Mostrar mensagens com a etiqueta Poesia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Poesia. Mostrar todas as mensagens

30 dezembro 2018

Minha Actividade em Dezembro de 2018



Relação da minha actividade literária - e não só - no mês de Dezembro de 2018:

Intervenção directa:
“Ainda é cedo para termos a certeza do alcance das mudanças de João Lourenço” (in: Changing World / blog do CEI, em 07/12/2018);
O porquê de haver uma boa Marinha de Guerra (in: Vivências Press News, em 15/12/2018);
No adeus a 2018, que expectativas para 2019 (in: Vivências Press News, em 28/12/2018);

Citações de afirmações ou comentários meus:
Lisboa: MPLA e o 27 de Maio de 1977 são temas de Mestrado no ISCTE (citação e entrevista, decorrente da minha orientação para um Mestrado em Estudos Africanos, no ISCTE-IUL) (in: Vivências Press News, em 06/12/2018);
Angola – A New Politics of Memory? The President and the Ruling Party’s Dark Past texto da investigadora do CEI-IUL, Cláudia G. Almeida) – Citação ( in: Presidential Power, em 18/12/2018);
 As Presidenciais no Congo Democrático (análises de Raúl Braga Pires e Rui Newmann - citação aos +/- 13' 43'') (in: VOA Português, em 26/12/2018);


Obra literária (publicada no primeiro trimestre de 2018, mas só agora o recebido em 21/12/2018)


23 junho 2018

BNAP 2017 anthology - OS MELHORES “NOVOS” POETAS AFRICANOS 2017

BEST “NEW” AFRICAN POETS 2017 ANTHOLOGY
ANTHOLOGIE DE “NOUEVEAUX” MEILLEURS POETES AFRICAINS 2017
OS MELHORES “NOVOS” POETAS AFRICANOS 2017

Compiled and edited by Tendai R. Mwanaka (Zimbabwe) & Daniel Da Purificação (Angola)

Estou aqui nesta Antologia com 3 poemas: "Negro-Rubra"; "Destempo" e "Lobito";
Já à venda, via online, por exemplo em: http://www.africanbookscollective.com/publishers/mwanaka-media-and-publishing

edited by Tendai Rinos Mwanaka, Daniel da Purificação

Best “New” African Poets 2017 Anthology is the third in a continuing series. In the 2017 anthology there are poems from 191 poets, 338 poems/translations and articles on poetry, in 13 African languages: English, Portuguese, French, Shona, Afrikaans, Kiswahili, Yoruba, Igbo, Akan Twi, Setswana, Mbesa, Dholuo and Spanish. The poets are from 40 African countries and the Diasporas with Nigerian poets dominating, but also there are substantial entries from Kenya, South Africa, Zimbabwe, Cameroon, Angola and Uganda. With the remainder of the poems coming from African poets based in Togo, Italy, Spain, Portugal, Cuba, Mexico, Botswana, Lesotho, Swaziland, Malawi, Tanzania, Ghana, DRC, Congo Brazzaville, Taiwan, Korea, China, UK, France, USA,  Gabon, Ethiopia, Switzerland, South Sudan, Sudan, Equatorial Guinea, Cabo Verde, Tunisia, Sierra Leone, Rwanda,  São Tomé, Brazil and Mozambique.

05 abril 2018

Poesia em Mal de Ojo nº 32 - Especial África

«Amigos y lectores, tenemos el agrado de publicar el número 32 de Revista Mal de Ojo,  marzo 2018. Edición especial sobre África,  continente hermano al que le hacemos un homenaje. Gracias a la compilación y traducción del poeta Daniel da Purificaçao, podemos mostrar la parte del imaginario poético de diez angoleños, en su idioma y traducción. Así mismo, rendimos homenaje a la obra visual  de Ramón Esono Ebalé, reconocido dibujante guineano, quien con sus ilustraciones logra plasmar la cruda realidad de la dictadura.


En esta edición:  Soberano Canhanga –  Job Sipitali – Orlando de Sousa Castro –  Domingos Cupa –  Augusta Jorge –  Dilen Alsungas Pandiera José -
Sónia Sousa Robalo –  Magno Domingos –  Hélder Simbad –  Lobitino Almeida N’gola.
Obra visual de Ramón Esono Ebalé.»
Só por mero acaso, o tal de Lobitino Almeida N'gola é um tal Eugénio Costa Almeida...

