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30 dezembro 2016

A hipocrisia diplomática tem limites...

As relações entre estados são caracterizadas por actos que são realizados entre os seus representantes, mas sustentadas em instrumentos próprios que institucionalizam essas relações, onde as pessoas que os levam a efeito são meros elos de uma cadeia contínua e sustentada.

Ou seja, as relações são entre Estados e não entre pessoas. Até aqui, tudo natural, não fosse que gere os Estados pessoas "susceptíveis" nas relações pessoais.


E dito isto, é de uma hipocrisia total que nossos representantes critiquem (ainda que, oficialmente, possam nunca ter expresso verbal ou não críticas às alterações governativas na cidade de Niemeyer) o certo é que órgãos oficiosos (imprensa e partido) o fizeram e não forma nada meigos, nomeadamente, com o Presidente substituto e o “seu” novo Governo, e, depois, esperem que Brasília mantenha o seu estatuto de actor privilegiado nas suas relações connosco, pressionando estes a retomarem a linha de crédito que tinham connosco.

Por isso não seria de esperar outra coisa que uma retaliação diplomática de Brasília na suspensão de créditos, nomeadamente, os que eram sustentados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a contas com as investigações sobre esquemas de corrupção a diversas personalidades brasileiras com ligações externas, onde, entre os visados, está a construtora Odebrecht. Esta foi a desculpa necessária e caída do céu para o reforço da retaliação.

Compreendo a posição do ministro Chikoty, principalmente depois posição de Israel, transmitidas pelas absurda, quanto inopinada, atitude do seu diplomata em Luanda, tudo porque Angola apoiou a Resolução 2334 que critica os colonatos judeus na Cisjordãnia, (ainda que esta tomada de posição de Telavive não tenha sido, formalmente, anunciada a Luanda).

Face a estas considerações, é bom que alguns dos nossos diplomatas e jornalistas compreendam que a hipocrisia nas relações diplomáticas - mesmo quando habitual nesta área - tem limites...

20 novembro 2013

Ensaio «Angola, potência...» à venda no Brasil

Hoje, via email e através do meu amigo ensaísta e sociólogo Wagner 
Woelke, tive conhecimento que o meu ensaio, fruto da minha Dissertação para o Doutoramento, «Angola, Potência Regional em Emergência», da Editora Colibri, está a ser vendido no Brasil através da Livraria Cultura.

Os meus amigos brasileiros e outros interessados que desejem obter a referida obra, e isto vem ao encontro daqueles que me têm enviado pedidos de esclarecimento de como a poderiam obter, podem aceder ao portal da Livraria Cultura através de:

http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=29036262&sid=014424124151120294464105460

Sei, igualmente, que a obra pode ser obtida através de pagamentos faseados conforme pode ver no referido portal.

26 julho 2013

Do Crescente Verde à esperança Papal

"Nos últimos anos, a cena internacional tem estado a ser varrida, literalmente, por revoltas, manifestações mais ou menos espontâneas e mais ou menos virulentas, trocas de regimes e, de certa forma, de sistemas político-económicos.

Foram as revoltas árabes e islamitas no cinturão asiático e norte africano, primeiro com a deposição de gerôncios autocratas (da Tunísia ao Egipto) e, mais tarde, com a depreciação da esperança nas mexidas políticas registadas e que se estendem à Síria e à Turquia, reforçada, recentemente, no Egipto, com manifesta repercussão nos Estados vizinhos.

É um recrudescer da importância política e económica do Crescente Verde! Política, económica e religiosa, não esquecendo, neste caso o problema que opõe islamitas radicais a islamitas moderados e a cristãos coptas.

Se as manifestações e revoltas árabes e turcas são importantes e causam efeitos secundários, não menos importantes, nas relações políticas e económicas com alguns dos seus parceiros, em particular, nos mercados euro-asiáticos, também não menos importante foram as manifestações que se registaram em Brasil, primeiro por ocasião da Taça das Confederações e, agora, com a visita Papal. E que poderá se prolongar ao próximo Mundial de Futebol e aos Jogos Olímpicos…

Manifestações que ultrapassam as meras reivindicações meramente económicas, principalmente, ou políticas. São primordialmente reivindicações sociais por melhores condições económicas e transparência política.


Para os brasileiros mais que gastar-se dinheiro que faz falta à educação, à saúde, ao saneamento básico – e não é só os brasileiros que se podem queixar destes fenómenos irregulares, basta olharmos um pouco mais perto – há que saber como gastar e onde gastar. (...)" (pode continuar a ler aqui ou aqui)


Publicado no semanário Novo Jornal, ed. 288, de 26/Jul./2013, "Primeiro Caderno", pág.21.

09 abril 2013

“Moi” na Revista Militar de Janeiro 2013


Publicação conjunta de um texto elaborado por mim e pelo Doutor Major Luís M. Brás Bernardino sobre a ZOPACAS e a Comissão do Golfo da Guiné, na Revista Militar, edição 2532, de Janeiro de 2013, pp. 43 a 61: “AComissão do Golfo da Guiné e a Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul:Organizações interzonais para a persecução da segurança marítima na BaciaMeridional Atlântica”.

Posteriormente, esta matéria está publicada no portal da RevistaMilitar


07 abril 2013

Angola e Brasil, Vizinhos Atlânticos: o meu tema


Conferência Vizinhos Atlânticos: Angola & Brasil
(organizado pelo Observatório Político, 5 de Abril de 2013)

A minha intervenção centrou-se no tema: Angola, a (não plena) integração regional e a SADC

Um pequeno resumo do tema que será, oportunamente e na íntegra, publicado pelos organizadores:

Resumo
O objectivo principal deste texto visa contribuir para a discussão sobre a perspectiva que Angola tem na formação da área económica no Atlântico Sul, em geral, e da SADC, em particular, tendo como eixo de análise as relações entre Angola e os seus principais parceiros austrais de África, desde a independência angolana até à actualidade, com vista a uma efectiva cooperação regional, ou falta dela.
Palavras-chave: SADC, Angola, Integração regional.

