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10 junho 2017

«Conflito na RDC: Que perigos para Angola?» análise para a DWelle-África

O chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas Angolanas disse que há confrontos entre o exército nacional e grupos rebeldes da RDC. O professor Eugénio Almeida alerta para eventuais infiltrados entre os refugiados.

Geraldo Sachipengo Nunda, chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas Angolanas, garantiu que as fronteiras de angola estão seguras, apesar do registo de confrontos entre forças de defesa nacional e grupos rebeldes da República Democrática do Congo (RDC). No entanto, pode haver alguns perigos, alerta Eugénio Costa Almeida, professor do Centro de Estudos Internacionais do Instituto Universitário de Lisboa (CEI-IUL).

Ver e ouvir aqui




19 fevereiro 2016

Pode a Síria ser um remake musculado de Cuba? - artigo

«E recordemos que se está a realçar os 100 anos do Acordo Sikes-Picot (16 de Maio de 1916) que desenhou o Oriente árabe. A História não se reescreve, mas a memória histórica pode influenciar os factos históricos futuros!»


(o artigo)

"Antes de mais o que se passa na Síria nada se assemelha com o que se passou em Cuba, em 1962. Todavia, os actores principais são os mesmos e ambos, de novo, candidatos aos prémios Razzies (os prémios para os piores filmes e actores), no caso EUA e Rússia; mas se os actores principais são estes, os secundários são quase os mesmos, só alterando Cuba por Síria e mantendo-se a OTAN/NATO e acrescentando outros que pela sua importância são candidatos naturais aos mesmos prémios mas para actores secundários.

Recordemos que na versão inicial, o enredo tinha como argumentista principal a Guerra-fria e como décor filmatográfico a ilha de Cuba a pouco mais de uma centena de quilómetros dos EUA. Já a base do enredo teve como principal motivo a tentativa de colocação de mísseis soviéticos direccionados de Cuba para os EUA.

A sua possível colocação poderia ter transformado a Guerra-fria em uma quase certa 3ª Guerra Mundial.

Perguntar-me-ão, e bem, o que me leva relacionar Crise dos Mísseis de Cuba (os russos definam-na como Crise Caribenha e os cubanos como Crise de Outubro) com a actual situação caótica político-militar na Síria.

Além dos mesmos actores princiapis já referidos, o facto de, ao contrário de Cuba onde prevaleceu uma surda guerrilha de palavras, aqueles participam militarmente no palco do conflito em posições opostas – embora sob a capa de um inimigo comum, o terrorismo – e com actores secundários a quererem implicar EUA e Rússia em um hipotético confronto directo.

Ora isto só por si não seria motivo suficiente para que os dois caos fossem considerados quase como um remake um do outro. Existem outros factos que levam a esta consideração. (...)" (continuar a ler aqui).

Publicado no semanário Novo Jornal, edição 419, de 19 de Fevereiro de 2016, 1º Caderno, página 18 ,

26 março 2015

Iémen, palco de uma luta fratricida

(foto do ©Público, de 26Mar2015)
O Iémen desde há muito que se tornou no palco do confronto fratricida entre duas correntes islâmicas da Península Arábica: de uma lado os sunitas apoiados pela Arábia Saudita; do outro xiitas com o suporte financeiro e militar do Irão.

Raúl Braga Pires, no seu blogue Maghreb-Machrek faz algumas análises à situação no Iémen, a última teve a haver com o massacre a duas mesquitas iemenitas.

Razões que, talvez, e entre outras, nomeadamente a dicotomia sunita-xiita, tenham levado à intervenção, hoje, de uma coligação árabe chefiada pela Arábia Saudita através de bombardeamentos à capital Sanaa e a outras zonas controladas pelos xiitas.

Ainda assim, de destacar que as zonas controladas pela al-Qaeda ainda estão "sossegadas"; ou, mera consideração analítica, não fossem estes sunitas...

Interessante!

Não esquecer que o Iémen controla uma das entradas para o Mar Vermelho e é vizinho frontal do Djibuti e da conturbada Eritreia. E se o controlo do Mar Vermelho cair nas mãos de insurgentes isso terá efeitos catastróficos para o Canal de Suez; daí o Egipto também participar na coligação.
...

30 agosto 2014

O Ocidente está a esticar, em demasia, a corda pela Ucrânia…

(imagem da Internet)

Parece que o Ocidente ainda não percebeu que quem manda na Praça Vermelha, não se chama Boris Yeltsin ou Dimitri Medvedev, e não (sobre)vive do vodka como o primeiro.

Actualmente o inquilino da Krasnaya ploshchad (Praça Vermelha, em português), mais concretamente, do Kremlim, chama-se Vladimir Vladimirovitch Putin; que, por acaso, foi membro superior do KGB e da, posterior, FSB.

É um indivíduo que conhece, como poucos, na Rússia, a mentalidade ocidental e como os ocidentais se (não) comportam perante factos para os quais, apesar de estarem preparados, in book, nunca o estão mental e psicologicamente. Esperam sempre que, fazendo ameaças, os opositores se acobardam.

