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06 junho 2016

A Líbia, os Governos e as Armas assinaladas, no mês de África… (artigo)

"Este é o mês, esta é a semana que estamos a recordar e celebrar o Dia de África, o dia da União dos africanos em torno da sempre falada, solenizada mas sempre adiada unidade e solidariedade entre os Povos do nosso Continente.

Se houvesse não haveria disputas territoriais e fronteiriças entre alguns estados, não veríamos países a despejarem refugiados sob a desculpa – ainda que aceitável e possível – de no seu seio haver extremistas radicais, quando na realidade os estados já não conseguem suportar os elevados custos de manutenção do campos de refugiados e o apoio internacional escasseia, nem veríamos, muito menos, o que se passa na Líbia!

E é sobre este país que me desejo concentrar.

Recordemos, sem necessidade de aqui o voltar a escrever, como a Líbia se tornou num Estado falhado, desgovernado, e, acima de tudo, quase que totalmente despedaçado e quase pulverizado.

Escrevia-se e sublinhava-se que com o desaparecimento do ditador Kadhafi o país entraria numa nova linha histórica de desenvolvimento político, social e económico. Quem provocou a queda do regime de Kadhafi afirmava que o apoio futuro traria ao país um novo paradigma. A realidade mostrou o contrário.

Entretanto como que querendo disfarçar os problemas internos que grassavam após o fim da intervenção armada internacional foi instituído um suposto governo de unidade nacional em torno de um auto-denominado Conselho Nacional de Transição (CNT) cuja função seria preparar e levar a efeito eleições nacionais para o Congresso Geral Nacional, entretanto realizadas em 7 de Julho de 2012; após estas o CNT entregou o poder à assembleia recém-eleita em que teria a responsabilidade de formar uma assembleia constituinte a fim de redigir uma constituição permanente para o País, que depois seria submetida a um referendo.

Só que a realidade acabou bem diferente.

Prevaleceu a divisão do país por diversos grupos armados e liderados por clãs que só se interessavam por dominar as suas regiões de influência, algumas bem ricas, nomeadamente, em hidrocarbonetos.

O problema é que a maioria dessas regiões são no interior profundo do enorme Estado e sem acessos livres aos portos e ao escoamento dos seus produtos. Isso, naturalmente gera desaguisados que depressa se tornam em conflitos armados de ferocidade inqualificável. A ONU só viu uma solução, no imediato: decretar embargo de vendas de armas aos litigantes. (...) (pode continuar a ler aqui).

©Artigo de Opinião publicado no semanário angolano Novo Jornal, ed. 434 de 3-Junho-2016, secção “1º Caderno”, página 19.

26 julho 2008

O que se passou realmente no Sambizanga?

(quando andam em boas mãos...)
A malta do Sambila, desde que me recorde, foi sempre olhada de lado.

Todavia, tal como em outros lugares, seja da capital angolana, seja em qualquer sanzala Angola, seja num outro qualquer lugar do planeta Terra, há malta da pesada mas também os há que são Homens e Mulheres de letras grandes e de personalidades fortes e probas.

Por isso, não se compreende a chacina que houve no Sambizanga. E menos se compreende a disparidade – a diferença de uma vítima ou de mil vítimas, é sempre a mesma, vítimas – entre aquilo que as pessoas assistiram, mesmo que posteriormente, e o que as autoridades divulgam.

As pessoas do popular bairro de Santa Rosa no município sambila afirmam que foram 8 (oito!) as pessoas assassinadas – leia-se executadas! de nomes Dadão, Lito, Terenso, Santinho (que era auxiliar na paróquia de São Paulo), Mano Velho, André, Johnson e Nandinho – enquanto as autoridades se ficam pelas 7 vítimas.

Como já afirmei acima, vítimas, uma ou mais, são sempre vítimas e quando são assassinadas da forma como estas foram (
as vítimas foram colocados no chão, de barriga para baixo, e executadas a sangue frio) ainda é mais estranho.

Tão estranho que quando as autoridades chegaram ao local pelos vistos não conseguiram discernir de mortos de feridos.

A população que estava no local afirma e assevera que uma carrinha branca do tipo Hyace “descarregou” alguns indivíduos armados que mandou os 8 jovens se deitarem e assassinou-os. A polícia firma que uma carrinha do mesmo tipo ao passar pelo local os ocupantes disparam e provocaram 5 mortos e 3 feridos que viriam a falecer no hospital.
Duas coisas em consideração.

Primeira, esteve a decorrer a recolha voluntária de armas – foram entregues cerca de
30 mil instrumentos de morte – e, estranhamente, aquelas que deveriam ser entregues parece que não o foram, ou será que são daquelas que estão em boas mãos?...

Segundo e assumindo que o meu forte não é matemática, parece-me que 5 mais 3 dão 8 vítimas e não 7 como as autoridades
persistem em afirmar!

