O chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas Angolanas disse que há confrontos entre o exército nacional e grupos rebeldes da RDC. O professor Eugénio Almeida alerta para eventuais infiltrados entre os refugiados.
Geraldo Sachipengo Nunda, chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas Angolanas, garantiu que as fronteiras de angola estão seguras, apesar do registo de confrontos entre forças de defesa nacional e grupos rebeldes da República Democrática do Congo (RDC). No entanto, pode haver alguns perigos, alerta Eugénio Costa Almeida, professor do Centro de Estudos Internacionais do Instituto Universitário de Lisboa (CEI-IUL).
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10 junho 2017
31 maio 2017
Dia de África! mas para quando o dia da união dos africanos?
Como gostava que não fosse
mais um Dia mas tão-somente o “Dia”.
O Dia onde se celebrava o
fim da Pobreza em África; O Dia onde de festejava a Igualdade e a Paz entre
todos os africanos;
O Dia que exaltava a quase
erradicação – também não quero ser mais papista que o Papa – da maioria das
Doenças endémicas e potencialmente perigosas;
O Dia em que se celebrasse
que os conflitos e guerras intestinas, a maioria por razões políticas e
religiosas ou de divisões territoriais, há muito que não aconteciam;
O Dia onde se louvava o
nascimento das Crianças africanas sem que os seus pais sintam qualquer temor de
os ver poder morrer antes do ano ou dos 5 anos;
O Dia em que se enaltece uma
África mais Desenvolvida, Industrializada, ou seja, mais Rica;
Como gostaria que este fosse
o Dia onde todos os africanos pudessem glorificar o facto de só terem
Dirigentes probos, honestos, justos e unicamente virados para o engrandecimento
do seu Povo e do seu País.
Até lá, vou esperando que o Dia de África possa um dia ser não
mais só um Dia, porque como Martin Luther King, também eu tenho um sonho de um dia ver a Raça Humana,
em África, sejam negros, brancos, mestiços, asiáticos ou bosquímanos conviverem
em sã e fraterna amizade.
Deixem-me continuar a sonhar como no poema que escrevi há uns
anos…
Dia de África**
Olh'é Dia de África!!!Pois é…
como se o 25 de Maio
fosse o único dia
que África necessita
neste sistema sapal
onde muitos
se engendram,
parecem
e são
filantes ou sipaios,
corruptos e decrépitos, (...)
(Continuar a ler aqui...)
19_Maio-2017
Publicado no semanário Novo Jornal, edição 484, de 26 de Maio de 2017, página 35
23 maio 2017
Os 38 anos do consulado de José Eduardo dos Santos.**
O semanário Folha 8
solicitou-me, enquanto académico e investigador angolano, uma análise – um
balanço – aos quase 38 anos de tripla presidência de José Eduardo dos Santos, como
mais Alto Magistrado da Nação como Titular
do Poder Executivo e como Presidente do, partido maioritário que desde a
independência, em 11 de Novembro de 1975, governa os destinos e algumas insânias
da nossa grande Nação angolana.
José Eduardo dos Santos, como se sabe, antes dos cargos que
ainda ocupa, foi um destacado representante do MPLA junto das cúpulas militares
das então FAPLA – Forças Armadas Populares de Libertação de Angola –, braço
armado do então movimento emancipalista e anti-colonialista, MPLA, e que, após
a independência, se tornaram nas forças armadas da então República Popular de
Angola (RPA).
Recorde-se o papel que teve, enquanto major, no conflito
pré-27 de Maio de 1977, entre a facção, dita fraccionista – ou fraccionismo –,
de Nito Alves – à época, Ministro da Administração Interna da RPA – e a via
oficial do então presidente do MPLA e do País, Agostinho Neto, quando liderou a
Comissão criada para estudas as chamadas 13 Teses de Nito Alves. (poderão ler
mais desenvolvidamente no meu ensaio, “Angola, Potência Regional em Emergência”,
páginas 67 a 71).
Sintetizar os quase 38 anos de liderança de José Eduardo dos Santos, como líder do MPLA, desde 10 de Setembro de 1979, após falecimento do Dr. Agostinho Neto, à época presidente do Partido e 1º Presidente de Angola independente, como Presidente da República, desde 20 de Setembro de 1979 – provavelmente deverá mesmo completar os 38 anos na Presidência da República, porque desde as eleições a 23 de Agosto próximo, dias antes do Presidente Eduardo dos Santos completar 75 anos de idade, até à confirmação oficial, pela Comissão nacional de Eleições e pelo Tribunal Constitucional do partido vencedor e, por inerência, do cabeça de lista como Presidente eleito, dificilmente haverá um novo Presidente antes de 20 de Setembro – e os longos anos como Titular do Poder Executivo – não esquecer e, independentemente do que os analista políticos possam interpretar (eu faço-o como investigador e não como analista político) que durante alguns períodos o Poder Executivo foi liderado por Primeiros-ministros, alguns dos quais fizeram valer as suas competência e autoridade como tais – é, em tão pouco tempo e espaço, muito difícil.
