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02 setembro 2014

Instrumentality Power (o título correcto era: An instrumentalizing power)



Resumo: "The small following text was targeted Angola as a regional power that has not yet been hardpower can no longer be regarded as softpower in the African context in general and regional center-southern Africa in particular. For this reason we tried to develop a new theory that suits Angolan characteristics and its projection in the African context and how important vertex in political-military relations in sub-Saharan Africa."

Artigo em língua inglesa, com verificação científica, publicado na revista da "International Journal Advances in Social Science and Humanities" (Índia), volume 2, número 5, May 2014, páginas 24-26 (Eugénio Costa Almeida | May. 2014 | Vol.2 | Issue 5|24-26) - (ainda) só podem fazer por aqui o download do texto em pdf. ou aceder ao título acima.


30 maio 2012

Duelo Senegal-Angola na Guiné-Bissau



O jornalista Bissau-guineense Aly Silva estampa no seu (nosso) blogue “Ditadura do Consenso” um tradução de um artigo de um cronista senegalês Babacar Justin Ndiaye, e publicado no passado dia 25 de Maio (por mero acaso, o Dia de África) no “Sud Quotidien”.

Vejamos algumas partes do referido artigo:

Por trás das manobras diplomáticas e do baile dos contingentes militares, a Guiné-Bissau torna-se, cada dia mais, um campo de colisão inevitável entre os interesses nevrálgicos do Senegal de um lado e os desígnios estratégicos de Angola, do outro lado. O duplo protagonismo da Comunidade dos Estados de Desenvolvimento da África Ocidental (CEDEAO) e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), desembocara inevitavelmente num choque frontal entre Dakar e Luanda. Duas capitais cujas intenções relativamente à Guiné-Bissau ultrapassam os planos de saídas de crise oficialmente tornados públicos e as resoluções publicamente votadas”.

Os ganhos para o Senegal, na cimeira da CEDEAO, tido em Dakar, o dia 3 de Maio, foram contrabalançados pelos ganhos obtidos pela posição Angolana e os países da CPLP, perante o Conselho de Segurança das Nações Unidas, que votou, no 18 de Maio a resolução 2048”.

Mesmo assim, o Senegal ganhou a primeira parte da disputa através do plano de saída de crise da CEDEAO, que crucificou as autoridades derrubadas pelo Golpe de Estado do dia 12 de Abril, excluindo assim a restauração do poder legitimo” pelo que um “novo Primeiro Ministro de Transição apoiado pelos Chefes de Estado da África Ocidental, foi designado na pessoa de Rui Duarte de BARROS, ex-Ministro das Finanças do antigo presidente Kumba Yalá, derrubado num golpe e Estado em Setembro 2003. O novo Chefe do Governo tem por Ministro dos Negócios Estrangeiros, o pro-francófono Faustino EMBALI (refugiado em Dakar, depois do assassinato de Nino Vieira). E como cereja em cima do suculento bolo servido a Macky SALL, (um contingente militar senegalês constituído por unidade de engenharia militar, uma importante equipa médica e de Oficiais de contra-inteligência), serão enviados para Bissau, sob a bandeira das forças africanas da CEDEAO”.

Ou seja,

Macky Sall reedita, sorrateiramente a Operação Gabu. As tropas senegalesas chegaram em Bissau sem combater, nem ser combatido. Estrategicamente, o Movimento das Forcas Democráticas da Casamance (MFDC) vão ser cercadas – feitas sandwich- por oficias de segurança em actividades no território da Guinée-Bissau e por tropas de elite senegalesas em operações permanente na região de Ziguinchor(Há muito que a questão de Casamance andava em stand-by e tão calada…).

Dai se explica o jogo individual do Senegal bem encapotado no processo colectivo de saída da crise da CEDEAO. Dito de outra forma, uma preocupação e intenção aparentemente dissimulada do Senegal, mas com a condescendia do resto da restante comunidade. Posição contrária é firmemente assumida contra os golpistas do Mali”.

Perante estes factos como se posicionarão Eduardo dos Santos e Angola? O cronista pergunta se Eduardo Dos Santos, ficará numa “má postura” logo acrescentando que “seguramente, a resposta é não”. Porque, segundo na perspectiva do cronista senegalês “Apoiado na CPLP […], Angola contra atacou, provocando no dia 7 Maio […] uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas, no decurso da qual, o Representante Especial do Secretario Geral das Nações Unidas para Consolidação da Paz na Bissau (UNOGBIS), o ruandês Joseph Mutaboba apresentou um relatório sucinto dos acontecimentos”.

