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27 dezembro 2016

A Gâmbia poderá ser uma nova Côte d’Ivoire?

"No início do mês de Dezembro houve eleições presidenciais na Gâmbia, nas quais Adama Barrow – apoiado por uma coligação de oposição – com 45,5% dos votos expressos, destronou o até agora presidente Yahya Jammeh, que obteve 36,7% dos votos. Até aqui nada demais, não fosse Jammeh – que sempre se considerou quase omnipotente no país e de que foi presidente durante 22 anos – inesperadamente, ter acolhido e aceite os resultados eleitorais.
A surpresa foi quando, passada quase uma semana, Jammeh ter, repentinamente, decidido rejeitar os resultados, invocando que a “Comissão Eleitoral Independente (CEI) cometeu erros inaceitáveis” na contagem dos votos, e que “numa região do país os seus apoiantes “sofreram intimidações” e não foram votar” – o que não deixa de ser caricato face à rígida liderança que Jammeh tem mantido sobre o país – pelo que apresentou a sua contestação no Tribunal Supremo.
Segundo o presidente da CEI, Alieu Momar, o recurso apresentado pela Alliance for Patriotic Reorientation and Construction (APRC) não poderá ter qualquer efeito, devido à falta de juízes no Tribunal Supremo – a única instituição habilitada a julgar os conflitos eleitorais.
O que tem a Gâmbia a ver com a Côte d’Ivoire?
A ligação entre os países está no facto de nas eleições presidenciais da Côte d’Ivoire, realizadas em 2010, também o então presidente Laurent Gbagbo ter sido derrotado por Alassane Ouattara, que liderava a oposição.
Em ambos os casos as eleições ocorreram em Dezembro e, enquanto Jammeh aceitou e, inicialmente, reconheceu a derrota, Gbagbo, nunca a reconheceu, apesar de todos os indícios e contagens mostrarem a derrota, e da própria CEI cotedivoirense, na divulgação os resultados provisórios, confirmar a vitória de Ouattara na segunda volta com 54% dos votos. Todavia, dias depois, e face às pressões de Gbagbo e dos seus aliados, o Conselho Constitucional invalidou as eleições. A comunidade internacional, salvo alguns países africanos, deram o seu imediato apoio a Ouattara. (...)"
Continuar a ler em: http://cei.iscte-iul.pt/blog/a-gambia-podera-ser-uma-nova-cote-divoire/ (no portal "Changing World", blogue académico do CEI-IUL do ISCTE-IUL)

29 março 2012

“Eleições” n’ A Gâmbia

(foto ©AP-DW)

Hoje há eleições n’ A Gâmbia…

Num Estado pluralista e democrático, onde as eleições presidenciais são um acto natural, as eleições presidenciais que vão ocorrer, hoje, n’ A Gâmbia, seriam mais uma acção popular para a natural escolha do candidato que irá gerir os destinos da Nação.

Todavia, o que se vai passar n’ A Gâmbia será tudo menos democracia.

Tudo porque a reeleição do golpista, autocrata, quiromante e senhor absoluto do País, Yahya Jammeh, está quase totalmente garantida.

O quase é para tornar um pouco credível a reeleição, até porque aparecem dois candidatos contra Jammeh: Ousaino Darboe, de 63 anos, que concorre pela quarta vez, e Hamat Bah, de 51, que vai na terceira tentativa. De notar que o (re)candidato presidente já está a caminho do garantido quarto mandato de cinco anos…

Tão garantido, que nem a CEDEAO se arrogou em apostrofar o simulacro a que chamam de eleições, abstendo-se, responsavelmente, de comparecer ao acto, evocando que as eleições não tinham garantidas os três principais factores que as deveriam caracterizar: livres, justas e transparentes.

Jammeh é visto como o governante que conseguiu garantir ao País um desenvolvimento como A Gâmbia, há muito, não via.

Mas se esse desenvolvimento é visível a população não consegue obter quaisquer dividendos justos. A maioria vive – ou subvive – com, somente, 2 USD por dia…

Além das eleições presidenciais, A Gâmbia também vai registar eleições parlamentares onde o partido actualmente no poder, Aliança para a Reorientação Patriótica e Construção (APRC), que já detinha 47 dos 53 assentos no Parlamento, irá conseguir aquilo que outros, ainda antes das suas, já dizem ir ter: a quase totalidade do Parlamento.

