagem algures via Google)

Não chegou a 24 horas desde que aqui disse que ou o mediador da crise, o presidente sul-africano, Thabo Mbeki, conseguia um acordo entre os partidários de Mugabe e a Oposição fosse possível sob pena de haver uma intervenção angolana com muitas possibilidades de o mesmo ser atingido para que o dito acordo pareça ter sido possível.

Segundo Mbeki o acordo de partilha de poderes já foi possível e será assinado na próxima segunda-feira. Um acordo que já tinha sido pré-anunciado pelo líder vencedor das legislativas Morgan Tsvangirai.

Era claro que estava muito em jogo na África Austral, mais do que aproximar os dois opositores zimbabueanos.

A liderança política austral era um dos factores que estava em jogo e os sul-africanos, nomeadamente o seu presidente não poderiam, sob pena deste perder todo o resto de capital político que ainda conserva, principalmente no ANC, para as presidenciais do próximo ano, deixar, eventualmente, cair nas mãos de Luanda.

Vamos aguardar que este não seja mais um acordo que dará em nada, como os anteriores.

10 setembro 2008

Zimbabué, agora que está confirmada a vitória do MPLA em Angola…

De acordo com as mais recentes palavras de Thabo Mbeki o acordo para o Zimbabué está mais próximo de se efectivar mesmo que Mugabe ameace abandonar as conversações e formar Governo sem oposição.
Nada mais natural tendo em consideração os últimos desenvolvimento políticos na SADC.
Agora que o MPLA tem a vitória confirmada e o poder legitimado, é natural que Mbeki não queira perder a face junto de um dos maiores amigos do MPLA, o senhor Mugabe.
Por isso, nada como providenciar uma rápida e sanável solução para a crise zimbabueana sob pena de perder algum do pouco crédito que ainda mantém no seu país agora que as eleições presidenciais sul-africanas se aproximam.
Só não se sabe quem ganhará com a rápida resolução, se os zimbabueanos ou a imagem de Mbeki.
E não esqueçamos que Morgan Tsvangirai
pondera novas eleições – não esquecer que o MDC tem a maioria no Parlamento – o que iria de encontro de interesses que não dos sul-africanos mas de terceiros…

06 agosto 2008

Zimbabué a caminho de um acordo...

O periclitante acordo de 21 de Julho assinado entre o ainda presidente Robert Mugabe, Morgan Tsvangirai, vencedor das legislativas e desistente das presidenciais por causa das fraudes atempadamente detectadas, e Arthur Mutambara, líder de um grupo dissidente do MDCe que visou a negociação da formação de um governo de união, com a mediação de Thabo Mbeki, designado pela Comunidade Para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) e apoiado por delegados da ONU e da União Africana (UA) parece já começar a dar frutos.

Segundo uma minuta preparada pelos negociadores ainda liderados por Mbeki – satisfeito com a pronúncia por fraude e corrupção do seu oposicionista e ex-vice e líder do ANC, Jacob Zuma – e tacitamente aceite pelos dois contendores zimbabueanos (ZANU-PF-União Nacional Africana do Zimbabué-Frente Patriótica, ainda no poder e o oposicionista e vencedor das legislativas MDC-Movimento para a Mudança Democrática, a Paz política e social parece estar a caminho do Zimbabwé.

O esboço minuta prevê que Mugabe fique como Presidente-honorário e Tsvangirai como primeiro-ministro, nomeando dois vices (um do MDC, provavelmente Mutambara, e um outro da ZANU-PF).

A eventual única dúvida que ainda paira sobre o acordo está na convocatória das próximas eleições. O MDC quer que as mesmas sejam convocadas dentro de dois anos enquanto a ZANU-PF quer só dentro de 5 anos.

Além disso, esta nova situação teria de ser sancionada pelo Tribunal Constitucional, o que me parece difícil de acontecer dado que a Constituição não prevê esta situação, até por ser um regime presidencialista.

Uma inteligente forma de Mugabe continuar a protelar a sua saída e o acesso de Tsvangirai ao poder, sancionada pela nada ingénua moderação de Mbeki.

12 julho 2008

Zimbabué: E o veto ganhou a África!

(ONU, África e amigos... Tomem lá manguito!)

"Como se esperava a Rússia e a China vetaram as sanções a Mugabe e à sua pandilha organizada. As sanções propostas consistiam no embargo de armas ao Zimbabué, congelar os bens e proibir as viagens de Mugabe e de outros 13 dirigentes do seu regime, além de escolher um outro mediador para a crise.

Perderam não os mentores da Resolução, mas o Zimbabué, os zimbabueanos, a Democracia e, quer queiram os dirigentes quer não, perdeu África.

Por isso não surpreende que Mugabe se diga feliz com o veto por, como ele afirmou, “por saber que as Nações Unidas são ainda uma organização onde existe uma soberania igual para cada membro e que há controlos no sistema que protegem os fracos dos poderosos” Ora há sistema mais antidemocrático que o Conselho de Segurança onde um Estado (são 5 com essa particularidade) tem o direito a vetar o que a maioria aprovar?

E não é de certeza que o veto aconteceu porque, como ele ameaçou a aprovação da Resolução seria o caminho para a guerra-civil. Além dos dois vetos também votaram contra a África do Sul – porque será ou levará Mbeki a manter esta fixação por Mugabe quando a maioria dos políticos e dos sul-africanos contestam Mugabe?! –, a Líbia e o Vietname!

Ora quando um Chefe de Estado, ilegitimamente consolidado no poder faz declarações – leia-se, ameaças, – destas, isso, só por si, já seria o principal factor para fazer aprovar a Resolução.