Abstract
The main objective of this paper is to contribute to the discussion about the prospect that Angola has in shaping the economic area in the South Atlantic in general and SADC in particular, with its central analytical relations between Angola and its main partners of Southern Africa, since Angola's independence to the present, with a view to effective regional cooperation, or lack thereof.
Keywords: SADC, Angola, Regional Integration.

15 fevereiro 2013

Brasil-Angola dois vizinhos do lago Atlântico

"“O Brasil tem um débito de solidariedade com África” assim afirmava Lula da Silva em recente entrevista à revista “This is Africa” do jornal Financial Times e citado pela revista Brasil-Angola Magazine. Na mesma entrevista Lula acrescentava que acreditava que a “cooperação Sul-Sul nos obriga, em primeiro lugar, a melhorar o funcionamento das instituições multilaterais e, num segundo momento, a construir novas instituições que permitam uma maior igualdade entre os cooperadores”.

Ora é isso que as relações angola-Brasil estão cultivando, aliado ao facto do parceiro da margem esquerda ser uma das maiores potências económicas da actualidade, tendo já deixado o epíteto de emergente para ser um efectivo símbolo da moderna economia global.

Actualmente, o Brasil é a 5ª ou 6ª economia mundial com um PIB que ultrapassa os 2,5 mil milhões de dólares norte-americanos, só suplantado pela França (ou já talvez não), Alemanha, Japão, EUA e China (sendo que esta ultrapassou os EUA no final do último trimestre de 2012).

Note-se que os vizinhos da direita, nomeadamente aqueles que se perfilam com as potências regionais da SADC, estão em 29º, a África do Sul, e Angola, a 3ª economia de África, atrás de África do Sul e da Nigéria – mas fora do G20 –, como a economia mais emergente dos próximos 3 anos (segundo dados recentes, da “Economist Intelligence”, em 2016, Angola deverá ultrapassar a África do Sul como a potência económica de África).

Mas para que isso aconteça é necessários que alguns factores sejam corrigidos, nomeadamente, a redistribuição da renda nacional que continua a ser periclitante ou mesmo, em alguns casos, nula, e uma administração política geroncrata que necessita de ser alterada e modernizada visando o princípio da ética republicana num Estado de Direito.

E é aqui que as palavras de Lula da Silva se tornam factores de desenvolvimento de integração política e económica regional visando tornar o Atlântico não num meio de separação, um obstáculo, mas num veículo de união entre as duas margens.

Um grande Lago oceânico por onde se disseminou a cultura africana pelo continente sul-americano. Cerca de 50% da população brasileira tem raízes em África; e isso vê-se nos cultos religiosos de ascendência africana. (...)" (continuar a ler aqui ou aqui)

Publicado no semanário Novo Jornal, edição 265, (1.º Caderno), de hoje.

06 dezembro 2012

Adeus Óscar Niemeyer!


(da Internet)

O Mundo, o Brasil e, principalmente, Brasília vêem desaparecer fisicamente um dos maiores arquitectos do Mundo: Óscar Niemeyer, fundador da capital federal brasileira, quando estava a bater os 105 anos.

Ao Brasil, e aos brasileiros as minhas condolências. Felizmente, e esperemos por muitas décadas, fica a sua monumental obra!

20 outubro 2011

Dilma em Angola, bem vinda senhora Presidente!

(foto Sapo.ao)

A actual líder do primeiro país a reconhecer Angola, como Estado independente, está em Luanda para uma visita oficial que também inclui uma conversa com Eduardo dos Santos.

Senhora Presidente (lamento mas no meu dicionário epistemológico não existe a palavra Presidenta), Dilma Rousseff, seja bem vinda à terra-mãe da maioria dos brasileiros!

Sobre Dilma e a Lusofonia recomendo a releitura do apontamento (Dilma e África) do final do ano passado e que contempla um texto da autoria do jornalista brasileiro Rildo Ferreira

03 setembro 2011

XV Bienal do Rio celebra três escritores de origem angolana.

A 15ª Bienal do Livro do Rio de Janeiro, começou ontem e vai prolongar-se até dia 11. Este ano, que homenageia a cultura e a realidade brasileira conta com a presença de 150 escritores brasileiros e 23 estrangeiros, entre os quais, como convidados especiais, os autores angolanos Pepetela e Ondjaki e o luso-angolano Gonçalo M. Tavares*.

Os escritores convidados, anunciou a organização, têm todos livros editados no mercado brasileiro e vão representar os autores contemporâneos de língua portuguesa fora do Brasil.

Embora os três, Pepetela, Ondjaki e Gonçalo M. Tavares, só façam intervenções no domingo, dia 4 de Setembro, cada um deles é uma referência da programação cultural, conhecida como “Café Literário”. Vai haver conversas intimistas entre os autores e o público seguido de sessões de autógrafos.

De registar que no Café Literário haverão 38 sessões de debates e conversas informais entre escritores e leitores. Por sua vez no debate “Mulher e Ponto”, autoras de livros que retratam variados temas de interesse feminino conversarão e trocarão ideias em 16 sessões.

Ao meio-dia de domingo, Ondjaki participa, ao lado da brasileira Andrea del Fuego, da mesa-redonda que discute a presença da magia na ficção.

Posteriormente, Gonçalo M. Tavares participa no debate “o autor: entre a busca da expressão justa e a aventura da metáfora” juntamente com o belga Michel Laub e a chilena Carola Saavedra, radicada no Brasil.

Pepetela foi o escolhido para falar sobre questões de África e suas relações com o Brasil na palestra intitulada “África-Brasil: transas literárias, transes existenciais”, o autor vai debater com o compositor e escritor Nei Lopes as influências da cultura negra na literatura brasileira.

Com um investimento total de 10,7 milhões de dólares e a expectativa de atrair 600 mil visitantes, a feira é considerada o maior evento editorial brasileiro ao ponto dos organizadores considerarem que o “Brasil passa por um óptimo momento no cenário internacional, tanto económica, como culturalmente” pelo que esta “Bienal tem tudo para ser a melhor de todas”.