E se nos recordarmos que há poucos meses
dois jovens actores foram objecto do “atira primeiro e pergunta depois” por parte da polícia e no mesmo município…

É por estas e por outras quando alguém de Luanda me diz “digo-te hoje isto porque amanhã não sei se estou viva, porque anda a fazer muitas perguntas”…
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E tudo isto a cerca de 1 mês das eleições legislativas!
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NOTA: Ikono, nos comentários, deixou um alerta e uma nota sobre este apontamento. Realmente quando o salvei verifiquei a falta do ponto de interrogação no título. Todavia, e dado o facto de haver dificuldades em aceder à Internet (tão difícil que esta é a 7ª vez que tento colocar esta nota!!!!) onde estou não voltei atrás e deixei ficar. Mas porque a questão apresentada é pertinente aqui está a rectificação com os meus agradecimentos. (nem nos comentários conseguia colocar esta nota… e viva o 1º Mundo e o Portugal informatizado; e é numa zona altamente turística…)
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Posteriormente publicado no Angola24horas.com, em 29/Julho/2008

09 maio 2008

Já nem os amigos se entendem?

(autoria da imagem bem visível)
Senhores dirigentes e governantes, vejam lá se chegam a uma conclusão minimamente válida e exequível.
Por este andar ainda vamos chegar à conclusão que o que o navio trazia eram alfaias agrícolas e travessões para recuperar os caminhos-de-ferro angolanos…
Querem melhor esclarecimento?
Basta acederem aqui ou aqui e… chegar à conclusão que os chineses andam aprender – muito e afincadamente – o português – e sem esperarem por qualquer apoio do Instituto Camões, que deveriam ser os primeiros a incentivar o estudo da língua do seu patrono – mas ainda não se fazem entender bem com os amigos!
E quando os “bons” amigos não se entendem, outras sequelas podem aparecer…

07 maio 2008

E o navio parece ter zarpado… carregado?

De acordo com duas confederações sindicais angolanas – adiante referenciadas – o navio chinês An Yue Jiang (ou Na Yue Jiang) terá zarpado de Luanda sem descarregar o armamento que trazia a bordo para o Zimbabué; leia-se, para o senhor Mugabe.
De acordo com as referidas confederações o navio só se limitou a descarregar “apenas materiais de construção destinados a Angola” - aquele que ninguém sabia da sua existência, nem o Governo de Angola ou as autoridades chinesas – não tendo sido feita qualquer tentativa para descarregar armamentos e que a “embarcação deixou o porto após carregar combustível e alimentos”.
Nada seria de espantar se não houvesse, no meio, algumas sérias incongruências a citar:
Primeira, prende-se com um anterior Comunicado da autoridade portuária, que referia que na lista oficial de embarcações à espera de entrar no porto de Luanda, "pelo menos até dia 19 de Maio", não constava o nome do navio chinês, ou com a clara e inequívoca tomada de posição do director do Instituto dos Portos do país, Filomeno Mendonça, ou da de um responsável do MIREX;
Em segundo, a Federação Internacional de Transportes admitir a entrada, em breve, no porto de Luanda mas ter a garantia da Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores dos Transportes e Comunicações de Angola (FSTTCA) que teria afirmado a sua indisponibilidade em descarregar qualquer tipo de material militar vindo daquele navio – estranha-se é a circulação de alguns camiões militares no porto há uns dias atrás e não se ver esclarecida a sua circulação;
Terceira, porque, ainda ontem, o barco estava, segundo uma rádio luandense, muito longe de poder aportar e descarregar devido ao elevado tráfico marítimo que, nesta altura do ano, passa pelo porto de Luanda;
Em terceiro, e talvez o mais importante, as duas Confederações Sindicais em causa são, de acordo com um despacho de AP/Lusa, em Joanesburgo, e citada pelo Notícias Lusófonas, a Confederação Internacional de Sindicatos (ITUC) e… PASME-SE a Federação Internacional Taekwon-Do (ITF). – esta federação de artes marciais é para sindicalizar os possíveis seguranças do porto peritos em… Taekwon-Do?
Se notarmos que o senhor Mugabe acabou por concordar, renitentemente, ir a uma segunda volta das presidenciais no Zimbabué, contrariando números da Oposição que davam a vitória de Tsavangirai logo à primeira, só poderemos inferir uma de duas coisas:
Ou os seus “melhores amigos” e principais “guarda-costas” decidiram apertá-lo com medo de uma possível extensão da crise zimbabueana a outros países da SADC;
Ou então o senhor Mugabe já se sente protegido pelas “três milhões de balas para espingardas automáticas "AK-47" (conhecidas por Kalashnikov), 1.500 morteiros com auto-propulsão (RPG's) e 3.000 granadas de morteiro” transportadas no navio chinês e que, provavelmente poderão ter sido descarregadas ou transbordadas algures entre Durban e Luanda…

04 maio 2008

Parece uma Opereta sem fim...

