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12 maio 2008

Ainda Geldof e as palavras ditas

Mário de Queiroz, jornalista latino-americano do Inter Press Service News Agency (IPS) escreveu um interessante artigo – inicialmente em espanhol – sobre a célebre frase de Bob Geldof na conferência de Lisboa organizada pelo BES (Banco Espírito Santo) e pelo semanário Expresso (interessante a entrevista que Geldof deu ao Expresso e à SIC-Notícias).

No artigo, de Queiroz escalpeliza não só as palavras de Geldof e os inúmeros e diferentes interesses económicos lusitanos em Angola, como me concede a honra de colocar uma passagem com uma análise que me foi, ao tempo, solicitada sobre as palavras do activista-cantor irlandês.

Aqui ficam a versão inglesa, com o título “ANGOLA: Irish Rock Star Geldof Riles Tempers” dado que a versão original, espanhola, com o título “PORTUGAL-ANGOLA : Geldof metió la cola”, ainda não está totalmente disponível, salvo para os leitores pagantes. Há já também versões resumidas em alemão e holandês (e também, caso tenham acesso, sueco e finlandês, bem assim versões integral e de acesso livre em swahili e em francês):

“Eugenio Costa Almeida, a political scientist and columnist from Angola, told IPS that "personally, I don't recognise Mr. Geldof as a moral authority after he supported, like (Irish rocker) Bono, the leader of U2, the 2005 plan of (now British Prime Minister Gordon) Brown, who was finance minister at the time, which served as the basis for the European programme presented at the (December 2007) European Union-African Union summit."

Brown’s programme "was questioned by the most lucid and prominent African leaders, and now it has also been thrown into doubt by Mr. Geldof," whose activities and stances have been marked by "a certain level of hypocrisy, which should not be overlooked," said Costa Almeida.

Although the analyst is himself a staunch critic of the Angolan government, he pointed out that Geldof failed to mention individuals or parties, and merely made the sweeping assertion that Angola is "run by criminals," which means "he included everyone: ministers, governors, local chiefs -- in other words, the entire country." ”

07 maio 2008

Será que Geldof insultou mesmo?

(Geldof e Bono; imagem daqui)

Costumo a dizer e a reafirmar que a mim – e penso que, de uma maneira geral, a qualquer pessoa de bem – não insulta quem quer, mas quem pode!
Esta introdução se deve a “sensibilidade” de algumas pessoas, umas próximas e outras desconhecidas e sobre as quais limpei logo o e-mail por não estar com disposição em encher o meu computador e os meus suportes electrónicos de mensagens imbecis e desconexas, a maioria, relativamente à minha tomada de posição – leia-se ao artigo de Opinião publicado ontem no Notícias Lusófonas e que podem ler parte no apontamento anterior – sobre as palavras de Bob Geldof relativamente a Angola.
Pessoalmente não reconheço ao senhor Geldof moral, nomeadamente após a sua tomada de posição favorável – a que se juntou Bono, o líder dos U2, – face ao Plano Brown, de 2005, – o actual primeiro-ministro do reino Unido era, na altura, o chanceler do tesouro do Governo de Sua Majestade – que, na prática, serviu de base ao projecto europeu apresentado na Cimeira UE-União Africana e que mereceu a contestação dos principais e mais esclarecidos líderes africanos e que logra, agora, obter também a contestação do senhor Geldof.
Como disse no início a mim não insulta quem quer mas só quem reconheço capacidade para tal.
Por isso, estranha-se que o senhor embaixador de Angola, Assunção do Anjos, tenha saído da reunião onde palestrava o senhor Bob Geldof.
Ou será que havia razões para isso?...
As mesmas que levaram o BES, um dos organizadores da Palestra a dizerem que nada tinham a ver com as palavras “injuriosas” do senhor Geldof…
Pois, só insulta, ou xinga, quem pode…
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NOTA COMPLEMENTAR: a Lusa veio dar o dito por não dito e pedir desculpas por ter prestado uma informação errada. Afinal, e ao contrário do que, inicialmente, tinha propalado, o senhor embaixador de Angola, Assunção dos Anjos, não esteve presente na Conferência proferida por Geldof a convite do BES (num Estado democrático não é habitual se saber antecipadamente o teor da Conferência; só o tema).
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Isso não evita eu continuar a afirmar que não insulta quem quer mas quem pode e apesar de muito do que Geldof disse ser do domínio público, embora as púdicas mentes de alguns - que só falam em surdina em certos sítos e dobram-se em mesuras em outros - procurem dizer alto que ele não sabe do que disse; e, provavelmente, não sabe. Mas deve saber ler e ouvir...

Bob Geldof abriu o livro...

(Foto do portal do activista/cantor)

"O activista irlandês reconhecido mundialmente desde o “Live Aid”, de 1984, e “Live 8”, de 2005, por causa da fome em África, em geral, e na Etiópia, em particular, onde milhões pereciam (E AINDA MORREM!) por falta de alimentos esteve hoje em Lisboa onde proferiu algumas palavras num colóquio "Desenvolvimento Sustentável - Fazer a Diferença", que pelo seu conteúdo e oportunidade, e apesar de alguma hipocrisia com que, ultimamente, se tem pautado as suas actuações e actividades, não devem passar em claro.
Sobre a fome – ainda e sempre devido à
pobreza e má-gestão –, Geldof alerta para um assunto que também eu abordo num artigo a publicar brevemente no Correio da Semana, de São Tomé e Príncipe. As guerras deste século serão devidas e travadas pelos recursos alimentares, a que completaria com, igualmente, os recursos hídricos.
Geldof, criticando o exemplo da Europa, onde, como ele afirma “
pagamos impostos para produzir, pagamos impostos para armazenar e pagamos impostos vergonhosos, imorais, abjectos para destruir comida em excesso” deveria evitar que, 25 anos depois o activista tivesse, de novo, de gritar algo que não pensava ter de o fazer agora “ ´Feed the World` (Alimentem o Mundo) ”.
Já quando questionado sobre Angola, Geldof atirou uma frase dura para o regime e para os governantes nacionais, forçando, inclusive, ao abandono da sala do embaixador Assunção dos Anjos. Geldof, sobre o Desenvolvimento económico do País, atirou que "
Angola é gerida por criminosos". Tão simples, quanto demasiado – talvez um pouco, porque não deve conhecer a realidade no seu todo – directo. (...)" (continuar a ler aqui ou aqui)

Publicado no , "Colunistas", em 6-Maio-2008 sob o título "Bob Geldof abriu o livro... esperemos que não seja tarde!"