Entre os convidados deverá estar a presidente Dilma Rousseff onde irá também participar numa das mesas de debates, para falar sobre “A relação da mulher com o livro”.

A homenagem ao Brasil literário marca praticamente toda a actividade da feira, que conta com uma série de acções para discutir a realidade plumitiva do país. Estão ainda agendados, dois encontros com escritores que criaram sapiências sobre o passado do Brasil, como Laurentino Gomes e Isabel Lustosa, que prometem promover debates “nada convencionais” acerca das relações históricas com Portugal.

Participam ainda, como convidados especiais, as escritoras norte-americanas Deborah Harkness, autora do livro juvenil "A Descoberta das Bruxas", Hilary Duff, também cantora com cerca de 20 milhões de cópias, e que vai apresentar o livro de ficção e suspense “Elixir”, e Anne Rice, que possui o mérito por ter humanizado o clássico personagem de vampiro na obra "Entrevista com o Vampiro".

Prevê-se que durante os dez dias da bienal sejam lançados cerca de mil títulos, com a expectativa de venda em torno de 2,5 milhões de exemplares.

*Os autores lusófonos:

“Pepetela”, nascido em Benguela em 1941, é o reconhecido pseudónimo do escritor e nacionalista angolano Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos, laureado com o prémio Camões (1997) pelo conjunto da sua vasta obra literária.

Já Ondjaki, poeta e prosador luandense, onde nasceu em 1977 sob o nome Ndalu de Almeida, foi laureado com vários prémios literários como: Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco (2007), Grinzane, Etiópia, pelo melhor escritor africano de 2008 e o Prémio Jabuti, Brasil, (2010) na categoria Juvenil. Este prémio é considerado como um dos mais importantes prémios literários brasileiros atribuído em 21 categorias

Gonçalo M. Tavares, escritor da nova vaga literária portuguesa, nascido em 1970, em Luanda, Angola, tem várias obras que mereceram, entre outros, os seguintes prémios literários: Prémio José Saramago (2005), LER/Millennium BCP (2004), Grande Prémio de Conto da Associação Portuguesa de Escritores "Camilo Castelo Branco" (2007), Branquinho da Fonseca/Fundação Calouste Gulbenkain, Prémio Revelação APE, Prémio Melhor narrativa Ficcional da Sociedade Portuguesa de Autores (2010), Grande prémio Romance e Novela da Associação Portuguesa de Autores (2011), Prémio Portugal Telecom (Brasil, 2007), Internazionale Trieste (Itália, 2008), Belgrado Poesia (Sérvia, 2009), Prix du Meilleur Livre Étranger (França, 2010) e Grand Prix Littéraire du Web Culture (França, 2010).

Fontes Jornal de Angola, Jornal do Rio e Wikipédia

Publicado no Notícias Lusófonas secção "Cultura" de ontem (http://www.noticiaslusofonas.com/view.php?load=arcview&article=29416&catogory=Cultura)

31 dezembro 2010

Dilma e África

O segundo texto de Rildo Ferreira sobre Dilma Rousseff e as relações com África, texto escrito em Novembro passado:
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Política externa de Dilma é a continuidade do presidente LULA

Por Rildo Ferreira [Rio de Janeiro, Brasil]

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No programa de governo que o Partido dos Trabalhadores (PT) registrou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a política externa a ser implementada pela presidenta eleita Dilma Rousseff é a continuidade do programa do atual presidente Luis Inácio LULA da Silva. No item titulado “Presença do Brasil no mundo” o programa ressalta valores “como o multilateralismo, a paz, o respeito aos Direitos Humanos, a democratização das relações internacionais e a solidariedade com os países pobres e em desenvolvimento” (PT).

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Chama a atenção no programa a afirmativa de “fortalecimento da unidade latino-americana, às relações com África, à reforma das Nações Unidas e dos organismos multilaterais, e à construção de uma ordem econômica internacional mais justa e democrática”. Sob o governo do presidente LULA países africanos já foram beneficiados com o perdão de dívidas históricas[1] e o próprio presidente LULA defende que os países desenvolvidos perdoem todas as dívidas dos países africanos. Além disso, o Brasil tem dado aos países luso-africanos especial atenção e colaboração na transferência de tecnologias[2].

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Segundo o programa de governo, Dilma Rousseff “empenhar-se-á na conclusão da Rodada de Doha, que favoreça os países pobres e em desenvolvimento e, no âmbito do G-20, na reforma já iniciada do FMI e do Banco Mundial, contribuindo para a aplicação de políticas anticíclicas que permitam a retomada do crescimento e, sobretudo, o combate ao desemprego no mundo” (PT).
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Em artigo publicado do jornal britânico “Financial Times”, o presidente LULA disse que ao deixar o cargo de presidente da República Federativa do Brasil pretende “concentrar minha atenção sobre as iniciativas em benefício dos países da América Latina, Caribe e do continente africano” e que o “Brasil tem muita experiência que pode compartilhar. Nós não podemos ser uma ilha de prosperidade cercada por um mar de pobreza e injustiça social”.

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LULA, entretanto, tem afirmado categoricamente que não participará do governo da presidenta eleita, mas esta deixou claro que sempre que for necessário baterá à sua porta. Espera-se que a política externa e as relações de solidariedade com os povos africanos continuem a ser emblemáticas no futuro governo. O Brasil pode e deve colaborar muito mais com os países africanos, sobretudo porque o presidente LULA deverá criar uma Fundação para estabelecer políticas de combate a miséria e de desenvolvimento da pessoa humana nos países em desenvolvimento.

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Notas:

[1] O Brasil perdoou uma dívida de U$ 315 milhões de Moçambique em 2004; Cabo Verde foi beneficiado com o perdão de U$ 3,5 bilhões este ano.

[2] o Brasil estabeleceu relações de cooperação na área de agricultura através da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) e o governo da Guiné Bissau este ano. E o O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) firmou uma parceria com a Direção Geral de Recursos Hídricos (DGRH) de Guiné-Bissau, com o objetivo de avaliar os dados de uso e ocupação do solo, disponibilidade e demandas de água e outros temas ambientais, socioeconômicos e de recursos hídricos subterrâneos de interesse.

