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05 abril 2018

Poesia em Mal de Ojo nº 32 - Especial África

«Amigos y lectores, tenemos el agrado de publicar el número 32 de Revista Mal de Ojo,  marzo 2018. Edición especial sobre África,  continente hermano al que le hacemos un homenaje. Gracias a la compilación y traducción del poeta Daniel da Purificaçao, podemos mostrar la parte del imaginario poético de diez angoleños, en su idioma y traducción. Así mismo, rendimos homenaje a la obra visual  de Ramón Esono Ebalé, reconocido dibujante guineano, quien con sus ilustraciones logra plasmar la cruda realidad de la dictadura.


En esta edición:  Soberano Canhanga –  Job Sipitali – Orlando de Sousa Castro –  Domingos Cupa –  Augusta Jorge –  Dilen Alsungas Pandiera José -
Sónia Sousa Robalo –  Magno Domingos –  Hélder Simbad –  Lobitino Almeida N’gola.
Obra visual de Ramón Esono Ebalé.»
Só por mero acaso, o tal de Lobitino Almeida N'gola é um tal Eugénio Costa Almeida...

11 dezembro 2006

Um já foi…

(Allende e Pinochet)
Um dos maiores ditadores da era moderna faleceu ontem na sequência de um enfarte de miocárdio tido há pouco tempo.
Augusto Pinochet, para muitos o maior ditador da América Latina – há quem queira, convenientemente, esquecer outros – e para outros uma vítima do sistema e, por isso, continuam a manter-lhe a auréola de um grande patriota, morreu como viveu: na ribalta do conflito. Ou seja, até às portas da morte e quando terá recebido a extrema-unção havia dúvidas da sua debilidade física.
Não foi julgado pelos crimes cometidos durante o seu regime pretoriano mas não conseguiu justificar muita da fortuna que acumulou no estrangeiro.
Não foi julgado pelo Golpe de 11 de Setembro de 1973, contra o governo do socialista Salvador Allende e dos morticínios que se seguiram. Mas se tivesse sido julgado, teria sido realmente condenado?
Relembro um livro que li em finais de 1974, para um trabalho escolar, editado, salvo erro, pela Edições 70, precisamente sobre o Golpe e os momentos que o antecederam, nomeadamente a greve dos camionistas que foi o rastilho final. Nesse livro, do que, lamentavelmente, não me recordo nem autor nem o título, há um capítulo onde Allende chama ao palácio presidencial as cúpulas militares que, mais tarde, tomariam o poder e disse-lhes na cara que sabia que estavam a preparar um Golpe com a conivência da CIA. Disse-lhes quem participava e quem era o chefe, bem assim, quem era o operacional que os estava a ajudar.
Allende tinha, na altura, o corpo militar presidencial a seu lado. Porque não impediu, na altura, o golpe e deteve os militares?
Ele tinha tudo nas mãos. Porque deixou o país cair no abismo como caiu?
Esta é uma das dúvidas que desde sempre me assaltou e que também o autor, no fim colocava.
Um já morreu, mas na América Latina ainda persistem outros da mesma época ou mais velhos, alguns doentes - muito doentes que nem se sabe se chegarão ao Natal, mas que não deixam de dar nome a localidades -, e que nunca foram alvo de condenações judiciais ou ainda persistem em mandar nos seus países como coutadas pessoais se tratassem.

15 setembro 2005

Os milhões britânicos de Pinochet

© Foto Voltairenet.org
Em tempos escrevi aqui sobre as vendas de armas do Reino Unido a países que, ou ainda estão sob efeitos de crises sociais e político-militares (um eufemismo para dizer guerras-civis), a maioria, infelizmente, em África e eis que o matutino português Público trás à estampa um artigo do britânico “The Guardian” (investigação de David Leigh, Jonathan Franklin e Rob Evans) onde é afirmado que o maior fabricante de armas inglês pagou comissões a um tal Augusto Pinochet ou a grupos por ele representados.
De acordo com o artigo o antigo ditador chileno – e um dos principais obreiros da queda de Allende – terá recebido entre 1987 e 2004 cerca de 1 milhão de libras em comissões.
Sabendo que o referido ditador – e (ex-)senador vitalício – já se encontrava, pelo menos teoricamente, apeado que qualquer poder, militar ou civil, estranha-se que o citado cavalheiro continuasse a auferir rendimentos externos e em segredo.
Ou seja, a corrupção junto dos meios castrenses continua cada vez mais forte. Não esquecer que a referida empresa inglesa tem sido, igualmente, acusada de suborno e estará a ser investigada nas terras de Sua Majestade por suspeitas de branqueamento de divisas, nomeadamente, em relação a um alegado "fundo de subornos" de 60 milhões de libras e destinado à Arábia Saudita.
De um lado um ex-ditador apeado a receber comissões. De outro um dos maiores fornecedores de petróleo e compradores de armas a receber subornos.
Isto vai lindo…

11 setembro 2005

11 de Setembro



Quatro estúpidos e incrédulos anos se passaram aqui e 32 acolá (principalmente aqui porque um dos meus primeiros trabalhos de investigação que fiz, e foi em Angola, no ano de 1975, foi sobre o derrube de Allende, no Chile, e, incrivelmente, pior fiquei quando, na altura, descobri que ele sabia das manobras para o derrubar, a data e os nomes, mas manteve-se impávido e sereno esperando que o bom-senso os atingisse).
Até quando vão continuar situações destas quando al-Qaeda ameaça Los Angeles e Melburne ou quando um presidente acusa forças estranhas de tentarem subornar militares oficiais das suas Forças Armadas para o derrubar?