Por isso, recordemos alguns factos que ocorreram neste período:
Sintetizar os quase 38 anos de liderança de José Eduardo dos Santos, como líder do MPLA, desde 10 de Setembro de 1979, após falecimento do Dr. Agostinho Neto, à época presidente do Partido e 1º Presidente de Angola independente, como Presidente da República, desde 20 de Setembro de 1979 – provavelmente deverá mesmo completar os 38 anos na Presidência da República, porque desde as eleições a 23 de Agosto próximo, dias antes do Presidente Eduardo dos Santos completar 75 anos de idade, até à confirmação oficial, pela Comissão nacional de Eleições e pelo Tribunal Constitucional do partido vencedor e, por inerência, do cabeça de lista como Presidente eleito, dificilmente haverá um novo Presidente antes de 20 de Setembro – e os longos anos como Titular do Poder Executivo – não esquecer e, independentemente do que os analista políticos possam interpretar (eu faço-o como investigador e não como analista político) que durante alguns períodos o Poder Executivo foi liderado por Primeiros-ministros, alguns dos quais fizeram valer as suas competência e autoridade como tais – é, em tão pouco tempo e espaço, muito difícil.
Por isso, recordemos alguns factos que ocorreram neste período:
- · Uma sangrenta luta fratricida (guerra-civil) entre a RPA, do MPLA, e a UNITA, que teve o seu trágico fim em Fevereiro de 2002;
- · Não esquecer que em 1992, e após o Acordo de Bicesse de 1990 que trouxe, além de uma Paz efémera, o multipartidarismo, que permitiu a realização de eleições gerais, contestadas pela UNITA, de que resultou uma Assembleia Constituinte que alterou, definitivamente, a liderança monopartidária do MPLA e transformou a RPA em República de Angola, subordinada ao Estado de Direito, algo que tem sido contradito quanto à sua efectiva realização;
- · O fim da guerra-civil permitiu serem criadas as condições para uma efectiva Paz militar – ainda que se pareça quase total, não esqueçamos o problema de Cabinda –, faltando consolidar dois princípios fundamentais de um Estado de Direito, algo que os dois mandatos presidenciais, da pós-Constituição de 2010, parecem não ter conseguido lavrar: mais paz política, social e melhor redistribuição económica.
- · Foram – são – várias as causas que nos podem levar a colocar alguma reticência na paz política e social, não só pelas questões políticas actuais, com as diversas makas e desencontros entre o partido maioritário no Poder e a Oposição, como as questões jurídicas com o caso dos jovens detidos por assumirem posições politicamente divergentes com o “status quo”, a aceitação plena do candidato proposto por Eduardo dos Santos para liderar o MPLA nas eleições gerais, e, principalmente…
- · Como irão coexistir, no caso da vitória do MPLA nas próximas eleições gerais e subsequente eleição do seu cabeça de lista, João Lourenço, como Presidente, a mais que certa liderança bicéfala neste partido; ou seja, como poderá este candidato, caso se torne Presidente e Titular Executivo, gerir os interesses da Nação Angolana, se estes colidirem com os interesses partidários que, em princípio, até 2018, serão da responsabilidade de José Eduardo dos Santos?
- Já na Paz Social, por muito que possa ter tentado, foi algo que o Poder Executivo de Eduardo dos Santos, parece ter desconseguido materializar; não podemos esquecer que, apesar de vários e evidentes sinais de um desenvolvimento económico, na quase totalidade do território nacional, ainda existem inúmeros – demasiados – núcleos de pessoas em condições infra-humanas, em especial, no que toca à salubridade pública, à persistente falta de condições económicas aliada à existência – pouco explicada o como – de um elevado número de milionários e multimilionários – segundo o portal AngoNotícias, em 2015 haviam 4900 milionários que, de acordo com o portal A24, terão subido para, em 2016, 6400, tornando-nos no 5º país de África com mais milionários, e recentemente, soube-se que destes, 320 são multimilionários –, bem como uma persistente endemia de doenças perigosas e que poderiam ser evitadas ou minoradas se houvesse mais saneamento básico, nomeadamente na capital.