Nada mais errado quando o opositor conhece bem quem o afronta, como é o caso de Putin! Como actual inquilino da Praça Vermelha – é a segunda vez que lá está com um mandato como teórico primeiro-ministro – além de ter vindo da antiga escola do KGB, ou por isso, mesmo, sabe que o Ocidente não possuiu, nesta altura, de um JFK além da União Europeia ser, cada vez mais, uma manta de retalhos nada solidária onde os problemas sociais, políticos e, principalmente, económicos prevalecem sobre qualquer tipo de redefinição de fronteiras que não sejam as suas.

Por isso torna-se ridículo quando a NATO (ou OTAN) vem dizer que está disponível para abrir portas à Ucrânia, com o próprio Primeiro-ministro ucraniano afirmar que vai pedir ao parlamento que aprove pedido de adesão à Aliança Atlântica. Questiona-se, que verdadeira legitimidade política tem o actual primeiro-ministro ucraniano para fazer afirmações destas que só colocam a NATO em cheque?

Acresce, que se saiba, um dos primeiros requisitos da NATO passa pelos Estados terem ideias políticas defensoras da Liberdade e dos Direitos Humanos. Os actuais inquilinos de Kiev, como se sabe, estão no poder após uma enorme e sangrenta actividade contestatária e encabeçada por movimentos claramente nada democratas (para não chamar os nomes correctos…).

Por outro lado foi sempre teorizado pela NATO – e muito bem – que a Ucrânia deveria ser um país de charneira entre um Ocidente – às vezes, e muitas vezes, – quase decrépito mas onde persiste a melhor das ditaduras e uma Rússia onde o czarismo está muito implantado e onde existe um Chefe de Estado que deseja recuperar um esplendor político-militar – mesmo que fictícios – que já lhe permitiu se exibir como superpotência.

Ora, nem o Ocidente (Europa e EUA) está capaz de afrontar um “urso” a despertar, com a particularidade dos russos serem os principais fornecedores do gás consumido na Europa central e leste, onde predomina uma potência económica que parece estar a estagnar, a Alemanha – também ela com atitudes muito dúbias, historicamente reconhecidas, no que toca a Moscovo – nem os EUA conseguirão manter diversos “conflitos” latentes em várias frentes – com os russos, com os radicais islâmicos e… com os outros –; nem os russos – leia-se, Putin –, poderão sustentar a peregrina ideia que vão conseguir recuperar o antigo esplendor glamouroso da defunta URSS.

Face a estes condicionalismos talvez não fosse despiciente que as duas potências, sem prévia agenda, apresentassem numa távola (redonda ou quadricular ou o que quiserem) as suas preocupações e depois disso debatessem a melhor solução para resolverem a questão ucraniana.

De uma coisa os ucranianos deverão ter a certeza, se os alemães, principalmente, sentirem que a sua economia irá claudicar ainda mais por causa da causa ucraniana, serão, indiscutivelmente – ameaçando, as vezes que o fizerem, de aumentarem as sanções à Rússia –, os primeiros a deixarem cair aquela causa! Não tenham a menor dúvida!

Por outro lado o Ocidente tem de compreender que não pode sustentar uma raposa disfarçada no seu galinheiro sem que daí não venham nefastas consequências. Ao Ocidente, agrade-lhe ou não, tem que reconhecer que apoiou um movimento onde persistiam, e persistem, indivíduos cuja linha política nada tem de democrata e onde certos autocratas actuais, nomeadamente em África, conseguem passar por cordeiros, comparados com aqueles políticos ucranianos.

Como também não deixa de ser ridículo que o quase “demissionário” presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, diga que embora reconheça uma situação ou “um ponto de não retorno”, onde os insurrectos separatistas estão a avançar na região sul ucraniana a determinação europeia terá o seu impacto na Rússia. Qual determinação? As sanções que todos subscrevem mas onde sobre as quais cada um dos Estados da UE impõe derrogações conforme os seus interesses económicos e financeiros?

Às vezes a Europa – e alguns, muitos, dos seus políticos – faz recordar aquele patético ministro de Saddam Hussein que afirmava, peremptoriamente, que os norte-americanos nunca entrariam em Bagdad, precisamente quando estes já estavam a abrir a porta do seu gabinete…

Citado no Portuguese Independent News Network (2/Set./2014)

02 março 2014

A crise na Ucrânia – Comentário

"Começou por ser a Revolução Laranja (Pomarancheva revoliutsiya) e agora está na Revolução do Povo. Começou por ser uma revolta contra a corrupção e fraude eleitoral em 2004, que levou a uma alteração constitucional.

Agora há uma revolta popular por… as mesmas razões; corrupção, fraude pós-eleitoral, subjugação política, defesa de princípios políticos antagónicos. Uns querem a habitual e ancestral manutenção da ligação à Rússia; outros desejam um afastamento de Moscovo e uma maior aproximação às teses europeístas do Ocidente.

Talvez que ambos tenham razão. De um lado a História – que não deve ser esquecida – e os compromissos históricos dela decorrente; recordemos como a região ucraniana da Crimeia tem sido importante para a manutenção da qualidade potencial e da hegemonia russa na região. É na Crimeia que está “depositada” uma das principais flotilhas da armada russa. No outro espaço político-social estão aqueles que defendem que a liberdade e o desenvolvimento da Ucrância estão na aproximação à União Europeia (UE) e aos seus inafundáveis fundos estruturais.

