14 agosto 2004

Férias e os JO Atenas 2004

Uma semana de férias já lá vai... outra se aproxima para complementar.
Até lá, vou tentando ver, desde que a TV pública portuguesa o permita, as participações dos restantes países da CPLP, com particular destaque para Angola, no Jogos de Atenas 2004.
Já agora, embora não seja o único país a ver atletas seus a serem preteridos à última hora a favor de terceiros e segundo parâmetros pouco claros, era bom que Angola começasse a pensar que ser Grande (leia-se uma potência regional) não passa unicamente por ter um poder quase decisório nas resoluções política-militares da região ou servir de umbrella para alguns políticos regionais.
Também afirmar-se no desporto e, por extensão, no COI ou na FIFA é tão ou mais importante. Só assim, poderemos deixar de ter situações como a verificada com o voleibol de praia com a equipa angolana apurada nas quadras e a Federação Internacional a substituí-la por uma equipa sul-africana.
Igualmente termos o primeiro-ministro em posição de destaque na Cerimónia enche o ego mas é muito pouco.
Cabe aos dirigentes angolanos - e porque não à CPLP (vejamos os casos de Portugal com uma trialista ou Cabo Verde com o campeão africano de Taekwondo apeados) procurarem inverter esta situação.

05 agosto 2004

O Apostolado e a gralha?

O Apostolado, um órgão de referência na comunicação angolana, ligado à igreja católica, e que me merece grande credibilidade também foi atacado por um vírus (não informático) que acontece, algumas vezes, igualmente connosco: uma gralha.
Aconteceu num artigo intitulado "EX-MILITARES AMEAÇAM AMOTINAR-SE" onde há uma certa confusão nas Forças em presença. Elas ou são as FALA ou as FAPLA.
Tentei contactá-los via e-mail mas como parece acontecer com a maioria dos organismos que com quem desejamos fazê-lo, o mesmo foi devolvido por não conseguir entregar (infelizmente acontece não só com este, como com o JA, com a Angop, ou com UEA, com quem desejo corresponder-me há mais de nove meses,- ainda não perdi a esperança).
De qualquer forma, e porque acho importante que se esclareça a gralha aqui fica o e-mail que não seguiu:
"Caros senhores,
Na deambulação diária que faço pela imprensa nacional, houve um art
igo vosso, sob o título acima referenciado, cujo conteúdo, por sinal bastante preocupante - não é de surpreender que o juiz José Carlos Felizardo tenha clamado pelo bom-senso quanto à devolução das armas nas "boas mãos" dos civis - apresenta uma gralha daquelas que nós enquanto escritores, jornalistas ou fazedores de opinião não gostamos de ver.
Logo no 1º. parágrafo, linha um e dois surge o erro que passo a citar "...ex militares das antigas Forças Armadas de Libertação de Angola (FAPLA) e ...". Ora como sabemos as Forças Armadas de Lib. de Angola eram as FALA's, da UNITA; as FAPLA's (do MPLA) eram as Forças Armadas Populares de Lib. de Angola. E já agora o ELNA, da GRAE/FNLA, era o acrónimo do Exército de Lib. Nacional de Angola.
Ou seja, malditas gralhas. Pelo desenrolar do texto presumo que, de facto, estarão a referir-se às FAPLA's, mas, pela credibilidade que gozam e que é inquestionável, há que evitar estas malditas, e sempre mais do dispensáveis, gralhas.
Uma saudação amiga e fraterna"

04 agosto 2004

días estranhos

Permitam-me fazer um trocadilho com este título que é o nome de um blogue ?Será que neste Mundo tão globalizante e multicultural ainda há dias estranhos?
Interessante a análise política que hoje tive o prazer de ler em días estranhos um blogue hispânico (galego) sobre a crise humanitária de Darfur (que o Prof. Nuno Severiano Teixeira afirma ainda não ser genocídio??? – também no Ruanda se custou admitir esta palavra e com que resultado? proponho a leitura da ruandesa tutsi Yolanda Mukagasana "Não tenhas medo de saber").
Igualmente interessante é a sua proposta ao Ministro dos Assuntos Exteriores espanhol, senhor Miguel Ángel Moratinos e que poderia (deveria) ser estendida a todos os Governos europeus e, principalmente, africanos.
Duro ainda a análise que faz sob o título “Cinco centos e un”. De ler com muita atenção.

