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17 junho 2014

Os 100 anos da 1ª Guerra Mundial


(Soldados marroquinos na 1ª Guerra Mundial)

"1. Estamos a recordar, este ano o centenário da primeira grande guerra (1ªGG), ou guerra mundial (também dito, entre Nações colonialistas), que teve o seu início em 8 de Agosto de 1914 e o seu términus com o armistício em 1918, no dia da nossa Dipanda.

Para recordar esta data uma universidade privada portuguesa vai promover uma Conferência alusiva à data na qual vou participar com uma comunicação baseada nas participações africanas num conflito, inicialmente europeu e que depois de 1916 se tornou mundial com a participação de países como o Japão, os EUA, o Brasil e por arrastamento os territórios coloniais africanos e asiáticos.

Todavia, o começo da Guerra em África, e nomeadamente na África lusófona aconteceu logo em 1914, com as surtidas efectuadas por alemães aos então territórios portugueses de Angola e Moçambique. Em Angola, na zona do Cunene e em Moçambique na zona da foz do Rovuma.

Na realidade, se a intervenção militar africana no conflito teve logo o seu início em 1914, a verdade é que aquela começou muito antes com a guerra anglo-boer e com a tentativa de partilha territorial portuguesa conluiada entre a Grã-Bretanha e a Prússia (Alemanha), pelo acordo secreto 1898; era a partilha dos territórios portugueses de Angola e Moçambique entre as duas potências (a quase totalidade de Angola e a zona moçambicana do Niassa iam para a Alemanha; enquanto o sul de Angola e todo o restante território moçambicano eram entregues aos ingleses). Esta pretensão revogada por inoperância de Portugal – na realidade este acordo visava emprestar a Portugal, por parte das duas potências, uma larga fatia de fundos e como a fazenda portuguesa estava exaurida e não parecia ter possibilidades de pagar, o reembolso seria através dos territórios afro-lusófonos – voltou às câmaras diplomáticas anglo-germânicas em 1913, só anulada pelo conflito iniciado a 4 de Agosto de 1914.

Militarmente, a primeira investida alemã da 1ªGG em território português ocorreu em Moçambique quando, na madrugada do dia 25 de Agosto de 1914, pouco depois de definida a atitude portuguesa no conflito europeu – na realidade uma atitude de não acolhimento às pretensões germânicas mas sem as hostilizar, e que teria o seu apogeu com Salazar e a sua neutralidade colaborante –, forças provenientes do «Tanganika» (Tanzânia), dirigidas por dois europeus, atacaram por surpresa o posto de Maziúa, sito na margem sul do Rovuma, saqueando-o e incendiando-o; do acto, ocorreram algumas foram mortes, nomeadamente, a do chefe do posto, enquanto outros dispersaram ou foram tornados prisioneiros.

Todavia, já em 1894 aconteceu, por parte dos germânicos, um ataque e anexação de parte de uma região moçambicana de Quionga, (um pequeno território de cerca de 3000 km2, na margem sul do rio Rovuma, junto à foz), sendo incorporada na colónia germânica do Tanganica. Foi devolvida com o armistício de 11 de Novembro de 1918.


Em Angola, no caso o que nos interessa, houve diversas escaramuças resultantes da vontade alemã de juntar o sul do território à «Deutsch-Südwestafrika» (Sudoeste Africano/Namíbia). Duas das principais escaramuças verificadas ocorreram logo no início do conflito, entre Outubro e Dezembro de 1914, com o massacre de Cuangar, Cunene (Outubro), e quando um corpo expedicionário germânico proveniente das terras áridas do Sudoeste africano, lideradas por um tal capitão Weiss atacou e desbaratou o corpo expedicionário português na Batalha de Naulila (18 de Dezembro) na margem sul do rio Cunene, em território angolano dos cuamatos e junto aos territórios dos cuanhamas; um pouco a sudoeste da confluência entre os rios Cunene e do seu afluente Caculevar. (...)" (continuar a ler aqui).

Publicado no semanário angolano Novo Jornal, “1º Caderno” ed. 333 de 13-Junho-2014, pág. 22) /transcritos no África Monitor e no PINN-Portuguese Independent News Network)

26 dezembro 2011

Acidentes em Angola, continua a nova guerra-civil…

Este cartune, hoje publicado no Jornal de Angola e que, com a devida vénia, retirei do seu portal, diz muito sobre o que os nossos compatriotas continuam a fazer à sua vida e à vida dos outros: não ligar nenhuma.

Recordo que já em 2010 (Março e Novembro) abordei esta matéria aqui e no portal noticioso Zwela Angola.

Quase dois anos passados e a situação continua a persistir sem que as autoridades pareçam não ter mãos para minorar este desiderato, mesmo aplicando mais multas, mesmo cercando os infractores com operações stop e com a obrigação de seguro.

Talvez que os nossos automobilistas, kupapatas (e motociclistas) e peões precisem das visitas de uns PIR à fatazana…

Até lá, parece-me que a actual guerra-civil, que está a custar muitas vidas e muito dinheiro ao Pais, não parará…

22 novembro 2008

UE e UA na mesma linha, a Paz… aonde?

(Só a Deutsche-Welle é que parece ver disto em África; os eurocratas não...; foto da RDW)

Segundo um artigo do matutino português Jornal de Notícias, a União Europeia (UE) e a União Africana (UA), de acordo com o secretário de Estado da Defesa francês, Jean-Marie Bockel, “lançaram (como, em petardos?) em Addis Abeba um novo programa de cooperação militar para reforçar a paz e a segurança em África

Ora aqui está algo que subscrevo na íntegra. Tanto a Europa como África o que precisam, nesta altura, é de reforçar a Paz e Seguranças em África. É que o Velho Mundo vendo o Continente que gerou a Humanidade em Paz e em Segurança, também terá o seu Continente em Paz e segurança e, nessa altura, já não haverá Abkázias, Chechénias, Ossétias, Geórgias ou escudos de mísseis anti-míssseis na Europa e arredores.