Ambos têm razão que a força do Poder não pode evitar. A História não pode, nem deve, ser esquecida ao contrário do que praticam alguns dos actuais países da UE – os lusos e os gregos estão entre os políticos que se esqueceram da História com as consequências que ressaltam aos olhos dos seus povos – como é certo que foram os fundos da UE que permitiram que alguns países, nomeadamente os do Sul, se aproximassem, estruturalmente, da qualidade e do desenvolvimento económico dos países do Norte, como são os escandinavos, os alemães e os franceses. (...)" (continuar a ler aqui ou aqui)

©Publicado no portal “Pravda.ru”; Inicialmente enviado para um jornal russo a seu pedido e cooptado pelo jornal Pravda.ru (http://www.elcalmeida.net/content/view/952/46/

12 abril 2013

Guiné-Bissau, o Golpe foi há um ano

Passado um ano do Golpe de António Indjai a Guiné-Bissau mantém-se na mesma encruzilhada em que caiu com o Golpe, como recorda Raúl Braga Pires neste seu apontamento no blogue Mghreb/Macherek, no semanário Expresso.

Acresce a isto, o facto de um dos principais intervenientes no processo golpista, o almirante Na Tchuto ter sido detido em supostas águas internacionais (talvez tenha sido fora das 12 milhas mas foi, claramente, detido na zona económica exclusiva caboverdiana), por tropas norte-americanas e enviado, de seguida, para os EUA onde já está a ser ouvido em juízo sob acusação de tráfico de droga/estupefacientes e de ter participado na morte de agentes norte-americanos.

Só que, como recorda o jornalista Aly Silva, não é só Na Tchuto que é credor do mandato de captura internacional devido ao tráfico de droga. Há mais e têm proveniência na Guiné-Bissau.

E o que tem a droga a haver com o Golpe. Especula-se que muito dado que um está interligado com o outro. Acresce que há "demasiados" e "interessados" oficiais superiores no poderosos serviço militar Bissau-guineense.

O certo é que um ano depois o Golpe continua a fazer-se sentir e a comunidade internacional parece se ter desligado, de vez, dos assuntos Bissau-guineenses para mal dos poucos pecados deste povo lusófono, cada vez mais franco-crioulo,(ou não lá estivessem as ineficazes forças militares da CEDEAO lideradas por nigerianos e senegaleses).

E nem Ramos-Horta, representante oficial das Nações Unidas, parece conseguir que haja alguma evolução credível na actual situação política do País. talvez que a proposta de Patriota, MIREX brasileiro, possa vir a ter algum resultado.

Só que já foram várias as propostas nesse sentido e até hoje, nada!...

02 abril 2013

República Centro-Africana, onde estavam os franceses?

"Durante uns anos, a prioridade do Quai d'Orsay e do Palácio do Eliseu era manter a França dentro dos problemas africanos não como uma potência amiga e solidária mas, realmente, como um potência colonizadora, policial e interferente.

Mudaram os inquilinos franceses e, parecia, ia mudar a política francesa. Puro engano como se viu com a intervenção, claramente justificada, embora dependendo da perspectiva e dos actores ou observadores, no Mali. Tinha ocorrido, alguns meses antes um Coup d’ État que havia derrubado um Governo legitimado pelo voto. Um golpe criticado e censurado pela União Africana e pela Comunidade Internacional, França incluída. Vários desenvolvimentos internos acabaram por sancionar o criticável: o Golpe de Estado, diga-se, um acto que começa a ser enquadrado nos factos habituais…

Mas se o golpe maliano acabou “legitimado” os desenvolvimentos subsequentes, como a secessão do norte do país por rebeldes, ditos próximos dos jihadistas, acabou por mudar a “nova” política francesa de não-interferência de Hollande e retornar à “velha” política de polícia de África de De Gaulle e amigos com a entrada no Mali sob a capa de uma Resolução das Nações Unidas para recuperar a territorialidade maliana e defender os valores morais, culturais e nacionais dos malianos contra os valores extremistas de movimentos islâmicos.

Pois, numa altura que a França começava a preparar a saída dos seus militares do Mali onde já consideravam ter acabado a missão de reconquistas territorial maliana e entregue a defesa nacional aos militares malianos – que foram quem derrubaram o poder legitimado pelo voto – eis que surge, ao lado, um novo caso de ataque às instituições democráticas eleitas pelo povo. Na República Centro-Africana o poder é atacado e derrubado por um movimento rebelde, próximo dos jihadistas, liderado por Michel Djotodia; e o presidente, François Bozizé, é obrigado a fugir para o Congo Democrático procurando, deste modo, manter legítimas, perante a comunidade internacional, o seu direito ao cadeirão do Poder.

