30 dezembro 2016
O difícil 19 de Dezembro… (artigo)
27 dezembro 2016
A Gâmbia poderá ser uma nova Côte d’Ivoire?
O que tem a Gâmbia a ver com a Côte d’Ivoire?
01 outubro 2011
Abuso de e (do) Poder?
25 setembro 2011
Grito contra a perpetuação do Poder
Apesar de algumas incorrecções, a maioria naturais de quem está fora do meio – o guiné-equatorial Obiang (Teodoro Obiang Nguema Mbasogo) é mais velho, em cerca de 38 dias –, é interessante o trabalho do matutino português Público sobre a convocada manifestação que hoje deveria ter sido realizada em Luanda de apoio aos detidos e contra os 32 anos de perpetuação de Poder de José Eduardo dos Santos que não se adivinha venham a terminar nas previstas eleições do próximo ano.
Deveria, porque cerca de 10 minutos após o seu início e um quilómetro andado desde o Cemitério de Santana, em direcção à vetada Praça da Independência pelo Governo Provincial de Luanda (GPL), a Polícia fez uso das suas prorrogativas e… parou-a.
Um contingente de 40 a 50 membros da Polícia queria que manifestantes (entre a centena, segundo uns, e os cerca de 500, segundo outros) seguissem as directrizes do GPL já considerada ilegal por alguns dos nossos juristas. Ou seja, ficassem restritos aos locais pré-determinados pelo GPL.
Reconheçamos que a Constituição não dá liberdade ao Poder para condicionar manifestações, como, também, não dá autorização para sermos totalmente livres nas nossas legítimas exteriorizações.
Já agora, Eduardo dos Santos além de ser mais novo que Obiang é superado pelo madeirense – ao contrário do que escreve José Diogo Quintela na revista Pública, Madeira faz parte do Continente Africano e não da Europa já que está a poucas milhas a oeste de Marrocos – Alberto João Jardim que está no poder desde Março de 1978.
Realmente há que parar a perpetuação no Poder.
Publicado no Notícias Lusófonas, secção "Colunistas", de 26/Set./2011
31 agosto 2011
Mugabe anda calado, mas quando fala…

Lembram-se do senhor da foto? É ele mesmo: Robert Mugabe, o guru do arrivista sul-africano Julius Malema.
Mugabe tem andado muito calado. Nem após a estranha morte do marido da vice-presidente e das suas legítimas dúvidas quanto ao acidente de que resultou o tal passamento (devido a um incêndio inexplicável durante a noite…) o ainda presidente (há cerca de 31 anos no poder – há quem esteja mais...) do Zimbabué falou.
Mas quando abre a boca, lá vem moscardo…
Pois o senhor Mugabe mandou expulsar os diplomatas líbios que renegaram a Jamairia e o seu líder, Kadhafi.
Como sempre os autocratas auto-defendem-se e protegem-se.
Quatro da gerotoncracia política africana já foram (Bem Ali, da Tunísia, Hosni Mubarak, do Egipto, Laurent Gbagbo, na Costa do Marfim, e, segundo parece, porque a União Africana ainda não o reconheceu, excepto a Nigéria, Muammar Kadhafi, na Líbia); quase outros tantos estão na calha...
Assim os Povos queiram e o decidam!
28 abril 2009
Reflexões sobre o Lobito…
Há dias, o Académica Petróleos do Lobito mudou de treinador – foi buscar o demitido treinador do Benfica de Luanda (de quem já fui sócio e mantenho a minha costela de apoio e que procuro morada ou e-mail e não consigo apanhar) Agostinho Tramagal – e, surpreendetemente ou talvez não por causa da equipa que o seu opositor apresentou, venceu o 1º de Agosto por 1-0. A primeira vitória e primeiros pontos desde o início do Girabola 2009. Infelizmente, na jornada imediata baqueou frente ao Desportivo da Huíla…
Li hoje no Angola24Horas.com (A24H) uma notícia, sob o título “Caça as bruxas no porto do Lobito” e que, a fazer fé no referido artigo, me deixa consternado quanto à democraticidade e boa gestão das nossas autoridades e de quem os representa.Segundo o A24H, alguns dos líderes dos trabalhadores de estiva do porto do Lobito que em Setembro do ano passado terão levado a efeito uma greve estarão a ser demitidos e, um dos líderes, terá mesmo visto a sua foto estampada à entrada do porto com a expressão “persona não grata proibido entrar no porto do lobito”.
