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27 setembro 2026

ONU, 56 anos atrasada!


Quando acabou de decorrer a 81ª sessão anual da Assembleia-geral da ONU e onde vários participantes reclamaram da “inaccão2 da Organização quanto à sua actualização política, deixo-vos esta reflexão.

A Organização das Nações Unidas (ONU) nasceu em 1945, no rescaldo da mais devastadora guerra que o mundo conhecera. A Carta foi assinada em São Francisco, a 26 de Junho, e entrou em vigor a 24 de Outubro desse ano. O Conselho de Segurança foi então concebido à imagem do mundo que saía da guerra: cinco potências – Estados Unidos, Reino Unido, França, União Soviética e China (então representada pela República da China (nacionalista), cujo lugar viria a ser ocupado pela República Popular da China, em 1971) – receberam o estatuto de membros permanentes e, com ele, o direito de veto.

Passaram-se 81 anos. O mundo mudou profundamente. O Conselho de Segurança, muito menos.

É neste paradoxo que assenta o título deste texto: “ONU, 56 anos atrasada!”. Os 56 anos pretendem assinalar, simbolicamente, o tempo volvido desde cerca de 1970 – altura em que a enorme maioria dos países africanos e asiáticos já se tinha tornado independente –, sem que essa transformação profunda da composição política do mundo tivesse encontrado correspondência no núcleo do poder da ONU.

Apenas quatro Estados Africanos – Egipto, Etiópia, Libéria e União da África do Sul – eram então independentes e participaram na Conferência de São Francisco. Em 1960, o chamado “Ano de África”, 17 territórios africanos alcançaram a independência – em início da década de 70, já eram 41, os Estados Africanos independentes. Nas décadas seguintes, o processo prosseguiu. Na Ásia, a vaga de independências começara ainda antes e acelerou-se nas décadas de 1940, 1950 e 1960. Dezenas de novos Estados passaram a fazer parte da comunidade internacional.

A ONU acompanhou esse movimento no número dos seus membros. Dos 51 Estados fundadores passou para 193. Mas o centro do poder permaneceu praticamente intocado.

É verdade que o Conselho de Segurança foi alargado, em 1965, de 11 para 15 membros. Mas os cinco lugares permanentes continuaram exactamente onde estavam. A União Soviética desapareceu e foi substituída pela Federação Russa. A China mudou de representação. O mundo mudou de configuração. O princípio, porém, manteve-se.

E há uma questão ainda mais difícil: “o direito de veto”.

Não defendo que a solução seja simplesmente acrescentar novos países ao grupo dos que possuem esse privilégio. Isso seria, afinal, conservar o mesmo modelo, apenas aumentando o número dos seus beneficiários. A questão que se deve colocar é mais radical: continuará a fazer sentido que um único Estado possa bloquear uma decisão apoiada pela maioria dos restantes membros do Conselho de Segurança?

O veto nasceu, aliás, de uma circunstância histórica muito particular. Em 1945, a paz mundial dependia, em larga medida, do entendimento entre as grandes potências vencedoras da guerra. Estados Unidos, União Soviética, Reino Unido, França e China não eram apenas cinco países entre outros: eram as potências que, pela sua dimensão militar e pelo seu peso político, tinham de ser envolvidas nas decisões susceptíveis de afectar a ordem internacional. O direito de veto foi, assim, uma forma de garantir que nenhuma dessas potências seria colocada perante uma decisão colectiva que contrariasse directamente os seus interesses vitais. Mas aquilo que podia ser compreensível no mundo de 1945 não é necessariamente adequado ao mundo de hoje. Setenta e um anos depois, cinco Estados continuam a dispor de um poder que os outros 188 não possuem, constituindo uma das maiores limitações à capacidade de decisão colectiva das Nações Unidas.

Por que razão não deveria a força política da decisão ser devolvida à Assembleia-geral?

É na Assembleia-geral que estão representados todos os Estados-membros. É aí que a universalidade da ONU encontra a sua expressão mais directa e mais democrática: um Estado, um voto. Se uma questão for suficientemente importante para dizer respeito à comunidade internacional, deveria ser essa comunidade, através da Assembleia-Geral, a ter a palavra final. E isso não é apenas uma construção teórica. Ao longo da história das Nações Unidas, a Assembleia-geral assumiu, em diversas ocasiões, um papel central na definição de princípios fundamentais da ordem internacional e na expressão da vontade da comunidade internacional, como:

1. O “Plano de Partilha da Palestina”: um dos primeiros exemplos é a Resolução 181 (II), aprovada em 29 de Novembro de 1947, relativa ao futuro da Palestina sob Mandato britânico. A Assembleia-geral aprovou o chamado “Plano de Partilha”, que previa a criação de um Estado árabe e de um Estado judeu, com um regime internacional especial para Jerusalém. Tratava-se formalmente de uma recomendação da Assembleia-geral, e não da criação automática dos dois Estados, mas a resolução tornou-se um dos documentos fundamentais da história posterior da região:

2. A descolonização com a Resolução 1514 (XV): treze anos depois, em 14 de Dezembro de 1960, a Assembleia-geral deu um passo de enorme alcance histórico ao aprovar a Resolução 1514 (XV), a “Declaração sobre a Concessão de Independência aos Países e Povos Coloniais”. A resolução afirmava o direito dos povos à auto-determinação e declarava que a sujeição de povos à dominação e exploração colonial constituía uma negação dos direitos humanos fundamentais. Foi um dos instrumentos políticos centrais do processo de descolonização que transformou profundamente a composição da própria ONU. A resolução foi aprovada por 89 votos a favor, nenhum contra e 9 abstenções.

3. A definição de princípios fundamentais do direito internacional: em 1970, a Assembleia-geral aprovou, sem votação (“Adopted without vote” ou “adoptada por consenso”), a Resolução 2625 (XXV), de 24 de Outubro de 1970, intitulada “Declaração sobre os Princípios de Direito Internacional relativos às Relações de Amizade e à Cooperação entre os Estados”. Entre os princípios consagrados encontra-se o da igualdade de direitos e auto-determinação dos povos. A declaração procurou sistematizar e desenvolver princípios da Carta das Nações Unidas e afirmou esses princípios como fundamentais nas relações entre os Estados. É um exemplo particularmente importante porque mostra a Assembleia-geral não apenas a pronunciar-se sobre uma situação concreta, mas a participar na formulação dos princípios pelos quais a comunidade internacional deve reger as suas relações.

4. O estatuto da Palestina: finalmente, em 29 de Novembro de 2012, a Assembleia-geral aprovou a Resolução 67/19, pela qual conferiu à Palestina o estatuto de “Estado observador não membro” nas Nações Unidas. A resolução foi aprovada por 138 votos a favor, 9 contra e 41 abstenções. É importante, referir que esta Resolução não concede à Palestina o estatuto de membro pleno da ONU, mas alterou o seu estatuto dentro da Organização para o de Estado-observador não-membro e reafirmou o direito do povo palestiniano à auto-determinação e à independência.