E onde estavam as tropas francesas que, segundo Paris, estão sempre operacionais para manterem a legitimidade constitucional e evitar a tomada de poder por extremistas islâmicos ou similares? Somente no aeroporto, para onde foram, posteriormente, e para manter livre a porta de saída dos europeus que o desejarem… (...)" (continuar a ler aqui ou aqui)

Publicado no semanário Novo Jornal, edição 271, de 29/Março/2013, 1º caderno, página 21

17 janeiro 2013

E na recente crise do Mali…


A crise do Mali resultante da secessão da parte norte do país levada a efeito por rebeldes tuaregues ditos islamitas radicais – o que se estranha porque os tuaregues nunca foram radicais islamitas, em parte, devido aos efeitos do pós-independência da Argélia –, após uma tentativa de Golpe de Estado, liderada pelo capitão Amadou Haya Sanogo, o que obrigou a uma tomada de posição forte por parte da União Africana e da CEDEAO.

Tal como a verificada no Coup d’État (Golpe de Estado) da Guiné-Bissau.

Recorde-se que a secessão resultou na proclamação do Estado de Azawad, de matriz islâmica, pelo Movimento Nacional para a Libertação de Azawad (MNLA), a que se juntaram outros grupos rebeldes, incluindo radicais alegadamente ligados à al-Qaeda, como a Al-Qaeda no Magreb Islâmico (AQMI) ou o Ansar Dine Islâmico, bem como sudaneses e alegados saauris; o Azawad é um território um pouco maior que a França, e que corresponde a cerca de dois terços da área total do Mali (ver imagem).

Ou seja, e em boa verdade, o que a UA e a CEDEAO fizeram foi já habitual um tiro no escuro, demasiado breu, sem quaisquer efeitos práticos – como em todos os Golpes ocorridos no Continente – pelo que necessitou da entrada de terceiros para que a questão tivesse outro caminho.

Foi o que aconteceu nestes dois últimos dias com a entrada das forças armadas francesas na procura da recuperação da integridade territorial do Mali após suposto pedido das autoridades malianas de Bamako.

Essa foi a razão oficial. No entanto, há uma outra razão substantiva e subjacente para que a França, com o apoio da ONU, da CEDEAO, da União Africana – por via da aplicação da Resolução 2085 da ONU, sobre o Mali, – e de alguns dos principais líderes africanos, como o presidente sul-africano, Jacob Zuma o confirmou, ontem, em Luanda, tenha começado a actuar no Mali: a eventual queda do presidente interino Dioncounda Traoré.

O governo de Traoré começou a sentir os reais efeitos da crise militar quando os rebeldes tomaram de assalto, no passado dia 10, a cidade de Konna – na região de Mopti, que já não faz parte de Azawad –, a cerca de 300 quilómetros a norte da capital, Bamako.

Não esqueçamos que Traoré ascendeu ao poder em Bamako depois da tentativa de um Coup d’État levado a efeito em Março de 2012, pelo capitão Sanogo que visou a queda do regime de Mamadou Toumani Touré, também ele tendo ascendido ao poder, em 2002, após um golpe de Estado.

Ora, a razão invocada para o Golpe foi o alegado descontentamento dos militares com a falta de meios para combater os rebeldes tuaregues no Norte do país. E, todavia, isso não impediu que os revoltosos, após o não apoio da UA ao Golpe, tenham sido os mentores da secessão tuaregue.

Acresce que os tuaregues são acusados de terem estado na linha da frente líbia a apoiar e sustentar o regime de Muammar Kadhafi até ao seu fim definitivo. Na fuga destes elementos bem treinados e armados para o norte do Mali levou que os mesmos acarretassem consigo muito material bélico, nomeadamente, armamento pesado.

Como este conflito pode provocar uma série de riscos elevados para todo o continente, nomeadamente, uma eventual violenta reação dos islamitas e um potencial desastre humanitário, vamos aguardar qual será o desenrolar final do conflito.

Que esta ajuda militar da França – que deverá ter o apoio das forças africanas da Afisma, (força africana de cerca de 300 soldados da CEDEAO) – não acabe como a ajuda militar humanitária da Líbia.

O ataque de islamitas a um bloco de extração de gás na Argélia – sob a denúncia deste país ter facilitado a travessia aérea das forças francesas para o Mali –, com a captura de reféns e o contra-ataque das forças argelinas para a recuperação do território não inferem bom augúrio.

Ainda assim, há a expectativa que, depois do fim da crise, a questão da Azawad seja assunto de uma análise ponderada e objectiva, visando a integridade territorial do Mali, mas... (basta ver o que aqui escrevi)

25 outubro 2012

Guiné-Bissau, terá sido mais uma Intentona?

"Na madrugada do passado domingo alguns indivíduos terão atacado o quartel da base da força aérea em Bra, nos subúrbios da capital Bissau, por volta das 3horas locais, mais especificamente, e segundo as actuais autoridades militares, terá visado o paiol daquele quartel.

A consequência terá sido a morte de 6 pessoas, algumas delas com farda militar vestida, desconhecendo-se, porque as mesmas autoridades não o confirmam, se seriam todos dos rebeldes ou, também, de militares do quartel.