Segundo o artigo os “despachados” serão jovens trabalhadores, estudantes universitários e técnicos experientes nas áreas onde trabalham que têm como defeito o estarem a denunciar eventual deficiente gestão por parte da actual Administração do Porto do Lobito (ah! é assim em maiúsculas que se escreve, pelo menos o nome da cidade e não em letra pequena como estará no citado cartaz…) liderada por um tal senhor Carlos Gomes, uma personalidade muito próxima de certos sectores do Poder.
Segundo o referido artigo, o poder do senhor Administrador, ou Director, é de tal ordem que, na prática, será o verdadeiro Administrador do Lobito já que grande parte dos fundos que suportarão a cidade provêem dos dividendos colhidos no antigo maior porto da África ocidental e, por esse facto, ninguém o quer “molestar” submetendo-se à sua eventual “boa vontade”.
Por outro lado, parece que a sua “boa vontade” não se ficará só pela Administração do Município, o que seria perfeitamente lógico, mas irá até, segundo documentos apresentados pela Comissão Sindical do Porto do Lobito, ao “pagamento de viagens a pessoas estranhas a empresa a compra de equipamentos para órgão de comunicação social do estado, oferta de viaturas”.
Parece que os “despedidos” – que pela lei nacional em vigor em Angola sobre as Greves (Lei n.º23/91 de 15 de Junho) não o poderão ser nem transferidos antes de decorrido um ano sobre a sua participação enquanto membros da comissão – já bateram a várias portas, incluindo as do partido maioritário, mas parece que se fecharam todas. Consta que a sua eventual aproximação a certa entidade é tão inquestionável que preferem nada ouvir, nada ver e… nada saber!
Sem comentários e muita reflexão!
01 abril 2009
Na Guiné-Bissau quem manda que se assuma!
(eles andam por aí; foto Contributo" já anteriormente indicado)São várias as vozes Bissau-guineenses, dentro e fora da Guiné-Bissau, que afirmam com clareza que quem manda no País são os militares.
Ou seja, o Governo e o poder civil são meras figuras de estilo para que a União Africana não condene o País pela existência, de facto, embora que não de jure, de um claro Golpe de Estado militar e também para que os diferentes parceiros internacionais não fechem, de vez, porque isso levaria a uma completa shatterização da Guiné-Bissau como desejam os seus simpáticos e prestáveis vizinhos, os cordões à bolsa.
E se dúvidas houvessem quanto a quem manda na Guiné-Bissau basta ver quem, de facto, decide como o País deve andar e como se procura abafar vozes incómodas.
Recorde-se as visitas inopinadas e sem qualquer discrição feitas a casa do jornalista António Aly Silva, embora felizmente para ele, parece, na sua ausência.
Ou as críticas claras e incisivas do antigo primeiro-ministro, “membro” da troïka política (Nino, Yalá – este está calado à espera de voltar ao poder – e Fadul) e actual presidente do tribunal de Contas e também do Partido para a Democracia Desenvolvimento e Cidadania (PADEC), Francisco Fadul, ao poder real e efectivo dos militares no País e a exigência da demissão do Governo.
E essas valeram-lhe a visita, esta noite, de dezena e meia de homens fardados e armados com AK47 que lhe “ofertaram”, e segundo parece à sua esposa também, um curioso espancamento além de lhe terem roubado bens e dinheiro…
Entretanto, o presidente em exercício da CPLP continua a sua velha e ancestral política de “façam que eu não me meto” também reconhecida pela política de neutralidade cooperante desde que esta sirva os seus interesses.
Apesar de Cabo Verde, um dos estados-membros da Lusofonia, pela boca do seu primeiro-ministro José Maria Neves ter anunciado que a CPLP e a CEDEAO estarão a preparar a constituição de um contingente militar para garantir a segurança na Guiné-Bissau o presidente em exercício, senhor Luís Amado, Ministro dos Negócios Estrangeiros que reside num palácio com um nome tão sugestivo – das Necessidades (na minha terra isso quer dizer uma coisa e pouco bem cheirosa) – português, terá defendido em Haia onde participa numa conferência numa conferência internacional sobre o Afeganistão, que, a ser criada, a missão de segurança deverá ser composta por tropas africanas no seio da União Africana (UA) e depois da Guiné-Bissau, leia-se, dos mandantes, ter pedido essa missão às Nações Unidas e à UA.