Em reunião com representantes de 45 países africanos e 39 Ministros daquela região, além de Timor Leste, na qualidade de observador, bem como organismos multilaterais regionais e entidades da sociedade civil do Brasil e dos países africanos, o presidente LULA realizou, no Itamaraty, durante os dias 10 a 12 de maio corrente, o “Diálogo Brasil-África sobre Segurança Alimentar, Combate à Fome e Desenvolvimento Rural” onde propiciou-se propiciou uma discussão de temas e de propostas de cooperação entre o Brasil e a África no campo da agricultura e segurança alimentar.

Adeus Lula bem-vinda Dilma!

Brasil, no primeiro dia do ano de 2011 vai ver mudar de inquilino no Palácio do Planalto.

Depois de 2 mandatos consecutivos, Luís Inácio “Lula da Silva deixa, naturalmente, o seu assento presidencial e transmite-o a Dilma Rousseff, vencedora das eleições presidenciais de Novembro de 2010, sua “natural sucessora” dentro do PT, com cerca de 56% dos votos contra os cerca de 44% obtidos por José Serra, do PSDB.


Para este facto solicitei ao jornalista e bloguista Rildo Ferreira uma opinião sobre a nova presidente (e não presidenta como gosta de se intitular porque em português todos os verbos que definam “acção”, como presidir, por exemplo, derivam em particípios activos com os sufixos “ante”,”ente” ou “inte”; logo, presidir dá presidente!) bem assim como se posicionará face a África.


Ficam aqui, pois, os dois textos de Rildo Ferreira!

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Descendente de Búlgaros é eleita a primeira mulher presidenta da República Federativa do Brasil

Por Rildo Ferreira [Rio de Janeiro, Brasil]


Filha de Pedro Rousseff e da carioca(1) Dilma Jane, Dilma Rousseff nasceu em Belo Horizonte (MG) no dia 14 de dezembro de 1947. Na juventude, a vida da nova presidenta do Brasil ficou marcada pela militância contra a ditadura atuando no movimento estudantil, e chegou a ser presa e torturada.


Em 1973, deixa a prisão e se muda para Porto Alegre, capital do Estado do Rio Grande do Sul, onde estava preso o marido Carlos Araújo, também militante contra a ditadura.


Cursou Economia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e, no Rio Grande do Sul, ajuda na fundação do Partido Democrático Trabalhista (PDT). Em 1986, foi secretária de Fazenda da prefeitura de Porto Alegre e secretária estadual de Minas, Energia e Comunicações do Estado gaúcho. Em 2000, filiou-se ao Partido dos Trabalhadores (PT), legenda que lhe garantiu o direito de concorrer e ser eleita a primeira presidenta da República Federativa do Brasil com 56,05% dos votos válidos (55.744.942 votos).


O atual presidente Luis Inácio LULA da Silva a conheceu por intermédio do então governador do Rio Grande do Sul Olívio Dutra (PT-RS) e ficou impressionado como a secretária de Minas, Energia e Comunicação daquele Estado driblou o apagão energético ocorrido em 2001, durante o governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso, garantindo aos gaúchos energia suficiente para não se submeter ao racionamento proposto pelo governo federal.


O Presidente LULA a convidou para assumir o Ministério de Minas e Energia da União com um orçamento de R$ 20 bilhões. Em seguida, assumiu a chefia da Casa Civil e um orçamento anual de R$ 540 bilhões e a responsabilidade de conduzir o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) com obras importantes de infra estrutura, recuperação da indústria naval e o maior programa de habitação já realizado no país. Em março deste ano, coube a Dilma Rousseff anunciar o PAC-2, um conjunto de projetos para os próximos quatro anos e um orçamento de R$ 1 trilhão, recursos que serão garantidos com a descoberta de uma grande reserva de Petróleo na camada do préssal.


Para chegar à condição de primeira presidenta do Brasil, Dilma Rousseff superou preconceitos:


- porque era mulher e chegou a ser questionada pela oposição se teria condições de dar conta aos problemas que o país tenta superar.

- porque em 2009 teve que se submeter a uma cirurgia para a retirada de um tumor na axila direita. O tratamento quimioterápico a levou a perder pelos obrigando-a a usar uma peruca por um longo período. Então a oposição questiona a saúde da candidata Dilma Rousseff, mesmo tendo a equipe médica divulgado um laudo conclusivo dizendo que Dilma estava “livre de qualquer evidência de linfoma”.

- porque é filha de Búlgaros. A oposição usou do expediente mais odioso e usou a manipulação para tentar fraudar a vontade do eleitorado. Numa montagem profissional falseou uma reportagem húngara para afirmar que Dilma não tinha naturalidade brasileira.

- por ter lutado contra a ditadura a imprensa brasileira, de voto declarado na oposição, falseia uma ficha policial dos tempos da ditadura para afirmar que a candidata petista tinha sido uma guerrilheira com relações amiúdes com o narcotráfico e com as FARC, Força Armada Revolucionária da Colômbia.

- porque declarou que era contra a criminalização do aborto, embora não aprovasse o ato abortivo, a oposição se valeu da afirmação da candidata para instigar o ódio e o preconceito religioso. A esposa do candidato da oposição, dona Monica Serra, chegou a afirmar em via pública que Dilma era “a favor de matar criancinhas”.


Mas nem tudo foram pedras no caminho da candidata petista. Seu principal cabo eleitoral foi o presidente LULA que tem a aprovação popular com índices que superam os 80 pontos em todas as pesquisas realizadas. O bom momento econômico que o país vive também foi decisivo. As pessoas querem a continuidade do que está dando certo.


Sob o governo do presidente LULA, 28 milhões de pessoas deixaram a extrema pobreza, graças ao maior programa de distribuição de renda já realizado no país: o Bolsa-Família. O programa oferece uma ajuda em dinheiro para as famílias com renda per-capita de R$ 90. Os beneficiários tem a obrigação de levar crianças menores de 7 anos regularmente para o atendimento médico e obrigando aos que tiverem idade a freqüentarem a escola com presença de, no mínimo, de 75% do ano letivo.