De acordo com os militares do actual e quase que auto-proclamado CEMGFA, general António Indjai, o mentor e do golpe de Abril de 2012 e verdadeiro chefe de Estado da Guiné-Bissau, teria sido um grupo de rebeldes que teriam vindo de fora do país e liderados por um capitão apoiante de Carlos Gomes Júnior, o capitão Pansau N´Tchama, e proveniente, nas vésperas, de Portugal.


De notar que este mesmo militar, segundo algumas fontes, um comendo, estará estado envolvido no atentado e subsequente assassínio do presidente Nino Vieira e do responsável máximo das Forças Armadas, Batista Tagmé Na Waie, em Março de 2009.
Talvez por isso não tenham sido surpreendentes as primeiras acusações do porta-voz do governo provisório, que de legítimas só o são para a CEDEAO, tenham convergido para Portugal e para a CPLP.
Nada mais óbvio, porque estas duas entidades continuam a considerar autênticas as autoridades apeadas pelo Golpe enquanto as duas partes não se sentarem a uma mesa, em plena igualdade e resolvam as questões que se mantém pendentes.
Recorde-se que, oficialmente - reforço, oficialmente - o actual Governo liderado pelo presidente interino Manuel Sherifo Nhamadjo, não tem o apoio da Organização das Nações Unidas, da União Europeia e da CPLP. Estas organizações afirmam que seu governo permanece sob a influência de um Exército que nunca se submete ao Poder político e persiste no golpismo.
Ora, as horas e os dois dias subsequentes foram de perseguições e detenções por parte dos militares de Indjai. (...)" (continuar a ler 
aqui e aqui)

Publicado no Notícias Lusófonas, como Manchete, de hoje

12 outubro 2012

As novas crises militarizadas - artigo

"Tem havido ápices na História da Humanidade que criaram sangrentos e inqualificáveis conflitos político-militares de consequências descomunais.

Nos tempos mais recentes, foram os casos da primeira e segunda conflitos mundiais a que se juntam as lutas de libertação, as guerras de secessão e as contendas pelas (re)demarcações de fronteiras.

Actualmente, os principais factores de desestabilização político-militar deixaram de ser questões territoriais e/ou “lavagens de sangue” para se reverterem de disputas sociais e políticas em autênticas e sangrentas guerras abertas entre poderes instituídos e novos movimentos de libertação política.

Movimentos que defendem mais liberdade política, mais humanização da gestão pública, mais liberdade humana, ou seja, mais e melhores Direitos Humanos.

A maioria teve a sua génese numa auto-imolação de um jovem tunisino, Mohamed Bouazizi, ocorrido na cidade de Sidi Bouzid, que rapidamente se degenerou numa revolta popular por mais e melhores condições humanas e de cujas manifestações provocaram a queda do autocrata tunisino Zine El Abidine Ben Ali.

Recordemos que foi a partir deste facto que as manifestações se alastraram, depois, por todo o Norte de África e por alguns países africanos.

Recapitulemos o que se passou no Egipto – este em escala muito elevada – e Marrocos, ou de forma menos evidente na Côte d’Ivoire, Uganda, Argélia, Djibuti, Saara Ocidental, em África, ou no Iraque, Omã, Líbano, Jordânia, Arábia Saudita, na Ásia (Médio Oriente). Algumas alterações políticas, talvez menos que o esperado pelos seus mentores, acabaram por ser evidentes ou reforçadas.

Mas revivamos, principalmente, as crises político-militares na Líbia, no Iémen – com a queda dos respectivos ditadores, após um largo período de conflito armado – e, sobretudo, agora, na Síria e, em menor escala, ou em “lume-brando”, o Sudão. (...)" (continuar a ler aqui ou aqui)

Publicado no semanário Novo Jornal, ed. 247 de hoje, pág 25 (1º Caderno)

18 maio 2012

Guiné-Bissau, o que antes era verdade…


Uma das razões evocadas – se não mesmo a única – para o Golpe era não só a presença de forças militares externas no país (a Missang) como a sua “imposição” aos militares Bissau-guineenses.

Por isso é que hoje sai a Missang e… entram paramilitares Burquinassos (69 polícias) que farão parte de um contingente militar da CEDEAO (que inclui cerca de seis centenas de militares nigerianos).

Pois é… o que ontem era verdade, hoje já é mentira.

Para quando a assumpção da verdade total? A subordinação integral da Guiné-Bissau à francofonia e à CEDEAO?

19 abril 2012

Guiné-Bissau: Militares e oposição assinam acordo…


(A calma que as aves nos oferecem de lição: foto Jorge Rosmaninho)

Segundo o porta-voz do auto-intitulado Comando Militar e um designado porta-voz de forças políticas de Oposição foi negociado e assinado, ontem, um acordo de transição político-militar de dois anos, no fim dos quais, o poder transitaria para os civis.


À partida tudo indicaria ser um gesto de compromisso interessante e de bom senso. À partida, só que…

Os dirigentes depostos continuam presos ou escondidos e acossados sem direitos alguns.

