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21 maio 2012

Timor e a defesa do português


O presidente Taur Matan Ruak, hoje na escola Ruy Cinatti, num discurso televisto na RTP Informação, e em resposta a Cavaco Silva, fez a apologia do português, embora com os naturais condicionalismos de uma língua não materna.

Ruak firmou que “o português veio para ficar” até porque o tétun já incorpora, e cada vez mais, verbos portugueses na sua expressão linguística; mas há que compreender que o português não deve ser visto como o tétun, ou seja, como língua-mãe, mas como uma língua estrangeira e, por esse facto, deve começar a ser aprendida com a estruturação de uma língua nova.

É que, segundo Ruak, o português, gramaticalmente, e uma língua fácil para os timorenses e, por esse facto, deve ser defendida, mas…

O “mas” já ele tinha explicitado!

Entretanto, Ruak condecorou Ramalho Eanes antigo presidente da República Portuguesa que, juntamente com Rui marques, impulsionou o envio do navio Lusitânia Expresso para águas timorenses, na altura subjugadas à Indonésia.

28 outubro 2008

Quem pode manda!

O Acordo Ortográfico, já ratificado por, entre outros, Portugal e Brasil vai entrar em vigor a 1 de Janeiro de 2009, no Brasil, e só cerca de dois a três anos depois em Portugal.

Até aqui, nada de novo a não ser que o Brasil mostra ter mais interesse em “normalizar” e “optimizar” a língua portuguesa entre os falantes de português, ao contrário de Portugal, que quer manter no limbo esta questão, adoptando a velhinha política de António Oliveira Salazar de “bem com todos” e, assim, evitar que os contestatários falem demais e dar aos novos “escolinhas” um epíteto de incapazes de aprenderem depressa as novas formas de escrita e a colocarem em uso rápido. Não vão os contestatários (uff, como as minhas orelhas ardem…) reclamar da destruição da língua portuguesa e da subserviência às terras de Vera Cruz…

Mas como quem tem poder, manda, e quem manda, impõe, o Brasil já fez saber que a Declaração final da IX Cimeira Brasil-Portugal, em Salvador da Baía,
será redigida segundo a nova ortografia da língua portuguesa.

Mais um espeto para aqueles que insinuam e afirmam que Portugal começa a estar a reboque das políticas brasileiras (uff, cada vez mais me ardem as orelhas…) e do seu poder económico.

Como será que a CPLP vai descalçar esta bota, bem apertada, quando há países que ainda nem ratificaram a nova ortografia, como Angola e Moçambique, sendo que o primeiro, ao contrário de Moçambique e Guiné-Bissau, já tem quase mais falantes em português que nas próprias línguas nacionais.

14 janeiro 2008

Moçambique mantém em debate as línguas nacionais em coexistência com a língua oficial.

Um excelente artigo de João Craveirinha, já escrito em Janeiro de 2007, mas hoje (re)publicado no “Moçambique Online Blog” sob o título “A Questão das Línguas Nacionais na identidade africana” e o sub-título “A Questão das Línguas Nacionais na identidade africana em Moçambique
Craveirinha com a liberdade que o caracteriza critica o medo da Frelimo, que teve em dado momento histórico, ao perder “a grande oportunidade histórica de fazer uma verdadeira e pacífica revolução cultural…o povo multicolor (arco-íris) de Moçambique estava receptivo às mudanças para uma afro-moçambicanização - moderna - mesmo usando a língua portuguesa como plataforma de união reforçada pela libertação das línguas nacionais…” citando, para isso, Eduardo Mondlane nas conversas que mantinha com os quadros em 1967/68.
A defesa das línguas nacionais não é, nem pode ser, nunca um sinónimo de ostracização da língua oficial. E João Craveirinha dá como exemplo o antigo Ministro dos Negócios Estrangeiros do regime do “apartheid”, Pik Botha, um bóer, quando este, durante a celebração dos “Acordos de Nkomati”, em 1984, “corrigiu o changane de Samora Machel pois dominava melhor que o mesmo SM…este ficou profundamente admirado de um white/boer falar melhor a língua materna que ele próprio…é que mesmo com apartheid o ensino das línguas locais eram ensinadas em paralelo com o inglês e o afrikaans…chama-se a isso pragmatismo por cima do racismo...
Um artigo a ler e a ponderar, nomeadamente, o aparecimento “político-histórico” de Maputo.