Quase, porque até ao fecho das urnas tudo pode acontecer.

É que os seis partidos oposicionistas fizeram saber que iriam boicotar as eleições, embora haja, e daí poder haver algum volte-face, quem defenda que, apesar de todas as justas críticas, ninguém deveria boicotar as eleições.

Ainda assim, de notar que apesar de rejeitar as críticas, a CNE local cancelou a votação em 25 dos 48 círculos nacionais.

Vamos aguardar para quem irão os 48 lugares em disputa directa, sabendo que 5 dos assentos são nomeados pelo presidente…

Citado no portal do Jornal Pravda.ru (http://port.pravda.ru/news/mundo/31-03-2012/33214-eleicoes_gambia-0/)

26 novembro 2011

N’A Gâmbia, o previsto aconteceu…

O que era previsível e o prenunciado aconteceu sem surpresas! O até agora presidente d’A Gâmbia, Yayah Jammeh, no poder há 17 anos foi reeleito para um novo mandato de 5 anos com cerca de 72% dos votos. O principal, opositor, do Partido Democrático Unido (UDP), Ousainou Darboe, que se candidata pela quarta vez, só obteve cerca de 17%, enquanto um terceiro, Hamat Bah – terceira vez que se apresenta ao acto – não foi além dos 10%.

A Oposição contestou os resultados da Comissão Eleitoral Independente (CEI).

Tal como em outros países africanos, a democracia n’A Gâmbia é de mera fachada. É um poder musculado, resultante de um Coup d’État ocorrido em 1994 e que reverteu numa pseudo-democracia onde o turismo contribui, substancialmente, para o crescimento económico ocorrido durante o corrente ano de 5,5%.

A prevista reeleição de Jammeh, de 46 anos, líder da Aliança Patriótica para a Reorientação e a Construção (APRC) e reconhecido por ter um “grande dom para curar males” e a falta de democraticidade no País era tão evidente que a CEDEAO recusou enviar observadores para o acto eleitoral por considerar que estas não seriam “livres, justas e transparentes”. Todavia – o que não surpreende – a União Africana, afirmou que, apesar de haver alguns constrangimentos, o acto e a operacionalidade da CEI foi normal, livre e transparente…

Uma cúpula de líderes obsoletos, na sua maioria, a mandar nos destinos de África continua a sobreviver na União Africana para desgraça dos africanos.

Já agora como ela definirá as eleições de Marrocos onde somente 45% dos eleitores foram às urnas? Legítima? Certamente! Mas normal e observadora da vontade popular? Parece-me que não…

Entretanto, o gambiano Jammeh (soa a “jamais” em francês) jamais deixará o poder salvo se a comunidade internacional tomar alguma previdência nesse sentido. Mas como n’A Gâmbia não há, que se saiba, petróleo e o Senegal quer um língua sossegada…

12 junho 2008

Gasolina favorece quem?

(já faltou mais para andarmos assim em África; Kadhafi que o diga...)

Depois de ler isto aqui, compreendo porque andava tudo tão aflito em Bissau com os vários milhões de litros de combustível disponibilizados pela cooperação japonesa e como ele iria ser distribuído.

O que não se entende é a forma como os mesmos foram entregues a uma única entidade privada quando, segundo sei, o Pais tem um distribuidora nacional de combustíveis.

Ou será que já não a tem para gáudio daqueles que vão ganhando fundos e mundos e o Povo vai penando com falta de electricidade e água ou telecomunicações fortemente dependentes do petróleo para laborarem?

E, já agora, uma outra pergunta. O presidente da Gambia, Yahya Jammeh, foi fazer algum conferência sobre como se cura o SIDA e se ganham fortunas à custa do povo porque ninguém acredita que os Hummers tenham sido oferta de uma qualquer simpática cooperação internacional? Ou seria?

08 fevereiro 2007

Presidente-curandeiro?