Estes
factos podem não ser suficientes para caracterizar os 38 anos de Poder de José
Eduardo dos Santos. Não o são, certamente. Mas tenho de pensar que estou a
escrever para um Jornal – semanário – e não para uma Revista científica de
Ciências Sociais. E um jornal tem limitações maiores que uma revista não impõe-*
Lisboa, 5 de Maio de 2017
*Investigador Doutorado do CEI-IUL, do ISCTE-IUL.
** texto publicado no Jornal Folha 8, de 6 de Maio de 2017, na página 10 com o título «Uma Tripla Presidência»
19 maio 2017
Angola e o espaço exterior: mais olhos que barriga ou campanha eleitoral?
Angola admite mandar para
o espaço
mais satélites até 2025. Se ainda nem o primeiro “AngoSat-1” conseguimos
que saísse da Terra...
Todas as campanhas
eleitorais são caracterizadas pelo exagero das promessas, mesmo as
inexequíveis. Mas manda o bem senso que há algumas que nunca devem ser
abordadas ou trazidas para o circo eleitoral sob pena de tudo o que pode, de
bom, ter sido dito deixar que ser considerado válido. Ou seja, os
"artistas eleitorais" acabam por matar as boas ideias.
Ora esta é claramente uma
ideia não só difícil - diria, quase inexecutável - como problemática, porquanto
sabemos que o País não nada em dinheiro - o custo de um satélite e o seu
lançamento são inquantificáveis - como desde meados do ano passadio estamos em
forte recessão.
É certo que o preço do
petróleo tem estado a subir. Mas também sabemos que já circulam nos meetings
internacionais sobre energia que, provavelmente, vai deixar de haver viaturas
com combustíveis fósseis, na Alemanha o
parlamento já aprovou que, a partir de
2030, fica proibida «a comercialização, no mercado local, de automóveis novos
movidos por motores de combustão, a gasolina ou a gasóleo». Também a Noruega,
Holanda e - até - a Índia, só admitirão a circulação de veículos eléctrico a
partir de 2035.
Ora, com a nossa economia
a continuar fortemente dependente do petróleo - e desconheço se algum programa
partidário prevê alguma alteração qualitativa e quantitativa quanto a esta
"monodependência" económica - não vejo como poderemos inverter a
actual situação de crise económica e financeira.
Consequentemente, como
poderemos fazer a apologia do lançamento de satélites de teledeteção remota1
– também dito “sensoriamento remoto” (em português brasileiro) ou “ereção
remota” (em português europeu); nisto, paradoxalmente, nós somos menos sensuais
na terminologia – dentro de dois anos, no programa de Estratégia Espacial até
2025, com tão parcos recursos?
Caros Governantes, há,
claramente e nesta altura, outras prioridades para os nossos cidadãos! Não tenhamos mais olhos que barriga...
1 Satélites de teledeteção remota: De acordo com o Wikipédia
são, ou contém, instrumentos que possibilitam «a obtenção de informações sobre alvos na
superfície terrestre (objectos, áreas, fenómenos), através do registo da
interacção da radiação electromagnética com a superfície, realizado por sensores
distantes, ou remotos. Geralmente estes sensores estão presentes em plataformas
orbitais ou satélites, aviões e a nível de campo. A NASA é uma das
maiores captadoras de imagens recebidas por seus satélites»
Este texto foi transcrito nos portais do semanário Folha 8 e do jornal Pravda.ru
Este texto foi transcrito nos portais do semanário Folha 8 e do jornal Pravda.ru
08 abril 2017
Síria, do ataque aéreo químico à retaliação norte-americana: breve análise
(imagem de © UOL Notícias)
O presidente norte-americano Donald Trump considerou
o eventual ataque químico na Síria como a “linha
vermelha” para “acolher”, sem possíveis e imediatas retaliações, o que se
pass(ava)ou no país de Bashar al-Assad.
Recorde-se que há cerca de 4 dias ocorreu um eventual ataque aéreo,
à localidade síria de Khan Sheikhoun (Idlib), controlada pelos rebeldes sírios,
com produtos químicos (especulou-se, eventualmente, gás
sarin???!!!), tendo provocado várias largas dezenas de vítimas, entre feridas
e mortas, entre elas, crianças.
Como se sabe, Trump terá dado ordens à marinha
norte-americana para atacar, ontem, uma
base aérea de Al-Shaayrate, (em Homs, norte da
Síria) de onde, supostamente, teriam partido os ataques com armas
químicas, bombardeando-a com misseis, de médio-longo alcance e grande precisão,
Tomahawk.