Estes quatro momentos são diferentes na sua natureza jurídica e política, mas têm um elemento comum: em cada um deles, a Assembleia-geral constituiu o espaço em que a comunidade internacional, representada na sua composição universal, procurou formular uma posição colectiva sobre questões fundamentais: a organização política de um território, a auto-determinação dos povos, os princípios do direito internacional e o estatuto internacional da Palestina.

Note-se, não se trata de negar o peso político, económico ou militar das grandes potências. Trata-se de questionar se esse peso deve traduzir-se num direito permanente de bloquear a vontade colectiva.

A verdadeira reforma da ONU não deveria, por isso, limitar-se a perguntar quem deve entrar no Conselho de Segurança. Deveria perguntar se o modelo de poder concebido em 1945 ainda corresponde ao mundo de hoje.

África e Ásia conquistaram a independência. Surgiram dezenas de novos Estados. O equilíbrio económico, demográfico e político do planeta deslocou-se. A própria ONU passou de 51 para 193 membros. Mas… cinco Estados continuam a deter o poder de veto.

A ONU nasceu para construir uma ordem internacional nova. O paradoxo é que uma das suas estruturas fundamentais continua a reflectir a ordem internacional que existia no final da Segunda Guerra Mundial, ou seja, o período pós-guerra de 1946-1959.

Talvez esteja aqui o verdadeiro atraso: não na idade da ONU, mas na idade da sua arquitectura de poder.

E, nesse sentido, «ONU, 56 anos atrasada!» deixa de ser apenas um título provocatório. Torna-se e reflete-se em uma pergunta: quantos anos mais terá o Mundo de esperar para que a representação política da ONU corresponda, finalmente, ao Mundo que ela própria representa?

 
igualmente publicado no site "Notícias Lusófonas" (https://noticiaslusofonas.com/2026/09/27/onu-56-anos-atrasada/) e no site do "Jornal Folha 8" (https://jornalf8.net/2026/onu-56-anos-atrasada/)

06 outubro 2016

António Guterres o quase certo futuro nono Secretário-geral das Nações Unidas!



(de antigo Alto Comissário para os Refugiados a Secretágio-geral das Nações Unidas)

O Conselho de Segurança aprovou, hoje - 6 de Outubro de 2016 -, por aclamação a nomeação do Engº António Guterres para secretário-geral das nações Unidas para o quinquénio 2017-2021, conforme declaração que se transcreve "O Conselho de Segurança recomenda à Assembleia-Geral que o senhor António Guterres seja designado como secretário-geral das Nações Unidas, entre 1 de janeiro de 2017 e 31 de dezembro de 2021", afirma a recomendação do órgão decisório da ONU, aprovada por aclamação».

Saúde-se esta nomeação, mas não se embandeire em arco como se ela já esteja efectiva. Como a declaração reforça – sublinhe-se, e não estou a ser nem conspirativo nem, usando uma terminologia popular portuguesa, “Velho do Restelo”, reforça – o CS recomendou à Assembleia-geral que designe Guterres como Secretário-geral. Ora sabe-se que a Assembleia-geral das NU quando “trabalhada” sabe dar a volta às recomendações – leia- se “ordens” do teocrático e pouco democrático – Conselho de Segurança.

Em princípio, esta designação está quase assegurada, face ao consenso que a sua candidatura abrangeu – com particular destaque, para os países da CPLP (não me recordo de ter lido a posição oficial da Guiné-Equatorial) – bem como o modo como a candidatura extemporânea da búlgara e vice-presidente da Comissão Europeia Kristalina Georgieva foi criticada – realce-se, que já tinha sido verberada ainda antes da sua apresentação – a nível internacional.

Ainda assim, recorde-se que Georgieva foi uma lança remetida pela Alemanha, mais concretamente, pela Chanceler Angela Merkel, com o apoio da liderança da Comissão Europeia – que, face à presença de um candidato de um seu Estado-membro deveria ter, naturalmente, optado pela equidistância do acto eleitoral -, do fechadíssimo grupo Clube de Bilderberg, e, de certa forma, ainda que indirectamente sob a capa de quererem uma mulher – tal como o ainda Secretário-geral Ban Ki-moon (e dos seus apoiantes africanos a quem o ainda S-G afirmou que daria maior visibilidade nas alterações e recomposição da Instituição) – ou dos financeiros da Wall Street. E depois, também, do enxovalho que recebeu de Vladimir Putin quando este disse que Angela Dorothea Merkel queria impor uma nova candidata, como se veio a comprovar mostrou que Merkel pode, mandar na "sua" Europa, mas que na ONU “mandamos nós” (é o actual presidente em exercício do Conselho de Segurança)!...

Em teoria nada será e com a votação preliminar de ontem e a aclamação de hoje de aguardar de expectável. Todavia, não esqueçamos que a senhora Merkel vem perdendo muito apoio interno – as últimas eleições regionais resultaram em fortes quebras eleitorais – pelo que necessita de recuperar alguma da auréola que granjeou nestes últimos quase 12 anos de mandatos, além de que a candidata dos “últimos 100 metros da Maratona” ter já apresentado a sua desistência e felicitado.

Só que nada como trabalhar nos corredores para tentar provocar alguma reviravolta no sistema – a Alemanha apoia financeiramente alguns Estados africanos e latino-americanos que estão dependentes das ajudas externas para sobreviverem o seu depauperado e decrépito Orçamento anual – e não aprovarem a tal recomendação e exigirem, na linha do que o “neutro” Ban Ki-moon quase exigiu, que o Secretário-geral seja uma senhora, e neste caso, poderia muito bem ser ou a búlgara Irina Bokova, Directora-geral da UNESCO.

E a Alemanha que quer ser membro-permanente do Conselho de Segurança, tem aqui uma boa oportunidade para aquilatar da “força” da sua eventual candidatura a tal cargo, caso opte por intervir nos corredores do Palácio de Vidro de New York (que, por acaso – e só se recorda por acaso – se situa na antiga lixeira desta cosmopolita metrópole) para que Guterres não seja, efectivamente eleito e consiga reverter o apoio da AG noutra personalidade; e aqui, não esqueçamos, que a maioria dos 193 ou 195 membros da Nações Unidas valem muito mais que os 5 vetos dos “tiranos permanentes” do Conselho de Segurança como, por exemplo e o maior exemplo, a Resolução 1514 (XV), de 14 de Dezembro de 1960.
Mas enquanto isso, transmite-se os parabéns ao Engenheiro António Guterres (aqui descrito pelo seu biógrafo “oficial”), o previsível futuro nono Secretário-geral das Nações Unidas.

