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22 dezembro 2011

A racionalidade é palavra vã?

O Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB), pode-se dizer, começou só agora a estar operatório e a criar trabalho e condições de financiamento e operacionalidade com a abertura, em pleno, da linha Lobito-Benguela-Huambo.

Qualquer gestor de “meia tigela” sabe que enquanto uma empresa não dá mostras de vitalidade e de recuperação económica dos financiamentos colocados à sua disposição para estar operacional, dificilmente poderá satisfazer as vontades, legítimas, dos que lá trabalham para serem devida e correctamente remunerados.

E se a empresa em questão, e devido a factores exógenos, no caso à guerra fratricida, esteve dezenas de anos sem qualquer tipo de actividade, a garantir os ordenados dos que mantinham, minimamente, a actividade operacional, mesmo que quase estritamente local, é lógico que a empresa, qualquer que ela seja, passa por dificuldades financeiras naturais.

Ora no caso do CFB essas dificuldades são, necessariamente superiores devido não só às contingências já descritas como pelo facto de ter de recuperar, diria mesmo, totalmente, a linha que vai do Lobito ao Luau e as suas diferentes ramificações internas e de ligação ao exterior.

Sabe-se que essa recuperação só foi possível à custa dos cofres do erário público e da Sonangol. Sem o petróleo nada disto seria possível.

Se é certo que o CFB é uma empresa pública nacional, logo o accionista principal – único – é o Estado Angolano, também o único accionista da Sonangol, é igualmente certo que o CFB tem de prestar contas ao Estado Angolano e pagar a sua dívida. Porque se o CFB deve ao Estado, também, por inerência do facto, deve ao Povo Angolano.

Por isso é estranho que os trabalhadores, a maioria ainda agora recentemente contratados, estejam já a exigir aumentos salariais, alguns na ordem dos 150 a 200 por cento.

Como podem os assalariados do CFB exigir tais aumentos – mesmo sabendo que não auferem, em média, mais de 13 mil Kwanzas, o equivalente a USDólares130 dólares, – para, como dizem, equilibrar a perda do poder de compra.

Essa legítima pretensão deverão fazê-lo não a uma empresa que está a dar os primeiros passos como tal e, portanto, não tem condições de cumprir com o natural desejo de aumentos salariais que os trabalhadores exigem, mas ao Governo de Luanda que demonstra má gestão da coisa pública, ao não rever, devidamente, o ordenado mínimo nacional.

Há que ter racionalidade nas pretensões sob pena das mesmas deixarem de ter qualquer sentido. Não esqueçamos que o CFB ainda está a procurar prolongar a recuperação da linha-férrea até à fronteira angolano-congolesa.

Mas para que esta racionalidade seja credível, há situações que deveriam ser melhor ponderados pelos dirigentes sindicais nacionais. Pensarem mais nos trabalhadores e menos nas oportunidades políticas que os diferentes partidos lhes acenam em vésperas de eleições!

Transcrito no portal do jornal Pravda (versão portuguesa), secção Negócios

27 outubro 2011

Ainda agora estão a recuperá-lo e…

Ainda agora o Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB) está a ser recuperado, restauradas as suas linhas-férreas e já se vislumbra problemas graves na companhia que, se espera, ajude a recuperar o antigo charme do porto do Lobito e da sua maravilhosa cidade.

Segundo o jornal online “O Apostolado” os trabalhadores do CFB “vão convocar para próxima segunda-feira uma assembleia de trabalhadores para declarar greve geral” porque, de acordo com o seu primeiro secretário sindical, Bernardo Henriques, “na última ronda negocial o conselho da administração mostrou-se indisponível em resolver a principal revindicação dos trabalhadores, que é o aumento do salário mínimo” esquecendo, de acordo com aquele dirigente sindical, que “o executivo angolano investiu mais de cinco mil milhões de dólares na reabilitação do CFB, mas se esqueceu do factor mais importante, que é o homem”.

Espera-se que o bom senso e a probidade chegue rápido à mesa de negociações para bem da economia local e nacional e, porque não dizê-lo, já que é isso que se espera no futuro, da economia desta região austral africana.

