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31 agosto 2017

As minhas intervenções no período eleitoral (antes e pós); e como “Gorbatchev angolano” teve tanto impacto

Relativamente ao processo eleitoral de Angola houve mais intervenções minhas, fossem como análises escritas, fossem através de entrevistas; aqui ficam alguns, sendo de destacar a expressão por mim avançada de João Lourenço, poder ser um “Gorbatchev angolano”, em entrevista ao jornal Público, face à mudança que, também ele, propôs nos seus comícios, e que teve o impacto que se conhece e que mereceu a resposta de querer ser não um Gorbatchev, mas um Deng Xiaoping!



27 agosto 2017

Angola no pós-eleições: a habitual confusão pós-eleitoral, que Portugal não está a ajudar...

Nota: Este texto estava, inicialmente, a ser escrito directamente no Facebook; mas dada a sua já longa extensão preferi, antecipando a outros que já estão escritos (do antes e do depois das eleições, incluindo, intervenções minhas em órgãos de informação estrangeiros), colocar aqui, tal como estava a ser escrito na referida página social:
1. A confusão pós-eleitoral do Pais, parece estar a vingar com os partidos da Oposição a anunciarem que vão recorrer para o Tribunal Constitucional por não reconhecerem os resultados da Comissão Nacional de Eleitoral (CNE - cujos dados que ainda lá estão são de 25 de Agosto das 18:48 horas, conforme imagem); e que Portugal aparece para não só não ajudar, como parece estar a complicar...
A CNE diz que já há resultados quase definitivos e estes, ainda que provisórios, dão a vitória - com tangencial maioria qualificada (150 para 146) - ao MPLA e, por extensão eleição de João Lourenço como Presidente;
  • A Unita, através do presidente Isaias Samacuva alerta - afirma, e com propriedade porque só no dia 6 de Setembro haverão resultados eleitorais definitivos, ainda que sujeitos a eventuais recursos, como tudo parece indicar - que ainda não há Presidente e que os apuramento que fez das cópias das actas indicam resultados diferentes dos apresentados pela CNE;
  • A CASA CE - Mobilização Nacional em Declaração, que já aqui reproduzi parte, afirma não reconhecer os resultados divulgados pela CNE - e tal como a UNITA diz ter contagens bem diferentes - pelo que vai solicitar a sua impugnação ao Tribunal Constitucional.
  • Acresce-se que me recordo de ter lido que a APN (Aliança Patriótica Nacional), quase na mesma altura que o declarava, anunciar o não acolhimento à declaração de vitória do MPLA, apesar do seu líder já ter saudado João Lourenço como Presidente (como já li nestas páginas sociais);
  • Da FNLA-Frente Nacional de Libertação de Angola não vi qualquer comentário sobre o acto eleitoral (talvez eu estivesse distraído...);
  • O Partido da Renovação Social (PRS) através do seu secretário de informação, Humilde Samarina, tal como a UNITA e a CASA-CE, contesta os resultados provisórios anunciados hoje pela CNE, que só atribuem ao partido a eleição de dois deputados o que "não correspondem à verdade".
  • Finalmente ontem o Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa - Presidente da República, felicitou a presumível - face aos resultados - vitória de João Lourenço Presidente, sem esperar pelos resultados definitivos.
  • Mas não só, apesar dos Observadores, apesar de terem criticado a Comunicação Social pública que favoreceu, fortemente, o partido do Poder, ou seja, o MPLA, afirmou que a votação - e isso, a maioria, se não quase todos os partidos o reconheceram e louvaram a atitude dos eleitores angolanos - decorreu de forma "pacífica, livres, justas e transparentes".
2. Perante estes factos acima referidos os partidos da Oposição (que unidos numa foto, já tinham reclamado da legitimidade das primeiras divulgações) ponderam recorre para o Tribunal Constitucional de Angola (TC). Só que aqui, há um outro problema adicional: da eventual ilegalidade dos seus membros, como a seguir discorro e reproduzo:
  • Num depoimento há tempos concedido à DW (Português para África) : «Lindo Bernardo Tito, jurista e deputado da bancada parlamentar da Convergência Ampla de Salvação de Angola - Coligação Eleitoral (CASA-CE), não tem dúvidas: "A Constituição é clara. O limite temporal do exercício das funções dos juízes conselheiros do Tribunal Constitucional é de sete anos" (...) Tanto a Lei Constitucional de 1992, em vigor na altura da nomeação de Rui Ferreira, como a Constituição da República de Angola, aprovada em 2010, prevêem a nomeação dos juízes conselheiros para um mandato de sete anos não renovável. Rui Ferreira foi designado para o cargo há oito anos."». É certo que João Pinto, do MPLA, considera não não haver ilegalidade, ainda que a sua justificação seja iníqua, porque invoca «o artigo 243º da Constituição da República de Angola e para o Regulamento do Tribunal Constitucional, que estabelecem o "princípio da nomeação diferida dos juízes conselheiros"; sem que, todavia, esta estabeleça "que a substituição deve ser feita paulatinamente, os juízes do Tribunal Constitucional estão a violar a Constituição que eles juraram e dizem estar a defender"». Ora eram a Presidência e a Assembleia Nacional (ambas detidas pelo partido maioritário) que deveriam proceder à sua substituição e não o fizeram sem que houvesse uma justificação plausível!
Face a esta situação, e num eventual acórdão do TC favorável à Oposição (tal como poderá ocorrer o contrário, o que aconteceu em 2012) poderá verificar-se uma ou as duas situações:
  • Ou todos acolhem o acórdão sem contestação (atitude mais salutar) e ficamos todos felizes porque foi feita Justiça;
  • ou, como será expectável e natural, o MPLA decide não acolhê-lo invocando, precisamente, da eventual ilegalidade temporal dos eméritos (e estes são-no) Juízes.
3. Aqui chegados, vamos ter Portugal e o seu Presidente (e a sua entourage) num possível imbróglio que, honestamente, não sei como o Presidente Marcelo - e o Governo português, que também já o fez através do Palácio das Necessidades (posições já bem criticadas aqui e de forma muito dura e directa) - vão resolver.sem que a imagem de Portugal em Angola não fique deteriorada. Não esquecer que há quem conteste a presença de muitos expatriados portugueses no País, não pela sua actividade laboral, mas por aquilo que ganham (e quando alguns demonstram falta de conhecimentos técnicos superiores aos angolanos - sobre esta matéria há vários textos aqui).
4. Vamos pois aguardar os resultados finais, com a certeza absoluta, que - mesmo depois de uma eventual revisão - os mesmos serão sempre objecto de contestação e recusa de aceitação (tal como já acontece, tanto o MPLA como a Oposição, anunciam a vitória). Seja por parte da Oposição (os números que esta apresenta e que têm sido também apresentados, aos longo destes dias, por pessoas que, supostamente - e não tenho razões para duvidar delas -, têm sido divulgados por elas nas suas páginas sociais, diferem dos que a CNE apresenta;não esquecendo, todavia, o que a imagem ainda nos oferece(???!!!) ), seja pelo MPLA. Isto, se essa "revisão" - contrária a eventuais "ordens superiores" como projectam denúncias várias -, não der a este partido quer a vitória, quer a tão desejava, quanto necessária, maioria qualificada para continuar a manobrar a AN.
Citado e publicado no portal Pravda.ru, secção "Mundo"