Ou seja, desfaça-se e desintegre-se Guiné-Bissau que a CPLP, pela boca de Portugal, parece que já estará farta de vocês, ao contrário dos verdadeiros irmãos e… de outros.
Entretanto a paz social, militar e política dos Bissau-guineenses vais se mantendo inalterável nas mãos de quem realmente manda mas que parece não ter coragem de o assumir! Nem eles nem quem deveria ser os primeiros a dizer basta, os políticos denunciando o embuste actual!
20 março 2009
E Bento XVI na primeira sessão oficial…
(imagem CEAST)No seu discurso ao corpo diplomático o Sumo Pontífice, entre outras pertinentes e bem colocadas frases, e onde não poderia deixar de colocar o seu “selinho” papal de condenar o aborto terapêutico pelo facto de haver quem acredite que esta será a melhor forma para abordar a saúde reprodutiva, destacou a necessidade dos líderes africanos libertarem o continente do "flagelo da avidez, da violência e da desordem" e de erradiquem "de uma vez por todas a corrupção" [se recordarmos o recente programa da televisão lusa RTP, “Prós e Contras” sobre Angola em só teve ‘Prós’ e nada ‘Contra’, esta questão foi abordada e claramente admitida pelos participantes, até porque no Transparency International o país ocupa o lugar 158 em 180 países…]; exigiu "o respeito e a promoção dos direitos humanos, um governo transparente, uma magistratura independente", a necessidade de haver "uma comunicação social livre [no caso de Angola o Papa deve ter recordado, por certo, a contínua impossibilidade da Emissora Católica/Rádio Ecclésia em retransmitir em outras províncias estando confinada exclusivamente à cidade de Luanda]" e procurarem fazer "uma honesta administração pública".
Falou para África mas foi, claramente um discurso bem dirigido a Angola depois de ouvir o presidente Eduardo dos Santos pedir-lhe ajuda à igreja católica para moldar "o novo homem que a nova Angola precisa".
Por isso também não surpreendeu que na reunião havida com bispos da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé e Príncipe (CEAST) Bento XVI tenha pedido aos sacerdotes para "preocuparem profundamente" com os padres das suas dioceses quanto à sua formação contínua e à forma como "vivem e praticam" a sua missão na formação da nova Angola e aproveitou a ocasião para, igualmente, anunciar a criação da Diocese do Namibe, sendo o seu primeiro bispo padre Mateus Feliciano Tomás, que estava colocado como pároco no Huambo (pelos vistos do Huambo estão a vir muitos líderes…), deixando esta, assim, de ser uma vigararia da Arquidiocese do Lubango (uma interessante prenda pelos 25 anos desta Arquidiocese).
19 fevereiro 2009
O ministro passou-se, excedeu nos comprimidos ou…
(foto ANGOP)Se estivéssemos em campanha eleitoral até se compreenderia este lamento. Qual o povo que não condena, hoje em dia e com os problemas financeiros globais, a banca em geral?
Mas longe de mim pensar nisto como uma acusação por parte do senhor ministro. Porque se o fosse teríamos de questionar se o senhor ministro saberia a quem pertence a maioria, para não dizer a quase totalidade, dos bancos comerciais que operam em Angola.
Daí que se pergunte se o senhor ministro passou-se, ou se tomou – como o ex-ministro das finanças japonês – excesso de comprimidos para alguma doença endémica, como a malária, por exemplo, que produz efeitos altamente secundários – como delírios, por exemplo, – ou, então, está-se a perfilar como um potencial candidato à presidência da República, pressupondo que, como ministro das mesmas, terá o apoio inequívoco das forças armadas angolanas.
Como não creio que pense em tão altos voos, nem as forças castrenses angolanas parecem estar interessadas em política – ingénuo, eu?! – só se pode acreditar que o senhor ministro nunca viu a estrutura accionista dos referidos bancos…
Mesmo quando afirma que o que os bancos querem é desacreditar as políticas económicas do senhor Presidente da República em vésperas das eleições presidenciais.