Outros 32 milhões de pessoas passaram a ocupar a classe média brasileira. O consumo interno aumentou; facilitou-se o crédito para os mais pobres e o que é mais importante: criou-se cerca de 15 milhões de novos empregos com carteira assinada. O programa Luz para todos levou energia elétrica para o campo beneficiando cerca de 3 milhões de pequenos agricultores. O desmatamento da Amazônia reduziu de 47 milhões de hectares ano, para cerca de 17 milhões de hectares ano. Está em andamento o maior programa habitacional já implementado pelo governo federal: o programa Minha Casa, Minha Vida. Neste programa, o governo federal garante 23 mil reais para a compra da casa própria para quem ganha até 3 salários mínimos.


O presidente LULA que jamais negou ter sido escolarizado com apenas 4 anos de estudo foi o presidente que mais investiu na educação dos brasileiros e brasileiras. Foram 14 universidades construídas e muitos outros campus avançados. Até o final do ano serão 214 escolas técnicas em todo o país. O Programa Universidade Para Todos (ProUni) garante a todos e todas o acesso ao ensino universitário quando o pretendente não consegue vaga nas universidade públicas e já beneficiou 700 mil estudantes. Neste caso, o governo garante bolsas de estudos de 50% do valor da mensalidade, ou Integral, de acordo com a renda familiar, para que o aluno possa estudar numa universidade privada.


Tudo isso foi determinante para que a maioria da população tivesse o desejo de continuidade de um governo popular e democrático. José Serra (PSDB-SP), o oponente de Dilma Rousseff, embora dissesse garantir a continuidade dos programas do governo LULA, seus principais assessores declaravam mudanças na economia e nos programas sociais. A própria dona Monica Serra, esposa do candidato da oposição, chamou o Bolsa Família de bolsa-esmola. Seus aliados diziam que o Bolsa Família criava vagabundos e, portanto, deveria ser extinto. O partido aliado do candidato tucano, o DEM, que indicou o candidato a vice presidente na chapa, entrou no Supremo Tribunal Federal (STF) com um pedido de inconstitucionalidade do Programa Universidade Para Todos.


Essas ações conjugadas com declarações contundentes deixavam dúvidas sobre o compromisso do candidato da oposição em manter os programas sociais implantados pelo presidente LULA.


A 31 de outubro, 106.593.365(2) foram às urnas e deram à Dilma Rousseff 55.744.942 votos (56,05%) contra 43.707.036 votos (43,95%) do candidato José Serra. Às 20 horas e 17 minutos, o ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Ricardo Lewandowsky anunciou que matematicamente Dilma Rousseff estava eleita presidenta do Brasil.


A eleição transcorreu normalmente e foram poucas as urnas eletrônicas a serem substituídas. Cada eleitor demorou aproximadamente 30 segundos na seção eleitoral para votar no seu candidato. 686 urnas eletrônicas tiveram de ser substituídas em todo o país até por volta das 10h30 (horário de Brasília), o que representa 0,171% das urnas do país.


Como comparação, em todo o dia de votações no primeiro turno, no último dia 3, 2.244 urnas tiveram de ser substituídas por problemas técnicos, o equivalente a 0,56 por cento dos equipamentos de todo o país.


Foram registradas, ainda, 34 ocorrências de crime eleitoral neste domingo, sendo que 13 delas resultaram em prisões, de acordo com o boletim do TSE (Reuters).


Petistas e simpatizantes da candidatura Dilma foram às ruas com bandeiras e buzinas para comemorar a eleição da primeira mulher presidenta do Brasil. Com este advento, o Brasil se torna uma das maiores democracias do mundo. Em seu primeiro discurso como presidenta, Dilma disse que vai honrar todas as mulheres brasileiras; que conversará com todos os brasileiros e brasileiras; que governará com responsabilidade e justiça: Não podemos descansar enquanto houver brasileiros com fome, enquanto houver famílias morando nas ruas, enquanto crianças pobres estiverem abandonadas à própria sorte. A erradicação da miséria nos próximos anos é, assim, uma meta que assumo, mas para a qual peço humildemente o apoio de todos que possam ajudar o país no trabalho de superar esse abismo que ainda nos separa de ser uma nação desenvolvida.” Disse.


Na primeira viagem depois de eleita, Dilma estava previsto acompanhar o presidente LULA numa viagem à Coreia do Sul para o encontro do G20 em Seul com passagem por Maputo, em Moçambique, na África, onde LULA vai conhecer o local onde será instalada uma fábrica de medicamentos antirretrovirais, para tratamento da AIDS, a ser administrada pela Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz) (3).


Notas:

1 Termo atribuído aos nascidos no Estado do Rio de Janeiro.

2 Dados de 99,98% das urnas apuradas. A apuração não tinha sido totalizada no fechamento do artigo.

3 O texto foi escrito ainda em inícios de Novembro.

11 março 2010

"Generation Y" versos "Stupid Words"…

(imagem Globo)
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Numa entrevista exclusiva de Lula à agência noticiosa Associated Press, em que foi instado a comentar a greve de fome iniciada por mais cinco dissidentes cubanos, Lula respondeu: "A greve de fome não pode ser usada como pretexto de direitos humanos para libertar as pessoas. Imagine se todos os criminosos presos em São Paulo entrassem em greve de fome e pedissem a liberdade." (in: matutino português Correio da Manhã).

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Acredito, – quero acreditar – que isto foi uma má recepção/tradução da AP… se não mal, muito mal, está o Povo Brasileiro quando um seu Presidente, que foi considerado um lutador das Liberdades dissesse tal enormidade perante pessoas que têm como vontade máxima poderem estar viver em Liberdade!

Generation Y” – Um blogue de Cuba pela Liberdade de Cuba, de Yolanda Sanchez
Stupid Words – cada um que tire as conclusões…

22 novembro 2009

Mundial de Futebol de Praia 2009

(imagem do Mundialito de Futebol de Praia ocorrido, em tempos, em Portimão, Portugal; imagem daqui)

Está decorrer até hoje, em Dubai, EAU, o Mundial de Futebol de Praia (ou futebol de areia).