Saúde-se esta nomeação, mas não se embandeire em arco como se ela já esteja efectiva. Como a declaração reforça – sublinhe-se, e não estou a ser nem conspirativo nem, usando uma terminologia popular portuguesa, “Velho do Restelo”, reforça – o CS recomendou à Assembleia-geral que designe Guterres como Secretário-geral. Ora sabe-se que a Assembleia-geral das NU quando “trabalhada” sabe dar a volta às recomendações – leia- se “ordens” do teocrático e pouco democrático – Conselho de Segurança.

Em princípio, esta designação está quase assegurada, face ao consenso que a sua candidatura abrangeu – com particular destaque, para os países da CPLP (não me recordo de ter lido a posição oficial da Guiné-Equatorial) – bem como o modo como a candidatura extemporânea da búlgara e vice-presidente da Comissão Europeia Kristalina Georgieva foi criticada – realce-se, que já tinha sido verberada ainda antes da sua apresentação – a nível internacional.

Ainda assim, recorde-se que Georgieva foi uma lança remetida pela Alemanha, mais concretamente, pela Chanceler Angela Merkel, com o apoio da liderança da Comissão Europeia – que, face à presença de um candidato de um seu Estado-membro deveria ter, naturalmente, optado pela equidistância do acto eleitoral -, do fechadíssimo grupo Clube de Bilderberg, e, de certa forma, ainda que indirectamente sob a capa de quererem uma mulher – tal como o ainda Secretário-geral Ban Ki-moon (e dos seus apoiantes africanos a quem o ainda S-G afirmou que daria maior visibilidade nas alterações e recomposição da Instituição) – ou dos financeiros da Wall Street. E depois, também, do enxovalho que recebeu de Vladimir Putin quando este disse que Angela Dorothea Merkel queria impor uma nova candidata, como se veio a comprovar mostrou que Merkel pode, mandar na "sua" Europa, mas que na ONU “mandamos nós” (é o actual presidente em exercício do Conselho de Segurança)!...

Em teoria nada será e com a votação preliminar de ontem e a aclamação de hoje de aguardar de expectável. Todavia, não esqueçamos que a senhora Merkel vem perdendo muito apoio interno – as últimas eleições regionais resultaram em fortes quebras eleitorais – pelo que necessita de recuperar alguma da auréola que granjeou nestes últimos quase 12 anos de mandatos, além de que a candidata dos “últimos 100 metros da Maratona” ter já apresentado a sua desistência e felicitado.

Só que nada como trabalhar nos corredores para tentar provocar alguma reviravolta no sistema – a Alemanha apoia financeiramente alguns Estados africanos e latino-americanos que estão dependentes das ajudas externas para sobreviverem o seu depauperado e decrépito Orçamento anual – e não aprovarem a tal recomendação e exigirem, na linha do que o “neutro” Ban Ki-moon quase exigiu, que o Secretário-geral seja uma senhora, e neste caso, poderia muito bem ser ou a búlgara Irina Bokova, Directora-geral da UNESCO.

E a Alemanha que quer ser membro-permanente do Conselho de Segurança, tem aqui uma boa oportunidade para aquilatar da “força” da sua eventual candidatura a tal cargo, caso opte por intervir nos corredores do Palácio de Vidro de New York (que, por acaso – e só se recorda por acaso – se situa na antiga lixeira desta cosmopolita metrópole) para que Guterres não seja, efectivamente eleito e consiga reverter o apoio da AG noutra personalidade; e aqui, não esqueçamos, que a maioria dos 193 ou 195 membros da Nações Unidas valem muito mais que os 5 vetos dos “tiranos permanentes” do Conselho de Segurança como, por exemplo e o maior exemplo, a Resolução 1514 (XV), de 14 de Dezembro de 1960.
Mas enquanto isso, transmite-se os parabéns ao Engenheiro António Guterres (aqui descrito pelo seu biógrafo “oficial”), o previsível futuro nono Secretário-geral das Nações Unidas.

04 abril 2015

Angola no CS e na APSA - artigo


Artigo publicado no semanário Novo Jornal, edição 374, de 3 de Abril, página 19 (1º Caderno)

Podem aceder aqui para leitura integral.

10 maio 2013

O FMI, a ONU e a Guiné-Bissau


“O crescimento económico deverá se recuperar em 2013, depois de uma situação muito difícil em 2012, marcado por uma forte queda nos volumes de exportação de castanha de caju e dos preços, bem como uma queda no apoio dos parceiros de desenvolvimento. A recuperação das exportações de caju e do apoio orçamental continuado dos parceiros regionais deve ajudar o produto interno bruto (PIB) para um aumento real de cerca de 3,5 por cento em 2013. No entanto, um atraso na campanha de exportação do caju, associada a algumas restrições de financiamento, representa um risco de queda” (assim reza parte do relatório do FMI, elaborado por Mauricio Villafuerte, sobre a recente visita à Guiné-Bissau, ao abrigo do Artigo IV - http://appablog.wordpress.com/2013/05/10/imf-concludes-article-iv-mission-to-guinea-bissau/);

Já a ONU, através do seu secretário-geral, Ban Ki-Moon, sugere que a missão da organização na Guiné-Bissau seja prolongada, bem como propõe a abertura de delegações regionais e o envio de um segundo representante especial no país até à pacificação da região (http://www.dw.de/ban-ki-moon-quer-prolongar-miss%C3%A3o-da-onu-na-guin%C3%A9-bissau/a-16802096?maca=bra-newsletter_pt_africa_em_destaques-6779-html-newsletter)

20 abril 2012

A Lusofonia no CS de ONU


Ontem, o Conselho de Segurança das Nações Unidas reuniu-se para debater a questão da Guiné-Bissau.



Portugal e Angola, em nome da CPLP, foram os países impulsionadores desta reunião.

Até aqui nada demais, talvez pecando por tardia a reunião.

Agora o que já não se entende, é que os dois países lusófonos tenham utilizado meios vocais diferentes para o mesmo fim.

Enquanto Angola, na pessoa do seu Ministro das Relações Exteriores, George Chicoty – que segundo já me contaram é um bom linguista e fala bem francês e inglês – se dirigiu à comunidade presente no CS da ONU na sua língua oficial, isto é, na língua que dizem não defender com a clareza que outros parceiros gostariam que fizesse, ou seja, em Português!

O seu homólogo português, o Ministro dos Negócios Estrangeiros _ deve ser por isto –, Paulo Portas, adoptou a sonante e imperial língua de Shakespeare, ou seja, o Inglês.

E, assim, vai a CPLP e a defesa da Língua Portuguesa, que Angola e Moçambique – apesar de tudo o quanto se possa criticar – tanto andam a tentar a defender, ao a quererem introduzir nos areópagos internacionais ao mesmo nível que as habituais!

