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13 abril 2012

Guiné-Bissau, os militares angolanos e a CPLP


Uma das notícias que surge no espaço cibernético, logo após o Golpe de Estado, prende-se com a acusação que os militares Bissau-guineenses fazem quanto à presença angolana no País e do Governo e presidente interino guineenses terem celebrado um “acordo secreto” com a Missang para colocar em causa as chefias castrenses Bissau-guineenses.

O certo, coincidência ou não, o tempo o dirá, foi o acontecimento ter ocorrido menos de 12 horas depois de Koumba Yalá ter anunciado que não iria fazer campanha para a segunda volta das presidenciais e até nem ir às mesmas porque não reconhecia os resultados da primeira. Yalá, que se saiba, até ao presente não formalizou a sua desistência junto do STJ.

Recorde-se que Yalá sempre disse que seria eleito logo na primeira volta com uma significativa vitória. Yalá augurava, talvez, que a sua etno-região, os Balantas, claramente assinalável no País (cerca de 30%), lhe desse a maioria necessária para ser eleito. A surpresa de Yalá esteve no resultado final que não atingiu nem 30% dos votos. E como se recorda as habituais recepções que Yalá regista quando as coisas não correm a seu contento…

Daí haver analistas, e não são pouco, a associar o Golpe ao anúncio de Yalá.

Perante a crise guineense questiona-se o que vai fazer a União Africana (UA), a CEDEAO e a CPLP.

Quanto UA a expectativa mantém-se. Nada se houve, nada se vê e nada se leu ainda. Provavelmente, a distância para Adis-Abeba deve estar a ser cumprida no lombo de um camelo ou de um dromedário ao atravessar o Deserto do Sahara…

Sobre a CEDEAO o interessante é já sabendo do Golpe ainda fala em eventual tentativa de Golpe na Guiné-Bissau e na expectativa que a legalidade seja regularizada rapidamente.
Já quanto à CPLP – e recordando que a presidência em exercício é levada a efeito por Angola que, por acaso, até ainda tem tropas na Guiné-Bissau – parece que procede em conformidade com o habitual. Ou seja, pensa, pensa, pensa… e nada decide.

Até porque o triângulo cerebral da CPLP continua a remar cada um para o seu lado…

A prova, apesar das palavras do presidente português Cavaco Silva dar a impressão de apoiar qualquer iniciativa da presidência angolana quanto à crise, limita-se, ainda assim, a esperar que seja rapidamente reposta a legalidade democrática.

Angola, condena e nada acrescenta. Deve aguardar que o Secretariado Executivo se reúna para decidir em conformidade.

Já o Brasil, o terceiro vértice e, gostemos ou não, o mais importante na actual cena internacional, já se decidiu: solicitou uma reunião urgente… mas no Conselho de Segurança da ONU!

Ou seja, a CPLP continua ser tricéfala e a não se entender.

Por outro lado, acresce que os francófonos da CEDEAO – França e Angola ainda andam a remoer as suas anteriores crises “conjugais” – temem perder a influência na Guiné-Bissau com a presença de forças armadas não afro-francófonas, no caso angolanas e, eventualmente, brasileiras, e destas para a CPLP.

Não esquecer que os militares e políticos senegaleses, guineenses (Conakri) e franceses ainda não esqueceram as humilhações que sofreram às mãos de militares Bissau-guineenses, em tempos e crises castrenses recentes.

Se a isto acrescentarmos as contínuas acusações da Secretaria de Estado norte-americana – cada vez mais próxima de Angola e da sua importância na região centro-africana e na sua possível globalização – contra alguns líderes militares Bissau-guineenses e contra o próprio País de ser uma plataforma de narcotráfico proveniente, na sua maioria, da América Latina, mais se entende como a presença dos angolanos e da CPLP não é bem quista nem interessa a alguns países vizinhos, também eles, recorde-se já acusados de estarem ligados ao narcotráfico.

Vamos aguardar que a calma volte a Bissau e ao resto do País e que a Justiça, a Democracia e a Legalidade não tenham tido mais que um pequeno e singular percalço e rapidamente restabelecidos.


