
(Soldados marroquinos na 1ª Guerra Mundial)


Este cartune, hoje publicado no Jornal de Angola e que, com a devida vénia, retirei do seu portal, diz muito sobre o que os nossos compatriotas continuam a fazer à sua vida e à vida dos outros: não ligar nenhuma.
Recordo que já em 2010 (Março e Novembro) abordei esta matéria aqui e no portal noticioso Zwela Angola.
Quase dois anos passados e a situação continua a persistir sem que as autoridades pareçam não ter mãos para minorar este desiderato, mesmo aplicando mais multas, mesmo cercando os infractores com operações stop e com a obrigação de seguro.
Talvez que os nossos automobilistas, kupapatas (e motociclistas) e peões precisem das visitas de uns PIR à fatazana…
Até lá, parece-me que a actual guerra-civil, que está a custar muitas vidas e muito dinheiro ao Pais, não parará…
(Kabila Jr., quem com ferros matou…)
Relembra-se hoje mais um Dia de África!
(Helicóptero russo capturado na batalha de Cuito Cuanavale e, mais tarde, usado pelas FALA (UNITA) - foto Notícias Lusófonas)
(imagem daqui)
(mapa daqui)
(Bemba que parece ter estado em Portugal há pouco tempo…)
África, de uma maneira geral, mas também a América Latina e a Ásia, nomeadamente o Médio Oriente, são reconhecidos, justa, ou injustamente, não está isso aqui em discussão, de manter nas suas guerrilhas privadas e particulares crianças como mercadoria para todo o uso, nomeadamente, nas frentes de batalha: as célebres crianças-soldados.
A aviação dos EUA, com a complacência e autorização – mal seria se não o fosse – do Governo provisório de transição da Somália, cujo presidente reentrou em Mogadíscio ontem, atacou dois locais (Ras Kamboni e Afmadow, no sul do país) onde se presume estejam acoitados os líderes da UTI e, entre eles, o mentor e organizador dos sangrentos atentados às embaixadas norte-americanas no Quénia e na Tanzânia, em 1998.
(foto daqui)
O final do ano não se vislumbra atraente para o Corno de África.
Os islamitas somalis da União dos Tribunais Islâmicos (UTI) continuam a sua progressão diante das forças conjuntas dos Senhores da Guerra, legitimados pelos EUA e pela ONU/UA quando os obrigaram a constituir um Governo provisório com capital provisória em Baidoa.
Se há ou não desproporcionalidade militar entre os dois conjuntos, não o sei. Agora que parece que as forças islamitas – segundo os bastidores políticos norte-americanos apoiadas e apoiantes da Al Qaeda – estão melhor organizadas, quer política, quer social, quer militarmente disso não parecem restar dúvidas.
A prova está como célere e disciplinadamente chegaram às portas da capital do governo provisório onde, segundo rezam certas notícias, já se verificam combates entre os dois opositores militarizados embora, desta feita, e de acordo com os islamitas os senhores da Guerra têm a combater ao seu lado tropas etíopes; este facto levou a UTI a declarar guerra à Etiópia, como terá reafirmado o principal dirigente islamita, xeque Muhamad Ibrahim Suley.
É evidente que não descarto esta natural hipótese de tropas etíopes estarem a combater ao lado do Governo de Transição.
Dada a situação actual da Etiópia, o país seria alvo de inúmeras convulsões sociais caso se verificasse uma vitória completa dos islamitas da UTI, como preconiza um dos seus líderes, o radical xeque Hassan Dahir Aweys.
Senão vejamos:
A norte têm a Eritreia, islâmica e pouco satisfeita com os etíopes, ao ponto de se constar que estão militares eritreus a combater ao lado dos islamitas somalis. Não esquecer que a Etiópia ainda não “aceitou” ter ficado sem uma saída para o mar e o Djibouti não parece ser o caminho mais indicado. Relembremos que na terra dos Afars e Issas “pernoitam” os franceses;
A oeste o Sudão com as crises que se conhecem, entre elas e a principal, no Darfur, mas que se mantêm, e renovado, no Sul animista;
A sul está um Quénia que, por vezes, nos oferece cíclicas perturbações sociais devido à incisiva penetração dos islamitas radicais.
Ora, se a sudeste estiver um estado claramente islâmico onde a sharia está já aplicada nos locais dominados pela UTI, como poderia a Etiópia manter o actual estatuto de país-sede da União Africana, maioritariamente cristão, mas com uma comunidade islâmica superior a 30%.
Claramente, o Corno de África, importante check-point marítimo, vai ver acabar o ano numa agitação militar como há muito não se via, a que não poderemos dissociar a que, certamente, ocorrerá na vida social e política da região, com particular destaque para aqueles que navegam junto dela, para Norte, de caminho para o Médio Oriente e Europa, ou através dos seus estreitos para os países do centro e sul africanos.
E com isto, o Sudão conseguirá um pequeno intervalo junto da Comunidade Internacional com nefastas consequências para o mártir povo de Darfur.
“Os confrontos entre as tropas[????] do presidente [Joseph Kabila, candidato da Aliança da Maioria Presidencial (AMP)] e do vice-presidente [Jean-Pierre Bemba] da República Democrática do Congo (RDC) provocaram 23 mortos e 43 feridos, anunciou, ontem, o ministro do Interior congolês, Théophile Fundu.
(© Foto de Jorge Neto; esta e outras a deliciar aqui)
© “seca na Somália” Foto@EPA/Thomas Mukoya/sapo.pt