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07 março 2009

Nas vésperas de visita do Papa a Angola…

(imagem O Apostolado)

Em vésperas da visita de Sua Santidade, o Papa Bento XVI, a Angola e Camarões, naquela que, parece, é a sua primeira visita ao continente africano, é lamentável que notícias como as que tão, profusamente, temos estado a ouvir, televisionar e ler, sobre o problema de uma criança que abortou, sejam notícias e pelas piores razões.

Na concepção de certos eclesiásticos um aborto – queria acreditar que o Vaticano por muito que condenasse a IVG não iria se pronunciar, no caso concreto, mas parece que estava enganado – de uma criança estuprada por um familiar, quase directo, é mais grave e sujeito à excomunhão do que a violação.

Segundo parece,
para o Vaticano, e de acordo com o cardeal Giovanni Battista Re, da Congregação para os Bispos, os fetos (seriam gémeos) geradas no acto da violação teriam "o direito de viver" e por isso é crime o aborto que os médicos – também eles excomungados – lhe fizeram; ou seja, é mais grave o aborto, mesmo que para defesa da vida da criança violada, do que a violação perpetrada pelo padrasto.

Mãe, médicos e criança foram excomungadas. O padrasto, o violador, NÃO!!!!!

E depois queixem-se que há cada vez menos pessoas a enveredarem por estes ínvios e insondáveis caminhos da Igreja…

06 fevereiro 2007

Nem pelo SIM nem pelo NÃO…

… mas pela Liberdade e Consciência de cada um e de cada uma.
Portugal vai a referendo sobre a chamada Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG), mais comummente reconhecido por “aborto”.
A pergunta a referendo “concorda com a despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?”, é, por extensão da mesma, absurda como tem sido apanágio nas ainda poucas perguntas referendadas em Portugal.
Acreditam os parlamentares portugueses que a formularam que os eleitores a vão ler no dia do referendo? Será que duvidam que mais de 50% – e para não dizer, a quase totalidade – dos eleitores não a conhece e que quando for colocar a “X” irá sob o espectro do SIM ou NÃO à aprovação do aborto que, realmente, não é o que está em questão mas, tão-só, a despenalização da mulher que o praticar, livremente, até a uma determinada data?
Será que todos os que andam em campanha já se dignaram a explicar realmente o que está em questão?
Quero crer que não! Das poucas – assumo, muitíssimas poucas – vezes que ouvi os tempos de antenas uns defendem, porque SIM, outros recusam-na, porque NÃO. Nem porque Sim, nem porque Não! Só SIM, porque a mulher é livre, é dona do seu corpo, porque será um nascimento desejado, etc., ou NÃO, porque já é uma pessoa, ou porque é um crime perante Deus – só se entende porque a Igreja (Católica ou da Reforma, ambas criticam-no, embora uma se cale porque a outra fala demais) só reconhece a religiosidade de uma pessoa, em plenitude, quando baptizada –, ou… etc., etc., etc.!
Mas nenhum fala dos perigos físicos e psicológicos em que uma mulher se entrega quando pratica o “aborto clandestino” e, ou, efectuado sem as mínimas condições técnicas e higiénicas, dos ganhos que algumas clínicas auferem com os IVG fora de Portugal.
Uns querem o SIM outros o NÃO. E estes que defendem o Não já param para pensar que a IVG já é uma realidade jurídica em Portugal, embora sob determinadas circunstâncias? Até hoje só ouvi uma pessoa do Não defender claramente o Não em qualquer eventualidade. Não haverá, apesar de alguns tentarem, através de testemunhos pessoais justificá-lo, um certo (im)pudor dos que defendem o Não?
E agora, quando o escrutínio se aproxima, é que uns quantos decidiram, apesar de defenderem o NÃO, que a mulher não deve ser criminalizada por praticar, livremente e sem, à partida, quaisquer condicionalismo, o aborto.
Mas é isso mesmo o que a pergunta coloca: se deve ser ou não despenalizada; ou seja, para os que entendem menos bem o português, se deve ser ou não culpabilizada.
Por isso, é que me faz certa dúvida a pouca coragem dos parlamentares portugueses em assumirem o seu voto de consciência na Casa de todos os eleitores, o Parlamento, e obrigarem os eleitores a pagarem, através dos seus impostos, um referendo que, tudo parece indicar, será mais um “fiasco” ao ponto de já haver quem vaticine que poderá ser o último a ser realizado em Portugal. Como os entendo! Embora, no futuro, pudesse haver situações que deveriam ser referendadas e não o serão, como por exemplo a adopção da “Constituição Europeia” ou a construção megalómana do aeroporto da Ota, etc.
Estive até há pouco tempo sem saber se haveria de votar ou não.
Uma notícia do Angonotícias, sobre o aborto clandestino em Angola, tirou-me todas as dúvidas. Pensando nas minhas compatriotas que o praticam clandestinamente em Angola, vou votar.
Se SIM ou NÃO é um acto da minha exclusiva Consciência e, até provas em contrário, o voto – em Democracia, aquele que é colocado dobrado em urnas – é secreto.
Mas, não gostaria que por causa de um voto meu, uma mulher – apesar de não concordar com o poder leonino que a pergunta lhe confere – pudesse ser presa.
Este blogue, que não o autor, não é pelo Sim nem pelo Não, mas pela liberdade de cada pessoa actuar segundo a sua plena e livre consciência!

25 dezembro 2006

Fazer filhos é um dos únicos crimes impunes no Mundo

"Fazer filhos é um dos únicos crimes impunes no Mundo", terá afirmado um apresentador francês, acrescentando que em África "as pessoas copulam de qualquer maneira".
Será que os pais do autor desta imbecil, inopinada e estúpida frase também foram condenados por terem dado à luz um obtuso destes?
Da terra da Liberdade, Igualdade e Fraternidade também saiem abortos como estes; talvez por isso que haja quem defenda tanto a Interrupção Voluntária da Gravidez, vulgo aborto.