19 agosto 2017

E a 23 de Agosto, só vou estar à janela… - artigo

"Na próxima quarta-feira, 23 de Agosto, o País vai a votos. Serão as quartas eleições gerais após a entrada do sistema multipartidário.

Como se sabe a estas eleições concorrem 5 partidos e uma coligação que procurarão acolher, nas urnas, o voto de todos os angolanos.

Bom, de todos, não!

Há alguns, como eu – e como eu, muitos –, que não vão poder ir às urnas depositar aquele que seria o seu voto. Vamos ficar pela janela da oportunidade.

Mas isso não implicou – não implica, até ao momento que escrevo, ou seja, até a uma semana das eleições – como se pôde (tem podido) verificar nas páginas sociais, que não tivéssemos – vou considerar o texto sempre no passado – dado o nosso contributo para o debate político.

Uns, de forma mais acesa e, não poucas vezes, ilógica; outros, mais esclarecidos ou mais ponderados, procuraram eu o contributo e análise da campanha fosse esclarecedora.

De tudo, houve um pouco. E um pouco foi muito.

Mas, como o sistema político nacional ainda não reconhece à Diáspora – à enorme Diáspora – o direito ao voto (nem ao recenseamento eleitoral, tão pouco), irei procurar dar uma curta análise ao que aconteceu, até ao momento de escrita deste texto. E curta, porque como se lerá no texto, como qualquer angolano da Diáspora estive sob claros constrangimentos informativos públicos (e disso o SJA fez eco…).