Sabe-se que a Cruz Vermelha Internacional terá visitado, também ontem, os dois mais altos dignitários políticos da Guiné-Bissau, tendo-os entregues roupas, medicamentos e artigos de higiene. Mas eles continuam detidos…

Os ditos partidos da Oposição, onde se inclui o PRS cujo presidente, Koumba Yalá, esteve, ainda há dois dias, rejeitar o Golpe (?!), aceitam que a actual Constituição seja só “parcialmente respeitada” e que a “Assembleia seja "declara extinta" pelo Comando Militar bem assim confirme a destituição do Presidente interino e do Governo, e saliente que os partidos políticos declaram manter a organização do poder judicial, civil e militar e manter a chefia militar vigente”.

Segundo o comunicado lido pelo porta-voz dos oposicionistas no fim dos dois anos de transição haverá eleições simultâneas das presidenciais e legislativas, com base num recenseamento biométrico e de raiz e com a participação de eleitores guineenses na diáspora.

Se bem nos recordamos esta não é a primeira vez que existe um Golpe de Estado efectivo ou frustrado na Guiné-Bissau.

Tal como das outras vezes, também a vontade castrense e dos políticos oposicionistas em ver o País caminhar para a Democracia e estabilidade política com os militares confinados nos quartéis tem sido a prerrogativa dos Golpes.

E quais têm sido os resultados?

Golpes seguidos de Putschs e Golpes!

E qual tem sido as movimentações dos militares? Mudanças sistemáticas dos trajectos entre os aquartelamentos e os palácios governamentais, Ou seja, nunca se ficam pelos quartéis!

A tão referida eventual carta de Carlos Gomes Júnior à ONU e a tão propalada conversa do embaixador angolano em Bissau, junto dos militares guineenses, parecem confirmar, inequivocamente, as suas pertinentes dúvidas e, porque não dizer, certezas!

Face a estes habituais desenvolvimentos que garantias têm os políticos Bissau-guineenses que agora será de vez o definitivo aquartelamento dos militares?

Penso que ninguém de bom senso e de boa memória acreditará nisso! Tal como o anúncio de um produto de limpeza, a História não engana!
A solução para a Guiné-Bissau passa por adoptar um sistema como o da Costa Rica!

Ou seja, desmilitarizar e acabar com os militares no País e adoptar uma boa polícia de protecção territorial criada de raiz e com uma sustentada vertente democratizadora.

É certo que esta perspectiva foi uma das razões para o Golpe, já que o tal documento de Gomes Júnior, o eventual documento secreto que o Comando Militar tanto evoca – pensemos que será este – preveria a destituição do comando castrense e das forças militares guineenses e a sua substituição por uma força de intervenção legitimada através de um mandato do Conselho de Segurança e Paz da União Africana.

Interessante que hoje estará a ser discutida no Conselho de Segurança da ONU essa eventual ideia sob auspícios de Portugal em nome da CPLP e, talvez, com o beneplácito da União Africana – que já suspendeu, preventivamente a Guiné-Bissau – e, talvez, da CEDEAO.

Talvez, porque, não é líquido que não haja uma clara mãozinha francófona, face ao xenofobismo linguístico quer dos militares quer de uma certa classe política guineense face à CPLP.

O que, em boa verdade, até se compreende…

O certo é que Angola, em primeiro lugar, e a CPLP em seguida, estão a perder a face na disputa pela primazia política na Guiné-Bissau.

Enquanto isso, os guineenses continuam sem gozar de uma Paz política e democrática  no País!


Apontamento transcrito no portal Guiné-BissauDocs (http://guinebissaudocs.wordpress.com/2012/04/19/analise-pululu-guine-bissau-militares-e-oposicao-assinam-acordo/) e publicado como Manchete do Notícias Lusófonas

18 abril 2012

Oficial guineense põe dedo na ferida: CPLP só intervém a reboque...

(foto Fernando "Didinho Casimiro)

Numa entrevista ontem concedida à RTP África, um oficial da Guiné-Bissau, representante do auto-denominado comando Militar, pôs – e com toda a firmeza – o dedo na ferida: a CPLP é inoperante só intervém a reboque!



O tenente-coronel, creio de nome Daba Nawana, quando questionado sobre o papel da CPLP na questão do Golpe, na linha das movimentações já “produzidas(?)” pela CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental), foi peremptório: a CPLP nunca faz nada de per si e só se imiscui ou participa quando algum dos seus membros o faz; ou seja, e claramente, afirmou: só intervém a reboque!



Custa, mas é a grande verdade.



Foi assim em outras situações na Guiné-Bissau; foi assim em São Tomé e Príncipe – titubeou até Angola intervir –; nada se ouvi de Moçambique quando a Renamo e a FMD estiveram quase a entrar em confronto em Quelimane; está a ser assim, novamente.



Dói-lhes ouvir, mas esta é a grande realidade.



O problema da CPLP é ter no seu seio três grandes potências com visões diferentes e, qualquer delas, desejar tomar o poder da organização: Angola, Brasil e Portugal!



Angola quer afirmar a sua emergente força político-militar tanto na região onde se insere como nos países africanos que pertencem à CPLP.



