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30 janeiro 2008

Kabila aprende com Angola?

(DDR)
"Já era altura; mas vale mais tarde que nunca! O presidente da República Democrática do Congo (RDCongo) percebeu, ou teve uma dica do seu vizinho do Sul, o seu natural “guru” apesar de certos problemas fronteiriços e acusações de disfarçada ingerência, que se quer ver os seus assuntos resolvidos deverão serem os autóctones a tratar deles e não esperar que terceiros o façam.
Está provado que os apoios externos são, em regra, guarnecidos de eventuais e não pouco significativas vantagens para os doadores e nunca para os próprios interessados, ou seja, para as populações dos Países onde as crises sociais persistem.
Desde que o presidente Joseph Kabila tomou o poder, primeiro pela via sucessória, depois pelas eleições, que as ofertas de ajuda para acabar com as sucessivas e contínuas crises internas o têm levado, e ao País – mais a este que ao poder de Kabila – a uma profunda e continuada manutenção dos problemas sociais e políticos, onde a guerra de guerrilha persiste, a economia resvala continuadamente para uma depauperação sem precedentes, e a manutenção de forças externas no País se mantém como, na maioria dos casos, forças ocupantes e não de manutenção de Paz. (...)
" (pode continuar a ler aqui ou aqui)
Publicado no , edição 149, de 2-Jan-2008

27 março 2007

Na RDC, Bemba sente-se em perigo

(Vencedores que não são magnânimos e outros não sabem perder…)

O ex-vice-presidente da República Democrática do Congo, Jean-Pierre Bemba, declarou-se pronto a partir para o exílio se não obtiver garantias de que a sua segurança será respeitada no país.
Numa entrevista ao jornal francês "Le Monde", Bemba acusou o presidente da RD Congo, Joseph Kabila, de querer "desembaraçar-se" dele e alertou contra a instauração de uma "nova ditadura".
(…)"A realidade é que Kabila quer desembaraçar-se de mim. Em duas semanas, mil soldados foram destacados para os arredores da minha residência, criando tensões inúteis na cidade", afirmou Bemba ao "Le Monde", considerando "incrível que num país democrático se utilizem os militares para intimidar um político".”

Porque será que estas três citações ("desembaraçar-se", "nova ditadura" e "militares para intimidar um político") não me soam, mas mesmo nada, estranhas?...
(O artigo acima, publicado no Jornal de Notícias de 27 de Março, pode ser lido, integralmente, acedendo aqui).

23 março 2007

RDC em ebulição, surpresa?

(Bemba que parece ter estado em Portugal há pouco tempo…)

Ataques e conflitos entre milícias e seguranças do antigo vice-presidente Jean-Pierre Bemba e o exército do presidente Joseph Kabila!
Surpresa? só para quem desconhece a realidade democrato-congolesa, tanto em termos políticos como demográficos.
Surpresa? Só, talvez, por tão tardia.
Infelizmente nada que já não tivesse sido previsto nestas páginas e em outros blogues como, por exemplo, o Escrita em Dia.
Alguém acreditaria que Jean-Pierre Bemba aceitaria, livre e caladamente, a manutenção de Kabila no poder alicerçado em “suportes” externos, principalmente quando alguns desses suportes já o tinham amparado no pré-processo e no pós-processo eleitoral e, também, na formação e modernização do Exército democrata-congolês?
Relembro que os partidários do antigo vice-presidente de Kabila, Bemba, tinham alertado para certas situações anómalas, na região noroeste, verificadas antes, durante e após as eleições. E, tal como em outras vezes, a comunidade internacional limitou-se a afirmar que “no geral” as eleições decorreram normalmente. É mais fácil esconder a cabeça na areia, como as avestruzes.
Porque em caso de ataque, podem sentir mas como não vêem…!
Por isso não surpreende esta situação.
Nem que Kabila, mesmo depois de Bemba ter solicitado, via rádio da ONU, que todos os militares e seguranças voltassem aos quartéis e locais de acantonamento, lhe tenha decretado ordem de prisão por “crimes de alta-traição à República”.
E para ajudar à confusão, Bemba refugiou-se na embaixada da África do Sul.
Surpresa?
Só para quem está esquecido que a fronteira entre a República Democrática do Congo (RDC) e os seus vizinhos dos Grandes Lagos, se mantém instável?
Surpresa?
Só para quem se esqueceu, ou não percebeu, os efeitos que a hipotética e já desmentida invasão angolana à RDC produziria, ou a eventual visita de uma delegação da República Popular da Coreia (Coreia do Norte) à RDC!?
Igualmente publicado no sob o título "A RD'Congo em plena ebulição, surpresa para quem? "

25 dezembro 2006

Kabila nomeia primeiro-ministro

O presidente Joseph Kabila Kabange nomeou o secretário-geral do Partido Lumumbista Unificado (PALU), Antoine Gizenga, para liderar um Governo baseado na coligação maioritária que venceu as eleições legislativas no país.
Embora ainda não formalmente empossado, Gizenga já se comporta como efectivo primeiro-ministro e vai advertindo que "os ladrões, os sanguinários, os corruptos e outros estão excluídos".
Não sei como ele irá conseguir formar Governo...