Mas há interesses mais elevados que a estabilidade e a paz na região. Como por exemplo, Mbeki a deixar de ser mediador quem poderia sê-lo, e isso Mbeki não o deseja nem por nada, seria Eduardo dos Santos? Ora a disputa pela primazia na região, leva a que as duas potências regionais emergentes torná-la mais importante e por vezes, insinua, também, os seus interesses devem ser colocados acima da estabilidade regional, principalmente quando está em jogo a supremacia na SADC. (...)
" (continuar a ler aqui ou aqui)
Publicado no , "Colunistas" de hoje.

01 julho 2008

Uma União Africana muito diplomática

Enquanto analista e defensor das liberdades políticas esperava – ou ansiava, mais correctamente – que a Cimeira de Sharm El Sheikh, Egipto, onde se reuniu a XI sessão Ordinária da Conferência de Chefes de Estado e de Governo da União Africana, fosse mais contundente com o senhor Robert Mugabe e lhe fizesse sentir que a sua presença era pouco aceitável para não dizer que o mais correcto era nem lá ter ido.
É cerro que o relatório dos observadores da União Africana e da SADC lido no início da Cimeira foi suficientemente explícito para os mais altos dignitários africanos perceberem o quanto anti-democrático foi a 2ª volta das eleições presidenciais no Zimbabué. Segundo o relatório escrutínio zimbabueano “não se regeu pelas "regras democráticas"”.
A prova disso está no facto de ainda antes de ser oficializado o escrutínio já Robert Mugabe tinha tomado posse para mais um mandato presidencial.
Mas enquanto Organização que deve pautar as relações entre os seus Estados pela diplomacia e pelo tacto a União Africana acabou por aconselhar os seus membros a ajudarem o Zimbabué a encontrar uma solução – já lhe chama a solução queniana – que consiga conciliar as posições de Mugabe e de Tsvangirai tendo sempre em conta os superiores interesses dos zimbabueanos.
Ou seja, e por outras palavras, os líderes africanos disseram aos zimbabueanos que se entendam porque eles têm coisas mais importantes para tratar como, por exemplo, reflectir sobre o projecto do governo federal continental, cuja semente foi lançada em Arusha, Tanzânia, em 22 e 23 de Maio passado, pelo Comité dos 12 chefes de Estado.
Mas, a Cimeira também vai discutir os dossiês relativos à integração regional e continental e adoptar decisões concernente à integração do Tribunal Africano de Justiça, do Tribunal Africano dos Direitos do Homem e dos Povos, e da Nova parceira para o Desenvolvimento da África (NEPAD) nos mecanismos da UA.
Resumindo, há dossiês sobre os quais os líderes africanos consideram serem mais importantes, mesmo que nada digam aos povos africanos que, por certo, desconhecem o seu conteúdo, do que os Direitos Humanos e a Democracia pilares que devem sustentar uma boa e transparente governação.
Até se compreende!
Se nos recordarmos que em África existem “democratas” como o líbio Muamar al-Kadhafi, no poder absoluto há 38 anos; o gabonês Omar Bongo Ondimba, o decano dos líderes africanos, no poder desde 1967, que terá afirmado sobre Mugabe que “foi eleito, prestou juramente, agora ele é presidente não se lhe pode perguntar mais nada. Houve eleições e eu creio que ele ganhou”; o sudanês Omar Hasan Ahmad al-Bashir, no poder desde 1989; o guineense Lansana Conté, no poder desde 1984; para já não falar em outros “auto-democratas” como o egípcio Hosni Said Mubarak, ou Eduardo dos Santos, ou João Bernardo “Nino” Vieira, etc…
Compreende-se que a União Africana tenha de ser muito diplomata e não possa chamar de senil ao grande herói africano!
Só que os africanos continuam a respeitar os Mais Velhos pela sua anciã sabedoria e não pela estupidez e decrepitude!
E porque a União Africana não tem coragem para respeitar os Mais Velhos, na ONU, os EUA – será que a Rússia e a China, com direito de veto, e a África do Sul deixarão passar – prevêem apresentar no Conselho de Segurança uma proposta de Resolução que contemple sanções contra o Zimbabué, prevê o embargo de armas e congelamento de bens de determinadas pessoas e empresas do país.
Já agora porque não impedem, também, a entrada de Mugabe e seus companheiros, em determinadas áreas geográficas ou porque não fazer alguns países africanos começarem a sentir certas “sansões” se continuassem a dar guarida política ao regime de Mugabe.
É chantagem? Sê-lo-á, por certo! Mas o que faz Mugabe ao seu povo? Também não é chantagem?

29 junho 2008

Mugabe sucedeu-se a si mesmo

(tomem... como diria o Zé Povinho português)

Como seria naturalmente previsível, ou talvez não e é aqui que se espanta, Robert Mugabe conseguiu ser o sucessor de... Robert Mugabe.

Não se espanta que tenha sido o vencedor. Espanta-se, isso sim, que ao contrário da primeira volta que a CNE zimbaueana precisou de longas semanas para apresentar os resultados, agora só precisou de... menos de 24 horas e empossa o "novo" presidente já amanhã, dia 29 de Junho!! Reconheçamos, é obra!

E onde estão os países que impediram o Conselho de Segurança das ONU de criticar a "obrigatoridade" das eleições mugabianas? segundo se consta em Zimbabué, um dos países terá sido o país de Nelson Mandela (como lhe terá sido indegesta a espectacular homenagem aos seus próximos 90 anos realizada em Londres...).

E, já agora, como justificar que, em Portugal, um partido político tenha "boicotado" uma crítica parlamentar a Mugabe? se não sabem, aqui fica o nome dos defensores das liberdades mundiais, foi o PCP!!! se pensarmos que o conselho de Segurança não pensa levar as críticas mais longe porque a Rússia e a China já avisaram que vão votar contra...