Transcrito no portal do Jornal Pravda (http://port.pravda.ru/mundo/15-04-2012/33319-guine_angola-0/) e no portal Zwela Angola (http://www.zwelangola.com/opiniao/index-lr.php?id=8718)

23 novembro 2011

Entrevista ao Novo Jornal devido ensaio "Angola,..."2

A entrevista dada à jornalista Isabel Bordalo do semanário Novo Jornal e publicada na edição 200, já referenciada. Reproduzida pelo portal Zwela Angola e aqui retranscrita.

Entrevista de ISABEL BORDALO, do Novo Jornal (Angola)


(Novo Jornal) O título do seu livro é «Angola. Potência em emergência». O que falta para Angola se tornar efectivamente uma potência?

(Eugénio Costa Almeida)
Há vários factores necessários para que um estado seja considerado uma potência, seja local, regional, intermédia ou global como, por exemplo, ter capacidade de influenciar, de uma forma organizacional, política, ideológica, económica, militar e tecnologicamente. Ora, neste momento, Angola ainda não goza de capacidade tecnológica para ser vista como um potência de facto.


(NJ)Face a países como África do Sul, Nigéria e Marrocos, por exemplo, Angola tem condições para se assumir como Estado director?

(ECA)Face à Nigéria e a Marrocos, definitivamente. Face à África do Sul já o caso é mais problemático. Os sul-africanos estão, tecnicamente, mais avançados e afirmados como potência africana. Todavia, Angola tem condições para, dentro de alguns anos, conseguir chegar ao mesmo estágio.



(NJ)Quais os trunfos que o país apresenta? E os constrangimentos?

(ECA)Os principais trunfos são, não necessariamente por esta ordem, estabilidade política, militar e alguma certa estabilidade organizacional. Quanto aos constrangimentos apontam-se de ordem sociológica, tecnológica e uma quase mono-economia assente recorrentemente no maior impacto do petróleo e dos diamantes. Contudo, parece ser vontade governativa alterar este critério económico pouco saudável, como reconhece o OGE, que já reduz o impacto do petróleo a 13,4% do PIB em contrapartida com outras actividades económicas que já atingem 12,5% do OGE.



(NJ)Que papel Angola joga hoje no contexto regional e continental? Que papel tem o petróleo nesse contexto?

(ECA)Angola é, ou está, considerada como uma plataforma de estabilidade na região onde se insere; no caso na região central e médio-meridional de África. Tem um papel de moderador e de estabilizador. Quanto ao petróleo penso que já respondi na pergunta anterior. Ainda assim, não devemos esquecer que Angola é – e agora mais do que nunca com a crise da Líbia – um dos dois maiores produtores e exportadores de crude de África.



(NJ)É ainda relevante o facto de Angola ter herdado um exército de grande dimensão no rescaldo da prolongada guerra à qual serviu de palco para essa afirmação?

(ECA)É evidente que sim. E é também evidente que esse facto contribuiu e contribui para que o Pais continue a ser respeitado, não só pela dimensão, mas também pela sua qualidade. As FAA’s “aglutinaram” dois exércitos combatidos, poderosos, respeitados e organizados que melhoraram qualitativamente a já boa organização das FAA’s. E isso, num continente onde as forças castrenses são e continuam, mesmo com as alterações políticas e o fim da maioria dos monopartidarismo, a ser muito respeitadas, o que tem muito impacto!



(NJ)A aposta na deslocação de forças militares para outras latitudes em África, como a Guiné-Bissau ou ainda a região dos Grandes Lagos, entre outros exemplos, é decidida no âmbito de uma estratégia que visa aumentar a influência de Luanda em África e, por essa via, adquirir um suporte para “falar” com o resto do mundo?

(ECA)Não creio, embora possa haver algum fundo de verdade nessa interpretação. Mas, como se viu, Luanda não quis colocar tropas suas na região dos Grandes Lagos, limitou-se a “assessorar” a política de entente da África do Sul na zona, como declinou imiscuir-se militarmente na Somália. A presença na Guiné-Bissau insere-se, creio, na afirmação de Angola no seio da CPLP e da Lusofonia face à grande potência que é o Brasil e a potência cultural que é Portugal. Tal como foi a presença, simbólica, segundo uns, mais efectiva, de acordo com outros rumores, em São Tomé e Príncipe, a dada altura.