30 agosto 2011

Huambo mais perto dos centros de decisão

No mesmo dia a cidade do Huambo e a sua província viram ser reinaugurados dois empreendimentos importantes no desenvolvimento social e económico da província: a chegada oficial da primeira composição ferroviária do CFB ligando a capital do Planalto Central ao porto do Lobito – demorou 6 horas a cumprir o trajecto entre Cubal (Benguela) e a estação central do Huambo –, após 27 anos de interregno, e o aeroporto Albano Machado, acabando com a triste sina dos huambenses em terem de ir à província vizinha do Bié quando precisavam de se deslocar à capital do País, Luanda.

No mesmo dia – de vez em quando ele também sai, mesmo não apreciando essas deslocações – Eduardo dos Santos – foi uma prenda de anos atrasada – presidiu às duas (re)inaugurações para gáudio do desenvolvimento da província, tornando-a, cada vez mais, no principal pólo de desenvolvimento da região central angolana.

Pena é que o governador da província tenha pactuado com a presumível – pelo menos foi confirmado pelas autoridades locais – detenção de dois militantes da UNITA, na cidade do Bailundo, por andarem nas ruas com bonés do partido e após terem sido espancados por militantes do partido no poder os quais destruíram os adornos dos opositores.

Aqueles é que agridem por não gostarem da união das cores kwachianas e estes é que são detidos. Boa leitura de tolerância deixou o senhor deputado, e presidente do CPI, Higino Carneiro na província do Huambo…

13 junho 2011

CFB, finalmente apita no Huambo

O 12 de Junho de 2011, vai tornar-se uma data histórica quer a nível social, quer, principalmente, a nível económico.

Pela primeira vez em nove anos, desde a assinatura de Paz entre os angolanos, que o trenzinho do CFB, Caminho de Ferro de Benguela, voltou a apitar na capital planáltica do Huambo.

Uma composição experimental, com individualidades e alguns passageiros, ligou Benguela (província), mais concretamente a cidade de Cubal, à cidade do Huambo sete horas após a sua partida, prevendo-se assim, que, de facto, em finais de Julho a ligação Lobito-Huambo seja uma constante realidade.

Com passos curtos Angola vai progredindo. Pena é que essa progressão seja tão lenta e tão pouco abrangente como recorda o nosso companheiro Reginaldo Silva, no seu "Morro da Maianga", ao citar Obiageli Ezekwesili, vice-presidente do Banco Mundial para África numa entrevista à agência portuguesa Lusa, à margem dos encontros de Lisboa, do Banco Africano de Desenvolvimento.

NOTA: Por razões que só o Blogger poderá esclarecer o último parágrafo ficou truncado no texto inicial. Do facto, apesar de ser alheio, apresento as minhas desculpas aos leitores.

08 junho 2011

CFB no Huambo em Julho

Durante a visita da presidente do parlamento moçambicano ao Porto do Lobito foi-lhe dito que o "trenzinho" do CFB vai estar na estação da cidade do Huambo em Julho próximo.

Não quero ser como São Tomé mas... vou esperar e desejar que este prazo seja cumprido, nem que seja a 31...

16 abril 2009

Composição do CFB descarrila na província de Benguela


(imagem Internet)

Segundo uma notícia, quase telegráfica, d’ O Apostolado uma composição do CFB (Comboio dos Caminhos de Ferro de Benguela) terá descarrilado, penso que há dois dias, no troço que liga Catengue (fica entre Cubal e Dombe Grande) a Benguela (estranhamente o portal da ANGOP, nas secções “províncias” – pode aceder a esta secção aqui ao lado – e, ou, “transportes” parecem ter passado ao lado do assunto).

O acidente, apesar de não ter causado vítimas mortais, terá provocado “um número indeterminado de feridos”, e, segundo parece, terá tido por causa principal “mau estado da linha-férrea

Dado que a linha está em recuperação por parte de empresas chinesas (a
China Railway 20 Bureau Group Corporation (CR-20)) – que até já criaram uma fábrica de material de apoio à reconstrução para não terem de parar à espera do que vinha da China(?!?!) – e sendo voz corrente que a via entre Lobito e Huambo estará quase toda recuperada até Maio do próximo ano e a ligação a Luau disponível em 2011, pergunta-se como é que, neste sector, a via ainda se encontra degradada.