21 março 2012

Dias Mundiais da Poesia e da Floresta

Os dois textos que se seguem foram, inicialmente, publicados na minha página do Facebook:

Pelo Dia Mundial da Poesia:

Porque ser Angolano é algo que não se define, é tão só uma questão de personalidade, no Dia Mundial da Poesia este meu "poema" publicado no livro «Angola, Saudade 60-70» da editora IPlay.

“Saudades de Angola” que pode ser lido aqui:

Pelo dia Mundial da Floresta:

No Dia Mundial da Floresta (início oficial da primavera no Hemisfério Norte) a minha homenagem a uma das árvores que melhor definem o Continente-Mater: o Imbondeiro/Embondeiro!

21 março 2010

Dias Mundial da Poesia e das Florestas

(Tela de Neves e Sousa exposta no Hotel Continental, Luanda)

POESIA

O que é a Poesia?

É a epopeia do Amor...

E o Poema?

É a alma do poeta,

Maratona do espírito,

Ao alcance do coração,

Com muita dedicação e afeição.

Por: Fernanda Bonfim (POMBINHA)

Amadora 21-3-10

Porque hoje se comemoram e recordam os Dias Mundial das Florestas e da Poesia deixo-vos esta mensagem poética da santomense Fernanda Bonfim, feita para este Dia, ao mesmo tempo que vos remeto para o Malambas onde poderão ler poemas da moçambicana Noémia de Sousa, da santomense Manuela Margarido, do português Bocage, do guineense Carlos Schwarz, do timorense Jorge Lauten, do brasileiro Chico Buarque de Holanda, da cabo-verdiana Vera Duarte e dos angolanos SandroFeijó e Niki Menezes.

25 abril 2009

Adeus poeta Tomás Jorge

Mais um poeta angolano que vai se juntar às estrelas que iluminam o belíssimo céu angolano.

Ontem, no Hospital Santa Maria, em Lisboa, onde padecia de uma incurável doença, faleceu o poeta Tomás Jorge (Vieira da Cruz).

Tomás Jorge foi além de membro-fundador da União de Escritores Angolanos (UEA) participou, em 1950 no movimento literário lançado por Viriato da Cruz “Vamos Descobrir Angola!” e o Movimento dos Novos Intelectuais de Angola, razão pela qual foi detido várias vezes pela PIDE/DGS, e membro da Direcção da FACEL (Federação das Associações Cívicas do Espaço Lusófono)

E por falar em PIDA/DGS, relembrar que
há 35 anos (fá-los hoje), a sombria organização foi uma das razões para o fim da autocracia portuguesa e o passo para a Liberdade de todos os povos que falam a Lusofonia.

Tomás Jorge escreveu, pelos menos duas obras poéticas: “Areal, Poemas” (1961) e a antologia “Talamungongo!... «Olha o mundo!» – 50 Anos de Poesia” (2005).

Infelizmente quer a UEA quer a Internet parecem esquecer deste poeta angolano já que o único poema “netiado” é o belo “Gajaja” que poderão ler
aqui (de onde retirei a imagem).

29 março 2009

II Antologia de Poetas Lusófonos

"Escrever é algo mais do que espalhar letras, entornar palavras ou construir frases. Escrever é transmitir ideias, é concretizar desejos, é realizar sonhos, é prolongar a firme voz de comunicar. Escrever é cunhar identidade pela diversidade cultural que une países, regiões, cidades e aldeias.

A Lusofonia não é apenas um conjunto de países onde se fala a Língua Portuguesa. A Lusofonia está espalhada por todos os países do Mundo. Em todos eles existe alguém que fala ou escreve esta tão amada Língua.

Neste Planeta, em que parte da sociedade o considera global, não existem fronteiras para a Lusofonia nem para a Poesia, como defendia António Gedeão: “Minha aldeia é todo o mundo”.