De facto, uma atitude brilhante de duas Organizações supranacionais onde as duas únicas coisas que diferem uma da outra são as duas Vogais. Quanto ao resto, a tuge é a mesma! (Ah!, para quem não saiba tuge é o mesmo que trampa ou a seu vernáculo afrancesado)

Quando vêm para a sede da UA fazer afirmações deste jaez só podem, indiscutivelmente, estarem a gozar com a chipala dos africanos.

O que pensar quando os órgãos informativos europeus abrem os seus noticiários internacionais com a crise militar e humanitária da RD Congo, com os ataques dos piratas nas águas próximas da Somália, a eternizada crise militar da Somália, ou, periodicamente, com os raptos e ataques ás zonas petrolíferas da Nigéria, ou com avocações, cada vez menos veladas, de Estados narco-Estados em África, já para não falar da recordação cada vez mais esbatida da ainda maior crise humanitária e militar africana que é o Darfur (será que Barroso e muchachos ainda se lembram do que isto é e por onde andaram?), ou a crise político-militar no Chade, entre outros pequenos factos como, por exemplo, a segurança periclitante que está na África Austral devido a um decrépito e autoritário ex-professor que se esqueceu do que foi ser Libertador, um tal senhor Mugabe, no Zimbabué.

Dizer que a UE e a UA estão a cooperar para a reforçar a Paz e Segurança em África, só mostra que os senhores europeus continuam a ver África, nos seus belíssimos escritórios sobranceiros e interessantes rios e mares, através dos Globos que uma qualquer empresa lhes ofereceu ou através dos magníficos documentários antropológicos de David ou Richard Attenborough para a mui britânica BBC.

Parem de gozar com a chipala dos africanos e respeitem-nos! Vejam as notícias e pensem em casos como o da criança de 12 anos, de nome Baraka, que ostenta a patente de general (in Diário de Notícias/Mundo, pág. 36) entre as milícias Patriotas da Resistência Congolesa (Pareco) ou Mai Mai que
apoiam e resguardam o exército(?) congolês e alguns dos seus aliados.

Dizer reforçar a Paz e Segurança em África seria óptimo se não fosse afronta aos milhões de refugiados que as pequenas crises e as vontades de pequenos ditadores criam!

Parem de gozar com a chipala dos africanos e respeitem-nos! Seremos simpáticos, provavelmente ingénuos em acreditar nas promessas Ocidentais e Chinesas de cooperação e boa-vontade, mas não continuaremos eternamente ignaros!

E quando a paciência esgotar…

06 novembro 2008

Quem quer incendiar a África Central?

(Kabila Jr., quem com ferros matou…)

Quando não é porque um qualquer tirano está afrente de um depauperado e aflito Pais e não quer sair por nada deste Mundo – nem do outro – e goza do apoio descarado de alguns “amigos”;
Quando não são umas quaisquer eleições, mesmo que hipoteticamente possam estar viciadas à partida, mas que sejam eleições e recebam o rótulo de democratas, correctas e justas;
Quando não é um presidente que cai em desgraça porque o partido que o sustentava mudou de “senhor” e este está sob vigilância judicial por razões que, só por si, seriam normais para que nem tivesse tomado posse como líder partidário, quanto mais obrigar o partido a derrubar” o seu anterior presidente e presidente do Pai;
Quando não é um qualquer barco de um grupo de ricaços europeus que, apesar de todos os avisos, gostam de sentir a adrenalina que já não conseguem obter na Europa e se aventuram pelas “impróprias” águas somalis à espera de um qualquer rapto e poderem dizer aos netos que foram salvos por uma qualquer secção de um qualquer exército especial do seu País;
Quando já todos estão calados e esquecidos de Darfur e dos crimes contra a Humanidade que ali se tem praticado;
Aparece sempre qualquer coisinha em África para relembrar que aquele é um Continente a manter incandescente porque há muito material bélico em stock para ser vendido e matérias-primas para explorar ao preço mais reduzido, mesmo que, para isso, se tenha de pôr vizinhos contra vizinhos, povos contra povos, provocar a morte de inocentes civis, ou, melhor ainda, criar milhares de refugiados para uns quantos poderem aparecer como salvadores humanitários e vociferarem contra o status quo do momento.
É isso o que se passa na República Democrática do Congo nas ricas regiões do Kivu.
Existe uma MONUC que nada faz, foge – repito FOGE – juntamente com o exército regular de Joseph Kabila Jr. e de xx (filho de Mobutu), as FARDC, face aos rebeldes tutis Banyamulengue, do Congresso Nacional para a Defesa do Povo (CNDP), do excomungado (sê-lo-á?) general Laurent Nkunda.
Aparece uma União Europeia, liderada por uma França e Reino Unido, muito aflita a pedir protecção aos refugiados e avisar que estamos perante uma nova catástrofe humanitária, mas esquecendo-se, como convém, que muito do material bélico ali presente tem por remetente os países europeus, nomeadamente aqueles dois bons samaritanos.
Não vemos a União Africana, cada vez mais decrépita e inerte – tal como outras organizações regionais e linguísticas – a exigir uma pronta intervenção, diplomática ou mesmo militar, dos países aliados para pôr fim aos problemas na região. Só se ouve as vozes críticas e preocupadas dos analistas políticos.
E, depois, constatamos que alguns países procuram conceber Conferências para a resolução do conflito, com a participação de outros países que nada têm de proximidade político-militar, nem diplomática, com a região, enquanto outros vão mantendo um silêncio discreto só cortado por declarações avulsas de possíveis intervenções de países terceiros no conflito na linha do que, já anteriormente, tinham feito.
E é assim que, um País que procura consolidar a sua Paz interna – esquece-se, ou parece fazer gala de o esquecer, o que se passa em Cabinda – e o desenvolvimento social e económico do seu Povo e um outro País que, só por acaso, tem a maior e mais gigantesca inflação do Mundo, um Povo à míngua, e um tirano que não quer largar o poder, se perfilam para intervir num conflito quase regional para darem uso ao seu volumoso armazém belígero e manterem ocupados os seus “funcionários” castrenses – os diamantes também se acabam...
Por onde é que, realmente, anda a União Africana e a sua vontade na resoluções de conflitos? Porque esperou tanto tempo para convocar uma Conferência em Nairobi?
Será que só aparecerá quando a África Central estiver totalmente em chamas? Esquecem-se que os históricos ventos da região são sempre inconstantes e que as chamas se podem propalar para as chanas e nharas ou savanas vizinhas descontroladamente?
Ou querem que apareçam os habituais “médicos” com as suas promessas de ajuda desde que, não esquecendo, comprem tudo aos países deles e forneçam as matérias-primas necessárias e carecidas a custos baixos, muito baixos.
Na região pode não haver petróleo, normalmente o produto associado a conflitos regionais, mas há, e com fartura, minérios – quase únicos e ali unicamente localizados – que são necessários para as novas tecnologias.
Antes quem dominava o Rimland, dominava o Heartland; e quem dominasse o Heartland dominaria o Mundo. Hoje, quem domina as matérias-primas para as chamadas novas tecnologias claramente pode dominar o Mundo, nem que, para isso, se tenha de fabricar portáteis/pochettes.
E, por isso a corrida é desenfreada sem que olhem aos meios utilizados para esse fim!
Mesmo que, para isso, seja necessário incendiar uma região. E, se for em África… como já estão habituados!