"Segundo alguma informação de Luanda o navio chinês An Yue Jiang (ou Na Yue Jiang) que transportaria uns míseros 6 contentores com “materiais legais” – várias toneladas de armas e munições – vendidas do Governo chinês a Mugabe como prendas que este iria oferecer ao seu estimado Povo, já atracou e descarregou a mercadoria que era destinada a Angola – de que quer os dirigentes chineses, quer as autoridades angolanas pareciam desconhecer a sua existência, até há poucos dias atrás – e não terá descarregado, por não ter sido autorizado superiormente, a descarga dos contentores.
Isto é o oficialmente… oficial.
O oficioso, o que corre nos corredores e nas ruas de Luanda, já mais parece ser uma Opereta – para quem não saiba é, de forma simples, uma Ópera com música – em vários actos e de contornos rocambolescos e incompreensíveis.
Segundo o jornal
O Apostolado, citado pelo seu portal, o “mistério continua completo sobre o paradeiro exacto do navio chinês carregado de armas para o Zimbabwe, cinco dias após o governo angolano ter autorizado que acostasse cá”.
Parece estar em jogo uma providência cautelar junto do Tribunal Marítimo angolano interposta por duas entidades angolanas, o Conselho de Coordenação dos Direitos Humanos (CCDH), através do seu advogado David Mendes, e do Sindicato dos Marítimos de Angola (SIMA), para impedir a descarga do material bélico.
Todavia o que parece ter acontecido foi um dos actos da opereta: o navio já terá descarregado e zarpado sem que fosse possível qualquer atitude jurídica, conforme o
Notícias Lusófonas referiu em tempo oportuno.
Só que são meras conjecturas porque, de acordo com o portal d’O Apostolado as autoridades portuárias luandenses recusam as tentativas dos jornalistas em desvendar o mistério.
Segundo aquele órgão independente angolano, para a Direcção-geral do Porto de Luanda, ou para as Capitania, Alfândega, Polícia Fiscal e Polícia Económica, nenhum responsável parece estar disponível para satisfazer a natural curiosidade da imprensa nacional.
Mas se há ou houve ou não armas no navio chinês é um caso que ainda está por esclarecer.
Segundo o blogue “Casa de Luanda” o navio chinês traria, de acordo com uma nota da autoridade portuária, a mesma que dias antes dizia que o navio não estava autorizado a entrar em Luanda por não ter materiais para Angola, "
alguns containeres com material de construção destinados a Angola”. (...)" (continuar a ler aqui ou aqui)


Publicado no , "Colunistas" em 3-Maio-2008, sob o título "Parece uma Opereta sem fim; afinal atracou ou não?"

27 abril 2008

E o barco ia voltar… não sabíamos era para onde!

(a solidarieade chinesa com África manda mais alto!)
Num dos últimos apontamentos era claro, segundo a China, que o barco “do amor”, o An Yue Jiang (ou Na Yue Jiang, conforme as fontes), que transportava nuns 6 contentores alguns milhões de umas "deliciosas prendas chinesas" que Mugabe tinha comprado para o seu povo, iria voltar para as terras do Imperador Ming porque Luanda e Maputo, que não tinham compreendido que era uma transacção legal e por isso passível de toda a normalidade, decidiram vetar a sua entrada nas respectivas águas territoriais e impedir a descarga das deliciosas “prendas”.
O mais delicioso, e como prefácio, registe-se o facto do MIREX – Ministério angolano das Relações Exteriores –, através do seu o director da Divisão África e Médio Oriente do, Mário Feliz, afirmar a 21 de Abril que desconhecia para onde iria o navio chinês dado que não havia razões para atracar a um qualquer porto angolano pelo que estava impedido de o fazer. Como o director sublinhou, não tinha "a mínima informação" sobre a viagem do navio para portos angolanos!
Isto foi a 21 de Abril de 2008.
No dia seguinte, uma nota da Lusa, de Luanda, dava conta que o director o director do Instituto dos Portos do país, Filomeno Mendonça, teria firmado que "Esse navio não pediu autorização para entrar em águas territoriais angolanas e não está autorizado a entrar em portos angolanos. Avisámos os nossos portos que o navio não tem autorização para entrar em Angola e por isso não receberá assistência em Angola".
Isto a 22 de Abril de 2008-04-27
Ou seja, ninguém parecia saber que o referido navio, o tal que transportava “doces prendas” de Mugabe ao seu povo querido, poderia trazer produtos para Angola.
Nem sabiam os angolanos como parecia que também não o saberiam os dirigentes chineses que a isso nunca referiram!
Mas, felizmente, parece que sem ter havido – se houve ficou pelos segredos dos deuses, do tipo, embaixador visita Cidade Alta e alerta para o facto de haver quem mais deseje fornecer produtos petrolíferos, por exemplo, e mesmo por mero exemplo, nada mais – um epílogo brilhante para este assunto.
Segundo o Angonotícias, em notícia datada de 25 de Abril – um grande dia para a Liberdade, também em Angola – o governo angolano decidiu autorizar o An Yue Jiang atracar o porto de Luanda para descarregar a mercadoria.
O interessante é que, pelo menos nesta notícia, não diz qual já que, de seguida, esclarece que o material bélico não foi nem será descarregado em território nacional com material para Angola, de cuja existência era até agora desconhecida.
Mas qual matéria bélico. O que o navio transporta são “doces”, senhores, “doces” de Mugabe para o seu povo que (sobre)vive no Zimbabwé!
Só falta saber mesmo se, a saída dos dirigentes chineses e a primeira recusa angolana não foram uma manobra para desviar atenções e o material bélico ter sido transbordado, em alto mar, para um outro qualquer navio e a mercadoria já ir a caminho do Zimbabwé… talvez por via aérea ou, como “conspirei” num apontamento anterior, via Namíbia, em camiões!