Nota complementar: E o interessante (estranho, não é?, quando, a maioria, só fala em francês e crioulo) o ministro Bissau-guineense das relações exteriores, também falou em português no CS da ONU!!!!


Texto reproduzido no portal do Jornal Pravda (http://port.pravda.ru/news/cplp/21-04-2012/33365-lusofonia_onu-0/) e também no portal Ponto-final.net (http://ponto-final.net/index.php?component=Frontend&action=text&text=327&section=opiniao)

29 fevereiro 2012

Excesso de medidas de segurança ou receios conspirativos?

(imagem Jornal de Angola online)

O secretário-geral (SG) da ONU, senhor Ban Ki-Moon, esteve em Luanda em visita oficial de cerca de dois dias.

Esteve em Luanda e contactou a comunidade e sociedade civil luandense. Mas, segundo o SG não conseguiu contactar com a Oposição e com a sociedade civil foi o que se segue…

Mas, o problema é que o excesso de segurança levou a que as autoridades angolanas impedissem as pessoas que foram para o debate de entrarem com quaisquer “produtos” como denuncia a APJD (Associação Justiça, Paz e Democracia) num comunicado que enviou para a sociedade Civil.

Excesso de protecção ou demasiados receios conspirativos? Em qualquer dos casos foi posta em causa a civilidade e democraticidade do nosso Povo, no que, naturalmente, se reflectirá nos rankings internacionais de Angola.

Vejamos o que a AJPD nos diz e o comunicado presidente, o jurista António Ventura:

“AJPD tinha preparado para apresentar na reunião da sociedade civil com o Secretário Geral das Nações Unidas, mas que não foi possível ler porque os serviços de segurança angolano no local proibiram os participantes de entrarem para a sala com papel, esferográficas, livros, Pen Drive, CD’s, máquinas fotográficas, gravadoras, telemóveis, pastas de documentos, etc. Ninguém podia entrar para a sala de reuniões com nenhum objecto incluindo dinheiro.” (o itálico é meu)

Comunicado.

«Excelência,

A Paz constituiu uma marca indelével na mudança de vida das populações em Angola. E tem mudado a maneira de viver dos angolanos. No entanto, o processo de Reconstrução Nacional e o merecido crescimento económico ainda não se traduziram em desenvolvimento das pessoas e, muitas vezes, é acompanhado de violações dos Direitos Humanos, concretamente os direitos à terra e ao meio ambiente saudável, sem que as vítimas sejam devidamente indemnizadas e assistidas, conforme impõem as leis nacionais e internacionais aprovadas pelas Nações Unidas.

Como é do conhecimento geral, Angola como país membro das Nações Unidas, ratificou vários tratados de protecção dos Direitos Humanos. Esta realidade também está vertida na Constituição da República de Angola, e nas demais leis, bem como nos Tratados e Convenções Regionais ratificadas por Angola. No entanto, a observância e o respeito pelos direitos, liberdades e garantias fundamentais dos cidadãos são, muitas vezes, violados pelos Agentes do Estado. Por exemplo:

- Liberdades Fundamentais: Os direitos de reunião, manifestação, associação são constantemente restringidos pelas forças policiais e militarizadas e pela Administração do Estado;

- O direito à informação e liberdade de Imprensa: a Imprensa Pública tem vindo a ser, cada vez mais, parcial, controlada pelo Executivo – há constantes censuras de informações de carácter público e manipulação da informação, é usada frequentemente para intimidação de pessoas singulares, organizações e instituições privadas que não sufragam as posições e as ideias de quem está no exercício do poder político; a imprensa pública é um meio de propaganda das acções do Executivo, não promove o pluralismo de conteúdos de ideias ou de opiniões e o exercício contraditório, por fim, é recorrentemente, utilizada como meio de desinformação dos cidadãos, em detrimento do interesse público e para ultrajar membros da oposição política.

- Boa Governação, Transparência Justiça Económica: Constata-se em Angola um processo de acumulação de riqueza por parte das elites políticas por meio de actos de corrupção e tráfico de influência, consubstanciado na prática da elite política usar os meios do Estado (fundos do petróleo, diamante, etc) para enriquecer os seus familiares mais chegados – filhos, primos, tios e também amigos, em manifesto nepotismo, contrariamente ao que dispõe as Convenções das Nações Unidas e da União Africana sobre a corrupção de que Angola é parte. O acesso à informação sobre a gestão das contas públicas, sobre as contratações públicas não é fácil.

- Eleições, democracia e Estado de Direito: O processo de preparação das próximas eleições tem sido feito de acordos com as condições existentes no país, mas com muitos atropelos às leis que regulam o processo eleitoral em Angola e contra as Normas e Princípios da SADC sobre as eleições, sem que os órgãos de gestão eleitoral competentes tomem medida; o sistema judicial funciona com deficiência e manifesta frequentemente dependência funcional do Executivo. A democracia participativa é incipiente e quase não é aceite.

A Sociedade Civil tem estado a colaborar através de actos de educação cívica, desenvolvimento de programas e projectos de Educação para o respeito pelos Direitos Humanos, monitoria das Políticas Públicas no domínio da educação, saúde – com maior pertinência no combate ao VIH/Sida e Malária; programas de promoção do género e participação da mulher na vida pública.

Assim, recomendamos ao senhor Secretário Geral das Nações Unidas:

- Que as Agências das Nações Unidas representadas em Angola e não só, continuem a dar o seu apoio ao processo de reconstrução e reconciliação nacionais; ao combate ao VIH/Sida e grandes Endemias; ao processo eleitoral, ao processo de fortalecimento da sociedade civil através da formação dos seus membros, de apoio financeiro aos seus projectos de impacto social.

Muito obrigado!

Pela Associação Justiça, Paz e Democracia

António Ventura

(Presidente)»

04 fevereiro 2012

Na Síria, tudo continua com mão livre…

(imagem da SIC.pt)

“A Rússia e China vetaram hoje pela segunda vez uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas condenando a violência na Síria e apoiando a iniciativa política da Liga Árabe para o país.”

Por vezes, há situações que, por vezes, ultrapassam a compreensão humana.

Constatam-se e confirmam-se os casos de ataques a civis por elementos estranhos à civilidade. Seria, natural, que a Rússia fosse a primeira a querer uma fronteira, mesmo que não imediata, mais sossegada e com menos problemas com movimentos islâmicos nos arredores.

Penso que uma Síria calma seria igual a um Irão menos islamizador quer para a região, quer, e principalmente, tanto para as "repúblicas" que a Rússia tem no seu interior, como para as fronteiras chinesas que já sentem o impacto islamo-iraniano.

Se, eventualmente, se compreende a vontade dos EUA e de alguns ocidentais em estabilizar a Síria e através dela "aquietar" o Irão, já é menos entendível e pouco inatendível a posição sino-russa.