25 maio 2008

Esta é a África que africanos não querem!!

Relembra-se hoje mais um Dia de África!
Mais um Dia que alguns africanos fazem por tornar recordável pelas piores razões!
No Zimbabué o ainda presidente Mugabe “obriga” um avião da Air Zimbabwe a “despachar” os seus passageiros – pagantes – para ir fazer uma viagem até à China. Uns dizem que é uma viagem de negócios, outros que vai lá por razões de saúde. Por mim penso que vai perguntar aos chineses se desejam voluntários – começa a haver demais no Zimbabué por causa daqueles que não votaram nele e dos que, infelizmente, são obrigados a voltar devido ao xenofobismo sul-africano – para recuperar do desastre natural que foi o sismo de Sichuan – passe a ironia, que não têm a culpa e parece ter humanizado a nomenclatura chinesa – e agradecer os utensílios domésticos e de lavoura – armas, munições e diversos do navio An Yue Jiang – que a China parece ter conseguido fazer chegar ao Zimbabué de Mugabe!
No Sudão os interesses imperiais estão cada vez mais acintosos.
Norte-americanos e chineses disputam os terrenos sudaneses mais “fertéis” em petróleo por via de rebeldes do Darfur e tropas de Cartum e
Nem uns, nem outros respeitam ninguém.
Enquanto isso, o povo do Sudão vai vendo grupos armados assaltarem forças de Paz sob o olhar da AMI ou assistem à troca de armas que são vendidas por quem os deveria defender, as tropas da União Africana
Antes havia a disputa ideológico-imperial pelo Mundo entre norte-americanos e soviéticos. Agora vemos que essa disputa se tornou económico-imperial só que agora é entre os norte-americanos – os sobreviventes – e os chineses (na prática, estes sempre foram imperialistas apesar de o negarem em nome e sob a capada dos Não-Alinhados).
Entretanto, na Somália, no Chade, na República Democrática do Congo, na Nigéria, ou na África do Sul…
Ou, ditadores continuam no poder, enquanto outros são presos – e depois de circularem livremente na Europa – mas só quando já lá não estão ou quando os senhores do TPI lhes convém, e continuam ricos, cada vez mais ricos, enquanto a maioria dos seus povos estão pobres, cada vez mais pobres e esfomeados...
Assim não há Dia nem África que aguente!

24 março 2008

Nem todas as batalhas são para celebrar, mas para meditar

(Helicóptero russo capturado na batalha de Cuito Cuanavale e, mais tarde, usado pelas FALA (UNITA) - foto Notícias Lusófonas)
Celebrar batalhas em vésperas de eleições não me parece que seja pertinente, nem curial e muito menos inteligente.
O MPLA – leia-se um certo sector do MPLA que teme a perca de benefícios adquiridos – e os antigos aliados cubanos estão a comemorar os vinte anos da Batalha de Cuito Cuanavale (23 de Março de 1988) onde centenas de angolanos pereceram às ordens de interesses externos, pensando cada uma das partes angolana que defendia valores e ideais.
Nessa, como em outras batalhas que se seguiram, os ideais foram muitas vezes subjugados pelos interesses das duas superpotências e dos seus aliados.
Nessa como em outras batalhas que se seguiram, os valores foram aniquilados em favor dos interesses instituídos esquecendo-se as mais elevadas qualidades que devem nortear a condição humana, como se verificou com a exposição degradante do corpo do “Mais Velho” e como ele foi “traído” pelos seus aliados.
Por isso, não me parece que seja pertinente, em véspera de eleições celebrar um Batalha cujo alcance vitorioso ainda está longe de ser qualificado e quantificado, principalmente quando o interesse final era desalojar a Jamba, facto que não só não aconteceu como acabou por se sentir reforçado.
Compreende-se que os cubanos desejem essa celebração porque reflecte o espírito internacionalista que norteia o exército e o poder castrista.
Mas angolanos celebrarem uma Batalha onde irmãos se digladiaram até à morte para júbilo de outros que viram as suas armas serem testadas com sucesso é incompreensível ou então alguém quer boicotar, antes de o serem, as eleições.
Foi uma Batalha internacionalista entre cubanos, russos, eslavos, sul-africanos e facções angolanas.
Deixem que os cubanos e sul-africanos a celebrem e os angolanos a recordem – leia-se, a meditem – nos locais próprios. Não como celebração, mas como alerta para que não torne a acontecer uma Batalha como aquela em terra-pátria e muito menos entre irmãos.
Vinte anos ainda é muito pouco para se aquilatar da extensão da Batalha. Mas é ainda muito mais recente se considerarmos as eleições que se avizinham.