A II Antologia de Poetas Lusófonos surge com os objectivos nobres de promover a Língua Portuguesa, de promover a Lusofonia e de promover os Poetas que espalham as suas veias inspiradoras por todo o Mundo, tal como o fizeram os grandes vultos da Lusofonia, com especial destaque para o Padre António Vieira, que além da Língua conseguiu unir Continentes.

Este é um livro que tenta unir regiões de vários Continentes. Unir poetas que nesta aldeia global, conseguem unir esforços e vontades para levar a efeito este livro. (…)
"
(extracto do Preâmbulo de Adélio Amaro, no livro “II Antologia de Poetas Lusófonos” editado pela Folheto Edições e Design).

Esta obra que tem publicado poemas de 134 poetas (desculpem por me considerarem poeta…) de 11 países (Portugal, Brasil, França, Suíça, Inglaterra, Angola – Namibiano Ferreira e Lobitino Almeida N’gola (ou seja, eu e com 5 poemas) são dois dos representantes –, Timor, Canadá, EUA, Moçambique e Índia) vai ser apresentada no próximo dia 5 de Abril, no Mosteiro da Santa Maria da Vitória, em Batalha, próximo de Leiria, no centro de Portugal, conforme convite acima.

21 março 2009

Três num Dia por Três Dias Mundiais


(O poeta pensa como é possível o desmatamento da Amazónia e o rio Amazonas secar;
pintura de Manuel de Castro e imagens da Rede Infoseg, Brasil, e BBC)

Se há algo que gostaria que nunca fosse comemorado eram os Dias Internacionais ou Mundiais.

Infelizmente, o Homem continua a persistir na sua generosa ignorância de tudo destruir e fazer relembrar os quase “passado” através dos chamados Dias Mundiais.

Hoje há dois Dias que se rememoram; amanhã, outro, não menos importante se refresca.

Um relembra-nos o Dia Mundial da Floresta, inicialmente criado para recordar o início da Primavera no Hemisfério Norte e o (re)começo florido e esplendoroso da vida. Mas o Homem acabou por recriar este Dia com a devastação que tem feito nos maiores pulmões da nossa Mãe-Terra com a globalização da – será que é mesmo? – evolução.

O outro é para saudar uma forma de escrita que alguns consideram a mais pura da Humanidade: Dia Mundial da Poesia. O meu sublime contributo pode ser lido no
Malambas com o poema (deixem-me pensá-lo assim) “Saudades de Angola”.

Amanhã teremos a nossa memória refrescada com o Dia Mundial da Água. Ainda recentemente nos relembraram que a contínua falta de água potável está a tornar-se na segunda causa de morte das crianças até aos 5 anos e que a deficiente gestão dos recursos hídricos e a contínua desflorestação e desmatamento das nossas florestas provoca períodos de secas intercaladas com mortíferas cheias. Basta recordar, recentemente, as cheias nas províncias angolanas do Cunene, Huíla ou, ainda há dias, em Luanda, depois das secas em Benguela e Huíla ou, como mostra a imagem da BBC, no rio Amazonas.

05 junho 2008

Os poetas são como os gatos

Mais uma interessante análise de João Craveirinha sobre a problemática racismo versus xenofobismo, ainda não publicada na imprensa.

"Notas adicionais sobre XENON:

Xenofobia não tem cor mas o racismo tem cor. Não confundir os dois - pois acabam por se diluir se assim for feito.

Ambos são violentos mas o racismo é duplamente violento. No imaginário de séculos e na acção colonizadora do Eu do outro, considerado inferior em África - (NESTE CASO O DENONIMADO NEGRO / BLACK / NOIR / SCHWARZE / T'CHORNI etc etera).

A xenofobia é anti-estrangeiro mesmo sendo da mesma “cor” epidérmica.
O racismo tem cor diferente e é de cima para baixo vindo da superioridade europeia (leia-se do que se diz branco).

Não confundir dos que reagem (mais morenos ou negros ou castanhos) ao se sentirem espezinhados há séculos em tudo que fosse a sua cultura a começar pela língua que passou a ser desvalorizada para dialecto. Indicando que não sofrera evolução como raça humana ao longo de milhares de anos.
(Paradoxalmente apesar dessa raça humana global ter saído de África, Etiópia) numa evolução de cerca de 4 milhões de anos (Lucy)...