Mas se constitucionalmente quem define as politicas económicas é o Governo…
Tal como, nada como salvaguardar as costas de quem se não quer proteger…
13 fevereiro 2009
Mugabe dará posse ao novo Governo?
(será que Mugabe, uma vez mais, está a fazer um manguito ao seu Povo?)A posse de hoje seria a natural consequência da posse, como primeiro-ministro, que o senhor Mugabe conferiuu a Tsvangirai.
E para que vejam como o senhor Mugabe está de muito boa fé quanto ao Governo, o indigitado vice-Ministro da Agricultura, designado pelo MDC – partido por indigitado primeiro-ministro – foi detido ao chegar ao aeroporto de Charles Prince, em Harare.
Ora este pequeno – pequeníssimo – imbróglio jurídico criou, naturalmente, um impasse na tomada de posse dos restantes ministros que vão compor o governo zimbabueano.
Mas o que é que isto preocupa ao senhor Mugabe e ao martirizado povo zimbabueano se os vizinhos vão continuando a dar cobertura política aos desmandos do antigo e octogenário guerrilheiro no poder há… quase 29 anos (completa-os no próximo dia 18 de Abril).
21 janeiro 2009
Poder e Média ou a mútua adulação
Interessante, embora não surpreendente, o queixume de Francisco Trindade, autor do blogue “ANOVIS ANOPHELIS” e antigo colaborador do Suplemento de Cultura do Diário de Notícias, entre 1987 e 1996, e ex-coordenador da Página da Educação, quando alerta para a subserviência do Poder aos Média e destes ao Poder com as evidentes consequências junto dos leitores.
Mas isso parece não preocupar, minimamente, o Poder ou os donos dos Média.
Naturalmente que ao Poder quantos menos o atacarem menos os leitores saberão e menos juízos farão na altura da colocação da cruz no papel rectangular que se coloca nas urnas.
Para alguma coisa, em alguns sítios, só existe um jornal, uma rádio e, ou televisão oficial porque são os únicos que oferecem a protecção necessária ao Poder aí ou ali instituído.
Já para os donos dos Média a preocupação é relativa porque sabem que o Poder precisa deles e são eles que, não poucas vezes, elegem ou fazem eleger quem melhor defenderá os seus interesses. Sabem que muitos dos eleitores preferem que lhes digam o que fazer ou quem devem votar em vez de se preocuparem em pensar por si.
Se assim fosse muitos elegíveis não teriam lugar nos diferentes areópagos para onde são eleitos.
Há já uns anos que isso, por exemplo, acontece em Portugal e, sublinhe-se, sem que o Poder tenha qualquer cor política definida. Bem pelo contrário. Para um Poder novo há sempre um Sistema velho e habitual. Mútua subserviência para defesas comuns.
23 dezembro 2008
Guiné-Conakri, presidente morto, militares no poder
Segundo a Constituição guineense que estava em vigor, o presidente da Assembleia Nacional deveria assumir a direcção do país, provisoriamente, até a realização de eleições presidenciais, no prazo de 60 dias.
Segundo, porque os militares, pela voz de um capitão Musa Dadis Câmara, decidiram tomar as rédeas do poder ao demitirem o Governo, dissolveram as instituições republicanas, além da suspenderem a Constituição.
De acordo com o comunicado lido na rádio estatal, os militares terão constituído um "conselho consultivo" integrado "por civis e militares" denominado Conselho Nacional da Democracia e Desenvolvimento (CNDD) que estará encarregue de nomear um novo primeiro- ministro com vista à formação dum Governo para "assegurar o funcionamento do país".
Outra das declarações dos militares foi declarar a CNDD ligada aos princípios da carta da União Africana e da CEDEAO. Uma forma inteligente dos militares tornearem as eventuais sanções – inoperantes e inconsequentes – da União Africana quanto a golpes de Estado (inoperantes e inconsequentes como mostraram no Golpe de Agosto na Mauritânia).