17 março 2008

Iraque, 5 anos depois está melhor…

(imagem daqui)

Passados 5 anos sobre a assinatura da sentença dos 3+1 sobre Saddam Hussein e quase 5 anos após a invasão, Dick Cheney, o ainda vice-presidente – está em minúsculas porque não merece mais – dos EUA, diz que o Iraque está muito melhor que o passado, dado que foi um esforço bem sucedido e as mudanças são fenomenais.
Não sabemos a que passado o senhor Dick Cheney se refere. Senão vejamos:
No passado ano, cerca de 87 jornalistas morreram no cumprimento do seu dever: informar, mesmo que isso incomode uns quantos, seja no Iraque, seja no Tibete, ou em outro sítio.
Mas, não há problemas, para o senhor Dick Cheney o Iraque está melhor, já que foi um esforço bem sucedido e as mudanças são fenomenais. E se ele o diz…
Até ao momento morreram cerca de 4000 soldados norte-americanos, além de 300 de outras nacionalidades, e umas dezenas de milhares estão feridos cuja gravidade não é quantificável.
Mas, não há problemas, para o senhor Dick Cheney o Iraque está melhor, já que foi um esforço bem sucedido e as mudanças são fenomenais. E se ele o diz…
Os EUA, a braços com uma das maiores crises financeiras desde a 2ª Guerra Mundial gasta, diariamente, uma enorme fortuna na manutenção do actual status quo do Iraque, quer em armamento, quer em vidas humanas perdias ou estropiadas, quer numa imagem deturpada que transmite aos árabes, em geral, e aos iraquianos, em particular.
Mas, não há problemas, para o senhor Dick Cheney o Iraque está melhor, já que foi um esforço bem sucedido e as mudanças são fenomenais. E se ele o diz…
Em cinco anos os EUA gastaram qualquer coisa como cerca de 500 mil milhões de dólares para manter a guerra no Iraque, algo como cinco vezes mais o valor dos prejuízos causados pelo furacão Katrina.
Mas, não há problemas, para o senhor Dick Cheney o Iraque está melhor, já que foi um esforço bem sucedido e as mudanças são fenomenais. E se ele o diz…
Um país que exporta entre 2,2 e 2,9 milhões de barris de petróleo/dia e terá a segunda ou mesmo a maior reserva de petróleo tem a sua população em inúmeras filas para compra do precioso suporte de vida dos automóveis: a gasolina.
Mas, não há problemas, para o senhor Dick Cheney o Iraque está melhor, já que foi um esforço bem sucedido e as mudanças são fenomenais. E se ele o diz…
Com a guerra, entre os confirmados 85.000 e os estimados cerca de 1.000.000 de iraquianos morreram vítimas da guerra e dos inúmeros diários atentados.
Mas, não há problemas, para o senhor Dick Cheney o Iraque está melhor, já que foi um esforço bem sucedido e as mudanças são fenomenais. E se ele o diz…
A população iraquiana está dividida – ao estilo muito britânico e norte-americano – entre xiitas, sunitas e curdos, com outras confissões religiosas a pedirem que ninguém dê por elas.
Mas, não há problemas, para o senhor Dick Cheney o Iraque está melhor, já que foi um esforço bem sucedido e as mudanças são fenomenais. E se ele o diz…
Se socialmente os iraquianos estão divididos, economicamente não estão melhores. Mais de 50% da população está no desemprego e abaixo do limiar da pobreza. Segundo a ONU, dos cerca de 27 milhões de iraquianos, quatro milhões lutam diariamente contra a fome e mais de dez milhões não têm água potável
Mas, não há problemas, para o senhor Dick Cheney o Iraque está melhor, já que foi um esforço bem sucedido e as mudanças são fenomenais. E se ele o diz…
O Ocidente, em geral, e os EUA, em particular, apesar dos iraquianos lhes estarem agradecidos por os livrarem de um assassino fanático e irascível, acham que 5 anos de ocupação já é demais e começam a estar cansados da presença de ímpios e estrangeiros.
Mas, não há problemas, para o senhor Dick Cheney o Iraque está melhor, já que foi um esforço bem sucedido e as mudanças são fenomenais. E se ele o diz…
Os candidatos à presidência norte-americana afirmam que o Iraque já custou muito dinheiro aos EUA e que tem de ser revista esta situação. Também um antigo Chefe militar norte-americano se demitiu por não concordar com a política que lá está a ser implementada.
Mas, não há problemas, dado que para o senhor Dick Cheney o Iraque está melhor, foi um esforço bem sucedido, as mudanças são fenomenais e porque ele em Novembro vai dizer adeus, quem vier que fique com o menino nas mãos.
Até lá vão morrer mais uns milhares de iraquianos em atentados, algumas dezenas largas de soldados norte-americanos serão mortos ou feridos, o Mundo continuará a ver atentados a interesses ocidentais nos seus países, mas o petróleo que corre desenfreadamente para valores incompreensíveis, nomeadamente para a Europa, dado que o dólar vale cada vez menos, vai continuar a jorrar para os fundos sem fundos de algumas empresas onde, por acaso, certos senhores da Administração Bush têm interesses.
Mas, quanto a isso não há problemas, nem para o senhor Dick Cheney, nem para o senhor Bush, nem para quem eles continuam a dar guarida, dado que o Iraque está melhor, foi um esforço bem sucedido e as mudanças são fenomenais. E se eles o dizem…
Também publicado n'Obs, edição 175, de 20-Março-2008 sob o título "Cinco anos depois, Iraque está melhor (?)"

