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17 junho 2015

O caso Kalupeteka e as suas consequências internacionais – Comentário

(HUAMBO: Fiéis da seita liderada por Kalupeteka durante o encontro com o governador Kundi Paihama; foto ©ANGOPem 1/Out./2014).


Por norma não gosto de analisar e comentar certas informações de sensível melindre a seco e em cima do acontecimento de modo a que possa evitar análises a quente, que,, por vezes, se tornam contraproducentes e inconvenientes, o que limita a credibilidade de quem as faz.

Essa foi uma das razões por, até agora, me ter abstido de analisar e comentar o problema político-militar ocorrido em São Pedro de Sumé (ou monte Sumi), província do Huambo, em Abril passado, que terá colocado frente-a-frente um representante governador da província do Huambo, o senhor Kundi Paihama, polícias e militares, face aos seguidores da não convencional “Igreja dos Adventistas do Sétimo Dia, A Luz do Mundo”, liderada por José Julino Kalupeteca (ou Kalupeteka) e criada em 2007

Sobre esta seita, segundo alguns dos eus seguidores ela estaria legal e ser atendida pelo próprio governador da província – terá havido, em Outubro de 2014, a assinatura de um convénio entre Kalupeteka e Paihama –, enquanto outros dizem-na ilegal como dezenas de outras seitas e ditas igrejas evangélicas que pululem pelo país.

Sobre as hipotéticas relações entre a seita liderada por Kalupeteka e algumas autoridades locais, a direcção da UNITA acusa que a seita estaria a funcionar «… à margem da lei há alguns anos, com o beneplácito das autoridades locais com quem desenvolveu, desde 2011, laços privilegiados ao abrigo dos quais o cidadão Kalupeteka beneficiou de bens materiais e espaços de intervenção nos órgãos de comunicação social públicos»; fim de citação.

De assinalar que esta seita está (ou estava) disseminada por Luanda, Bié, Benguela, Huambo e Kwanza Sul.

Segundo constam os registos oficiais que se seguiram aos acontecimentos vários polícias, mais concretamente, nove membros da Polícia Nacional, teriam sido mortos por elementos, dito armados, da seita, tanto no Huambo como em Benguela, com o repúdio imediato do senhor Presidente da República, que exigiu a rápida captura destes «indivíduos perigosos» e a sua entrega imediata à Justiça porque a seita estabeleceria «uma ameaça à paz e à unidade nacional e que a sua doutrina constitui uma perturbação à ordem social».

Estranhamente, e a nível oficial, só terão ocorrido mortos entre os membros da autoridade. Fontes externas, dizem que a retaliação que se terá seguido, e confirmado pelas autoridades que dizem terem abatido 13 seguidores da seita, apontam para dezenas, se não mesmo, centenas, de mortos entre os fiéis da seita.

E aqui entra a questão que levou ao título desta análise/comentário.

Face à disparidade de números de vítimas e como terão ocorrido e às acusações de fontes independentes políticas, eclesiásticas – a Igreja Católica já se terá oferecido para ajudar ao cabal esclarecimento do caso – e sociais, que terão exigido tanto um inquérito parlamentar, como independentes, a comunidade internacional começou a interessar-se pelo caso e a solicitar investigações independentes externas sobre o caso.

De entre as que mais tem solicitado essa intervenção externa independente está e continua a estar o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) em Genebra, Suíça, que tem reafirmado ser do interesse de Angola que haja «transparência na investigação sobre o alegado massacre no Huambo, facto não só negado pelas autoridades nacionais como exigido por estas uma desculpa pública e retracção da ACNUDH, dado que esta basear-se-á em informações prestadas «… por falsas declarações prestadas por elementos tendenciosos e absolutamente irresponsáveis, com a intenção de difamar o país».

Ora a ACNUDH tem-se recusado em se retractar e apresentar desculpas porque, segundo esta organização, o que interessa é que a situação fosse esclarecida, para do interesse de todos, dado que há «muitos relatórios diferentes sobre o que aconteceu e não podem ser todos verdadeiros. Só precisamos de mais clareza sobre o que aconteceu».

Porque quem não deve não teme, neste caso acompanho todos aqueles que desejam uma investigação supranacional com supervisão internacional para que a nossa imagem não fique beliscada por dúvidas apoucadas devido a sectores que se considerarão mais credíveis que toda uma sociedade angolana que quer um esclarecimento total e oficial dos acontecimentos.

Todos se recordam como foram manipulados – e até hoje continuam em segredo dos deuses – os factos do 27 de Maio de 1977, e ninguém quer que isso continue a ocorrer.

Se houve culpados, se houve massacre injustificado – seja de que parte tiver ocorrido – os executantes devem ser presentes à Justiça e esta terá de ser implacável com os prevaricadores.

Só a verdade interessa! Só a verdade mantém a credibilidade política e institucional de Angola no seio da comunidade internacional, tão assinalada, ainda recentemente, pela Sub-secretátia de Estado norte-americana para os Assuntos Africanos, Linda Thomas-Greenfield, que considerou Angola como um importante parceiro estratégico em África.

Nota: Texto escrito em 15 de Junho de 2015 e só hoje publicado!

Texto hoje (18.Jun.2015) transcrito no Africa Monitor; igualmente transcrito no semanário Folha 8,  edição, de 20/Jun./2105, páginas 21 e 22.

21 setembro 2012

Huambo centenária


(Huambo, cidade-viva; foto daqui)

A cidade do Huambo comemora hoje o seu centenário desde que foi fundada pelo antigo governador-geral de Angola, gen. Norton de Matos.