24 abril 2008

Navio volta à China; mas ainda está mesmo carregado?

(imagem do navioa via RTP-África)
Segundo uma porta-voz do Ministério da Relações Exteriores da China e citando a companhia do navio An Yue Jiang (ou Na Yue Jiang), foi ordenado o retorno do cargueiro porta-contentores “e dos bens destinados ao Zimbabué”.
Tudo porque, e lamentam os chineses, a África do Sul, Moçambique e Angola – que parece se esquecer que é actualmente o maior exportador de crude para a China – não compreenderam que o “material” a bordo – leia-se armas e munições para o Zimbabué – eram legais e teriam sido compradas em tempo oportuno.
Só não diz se o mesmo navio regressa com os contentores cheios do tal material ou se o mesmo terá aportado a um qualquer porto intermédio entre a África do Sul e um outro qualquer país ou – lá vem a maldita teoria da conspiração – houve algum transbordo em alto mar do “material” – assumindo o meu desconhecimento da coisa marinha, assumo, sou nesta matéria um perfeito matumbo, pergunto: já repararam que a linha de água do navio está muito acima do mar? – e este irá aportar a um “porto seguro e simpático” que fará chegar incólume o material a Mugabe.
Vamos admitir que realmente todo o “material” está de retorno à China.
E admitimos porque, mesmo com Mugabe e a ZANU-PF a rejubilarem com votos a retornar a eles na recontagem, se estranha que a imprensa próxima de Mugabe esteja a propor uma solução tipo queniana, de unidade nacional depois de, no início, o ter recusado…

20 abril 2008

E as armas e munições para o senhor Mugabe vão para…

Acreditem que me aborrece – ia escrever uma outra palavra mas porque sei que aqui também vão pessoas muito susceptíveis, fico por esta – quando tenho razão ou quando vejo que as coisas estão no caminho que pensei mas que desejava não fossem.
No apontamento sobre os 28 anos do Zimbabué, e na nota complementar aí colocada, deixei a ideia que acreditava que as armas cedidas pela China ao Zimbabué não fossem para Moçambique mas para outro País, até por causa das similitudes que existem entre este País e a China e o regime de Mugabe.
Daquilo que soube, parece que a minha ideia estava correcta dado que Guebuza não foi muito amigo de Mugabe – depois dos primeiros resultados pós-eleições já houveram cerca de 10 mortos e 400 militantes da oposição detidos – e deu-lhe um rotundo NÃO!
Resultado, lá vemos o barquinho “vai-vem” Na Yue Jiang (ou An Yue Jiang, conforme a leitura de cada observador) a se dirigir, segundo parece a alguns observadores, para… Angola.
E esta última “visão” terá sido divulgado pelo portal AllAfrica.com que, há quem o diga e afirme, é uma subsidiária da… ANGOP; logo muito credível!
Como se o Lobito, porque só poderá ser neste porto angolano que atracará com a segurança necessária, não tivesse tanta porcaria com que se preocupar.
Mas, ou será que o navio não vai para Angola como querem fazer crer para desviar atenções e, discretamente e enquanto todos continuam a matutar, aportará ao porto de Walvis Bay, Namíbia.
Não esqueçamos as magníficas estradas que este País tem e, principalmente, não devemos esquecer que a Faixa de Caprivi faz fronteira com o… Zimbabué, conforme imagem ao lado!
Citado e transcrito pelo , na rubrica "Hoje Convidamos..."