Pelas imagens logo se verificou que se a ideia era
torná-la inoperacional, saltavam à vista a presença de 3 ou 4 aviões de caças
Sukhoi (pelo menos pareciam) intactos. O comunicado russo, lido por um porta-vos oficial, disso deu logo a entender, ainda que admita terem sido destruídos alguns aparelhos, além de contestar o ataque como sendo perigoso, como a presença de um navio russo nos limites dos barcos norte-americano o comprovam, o governo russo acrescentou que o ataque. além de um "pretexto" para "agredir" a Síria, foi, também ele, uma violação do Direito Internacional (recorde-se que o ataque norte-americano ocorreu sem a chancela da ONU, dado que o Conselho de Segurança da ONU ainda está a negociar os termos da condenação do ataque químico).
Por isso não surpreende esta notícia, de hoje, que «Dois
aviões militares descolaram da base aérea síria atacada pelos Estados Unidos
esta manhã e realizaram bombardeamentos nas proximidades» em ataques a
zonas controladas pelo Estado Islâmico/DAESH, conforme terá confirmado o director
do Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), Rami Abdel Rahmane, que terá
sabido precisar se os aviões seriam sírios ou russos.
Acresce que o ataque foi precedido de um
aviso prévio norte-americano aos russos. Se a base atacada fosse
importante, por certo que estes teriam impedido o ataque, ou mandado retirar
todo o material importante. E não o fizeram. Daí que...
Daí creio se poder inferir duas coisas:
1. Trump aproveitou esta oportunidade para dar
recados internamente, do tipo, se necessário tomo iniciativas que vos faça
ponderar as vossas atitudes anti-administração, bem como um sério aviso, das
suas ideias belígeras, ao Irão e à Coreia do Norte!
2. A outra, e esta é meramente conspirativa, a partir
de alguns comentários que se vai v(l)endo nas páginas sociais, e que não deixam de
ter o seu quê de eventual razão, prende-se com a necessidade dos “aliados” dos
rebeldes sírios afastar possíveis interpretações que teriam sido aqueles a dar
material químico aos rebeldes (agora falta saber quais os aliados, sendo que um
deles foi muito pronto, ainda antes de haver qualquer notícia comprovativa do possível ataque, a denunciar este, a Turquia; e colocando a Rússia no papel de apoiante; bem como sendo a única
que foi pronta a identificar o já citado possível agente químico utilizado...).
Nota
complementar: Digo eventual ataque aéreo químico,
porque há duas versões: uma, inicialmente, dita por pessoas não afectas às
partes que o produto químico não teria sido devido a um ataque aéreo, mas devido
à explosão de um armazém, facto posteriormente confirmado, posteriormente,
pelos russos ao reconhecerem que teriam atacado um armazém rebelde não sabendo
que estes tinham produtos químicos armazenados; e outra, a versão dos rebeldes
e bem aceite pelos que o apoiam, que teria sido um ataque aéreo da força aérea
de al-Assad; ainda que análises
independentes questionem a oportunidade desta versão.
Até agora, nenhuma fonte independente atestou qual
das duas versões é a mais correcta.
Conhecendo as ideias e atitudes de ambos os lados,
em actividades bélicas anteriores, não me admiraria que ambas as probabilidades
pudessem ter alguma base de razão…
A aumentar as dúvidas, o recente artigo
do portal russo Sputnik que recorda um antigo artigo do jornal britânico Daily
Mail, datado de 29 de janeiro de 2013, e que entretanto já o removeu do seu portal,
intitulado de “EUA apoiam plano para
realizar ataque químico na Síria e culpar o regime de [Bashar] Assad”. Russos,
mesmo que “apoiantes ou simpatizantes” de Trump, não perdoam uma oportunidade
de afrontar políticas norte-americanas. É o actual e arriscado populismo versus populismo que se não for travado
pode colocar a população mundial numa perigosa espiral bélica…
04 abril 2017
4 de Abril 2017, Dia da Paz e Reconciliação Nacional
Hoje, é 4 de Abril , Dia da Paz e da Reconciliação Nacional.
Passados que são 15 anos de Paz, penso que continua a fazer sentido este artigo que, há 3 anos, escrevi para o Novo Jornal «Há 12 anos de Paz militar mas não faltará a Paz social?...»
E este texto hoje do Novo Jornal, «Dia da Paz comemorado longe da guerra, mas ao lado das dificuldades diárias,...» vem, de certa forma, atestar as minhas dúvidas.
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