03 agosto 2004

Juiz angolano defende desarmamento da população civil

(Estas deviam estar só nos quarteis ou nos Museus)
Numa das minhas viagens diárias pela imprensa do meu continente, em particular a de Angola, li numa insuspeita ANGOP que “O Estado angolano deve criar com urgência as condições básicas para a retirada do armamento letal em posse da população civil e mecanismos de controle, de modo a não cair em mãos impróprias, defendeu hoje, em Luanda, o Juiz José Carlos Felizardo."
Ué! Apesar da pena por uso e porte ilegal de armas ir de 8 a 12 anos de prisão, pelos vistos as armas continuam em boas mãos!!!
E como queremos nós que a Paz perdure? Ou que as eleições sejam a breve trecho? Senhores políticos da minha terra, tenhamos maneiras e pudor.
Bravo senhor Juiz pela denúncia e pela chamada ao bom-senso.

Académica do Lobito sofre acidente

Quando regressava de um bom resultado (0-0 com o Interclube) no Girabola, a equipa mais representativa da minha cidade, a Académica do Lobito, sofreu um acidente de viação no troço rodoviário Porto-Amboim/Sumbe. Apesar do aparato que o acidente apresentava os passageiros do machimbombo pouco ou nada sofreram, salvo algumas poucas escoriações.
Os meus desejos que no próximo fim-de-semana os meus lobitangas consigam derrotar a boa equipa do 1º de Agosto.
Eu gostava de ver, mas... a RTP África prima pela ausência de cobertura e transmissão dos jogos do Girabola ou da Liga 2M.
Enfim, como aplaudi-os em dois artigos no Jornal Lusófono agora, como castigo, deixaram de transmitir os jogos. Bem feito para eu não falar.

01 agosto 2004

Darfur - Resolução 1566

Depois de algumas centenas de vítimas e desalojados, quatro versões iniciais, da exigência de sete países em que não fosse aplicada a palavra “sanções” e de 13 votos a favor e duas abstenções, o Conselho de Segurança (CS) das N.U. consegue fazer aprovar a Resolução 1556 que exige ao governo de Cartum medidas que acabem com o genocídio – desculpem, mas esta palavra também está arredada do léxico da União Africana, logo da Resolução – o que queria dizer era que Cartum honrasse os compromissos assumidos com Annan e Powell, em 3 de Julho, ou seja, desarmara as milícias árabes de Janjawid, punir severamente os responsáveis pelas acções violentas contra a população negra islâmica de Darfur e autorizar e facilitar a actividade das organizações humanitárias (não sei como é possível se estas continuam a adoptar a proscrita palavra “genocídio”).
De notar, ainda, que já na véspera a UE tinha acordado com os sudaneses em reactivar o acordo celebrado no seio da UA, em 8 de Abril, e ouvido do representante sudanês que não admitiria a presença de militares estrangeiros, propostos por Londres, ou que em Darfur, contrariamente ao que divulgava a imprensa, não havia fome e que o seu governo "enviou cerca de quatro mil polícias a Darfur, para pôr termo às operações das milícias Djanjawid".
A Resolução impõe trinta dias ao Governo sudanês para respeitar as exigências do órgão mais anti-democrático do Mundo (um país de entre os cinco, num total de quinze membros pode impedir a aprovação de uma Resolução). Caso não os cumpra o CS poderá fazer aplicar o artº. 41 da Carta da ONU, ou seja, aplicar medidas que não impliquem o uso da força.Ficamos para ver porque... 29 dias serão suficientes para uma população ser dizimada. Ao trigésimo dia já nada haverá.