Facto que Brasil não contesta desde que isso não interfira na sua visão mais global: ser membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, razão pela qual nada se ouviu deles no seio da CPLP mas viu-se, outrossim, a sua ida imediata ao CS da ONU onde solicitou a intervenção desta organização multinacional – uma vez mais a CPLP na sua reunião disse, presente, desde que… com o beneplácito da ONU!



Quanto a Portugal, emerge e assume-se na CPLP como o estado-fundador da Lusofonia com a ainda evidente sofisma do neocolonialismo e da não-intervenção directa nos assuntos internos das ex-colónias. Uma falácia que deve ser denunciada de vez!



Ninguém deseja intervenções nas questões internas dos outros Estados.



Mas em casos extremos e contra-naturas quanto às liberdades e aos direitos humanos uma voz de bom senso e de respeito deve ser emitida e ouvida!



Esperar que outros façam o serviço e depois aparecerem como tendo qualquer intervenção onde nada houve só descredibiliza que o pratica.



Tem sido esta a sina da CPLP!



É totalmente inoperante e só intervém quando a reboque!



E, nem sempre, nas melhores condições!...

13 abril 2012

Guiné-Bissau, os militares angolanos e a CPLP


Uma das notícias que surge no espaço cibernético, logo após o Golpe de Estado, prende-se com a acusação que os militares Bissau-guineenses fazem quanto à presença angolana no País e do Governo e presidente interino guineenses terem celebrado um “acordo secreto” com a Missang para colocar em causa as chefias castrenses Bissau-guineenses.

O certo, coincidência ou não, o tempo o dirá, foi o acontecimento ter ocorrido menos de 12 horas depois de Koumba Yalá ter anunciado que não iria fazer campanha para a segunda volta das presidenciais e até nem ir às mesmas porque não reconhecia os resultados da primeira. Yalá, que se saiba, até ao presente não formalizou a sua desistência junto do STJ.

Recorde-se que Yalá sempre disse que seria eleito logo na primeira volta com uma significativa vitória. Yalá augurava, talvez, que a sua etno-região, os Balantas, claramente assinalável no País (cerca de 30%), lhe desse a maioria necessária para ser eleito. A surpresa de Yalá esteve no resultado final que não atingiu nem 30% dos votos. E como se recorda as habituais recepções que Yalá regista quando as coisas não correm a seu contento…

Daí haver analistas, e não são pouco, a associar o Golpe ao anúncio de Yalá.

Perante a crise guineense questiona-se o que vai fazer a União Africana (UA), a CEDEAO e a CPLP.

Quanto UA a expectativa mantém-se. Nada se houve, nada se vê e nada se leu ainda. Provavelmente, a distância para Adis-Abeba deve estar a ser cumprida no lombo de um camelo ou de um dromedário ao atravessar o Deserto do Sahara…

Sobre a CEDEAO o interessante é já sabendo do Golpe ainda fala em eventual tentativa de Golpe na Guiné-Bissau e na expectativa que a legalidade seja regularizada rapidamente.
Já quanto à CPLP – e recordando que a presidência em exercício é levada a efeito por Angola que, por acaso, até ainda tem tropas na Guiné-Bissau – parece que procede em conformidade com o habitual. Ou seja, pensa, pensa, pensa… e nada decide.

Até porque o triângulo cerebral da CPLP continua a remar cada um para o seu lado…

A prova, apesar das palavras do presidente português Cavaco Silva dar a impressão de apoiar qualquer iniciativa da presidência angolana quanto à crise, limita-se, ainda assim, a esperar que seja rapidamente reposta a legalidade democrática.

Angola, condena e nada acrescenta. Deve aguardar que o Secretariado Executivo se reúna para decidir em conformidade.

Já o Brasil, o terceiro vértice e, gostemos ou não, o mais importante na actual cena internacional, já se decidiu: solicitou uma reunião urgente… mas no Conselho de Segurança da ONU!

Ou seja, a CPLP continua ser tricéfala e a não se entender.

Por outro lado, acresce que os francófonos da CEDEAO – França e Angola ainda andam a remoer as suas anteriores crises “conjugais” – temem perder a influência na Guiné-Bissau com a presença de forças armadas não afro-francófonas, no caso angolanas e, eventualmente, brasileiras, e destas para a CPLP.

Não esquecer que os militares e políticos senegaleses, guineenses (Conakri) e franceses ainda não esqueceram as humilhações que sofreram às mãos de militares Bissau-guineenses, em tempos e crises castrenses recentes.

Se a isto acrescentarmos as contínuas acusações da Secretaria de Estado norte-americana – cada vez mais próxima de Angola e da sua importância na região centro-africana e na sua possível globalização – contra alguns líderes militares Bissau-guineenses e contra o próprio País de ser uma plataforma de narcotráfico proveniente, na sua maioria, da América Latina, mais se entende como a presença dos angolanos e da CPLP não é bem quista nem interessa a alguns países vizinhos, também eles, recorde-se já acusados de estarem ligados ao narcotráfico.

Vamos aguardar que a calma volte a Bissau e ao resto do País e que a Justiça, a Democracia e a Legalidade não tenham tido mais que um pequeno e singular percalço e rapidamente restabelecidos.


