31 dezembro 2009

Os mais e os menos de 2009 (em Angola)

"Como habitualmente os órgãos de comunicação social fazem uma análise ao ano que finda e ponderam quem, na sua concepção, foram as figuras que como maior ou menos relevo evidenciaram, positiva ou negativamente, ao longo do ano em análise. O Semanário Angolense que também não fugiu a essa escalpelização vai permitir-me utilizá-lo, em parte, para as minhas meditações de fim-de-ano.

Para o semanário angolano SA a grande figura de 2009 terá sido o Professor, economista e analista político Justino Pinto de Andrade, um dos obreiros da extinta FpD e que quem mais terá contribuído, juntamente com o seu colega Nelson “Bonavena” Pestana para as múltiplas denúncias sociais quer nas eleições de 2008 quer no período que continuou durante todo o presente ano.

Claramente uma boa e acertada escolha. Até porque como escreve o SA se há “se há cidadãos que estejam a contribuir para que Angola seja efectivamente um país bom para se viver, Justino Pinto de Andrade, a seu modo, é certamente um deles.”

Todavia não posso concordar com todos aqueles com que o SA aponta como vencedores. Se Isabel dos Santos é, sem sombra de dúvidas uma das maiores figuras angolanas, pelo menos a nível económico é quem mais tem contribuído para suserar o Estado e a economia portuguesa a Angola – como alguém escreveu e muito bem, Isabel dos Santos é a gestora mais empreendedora e mais forte da economia portuguesa – já não concordo em colocar Eduardo dos Santos, o presidente de Angola em exercício, como uma figura vencedora de 2009.

Poderia ter sido, de facto, talvez a grande figura política do ano se tivesse cumprido com as suas promessas eleitorais, nomeadamente minorar – acabar em tão pouco tempo é sempre difícil para não dizer impossível – a corrupção no País, convocar as eleições para este ano como era previsível, e aceitar que o seu tempo de presidenciável credível já terá terminado devendo dar lugar a outros e salvaguardar-se como uma espécie de “reserva moral da Nação” face a tantos e tão indistintos tubarões que gravitam subservientemente à procura de mais-valias pessoais.

Não o fez e, mais grave, admitiu que não só deverá ir a eleições presidenciais como deixou implícitas que, as mesmas caso seja aprovada a matriz constitucional apresentada pelo MPLA, só haverá eleições em 2012 juntamente com as Legislativas desse ano.

Daí que para mim, Eduardo dos Santos foi uma figura que não soube resguardar-se e, por esse facto, acabou entre os vencidos do ano. (...)
" (continuar a ler aqui ou aqui)
Publicado como Manchete do , de 31.Dez.2009
... E FELIZ ANO NOVO!

29 dezembro 2009

Haverá quem queira calar a investigação?

Será que ainda não compreenderam que na Academia não se cala a Investigação e que tudo deve ser dito com clareza e frontalidade mesmo que isso provoque urticária ao Poder?

Não andam alguns dos nossos dirigentes a recuperarem tempo anteriormente perdido – ou temperado – nas tarimbas da política voltando às Universidades para melhor compreenderem a vida social e política e académica?

Então como se compreende que personalidades como Fernando Macedo, Marcolino Moço e, mais recentemente, Nelson “ Bonavena” Pestana seja ostracizados em certos sectores da vida social e política só porque têm pensamentos académicos e sociais que não se enquadram nos habituais parâmetros daqueles que não gostam de ser verem contrariados.

Se os dois primeiros, ainda assim, estão a leccionar numa Universidade privada onde podem colocar o seu saber e a sua investigação ao serviço da academia já Nelson Pestana teve como prenda de Natal, o “direito” a ver a sua colaboração com o Instituto Superior João Paulo II ser colocado em causa e receber como prémio o “direito” a ir para o desemprego.

Tudo porque, segundo parece, alguns prelados, que terão visto alguns dos seus habituais e infindáveis fundos serem “congelados” pelo Vaticano que considera ser obrigação das Igrejas nacionais trabalharem para o seu próprio sustento, andam a pressionar quem “contraria” o Poder para que este não deixe de fazer cair o kumbu que lhes faz falta para a sua manutenção social.

Também a Universidade Católica onde, ainda, o Doutor Pestana (será que há muitos em Angola que possam colocar este título académico por extenso?) tem sido pressionada no sentido de prescindir dos serviços de um angolano que tem colocado as causas académicas e sociais, nomeadamente, os Direitos Humanos, a favor do desenvolvimento social de Angola.

Felizmente ainda há quem consiga manter a coluna vertical e não se submeter aos ditames dos que se submergem ao Poder e ao kumbu em contraste ao que determina as mais nobres princípios de solidariedade cristã, principalmente nesta época natalícia e de Boa Vontade.

Talvez por isso é que se vê a CEAST verberar artigos de opinião que lhe são contrários, padres católicos riscados das suas dioceses, jornalistas da Emissora Católica afastados por ordem de um qualquer poder autárquico, ou, pasme-se, haver prelados que já admitem a actual manutenção da Emissora Católica no seu “habitual” circunscrição, ou seja, só em Luanda para não se verem desfavorecidos pelo Poder.

Será que o Vaticano saberá destes factos estranhos e desta – parece, e só posso dizer parece – estranha subserviência ao Poder instituído?

Este texto está incluído na Manchete do Notícias Lusófonas, sob o título "Subserviência da Igreja ao MPLA coloca académicos no desemprego" juntamente com um artigo do jornalista Jorge Eurico.