(NJ)O seu doutoramento, com a dissertação "A União Africana e a Emergência de Estados-Directores no Continente Africano: O Caso de Angola" deu origem ao livro que lançou hoje. O que o motivou a passar este trabalho a livro? Chegou a alguma conclusão que o tenha surpreendido?

(ECA)O principal motivo deixar um trabalho para outros – ou mesmo eu – poderem continuar a desenvolver e porque fui incentivado nesse sentido durante a defesa oral pública do mesmo. Surpresas? Se houve, e há sempre, porque descobrimos sempre coisas novas, a haver aconteceram durante a investigação durante o chamado trabalho de campo. Outras surpresas, essas ficam para o leitor descobri-las, caso considerem-no haver.



(NJ)Acha que este seu trabalho pode influenciar a actuação do poder político angolano e, por outro lado, ajudar os actores políticos e económicos dos outros países a olharem para Angola?

(ECA)Nem pouco mais ou menos. Seria atrever-me a testar como influenciador da vida política nacional. E, honestamente, não me vejo nesse papel. Sou um simples analista político e, principalmente, um académico. E é nesse sentido que desejo ser lido e analisado. Se o livro ajudar a melhorar certos factores da vida política nacional ficarei contente por isso. Será o reconhecimento que o ensaio trouxe algo ao país. Agora ter capacidade de influenciar a actuação do poder político, penso que não. E quanto aos actores políticos externos, espero que eles continuem a olhar para nós com respeito e cordialidade. E se pudermos influenciar as suas vidas, então…



(NJ)Se José Eduardo dos Santos sair da presidência de Angola, este balanço expansionista pode sofrer algum revés?

(ECA)Depende o que considerar balanço expansionista. Em qualquer dos casos precisamos de não esquecer que os Países permanecem enquanto os políticos são “recicláveis”. Ou seja, nem Eduardo dos Santos é permanente e numa democracia existe a saudável alternância do Poder, nem Angola pode manter-se encostada nas boas ou deficientes decisões de um qualquer político por mais credível e forte que tenha ou possa ter sido, como é o caso de José Eduardo dos Santos. Por isso, creio que quando dos Santos sair deixará, por certo, genes suficientes para que o País não perda a sua influência.



(NJ)Na véspera da apresentação do seu livro, afirmou: “Não me parece que a democracia seja o ponto fulcral para a afirmação de qualquer estado como potência regional". Se olharmos para países como a China percebemos essa afirmação. Qual é então o ponto fulcral?

(ECA)Principalmente a estabilidade social, política e económica. Contudo é importante para a credibilidade de um Estado que as decisões políticas sejam praticadas com a maior transparência possível. E isso só é possível com a Democracia. Qual? Aí é que reside o grande problema. Segundo a Ciência Política a Democracia é a que nos oferece o Mundo Ocidental que bebeu na escola helénica. Ora os nossos Kotas dizem que em África também existe uma escola de Democracia que deve ser preservada. Isso deixo para os sociólogos especializados e para os antropólogos estudarem e nos oferecerem um trabalho nesse sentido.



(NJ)Qual é o seu conceito?

(ECA)Eu acredito que existe um outro tipo diferente de Democracia que não tenha de ser somente a do Mundo Ocidental. Mas também acredito que é o Povo que deve dirigir os seus destinos através de indivíduos habilitados e acreditados para isso. E porque a Democracia, dada as suas variantes, não é o ponto fulcral que o disse.



(NJ)Afirmou também que "Angola está para a região centro-austral da África como a Alemanha está para toda a Europa ocidental e central". Não é excessiva a comparação, tendo em conta que a Alemanha é a economia mais robusta da Europa e está assente na diversificação, ao contrário de Angola que está muito dependente do petróleo?