16 novembro 2007

Amigos, amigos, língua à parte... ou como nem sempre a língua portuguesa é bem defendida

(Assim, como pode ele ver o interesse da língua… Foto dalgures)

"Para muitos foi um escândalo. Tê-lo-á sido? Eu explico. O senhor George W. Bush, presidente – ainda!! – dos EUA vetou uma proposta do Congresso, apresentada pelos democratas porque entre outros itens havia um que previa a criação de um museu-prisão (ou vice-versa), de uma escola de “bem navegar a todo o oceano” num catamaran e… a aprendizagem do português como segunda língua, nas escolas públicas.
O veto, segundo o ainda presidente, deveu-se ao facto destas propostas serem pouco exequíveis e pouco interessantes e serem também “projectos esbanjadores”.
Abespinharam-se os defensores, naturalmente, do português como língua falada por mais de 200 milhões de pessoas, nomeadamente nos órgãos de comunicação social portugueses (do Brasil ou dos outros países lusófonos nada ainda me apercebi) porque o português é só a 5ª língua mais falada do Mundo.
Por acaso os chineses que já a tornaram – ou estão em vias disso – obrigatória nas escolas públicas, consideram que o português dentro de poucos anos – talvez dentro de 15 a 25 anos – será uma das 3 mais faladas do Mundo.
Então é assim, senhor Bush, que se trata os amigos? Aqueles que estão sempre dispostos a abrirem-se para que tudo o que V. Exa. e seu séquito pedem – leia-se, exigem, – seja satisfeito. Onde está o “meu amigo José” dos Açores?
Mas… pensando bem…" (continuar a ler aqui ou que aqui foi publicado)
Publicado no /Colunistas, de hoje, com o título "Amigos, amigos, língua à parte"

27 novembro 2005

Línguas Nacionais versus línguas oficiais

Do blogue Desabafos Angolanos, a quem saúdo pelo sétimo lugar entre os melhores blogues de língua portuguesa – e já agora aproveito para saudar o luso “Tupiniquim” que obteve o quarto lugar entre os melhores de língua portuguesa e que não foi mais que foi 2º lugar entre os melhores Weblogs (paradoxo desta votação) – o texto abaixo, publicado sob o título “Língua materna ou oficial” que pela sua pertinência tomo a liberadde de trazer a este sítio e, porque não, há discussão.
“[…]Uma vez lá, encontro um senhor cuja testa parecia estar há anos sem saber o que é sorrir. Pronto, saúdo e avanço, a final não estava ali para semear amizades. Na secção a seguir, uma senhora dá-me o formulário e algumas instruções. Escrevo tão rápido que, volta e meia, tinha tudo preenchido… e a discussão inicia com a atendedora: tudo porque preenchi o Umbundu como sendo a minha língua materna. “A nossa língua materna é aquela que falamos”, dizia ela. Pois claro, mas é essa mesma a minha língua de berço; tanto o português como o inglês, eu aprendi foi na escola. Que azar me arranjei?! A senhora submeteu-me então a uma cátedra: “língua materna é aquela que herdamos do colonizador, porque é a língua que nos une; olha, um zairense, por exemplo, na escola fala lingala? Claro que não, moço!” Impotente e em desvantagem, disse-lhe apenas que era complicado. “Pois, mas estou-te a fazer entender agora que, no espaço língua materna, escreva português, porque o Umbundu é dialecto apenas!”, ditava ela. Os meus suspiros e reticências não a impediram de pegar no corrector e, a mando dela, eu declarar o português como “minha língua materna”, relegando o meu doce Umbundu ao segundo plano.[…]”
A dicotomia língua materna versus língua oficial tem tanto de absurda como de inconveniente. A cada um a sua língua local; a todas a língua nacional, aquela que realmente junta todos e todos compreendem.
Porque aqui não está em causa a língua materna (como tal) nem a língua oficial (como elo de ligação da angolanidade). O que está em causa, e aí sim, poderá ser perigoso, é tentarem chamar às línguas locais, línguas nacionais. Aí poderão pôr em causa toda uma angolanidade que se quer plena e fértil.
Angola caminha para ser uma Nação. Se assim é não pode ter línguas nacionais e línguas oficiais. Deve ter um língua nacional - no caso o elo de ligação é a portuguesa - e línguas autóctones, locais ou maternas.
A atitude da funcionária, sociologicamente, não terá sido – e não foi – correcta. Mas se olharmos e ponderarmos num ponto de vista supranacional, foi-o.
É altura de termos cuidado com as palavras. Línguas materno-autóctones sim e devem ser ensinadas, língua nacional não: essa é a língua de união. E como alguém dizia antes, em muitas zonas citadinas, muitas das línguas autóctones já se diluíram no próprio português; havendo quem não as conheça.