Ou – é só ignorância de macaco –, e como dizem a “boas” bocas, o material já recuperado é de qualidade duvidosa? Se nos recordarmos como se encontra o “ninho de andorinha / pássaro” ou como as escolas chinesas, algumas quase recém-construídas, se desfizeram com o tremor de terra…

02 março 2009

O CFB parece que está a uma curva do final…

Excelente trabalho do Semanário Angolense sobre os desenvolvimentos e recuperações do Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB), entre o Lobito e o Luau, e como se está a alterar algumas coisas na minha cidade para a tornar mais turística

Quem quiser pode aceder ao Dossiê, da responsabilidade de Severino Carlos (texto) e Virgílio Pinto (fotos), pode fazêlo por
aqui e lê-lo entre as páginas 16 e 24 (imagem acima do SA).

Um belíssimo trabalho.

31 março 2006

Há gralhas e gralhas…

De facto, há gralhas que não se conseguem evitar, mas há outras…

"A linha de caminho-de-ferro de Benguela, que liga esta cidade à Luanda Norte, centro de prospecção de diamantes, vai ser recuperada por empresas chinesas. Algumas empresas portuguesas já manifestaram interesse na gestão e utilização daquela infra-estrutura."

Parte de uma notícia do Correio da Manhã, de hoje, sobre a visita de Sócrates a Angola, e, segundo parece, assinada por António Sérgio Azenha.
Fico, assim, a saber, quase 50 anos depois, que o CFB, começa em Benguela e que termina em Luanda, ou seja, que em vez de iniciar na área portuária do Lobito e seguir para Leste, na realidade começa na cidade das acácias e segue para Norte.
Sem mais comentários.

11 janeiro 2006

Lobito-Luau religadas em 2007?

Essa é a promessa dos chineses que estão a recuperar o Caminho de Ferro de Benguela (CFB).
Segundo eles, até Agosto de 2007, o CFB, que tem o seu início no porto do Lobito, estará totalmente reabilitado podendo o "cavalo de ferro" ligar aquele magnífico porto às terras dos Chocué/Ludas (inclui a RDCongo e Zâmbia), no leste.
Além da via férrea, a entidade chinesa que obteve a empreitada (que segundo consta ronda os 300 milhões de dólares - viva o petróleo ), irá proceder à recuperação das estações ferroviárias ao longo da linha.
Bom... está atardar mas, parece que desta vez, é para ser efectiva a recuperação.
E... quando os chineses prometem, sabemos que cumprem... seja a que preço for.
Ah! e nessa altura também as eleições já poderão ser realizadas... quereremos para uma eleições melhor obra-feita que esta?

03 outubro 2004

Reabilitação do CFB

De acordo com o Apostolado, o governo chinês vai contribuir para reabilitar o Caminho de Ferro de Benguela (CFB).
É uma notícia que nos deixa satisfeitos.
Por uma lado, é a afirmação de que Angola entrou, definitivamente, nos caminhos da Paz. Por outro, com a reabilitação da maior via ferroviária transversal de África poderemos ver a SADC evoluir para um maior desenvolvimento económico que, por certo, trará, também, uma maior clarificação política na região e uma maior possibilidade de os países da SADC não terem de estarem dependentes ora da África do Sul, ora da decrépita TANZAN Railway, ou do nunca mais reconstruído - e muito necessário - Corredor de Nacala.
A verba para a reconstrução da linha férrea será proveniente de uma linha de crédito oferecida pela China Popular poderá ascender a 2 mil milhões de US Dólares. Até ao momento, e de acordo com responsáveis do CFB, a reabilitação em curso da via já consumiu USD 7 milhões da sua empresa, nomeadamente na reconstrução do troço que vai do Lobito até à cidade de Cubal, a cerca de 155 km.
Os principais interessados na reconstrução desta veia africana, que só em Angola são mais de 1300 km, são o Sudeste diamantífero da República Democrática do Congo (RDC) e o Noroeste da Zâmbia.Haver vamos se é agora que o CFB – e por extensão as restantes vias férreas angolanas – serão, de vez, reabilitadas. As economias do país e da região agradecem.

12 junho 2004

CFB - que saudades!!!!


Que saudades ver aquele belo monstro desbravar Angola, do Lobito a Luau (ex-Teixeira de Sousa)