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27 maio 2008

6 milhões de crianças com fome!!!!

(imagem via RTP-África "Repórter", 1ª edição, de 27/Maio/2008)

48 horas depois de se recordar o Dia de África uma notícia que já se tornou habitual.
De acordo com os Médicos sem Fronteiras, 6 milhões de crianças, como a da imagem, podem vir a morrer de fome na Etiópia!
Mas o que é que isso interessa enquanto dirigentes africanos vão, alegremente, fazendo eventuais ateliers sobre a segurança alimentar e nutritiva com a chancela da União Africana e da Nova Parceria para o Desenvolvimento da África (NEPAD)!
E o que interessa uma eventual falta de alimentos em África desde que os terrenos possam ser utilizados para a produção de matérias-primas para os biocombustíveis?
E ainda há quem fale num eventual, tsunami silencioso, e cada vez menos, conforme demonstram os clamores que já se verificaram em Moçambique ou no Haiti ou… nos 6 milhões de futuras e inocentes vítimas na Etiópia!!

23 dezembro 2006

O Corno de África agita-se neste final de Novo Ano

O final do ano não se vislumbra atraente para o Corno de África.
Os islamitas somalis da União dos Tribunais Islâmicos (UTI) continuam a sua progressão diante das forças conjuntas dos Senhores da Guerra, legitimados pelos EUA e pela ONU/UA quando os obrigaram a constituir um Governo provisório com capital provisória em Baidoa.
Se há ou não desproporcionalidade militar entre os dois conjuntos, não o sei. Agora que parece que as forças islamitas – segundo os bastidores políticos norte-americanos apoiadas e apoiantes da Al Qaeda – estão melhor organizadas, quer política, quer social, quer militarmente disso não parecem restar dúvidas.
A prova está como célere e disciplinadamente chegaram às portas da capital do governo provisório onde, segundo rezam certas notícias, já se verificam combates entre os dois opositores militarizados embora, desta feita, e de acordo com os islamitas os senhores da Guerra têm a combater ao seu lado tropas etíopes; este facto levou a UTI a declarar guerra à Etiópia, como terá reafirmado o principal dirigente islamita, xeque Muhamad Ibrahim Suley.
É evidente que não descarto esta natural hipótese de tropas etíopes estarem a combater ao lado do Governo de Transição.
Dada a situação actual da Etiópia, o país seria alvo de inúmeras convulsões sociais caso se verificasse uma vitória completa dos islamitas da UTI, como preconiza um dos seus líderes, o radical xeque Hassan Dahir Aweys.
Senão vejamos:
A norte têm a Eritreia, islâmica e pouco satisfeita com os etíopes, ao ponto de se constar que estão militares eritreus a combater ao lado dos islamitas somalis. Não esquecer que a Etiópia ainda não “aceitou” ter ficado sem uma saída para o mar e o Djibouti não parece ser o caminho mais indicado. Relembremos que na terra dos Afars e Issas “pernoitam” os franceses;
A oeste o Sudão com as crises que se conhecem, entre elas e a principal, no Darfur, mas que se mantêm, e renovado, no Sul animista;
A sul está um Quénia que, por vezes, nos oferece cíclicas perturbações sociais devido à incisiva penetração dos islamitas radicais.
Ora, se a sudeste estiver um estado claramente islâmico onde a sharia está já aplicada nos locais dominados pela UTI, como poderia a Etiópia manter o actual estatuto de país-sede da União Africana, maioritariamente cristão, mas com uma comunidade islâmica superior a 30%.
Claramente, o Corno de África, importante check-point marítimo, vai ver acabar o ano numa agitação militar como há muito não se via, a que não poderemos dissociar a que, certamente, ocorrerá na vida social e política da região, com particular destaque para aqueles que navegam junto dela, para Norte, de caminho para o Médio Oriente e Europa, ou através dos seus estreitos para os países do centro e sul africanos.
E com isto, o Sudão conseguirá um pequeno intervalo junto da Comunidade Internacional com nefastas consequências para o mártir povo de Darfur.

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NOTA: Artigo publicado, na íntegra, no portal Image hosted by Photobucket.com sob o título "O Corno de África".

12 dezembro 2006

Os ditadores protegem-se


(imagem BBC News)

Lembram-se de um tal Mengistu Mariam que chegou a se intitular “Imperador Vermelho” e que governou a Etiópia entre 1977 e 1991 com o apoio da defunta União Soviética que, por acaso e até essa data, apoiava a Somália?
De notar que Mariam esteve entre os militares que derrubaram o imperador Hailé Selassié.
Sabiam que quando Mariam foi deposto, fugiu para os braços de um tal Robert Mugabe, o eternizado presidente do Zimbabwé?
Acabei de ler aqui que o tal senhor, ao fim de 12 anos de férias no Zimbabwé, foi considerado culpado pelo Supremo Tribunal Federal da Etiópia pela prática de genocídio, detenção ilegal, homicídio e confiscação de propriedades. E com ele outros 34 réus, a maioria, à revelia.
Mas como ele continua nos braços do seu amigo Mugabe o Tribunal vai ter de proferir a condenação – que se espera seja à morte, para não variar, não conhecem outra condenação mesmo que a mereçam – à revelia porque o Zimbabwé, na pessoa do seu ilustre presidente, tem recusado os pedidos de extradição do ex-ditador.
Pois é, os ditadores protegem-se embora, por vezes, se odeiem. Mas como sabem muito uns dos outros…

26 outubro 2006

Somália e Etiópia em perigosa rota de colisão

(imagem ©daqui)

Fui alertado por um apontamento de Carlos Narciso, no Blogda-se, sobre a possível guerra entre uma das facções guerreiras da Somália e a Etiópia, conforme ele pode constatar no sítio da Aljazeera.net.
Também o sítio do semanário português Sol faz referência a este assunto.De facto, e de acordo com o primeiro-ministro etíope, Meles Zenawi, desde há umas semanas que se registam confrontos entre forças regulares etíopes e guerrilheiros da União dos Tribunais Islâmicos (UTI) que, segura e paulatinamente, estão a ganhar terreno e conquistar cidades à Coligação dos Senhores da Guerra, agora elevados à categoria de protectores do Ocidente, liderados por Abdullah Yusuf, como presidente do Governo Nacional de Transição, e que conta, também, com o apoio de soldados etíopes.
Como a Eritreia, que mantém há uns anos um conflito surdo com a Etiópia, parece apoiar os guerrilheiros da UTI – e não esquecer que foram os sunitas e alguns xiitas que apoiaram a Frente Eritreia de Libertação Nacional na sua luta separatista contra a Etiópia – é de prever uma escalada no conflito.
Não esquecer que a Etiópia ficou sem a sua ancestral saída marítima e que, não poucas vezes, tem reclamado algumas parcelas somalis. O contrário também é verdade; relembremos o deserto de Ogaden e do conflito de 1977.
E, provavelmente, o assunto não ficará por aí.
Djibuti, onde estão estacionadas tropas francesas deverá estar a sentir as costas demasiado quentes. Ora o antigo território dos Afars e dos Issas que também estão disseminados pela Etiópia e pela Somália poderá vir a ser um “prato” delicioso para, por um lado, os etíopes terem uma saída para o Mar e, por outro, os somalis aproveitarem para levar a “jihad” o mais longe possível.
Ora quem dominar a entrada do golfo dominará o Corno de África e todas as rotas marinhas da região, em particular o Golfo de Aden e o sacrificado e discutido estreito de Bad el Mandeb.
E, aqui, por certo, entrarão os sauditas, iemenitas, egípcios e… israelitas e americanos.