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24 março 2009

Os órfãos que o Vaticano parece não querer saber…

(imagem Google)

Num seminário hoje ocorrido em Lisboa, sob o patrocínio da Assembleia da República portuguesa e da Associação de Parlamentares Europeus para África (AWEPA), foi anunciado que cerca de 14 milhões de crianças – Moçambique, África do Sul, Suazilândia e Malawi, serão os países mais afectados – estão órfãos devido a um problema “menor” chamado HIV/SIDA.

Quando se defende que o uso do preservativo – vulgo, camisinha – não só não resolve o problema (isso é indesmentível) como o seu uso agrava o problema (inconcebível como se pode pensar assim) o Vaticano – que não as missões espalhadas por África ou em
certos sectores eclesiásticos – continua a querer não se preocupar, realmente, com a saúde dos povos.

Compreende-se que os dogmas religiosos, nomeadamente os católicos, sejam contra a uma eventual “proliferação descontrolada” do sexo; mas o Vaticano e os seus líderes não podem esquecer que a multifacetada cultura dos povos, em particular, os africanos, não se ajustam a regras e convicções tão caras a um certo Ocidente – que nem este mesmo os cumpre – principalmente quando, como no caso de África, a poligamia e o “culto” do sexo estão ainda muito interiorizado e institucionalizados, mesmo entre as elites.

É certo que o preservativo não resolve um problema que até nem terá começado – parece que não começou mesmo – em África. Não resolve, mas ajuda a minorar a proliferação da pandemia e ajuda a que muitas crianças não tenham de crescer sem um pai ou uma mãe ou sem ambos.

E é bom que todos comecem a se consciencializar que o HIV/SIDA não desaparece só porque se coloca um ramo de cebolas à porta ou comer
batata africana, alho, beterraba, azeite e outros produtos naturais em vez de anti-retrovirais, como também não se pode desprezá-lo só porque alguém, inconscientemente, terá afirmado que a camisinha não só não resolve como agrava o problema…

17 março 2009

Papa já está nos Camarões

(imagem Google)


O Sumo Pontífice, Bento XVI chegou a Yaoundé, capital dos Camarões, onde sob forte segurança fez as primeiras declarações em terras de África.

Lamentável que o líder do Vaticano e dos Católicos esteja tão mal assessorado pelo seu ministro das Relações Exteriores que não lhe explicou que os Camarões é um país essencialmente francófono, como comprova o lema “Paix – Travail – Patrie” e não anglófono, apesar de ser também uma das línguas oficiais, pelo que não se entende que tenha proferido a sua homilia só em inglês esquecendo-se do francês.

Só espero que quando chegar a Angola não fale francês ou… espanhol (com tantos professores cubanos em Angola – os outros parecem esquecer que Angola está receptivo a professores portugueses e brasileiros – ainda se vai enganar...).

Papa de visita a África

Bento XVI inicia hoje um périplo por África, mais especificamente por Camarões e Angola.

Durante três dias estará em Yaoundé e na sexta-feira chegará a Luanda onde ficará até dia 23 de Março (ver aqui o programa da visita aos dois países).

Ou seja, o chefe máximo da Igreja Católica, limitar-se-á a ficar pelas capitais dos respectivos países.

No que toca aos Camarões não sei qual a real actual situação do País e se nada justifica uma sua visita a outras partes do Estado camaronês. Já quanto a Angola, o Sumo Pontífice, apesar de ser uma visita a convite do Presidente Eduardo dos Santos, vai recordar os 527 anos da evangelização de Angola e o facto de, também, Angola ter sido o primeiro país subsaariano a ser evangelizado.

Ora se o assunto principal é a celebração da evangelização porque é que o Papa só fica por Luanda e não se desloca a Mbanza Congo, a capital do Reino do Congo, cidade onde se iniciou a evangelização do território que deu Angola.

Tal como não vai ao Santuário da Nª. Senhora da Muxima nem ao da Senhora do Monte, no Lubango. E já nem falo a outras partes do País.

Parece que continua a haver quem ache que Angola é só Luanda e o resto é só beleza paisagística e faunística ou coutadas de minas…

Porque só saindo das capitais o Papa Bento XVI poderá fazer jus à visita papal: “Abraçar África nas suas Mil Diferenças”.

07 março 2009

Nas vésperas de visita do Papa a Angola…

(imagem O Apostolado)

Em vésperas da visita de Sua Santidade, o Papa Bento XVI, a Angola e Camarões, naquela que, parece, é a sua primeira visita ao continente africano, é lamentável que notícias como as que tão, profusamente, temos estado a ouvir, televisionar e ler, sobre o problema de uma criança que abortou, sejam notícias e pelas piores razões.

Na concepção de certos eclesiásticos um aborto – queria acreditar que o Vaticano por muito que condenasse a IVG não iria se pronunciar, no caso concreto, mas parece que estava enganado – de uma criança estuprada por um familiar, quase directo, é mais grave e sujeito à excomunhão do que a violação.

Segundo parece,
para o Vaticano, e de acordo com o cardeal Giovanni Battista Re, da Congregação para os Bispos, os fetos (seriam gémeos) geradas no acto da violação teriam "o direito de viver" e por isso é crime o aborto que os médicos – também eles excomungados – lhe fizeram; ou seja, é mais grave o aborto, mesmo que para defesa da vida da criança violada, do que a violação perpetrada pelo padrasto.

Mãe, médicos e criança foram excomungadas. O padrasto, o violador, NÃO!!!!!

E depois queixem-se que há cada vez menos pessoas a enveredarem por estes ínvios e insondáveis caminhos da Igreja…

29 agosto 2007

Ota, Alcochete, Portela + 1 e... Fátima?

Já não bastava a ciranda que está a ser a localização do novo aeroporto internacional de Lisboa (se é de Lisboa como aparece fora dela ou do seu distrito) eis que surge mais uma hipótese: Fátima!!!
Sobre isto um artigo de opinião meu hoje publicado na coluna de opinião do Notícias Lusófonas, sob o título "Ota ou Fátima?".

"Quando o Governo ainda não descartou Ota, apesar do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) já ter dado Alcochete como possível alternativa, quando ainda há a possibilidade de estudo de Portela + 1, eis que surge para a mesma região da Ota – quase uma em cima da outra, passe a imagem – a peregrina ideia de se criar um aeroporto em Fátima, aproveitando ao aeródromo já existente, o de Giesteira, só para voos religiosos do Vaticano e da sua companhia de “low cost”.
Tal como já faz para Lourdes e
para outros lugares Santos, os responsáveis aeronáuticos da Santa Sé querem fazer voos directos para Fátima.
Mas então Ota também não estava prevista como aeroporto para fazer face aos desafios de Lisboa e do Centro-oeste onde se insere Fátima?
Será por isso que o Instituto Nacional de Aviação Civil (INAC) já veio alertar que… Cuidado! porque, como escreve o Diário Notícias, “
até ao momento não existe qualquer processo em curso para certificação da pista da Giesteira como aeródromo e que o seu uso para aeronaves comerciais "seria abusivo e sujeito às contravenções da lei para estes casos"”.
Alguém não está, ou se esqueceu, de falar com as pessoas certas.
Ou será que Ota já caiu mesmo e no Governo ninguém tem coragem de assumir a derrota e dar, religiosa e peregrinamente, a outra face? Quem se ri é quem, sempre que pode, se põe em bicos de pés para dizer “ganda nóia, eu é que tinha razão…
Uma coisa é certa, os empresários locais já estão a tratar do assunto e o PDM de Fátima prevê a “ampliação de 1600 metros para 1750” metros da pista, com vista a receber futuros voos internacionais.
"