Ndiaye recorda que “O peso dos países lusófonos contou muito - nomeadamente o do Brasil -, os membros do Conselho de Segurança (entre os quais figura o Togo, portanto ligado pelas decisões da CEDEAO) votaram unanimemente, a famosa resolução 2048 que diz o seguinte : «O Conselho de Segurança solicita aos Estados membros da ONU no sentido de tomarem todas as medidas necessárias para impedir a entrada e passagem nos seus territórios dos cinco repontáveis do Comando Militar, entre os quais o Chefe de Estado Maior, Antonio Injai e o seu adjunto o General Mamadu Nkrumah Ture»”. E que “Postado por Portugal, a resolução 2048 vai ao encontro das decisões da CEDEAO sobre a Guiné-Bissau e, em termos firmes: «Os 15 Estados membros do Conselho ordenam o Comando Militar a deixar o poder a fim de permitir o regresso à ordem constitucional»

Acresce e recorda ainda Ndiaye que “Na verdade, a vontade de Angola de fortalecer a sua posição na Guiné-Bissau permanece intacta tanto militarmente como economicamente. Luanda comprou um hotel em Bissau para alojar os seus oficiais da MISSANG, esperando a construção de novas casernas. No meio do mês de Abril, o Ministro da Defesa, o General Van Dunem viajou para Bissau. No capitulo politico, os Angolanos exploraram bem as falhas e fissuras no bloco pouco compacto da CEDEAO, e desencadearam uma operação de charme para obterem o apoio do Presidente Alfa Conde da Guiné Conakry que, recebeu calorosamente, no dia 16 de Maio, o Secretario de Estado dos Negocios Estrangeiros, Rui Manguerra, portador de uma mensagem pessoal de Eduardo Dos Santos” no que terá sido bem conseguida porque foi uma “Ofensiva bem alvejada e positivamente conseguida, quando se sabe que, Conakry e Praia foram intransigentes no que toca ao regresso à ordem constitucional, sinonimo do regresso ao poder de Raimundo Pereira e de Carlos Gomes Jr.

Resumindo, embora muito ainda haja no referido artigo:

O duelo Macky-Dos Santos será duro na Guiné-Bissau (fronteira da Casamance), onde Macky Sall joga o destino unitário do seu pais; e, Eduardo Dos Santos, por seu turno, tenta confortar os interesses duma potência da África Austral (Angola) com objectivos expansionista na zona. O confronto está à vista, mas será que os protagonistas têm armas iguais nesse confronto? Ao Senegal não faltam vantagens (proximidade e motivações), mas melhor ganharia a seguir prospectivamente esse pais tão perto, mas muito complicado, mobilizando equipas de «seguimento»... e de trabalho sobre esse seu vizinho que se dedica à anarquia politico-militar como principio. Do lado dos Negócios Estrangeiros, capacidades não faltam, tais como, Sua Exa. Omar Benkhtab Sokhna, o inamovível Embaixador do Senegal em Bissau durante os anos 90. E, a este título obreiro da vertente diplomática da operação Gabu decidido pelo presidente Abdou Diouf. As suas notas e testemunhos podem inspirar e orientar as melhores decisões do Governo.

Quanto à Angola – mesmo diplomaticamente pressionado e militarmente em retirada - ela não vai deixar as coisas ir por água abaixo. Angola dispõem em Bissau de laços e redes locais capazes de ajudar rasgar (sabotar) o mapa de saída de crise da CEDEAO. Uma margem de manobra herdada não apenas duma colonização em comum, mais também de uma camaradagem baseada numa osmose politica entre os quadros do MPLA e do PAIGC. Recorde-se que, os dirigentes do nacionalismo Angolano tais como Lúcio Lara, Luis de Almeida e o escritor Mario de Andrade davam aulas ou animavam regularmente seminários na Escola dos quadros do PAIGC baseado, na época, na Guiné-Conakry”.

Ou seja, e uma vez mais, estamos na presença de uma disputa pelo domínio de uma região de duas potências regionais embora, uma, claramente, regional – Senegal – e outra com características, cada vez mais bem vincadas, com tendência multirregional enquadrada na minha tese potencial de definida como Instrumentality power” já aqui explanada – Angola!

Podem ler o texto (versão portuguesa) integralmente aqui

20 março 2009

Papa chegou a Luanda e fez alertas…

(No aeroporto 4 de Fevereiro em imagem via TPA-Internacional; ©Elcalmeida)

"Proveniente dos Camarões, onde iniciou a sua viagem papal por África, chegou hoje a Angola – leia-se, a Luanda porque Luanda não é Angola e o resto paisagem embora Angola tenha lindas e transbordantes paisagens – o Papa Bento XVI.