17 outubro 2007

Curdistão, uma permanente bomba-relógio

(mapa daqui)

Fala-se muito, e bem, embora seja sempre pouco, do Tibete e como continua subjugado pelo regime chinês, das diferentes repúblicas ocupadas ou amordaçadas pelo regime moscovita – razão pela qual a jornalista Anna Politkovskaya morreu fez há dias um ano –, do País Basco, incrustado na Espanha e na França, mas fala-se muito pouco, ou nada, de uma região, que é uma Nação, o Curdistão.
Tudo porque está disseminado por vários países: Arménia, Azerbeijão, Iraque, Irão, Síria e… Turquia.
Se no Iraque já goza de uma certa autonomia e alguma certa Paz – é a principal região petrolífera do país e onde os americanos vão buscar algum do seu petróleo – tal como no Irão, apesar de ser uma vasta região, na Arménia, Azrbeijão ou na Síria são regiões pequenas e quase submissas. Ao contrário, na Turquia é a região mais virulenta do País. Por acaso um País que é reconhecido pelos massacres já efectuados e nunca condenados em local próprio – relembremos Arménia…
Por outro lado, tal como os iranianos, os curdos embora islâmicos não são árabes nem turcos!
E à custa disso, um islamita, embora indicando que o faz por pressão militar, quer colocar a região mais em ferro e fogo do que já está, fazendo aprovar no Parlamento turco uma proposta de “invasão” do Curdistão iraquiano sob a desculpa de perseguir elementos curdos do ilegalizado – e rotulado pela União Europeia como terroristas – PKK que combate o regime turco em prole da independência e reunificação do Curdistão – outros países, na região, também tiveram, em tempos, partidos e movimentos rotulados de terroristas, mais tarde considerados de libertação ou heróicos…
A questão real é esta. Será que são mesmo os turcos que desejam combater os curdos devido aos actos de terrorismo que praticam na Turquia? Se assim fosse bastaria que os combatessem eficazmente no seu País e exigissem, na ONU, que os protectores das outras regiões curdas os colocassem sob apertada vigilância. Mas não parece ser isso o que querem.
Das duas, uma: ou querem aumentar a sua área geográfica através de um forte impacto geoestratégico que nem iranianos nem sírios aceitarão de bom grado; ou há quem esteja por detrás desta crise com vista a obter mais e melhores rendimentos através da alta do crude como já se está a verificar com registos de preços como há muito não se viam,
Ou será que são as duas situações coligadas numa só?
É que tanto num possível aumento de influência turca na região como por detrás das principais companhias petrolíferas estão os mesmos patrões, um dos quais ainda é vice-presidente de uma superpotência…

ADENDA: este apontamento foi publicado na edição 084, de 23-Outubro-2007, d' , sob o título "A nação curdistã"

23 março 2007

RDC em ebulição, surpresa?

(Bemba que parece ter estado em Portugal há pouco tempo…)

Ataques e conflitos entre milícias e seguranças do antigo vice-presidente Jean-Pierre Bemba e o exército do presidente Joseph Kabila!
Surpresa? só para quem desconhece a realidade democrato-congolesa, tanto em termos políticos como demográficos.
Surpresa? Só, talvez, por tão tardia.
Infelizmente nada que já não tivesse sido previsto nestas páginas e em outros blogues como, por exemplo, o Escrita em Dia.
Alguém acreditaria que Jean-Pierre Bemba aceitaria, livre e caladamente, a manutenção de Kabila no poder alicerçado em “suportes” externos, principalmente quando alguns desses suportes já o tinham amparado no pré-processo e no pós-processo eleitoral e, também, na formação e modernização do Exército democrata-congolês?
Relembro que os partidários do antigo vice-presidente de Kabila, Bemba, tinham alertado para certas situações anómalas, na região noroeste, verificadas antes, durante e após as eleições. E, tal como em outras vezes, a comunidade internacional limitou-se a afirmar que “no geral” as eleições decorreram normalmente. É mais fácil esconder a cabeça na areia, como as avestruzes.
Porque em caso de ataque, podem sentir mas como não vêem…!
Por isso não surpreende esta situação.
Nem que Kabila, mesmo depois de Bemba ter solicitado, via rádio da ONU, que todos os militares e seguranças voltassem aos quartéis e locais de acantonamento, lhe tenha decretado ordem de prisão por “crimes de alta-traição à República”.
E para ajudar à confusão, Bemba refugiou-se na embaixada da África do Sul.
Surpresa?
Só para quem está esquecido que a fronteira entre a República Democrática do Congo (RDC) e os seus vizinhos dos Grandes Lagos, se mantém instável?
Surpresa?
Só para quem se esqueceu, ou não percebeu, os efeitos que a hipotética e já desmentida invasão angolana à RDC produziria, ou a eventual visita de uma delegação da República Popular da Coreia (Coreia do Norte) à RDC!?
Igualmente publicado no sob o título "A RD'Congo em plena ebulição, surpresa para quem? "

05 fevereiro 2007

Crianças-soldados, atirem a primeira pedra…

África, de uma maneira geral, mas também a América Latina e a Ásia, nomeadamente o Médio Oriente, são reconhecidos, justa, ou injustamente, não está isso aqui em discussão, de manter nas suas guerrilhas privadas e particulares crianças como mercadoria para todo o uso, nomeadamente, nas frentes de batalha: as célebres crianças-soldados.
Infelizmente, parece que o célebre ditado “quem não tem pecados atire a primeira pedra” aplica-se agora aqui.
Segundo um artigo do matutino português Correio da Manhã, o exército britânico terá mandado soldados com idades inferiores a 18 anos para o conflito do Iraque contrariando um acordo assumido com a ONU – um protocolo adicional à Convenção da ONU sobre os Direitos das Crianças, no qual se estabelece os 18 anos como idade mínima para o recrutamento compulsivo e a participação em acções de guerra. Segundo o ministro britânico da Defesa, Adam Ingram, “foram “inadvertidamente” enviados para o Iraque 11 rapazes e quatro raparigas de 17 anos”.
Faz o que eu digo, não faças o que eu faço…
,
ADENDA: Entretanto, e num oportuno alerta lido aqui, em Paris está a decorrer uma Conferência Internacional sobre esta problemática que tem tanto de estúpida como de injusta; não seria altura de se considerar a prática de utilização de crianças em actos de guerra como um Crime Contra a Humanidade? e levar os canalhas que fomentam este acto ao TPI?

09 janeiro 2007

Nova frente anti-terrorista ou um novo “Restaurar a Esperança”?

