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28 fevereiro 2008

Às vezes um murro na mesa…

(Annan anunciando o acordo; foto daqui)
Estrebucharam, ameaçaram chamar os seus apoiantes e obrigar alguém aceitar alguém. Brincaram com o negociador dando um passo em frente e vinte atrás. Mas o antigo Secretário-geral das Nações Unidas e negociador para a paz no Quénia, Kofi Annan, fartou-se e ameaçou bater com a porta e de vez.
Voltaram os contorcionismos e as ameaças. Só que desta vez o negociador não pactuou e hoje foi assinado um protocolo de acordo entre as partes para colocar fim ao conflito político-social no Quénia.
O acordo, com assinatura televisionada, prevê a partilha do poder entre os dois líderes quenianos, sendo criado a figura de primeiro-ministro que deverá ser ocupada por Odinga ou alguém por ele nomeado. Só que os quenianos terão de alterar, muito em breve, a constituição porque a actual não prevê a figura de primeiro-ministro.
Espero que, ao contrário do que “lamenta” Orlando Castro, não seja mais um acordo até a guerra voltar e que desta vez os signatários, Mwai Kibaki, presidente do Quénia e vencedor oficial das eleições, e Raila Odinga, o líder da oposição que se considerava como vencedor, sejam “homenzinhos” e coloquem, de vez, os interesses da Nação assim dos seus interesses político-pessoais.
Porque mais de 1.000 mortos e 300.000 deslocados penso que são números para pensarem e não se repetirem.
Nem aqui nem em um outro qualquer país africano!

04 dezembro 2006

Kofi contraria Bush!

Enquanto George W. Bush (júnior e presidente dos EUA) afirma que no Iraque ainda não há condições para surgir ou emergir, quanto mais já ocorrer, uma guerra-civil – por acaso também já contrariado pelo seu pai Bush sénior quando previu a derrota eleitoral – o ainda Secretário-geral das Nações Unidas, senhor Kofi Annan, afirma o contrário.
Para Annan o que se passa no Iraque já há muito que ultrapassou os limites mínimos de uma guerra-civil chegando ao ponto de afirmar que o povo iraquiano estava melhor no tempo de Saddam.
Poderia ser um déspota, um tirano, um ditador facínora que não respeitava ninguém nem na sua família, mas, segundo Annan citando iraquianos, poderiam sair à rua e sabiam que os seus filhos voltavam sempre ao fim do dia.
É um pouco redutor; claro que é.
Mas penso que mostra como foi totalmente deturpada a ideia inicial de, derrubando um tirano, tornar o Iraque e a região melhores.
E as consequências já começam a estar bem visíveis. Os republicanos perderam as eleições na mesma medida que estão a perder a guerra no Iraque, – tal como no VietNam, a História não termina e recicla –, a administração Bush já perdeu um secretário de Estado da Defesa, Donald Rumsfeld e acabou de perder o seu mais visível rosto na ONU, o diplomata John Bolton.