De certeza que as preocupações dos seus dois vizinhos do nor-nordeste serão muitas; apesar que os restantes também não estejam sossegados. Todavia há que primeiro esperar pelos desenvolvimentos políticos e ver para que lado caiará, realmente, o poder e quem mandará, efectivamente, na Guiné-Conacri.
18 novembro 2008
Já nem os Veteranos o suportam
Será desta que o senhor Mugabe, o “venerando” – pelo menos para certas pessoas e autocratas africanos – senhor Robert Mugabe vai sentir a cadeira do Poder a fugir-lhe do mataco?Segundo ele só Deus o poderia tirar do Poder. Mas como todo os autoritários que utilizam os dogmas religiosos para justificar o injustificável, o senhor Mugabe esqueceu-se que além de Deus – que segundo ele tudo vê, tudo coordena e tudo decide, mas não para já, no que toca a ele, claro… – existem aqueles que estão, também segundo eles próprios muito próximos das decisões divinas.
Alguém, há tempos li eu, afirmava que Deus está em todo o lado mas não pode fazer tudo, nem controlar tudo. E, por isso, criou as mães.
Só que o autor desta frase não deverá conhecer nem o Zimbabué nem uma outra importante personalidade para ajudar Deus: Os Veteranos de Guerra!
Pois são, agora, precisamente os seus melhores “amigos” aqueles que demonstram estar fartos dele e o criticam, acusando-o de "matar o seu próprio povo", e, pasme-se, criticam severamente os líderes regionais africanos acusando-os, também, de "tentarem mantê-lo no poder depois de perder as eleições".
Será desta que o senhor Mugabe vê “fugir-lhe” Deus? Será desta que o senhor Mugabe perceberá que já nem Deus o suporta ver no Poder?
28 março 2007
Paleodemocracia
(um exemplo muito actual de um paleodemocrata...)Gil Gonçalves, após algum longo período de ausência, volta-nos a mandar de Luanda, via e-mail, algumas das suas crónicas.
Aqui fica uma, recentemente recebida, sob a "capa" de CRÓNICAS DO REINO DE ABDERA, ALGURES NO GOLFO DA GUINÉ.
PALEODEMOCRACIA
Paleodemocracia é a ciência que estuda os fósseis democráticos.
Aconteceu poucos milhões de anos atrás. Um vulto destaca-se das sombras hostis. É um quadrúpede que se ergue. Admira-se, olha-se, sente-se bípede.
Rodeia-se, espraia os olhos, vê muita coisa. Surgem-lhe os primeiros fulgores de cobiça. Sente-se dominador, bate os punhos com força no peito e celebriza o grito de Tarzan. Alguns dinossauros ainda não extintos paralisam as suas actividades. Intrigam-se nas memórias genéticas pelo retorno do Homo Erectus. Lembram-se do que aconteceu antes. Confraternizam, solidarizam-se, vão para outras paragens porque a paz do pirão foi-se.
Alguns fósseis Paleodemocratas descobertos do Homo Habilis revelam já o talento inato para disputas democráticas. É que nos locais de reunião havia muitos ossos, que sem dúvida provam a utilização sofisticada destes artefactos como meio de pacificação dos espíritos discordantes, do triunfo da minoria e a subjugação da maioria.
O Homo Sapiens (que nome tão estranho, inadequado) recebeu a centelha do raciocínio, do espírito não. As outras espécies esforçavam-se por conviver com tal personagem. Debalde procuraram locais de refúgio longínquos, e depressa verificaram que a saída era o precipício dos suicidas lémures. Apesar dos vigias que alertavam «cuidem-se, vem aí o Homo Destruere!!!» não evitaram a exterminação.
Como Homo Oeconomicus sublimou-se. Menos árvores, mais prédios. A evolução humana é o rápido processo de destruição
Entretanto na margem predial, os contratados Chineses estendem peixinhos no horizontal fio-de-prumo, e o sol ávido seca-os. Duas senhoras idosas observam-nos e lamentam o regresso do tempo perdido.