Há dias Carlos Narciso despertava para um facto que, pelos seus contornos, era, no mínimo, espantoso.
O presidente d’ A Gambia, Yahya Jammeh, dizia-se capaz de curar os infectados com o vírus do HIV/SID, e a asma também.
Se o SIDA não fosse só por si já um caso grave, daria para rirmos à despregada.
Pois bem, agora a Angop, citando uma notícia de Banjul, afirma que testes efectuados por um académico senegalês, da Universidade "Cheikh Anta Diop", de Dakar, a enfermos tratados pelo presidente, demonstraram que aqueles pareciam ser eficazes o que já levou o ministro gambiano da Saúde, Tamsir Mbowe, agradecer ao presidente Jammeh "pelo seu apoio e engajamento sólido para o bem-estar de todos os gambianos”
Será que temos um Prémio Nobel da Medicina em potência?
Agora entendo porque a ministra da saúde da África do Sul mandou os doentes de SIDA se tratarem com cebolas…
E andam os grandes laboratórios gastarem rios de dinheiro em drogas ineficazes…

25 janeiro 2007

Eleições n’ A Gâmbia

Decorrem hoje, sob a supervisão de 10 observadores da União Africana, as eleições gerais neste país enclave do Senegal formado ao longo do rio Gâmbia.
Às eleições legislativas – o Parlamento tem 53 lugares, sendo 48 para os eleitos pelo povo e 5 nomeados pelo Presidente – concorrem 90 candidatos distribuídos por várias organizações políticas, destacando-se, de entre elas, a APRC, Alliance for Patriotic Reorientation and Construction, a UDP, United Democratic Party, o NRP, National Convention Party e a NADD, National Alliance for Democracy and Development e 9 independentes. Alguns partidos, nomeadamente o People's Democratic Organization for Independence and Socialism (PDOIS), parecem que decidiram ou não concorrer ou concorrer com um número mínimo de candidadtos.
No último escrutínio os deputados estavam distribuídos como segue: APRC com 45 assentos, PDOIS com 2 deputados e o NRP com 1 lugar.
Apesar da presença dos observadores da UA alguns candidatos, nomeadamente, independentes sentem-se alvo de perseguições.
Segundo alguns órgãos gambianos alguns candidatos foram coartados dos seus direitos cívicos, nomeadamente um dos candidatos independentes pela circunscrição de Niamina East e outro do partido UDP declarou que um seu candidato, por Basse, em ambos os casos terão sido detidos, sem razões aparentes, pelas polícias locais numa clara violação dos direitos cívicos e eleitorais.
E, no entanto, o presidente da Comissão independente eleitoral, Alhagie Mustapha Carayol, afirma que as eleições estão a decorrer normalmente e dentro de maior civismo…
Reconheçamos que quando se tem um território fronteiriço como Casamanse e se está “quase” rodeado por autocratas é natural que alguns resquícios fiquem no subconsciente daqueles que não prezam, realmente, a liberdade de expressão.
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ADENDA: Os primeiros resultados destas eleições dão a vitória, uma expressiva vitória, ao partido do poder, APRC, que já conquistou 37 assentos, a UDP 4 deputados, o NADD e os independentes, um cada.

25 setembro 2006

Eleições na Gâmbia e no Congo Democrático

(Enquanto uns aceitam os resultados eleitorais, outros estão sempre contra)
N’ A Gâmbia as eleições presidenciais de 22 de Setembro já deram um novo presidente (por acaso entra no terceiro?? mandato consecutivo), Yahya Jammeh, da Aliança para a Reorientação e Contrução Patriótica (APRC).
O reeleito presidente Jammeh (no poder desde o golpe de Estado de 1994) obteve, na primeira volta cerca de 67% dos votos em sufrágio seguido do seu principal opositor OuassainouDarboe, líder da coligação Aliança para a Mudança de Regime (ARC), com cerca de 26,7%, e de Halifa Sallah, da Aliança Nacional para a Democracia e Desenvolvimento (NADD) que não foi além dos 5,8% dos votos sufragados.
Enquanto n’ A Gambia o escrutínio, embora lento, não registou qualquer incidente sério durante a votação e a contagem dos votos, já na República Democrática do Congo, começa-se a perspectivar uma situação semelhante à registada em Angola, nas eleições presidenciais e legislativas de 1992.Sobre esta matéria um interessante apontamento de Carlos Narciso, no seu Bloga-se “Eleições no Congo…” que se aconselha, muito seriamente, ler e meditar.