11 março 2008

Uma questão de “armamento” a reter…

(... e quem tem destas, também precisa de declarar ou estarão num paiol?; imagem daqui)

Onze paióis abarrotados de armamento de calibre diverso foram descobertos nas localidades de Betânia, Mira Sete, Tchiengue, Kavimbi, Kutuilo e Licua, nos municípios de Mavinga e Rivungo, Kuando Kubango, no decurso de uma operação de busca dirigida levada a cabo pelo comando provincial da Polícia Nacional. Em declarações ao Jornal de Angola, o porta-voz da corporação, superintendente Mário Mendes, referiu que todos os paióis descobertos estão localizados nas antigas áreas de influência da UNITA, durante o conflito armado, e somente o de Licua foi já desmantelado.” (in: Jornal de Angola, Online, sob o título “Polícia descobre 11 paióis no Kuando Kubango” de 11-Mar-2008)

Um facto a reter e a não deixar passar em claro.
Principalmente, não deixar passar em claro que a Polícia Nacional não diz a quem, eventualmente, pertencerão as eventuais armas descobertas nos tais 11 paióis como também não diz, quem os denunciou ou se o eventual armamento descoberto estava obsoleto, ou não, e o que continha, excepto que seriam “armamento de calibre diverso”!
Nada transpira. Deixa no ar para os bons entendedores. Se foi descoberto na área da UNITA e depois das “denúncias” do Ministro da Defesa, senhor Kundi Payhama, é natural que os bons entendedores tirem de 2 mais 2, que os paióis são da ex-FALA, Forças Armadas Revolucionárias de Angola, o antigo braço-armado da UNITA.
Tão simples como isso.
Mas se recordarmos as tais palavras do (ainda) senhor Ministro da Defesa, que parece se ter esquecido que superintende as Forças Armadas de Angola (FAA), as únicas legalmente autorizadas para deter armas e paióis de calibre militar, estranha-se que tenha sido a Polícia Nacional e não, como seria expectável, as FAA’s.
Teria sido porque temeu que o general Numa Kamalata, actual Secretário-geral da UNITA, siga por diante com a promessa – tornada pública numa recente entrevista ao Angolense – de obrigar o senhor Kundi Payhama a provar o que disse perante os Tribunais e o fórum próprio que são as FAA’s?
Além de que tanto a PN como o (ainda) senhor Ministro da Defesa parecem se esquecer do “avisado” tráfego de armas na fronteira lunda entre Angola e a Rep. Dem. do Congo, admitido pelo Comissário Paulo de Almeida, em declarações ao Angolense, e onde relembra que indivíduos se têm aproveitado do armamento abandonado pela UNITA, para levar a efeito o comércio de armas na fronteira dos dois países, cujos locais o general Numa relembra que foram indicados às FAA’s e que o Comissário reconhece que é mantido em segredo por algumas pessoas “que querem obter proveito financeiro” com o referido tráfego…
Ou será para devolver à Polícia Nacional um pouco da perdida credibilidade com os descomedimentos propalados com o caso do português atingido em Cabinda? Para o superintendente Carmo Neto o português foi atingido devido a uma eventual tentativa de roubo de fundos da empresa onde trabalha e que seriam para pagamentos de salários. De acordo com a FLEC – aquela que já estava quase diluída e que vê alguns dos seus antigos guerrilheiros acusarem Bento Bembe de faltar à verdade quanto ao pagamento de reformas – teria sido aquela organização, pretensamente autonomista, que o atingiu como “aviso” às empresas estrangeiras a operarem em Cabinda, além da própria empresa portuguesa também ter desmentido – e a palavra é esta mesmo – o superintendente sobre os motivos que levaram o português a ser atingido.
Realmente, e face à campanha de desarmamento que Angola está a levar a efeito – só peca por tardia dado que já tinha falado no assunto há cerca de 4 anos –, foi um tiro muito certeiro e com subentendidos ainda mais certeiros…
Ou não estivéssemos em pré-campanha eleitoral e em pré-actualização dos cadernos eleitorais…

Enquanto houver Darfur e afins...

"Haverá sempre quem “ofereça” armas e apoios em troca de crude, ferro, urânio e afins.

Haverão sempre pessoas bem intencionadas que não alinham com os poderes instituídos e que lutam contra o “establishment” actual, mesmo que para isso tentem provocar boicotes contra os patrocinadores dos Jogos Olímpicos.

Haverá sempre um Spielberg que se recusa a servir de emblema para branquear quem não quer prescindir dos seus novos actuais poderes nem ajudar acabar com crises como as do Darfur.