Como referi, de tudo, houve um pouco. E de um pouco, foi muito.

À partida, não vimos – e deixámos de ver – nestas eleições uma figura que ponderou durante cerca de 38 anos no espaço político. O Presidente José Eduardo dos Santos!

Se fisicamente Eduardo dos Santos não esteve presente, a sua figura política esteve permanentemente no halo das movimentações políticas do MPLA e do seu candidato, João Lourença. O consulado de Eduardo dos Santos esteve sempre presente para a glorificação do sucesso produzido e para justificação do que o candidato presidencial e o seu partido desejam alterar, para grado da jovem camada de eleitores nacionais que vai às urnas pela primeira vez a 23 de Agosto.

Eles vão lá estar, e serão eles os jovens, mais que os Mais Velhos, a ditarem os números das urnas. E serão eles a dizerem se os resultados obtidos serão fundados ou manuseados.

E porque são os jovens eleitores nacionais, que votarão pela primeira vez, e que não sentiram o impacto da guerra que acabou há 15 anos, mas que sentem no seu quotidiano os efeitos e as sequelas da crise económica causada pela baixa do preço do petróleo no mercado internacional, que vão estar na primeira linha decisória do acto eleitoral.


Não foi estranho, por isso, que a Oposição, em geral, e a UNITA e a coligação CASA-CE – mais esta, que o partido do Galo Negro –, em particular, tenham mais procurado intervir junto da camada jovem, com aquilo – e com aquilo que a TPA Internacional nos ia “cedendo” nos seus noticiários diários (e como se sabe, muito pouco, face ao ainda maioritário) – que os jovens eleitores mais desejam: estudo e emprego; ou seja, estabilidade pessoal e profissional. (...)" continuar a ler aqui

Publicado no portal do Novo Jornal em 18 de Agosto de 2017.


02 março 2017

As eleições, já estamos em 2017 e já crestam, mas… - artigo


"As eleições estão nos corredores e nas salas de estar dos partidos e dos analistas; ainda que não haja marcação de datas oficiais – sabendo-se que estão previstas para Agosto –, e que só se sabe que dos principais candidatos já nomeados, só são os do actual partido do Poder, desconhecem-se, oficiosamente, quem serão os principais candidatos dos restantes partidos ou coligações credíveis.


Todavia, isso não deixa, e bem, dos principais actores e analistas começarem a questionar sobre a forma como as eleições irão decorrer, em particular, quanto à sua transparência e cultura democrática, tendo em conta algumas movimentações na área da Comissão que podem ser questionadas quanto a sua racionalidade constitucional.

O analista e Professor Marcolino Moco, por exemplo, em entrevista à VOA-Voz da América, duvida, por antecipação, que as eleições sejam transparentes.

Também o líder da UNITA, Isaias Samakuva, em entrevista à agência portuguesa Lusa, afirma, por antecipação e em forma de alerta, que «os angolanos não vão aceitar mais nenhuma fraude» nas eleições; marcar uma posição que depois possa não conseguir ou não ter capacidade para manter, pode não ter sido oportuna a declaração. Principalmente, porque esta afirmação implica que, implicitamente, as eleições pretéritas foram inquinadas por fraudes e, no caso afirmativo – e recordemos que foram questionadas, como tal –, a capacidade dos contestatários foi nula.

Aqui, uma vez mais, a Comissão e o Tribunal Constitucional, quanto à sua capacidade decisória em relação às denúncias de fraudes, ocorridas nas anteriores eleições, foram postas em causa. E nenhuma das entidades e partidos que contestaram alguns factos ocorridos não conseguiram fazer valer as suas posições. E os partidos eleitos, nomeadamente os da oposição, que mais contestaram alguns resultados, não conseguiram fazer valer as suas dúvidas e pretensões a alterações.

Ora, numa Assembleia Nacional, onde a maioria é quase qualificada, e os deputados que a representam quase passam por desconhecidos dos eleitores nacionais, é impossível haver alterações. Para que isso aconteça, só a voz da rua, a “vox populi”, pode impor alterações ao “status quo” político. E isso só seria possível desde que a Constituição, no que toca a Liberdade e Garantias de manifestações não estivesse sempre a ser posta em causa por entidades que, por princípio, deveriam ser os primeiros garantes do cumprimento das normas constitucionais, impedindo, sistematicamente a realização de manifestações oposicionistas ou que contesta o tal “establishment” vigente.