E quando digo tudo no título, refiro-me a todos, por igual. Como diria Cristo, "quem não tiver pecados que atire a primeira pedra...".

Acresce que, e a ao presente a posição da Liga Árabe não me parece muito clara, desde logo pelas personalidades que compõem a comissão de verificação que esteve, recentemente, na Síria.

Talvez algo me esteja a escapar...

03 novembro 2011

24 setembro 2011

Palestina pede “reconhecimento” como Estado na ONU

(foto © Foto: AP, via Terra.br)

O actual presidente da Autoridade Nacional palestiniana, Mahmoud Abbas, apresentou ao actual secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, o pedido formal de reconhecimento da Palestina como Estado, ao manifestar o desejo de transformar o seu presente estatuto de Observador para Estado de pleno direito.

É certo que a Palestina tem o apoio de muitos Estados com assento na Assembleia-geral. Todavia, também é certo que no Conselho de Segurança que tudo se vai decidir. E já se sabe que os EUA vão vetar essa legitima pretensão palestiniana, tal como Israel o deseja e a União Europeia (UE) não mostra ter uma posição clara.

A grande desculpa norte-americana, e de uma larga franja dos países da União Europeia, é que, independentemente do direito palestiniano terem uma Pátria própria e independente, há que salvaguardar os direitos legítimos dos judeus e dos israelitas. Ou seja, tem que haver uma sincera e correcta Paz entre os dois povos (por acaso são três, já que muitos se esquecem dos jordanos) em viver em harmonia nas terras da Palestina.

Outro dos problemas – insondável problema – é a questão de Jerusalém.

Os dois países arrogam-se no direito de a considerar sua cidade e sua capital política ou religiosa.

Ora aqui volta uma velha questão que se reporta ainda ao tempo da Declaração de Balfour, ao Mandato Britânico da Palestina – que dividiu a área entre Palestina e Jordânia – e, principalmente, ao Acordo Sykes-Picot que dividia o Médio Oriente pela influência entre franceses e britânicos.

Ora em todos os Memorandos nunca ficou claramente explicita a questão de Jerusalém.

E essa, na minha opinião, passa pela influência da cidade pelas Nações Unidas. Ou seja, tornar os Hierosolimitas (Hierosolima = Jerusalém) cidadãos de uma “international free city”, uma Cidade-livre de jurisdição internacional!

Talvez nessa altura, e de vez, a Paz possa estar implementada.

Sobre esta matéria e sobre esta região da conflitualidade proponho a leitura de um artigo que escrevi em finais de 2003 e publicada no semanário português Frente Oeste, a 1 de Janeiro de 2004 “A Região da Conflitualidade e a Europa dos Quinze”.

18 dezembro 2009

COP15: Copenhaga nos minutos finais…

Será que os jogadores ainda vão abrir, em tempo útil, o activo [assinatura de um protocolo vinculativo] ou pensam já em prolongamento [COP15Bis]?

16 dezembro 2009

COP15: a quem realmente interessa o que se debate em Copenhaga?

(alguém, hoje em dia, prescinde deste meio poluidor?)

Em Copenhaga decide-se(?!) se vai haver um “bom polícia” (cop) ou se, pelo contrário, os “ladrões” continuarão a manter a sua posição de “quero, posso e mando”, ou seja, todos poluem e a culpa morre solteira.

E porque é em Copenhaga, onde todos têm culpas nos desmandos que se fazem pelo Mundo, principalmente, na produção excessiva de dióxido de carbono, na super-utilização de recursos naturais, em particular nos hidrocarbonetos e na delapidação dos recursos hídricos e das madeiras, que comprovamos que todos estão a tentar se apresentar como polícias de um Mundo mais “verde” embora sob a hipócrita ironia das compensações financeiras.

E nisto, particularmente, a América Latina e a África, são dos mais responsáveis, embora seja certo que é o Mundo dito industrializado quem mais polui devido à sua enorme capacidade de criar produtos poluentes ou que originam poluição.

Mas também é verdade que muitos dos produtos protopoluidores são produzidos em África, na América Latina e na península arábica – petróleo – ou em África e na América Latina – destruição das florestas – sob o “auspício” dos milhões de divisas que entram (será?) nos cofres do tesouro público dos países exportadores.

Mas também recordemos que são muitos os países ditos emergentes que muito contribuem para a poluição e menor qualidade de vida desta Casa – a única que ainda é formalmente reconhecida como tal – a que chamamos Terra!

Quantos dos BRIC e dos muitos potenciais “brics” não são, hoje em dia, o local de fabrico, em grande parte devido à mão-de-obra muito mais barata e “calada”, de muito material poluidor. As vantagens fiscais e económicas que os países emergentes oferecem aos grandes empórios financeiros e industriais compensam essa deslocação. Por outro lado, os países emergentes e os em vias de desenvolvimento descobriram uma nova fonte de divisas que é a venda de parte da sua quota de CO2 aos países mais poluidores, nomeadamente, a China, os EUA, a Índia, a Austrália, a Rússia e a União Europeia.

Mas se estes são os mais poluidores é da China que vêm as maiores críticas e os maiores apelos para a contenção da emissão dos gáses de efeito de estufa, ou seja, do dióxido de carbono.

É louvável a sua preocupação com os países emergentes ou menos desenvolvidos. Só que faz-me recordar os anos 60/70 e parte dos anos 80 do século passado quando a antiga URSS provocava as manifestações anti-nuclear enquanto se reforçava seriamente nesse campo como veio comprovar – e mal, infelizmente – Chernobyl, na Ucrânia.

É interessante ver como a China, reconhecidamente a que mais contribui com cerca de 40% de emissões mundiais, segundo algumas fontes, para a deterioração do nosso meio ambiente, se perfila como o grande paladino dos mais fracos e da defesa das utópicas indemnizações pedidas pelos países africanos.

Não esqueçamos quem é o mais comprador de hidrocarbonetos do Mundo – que o digam Angola e Sudão –, quem mais rios poluídos tem dentro do seu território, ou quem mais madeiras compram e quem mais indiscriminadamente destrói matas e florestas – recordam-se disso, por certo, os moçambicanos – para o desenvolvimento das suas indústrias e imobiliário?

É interessante ver – ouvir – nos jornais televisivos a defesa que os delegados chineses fazem em nome do meio ambiente, desviando, parece, os holofotes de si e dos Direitos Humanos não cumpridos para terceiros.

Mas será que os chineses já atingiram o patamar que almejam para estar a um mesmo nível que os EUA, um Japão ou mesmo uma Rússia? Ou será que, tal como na antiga URSS, os Chineses querem que o resto do Mundo se atrase em estéreis debates enquanto eles avançam mesmo com a qualidade que todos reconhecem não ter.

