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29 janeiro 2008

Portugal, a CIA e os prisioneiros de Guantanamo

Que mais precisavam os terroristas para visitarem Portugal depois da acusação de que o Governo – ou o Estado, se bem que o estado e Governo confundem-se – português ter autorizado a passagem de cerca de 720 indivíduos – números que a alguns não surpreendem(?!) – para a prisão auschwitziana de Guantanamo gerida pela CIA?
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Nota: João Tunes, do acutilante Água Lisa, alerta para o facto deste meu apontamento estar a arranjar uma "justificação" para os actos terroristas que Portugal possa vir a sofrer. Admito que possa ser lido assim. Mas acontece que os terroristas têm justificado alguns dos seus actos com o apoio que alguns países têm, directa ou indirectamente, concedido à política da administração Bush.
Sei que o apontamento pode parecer como um veículo justificativo do injustificável: actos terroristas.
Não era, nem é, essa a minha intenção. Só quis alertar que este "fechar-de-olhos" dos sucessivos Governos portugueses, já, e segundo parece e não devidamente desmentido, provado pelo parlamento europeu, poderá trazer problemas aos portugueses.
Espero estar enganado e desejo, sincera e honestamente e sem quaisquer outras subtilezas, que João Tunes tenha razão, uma vez mais, conforme escreve nos seus comentários, ou seja, que este seja um "post de uma infelicidade ilimitada".

10 janeiro 2007

O que tem pernas curtas?

(Vôos da CIA na base aérea de Ramstein, na Alemanha ©foto daqui)
Em Portugal, tal como numa parte considerável da Europa, discute-se se houve ou não violações aéreas e de Direitos Humanos perpetrados pela CIA com o transporte de prisioneiros devido ao terrorismo, nomeadamente em ilegais campos de detenção na Europa ou para o campo de Guantánamo.
Uma discussão que mais parece fútil que produtiva; mais inconsequente que creditícia; mais para vox pop que para o fim que dela se deveria retirar: impedir atropelos aos Direitos Humanos, mesmo quando em causa estão ignóbeis terroristas.
De um lado, países e dedos acusadores; do outro, acusados a sacudirem a água do capote.
Tem sido quase sempre assim, principalmente desde que uma comissão euro-parlamentar decidiu investigar a estória e, na generalidade dos casos os ministros de Defesas e das Relações Exteriores dos países visados, embora nunca claramente negando, vão diplomaticamente dizendo que não há registos e movimentos que provem as violações.
Agora vem uma revista portuguesa, Visão, afirmar que, durante a sua investigação, no cruzamento de listas de voo entre a empresa portuguesa que controla o tráfego aéreo (NAV) e os memorandos da norte-americana US Transcom que coordena missões com aparelhos militares e comerciais, classificados como secretos, parecem indicar que, de facto, passaram por Portugal voos dispensáveis e inoportunos.
E o interessante é que o partido governamental português, apesar de no seu seio haver quem tenha e venha denunciando estes voos, nomeadamente, nos Açores, não aceita que se crie uma comissão de inquérito para estudar e debater com honestidade esta matéria (também se compreende, em Portugal comissões de inquéritos perduram, subsistem e nada fazem…).
Agora afirmar que nada houve, ou que se desconhece a sua existência, e parecer que há provas contrárias e evidentes faz-me lembrar aquela frase muito simpática: a inverdade (ou será, desverdade, olhem, a mentira) tem perna curta e tal como o óleo vem sempre ao de cima.

20 março 2006

Iraque, 3 anos depois valeu a pena?