... e da transição do dito negro (negróide) para o dito branco (europóide ou caucasiano) numa mudança genética (mimetismo) de cerca de 20 mil anos de África para a Europa via Índia e pelo Cáucaso (entre o mar Negro e o Cáspio – o maior mar interior do mundo. Fronteira do Irão e da antiga União Soviética).

Em 20 mil anos um negro (sem mistura e dependendo do clima) fica branco e muito menos um branco fica negro com a mestiçagem em sentido inverso. Bastam 4 gerações. Avô, Pai, Neto, Bisneto.

Jean-Paul Sartre, dizia a Negritude ser uma forma de “racismo anti-racismo” e a única encontrada pelo negro para se afirmar contra a negação de seu Eu pelo branco.

Foi assim que surgiu a corrente literária da Negritude que nada tem a ver com um pseudo-racismo negro mas sim com o recuperar da dignidade perdida de ser humano, "assumindo" o intelectual negro (ou mestiço) os epítetos derrogatórios (negro, cafre, narro et cetera) de sua condição imposta de infra-humano, numa assumpção irónica dessa negação para desfazer o que lhe impõem de cima para baixo fazendo-lhe crer que era inferior ao que ele recusa:

NEGRO :
SER OU NÃO SER
NÃO É A QUESTÃO!
(é tudo imposição)

Queres que eu seja negro
da cor da noite das trevas?
Então sou!
E depois não digas que a mulher negra não é bela.
É tão bela como pode ser a tua mulher
que dizes ser, da cor da luz branca,
onde vive o divino!
Sou negro e depois?

Ah, não!!

Agora sou racista por aceitar com um sorriso
o que me impões e aceito,
e te devolvo?
Só quero igualdade.
Nada mais!
(JOÃO Craveirinha 02.06.2008)

Na negritude, o negro intelectual ao reagir não era para ser superior, mas igual ao branco que não queria essa igualdade e em muitos casos mantendo-se na actualidade, mesmo quando se afirmam como não racistas contra o negro. Alguma reacção residual surgirá, invertendo os papéis. Analise-se o caso da xenofobia inter-negro na África do Sul para alegria de muitos desse tipo padrão para dizer que o negro é pior que o branco.
Em Moçambique, na comunicação social, tornou-se norma com ajuda de alguns negros à deriva de si mesmos. E na comunicação social em Portugal ainda pior.
Des – contextualiza-se o fenómeno esquecendo que a essência da desumanidade não tem cor. É intrinsecamente genética, e nisso a Europa é a última a acusar de ânimo leve o africano. Foram os senhores e mestres do africano durante muito tempo. E se calhar ainda continuam.

“DEMOCRACIA, IGUALDADE E LIBERDADE:
“Porque é que os povos democráticos mostram um amor mais ardente e mais durável pela igualdade que pela liberdade?” Alexis de Tocqueville (1805-1859, França).
In Teorias Sociológicas p. 259.

É isso aí - no fundo o negro nem democracia queria porque não sabia o que era. Uma coisa importada e deturpada dos antigos gregos que são europeus. Daí a desconfiança.


Pois o colonialismo da Globalização, veio da Europa. O fascismo veio da Europa. O marxismo veio da Europa. A África pós-colonial tem sido (como no passado) um laboratório de experiências de tudo que já está a ficar ultrapassado na Europa e no mundo ocidental.

Essas modernidades vêm da Europa (assim como os dinheiros da corrupção para África). No fundo mesmo, o negro queria (quer) é ser tratado como igual. Lá dizia o Tocqueville e era europeu.

As coisas positivas deixam de ter cor e nação. Passam a ser universais. O racismo e a xenofobia só assim serão superados.

Saber peneirar na m’benga o capim da mapira.

Exempli gratia:
ADEUS À HORA DA PARTIDA

Agostinho Neto
(Poeta-mor de Angola)

“Eu já não espero
sou aquele por quem se espera
(…)
Hoje
somos as crianças nuas das sanzalas do mato
os garotos sem escola a jogar a bola de trapos
nos areais ao meio-dia
somos nós mesmos
os contratados a queimar vidas nos cafezais
os homens negros ignorantes
que devem respeitar o homem branco
e temer o rico”
(...)