A aviação dos EUA, com a complacência e autorização – mal seria se não o fosse – do Governo provisório de transição da Somália, cujo presidente reentrou em Mogadíscio ontem, atacou dois locais (Ras Kamboni e Afmadow, no sul do país) onde se presume estejam acoitados os líderes da UTI e, entre eles, o mentor e organizador dos sangrentos atentados às embaixadas norte-americanas no Quénia e na Tanzânia, em 1998.
Nas costas somalis estão vários vasos de guerra norte-americanos, nomeadamente, um porta-aviões prontos para outras operações.
Espera-se que a sua presença não sirva para tentar um novo “Restaurar a Esperança”, de que tão mal saíram da primeira vez, mas para serenar os ânimos pós-entrada das forças etíopes que expulsaram os islamitas radicais da maior parte do país. Depois dos primeiros “aplausos” as forças etíopes têm sido atacadas e insultadas e as armas que o Governo provisório pediu aos somalis para que as entregasse livremente não o têm sido.
Os somalis não esquecem dois factos importantes: a crise de Ogaden e o facto dos etíopes serem cristãos e os somalis professarem o islamismo.
Por isso bom seria que as forças de manutenção da Paz chegassem depressa. O problema reside em quem irá para lá. Se forças intercontinentais ou somente africanas e destas quais estarão em condições de manter a Paz? Os sul-africanos como já se alvitrou? Ou a Uganda, que já se ofereceu? E os países limítrofes que também têm interesses hegemónicos aceitarão mais esse “aval” de tornar a África do Sul ou a Uganda em principais e únicos Estados-director africanos ou regionais?
São factos que devem ser bem ponderados de modo a não sossegar uma região e criar mais fricções em outras que, já de si, são um pouco problemáticas.

07 janeiro 2007

Mortos e feridos avancem para combate

Há umas décadas um governante português querendo abafar e calar a revolução que então se iniciava mandou avançar e em força para Angola tropas coloniais. Compreende-se, porque Angola era uma jóia da coroa e porque o político em questão tinha ideias autocráticas assentes num repressivo aparelho de Estado.
Agora que, décadas depois, George W. Bush um presidente de um país que tem sido considerado como o paladino da democracia, embora aquele pense que é o polícia do mundo, e a sua pandilha de incompetentes seguidores façam o Pentágono transmitir a notícia que segue, isso já é de bradar aos Céus.
Se não considerasse a notícia como verdadeira e credível até pensaria que estávamos perante outra anedota do bushismo.
O Exército dos EUA convidou militares mortos ou feridos no Iraque a realistar-se. Entre os 5100 oficiais contactados, há 200 feridos e 75 mortos. "Infelizmente, a base de dados usada para endereçar essas cartas continha nomes de oficiais mortos ou feridos em combate", reconheceu o Exército.
"Oficiais estão a contactar essas famílias para pedir pessoalmente desculpas", diz o Exército, que "lamenta a confusão" criada aos familiares. Situação que ilustra as dificuldades dos EUA em recrutar mais tropas, a poucos dias de o presidente George W. Bush anunciar uma nova estratégia para o Iraque, que deverá passar por um reforço dos actual contingente militar no terreno
O resto da notícia, publicada no Jornal de Notícias, podem lê-la acedendo á mesma.

27 dezembro 2006

Saddam vai ser executado já?

(foto daqui)
Esta foi, pelo menos, a indicação do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) iraquiano que não só confirmou a sentença do Alto Tribunal Penal que o “julgou e condenou” como deu 30 (trinta) dias para consumar a sentença, ou seja, ser enforcado.
Absurdo!!
Não defendo as atitudes de um ditado facínora nem do seu regime, mas todos têm direito a um julgamento justo e equilibrado e isso, segundo a Amnistia Internacional, os advogados do réu – a maioria estrangeiros, logo mais independentes, – e algumas organizações jurídicas acusaram o julgamento de ser tudo menos justo e equitativo.
Mas também o que se pode esperar quando:
- o STJ, sabendo que ainda existem vários processos para serem julgados decide a consumação da condenação num prazo de 30 dias “esquecendo” os outros inúmeros processos pendentes sobre Saddam Hussein;
- o primeiro-ministro iraquiano, por acaso e só por acaso xiita tal como os que levaram á condenação à morte do ditador, quer fazer cumprir a sentença até ao final do ano, esquecendo que ainda estão mais processos para serem julgados e que os muçulmanos vão entrar num dos períodos mais paradigmáticos do islamismo: o Eid El Adha, ou a festa do sacrifício;
- o xerife de Texas, reconhecido como presidente dos EUA, George W. Bush, aplaude a sentença do STJ, interferindo inequivocamente na justiça de um país estrangeiro, esperando que a mesma seja cumprida de imediato; esqueceu-se que estão mais processos jurídicos pendentes sobre o ditador.
Será que todos têm medo que Saddam decida, de uma vez, falar em Tribunal e diga tudo aquilo que alguns temem que ele fale?
Um sunita, por mais ditador e facínora que tenha sido, não conseguiria dominar a larga maioria xiita e combater um país xiita, como o Irão, se entre os xiitas não houvessem também colaboradores próximos de Saddam, logo algozes como ele.
E será isso o que muitos temem e, como eles, aqueles que, externamente, o apoiaram!!! Que ele, enfim, fale!
Entretanto, e enquanto isso, já morreram 2974 militares dos EUA – um número já superior ao das vítimas do 11 de Setembro – e ficaram feridos 22.401 soldados; isto só dos EUA. E dos outros? Será que a queda de Saddam, porque foi disto que se tratou e nada mais, justificou estas mortes e de milhares iraquianos e a quase completa “shatterização” do Iraque?
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ADENDA. Nem de propósito. O antigo chefe da diplomacia e, mais tarde, vice-primeiro-ministro, de Saddam, senhor Tarek Aziz, por acaso um cristão, quer testemunhar antes da execução do ditador, porque segundo ele terá informações importantes sobre a chacina dos curdos e que, por certo, irão «provocar um grande embaraço junto de muita gente no interior e no exterior». Será que os seus carcereiros - Aziz entregou-se aos norte-americanos em 2003 - e o Alto tribunal Penal deixarão que ele preste este testemunho?