Talvez porque pense que alterações de mentalidades constituídas, são difíceis de acontecer, Abel Chivukuvuku, líder da coligação CASA-CE, na linha do que já tinha proposto em 2015 (onde só punha o caso em situação de vitória), e considerando – na actual situação por que passa a Coligação é um pressuposto arrojado – que vai ser parte de um Governo pós-eleitoral, admitiu, em finais de Janeiro passado, poder fazer parte de uma coligação com o MPLA; ainda que, ressalva, desde que haja uma transformação qualitativa dentro deste partido. (...)" (continuar a ler aqui)

Publicado no semanário Novo Jornal, edição 471, de 24 de Fevereiro de 2017, página 13.


17 fevereiro 2015

Quando o terrorismo serve para perpectuar o poder…


(A comunidade internacional anda muito distraída...; imagem daqui)

"No próximo domingo, a Nigéria estava preparada para ir a eleições gerais. Estava! Porque os militares, evocando a situação social e militar, que acontece só numa parte do País, solicitaram à Comissão Eleitoral que adiasse as eleições de 14 de Fevereiro.

As eleições estão agora programadas para 28 de Março, as presidenciais, e 11 de Abril, as legislativas.

Segundo Sambo Dasuki, um assessor dos militares e conselheiro de segurança do presidente Goodluck Jonathan, em seis semanas “todos os campos conhecidos do Boko Haram serão desmantelados”. Também os militares disseram terem resgatado as meninas raptadas pelo Boko Haram e até hoje nunca ninguém as viu, se não, aqueles que conseguiram fugir ou que os radicais islamitas enviaram com “recados”.

Como pode um exército fazer em 6 (seis) semanas o que não conseguiu em quase uma década? Destruir o Boko Haram. Ou será que a corrupção, que eventualmente haja no seu seio, é tão evidente que já não podendo disfarçar tenta anular o que antes não conseguiu?

Por outro lado, até agora nunca nenhum exército da região – e aqui incluem-se, os da Nigéria, Camarões, Chade e Níger – conseguiram qualquer desenvolvimento efectivo e real contra os radicais.

Como recorda o matutino português, Público, e cito com a devida vénia, é certo que “acaba de ser aprovada uma força regional de 8700 membros do Chade, do Níger, das Camarões e do Benim para se juntarem aos nigerianos, mas grande parte destes militares e polícias vão operar nas regiões de fronteira.” Como também é verdade que só o Chade, e de momento, “está envolvido em batalhas no Nordeste da Nigéria.

Ora os radicais nigerianos do Boko Haram já avisaram – e nisso, não pedem meças aos militares nigerianos, se ameaçam, fazem – que é sua firmeza desestabilizar outros países, nomeadamente o Níger, onde já têm lançado ataques quase diários, ou os Camarões, onde o exército os tem confrontado. (...)" (continuar a ler aqui)

Publicado no semanário Novo Jornal, edição 367, de 13 de Fevereiro de 20155, página 21 (1º Caderno)

29 janeiro 2015

Grécia aproxima-se da Rússia, no pós-eleições

Na passada segunda-feira (26 de Janeiro), num restrito grupo de amigos e colegas, perguntaram-me a minha opinião sobre a pós-eleição na Grécia e os efeitos do Syriza no seio da União Europeia (UE). Como sabem que sou um crítico da UE e do Euro, enquanto ambos forem dominados e subjugados por um ou dois países europeus (Alemanha, principalmente, e França)...

Na altura disse – e mantenho – que ou a Europa compreende as eleições e os pontos de vista dos gregos, independentemente de todas as falcatruas feitas anteriormente por estes para entrarem no Euro – diga-se com o claro e interessado apoio da banca alemã e da Goldman Sach – ou os gregos provocarão a bancarrota do país com o necessário impacto e descrédito do Euro.

Ora isso só iria dar razão àqueles que afirmam que o Euro está sobre – demasiado – sobrevalorizado. Recordo as constantes dúvidas dos britânicos e do reconhecido especulador George Soros.

O Euro e o Banco Central Europeu (BCE) não têm a mesma capacidade que o FED norte-americano e o Bank of England nem a sua total independência face ao poder político. São estes dois que determinam a vida económica dos seus Estados/Países ao contrário do BCE que, na maior parte dos itens está subjugado às políticas de Berlim e de Frankfurt.