Até ao momento ainda não sei quem é o vencedor que sairá da final que oporá Brasil à estreante Suíça. Em princípio e fora alguma surpresa – basta recordar a
final no Mundial dos sub-17 realizado na Nigéria – o Brasil deverá arrecadar a medalha de ouro e, por consequência, o título Mundial.

Só sei que para o terceiro lugar Portugal bateu o Uruguai, com quem tinha perdido na primeira fase, por 14-7 arrecadando, uma vez mais, a medalha de bronze (acabado de ser televisto na Eurosport2).

Não consegui saber quem foram – se foram – os países que representaram o continente africano. Pelo menos na arbitragem África esteve representada porque num dos encontros que televisionei estava presente um árbitro nigeriano.

O que pergunto é por onde anda Angola ou Moçambique, países com muito boas condições para apresentarem excelentes selecções com muito bons jogadores.

Recordemos como em Angola havia tantos “brinca-na-areia” um dos quais, Dinis (na
Mini-Copa de 1972 os locutores radiofónicos brasileiros, que relatavam os jogos, tanto vezes afirmaram que tinha nascido em… Bengala), esteve em destaque no sorteio – diga-se muito bem apresentado na TPA (nem sempre tem que ser tudo mal) – do CAN "Orange-Angola 2010".

De certeza que se a FAF
decidir apostar no futebol de praia – até porque ouvi dizer que está na calha para ser modalidade olímpica, se já não é – de certeza que poderemos mostrar ao Mundo uma boa selecção.

Têm a palavra Justino Fernandes e a FAF porque ainda vamos a tempo!

Crónica de João Craveirinha: A origem do espírito brasileiro “anti-português”

Mais uma interessante análise de João Craveirinha desta feita sobre algum certo "anti-português" de uma certa sociedade brasileira que o mesmo tem verificado durante a sua estadia em Terras de Vera Cruz.

Dialogando por João Craveirinha
(escrito em P.M. - português de Moçambique)

Crónicas dos (27) Brasís – I (série)
Breves incursões diacrónicas (passado ao presente).
Subsídios para compreender o Brasil e os brasileiros.

A origem do espírito brasileiro “anti-português”
“E quem nos fez assim (antes de tudo quanto tem de particular a nossa vida) foi a própria Europa. “ (in Pombo, Rocha (1925). História do Brasil, pp.279).

Grosso modo, até que ponto se poderá inferir que no Brasil possa existir um sentimento de repúdio ou desprezo a tudo que se relacione com Portugal, incluindo a África onde se fala português? Até que ponto está entranhado no imaginário colectivo brasileiro contemporâneo esse sentimento?

Essa verificação ad hoc poderá ser consubstanciada in loco no Brasil, sobretudo entre as camadas urbanizadas e quanto mais ditas eruditas, se acentuaria esse fenómeno. Obviamente haverá sempre excepções à regra. Mas no fundo ou na génese do tema tratar-se-ia de ressentimentos e recalcamentos em relação à antiga metrópole colonial paulatinamente (re)construídos a partir do século XVII (1600/1699) e teríamos de analisar... “até que ponto esta aversão foi alimentada pelos próprios intelectuais brasileiros (incluído Machado) que, no empenho de se distanciarem da metrópole (colonial portuguesa) viraram críticos azedos de tudo o que acontecia na Península (Ibérica) e renegaram da origem, tentando ganhar uma identidade própria. Não sei qual teria sido a atitude dos brasileiros se D. João VI (rei de Portugal, início séc. XIX) tivesse sido derrotado por Napoleão. Será que teriam gostado de serem cidadãos franceses?”...(depoimento de uma professora latino-americana sobre este tema).

Essa aversão vem ressurgindo em força no novo Brasil pretendente a um lugar entre as super-potências mundiais (?!). A confirmar-se (esse espírito brasileiro) inferir-se-ia que esse sentimento brasileiro “anti-português” se encontra parado no espaço e tempo. Não teria havido o necessário exorcismo dos fantasmas diacrónicos do Brasil desde 7 de Setembro de 1822 (187 anos de independência passados, em 2009).

Por outro lado, as tradicionais piadas (chistes) de mau-gosto no Brasil inferiorizando as capacidades mentais dos portugueses reflectem uma forma de complexo das avoengas lusitanas nos genes desse brasileiro remetendo para uma espécie de complexo colonial a necessitar de esclarecimento lúcido ou de uma catarsis. (Actualmente há um processo contrário em Portugal de piadas para inferiorizarem brasileiros que chegam à Europa quer como emigrantes quer como turistas - é o reverso da medalha da piada do “matuto”- simplório. Este processo inverso teve início após a entrada de Portugal na União Europeia em 1986. É de se dizer “tal pai, tal filho”).

Rocha Pombo

Uma possível análise desse fenómeno brasileiro
Para tal socorremo-nos do ilustre historiador brasileiro, José Francisco da Rocha Pombo, mais conhecido por Rocha Pombo (n. Paraná, 4 de Dezembro de 1857, f. Rio de Janeiro em 26 de Junho de 1933). Ora nas páginas do seu livro de História do Brasil (1925) volume II, no capítulo IX intitulado “O Regime Colonial”, na pp. 73 vemos inserido o “Capítulo IX – Síntese das causas que atuaram na diferenciação do nosso espírito nacional.”pp. 278. Eis um resumo dessas causas em cinco pontos:
I - O Brasil colónia portuguesa ter ficado entregue aos colonos portugueses que a geriam de acordo às suas vontades e necessidades sendo motivo de orgulho “e de entusiasmo pela (nova) pátria; e ao mesmo tempo feridos de ressentimentos e queixas amargas contra a côrte;” (em Lisboa).
II - A convicção que os interesses da colónia e do reino de Portugal não se combinarem.
III - A enorme distância geográfica a afastar Portugal na Europa, e o Brasil na América do Sul.
IV - “O encontro” do europeu, ameríndio e do africano, originando uma “fusão” genético-cultural que teriam de ser “resolvidas” no Brasil. (Nem sempre pacífica diga-se. O itálico é nosso).
V - Um espírito colonial de conquista do interior (sertão), a partir de um esforço próprio considerado heróico pelos colonos na manutenção e defesa de um património que sempre defenderam (como seu) assim como o enriquecimento com as minas (mentalidade de novos-ricos). O “bandeirante e o mineiro” expressariam as derradeiras acções do período colonial no esforço de erigir uma nação (o Brasil). O século XIX (1800/1899) deixaria um travo amargo nos colonos portugueses de (...)“profundo ressentimento, uma desconfiança irredutível”(...)” em viva antipatia e repulsa por tudo que de lá nos vinha”(...). E do “antagonismo entre filhos da terra” (Brasil) “e filhos do reino” (Portugal). Passaria essa aversão para o próprio país e às suas instituições mais emblemáticas, acrescentaria Rocha Pombo (em 1925). O “desprendimento” a tudo relacionado com Portugal (mãe-pátria) seria a motivação para os (luso) brasileiros estarem por sua conta e risco.