Agostinho Neto (1974). Sagrada Esperança. Livraria Sá da Costa Editora, Lisboa.

Este poema da Negritude é um manifesto contra o racismo colonial português…ao mesmo tempo e duplamente, associando e dissociando “o homem rico” com a cor da pele.

Uma premunição à Angola independente. Em que o homem rico deixou de ter cor. Pois passou a ser da cor do dinheiro.

OS POETAS SÃO COMO OS GATOS. VÊM EM MUITAS DIMENSÕES: ESPREITAM O PASSADO; VIVEM NO PRESENTE; E PROJECTAM-SE NO FUTURO QUE PARA ELES JÁ É PRESENTE.

Em baixo um manifesto contra a xenofobia neste poema do tio paterno do autor destas notas de reflexão:

“TERRA DE CANAÃ

Não, piloto israelita.
Inútil procurares nos incêndios de Beirute
e nos inocentes corpos mutilados pelos estilhaços ardentes
as belas palavras do Cântico dos Cânticos. (…)

Poeta-mor José Craveirinha (10.08.1982 de regresso do Líbano)

in F. Mendonça, N. Saúte (1983). Antologia da Nova Poesia Moçambicana (p.211).
E na hora da partida destas notas de reflexão, saboreiem a poesia de Agostinho
Neto na voz e na autêntica Música de Angola por Rui Mingas, ao alcance de um click:
http://www.esnips.com/doc/93bbecc8-d3e1-48f7-a02e-6a7c26d46894/Adeus-à-hora-da-partida (09.05.2008)
.
©João Craveirinha"

24 dezembro 2007

Uma poesia de Natal para o Zimbabué

O poeta e contista brasileiro, Erasmo Shallkytton, deixou, como comentário, um poema de Natal dedicado ao sofrido Povo Africano, em geral, e ao Zimbabueano, em particular, que, pela oportunidade, quero deixar aqui bem visível (também o podem ler no Malambas)

ZIMBABWE – A LUZ DE NATAL NA ÁFRICA

Olhai, senhor ao povo Africano,
Semeando nesta Noite de Natal,
A caridade e a benevolência,
Preservando a vida e suas famílias,

Distanciando a fome e a sede,
Dos grandes massacres econômicos,
Resguardando sob a tua luz celestial,
Os filhos da mãe África.

Assegure aos teus filhos zimbabuenses,
Que fogem dos desastres econômicos,
Imigrantes desprotegidos sem labor,
Neste Natal, alivie com tua misericórdia,

Nossos irmãos zimbabuenses merecem,
A tua acolhida no seio da mãe pátria,
Com acesso e garantia de uma vida feliz,
Fortaleça! O Senhor Deus feito menino,

O manto sagrado em seu povo africano,
Não deixai os homens, mulheres e crianças,
Nesta gloriosa e louvável Noite de Natal,
No desespero de uma guerra econômica.

Veneras os frágeis zimbabuenses queridos,
Vítimas dos fracassos e ganâncias materiais,
Celebras na mente daquele faraó, a caridade,
Enfeitando o governo num estábulo fraterno.

Olhai senhor ao povo Africano!
Derramai no Zimbábue a paz,
Nesta Noite de Natal é Feliz,
E será Feliz pela compaixão divina,
Reluzindo sem cessar novas esperanças.

FELIZ NATAL

07 setembro 2007

Poesia pela Liberdade e pelos Direitos Humanos

(a beleza da pureza face à força bruta; daqui)

No próximo dia 12 de Setembro, e indo ao encontro de uma iniciativa da Fundação Peter Weiss for Art and Politics, vão ser lidos na Livraria “Ler Devagar” poemas de autores zimbabueanos a favor da Liberdade e contra os ataques aos Direitos humanos no Zimbabué.
A iniciativa "Shout! Pela Democracia e Liberdade de Imprensa no Zimbabué" enquadra-se no âmbito de uma "Worldwide Reading", ou seja, uma leitura colectiva, à escala global, de poemas de autores zimbabueanos em espaços públicos, nas rádios locais e nacionais.
Em Lisboa, para além de poemas de zimbabueanos, também se prevê que sejam lidos temas de Mia Couto e João de Melo Neto.
Além de Lisboa, também outras cidades mundiais, em 50 países, aderiram à ideia.
Além de poesia haverá uma actividade, a que os organizadores chamaram de “campanha verde” onde árvores de parques lisboetas terão pendurados poemas de autores zimbabueanos.
A cultura a favor da Liberdade e da Justiça.