25 dezembro 2006

O Dia da Família ainda não é para todos

(um triste hábito no Corno de África)
Infelizmente, os somalis que o digam.
Depois dos líderes da UTI ter declarado que estava em guerra com a Etiópia devido à alegada presença de tropas deste país ao lado do Governo provisório que os islamitas não reconhecem, agora é a Etiópia a confirmar, “pela primeira vez, que começou a tomar "medidas ofensivas" em regiões da Somália que circundam a cidade de Baidoa [sede do Governo provisório] para "tentar evitar" a infiltração de milicianos islâmicos somalis”; o aeroporto de Mogadiscio tem estado sob bombardeamentos etíopes.
É o Corno de África a continuar a nos alertar que, apesar do Dia Mundial da Paz estar próximo, este ainda é um dia e uma palavra vãs e sem sentido.

23 dezembro 2006

O Corno de África agita-se neste final de Novo Ano

O final do ano não se vislumbra atraente para o Corno de África.
Os islamitas somalis da União dos Tribunais Islâmicos (UTI) continuam a sua progressão diante das forças conjuntas dos Senhores da Guerra, legitimados pelos EUA e pela ONU/UA quando os obrigaram a constituir um Governo provisório com capital provisória em Baidoa.
Se há ou não desproporcionalidade militar entre os dois conjuntos, não o sei. Agora que parece que as forças islamitas – segundo os bastidores políticos norte-americanos apoiadas e apoiantes da Al Qaeda – estão melhor organizadas, quer política, quer social, quer militarmente disso não parecem restar dúvidas.
A prova está como célere e disciplinadamente chegaram às portas da capital do governo provisório onde, segundo rezam certas notícias, já se verificam combates entre os dois opositores militarizados embora, desta feita, e de acordo com os islamitas os senhores da Guerra têm a combater ao seu lado tropas etíopes; este facto levou a UTI a declarar guerra à Etiópia, como terá reafirmado o principal dirigente islamita, xeque Muhamad Ibrahim Suley.
É evidente que não descarto esta natural hipótese de tropas etíopes estarem a combater ao lado do Governo de Transição.
Dada a situação actual da Etiópia, o país seria alvo de inúmeras convulsões sociais caso se verificasse uma vitória completa dos islamitas da UTI, como preconiza um dos seus líderes, o radical xeque Hassan Dahir Aweys.
Senão vejamos:
A norte têm a Eritreia, islâmica e pouco satisfeita com os etíopes, ao ponto de se constar que estão militares eritreus a combater ao lado dos islamitas somalis. Não esquecer que a Etiópia ainda não “aceitou” ter ficado sem uma saída para o mar e o Djibouti não parece ser o caminho mais indicado. Relembremos que na terra dos Afars e Issas “pernoitam” os franceses;
A oeste o Sudão com as crises que se conhecem, entre elas e a principal, no Darfur, mas que se mantêm, e renovado, no Sul animista;
A sul está um Quénia que, por vezes, nos oferece cíclicas perturbações sociais devido à incisiva penetração dos islamitas radicais.
Ora, se a sudeste estiver um estado claramente islâmico onde a sharia está já aplicada nos locais dominados pela UTI, como poderia a Etiópia manter o actual estatuto de país-sede da União Africana, maioritariamente cristão, mas com uma comunidade islâmica superior a 30%.
Claramente, o Corno de África, importante check-point marítimo, vai ver acabar o ano numa agitação militar como há muito não se via, a que não poderemos dissociar a que, certamente, ocorrerá na vida social e política da região, com particular destaque para aqueles que navegam junto dela, para Norte, de caminho para o Médio Oriente e Europa, ou através dos seus estreitos para os países do centro e sul africanos.
E com isto, o Sudão conseguirá um pequeno intervalo junto da Comunidade Internacional com nefastas consequências para o mártir povo de Darfur.

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NOTA: Artigo publicado, na íntegra, no portal Image hosted by Photobucket.com sob o título "O Corno de África".

11 setembro 2006

Ground Zero, 11 de Setembro de 2001

Cinco anos se passaram desde que uma grande ignomínia fez desmoronar um mundo que conhecíamos.
E nestes cinco anos o que sobejou neste Mundo cada vez mais incrédulo, instável, dependente do terror e mais temente?
Diminuíram os actos de terror? Não! As pessoas estão mais calmas e seguras? Não!
Os Governos ditos ocidentais e cristãos aprenderam com os erros subsequentes? Não! Certos países islâmicos ou tendencialmente islamizados trabalharam melhor para impedir que o terror continue a subsistir ou que os seus países deixassem ser palco de acolhimento de radicais? Não!
Então o que temos?
Um Mundo onde os líderes continuam a insistir no já desgastado discurso de “o combate ao terrorismo é um desafio que exige uma grande mobilização de vontades” (Durão Barroso, presidente da Comissão europeia) ou que os “EUA estão mais seguros” e os “terroristas mais enfraquecidos” (Condoleeza Rice, secretária de Estado norte-americana);
a manutenção das guerras no Afeganistão – cuja a inicial e exacta justificação já perdeu há muito a validade, ou seja a detenção do líder do ataque, – ou no Iraque – quando um recente relatório do Senado norte-americano voltou pôr em causa outra das justificações que levaram à invasão deste país;
e porque continuam a estar a monte os líderes da principal organização fomentadora dos ataques e das suas ramificações?
ou porque bin Laden nunca terá sido “apanhado”? será que os residentes de Langley ou da Pennsivania av. não desejam que seja apanhado? o que poderia, caso capturado vivo, dizer a sua “obra” criada para eliminar os soviéticos no Afeganistão?
Entretanto, o Mundo continua a lembrar a maior infâmia que há memória, o 11 de Março e o 7 de Julho, esquecendo, por vezes, os atentados em Marrocos, na Indonésia, na Turquia, no Iraque, na Arábia Saudita, no Quénia ou no Iémen.