E na sequência desta minha visão – provavelmente catastrofista para alguns e infantil para outros – perguntaram-me no caso da tal bancarrota para onde os gregos se virariam. E aí afirmei e continuo a fazê-lo – as reações posteriores vêm confirmando a minha posição – que os gregos (e não seriam os primeiros a ameaçarem fazê-lo; já os cipriotas o tinham feito) voltar-se-iam para os russos e para a sua “ajuda desinteressada”.

Achavam, os meus interlocutores, que isso era impossível até porque Moscovo vive numa incerteza económica muito forte e porque a Europa e os norte-americanos estão a “asfixiarem” a Rússia com sanções políticas e económicas, em grande parte devido à questão Ucrânia.

Talvez, mas…

Uma das primeiras medidas do novo premiê grego, Alexis Tsipras, foi, além de colocar em causa algumas das medidas da troika, como travar certas privatizações e repor o ordenado mínimo nacional, declarar-se contra as novas medidas sancionatórias contra a Rússia e ao povo russo.

Ou seja, ou a Europa se recorda que há umas dezenas de anos um país viu a sua dívida ser perdoada em 60% - com o apoio, e não foi pequeno, também dos gregos – e hoje é a maior potência económica da Europa, no caso, a Alemanha, ou Bruxelas, Paris e Berlim verão a União Europeia e o Euro estilhaçarem totalmente devido a uma “criancice” muito nacionalista só porque os eurocratas não compreendem os Povos nem as virtudes das suas dissemelhanças na unidade.

E a Rússia tornar-se-á no foco, indirecto, de uma nova crise política, de uma nova e quente Guerra-Fria, como vem denunciando, e com certa insistência nos últimos tempos, o senhor Mikhail Gorbachev.

Reproduzido no portal Pravda.ru em 31 de Janeiro de 2015 (http://port.pravda.ru/news/busines/31-01-2015/38021-grecia_russia-0)

03 novembro 2014

De um Outubro eleitoral para um Novembro celebrante! - artigo

"As duas últimas semanas de Outubro foram prenhes em eleições gerais em vários países, três dos quais e pelas variadíssimas razões, poderá ter uma maior ou menos impacto nas nossas relações diplomáticas.

Houve eleições no Uruguai, na Tunísia, em Moçambique, na Ucrânia e no Brasil. Estes três últimos, por razões diversas podem servir de espelho futuro para as nossas próximas eleições gerais onde se espera, apesar de tudo, sejam incluídas as eleições autárquicas (mesmo que localizadas e de modo experimental).

No Uruguai o presidente “pé-descalço” Pepe (Jose Mujica, de nome próprio, cujo mandato termina em Março de 2015) deverá ser substituído por um destes dois mais projectados candidatos: Tabaré Vázquez (já foi presidente entre 2005 e 2010, que concorre pela coligação de Mujica, a Frente Amplia); e Luis Lacalle Pou (candidato pelo Partido Nacional (PN), também conhecido como partido Blanco). Na prática Vázquez quer imitar o PT e a “coligação” Lula/Dilma. Há ainda a hipóteses, ainda que remota – quando lerem este texto já se saberá em definitivo quem foi o mais votado – de haver um possível terceiro potencial candidato, o Pedro Bordaberry, do Partido Colorado, que governou o país durante a maior parte da sua moderna história política; está prevista uma segunda volta que, a acontecer, será a 30 de Novembro

Na Tunísia, as eleições do passado dia 26 de Outubro (excepto as de Moçambique foram todas nesta data) trouxeram uma alteração política interessante. Os islamitas do partido Ennahada (até agora o partido maioritário) foram derrotados pelos moderados e laicos do partido Nidaa Toune que terá conquistado a maioria (mas não absoluta, pelo que terá de fazer coligações) do Parlamento. O Ennahada não só já reconheceu a derrota como admitiu – pouco normal no nosso continente – a perda substancial dos anteriores 68 deputados que detinha. Uma boa lição de democracia que se saúda…

Na Ucrânia as eleições legislativas trouxeram uma enorme dor de cabeça aos europeus e aos russos. Estes dizem que aceitam o escrutínio apurado. Aqueles, porque a maioria dos ucranianos dispersaram-se pelos três maiores partidos, todos pró-europeus e pró-união europeia. Mada de mais se este próximo fim-de-semana, primeiros dias de Novembro, não fossem ocorrer eleições nas partes auto-separadas do Leste e eleições antecipadamente reconhecidas pelos russos, o que “minar”, como acusam as autoridades de Kiev, as expectativas de uma bonança abertas pelo cessar-fogo acordado em Setembro.