16 junho 2007

Dia da Criança Africana

Pelo dia que, há 31 anos, crianças e estudantes que se achavam no direito de protestar, pereceram pelo crivo de armas imbecis, a OUA decretou que passava a ser o Dia da Criança Africana.
Por este dia um pequeno trecho do poema "Risos pictóricos" do angolano Paulo Seco, retirado do livro "Laços verticais".

Na tela da humanidade,

Da diferença cromática, sentida,

Sorrisos abertos, fechados, tímidos,

Desinibidos.

Sorrisos. (...)

É o que se pede, e continua a pedir, às crianças do meu Continente. Sorriam e continuem a acreditar que o futuro já é logo ali!

06 maio 2007

A todas as Mães!

(foto ©elcalmeida, 2007)
.
SÓ POR ISSO, MÃE*

Mesmo que a noite esteja escura,
Ou por isso,
Quero acender a minha estrela.

Mesmo que o mar esteja morto,
Ou por isso,
Quero enfunar a minha vela.

Mesmo que a vida esteja nua,
Ou por isso,
Quero vestir-lhe o meu poema.

Só porque tu existes,
Vale a pena!


*poema de Lopes Morgado

19 março 2007

Poesia em Luanda

(Também pode ser poesia; Até depois, se despede o navio; uma foto de ©BRB)

No próximo dia 20 de Março, véspera do Dia Mundial da Poesia, a Editora Nzila, em colaboração com a União de Escritores Angolanos, apresenta-nos a última obra poética de Carlos Ferreira (Cassé), “Até Depois”.
Uma boa prenunciação para o Dia Mundial da Poesia

16 dezembro 2006

Amélia Veiga lança poesia na Casa de Angola

[Emídio Rangel (apresentador), Jacques dos Santos (editor e presidente da Assoc. Chá de Caxinde), a autora e Gervásio Viana (presidente da Casa de Angola); foto José Manuel Tocha]

A poetisa Amélia Veiga apresentou a sua última obra na Casa de Angola conseguindo que o Salão Nobre fosse pequeníssimo de mais para tantos amigos que estiveram presentes, entre eles o vice-cônsul de Angola, Pacheco Chipenda.
36 anos separam a sua anterior obra “Libertação”, publicada em Luanda, d’ “As Lágrimas da Memória”, título que a autora deu a este seu livro de poesias, com a chancela da editora angolana Chá de Caxinde e Prefácio de Jorge Arrimar.
Este belo livro de poemas teve a apresentação do jornalista angolano Emídio Rangel.
O poema “Desenraizados”, um dos muitos e bonitos poemas que definem a sensibilidade desta poetisa quanto à falta que Angola e África lhe fazem, pode ser lido no Malambas.
De notar que alguns dos antigos poemas desta autora podem ser lidos no blogue Kitanda.

26 junho 2006

António Cardoso, poeta angolano, partiu!