26 agosto 2006

África procura lentamente a sua Paz… militar

Photobucket - Video and Image Hosting

Após 18 anos de lutas intestinas, por vezes não só sem quartel como ao arredio de qualquer respeito pelos mais elementares Direitos Humanos, as autoridades ugandesas e o Exército de Resistência do Senhor (LRA) assinaram, hoje em Juba, no sul do Sudão e sob mediação das autoridades desta região sudanesa – não se entendem internamente, mas conseguem fazer entender os outros; haverá quem os entenda? –, um acordo de cessação das hostilidades, que já tinha tido o seu preâmbulo no início do mês quando o LRA decidira, unilateralmente, suspender todas as suas actividades militares.
Esperemos que não seja mais uma cessação como a que se tem verificado em outras partes do nosso Continente.
Em Cabinda, e apesar dos entendimentos havidos e assinados, parece que ainda se combate nas florestas do Maiombe entre forças que se dizem afectas à FLEC (qual?) e a Forças Armadas angolanas; no Darfur, apesar dos acordos de Abuja, as armas ainda se fazem ouvir; no delta nigeriano do Níger, pessoas continuam a ser raptadas e, ou, assassinadas por causa do petróleo; no Congo Democrático as armas soaram mais fortes que o resultado dos votos; no Burundi, que acaba de comemorar um ano de democracia, a Frente Nacional de Libertação (FNL) permanece activa no país, isto apesar de já ter iniciado o diálogo com o novo regime de Bujumbura; na Somália os islamitas e os senhores da guerra tentam capitalizar vitórias militares sem que as populações sejam chamadas a dar a sua opinião; e por causa da Somália, Etiópia e Eritreia degladiam-se – as pessoas e alguns diplomatas esqueceram-se que os etíopes nunca deixariam de procurar recuperar uma saída para o mar que perderam com a secessão dos eritreus –; na Costa do Marfim, governo e rebeldes ainda não se entendem.
Ou seja, apesar de haver pessoas de bem e bem intencionadas que querem conduzir o Continente para um período de Paz, mesmo que lentamente, há sempre quem esteja a torpedear essas boas intenções.
De facto, o Mundo está cheio de boas intenções. Mas, arre, não será altura, e de uma vez, pensarmos em de torpedear os “torpedores”?
Deixemos África procurar a sua Paz militar, mesmo que isso doa profundamente aos fazedores e mercadores de Guerras.
Deixemos que o Continente comece a ter razões para procurar, também a sua principal e mais importante Paz, aquela que pode tornar o Continente melhor e evite a fuga quer dos seus principais cérebros quer das sua populações que buscam melhores dias e melhores condições humanas: a Paz social.

25 agosto 2006

R.D.Congo,a luta continua…

Os confrontos entre as tropas[????] do presidente [Joseph Kabila, candidato da Aliança da Maioria Presidencial (AMP)] e do vice-presidente [Jean-Pierre Bemba] da República Democrática do Congo (RDC) provocaram 23 mortos e 43 feridos, anunciou, ontem, o ministro do Interior congolês, Théophile Fundu.
(…)"A Polícia pagou um grande tributo", afirmou Théophile Fundu, destacando que nos confrontos morreram 12 polícias.
O conflito só terminou após grande pressão da Comunidade Internacional, que levou os dois candidatos a assinarem, na passada terça-feira, um acordo de cessar-fogo
.”
Tropas dos candidatos??? mas não era suposto que isto era um escrutínio democrático entre personalidades democrático-congolesas e controladas pelas Nações Unidas naquela que está considerada como a maior participação civil e militar da ONU, no que toca à supervisão de eleições?
Ora então como é possível a existência de tropas “privadas” a apoiarem cada candidato? E como se deixou que um candidato e cerca de uma dezena e meia de diplomatas e conselheiros internacionais tenham sido sequestrados por forças estranhas ao acto eleitoral?
Desculpem a ingenuidade analítica…

21 abril 2006

Fim da crise militar no norte da Guiné-Bissau?

(© Foto de Jorge Neto; esta e outras a deliciar aqui)

Pelo menos é isso que informam os militares guineenses ao comunicarem que já expulsaram os rebeldes casamansenses do território Bissau-guineense.
Pois eu também sou muito ingénuo e acredito em tudo, nomeadamente, quando, apesar de não terem conseguido deter Salif Sadjo, o líder da facção mais radical do MFDC, e os senegaleses estarem, como estão, tão impávidos e serenos a verem o sangue guineense a ser derramado, que tudo se vai acalmar.
Como também acredito, por exemplo, que um actual Chefe de Estado-Maior guineense, a quem o actual presidente deu ordem de prisão, tortura, castração e indigência, esteja totalmente com o seu presidente; o mesmo militar que ameaçou prender deputados que acusou de apoiarem os rebeldes; ou que os balantas e os fulas, entre outros, não continuarão apoiar os seus irmãos de Casamança; e também que um Governo de Unidade Nacional, como proposto Bacai Sanhá, seja possível no actual quadro político nacional.
E já agora… alguém sabe por onde anda Kumba Yalá e Francisco Fadul?
Também, antigamente e nomeadamente no império romano, os triunviratos…

29 março 2006

O ciclo da Somália: a seca

© seca na Somália” Foto@EPA/Thomas Mukoya/sapo.pt
Um rapaz somali bebe água numa lagoa feita pelo homem em Bur Dhuxunle, uma aldeia a sul da Somália, 370 km a oeste de Mogadisho.
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Um dos grandes flagelos do corno de África volta a atacar e em força: a seca.
Somália, um país – que ainda persiste como tal porque as NU ainda o consideram assim – do Corno de África onde a população continua a sobreviver – sabe-se lá como – sem que se vislumbre um meio humanitário – a honrosa excepção chama-se CICV – que ponha fim aos absurdos apetites dos senhores da guerra apesar destes, ciclicamente, assinarem, entre si e sob complacência da Comunidade Internacional, protocolos e acordos de paz e (re)unificação.Desde a Invasão da Somaria na operação “Restaurar a Esperança”, levada a efeito – e perdida – pelos EUA, entre 1992/94 – com uma passagem da ONU (Unosom) pelo meio –, que o país nunca mais se segurou.
Até quando?