(ECA)Não. É preciso ver o contexto. Pode ter parecido excessiva a afirmação, mas quando é analisada historicamente, não penso que seja. E o contexto foi histórico. É certo que a Alemanha é nesta altura o motor económico da Europa. Mas recordemos que, em certos períodos da História europeia, os germânicos estavam quase falidos e não deixaram de influenciar a região onde se inseriam. Por isso, compreendo a sua questão, mas não me parece que isso possa ser suficiente para que Angola não continue a afirmar-se como potência. E, vejamos – embora sob uma forma irónica – se virmos bem a economia alemã assenta quase exclusivamente e também numa monoeconomia: a da indústria automóvel. É evidente que estamos a conversar sob uma análise irónica.



(NJ)O senhor questiona se será possível a existência de potências regionais no quadro da União Africana (UA), considerando que aquela organização prevê que haja "um único organismo que conglomere todos os países ao mesmo nível". O papel que a Alemanha e a França desempenham no contexto da União Europeia não esclarece essa dúvida?

(ECA)Não, porque a União Europeia ainda admite o cenário de Nações no seu seio. Ora a União Africana foi criada não como a sua antecessora, a OUA, ou seja, uma Organização de Países, Nações e Estados, mas visando a ideia peregrina de um visionário – fico-me por aqui na qualificação – chamado Kadhafi que queria uns Estados Unidos de África onde as Nações não existiriam mais e muito menos os Países! Ora quer a Alemanha, quer a França não prescindem do seu papel no seio da comunidade europeia e internacional. Talvez por isso a crise europeia não desenvolva nem acabe. Talvez possa degenerar mal. Recordemos que franceses e germânicos sempre se deram pouco bem e que ainda há territórios de uns na posse de outros…



(NJ)No caso africano quais são os países que podem ser potências regionais e quais são os trunfos que apresentam?

(ECA)Claramente, e na minha análise, a citada África do Sul, Angola, naturalmente, a Nigéria, como reguladora de uma parte substancial do Golfo da Guiné, Senegal, o Estado mais equilibrado política, social e economicamente na região – apesar de ter sido derrotado militarmente durante uma das enésimas crises da Guiné-Bissau – o Quénia e, ou, o Uganda na região oriental, devido à sua influência nas questões do Corno de África e nos Grandes Lagos, também, tal como o Senegal, gozam de condições políticas sociais e económicas assinaláveis além de uma boa organização militar. Finalmente, no Norte de África, prevejo que Marrocos e Argélia serão os que, dentro de algum tempo, poderão apresentar-se como as principais referências da região setentrional africana, a par do Egipto. No entanto, este pretende afirmar-se mais no seio do Médio Oriente e não tanto em África.



(Em caixa)

(NJ)Em 2007, começou uma conferência, na Universidade Católica de Lisboa, a propósito do Dia de África, com este preambulo. “Ser-me-ia politicamente correcto começar por afirmar que o Continente africano prospectiva um futuro risonho e inimaginável, principalmente, com o apoio esclarecido e despretensioso de todos os que o apreciam e adoram. Ser-me-ia fácil fazê-lo. Mas não estamos aqui para sermos politicamente correctos mas para analisarmos que futuro se perspectiva para África”. Cinco anos depois, há menos razões para ser cauteloso?

(ECA)Não pensava era que já nessa altura estivesse tão sob os focos da nossa imprensa. É que não me recordo de ter havido qualquer impacto dessa Conferência. Mas, quanto à sua questão, a resposta é não! Continuo academicamente tão ou mais cauteloso como na altura. Ainda persistem alguns constrangimentos que impedem África de ser o Continente que tanto desejávamos que fosse.


(NJ)Tem um blogue «Pululu», onde vai analisando a política internacional, com enfoque em África. Num dos comentários recentes, após a morte de Kadhafi, constata que “Os estados não têm amigos nem inimigos! Só interesses a defender!”, mas “quando a hipocrisia é demais, imunda”. Quer explicar?