Três anos após do início da segunda guerra do Iraque...
em que, e até agora, cerca de 100.000 pessoas, 1/3 das quais – números não oficiais – militares da coligação, terá morrido;
terá permitido ao Irão reforçar exponencialmente a sua capacidade política-militar – a crise nuclear é o caso mais paradigmático – e religiosa – isto apesar dos árabes não gostarem, nem um pouco, dos persas – na região;
os tristes escândalos com as prisões de Abu Grahib e Guantanamo ou das hipotéticas prisões secretas da CIA que minaram a credibilidade cívica dos libertadores;
onde a emergência de uma guerra-civil (dita guerra menor) intra-muros, entre xiitas e sunitas que se digladiam sanguinolentamente pela supremacia político-religiosa dos ritos a que pertencem;
é difícil escamotear a contínua instabilidade social na região, nomeadamente, na Palestina;
não se vislumbra a destruição da horrenda Medusa que dá pelo nome de Bin Laden ou Al-Qaeda;
um governo iraquiano foi constituído após as eleições mas não consegue governar – também não se abe quem manda no Iraque, se os iraquianos ou o representante do senhor George W. Bush, hoje tão cruamente insultado – quem o fez assume que o sabe pessoalmente – por outro candidato latino-americano a ditador
são cada vez mais credíveis as mentiras ou menos-verdades, agora também “denunciadas” por Durão Barroso – por acaso um das 4 personalidades dos Açores –, numa recente entrevista a um periódico francês quando admitiu que a invasão foi feita sobre enganos;
que permitiu a destituição de um genocida ditadorzeco, apeado do poder por aqueles que, em tempos, o tiveram por aliado;
será que valeu mesmo a pena? Eu gostava de acreditar que sim…

13 dezembro 2005

Uma ingenuidade do Conselho da Europa?


O relatório do Conselho da Europa acerca dos alegados voos secretos da CIA na Europa recolheu elementos que "parecem mostrar que algumas pessoas foram sequestradas e transportadas para outros países", fora do quadro dos procedimentos legais, afirmou hoje o porta-voz da comissão de investigação, Dick Marty” afirmando, mais adiante, que os elementos “… recolhidos até ao momento permitem reforçar a credibilidade das alegações sobre o transporte e a detenção temporária de pessoas, alheios aos procedimentos judiciários, nos países europeus",
Este é uma parte de um artigo do Público-Online onde poderão ler o resto.
Só uma pequena e inocente pergunta: será que o Conselho da Europa é tão ingénuo que acredita que os seus membros (fosse a nível de Governos, fosse – e aqui mais que previsível – a nível dos serviços de Segurança) não soubessem destas andanças que a senhor Secretária de Estado norte-americana, Condolleza Rice, nunca desmentiu os voos da CIA, mas afirmando, unicamente, que nunca terão sido transportados terroristas pelo Mundo para torturá-los … pelos norte-americanos (pelos outros ela não pode, naturalmente, aferir).
Daí o título; haverá por parte do Conselho da Europa santas ingenuidades?
Ou será que estão tentando abafar um conceito muito defendido por Raymond Aron “Os Estados não têm amigos ou inimigos, mas interesses a defender”… e há algum interesse maior, actualmente, que a defesa e a conciliação de permutas informativas sobre potenciais actos terroristas?

04 novembro 2005

Prisões secretas na Europa?

Campos de concentração – perdão, prisões secretas – para suspeitos de terrorismo na Europa?
E sob o auto-patrocínio da CIA?
Interessante.
Mas… e porque não nos EUA?
Ah!! Sim. À CIA o território norte-americano está, oficialmente, vedado qualquer tipo de operação, efectuadas pela Agência, pelo Senado…
Algo vai bem, mesmo muito bem, no seio das Liberdades individuais e nos Direitos Humanos…

28 outubro 2004

CIA, Salazar e as Colónias

Interessante apontamento do Prof. Adelino Maltez, no seu blogue “sobre o tempo que passa” intitulado, “Americanos, Mondlane, Salazar e MRPP”, onde é abordada uma temática já velhinha e nunca devidamente explorada e estudada, para o "bom" ou para o "mau": “o movimento dos milhões de dólares norte-americanos na guerra colonial”; agora ainda mais actual com a publicação de um livro do antigo sub-secretário de Estado adjunto para os Assuntos Africanos da administração Clinton, senhor Witney Schneidman. Um apontamento a ler e meditar.