06 dezembro 2006

Enquanto é investido…

… 20 mil fogem do país.
Joseph Kabila Jr. foi investido como o primeiro presidente eleito democraticamente na Rep. Dem. do Congo facto inédito em 50 anos mas que ainda mantém outros dentro do prazo
E enquanto era investido na presença de algumas quantas individualidades, nomeadamente, na presença daquela que lhe ajudou a formar a sua Polícia e Forças Armadas – foi-lhe concedido um financiamento de 30 milhões de USDólares para este fim e doou dois helicópteros para transporte de urnas (quem diria que em Angola ainda há quem passe fome…) no valor de 4 milhões de USDólares – ou na da daquele que diz que no seu país não existe SIDA nem nunca viu ninguém morrer com SIDA, ao mesmo tempo que o seu antecessor e um ex-Ministro seu estavam a enterrar filhos seus, devido a essa triste doença, ou ainda na da do Secretário-Geral adjunto da ONU para as Operações de Manutenção de Paz, Jean-Marie Guehenmo, ou na da do seu chefe, Kofi Annan, 20.000 (vinte mil) congoleses, a maioria mulheres e crianças refugiavam-se no vizinho Uganda devido a confrontos entre forças rebeldes e governamentais ocorridos região congolesa de Ituri, no leste do país.
Independentemente do que se possa pensar do presidente (re)eleito, como vai ser possível governar um país nestas condições com os rebeldes a atacarem forças governamentais na presença dos helicópteros da Missão das Nações Unidas na RD Congo (MONUC)?
Aqui está como uma Paz não é do interesse de todos, principalmente daqueles que têm muitos e ainda querem mais…

16 novembro 2006

R.D.Congo, Kabila sucede a Kabila

(Joseph Kabila, (re)eleito presidente; imagem ©daqui)

Segundo a Comissão Eleitoral, Joseph Kabila venceu a segunda volta das presidenciais obtendo 58% dos votos contra 42% alcançados por Jean-Pierre Bemba que, embora pronuncie ter havido algumas irregularidades no apuramento eleitoral, parece ter aceite o resultado, enquanto Kabila apela à calma.
A confirmação deste resultado final só depende do Supremo Tribunal de Justiça que terá de o ratificar.
Numa altura em que a tensão social no país vem aumento exponencialmente não seria de surpreender, até porque as declarações de partidários de Bemba fora do país e do arcebispo de Kinshasa, cardeal Frederic Etsou, a isso o induzem, que se perspective um pouco saudável período pós-resultados; a missão das Nações Unidas no Congo Democrático (Monuc), temendo o recomeço dos conflitos entre simpatizantes dos dois candidatos já destacou importantes meios militares para as ruas de Kinshasa.
Até porque essa tensão começou ainda este fim-de-semana quando foram divulgados resultados parciais que já indiciavam uma vitória de Kabila e só estavam escrutinados pouco mais de 50% dos 65% de votantes, algumas das principais zonas de votação ainda não o tinham sido.
Para uma divulgação de resultados que apontava, claramente, para a data limite – 19 de Novembro – parece ter havido uma rapidez pouco habitual na contagem dos votos, principalmente num país onde, há muitos anos, não havia eleições.
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ADENDA: Infelizmente a política internacional, em geral, e o africano, em particular, começa a ser cada vez mais parecida com o desporto português: "o que é verdade agora é mentira daqui a bocado". Tudo isto porque depois de, numa primeira reacção ter dito que aceitava os resultados, Jean-Pierre Bemba vem agora dizer que não só os contesta como vai pedir a sua impugnação.

08 setembro 2006

Um pequeno descanso


Ora aí vem mais um pequeno, e provavelmente o último deste ano, descanso de uma semana.
Mas calma, não deitem foguetes porque sempre que a ocasião proporcionar e a NET o deixar virei aqui.
E a semana que entra promete ser pródiga em factos e notícias.
Logo a começar os resultados das legislativas da Rep. Dem do Congo que, segundo os primeiros números, terão dado uma vitória relativa ao partido de Kabila (cerca de 200 lugares, num Parlamento de 500 eputados) seguido da aliança Renaco que apoiou o vice-presidente Bemba (cerca de uma centena), da coligação mobutista Congoleses Democratas e de outros pequenos partidos.