(ECA)Parece-me que o texto é suficientemente esclarecedor e que a afirmação é suficientemente percebível para o que se passa, passou e, infelizmente, vai continuar a passar no seio das relações internacionais. Mas, sinteticamente, recordemos que enquanto esteve no Poder, Kadhafi foi a personna política africana que mais foi “acarinhada” pelos políticos mundiais, mesmo pelos políticos que tudo fizeram para o derrubar. Não foi por ser um déspota que foi derrubado. Não somos ingénuos.



(NJ)Foi porquê?

(ECA)Questões político-militares e económicas tiveram muito mais impacto na sua queda que o facto de Kadhafi ter sido um sanguinário ditador. A sua deposição foi sinalizada quando começou a ameaçar os eventuais podres de alguns dos seus correligionários em certos países ocidentais e mesmo orientais. A desculpa dos ataques à sua própria população só serviu disso mesmo: de desculpa. Porque é que não se usa a mesma desculpa para os ataques às populações sírias pelo líder e homens de mãos do presidente sírio?



(NJ)O seu blogue foi considerado, em Setembro de 2007, pela Gazeta do Povo, Brasil, como um dos 50 blogs para entender o mundo e um dos cinco mais entre os blogs africanos. O que o motiva?

(ECA)Penso que como todos nós quero contribuir para um Mundo angolano, um Mundo africano, um Mundo melhor. Por outro lado, o blogue serviu para começar a guardar informações que mais tarde seriam úteis na dissertação para o Doutoramento.



(NJ)Ficou surpreso com a classificação da Gazeta do Povo?

(ECA)Fiquei. Até porque só soube deste prémio”, chamemos assim, por terceiros, mais concretamente através do engº Professor Feliciano Cangue, autor do blogue “Hukalilile – don’t cry for me Angola”. Nem sabia que era tão visto no exterior e muito menos no Brasil onde, segundo alguns dos meus leitores de lá, dizem que só agora é que os assuntos africanos, e, particularmente, os angolanos, começam a ter algum impacto.



(NJ)No ícone que remete para o seu perfil no «Pululu, surge uma imagem do Pensador, estátua angolana tradicional, e a frase “de pensadores, todos temos um pouco”. A política internacional não aconselha a reformular a frase?

(ECA)Tal como já formulei em tempos e ainda há momentos reapresentou essa questão, a política internacional, actualmente parece ter muito de pouco clareza. Talvez por isso pense que ainda devemos ser todos Pensadores e reflectirmos como tal. Será possível? Deveremos reformular o(s) nosso(s) pensamento(s)? Talvez! Talvez devamos ser mais executores. Mas como ser bons executores, bons gestores se não soubermos ser bons Pensadores?



(NJ)Mas como sermos bons executores, bons gestores se não soubermos ser bons Pensadores?

(ECA) Continuo a olhar-me como um pensador do Mundo, em geral, e de tudo o que se passa com Angola, em particular. Não somos só pensadores quando cogitamos mas também quando analisamos. E ao pensarmos (cogitarmos, analisarmos, reflectimos) estamos a contribuir para melhor compreendermos o nosso país e onde eventualmente estamos inseridos!

20 junho 2011

Cimeira da CEEAC, falhanço da Comunidade ou…?

"Esteve para acontecer em N’Djamena, capital do Chade, a XV Cimeira dos Chefes de Estado e do Governo da Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC), na passada quarta-feira, 15 de Junho.



Esteve para acontecer mas foi um autêntico fiasco porque dos líderes esperados só apareceu o anfitrião Idriss Déby, o actual Chefe de Estado chadiano. De registar que esta Conferência já era para ter sido efectuada em Fevereiro passado e, também na altura – tal como agora – foi evocada razões de ordem técnica para a sua não realização.


Ora sendo esta Conferência a reunião magna dos líderes de uma pretensa Comunidade Económica com potencial económico de alguma forma interessante, já que engloba países como Burundi, Camarões, Chade, os dois Congos, Gabão, Guiné-Equatorial, República Centro-Africana, São Tomé e Príncipe e… Angola – o que contraria as “normas constitucionais” africanas que impedem um país de ser, simultaneamente, membro de duas sub-organizações regionais –, é estranho que os Chefes de Estado e de Governo destes países tenham optado pela ausência técnica quando estão em causa valores tão importantes como o desenvolvimento sustentado de África- (...)" (continuar a ler aqui ou aqui).