Ora sabendo-se que nós ganhámos um assento, ainda que não-permanente, no Conselho de Segurança das Nações Unidas – o que se saúda – e que vamos entrar neste grande areópago internacional em Janeiro próximo, teremos uma palavra a dizer no “conflito” que naturalmente, irá emergir destas eleições não aprovadas nem sancionadas pela comunidade internacional. Teremos de dirimir os interesses das nossas ancestrais relações com os russos e os interesses da comunidade internacional, nomeadamente, os interesses euro-ocidentais muito particulares…

Finalmente duas eleições importantes por razões diversas. (...)" - continuar a ler aqui

Publicado no semanário Novo Jornal, edição 353, de 31.Outubro.2014, 1º Caderno, página 19

20 maio 2014

JOMAV o novo presidente da Guiné-Bissau

De acordo com os resultados provisórios anunciados pelo presidente da Comissão Nacional de Eleições,Augusto Mendes, o candidato José Mário Vaz (JOMAV), apoiado pelo PAIGC, venceu a 2ª volta das eleições presidenciais da Guiné-Bissau, realizadas no passado domingo, obtendo 61,9% dos votos, enquanto o candidato Nuno Gomes Nabian, independente apoiado pelo falecido antigo presidente Kumba Yalá (e do PRS, bem como, segundo algumas fontes locais, também conotado com os militares autores do golpe de Estado de 2012), só recolheu 38,1%.

Dos cerca de 800 mil eleitores Bissau-guineenses recenseados, JOMAV, de 57 anos, conseguiu 364.394 votos enquanto Nabian obtinha 224.089 votos. A abstenção subiu em comparação com a primeira volta das presidenciais e legislativas, passando de 10,71% para 21,79%.

De recordar que na primeira volta (13 de Abril, mesma data das legislativas) o candidato já tinha obtido cerca de 40% dos votos, enquanto o PAIGC conquistava a maioria absoluta nas eleições legislativas; o PAIGC faz, assim, o pleno, ou seja, Governo e Presidência.

O novo Presidente eleito venceu em 22 dos 29 círculos eleitorais da Guiné-Bissau; sendo que a nível regional, Nabian só conquistou votos maioritários nas regiões de Tombali (sul) e Oio (centro), enquanto Vaz vencia nas restantes sete regiões (Bissau, Quinara, Biombo, Bolama, Bafatá, Gabú e Cacheu) e na diáspora.

Especulava-se que havia alguma tensão em Bissau pelo – parecia – atraso na divulgação dos resultados – inicialmente previstos para ontem ou hoje de manhã – a que se juntava as análises, um pouco tensas, dos senegaleses. Parecia que estes apostavam em Nabiam em detrimento de Vaz, dado este ser mais próximo de Angola e dos separatistas do MFDC de Casamance, o que não seria bem acolhido pelo presidente Macky Sall.

Ainda assim, o embaixador do Senegal, em Bissau, general Abdoulaye Dieng – um general!! -, espera que do candidato vencedor assevere que a secular relação entre os dois países mantenham preservadas.

Acresce que o EMGFA, assinado pelo próprio CEMGFA, António Indjai – o líder golpista de 12 de Abril de 2012 – emitiu um comunicado apelando à calma, manifestando respeito pelas regras democráticas (que os próprios violaram e de que maneira!!!) e declarando submissão dos militares ao poder político. Como escreve Aly, descobriram a roda…

Ou seja, a própria CPLP – um organismo cada vez mais esconso e subalternizado à CEDEAO, pelo menos na Guiné-Bissau – está sentadinha a aguardar novos desenvolvimentos da habitual roda giratória Bissau-guineense: hoje, política e democracia civil, amanhã, golpe militar… E tudo via governo português

NOTA COMPLMENTAR: Nabiam depois de ter afirmado, durante a campanha, que aceitaria quaisquer que fossem os resultados, agora vem contestá-los e diz ir impugná-los! Tudo normal na vida política Bissau-guineense...

07 maio 2014

Eleições na África do Sul...

 O actual Presidente
e o seu Delfim?