Transcrito no portal do Jornal Pravda (http://port.pravda.ru/mundo/15-04-2012/33319-guine_angola-0/) e no portal Zwela Angola (http://www.zwelangola.com/opiniao/index-lr.php?id=8718)

Guiné e os militares angolanos


Poderei, no que a seguir descreverei, parecer um pouco faccioso, mas penso que na Liberdade e no direito aos Povos terem Direito à Justiça, Liberdade e Governação legítima, tudo é expectável.

Sabendo que a Missang, embora oficialmente dissolvida por Angola, embora que o Governo guineense, em exercício, achasse que deveria manter e sabendo que Angola é o actual presidente em exercício de uma coisa chamada CPLP, não deveriam os angolanos tomarem um posição clara nesta ilegalidade castrense que hoje ocorreu na Guiné-Bissau e que parece ter tido alguma origem remota nas tomadas de posição dos oposicionistas da segunda volta eleitoral para a presidência, principalmente, de Yalá, que nas declarações de hoje, pareciam - face ao que depois se passou - um pronúncio e incentivo ao Golpe?

E a embaixada angolana - tal como as outras que estarão sitiadas - não deveria estar protegida pelos efectivos angolanos, em nome nacional e em nome da CPLP?

Ou será que os membros da Missang só estavam de corpo presente?

22 março 2012

Uma "caça às bruxas" aos militares guineenses?

Depois do coronel Samba Djaló, ex-chefe das informações militares da Guiné-Bissau, quando o general Zamora Induta foi chefe das Forças Armadas guineenses, ter sido assassinado na noite pós-eleitoral, eis que Induta solicita asilo político à legação da União Europeia em Bissau.

E foi aceite…

Será que começou, de novo, a caça aos militares Bissau-guineenses?

Para quando a estabilidade político-militar que tanto andamos a apregoar e que, para tal, estamos a avançar com dinheiro e conselheiros militares.

Não basta pedir e exigir um inquérito ao caso. Será mais um a juntar aos que ainda continuam por esclarecer como as mortes de Mané,

Isto começa a ser uma má nódoa na nossa presidência na CPLP.

A não ser… a não ser que queiramos continuar iguais aos outros que passaram pelo mesmo estatuto na CPLP e continuaram a nada fazer. Como se vê…

26 dezembro 2011

Bissau andava tão calminha…

Depois da visita de Carlos Gomes Júnior a Angola onde conseguiu obter mais uma linha de crédito de 25 milhões de dólares norte-americanos para apoios à reestruturação – que está em marcha ou, talvez, para pagar ordenados em atraso – das forças armadas Bissau-guineense e ao investimento angolano em Bissau eis que a capital guineense acordou na ressaca do natal sob movimentações militares havendo, segundo consta, tiroteio na zona do Quartel-general das Forças Armadas guineenses.

Tudo terá começado, uma vez mais, por causa do narcotráfico e do sobrevoo e aterragem nacional de uma avioneta na região de Jugudul, perto de Mansoa, que, eventualmente, traria droga para ser reenviada para outras zonas, recordando que a Guiné-Bissau é “conhecida” como uma das mais importantes placas giratórias do tráfico de droga proveniente, na sua maioria, da América Latina.

E, uma vez mais, as mútuas trocas de acusações entre altas patentes militares nacionais, de serem os mentores e líderes desta operação de narcotráfico, foram imediatas.

Os dois principais líderes militares de Bissau, o CEMGFA António Indjai e o CEMA Bubo na Tchuto ter-se-ão acusado, mutuamente, de serem os líderes da operação de narcotráfico e, por esse facto, segundo o Jornal de São Tomé, esta madrugada, António Indjai terá acusado Bubo Na Tchuto de tentativa de homicídio e promoção de um Golpe de Estado, sendo que o Quartel-General, em Amura, Bissau, tem sido palco de troca de tiros entre militares, embora não havendo ainda notícia de vítimas nem quem serão os autores.

O certo é que consta em Bissau que Na Tchuto poderá ser detido por forças próximas de Indjai que terão partido de Mansoa, para a capital com vista, segundo afirmam, evitar um banho de sangue aquando da detenção de líder da Marinha, o que poderá ocorrer a qualquer momento. Em qualquer dos casos, e segundo fontes de Bissau, citadas pelo Jornal de STP, no Estado-maior da Marinha, a situação é de passividade, não havendo quaisquer sinais de resistência.

Também na Base Aérea, e de acordo com o nosso confrade “Ditadura do Consenso” de Aly Silva, a calma persiste, tal como na Presidência e no Ministério do Interior, enquanto Gomes Júnior, que terá sido, tudo o indica, o verdadeiro principal alvo destas movimentações se encontra em parte incerta sob protecção policial.

Vamos aguardar novos desenvolvimentos e – não se riam – alguma rápida e concisa declaração da CPLP; e de Angola, claro!...

Transcrito pelo portal "Jornal Pravda" em 28/Dez./2012, com o título "Como anda a Guiné-Bissau?" ( http://port.pravda.ru/news/cplp/28-12-2011/32673-bissau_calminha-0/) e no Zwela Angola (http://www.zwelangola.com/opiniao/index-lr.php?id=7996)