É paradigmática esta “aversão” a tudo que vinha do reino de Portugal nas suas colónias por parte de seus descendentes, quer na América do sul (Brasil), em África, Ásia ou Oceânia (Timor).

Maranhão

Flash back (diacronia)
Segundo crónicas do séc. XVII, em 22 de Novembro de 1652, parte de Lisboa o padre António Vieira integrante de um grupo de outros missionários (Jesuítas) acompanhados por dois capitães-mor chegariam ao Maranhão (S. Luiz), situado entre o Pará do Belém na parte norte do Brasil e do nordeste Piauí (Teresina), Bahia (Salvador), e a sul, Tocantins-Palmas (Goiás). Esses oficiais traziam ordens expressas do Reino para “corrigir os excessos praticados pelos moradores” - colonos portugueses e outros europeus (?!) contra os ameríndios (guaranis) que eram brutalizados em trabalho escravo pelos proprietários de terras (outrora dos mesmos ameríndios). Ora essas e outras situações “normalizadoras” eram consideradas como ingerência nos ”negócios” da colónia e respondidas muitas vezes de armas na mão pelos colonos portugueses (brasileiros) contra as autoridades do reino de Portugal. Esse espírito seria eventualmente transmitido trans-geracionalmente aos dias de hoje, sem que na contemporaneidade, quiçá, se tenha a noção da origem desse sentimento, aliás, peculiar nas colónias de outras potências coloniais europeias de então, com algumas variantes. No entanto, o caso da gesta colonial portuguesa é sui generis. O português é por excelência um puro nómada global quinhentista. A essência da sua “necessidade aguça-lhe o engenho”. Fez-se ao mar repleto de Adamastores que o amedrontavam, e superou-se. Faz parte da sua índole lamentar-se. No entanto segue em frente. Ou pelo menos assim fazia. Insatisfeito com o seu torrão natal vai, parte, e o seu génio e mau génio, recriam outros Portugais em outras paragens longínquas e inóspitas como por exemplo pelo nordeste brasileiro de temperaturas elevadíssimas ou pela selva amazónica densa e húmida. Compõem em desgarrada um “Fado Tropical”(1). Rompe com a mãe-pátria na Europa. O caso português-brasileiro é paradigmático. No caso africano os ventos da história pregaram-lhe uma partida. Mas isso fica para outro dia com a letra (2) e a música do “Fado Tropical”.

Notas:
(1) Alusão à composição musical e poética do cineasta moçambicano Ruy Guerra e do brasileiro Chico Buarque.
(2)
http://letras.terra.com.br/ruy-guerra/989543/

Fontes sitográficas:
Biografia de Rocha Pombo: Academia de Letras do Brasil (
http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=214&sid=349
Mapas do Brasil: (
http://www.sites-do-brasil.com/diretorio/index.php?cat_id=881&cat_id_thm=29)
Blog “Pensar não dói”(
http://pensarnaodoiaiai.blogspot.com/2009/03/fado-tropical-chico-buarque-dholanda-oh.html)

14 julho 2009

Cultura paulista apoia África em fotos

Com o pedido de divulgação, o que faço com muito gosto, aqui fica uma nota de África em Nós, relativo a uma campanha fotográfica criada pela Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo.

África em Nós promete muita emoção em lindas fotografias

A campanha fotográfica África em Nós, criada pela secretaria de Estado da cultura de São Paulo convoca toda população paulista a participar através da fotografia, no que ela vê, sente e compreende sobre a presença e a herança africana no dia a dia.

O tema é a própria África, o continente mãe. Como perceber os sinais africanos? Quais os sinais perceptíveis em nossa cultura? Cada participante deve realizar sua foto mostrando como vê e sente esta África que existe perto de nós.

Visite o site da campanha www.africaemnos.com.br para ler o regulamento e participar. Fotógrafos amadores ou não podem mandar suas fotos até dia 15 de Setembro.

O curador responsável é o fotógrafo renomado Walter Firmo e a organização é pela Assessoria de Cultura para Gêneros e Etnias.

09 junho 2009

O caso dos vistos “ilegais” brasileiros… (artigo)

"Estava em Luanda quando ouvi e vi uma notícia, nomeadamente na TV Zimbo – uma televisão sem anunciantes, ainda, mas que mostra já ter muita qualidade – relativa a dois grupos de cidadãs angolanas que viram a sua entrada no Brasil barrada por pretensa ilegalidade na emissão dos vistos que teriam sido emitidos na embaixada da República Federativa do Brasil, em Luanda. Um dos grupos foi via Joanesburgo e outro via Kinshasa, se a memória não me falha.

Até aqui, nada de anormal; se os vistos eram irregulares ou ilegais, naturalmente que as autoridades brasileiras teriam toda a legitimidade para impedir e recambiar os referidos grupos.

O problema, e é aqui que algo bate muito, mas muito mal, o problema é que além de não serem ilegais…

Primeiro, e isso não tive oportunidade de confirmar com quem de direito, já que ouvi numa rádio de Luanda, as pessoas “devolvidas” teriam sido logo detidas à chegada em Luanda, e colocadas sob detenção no DNIC. Ou seja, vieram logo com o rótulo de “corruptas” e “falsificadoras”.