Hoje, a África do Sul vai a eleições para os Parlamentos nacional e provinciais e para a Presidência. 

O ANC e Zuma, apesar dos inúmeros escândalos deste último - arranjos na sua residência particular com fundos públicos - e do sangue que fez verter junto dos mineiros de Marikana, não deverão perder a oportunidade de manter os seus habituais 60% a 65% dos votos.


Por outro lado a Aliança Democrática (DA) e o partido dos

Combatentes da Liberdade Económica (EFF), de Julius Malema, não vão conseguir questionar a vitória do partido de Madiba. Nem os restantes 8 candidatos presidenciais…


Apesar da DA de já estar a ocupar um lugar significativo junto dos negros, mestiços e indianos, ainda é visto como um partido dos brancos; já o populismo chaviano de Julius Malema – antigo líder juvenil do ANC – é visto como muito desestabilizador para a África do Sul e para os países da SADC; só Mugabe, porque é um dos faróis de Malema, o deve ver com bons olhos…

13 abril 2014

Eleições na Guiné-Bissau

Hoje há eleições legislativas e presidenciais na Guiné-Bissau.

O Alto-representante da ONU para a “estabilização política” da Guiné-Bissau, senhor Ramos-Horta, há pouco tempo, não deixou de aconselhar que todos aceitem o veredicto das urnas e do vencedor chamar todos ao Governo para que o resultado seja um executivo forte e unido na persecução de uma boa-governação.

Ou seja, e por outras palavras, e a interpretação é minha, aconselhou aos partidos que se unissem para evitarem que os militares voltem a fazer das suas e se arrumem, uma vez mais, no Poder (até porque agora não há desculpa que os militares angolanos – Missão de Cooperação Militar de Angola na Guiné Bissau (MISSANG) – estão no país para o dominar…).

São candidatos à presidência os seguintes pretendentes:
1- Arregado Mantenque Te (PT)
2- Abel Incada (PRS)
3- Paulo Gomes (Independente)
4- Jose Mario Vaz (PAIGC)
5-  Ibrahima Sorry Djalo (PRN)
6- Jorge Malu (Independente)
7- Afonse Te (PRID)
8- Nuno Gomes Na Bian (Independente – apoiado pelo fantasma de Koumba Yalá)
9- Helder Lopes Vaz (RGB-MB)
10-  Iaia Djalo (PND)
11- Domingos Quade (Independente)
12- Cirilo de Oliveira,Partido Socialista (PS)
13- Luis Nancassa (Independente)

Às legislativas candidatam-se os partidos:
  1. Frente Democrática Social (FDC)
  2. Manifesto do Povo (MP)
  3. Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC)
  4. Partido da Convergência Democrática, PCD
  5. Partido da Nova Democracia (PND)
  6. Partido Republicano da Independência para o Desenvolvimento (PRID)
  7. Partido da Reconciliação Nacional, PRN
  8. Partido da Renovação Social (PRS)
  9. Partido Social Democrata (PSD)
  10. Partido Socialista da Guiné-Bissau (PSGB)
  11. Partido dos Trabalhadores (PT)
  12. Partido Unido Social Democracia (PUSD)
  13. Resistência da Guiné-Bissau (RGB/Movimento Bâ-Fata)
  14. União para a Mudança (UM)
  15. União Patriótica Guineense (UPG)

Vamos aguardar que o acto seja o mais calmo, sensato e o resultado o mais democraticamente aceite.


E sem fantasmas, de preferência…

27 setembro 2013

O receio das autárquicas, quem o tem?


"Uma das formas mais democráticas de um povo fazer ouvir a sua voz é através do voto que coloca na urna de forma livre, confidencial e justa (o voto do povo, mesmo que nos pareça de forma absurda, é sempre justa, livre e inteligente).


Se este é o passo mais livre e frontal que o Povo tem para fazer ouvir a sua voz, é também com o seu voto em autárquicas que os eleitores mais próximos estão dos seus eleitos e mais perto participam nos actos administrativos das suas regiões eleitorais, dos seus municípios, dos seus bairros.

Portugal está nesta altura em campanha eleitoral para eleger os seus representantes autárquicos onde proliferam, naturalmente, muitos candidatos independentes, ou seja, candidatos não subalternizados aos partidos que mandam, dispõem, da vida política do e no país.

É o princípio da liberdade e da participação comunitária dos povos na defesa dos seus direitos administrativos na municipalidade.