Tendo como mentor geónimo Uambo (ou Wambo) Kalunga, um renomado caçador de elefantes e príncipe local, a cidade foi fundada faz hoje, precisamente, 100 anos!

Talvez que, por causa do seu topónimo, haja quem defenda que a cidade dever-se-ia chamar de Uambo e não Huambo, mas…

Parabéns à bela cidade-coração de Angola, hoje novamente ligada à cidade-litoral irmã do Lobito (mais nova um ano…) pelo CFB!

30 agosto 2011

Huambo mais perto dos centros de decisão

No mesmo dia a cidade do Huambo e a sua província viram ser reinaugurados dois empreendimentos importantes no desenvolvimento social e económico da província: a chegada oficial da primeira composição ferroviária do CFB ligando a capital do Planalto Central ao porto do Lobito – demorou 6 horas a cumprir o trajecto entre Cubal (Benguela) e a estação central do Huambo –, após 27 anos de interregno, e o aeroporto Albano Machado, acabando com a triste sina dos huambenses em terem de ir à província vizinha do Bié quando precisavam de se deslocar à capital do País, Luanda.

No mesmo dia – de vez em quando ele também sai, mesmo não apreciando essas deslocações – Eduardo dos Santos – foi uma prenda de anos atrasada – presidiu às duas (re)inaugurações para gáudio do desenvolvimento da província, tornando-a, cada vez mais, no principal pólo de desenvolvimento da região central angolana.

Pena é que o governador da província tenha pactuado com a presumível – pelo menos foi confirmado pelas autoridades locais – detenção de dois militantes da UNITA, na cidade do Bailundo, por andarem nas ruas com bonés do partido e após terem sido espancados por militantes do partido no poder os quais destruíram os adornos dos opositores.

Aqueles é que agridem por não gostarem da união das cores kwachianas e estes é que são detidos. Boa leitura de tolerância deixou o senhor deputado, e presidente do CPI, Higino Carneiro na província do Huambo…

13 junho 2011

CFB, finalmente apita no Huambo

O 12 de Junho de 2011, vai tornar-se uma data histórica quer a nível social, quer, principalmente, a nível económico.

Pela primeira vez em nove anos, desde a assinatura de Paz entre os angolanos, que o trenzinho do CFB, Caminho de Ferro de Benguela, voltou a apitar na capital planáltica do Huambo.

Uma composição experimental, com individualidades e alguns passageiros, ligou Benguela (província), mais concretamente a cidade de Cubal, à cidade do Huambo sete horas após a sua partida, prevendo-se assim, que, de facto, em finais de Julho a ligação Lobito-Huambo seja uma constante realidade.

Com passos curtos Angola vai progredindo. Pena é que essa progressão seja tão lenta e tão pouco abrangente como recorda o nosso companheiro Reginaldo Silva, no seu "Morro da Maianga", ao citar Obiageli Ezekwesili, vice-presidente do Banco Mundial para África numa entrevista à agência portuguesa Lusa, à margem dos encontros de Lisboa, do Banco Africano de Desenvolvimento.

NOTA: Por razões que só o Blogger poderá esclarecer o último parágrafo ficou truncado no texto inicial. Do facto, apesar de ser alheio, apresento as minhas desculpas aos leitores.

11 fevereiro 2007

Projecto agrícola para desenvolvimento regional

(©imagem daqui)

Se há província que mais sofreu com a guerra essa foi a do Huambo.
Não conheço nem sei quem é o governador provincial. Não faço ideia, nem me preocupa em saber qual a sua linha de pensamento político. Não sei como consegue obter para bem gerir os fundos que lhe concedem.
De uma coisa tenho eu a certeza. A província do Huambo, devido em grande parte ao seu espírito empreendedor, começa a despontar e a querer voltar a ser aquilo que já foi e muito bem: o celeiro de Angola.
Segundo um artigo da Angop, citado pelo Notícias Lusófonas, vai ser inaugurado um agro-projecto no Alto Hama, município do Londuimbali, que visará a produção de certas espécies agrícolas, como as leguminosas, nomeadamente, o feijão Catarina, vermelho, branco e frade, grão de bico, tremoço, ervilhas e amendoim.
Mas este projecto não se ficará somente por Alto Hama. Também nas comunas de Ussoque e Nagalanga, em Lomduimbali, e os municípios do Bailundo, da Caála (na comuna da Calenga), do Huambo (na Chipapa) e da Tchikala-Tcholoango (na comuna de Nbave) serão abrangidas por este agro-projecto denominado “agro-planalto”.
Só se espera que, caso a produção seja satisfatória e possa poder ser exportável, não se fique pelos celeiros ou pelas terras a se estragarem por falta de escoamento devido a deficientes estruturas rodoviárias e à inacabada recuperação do CFB.
A boa-vontade do governador do Huambo, que está a gerir este programa, e dos agricultores que o abraçaram, merece ser respeitada.
Que outros governadores provinciais saibam não esperar por apoios de Luanda e comecem a procurar desenvolver as suas províncias como a do Huambo.
Chamem investidores e apoiem-nos. As províncias agradecem e Luanda deixará de ser a panaceia de e para todos os males.

02 setembro 2005

Temos de volta o Celeiro?


Será que o Huambo está a quer voltar a ser aquilo que era? O Celeiro de Angola?
Não deitemos muitos foguetes que a festa ainda agora começou.
Ainda estamos numa agricultura de subsistência; mas… que seria bom e que é um bom prenúncio, lá isso é.