Há que defender a nossa Casa! Mas devemos fazê-lo com respeito por todos os que nela coabitam. Não basta invectivar os vizinhos do lado direito, da frente, das traseiras ou do lado esquerdo exigindo mais limpeza se nós próprios não o fazemos devidamente.

Há que ter moral e recordar que o Homem não é o único condómino desta Casa nem o único com capacidade para a transformar.

Talvez tenha muita capacidade para a (má) transformação mas os outros parecem ter melhor capacidade para a adaptação. Aquela que parece fugir, cada vez mais, aos Homens que sabe viver em permanência na corda bamba como o recorda a cada passo.

Mas o Homem parece esqueceu que os animais mais depressa conseguem prever tsunamis, sismos, fogos – ou seja, alterações climáticas extremas – e procurar melhores locais de sobrevivência, que as plantas e sementes podem sobreviver durante largo tempo na escuridão e depois desabrochar esplendorosas, enquanto aquele se acomodou ao que está tendo com as consequências quase sempre muito nefastas porque parece ter perdido a verdadeira capacidade de mudar e transformar.

Pode ser que, quando os líderes dos maiores poluidores se reunirem na próxima sexta-feira, já o Mundo tenha concordado em pontuar o COP15 e não necessite de um eventual "COP15bis" como ainda antes de começar este conclave de Copenhaga o líder da ONU, Ban Ki-moon, já previa poder acontecer; pode ser que Quioto seja colocado num pedestal como recordação do que não se deve negociar e Copenhaga o princípio da recuperação física da Terra!

Essa é a minha (e, por certo, provavelmente de todos nós) esperança... e que isto nunca aconteça!
(Posteriormente publicado no portal angolano , na rubrica "Malambas de Kamutangre")

29 agosto 2009

Timor, Sudão e as subserviências da ONU…

(baseado num cartune da Internet sem identificação)

Há 10 anos Timor-Leste dizia em Referendo que queria ser uma Nação livre, independente e soberana, deixando a tutela ocupacionista da Indonésia e a tutela oficiosa de Portugal.

Tudo normal até porque o Referendo foi claro e inequívoco quanto ao Sim!

Seria tudo normal e claro se Mari Alkatiri, líder da Fretilin e antigo premiê timorense, não viesse agora afirmar que a ONU, procurando evitar uma humilhação da Indonésia e, por certo, com instruções claras da superpotência que sempre apoiou os indonésio, mandou, eventualmente,
baixar a fasquia real do resultado do Referendo de 90% para os cerca de 70% oficiais.

Ou seja, a ONU, através do organismo criado para Timor-Leste, a UNAMET, mostrou quanto a subserviência, mais que a conciliação, é tão forte no seu seio. E, por certo que não o foi face à Indonésia mas aos EUA que também acabaram por ser um dos derrotados do referendo já que foram eles quem incentivaram a ocupação em 1975.

Recordemos, ainda, que após o Referendo algumas pessoas que quiseram aceder e se refugiar nas instalações da UNAMET viram a sua pretensão impedida pelos militares onusianos e aqueles que conseguiram “invadir” as instalações “neutrais” da UNAMET tiveram de escalar e trepar pelo muro das suas instalações.

Foi por via disso que há quase 10 anos nascia uma criança do sexo masculino a que puseram o nome de Pedro Unamet Rodrigues e que hoje surge como símbolo – pelo menos num órgão informativo português – do Referendo.

10 anos depois Timor-leste continua a não conseguir sair da situação de Estado previsto para um Estado afirmado apesar do seu hipotético desenvolvimento económico – parece que foi a segunda economia em crescimento no ano passado – e do petróleo que continua a ser a miragem que os australianos desejam que seja.

Mas se Timor-Leste mostrou como a ONU é um exemplo de subserviência às grandes potências, nomeadamente àquelas que mantém o anti-democrático direito de veto, Sudão é, na actualidade, outro dos casos.

Como é possível que o “reformado” chefe militar das forças conjuntas onusianos-africanas, o general nigeriano Martin Luther Agwai, afirme que a guerra já acabou no Darfur, excepto a presença de um grupo rebelde residual – não será aquele que há muito combate em nome de Cartum? –, quando ainda no início do mês Sudão acusava o Chade de ter bombardeado uma zona do Darfur, na região de Umm Dukhun, ao mesmo tempo que na na província sudanesa do Kordofan Sul, uma região fronteira ao Darfur, aconteciam Violentos confrontos entre duas importantes tribos árabes nómadas com elevadas vítimas.

E como é que menos de dois dias depois destas declarações do general nigeriano sabe-se que dois funcionários da ONU teriam sido raptados numa região perto ou mesmo dentro do Darfur?

Será que este “fim de guerra” se deve ao facto do principal comprador de crude do Sudão (cerca de 60%) ser, também ele, um dos 5 com direito a veto, no caso a China que também olha para a Nigéria como um futuro parceiro económico para não estar tão dependente do seu principal fornecedor, Angola, deseja que os olhos da comunidade internacional deixem de estar continuamente no Sudão e, naturalmente, no Darfur?

Por outro lado os principais campos – ou bloco de exploração – de petróleo e gás sudanês encontram-se na região que se prevê venha a referendar a sua separação do Sudão, ou seja, no Sul. Mais um erro da ONU que, se for para a frente com esta evetual separação, continuará a seguir a linha anglo-americana: se não se entendem então que se separem, o que poderá cimentar outras naturais pretensões. Só que nunca ouvi os britânicos dizerem o mesmo aos escoceses…

Ou seja, tal como há 10 anos em Timor-Leste parece que também agora a ONU mostrou que a subserviência e os votos que mantêm certos responsáveis onusianos nos seus “importantes” lugares – e por via deles dão também visibilidade aos países de onde são originários – estão dependentes daquilo que fizerem – ou não fizerem – que indisponha algum grande…

Realmente é altura da ONU levar uma grande transformação mesmo que existam os tais 5 grandes. Mas se a Comunidade Internacional se recordar que a Assembleia-geral tem mais peso que o Conselho de Segurança. Basta recordar como algumas Resoluções foram aprovadas e implementadas mesmo com os “vetos” de alguns dos 5 grandes…

12 agosto 2009

Aung San Suu Kyi, mais 18 meses…

(Imagem ©Jornal de Notícias)


Até quando o “poder” da China Popular vai ser suficiente para o Ocidente e o Mundo continuar a admitir esta sistemática violação de Direitos Humanos sem ter uma efectiva e clara atitude?

Ah! sim, esquecia-me. Enquanto uns têm muito petróleo, há aquele que domina grande parte das finanças norte-americanas…

31 janeiro 2009

2009: Ano Internacional da Astronomia e do Gorila

(Foto "Stars and Moon at Night", obtida em Johannesburg, África do Sul, durante o período de aparecimento do cometa Halley; imagem PJ007248 Standard RM ©Peter Johnson/CORBIS)

Dando cumprimento a uma recomendação das Nações Unidas e da UNESCO, inicia-se hoje em todo o Mundo o Ano Internacional da Astronomia.