Publicado no , de hoje na coluna "Malambas do Kamutangre"

19 janeiro 2011

Por hoje, sou tunisino…

"Sendo angolano, sou também africano!

E porque sou africano não posso deixar de, por uma vez, ser igualmente tunisino!

Foi com orgulho que vi um povo decidir, e de vez, abrir as grilhetas que o amarravam e amordaçavam e despachar quem o encarcerava.


Um povo que é reconhecido pela sua simpatia e liberdade dogmática que andava guilhotinada, esmorecida.


Um povo que via o seu nacionalismo ser espezinhado, há mais de 40 anos, primeiro por Borguiba, desde 1964 quando instituiu o partido único, e depois por Ben Ali e seus acólitos, desde 1987.


E porque os tunisinos foram sempre um povo reconhecido pela sua rica História e Cultura – recordemos que tiveram por berço Cartago que só foi destruído, mas não subjugado, pelo Império Romano – não poderia continuar a ver crescer o descontentamento social sem que nada alterasse, como já tinha ocorrido em 1998 quando o governo de Ali prendeu o líder dos Direitos Humanos. (...)" (continuar a ler aqui ou aqui)

Publicado no , de 18/Jan./2011

07 dezembro 2010

Negócios dos petrodólares no Futebol?

"A FIFA, no alto das suas naturais e compreensivas competências determinou que os Mundiais de futebol de 2018 e 2022 fossem atribuídos, respectivamente, à Federação russa e ao Qatar, preterindo, em especial, as candidaturas ibéria e britânica, para o de 2018, e norte-americana e australiana para o de 2022.

Nada mais legítimo, salvo se… Pois aqui é que entram as inúmeras dúvidas.

Primeiro as divulgações da imprensa britânica de que havia corrupção no seio da FIFA e que haveria conluio entre uma das candidaturas a 2018 e outra de 2022. Segundo a FIFA isso não foi provado mas o certo é que três dos seus executivos foram afastados.

Mais tarde, já depois do anúncio da atribuição dos Mundiais o presidente da federação inglesa de futebol deu entender que os russos já saberiam que iriam ser os vencedores e que alguns executivos da FIFA teriam anunciado o seu voto aos britânicos, um dos quais cerca de uma hora antes da votação, e depois constataram de numa primeira volta só teriam 4 votos e na segunda rodada desceriam para 2 únicos votos, um dos quais do representante britânico.

Agora veio a terreiro um antigo presidente da federação russa de futebol dizer que Putin, actual primeiro-ministro russo, fartou-se de contactar os diferentes membros e países para obter o respectivo apoio na votação.
" (continuar a ler aqui ou aqui)

Publicado no , de hoje, na coluna "Malambas do Kamutangre"

18 abril 2010

Fez hoje 30 anos e (dês)esperam…

Fez hoje 30 anos que os zimbabueanos se tornaram no Zimbabwe sob a égide de um revolucionário e de um patriota.


30 anos depois constatam que o “velho” patriota revolucionário se tornou num déspota que não deseja largar o poder e colocou o País num caos profundo que nem os amigos já sabem como ajudar.


Até quando o País vai ter de suportar Robert Mugabe?


Até quando os amigos vão continuar a apoiar a esperar que ele saia por si como recorda hoje, e bem, Mário Pinto de Andrade, analista internacional e reitor da Univ. Lusíada de Angola, numa entrevista ao DN, sobre a situação no Zimbabwe “A solução passa, numa primeira fase, por este Governo de transição e, depois, por uma nova Constituição e por um acordo nas elites da ZANU-PF para a substituição de Robert Mugabe por nova liderança que possa trazer estabilidade ao país. Este teve papel importante na luta de libertação e é o pai da independência do Zimbabwe, mas, quando o líder no poder já não gere consensos, é melhor sair com dignidade do que originar uma guerra civil, factor de instabilidade no país e na região.”