Chegou, foi recebido como Chefe de Estado e como tal, aliado ao facto de também ser o Chefe Espiritual de milhões de católicos espalhados pelo Mundo, proferiu algumas palavras que serviram de alerta para a comunidade política e governativa angolana.

O Sumo Pontífice depois de ouvir os hinos dos dois Estados, escutou Eduardo dos Santos dar-lhe as boas-vindas onde o presidente angolano salientou uma concertação de opiniões entre Angola e Santa Sé quanto à necessidade dos angolanos construírem "uma nação com valores, uma nação de paz, reconciliada com a sua história recente".

Mas como uma Nação não se constrói sobre a fome nem sobre o amordaçamento dos mais fracos pelos mais fortes, o Papa recordou e alertou para dois factos importantes da, e na, actual sociedade angolana:

Embora reconhecendo que, por certo ainda há muito para fazer e, espera, muito será feito, lembrou o facto de ainda haver em Angola muita gente no último patamar do limiar da pobreza. Por esse facto desafiou Angola a se tornar numa sociedade "mais livre e mais justa".

E chamou a atenção para um pormenor que poderá ser interpretado segundo dois prismas: o poder dos mais fortes sobre os mais fracos.

De facto Angola tem de compreender que só poderá crescer como uma Nação mais forte, poderosa e mais justas se os seus políticos – alguns, sublinhe-se – deixarem de olhar terceiros – povo ou países (e aqui as duas interpretações) – muito lá de cima como autênticos senhores patrícios poderosos e omnipresentes.

Angola só poderá ascender – e sê-lo-á mais depressa que alguns pensam – uma potência regional se perceber que os seus filhos são todos iguais, mesmo que com diferentes pontos de vista e de poder económico, tal como os seus vizinhos deverão sentir de Angola não uma potência imperial, que não queremos que seja, mas um vizinho forte, cordial e pronto a ajudar sem necessidade de impor a sua força. (...)"
(continue a ler aqui ou aqui).
Publicado na rubrica "Colunistas" do , de hoje

E o império colonial quer sobrepor-se à potência regional…

Ainda é cedo para Angola cumprir os últimos versos deste magnífico poema “Fado Tropical” de Chico Buarque de Holanda e de Ruy Guerra (um brasileiro e um moçambicano) escrito nos idos de 1974/75. Os compositores só se erraram no nome da potência; talvez por uma questão de rima… temporal!

Mas com a presúria de certos sectores principais de um arquipélago irmão, por uma grande empresa nacional, e a compra e certas quintas e mansões num certo país europeu por parte de alguns que alardeiam desmesuradamente riquezas pouco convencionais, tudo aponta para que, em breve, sejamos um império colonial.

Potência regional, justa, fraterna e forte, sim; potência imperial, não! A História tem provado não não lhes ser muito grata…


Fado Tropical
Composição: Chico Buarque/ Ruy Guerra

Oh, musa do meu fado
Oh, minha mãe gentil
Te deixo consternado
No primeiro abril
Mas não sê tão ingrata
Não esquece quem te amou
E em tua densa mata
Se perdeu e se encontrou
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal

Sabe, no fundo eu sou um sentimental
Todos nós herdamos no sangue lusitano uma boa dosagem de



lirismo ( além da sífilis, é claro)
Mesmo quando as minhas mãos estão ocupadas em torturar, esganar, trucidar
Meu coração fecha os olhos e sinceramente chora…


Com avencas na catinga
Alecrins no canavial
Licores na moringa
Um vinho tropical
E a linda mulata
Com rendas do alentejo
De quem numa bravata
Arrebata um beijo
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal

Meu coração tem um sereno jeito
E as minhas mãos o golpe duro e presto
De tal maneira que, depois de feito
Desencontrado, eu mesmo me contesto
Se trago as mãos distantes do meu peito
É que há distância entre intenção e gesto
E se o meu coração nas mãos estreito
Me assombra a súbita impressão de incesto
Quando me encontro no calor da luta
Ostento a aguda empunhadora à proa
Mas meu peito se desabotoa
E se a sentença se anuncia bruta
Mais que depressa a mão cega executa
Pois que senão o coração perdoa


Guitarras e sanfonas
Jasmins, coqueiros, fontes
Sardinhas, mandioca
Num suave azulejo
E o rio Amazonas
Que corre trás-os-montes
E numa pororoca
Deságua no Tejo
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um império colonial
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um império colonial

(Pode ouvir o fado aqui.)