(Ainda há quem cace os gorilas, como se desporto se tratasse, desprezando o facto de haver cada vez menos em liberdade; onde está o TPI para condenar governantes que desprezam a História e a Humanidade aos fecharem os olhos a esta enormidade?; imagem Google)

Simultaneamente, e ao mesmo tempo que estas duas organizações supranacionais vão, cada vez com mais sensibilidade, se apercebendo de como vamos delapidando a nossa cultura e história decidiram, também, instituir 2009 como o Ano do Gorila.

Quem sabe se olhando introspectivamente o Céu e os Animais, os Homens se acalmam e o Mundo, em geral, e alguns Continentes, em particular, possa ser um local muito melhor para se viver.

Talvez devessem seguir mais os desatinos dos poetas e perceberem melhor porque estes adoram a Lua e os seus semelhantes não racionais!

29 outubro 2008

R.D.Congo, um gigante africano no caos

O Leste do Congo Democrático nunca esteve sossegado. Foi dali que partiu a queda de Mobutu e do primeiro consulado de Joseph Kabila e que originou nas eleições legislativas de…

Ciclicamente, e aqui talvez até se justifiquem algumas das críticas dos ruandeses quando afirmam que Kinshasa não liga à minoria tutsi (os Banyamulengue), a zona do Kivu Norte e a cidade de Goma entram em profundas convulsões com a já habitual e proverbial inoperância das forças de Paz da ONU em conter os distúrbios que se vêm acentuando.

Ainda recentemente houve ataques dos rebeldes tutsis do Congresso Nacional para a Defesa do Povo (CNDP), liderados pelo general Laurent Nkunda, a poucos quilómetros de Goma, capital da província do Kivu Norte, levando à “saída estratégica” – fora dos meios diplomáticos e segundo as vozes correntes, traduz-se por… fuga – do Governador da província. Os militares da ONU afastaram-se estrategicamente da zona do aeroporto e colocaram-se nas margens do Lago Kivu (outra retirada estratégica).

Estes ataques estão a provocar um autêntico caos na região, ao ponto do Alto Comissariado das Nações Unidas para os refugiados (UNHCR/ACNUR) já não saber como lidar com os milhares de refugiados (segundo as últimas estatísticas já cifram em 45000 os refugiados), com a população apedrejar veículos blindados dos capacetes de paz da ONU (MONUC) e contra a sede provincial desta organização que não consegue que os seus 17 mil homens – a maior força de Paz das NU – contenham os ataques dos rebeldes e com as Forças armadas da República Democrática do Congo (FARDC) a retirarem-se para Minova, uma região entre Goma e Bukavu (Kivu Sul) onde irão ter o apoio dos helicópteros da Guarda Republicana (a guarda presidencial) no combate aos rebeldes.

Nesta altura Kigali (Ruanda) e Luanda tornaram-se nas principais plataformas para a resolução da crise. Kigali porque apoia, como sempre o fez os rebeldes tutsis contra Forças Democráticas de Libertação do Ruanda (FDLR), grupo rebelde que integra antigos soldados e milicianos hutus, refugiados no Congo desde o genocídio de 1994, e Luanda por ser a cidade que melhor tem compreendido Kabila e de onde, segundo certas fontes, em tempos, saíram militares para apoiar Kabila, nomeadamente, contra as tropas de Jean-Pierre Bemba.

Enquanto a situação no Leste se deteriora, em Kinshasa, Kabila Jr. empossa o novo Governo que será “chefiado” – como no seu vizinho do sul – por um Primeiro-ministro, Adolphe Muzito, e que contará com 40 ministro, 3 dos quais, serão vice-primeiros-ministros (sendo que o número dois do Governo e primeiro vice-primeiro-ministro é François Joseph Nzanga Mobutu, filho do antigo ditador Mobutu Sese Seko, e presidente da União dos Democratas Mobutistas (UDEMO) e 7 vice-ministros.

Um Governo que manterá tudo no caos em que está ou um Governo para equilibrar o poder e acordar o Congo Democrático, algo que, por certo, os seus principais vizinhos não verão com bons olhos?

08 agosto 2008

A Euroásia em chamas, efeitos do Kosovo?

(imagem base daqui)

Desde a “shatterização” (ou implosão) da União Soviética que os países dela resultantes não se têm entendido.
Desde o combate absurdo e estulto que alguns países fizeram à russofonia, a incapacidade da Rússia em aceitar a perca de alguns das suas regiões, ou a disseminação de povos por regiões diferentes da sua origem que os períodos estalinista e brezneviano provocaram – azeris na Arménia e arménios no Azerbaijão (nas qualificações do último Europeu os dois que se encontravam no mesmo grupo, uma incongruência da UEFA que pensa colocar o futebol acima das questões nacionais levou a que os dois países não se defrontassem e sofressem derrotas por falta de comparência), ou russos no Báltico ou no Cáucaso e na Ucrânia – são alguns desses paradoxos que continuam a criar um clima de conflitualidade latente.
Mas também dentro da Rússia se verificam situações análogas. Recordemos a Chechénia e as centenas de vítimas que o consulado de Vladimir Putin conseguiu provocar dentro da região e no próprio País. Quem não se recorda do morticínio numa escola russa levada a efeito pelo terror checheno com, cada vez mais corroborado, a conivência da incapacidade russa em gerir calmamente as crises.
Agora, no dia em que o Mundo parecia estar pregado às belíssimas imagens televisivas da cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Beijing e quando se esperava que as “crises” viriam dos manifestantes pelos Direitos Humanos e pela liberação do Tibete, Geórgia e a Rússia decidiram incendiar a região por causa dos separatista da Ossétia do Sul.
Georgianos afirmam que russos invadiram e bombardearam o País tentando consolidar a secessão ossetiana e, futuramente, anexá-la junto à russa Ossétia do Norte.
Os russos declaram que se limitaram a defender os seus militares que estão a defender os russófilos e que teriam sido atacados por tropas georgianas.
De uma coisa o presidente russo Dmitry Medvedev fez questão de afirmar, citando de certa forma o seu quase antigo colega George W. Bush, que a Rússia defenderá os seus filhos onde quer que eles estejam.
Ou seja, o presidente russo limitou-se a dizer que a Rússia estava preparada, de novo, para projectar o seu poder militar e político de uma forma planetária pelo que os Países deverão aceitar esta declaração como um aviso de guerra uranorama.
E s pensarmos que também Putin, o ex-presidente e agora Primeiro-ministro russo, fez um sério aviso quase semelhante em Beijing e ao mesmo tempo que demontrava uma calma olímpica durante a cerimónia…
Enquanto isso o Conselho de Segurança das NU vai se reunindo sabendo de antemão que o resultado do voto está definido. Russos ou Norte-americanos, consoante o disposto na resolução irão dar o seu… veto!!
E às 1400 vítimas actuais muitas mais se vão juntar e a Eurásia ficará, inevitavelmente, em chamas para gáudio dos especuladores do petróleo que assim terão mais uma razão para voltar a ver o crude aumentar de preço!