Mas será que realmente haja quem esteja preparado para lho dizer cara a cara?

Citado no Zwela Angola na rubrica "Malambas de Kamutangre"

22 março 2010

Acidentes, a nova guerra-civil?

(Foto ANGOP)

"Quando Angola precisa que todos os seus cidadãos estejam em pleno uso das suas faculdades para recuperar o desenvolvimento nacional parece que há quem não o entenda assim.


Segundo uma notícia do portal do Jornal de Angola, citando fontes das autoridades nacionais, durante os meses de Janeiro a Fevereiro do corrente ano, já faleceram nas estradas angolanas mais de 450 (QUATROCENTOS E CINQUENTA) pessoas devido a mais de 2000 acidentes!!!


Infelizmente, a maior parte dos acidentes, mais do que a estradas que ainda possam – e naturalmente que poderão e deverão – estar por reparar ou em deficiente estado de conservação, se devem, segundo a Direcção Nacional de Viação e Trânsito, à não observância do novo Código de Estrada por parte dos automobilistas, motociclistas e peões.


Luanda, Benguela, Huambo, Huíla e Moxico são as províncias onde se registam mais acidentes. (...)" (continuar a ler aqui ou aqui)

Publicado no , na rubrica "Malambas do Kamutangre", em 21/Mar./2010

29 dezembro 2009

Haverá quem queira calar a investigação?

Será que ainda não compreenderam que na Academia não se cala a Investigação e que tudo deve ser dito com clareza e frontalidade mesmo que isso provoque urticária ao Poder?

Não andam alguns dos nossos dirigentes a recuperarem tempo anteriormente perdido – ou temperado – nas tarimbas da política voltando às Universidades para melhor compreenderem a vida social e política e académica?

Então como se compreende que personalidades como Fernando Macedo, Marcolino Moço e, mais recentemente, Nelson “ Bonavena” Pestana seja ostracizados em certos sectores da vida social e política só porque têm pensamentos académicos e sociais que não se enquadram nos habituais parâmetros daqueles que não gostam de ser verem contrariados.

Se os dois primeiros, ainda assim, estão a leccionar numa Universidade privada onde podem colocar o seu saber e a sua investigação ao serviço da academia já Nelson Pestana teve como prenda de Natal, o “direito” a ver a sua colaboração com o Instituto Superior João Paulo II ser colocado em causa e receber como prémio o “direito” a ir para o desemprego.

Tudo porque, segundo parece, alguns prelados, que terão visto alguns dos seus habituais e infindáveis fundos serem “congelados” pelo Vaticano que considera ser obrigação das Igrejas nacionais trabalharem para o seu próprio sustento, andam a pressionar quem “contraria” o Poder para que este não deixe de fazer cair o kumbu que lhes faz falta para a sua manutenção social.

Também a Universidade Católica onde, ainda, o Doutor Pestana (será que há muitos em Angola que possam colocar este título académico por extenso?) tem sido pressionada no sentido de prescindir dos serviços de um angolano que tem colocado as causas académicas e sociais, nomeadamente, os Direitos Humanos, a favor do desenvolvimento social de Angola.

Felizmente ainda há quem consiga manter a coluna vertical e não se submeter aos ditames dos que se submergem ao Poder e ao kumbu em contraste ao que determina as mais nobres princípios de solidariedade cristã, principalmente nesta época natalícia e de Boa Vontade.

Talvez por isso é que se vê a CEAST verberar artigos de opinião que lhe são contrários, padres católicos riscados das suas dioceses, jornalistas da Emissora Católica afastados por ordem de um qualquer poder autárquico, ou, pasme-se, haver prelados que já admitem a actual manutenção da Emissora Católica no seu “habitual” circunscrição, ou seja, só em Luanda para não se verem desfavorecidos pelo Poder.

Será que o Vaticano saberá destes factos estranhos e desta – parece, e só posso dizer parece – estranha subserviência ao Poder instituído?

Este texto está incluído na Manchete do Notícias Lusófonas, sob o título "Subserviência da Igreja ao MPLA coloca académicos no desemprego" juntamente com um artigo do jornalista Jorge Eurico.