Houve aqui, como adiante se comprova, um excessivo zelo de um certo sector das autoridades angolanas que adoptaram o bom estilo texano: dispara, primeiro – no caso detém – e pergunta depois; talvez tenha sido um bom exemplo para que não volte a acontecer semelhante.

Depois, e porque as cidadãs, principalmente estas, angolanas afirmavam a bom afirmar que os vistos eram legais, e, uma das entrevistadas, afirmava a pés juntos que já não era a primeira vez que ia ao Brasil com aquele visto, dado ser um visto de 365 dias, e depois de muito questionada pela comunicação social angolana – e aqui, tiro o meu chapéu (apesar de andar sempre descoberto) pela força dos Média angolanos neste assunto – a embaixada brasileira acabou por confirmar que, de facto, os vistos eram legais, mas que… (...)
" (pode contnuar a ler aqui)
Publicado no , edição de 6 de Junho de 2009

04 junho 2009

Ainda a questão dos vistos…

Será bom que as autoridades brasileiras digam, de vez, o que se passa.

Segundo a agência portuguesa Lusa, citando o secretário da Embaixada do Brasil, em Luanda, senhor Filipe Lemos, novo grupo foi, ou terá sido, impedido de entrar em São Paulo.

De acordo com a referida notícia, apesar dos passageiros terem os respectivos vistos válidos não preenchiam, e passo a citar “outros requisitos para a permissão de entrada”.

Começa a ser demasiado estranho esta estória.

Não vou aqui defender a retaliação pura e dura, ou seja, que Angola faça uso da “Lei de Talião”, mas será mais que tempo das duas autoridades esclarecerem o que se passa resolvendo o assunto nos respectivos e discretos corredores da diplomacia.

Até porque, como ainda referia num artigo publicado no passado dia 2, uma viagem de avião não é o mesmo que um passeio de carro, onde os custos são mais suportáveis…

02 junho 2009

Estória dos vistos "ilegais"...

(magem daqui)

"Esta história dos vistos ditos ilegais que cidadãs angolanas teriam obtido, segundo deram entender as autoridades de migração e fronteiras brasileiras, e que levou dois grupos de viajantes serem devolvidas a Luanda, ainda vai dar muito que falar.

E disso não tenham nenhuma dúvida. Até porque a comunicação social angolana não está calada e os comentários que se lêem em alguns portais dão mostras do incómodo que a notícia provocou e das ondas que a mesma, se não for mesmo bem explicada, poderá causar.
Estava em Luanda quando isso aconteceu. Televisionei e ouvi a notícia, nomeadamente na TV Zimbo – uma televisão que ainda sem anunciantes privados, mostra, todavia, já ter muita qualidade – relativa aos dois grupos de cidadãs angolanas que viram a sua entrada no Brasil barrada por pretensa ilegalidade na emissão dos vistos que teriam sido emitidos na embaixada da República Federativa do Brasil, em Luanda.

Só que aconteceram dois casos que deverão ser objecto de análise e ponderação pelas diferentes autoridades.

Num, que considero grave, porque parece, talvez extemporaneamente e com o único intuito de salvaguardar a imagem do povo angolano, ter sido adoptado o bom estilo Bush-texano de “dispara (leia-se, detenha-se) primeiro e pergunte depois” – apesar de ouvir numa rádio luandense quando regressava de Cabinda, não pude confirmar pelo que devo colocar esta informação sob reserva – terá sido levado a efeito pelo DNIC que às chegada das cidadãs as deteve.

A confirmar-se, não me parece correcto, mesmo tendo em conta uma eventual salvaguarda da imagem do país e dos angolanos. Nunca é bom haver condenação antes da audição e do julgamento. Por certo que isto terá servido de lição para não adoptarmos como bom tudo o que do exterior vem como acusatório.

E não foi correcto porque, como depois se comprovou, até porque uma das cidadãs entrevistadas afirmava convictamente que já não era a primeira vez que entrava no Brasil com aquele visto – tinha um visto de 365 dias –, os visto eram todos legítimos e regulares.

Só não entendi a afirmação de um responsável da embaixada brasileira e que, substancialmente teria dito que um visto é um convite a visitar o país mas não significa uma entrada aberta e franca no citado país.

Como se Brasil fosse ali na esquina e se não entrarmos hoje entramos noutro dia, pelo que podemos sempre voltar para casa de origem que os bilhetes são quase grátis… (…)" (continue a ler aqui ou aqui).
Publicado como Manchete do , de hoje, sob o título "História dos vistos «ilegais» carece de (boa) explicação"

07 março 2009

Nas vésperas de visita do Papa a Angola…

(imagem O Apostolado)

Em vésperas da visita de Sua Santidade, o Papa Bento XVI, a Angola e Camarões, naquela que, parece, é a sua primeira visita ao continente africano, é lamentável que notícias como as que tão, profusamente, temos estado a ouvir, televisionar e ler, sobre o problema de uma criança que abortou, sejam notícias e pelas piores razões.

Na concepção de certos eclesiásticos um aborto – queria acreditar que o Vaticano por muito que condenasse a IVG não iria se pronunciar, no caso concreto, mas parece que estava enganado – de uma criança estuprada por um familiar, quase directo, é mais grave e sujeito à excomunhão do que a violação.

Segundo parece,
para o Vaticano, e de acordo com o cardeal Giovanni Battista Re, da Congregação para os Bispos, os fetos (seriam gémeos) geradas no acto da violação teriam "o direito de viver" e por isso é crime o aborto que os médicos – também eles excomungados – lhe fizeram; ou seja, é mais grave o aborto, mesmo que para defesa da vida da criança violada, do que a violação perpetrada pelo padrasto.

Mãe, médicos e criança foram excomungadas. O padrasto, o violador, NÃO!!!!!

E depois queixem-se que há cada vez menos pessoas a enveredarem por estes ínvios e insondáveis caminhos da Igreja…