12 julho 2008

Zimbabué: E o veto ganhou a África!

(ONU, África e amigos... Tomem lá manguito!)

"Como se esperava a Rússia e a China vetaram as sanções a Mugabe e à sua pandilha organizada. As sanções propostas consistiam no embargo de armas ao Zimbabué, congelar os bens e proibir as viagens de Mugabe e de outros 13 dirigentes do seu regime, além de escolher um outro mediador para a crise.

Perderam não os mentores da Resolução, mas o Zimbabué, os zimbabueanos, a Democracia e, quer queiram os dirigentes quer não, perdeu África.

Por isso não surpreende que Mugabe se diga feliz com o veto por, como ele afirmou, “por saber que as Nações Unidas são ainda uma organização onde existe uma soberania igual para cada membro e que há controlos no sistema que protegem os fracos dos poderosos” Ora há sistema mais antidemocrático que o Conselho de Segurança onde um Estado (são 5 com essa particularidade) tem o direito a vetar o que a maioria aprovar?

E não é de certeza que o veto aconteceu porque, como ele ameaçou a aprovação da Resolução seria o caminho para a guerra-civil. Além dos dois vetos também votaram contra a África do Sul – porque será ou levará Mbeki a manter esta fixação por Mugabe quando a maioria dos políticos e dos sul-africanos contestam Mugabe?! –, a Líbia e o Vietname!

Ora quando um Chefe de Estado, ilegitimamente consolidado no poder faz declarações – leia-se, ameaças, – destas, isso, só por si, já seria o principal factor para fazer aprovar a Resolução.

Mas há interesses mais elevados que a estabilidade e a paz na região. Como por exemplo, Mbeki a deixar de ser mediador quem poderia sê-lo, e isso Mbeki não o deseja nem por nada, seria Eduardo dos Santos? Ora a disputa pela primazia na região, leva a que as duas potências regionais emergentes torná-la mais importante e por vezes, insinua, também, os seus interesses devem ser colocados acima da estabilidade regional, principalmente quando está em jogo a supremacia na SADC. (...)
" (continuar a ler aqui ou aqui)
Publicado no , "Colunistas" de hoje.

27 maio 2008

Uma notícia simplesmente abjecta!

(a função de um soldado é proteger e não violar; imagem da Net)
Uma notícia abjecta não porque o jornalista ou a imprensa a mostra – infelizmente, mas ainda bem que o faz –, mas por causa do conteúdo da mesma que já não deveria acontecer em pleno século XXI.
Já há tempos aqui, há cerca de um ano, deixei uma reflexão sobre uma matéria análoga e com os mesmos actores.
Infelizmente continuamos a ser bombardeados com notícias como a que hoje nos é dada a ler no “Sol” online e na Globo-online e que custa continuar a digerir por repetitivas!
Segundo aqueles dois órgãos informativos, que tiveram acesso a um relatório da ONG “Save the Children”, soldados da ONU são acusados de abusarem de crianças com idades compreendidas entre os seis e os 17 anos, em missões havidas na Costa do Marfim, Sudão, libéria, Rep. Dem. do Congo e Haiti.
Até quando a ONU vai continuar a permitir que energúmenos destruam a já tão difícil imagem da organização?
Há que seguir as recomendações, de há um ano, do relator das Nações Unidas sobre torturas, o austríaco Manfred Nowak, que pediu “critérios mais rígidos” no recrutamento dos capacetes azuis.
Não serão estes loucos passíveis de serem, também eles, de serem levados ao TPI em vez de serem simplesmente expulsos dos países onde prevaricam?
Tal como escrevi na altura começam a ser casos a mais para a nobreza de uma missão como é, ou deveria ser, a da manutenção da Paz.

02 maio 2008

Somália, até quando um pária em África?


(As duas habituais imagens da Somália dos últimos anos, um islamita e um dito combatente(?) somali; fotos daqui e daqui )

Até quando o Mundo, já que parece a União Africana não tem capacidade ou não quer chamar a si essa responsabilidade, vai continuar a aceitar um pária em África chamado Somália?
Não é só o Zimbabué ou o Sudão que têm graves problemas e merecem as parangonas diárias da comunicação e o enleio de artistas conhecidos.
Na Somália ainda se acoitam e se manifestam, porque a Lei isso o permite afinal, mesmo com a presença de tropas etíopes, supostamente cristãs, e de um governo próximo dos EUA, piratas que não só colocam em causa a navegabilidade ao longo do Corno de África como a chegada de mantimentos às populações somalis.
A guerra para desalojar os islamitas de Al Shebab, continua insana e, apesar da morte recente de dois dos seus líderes, Aden Hashi Ayro e o xeque Muhidin Mohamud, devido a um ataque aéreo norte-americano a Dusamareeb– o Al Shabaab é considerado como o grupo da Al Qaeda na Somália – não parece dar mostras de minorar, fazendo fé nas dezenas de mortos que juncam as ruas de Mogadíscio e dos ataques jihadistas sobre algumas das principais localidades somalis.
Como não bastasse a guerra entre os jihadistas e a coligação somali-etíope, uma pequena explosão em Baidoa levou os militares da coligação começarem a disparar desenfreadamente provocando vítimas entre civis o que só aproxima estes dos islamitas.
Finalmente como se não bastasse o anteriormente já referido, os somalis ainda padecem das desinteligências entre os diferentes líderes dos diferentes clãs islamitas que ainda proliferam no País.
Até quando a União Africana vai continuar assobiar para o lado e só falar daquilo que o Mundo externo fala?
Esperemos que o novo presidente da Comissão da União Africana (UA), o gabonês Jean Ping consiga o milagre que o seu antecessor, o maliano Alpha Oumar Konaré, tantas vezes tentou e não conseguiu: criar uma força pan-africana para substituir os etíopes e colocar um fim à crise da Somália.

13 abril 2008

Dia Mundial do… Darfur?!

(Senhores, isto é Darfur, imagens da internet)

Basta de hipocrisia e subserviência.
Ou será que a Comunidade Internacional não sabe o que se passa, realmente, no Darfur nem quem mais deseja que o status quo da região assim se mantenha para receber petróleo barato em troca de “cooperação” – leia-se armas e dinheiro?
Já agora, quando é o Dia Mundial do Tibete? ou o Dia Mundial dos Povos Oprimidos e Ocupados?