Entretanto, soube que o Frei João Domingos, emérito reitor do Instituto Superior João Paulo II terá remetido ao portal Club-K um direito de resposta onde enumera as suas razões para a "não exuneração" mas tão-somente "dispensado de dar um dos vários cursos que ele lecciona no Instituto". Esperemos que o frei João Domingos também nos conceda mais esclarecimentos que, naturalmente, serão logo aqui colocados como mandam as regras de boa educação e sã e salutar convivência como tão bem a Madre Igreja nos apregoa...
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Igualmente citado no Zwela Angola, na rubrica "Malambas de Kamutangre"

06 novembro 2009

Moçambique pós-eleições, e agora?

Como se sabe Moçambique foi a eleições para as Legislativas, Presidenciais e Provinciais.

Sabe-se que a estas eleições houve constrangimentos que ninguém dos observadores teve coragem de, com clareza, denunciá-los. Bem pelo contrário, aceitou-os, com naturalidade. Recorda-se os impedimentos pouco esclarecidos que levaram os partidos não oficiais – leia-se, de todos os partidos menos FRELIMO e RENAMO – a verem vetados em alguns círculos eleitorais.

Apesar disso, e a fazer fé em todos os relatórios dos diferentes observadores, apesar de certas anomalias o acto eleitoral terá decorrido sem problemas, sendo que o chefe dos observadores da União Africana,
deu nota positiva ao acto.

Por isso, já se sabe, mesmo ainda sem resultados oficiais apresentados pela CNE local, que a FRELIMO e Guebuza foram – ou terão sido – os grandes vencedores.

Como, habitualmente, o também já seria espectável, já se sabe que a RENAMO contestou – ou contesta – os resultados intercalares ameaçando denunciá-los e não aceitá-los por os mesmos estarem feridos de ilegalidades e de fraudes.

Como é habitual neste partido, mesmo ameaçando, como parece que terá acontecido, pôr o País a
ferro e fogo, ao ponto dos observadores estrangeiros, nomeadamente da União Europeia e da SADC dizerem que é aconselhável mais moderação na linguagem, principalmente quando proferida por um líder, ainda por cima da oposição

Ou seja, diplomaticamente, os observadores estão a aceitar que nem tudo decorreu tão bem como propalaram logo.

Entretanto, o Observatório Eleitoral moçambicano decidiu
reunir-se à porta fechada com Afonso Dhlakama. Assim como assim e pelo sim, pelo não, a Polícia moçambicana já irá a caminho das antigas bases da RENAMO em Nampula…

Se fosse só a RENAMO já diríamos, como habitualmente… E para alicerçar as suas habituais queixas e desconfianças apresentou
boletins de voto – em tudo iguais aos oficiais, numerados e verificados – já previamente assinalados que o STAE diz desconhecer.

Mas quando lemos no portal noticioso moçambicano, Canal de Moçambique, uma acusação tão forte como “Fraude filmada em Escola Primária na Beira” denunciada por alguém próximo do MDM e cuja transmissão do vídeo parece ter sido vetada pela TV Miramar embora tenha passado na TIM, uma televisão independente. Nas denúncias subsequentes o MDM acusa o presidente da mesa de ter recusado aceitar o protesto do seu delegado.

Mas houve também, segundo aquele portal denúncia forte fraude no distrito de Búzi onde cerca de 11000 (onze mil!!!) votos terão sido anulados e que os recursos apresentados pelas partes denunciadoras não foram aceites pelos membros das respectivas mesas.

Vamos aguardar que a CNE divulgue, definitivamente, os resultados e que as denúncias apontadas, mesmo que não passem só de uma “dor de corno” sejam totalmente analisadas e bem escrutinadas pela CNE e pelo PGR moçambicano. A bem da transparência e para não ferir o
Prémio Mo Ibrahim de Boa Governação, conquistado por Joaquim Chissano, em 2007… (de notar que em 2009 não houve vencedores…)
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Reproduzido, posteriormente, no portal Zwela Angola, na coluna "Malambas de Kamutangre", em 6/Nov./2009