Entretanto, soube que o Frei João Domingos, emérito reitor do Instituto Superior João Paulo II terá remetido ao portal Club-K um direito de resposta onde enumera as suas razões para a "não exuneração" mas tão-somente "dispensado de dar um dos vários cursos que ele lecciona no Instituto". Esperemos que o frei João Domingos também nos conceda mais esclarecimentos que, naturalmente, serão logo aqui colocados como mandam as regras de boa educação e sã e salutar convivência como tão bem a Madre Igreja nos apregoa...
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Igualmente citado no Zwela Angola, na rubrica "Malambas de Kamutangre"

Paulo Kassoma em maré de inaugurações

Duas infra-estruturas aeroportuárias foram hoje inauguradas pelo premiê Paulo Kassoma. Uma foi em Catumbela (Benguela) e outra no Lubango (Huíla). Ambas devido aos compromissos com o CAN2010.


(Parte da área militar e a nova aerogare de Catumbela)
O aeroporto de Catumbela, na prática um importante aeroporto militar (conforme foto chapada em Maio passado) “convertido” em aeroporto civil devido à quase completa desactivação dos aeroportos domésticos do Lobito e de Benguela, na província de Benguela, viu ser hoje inaugurada as novas instalações de apoio ao movimento de passageiros – a nova aerogare – e constatou as melhorias que a pista e a placa sofreram onde poderão aterrar aviões do tipo 737.
Já o aeroporto do Lubango, o primeiro internacional a ser construído de raiz desde a independência, foi também hoje inaugurado (foto Jornal de Angola).

O aeroporto internacional de Mukanka, assim se chama o novo aeroporto, está preparado para voos nocturnos e para receber aviões de grande porte, nomeadamente, os de longo curso, os 777 ou os velhinhos 747 além de estar preparado para receber cerca de 500 mil passageiros/ano.

Depois das novas instalações aeroportuárias do internacional 4 de Fevereiro, Luanda, ter sido ontem mostrado ao público pelo presidente Eduardo dos Santos agora foram os das províncias de Benguela e Lubango.

De notar que os aeroportos de Cabinda e Huambo também sofreram remodelações recentemente.

Entretanto, e para que o dia não acabasse só no aeroporto, Paulo Kassoma inaugurou, igualmente, o novo estádio nacional da Tundavala, no Lubango, que servirá de sede ao grupo D, onde medirão forças as selecções dos Camarões, Gabão, Zâmbia e Tunísia (foto ANGOP).

Há que aproveitar o momento antes da eventual e já quase anunciada
remodelação governamental…

Que se passa com Nelson “Bonavena” Pestana?

(imagem Club-k)

Fontes descrevem que Bonavena, reconhecido académico angolano que tem pautado por defender, como poucos, os Direitos Sociais e Humanos em Angola, terá tido como antecipada prenda de Natal o despedimento do Instituto Superior João Paulo II, onde leccionava há já uns anos.

Segundo as respectivas fontes (ver
aqui e aqui) Bonavena estaria a pisar demasiados calos a certas personalidades que fizeram sentir isso mesmo a um determinado sector da Igreja Católica luandense.

Porque quero acreditar que a Igreja Católica angolana, que sempre pautou pela independência face ao poder instituído – e aos diferentes poderes – não esteja agora em ocasião de subserviência económica em parte resultante das directrizes de Bento XVI que impôs que as igrejas nacionais se auto-financiem por elas próprias…

Vamos aguardar pelas notícias que, por certo, Nelson "Bonavena" Pestana não coibirá de fazer sair da sua proverbial e activa pena.

28 dezembro 2009

Estádio de Ombaka já está inaugurado...

(imagem de arquivo / CAN2010)
Depois de ontem o Presidente Eduardo dos Santos ter inaugurado, em Luanda, o Estádio 11 de Novembro, onde irão ocorrer as cerimónias de abertura e encerramento do da Taça das Nações “Orange-Angola 2010”, esta manhã o primeiro-ministro, António Paulo Kassoma, inaugurou o Estádio Nacional de Ombaka, na província de Benguela, que servirá de sede da poule c, onde irão medir forças as selecções do Egipto, Moçambique, Nigéria e Benin.

Na inauguração houve o habitual descerrar da placa comemorativa e identificadora do estádio, seguindo-se a bênção da igreja católica.

O Estádio Nacional de Ombaka tem capacidade para 35 mil espectadores, sendo o segundo maior recinto desportivo construído para a Taça de África das Nações em futebol, depois do 11 de Novembro, projectado para receber 50 mil espectadores. Ocupa uma área de 41 mil e 500 metros quadrados, tem cerca de 40 metros de altura máxima e um relvado com 68 metros de largura e 105 de comprimento.

O estádio que se situa no bairro Nossa Senhora da Graça, a cinco quilómetros a Nordeste da cidade de Benguela, na estrada Nacional 100 que liga Lobito a Benguela, apresenta uma cobertura metálica com cerca de 29 metros de comprimento, possui 256 lugares para personalidades VIP’s, 68 lugares para deficientes físicos, dispõe. Ainda. de quatro entradas para veículos de carga, além de um parque de estacionamento para 3.365 viaturas e 537 autocarros.

O imponente estádio comporta salas para entidades VIP, recepção, reuniões, transmissão de TV e rádio, repórteres fotográficos, descanso para atletas e árbitros, treino e ginásio, equipamento, ventilação e máquinas, escritórios e gabinetes, centros de imprensa e de comércio.

Também complementam a estrutura desse gigante de betão centros de controlo de fogo, enfermaria, posto de controlo geral, sala de conferência de imprensa, vestiários.

(artigo publicado, inicialmente, no Notícias Lusófonas “Desporto”)

23 dezembro 2009

Bom Natal num Dia Feliz de Família

Uma música eterna para um período eternamente cada vez mais comercial e menos de ponderação ou de Paz...