Haverão sempre críticas particulares mas, igualmente, sempre subserviências oficiais como a inglesa que diz não se dever boicotar os Jogos – o que concordo – mas que não quer questionar os ataques aos direitos humanos e liberdade religiosa na China nem falar no conflito no Darfur durante sua viagem de seis dias a Hong Kong, Xangai, Chongqing e Pequim. (...)" (pode continuar a ler aqui ou aqui)
Publicado no santomense , edição 155 de 8-Março-2008

12 outubro 2007

Armas versus Fome


(Dois importantes factores para criar revoluções)

"Segundo uma organização não governamental, a Oxfam International, África gastou até agora em conflitos vários (a maioria, como é normal e natural, absurdos, incompreensíveis e inúteis, porque como bons irmãos acabam, em regra, por se entender, falando) cerca de 284 mil milhões de dólares (284.000 MILHÕES de USD).

Como afirma a ONG este “pequeno” montante chegaria para suprir toda a ajuda humanitária concedida a África entre 1990 e 2005, ou para tratar o SIDA/HIV, a cólera, a malária, a tuberculose, irrigar os povos com água potável, incrementar a educação, etc.

Para ajudar esta denúncia, um relatório da ONU para o Direito à Alimentação, em vésperas do Dia Mundial da Alimentação (16 de Outubro) afirma que existem 840 milhões de pessoas, 202 milhões delas em África, a passar fome. (...)" (continuar a ler aqui ou aqui)

Artigo publicado no "Coluna" do e citado no Demoliberal.

02 janeiro 2007

Mísseis para o Irão com a UE na engorda…

Nada como começar bem um mandato. E foram logo dois a terem óptimos começos.
O novo Secretário-Geral das Organização das Nações Unidas (NU), Ban Ki-moon, começa oficalmente o seu mandato da melhor forma. Depois de se ter descartado quanto à pena de morte – granjeou, de certo, mais simpatias do senhor W. Bush –, um membro permanente do Conselho de Segurança, a Federação Russa, ofereceu-lhe uma bela batata quentinha nas mãos.
Então não é que o novo “aliado” da NATO e dos EUA decidiu entregar o primeiro pacote de defesa anti-míssil ao Irão para este proteger as suas futuras fábricas de material atómico, dito centrais nucleares.
Segundo afirmam os russos, e muito bem, registe-se, os contratos são para serem cumpridos e como as NU não impedem a venda de venda de armamento defensivo, como os sistemas de defesa antiaéreos, então amigos iranianos tomem lá mísseis "Tor M1" e passem para cá cerca de 700 milhões de dólares.
Com aliados destes, quem precisa de inimigos…
Mas não foi só o Secretário-geral das NU que começou bem o seu mandato. A nova presidência rotativa da União Europeia (UE), a Alemanha, teve também um auspicioso início.
Por certo que os europeus, os primeiros destinatários de uma eventual bomba nuclear iraniana, logo a seguir a Israel, não esperavam que os russos continuassem a ver as suas fronteiras externas cada vez mais próximas e ficassem quietos.
Ontem a União Europeia, com a entrada da Bulgária e da Roménia, passou dos 25 Estados-membros para uns simpáticos 27 países e cerca de 493 milhões de habitantes.
Para os russos já lhe bastavam os três países bálticos, os finlandeses e a Turquia junto das suas fronteiras para já se sentirem quase asfixiados.
O que vale aos russos é o gás natural com que abastecem, sensivelmente na íntegra, a quase toda Europa. O que se passou com a Bielorrússia (Belarus) mais não foi do que um pequeno aviso à navegação europeia caso os russos venham a sentir o sufoco completo: fecham a torneira e depois os europeus que queimem o resto das florestas – ainda as há? – se quiserem se aquecer!!!
E lá se vai a economia, a “lunática” Constituição europeia e a UE…
Ou seja, os americanos e os russos brincam e a Europa… que recolha os restos.

16 outubro 2006

Armas em boas mãos

(foto © do “Escrita em Dia /blogda-se”)

A poucos dias da 2º volta das eleições presidenciais que oporá o ainda presidente (e favorito para alguns países vizinhos,) Josef Kabila ao seu antigo vice e líder rebelde, Jean-Pierre Bemba, e das autárquicas na República Democrática do Congo (a 29 de Outubro e com a presença de 500 observadores da UE), e quando a ONU está a preparar para aprovar um Tratado Internacional para o Comércio de Armas (em média morrem 500.000 pessoas devido às armas), a campanha “Control Arms” – que engloba, entre outros, a Amnistia Internacional, a Oxfam International e a Iansa – apurou, em Setembro passado, que entre as armas agrupadas pela ONU, junto dos rebeldes, naquele país, estavam armas ligeiras russas, chinesas, sérvias e sul-africanas e balas norte-americanas e gregas.
Num país de mais de 62,6 milhões de habitantes, cerca de 3,9 milhões terão morrido durante o conflito desde 1998 onde, apesar de um acordo de paz de 2002, os conflitos continuam a persistir, em grande parte devido á conivência de alguns vizinhos do Norte e à silenciosa atitude de uma grande parte da comunidade Internacional.