Também Moçambique vai a eleições autárquicas no final do ano, apesar da RENAMO, por razões que só aos seus dirigentes diz respeito, decidir boicotar a sua participação nelas, esquecendo aqueles que também em Moçambique a participação autárquica permite a entrada de independentes e que foram eles que estiveram na génese do MDM, actual terceira força política no parlamento moçambicano.

Ora, em 2011, numa reunião do Conselho de República, órgão consultivo do Presidente José Eduardo dos Santos, foi fixado 2014 como ano da realização das primeiras eleições autárquicas em Angola. Foi…

Ora, recentemente, o ministro da Administração do Território, Dr. Bornito de Sousa, de quem, pessoalmente, prezo a sua honestidade e frontalidade política e intelectual, anunciou em inícios de Agosto que, provavelmente, as ditas eleições – previstas constitucionalmente – só se deveriam realizar em 2015 e, reafirmou (algo já anteriormente dito e previsto na Constituição que “estabelece o princípio do gradualismo na implantação das autarquias”) que só iriam ocorrer em alguns regiões e municípios e como teste. (...)" (continuar a ler aqui ou aqui)

Publicado no semanário Novo Jornal, edição 297, de 27/Set/2013, 1º Caderno, página 21!

06 novembro 2012

Quem se segue?


Hoje há eleições na USA (Estados Unidos de América), para o 45º presidente da União, bem assim, e que muitos se têm esquecido, para uma parte do Senado e para a (quase) totalidade da Câmara dos Representantes.

Nada demais se não fosse o caso de, frente-a-frente estarem os dois principais candidatos separados por um ou dois pontos percentuais. Há mais, ou costuma haver mais, mas que a imprensa, por norma, faz questão de omitir

De um lado, o afro-americano democrata e evangélico Barak Obama que tenta a sua recandidatura.

Do outro o republicano e mormon Mitt Romney.

Quem será o 45º presidente?

Para a Europa, que não defende a austeridade a qualquer custo, e para uma parte significativa do Mundo, será Obama o preferido. Para outros, nomeadamente, para os chineses com quem já teve profícuas relações, o candidato a eleger será Romney.

06 outubro 2012

Venezuela, Chavez, Capriles ou… surpresa?


Amanhã vão ocorrer as eleições presidenciais na Venezuela onde Hugo Chavez, apoiado pelo Partido Socialista Unificado da Venezuela (PSUV), tentará manter-se na presidência por mais 6 anos – segundo ele, com uma vitória esmagadora – contra os o opositores Henrique Capriles, apoiado pela coligação Mesa da Unidade (MUD), – o que se perfila como o oponente mais credível e, de acordo com algumas sondagens, o único que poderá impedir uma vitória de Chavez – e os cinco candidatos independentes: María Bolívar, Yoel Acosta Chirinos – mantém-se como candidato inscrito embora já desistido a favor de Chavez –, Reina Sequera, Luis Reyes e Orlando Chirinos.

De notar que há partidos que retiraram o seu apoio a Caprilles, casos de Vota Piedra, Cambio Pana e Manos por Venezuela, sem que tenham manifestado apoio a terceiros excepto o Partido Unidade Democrática que, igualmente, também retirou seu apoio a Capriles e transferiu-o para o independente Reina Sequera.

Talvez, razões para Chavez acreditar numa vitória rubra esmagadora, sem, todavia, possa descuidar-se dos inúmeros indecisos que poderão definir, no fim, para que lado cairá o prato da vitória…

O sistema eleitoral venezuelano é considerado no meio latino-americano como o mais fiável e seguro, de tal forma que o renomado Centro Carter, do antigo presidente dos EUA e Nobel da Paz, Jimmy Carter, – que, todavia e tal como a União Europeia, não estará entre os observadores – o elogiou afirmando que o sistema eleitoral venezuelano promete mostrar estar blindado contra fraudes e erros, conforme atestam as duas simulações nacionais, 16 auditorias e o exame de 245 observadores internacionais – nomeadamente a União das Nações Sul-americanas (Unasul) – e cerca de quatro mil nacionais.

Sobre cada um dos dois principais candidatos proponho-vos que vejam os seus respectivos perfis aqui (Chavez, criador do socialismo bolivariano) ou aqui (Caprilles, defensor de um certo neo-liberalismo)!

Amanhã, saber-se-á como decorreram as eleições…