Contrariando a Teoria da Origem das Espécies por Via de Selecção Natural de Darwin, um fóssil vivo recentemente descoberto, tal celacanto, desafia a imaginação dos Paleodemocratas. O fóssil vivo Australopithecus Mugabis Zimbabuensis que desconseguiu humanizar-se. Um cientista resumiu, apressou-se a comunicar o seu trabalho no Congresso dos Paleodemocratas:
- Liberta-se um escravo, ele liberta-se? Não! Sem formação, o escravo liberto prossegue na servidão. Assim… a África Negra permanecerá eternamente na escravidão, porque não houve libertação. O macaco é livre, o escravo não! A melhor democracia é aquela de fingir. Ainda tem muitas foices, chicotes, martelos e catanas, para ceifar, chicotear, martelar e catanar os verdadeiros democratas.
Gil Gonçalves
20 agosto 2006
O poder gera habituação
(a cadeira e o poder sempre juntos, figura pictória retirada daqui)Parece que apesar dos inúmeros problemas, nomeadamente corrupção, com mais de metade dos governadores federais acusados ou indiciados, o presidente nigeriano Olusegun Obasanjo deseja prorrogar por mais tempo a sua estadia no palácio presidencial.
Esta é uma tentativa que já terá acontecido, em tempos, por partidários seus; tentativa essa na altura frustrada pelas duas câmaras legislativas do país.
Note-se que a segundo – e último – mandato de Obasanjo terminará em Maio de 2007.
Será que este pedido tem a haver com a divisão do petróleo do Golfo?
Ou será o velho problema de alguns dirigentes africanos que não sabem o que significa rotatividade democrática? A habituação à cadeira do poder…
23 maio 2006
PRS não quer ligações com PAIGC
O presidente interino do PRS Alberto Nambeia afirmou que o Partido da Renovação Social (PRS) rejeita quaisquer negociações com o PAIGC, e que a proposta que quadros dos dois partidos que formaram o Grupo de Iniciativa de Salvação Nacional (GISN) apresentaram soa como "uma tentativa de golpe de Estado constitucional"(?).Bom de um partido que tem um líder interino há quase 4 anos, o que deixa muito a desejar quanto à sua credibilidade, o que se pode esperar.
Que Koumba Yalá volte do seu “auto-desterro” de quase seis meses em Marrocos par tomar a nau? e com que fins? provocar a queda do Governo de “Nino” e surgir como o filósofo salvador da Pátria? e já agora o que é que Yalá está há tantos meses a fazer em Marrocos?
Por outro lado o facto do PAIGC ter sido tão pronto a aceitar a proposta do GISN talvez tmbém tenha levado a esta "nega" do PRS.
Já será de esperar tudo…
22 fevereiro 2006
Depu-pugilismo ou deputagilismo
Acabei de ler este pequeno mimo relativo a uma sessão parlamentar guineense:“Uma azeda troca palavras entre dois deputados, que resultou em pugilato, levou hoje à suspensão dos trabalhos do parlamento guineense, quando a assembleia se preparava para votar o agendamento do programa do governo.
A briga envolveu os deputados Alberto Baldé, do Partido da Renovação Social (PRS) e Botché Candé, independente, mas eleito pela mesma formação política, fundada por Kumba Ialá.
Os dois parlamentares desentenderam-se e a cena só não foi mais longe devido à pronta intervenção dos colegas, na sequência de acusações de traição entre ambos.
Segundo Botché Candé, que foi ministro do Comércio e Conselheiro para os Assuntos Religiosos de Kumba Ialá, o colega de bancada Alberto Baldé faltou à palavra sobre o combinado entre ambos no tocante ao apoio ao programa do actual governo.
(…) Na sequência da cena entre Botché Candé e Alberto Baldé, ambos eleitos na região de Bafatá nas legislativas de 2004, vários deputados abandonaram o hemiciclo.
Uma brigada da polícia de intervenção rápida foi chamada, mas não chegou a entrar no hemiciclo (…)”.
A Guiné-Bissau entrou, definitivamente, no seio das democracias super-avançadas.
Antes era na Itália, depois na Coreia e, agora, temos a Guiné-Bissau.
Não há dúvidas que o depu-pugilismo – ou será, deputagilismo – entrou na senda da Globalização.
Senhores, a imitar, que seja por razões válidas. Discutir quem traiu quem e por causa do quê só desmotiva o eleitorado.
E ainda por cima, para aprovarem um Governo que não saiu da vontade popular mas da vontade, intrínseca, de um presidente que quis “limpar a sua honra” presidencial.