03 dezembro 2005

Armas por utensílios

.........Isto.....a.....partir........disto
Material reciclado






Tanque abandonado em Bissau



De acordo com uma notícia da BBCparaÁfrica, Bissau começa a querer recuperar um pouco da sua estabilidade social.
E para isso nada melhor que reciclar. Reciclar material militar obsoleto, decrépito, abandonado e em completa deterioração em produtos para a vida civil, como utensílios de cozinha (panelas, tachos ou canecas) ou para a lavoura, (charruas, carroças, enxadas).
Quando a necessidade é premente, o que de bom há no ser humano desponta. E é isso que os guineenses nos estão a transmitir.
Na linha do que os moçambicanos, já em tempos, nos mostraram. Transformar material letal em arte. Uns são para a vista e para a sensibilidade. Os guineenses para o usufruto diário.
Exemplos a ter em conta.

16 novembro 2005

Pentágono confirma uso de fósforo

Já este mês escrevi aqui, um apontamento sobre o eventual uso de armas químicas pelos norte-americanos no Iraque, segundo uma acusação efectuada num programa da RAI (televisão italiana).
Nesse programa alguns ex-militares, apresentados como norte-americanos terão afirmado que o efeito do fósforo nos corpos era horrível. Os corpos desfaziam-se em contacto com o fósforo das citadas armas.
Só vi parte do programa. Aquile que as televisões mostraram. Não tive oportunidade de ver o programa completo da RAI. Mas o que vi, chegou.
Pois bem. Um porta-voz do Pentágono acabou por confirmar que, de facto, as forças militares norte-americanas terão usado o citado fósforo – branco, como ressalva – no Iraque.
Ainda de acordo com aquele porta-voz, o uso do fósforo não é ilegal porque não é uma arma química, mas que se “… trata de uma arma convencional, e não uma substância química de efeito incendiário” sublinhando que o fósforo é usado como “agentes sinalizadores e para criar cortinas de fumo”.
Sem comentários.

09 novembro 2005

Massacres... TPI...

Segundo a televisão italiana RAI, os EUA terão, alegadamente, utilizado armas químicas contra populações de Fallujah, no Iraque, em Novembro de 2004.
Apesar de não ter negado, formalmente, a utilização de produtos químicos que integram essas armas, como o fósforo branco, fontes junto do US Army admitiram que os mesmos terõ sido utilizados mas para ilumonação de posições inimigas.
A ser verdadeo conteúdo do documentário da RAI, sob o título "O Massacre Escondido" fico a perceber, cada vez mais, porque os EUA não querem, nem permitem, que soldados ou cidadãos seus sejam julgados no Tribunal Penal Internacional.
Já dizia Frei Tomás. Faz o que ele diz, não o que ele faz... (mais ou menos assim!)

06 julho 2005

Timor a comprar armas, para quê?

É raro falar do povo-irmão de Timor Lorosae.
Talvez porque raramente me lembre deles ou, talvez, porque Timor tem conseguido manter um “low profile” a que, por certo, não será alheio o bom-senso do seu presidente e dos seus governantes.
Mas parece que, também estes se esquecem que a manutenção de uma atitude não deve ser temporária mas contínua.
Vem isto a propósito de uma notícia que circula na Austrália e que tem por figura central o primeiro-ministro Mário Alkatiri.
Segundo um jornal australiano, «The Australian», o líder timorense decidiu modernizar as forças de segurança com meios que parecem ultrapassar as necessidades timorenses.
Entre esses meios estão helis, tanques e espingardas de assalto, normalmente utilizadas por forças especiais.
O mais grave não está na compra – até porque Timor é riquíssimo em petróleo, embora ainda seja os australianos e indonésios a o explorarem – mas na comissão que vai ser dada a um irmão de Alkatiri que ficou com o monopólio da venda de armas a Timor.
Como diz a História, à mulher de César não lhe basta parecer séria…
Ora de boatos já o Governo não se salva. Até porque a oposição afirma – e o Ministro do Interior, Rogério Lobato, quase o reconhece – que o executivo tem fugido em responder a esta questão com a desculpa de que o mesmo encerra segurança de Estado.
Será que o grande vizinho do Sul irá ver com bons olhos um “petrolífero” bem armado nas suas costas?
Já não lhe bastará uma Indonésia?
E de onde prevê que possam vir as eventuais insurreições armadas, justificativas nas palavras de Lobato, para o rearmamento das forças de segurança. Será que os alertas australianos sobre a presença de terroristas em Timor são verdadeiras?
Tantas interrogações que seriam dispensáveis.