Aquele corpo franzino e doente, mas intelectualmente lúcido e inteligente, não conseguiu vencer a sua última batalha e disse adeus à sua amada pátria angolana, ontem, em Lisboa.
A sua última grande intervenção político-social aconteceu em 25 de Novembro na adiada eleição para os Corpos Gerentes da Casa de Angola quando, no meio da sala, calou toda uma turba exaltada com estas sensatas palavras:
“Assim não vamos a lado nenhum e não defendemos nem o nosso país nem este bocadinho que é a Casa de Angola.
A Casa de Angola é um cochicho no meio disto tudo, mas assim só dá um exemplo horrível da democracia que queremos, ao contrário do que deve fazer que é ter como lema a fraternidade e saber ultrapassar ressentimentos e complexo, coisas que se herdaram do passado infeliz.
Não tenho uma solução na mão, há a Lista A e a Lista B, a mim fica-me a impressão de que a Lista B foi muito negligente, pois se quer disputar e ama a Casa de Angola então que o saiba fazer se, ser com rasteira que conquiste a sua dama. Se a Lista A quer estar no poder, e acho que tem o melhor projecto, se for eleita assim, fica sempre inevitavelmente uma sombra digamos de aproveitamento de jogo quase sujo, ou aparentemente sujo; então tem aqui um momento exemplar para tentarmos sair do buraco.
Que escolham os mais competentes das duas listas e façam uma de consenso.
”
Acabou, de imediato, com a confusão e a maka que se registava naquele dia mas não conseguiu unir as duas Listas.
Só por curiosidade, ganhou a Lista A no sereno e democrático escrutínio que se seguiu em Dezembro seguinte.
E, também só por curiosidade, na sua editora em Portugal, a Editora Caminho, não se encontra qualquer referência a este insigne poeta e revolucionário angolano, nem tão-pouco à obra “Poemas de Circunstância”, um livro editado em Portugal por aquela editora “Resultados da pesquisa por "Nome de autor" contendo a expressão "António Cardoso" "0 ocorrência(s)" ”.
Até sempre António Cardoso!!!

07 maio 2006

A todas as MÃES


Poema à Mãe

de: Eugénio de Andrade

No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe.
Tudo porque já não sou
o menino adormecido
no fundo dos teus olhos.
Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.
Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.
Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.
Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.
Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!
Olha - queres ouvir-me? –
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;
ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal...
Mas - tu sabes - a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.
Boa noite. Eu vou com as aves.

23 dezembro 2005

Angolana lança livro de poesia

A editora angolana Nzila vai fazer público, amanhã, véspera de Natal, em Luanda, o livro da nova voz da poesia angolana: Rosa Cruzeiro.
A obra, cujo o poema abaixo foi retirado, intitula-se “Brilho Oculto” e será objecto de autógrafo na RNA.
Espero, em breve, deliciar-me com este brilho.

BRILHO OCULTO

Olhei para ti
como nuvem passageira
que se desvia do vento
mas ameaça chuva duradoura

Despertei em ti
pareceu-me que por detrás da nuvem
havia o rei sol escondido e que logo brilhou

Esse brilho ainda hoje
teima em iluminar o meu peito
que há muito se mostrava cinzento
como os dias de inverno
orgulhoso e fechado em si mesmo

Sol, nuvem ou chuva
só sei que em teus braços
agora quero repousar
até que os céus clamem por mim

22 dezembro 2005

SER FELIZ

Um terra em que, se TODOS quisermos, MUITOS poderemos ser muito FELIZES: Angola

Nesta época em que a Felicidade parece criar um forte e belo cimento – pena ser só por tão pouco tempo a sua durabilidade – nada como este poema do “pai” da Lusofonia com votos de Feliz Natal.

Ser feliz
(Fernando Pessoa)

"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar
irritado algumas vezes, mas não esqueço
de que minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena
viver, apesar de todos os desafios,
incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos
problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser
capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um "não".
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."

17 outubro 2005

Moçambique Novo, O Enigma

Há dias tive o prazer de receber das mãos do próprio autor, Delmar Maia Gonçalves, este livro de poemas* que canta os seus problemas pessoais sem esquecer a sua principal raiz: Ser um Homem de Moçambique.
E nesta colectânea de poemas seus uma vertente é fortemente abordada: a questão da mesticidade.
Tudo isto vem ao sabor de uma questão que se levantou no último artigo que escrevi para o Angonotícias: a da angolanidade e quem é ou pode clamar de Angolano.
Por causa disso tomo a liberdade de "roubar" um dos poemas de Delmar Gonçalves sob o título "Mestiçagem".

MESTIÇAGEM

Somos resultado de uma adição.
Quando subtraímos esquecemo-nos
que antes houve uma adição.

Não nos podemos dividir mais,
porque somos o resultado
da multiplicação
que resulta em humanidade.

Feitas as contas
a adição só enriquece
não empobrece.

* edição Editorial Minerva, Junho de 2005 (prefácio de Paula Ferraz)