13 junho 2005

Angola continua compradora de armas

"Angola é, a seguir à África do Sul, o principal destino de venda de armas do Reino Unido que, em 2004, quadruplicou o comércio de material militar a países africanos face a 1999. De acordo com o jornal The Observer, Londres vendeu armas a África no valor de 1500 milhões de euros, tendo o valor do armamento atingido 45 milhões de euros em Angola e 166 milhões na África do Sul. A publicação, que cita números oficiais, esclarece ainda que várias das exportações aprovadas pelo Ministério do Comércio e da Indústria desde 2000 tiveram por destino países afectados ou pela violência ou pela violação constante dos direitos humanos. Eritreia, Etiópia, Argélia, Sudão, Zâmbia, Uganda, Namíbia ou Somália são outros dos principais compradores de material bélico britânico."
O resto pode continuar a ler no Diário de Notícias.

Enquanto isso vou tentar compreender melhor para que são - e que tipo são - as novas armas que Angola compra.
Não é só com armamento que se projecta uma imagem, um directório, numa determinada região.
Quererá Angola competir com a África do Sul na região Austral, ou deverá virar-se para a região Centro-Austral de África.
Aí sim, Angola tem capacidade - e não tem competidores - para projectar a sua imagem como um Estado-Director que se quer e que e deseja.

03 agosto 2004

Juiz angolano defende desarmamento da população civil

(Estas deviam estar só nos quarteis ou nos Museus)
Numa das minhas viagens diárias pela imprensa do meu continente, em particular a de Angola, li numa insuspeita ANGOP que “O Estado angolano deve criar com urgência as condições básicas para a retirada do armamento letal em posse da população civil e mecanismos de controle, de modo a não cair em mãos impróprias, defendeu hoje, em Luanda, o Juiz José Carlos Felizardo."
Ué! Apesar da pena por uso e porte ilegal de armas ir de 8 a 12 anos de prisão, pelos vistos as armas continuam em boas mãos!!!
E como queremos nós que a Paz perdure? Ou que as eleições sejam a breve trecho? Senhores políticos da minha terra, tenhamos maneiras e pudor.
Bravo senhor Juiz pela denúncia e pela chamada ao bom-senso.

19 junho 2004

Os negociantes de armas e a protecção eterna!


Na sua edição de 16.Jun, o jornal português Público, estampava um interessante artigo de Ana Dias Cordeiro intitulado “Protecção dos Estados torna intocáveis os negociantes de armas”.
Relativamente a África, o Continente Mater foi dos que mais “ganhou” com o fim da guerra-fria, ao ser o caixote de lixo do armamento que resultou quer da implosão da ex-URSS e do Pacto de Varsóvia, quer das negociatas francesas nos consulados socialistas, quer ainda do armamento excedentário norte-americano. Em todos os momentos os traficantes gozaram, ou têm gozado de total impunidade e imunidade.
A articulista vai mais longe ao deixar perceber, citando Patrice Bouveret, um investigador francês do Centre de documentation et recherche sur la paix et les conflits (CDRPC), que os traficantes acabam sempre por ter uma completa imunidade, mesmo quando, numa primeira análise, deixam de ter utilidade. Na prática acabam por ficar sempre numa área, em tudo semelhante ao seu mercado “cinzenta”.
Ela remete-nos para casos como o do francês Pierre Falcone, que goza de imunidade diplomática devido ao seu cargo na UNESCO (representante de Angola), onde a França tem criticado, por vezes não discretamente os inquilinos do Fetungo, mas que, na prática,, nada têm feito. Não é em vão que esta personalidade, apesar dos diversos por mandatos de detenção, junto da Interpol, e que passa livremente por Lisboa, sem que as autoridades portuguesas informem os franceses. Também não é necessário. Como afirma aquele especialista francês sobre os traficantes, em geral, e o caso de Falcone, em particular “...demonstra é que em matéria de comércio de armas, há ligações entre o Estado e os traficantes...Se o Governo [francês] fosse até ao fim, através da justiça, mais nenhuma outra pessoa voltaria a aceitar ocupar-se disso sabendo que depois também não seria protegido”.
Por alguma razão, os documentos solicitados pelo juiz francês que lançou “Angolagate” nunca conseguiu que o governo francês desclassificasse determinados documentos relacionados com a venda de armas a Angola. A França é uma parte interessada na exploração petrolífera angolana. Não convém criar hostilidades inoportunas.
Por outro lado, alguns traficantes, quando presos são libertados “de uma forma inexplicada” ou nunca detidos mesmo em países onde têm mandado de detenção. Falcone é uma vez mais exemplo ao ser afirmado que “esteve também na Grã-Bretanha, Suíça - onde é igualmente perseguido - e em Espanha, sem nunca ser incomodado”.
Ou seja, enquanto persistirem guerras ou crises militares, haverá sempre “excelentes e desinteressados lavradores” que semearão os conflitos com as suas bélicas sementes obtidas, sabe Deus aonde e com o sempre cativante beneplácito do Diabo.