16 janeiro 2009

Jornais da Controlinveste podem, naturalmente, perder leitores.

Interessante o texto de um leitor de jornais da Controlinveste actualmente algures em Maputo mas que não deixa de, com muita clareza, evidenciar o que pensarão muitos dos leitores do Jornal de Notícias e do Diário de Notícias. Principalmente, se estes forem não-portugueses ou tenham interesses em outras paragens que não em Portugal. Onde é que vamos ler o pouco, quase nada, que se falava de e sobre outras paragens que não as habituais, como, por exemplo, África?

Tal como ele vou ponderar se vou continuar a optar por comprar algum dos jornais da Controlinveste. Desde logo o desportivo, que raramente compro, deixarei mesmo de o fazer. Não há outros, não se compra. Como também o dinheiro começa a rarear em Portugal e há outros produtos mais importantes que um jornal desportivo não afectará.

Mas vai, e por certo, afectar pessoas que, como eu, usam o jornal não só como veículo de informação, mas, também, como meio de investigação. Quanto mais não seja para perceber que a razão principal das mortes em Moçambique se devem aos cocos ou que o CFB começa em Luanda e acaba algures na fronteira (mimos que não foram escritos por Jornalistas da(s) casa(s) mas por aspirantes ou retirados de agências ditas de informação).

Porque o texto de Jorge Eurico, sob o título “
Controlinveste dispensa qualidade para ficar com mediocridade” deve ser ponderado, até pelas implicações recentes e futuras aqui vos deixo, com a devida vénia e autorização do autor parte do seu conteúdo:

“Pela pena da jornalista Dina Margato (em artigo publicado inicialmente no “Jornal de Notícias ”, JN) tomei conhecimento que, no último trimestre do ano que há cerca de 20 dias ouviu o seu «canto do cisne», foram lidos mais jornais diários graças à subida do JN que, segundo um estudo feito pela Markteste, foi o que registou um salto maior na audiência.

O artigo de Dina Margato e o estudo feito pela Markteste indicam que o negócio da venda de jornais em Portugal continente, regiões insulares e além fronteiras, pelo menos no que tange ao JN, está(va) de vento em popa.

Ora se assim é (era), como é que se explica que a administração da Controlinveste tenha decidido, por sua conta e risco, dar início a um processo de despedimento colectivo que abrange 122 colaboradores (chefes de família, na sua maioria) de diferentes áreas do grupo?

Há aqui qualquer coisa (muito esquiva) que - quanto a mim (e creio que não sou o único a olhar desta maneira para os factos em presença) - não bate certo.

A decisão da Controlinveste é muito (mas muito mesmo) estranha e faz mossa a qualquer pessoa atenta e de bom senso. E não seria exagero dizer que, salvo melhor opinião, estamos perante um caso flagrante de má-fé por parte da Controlinveste.

A informação que possuo dá conta que os jornalistas mais experientes (logo com alguma autoridade no que ao exercício da profissão diz respeito) foram proscritos dos quadros redactoriais do “Diário de Notícias” (DN) e do JN.

Foram despedidos porque os capatazes sabiam que não poderiam tratá-los como autómatos como irão fazer com aqueles que escolheram a dedo para ficar ou com os que foram arregimentados para tapar certos furos, que vão certamente deixar meter água por falta de experiência.

Corre igualmente à boca pequena que, sob o argumento da crise financeira mundial que nos últimos meses tem arrasado o mundo, o grupo Controlinveste pretende trabalhar apenas com estagiários e com jornalistas medianos a quem poderá pagar o que quiser, quando quiser e tratá-los como bem entender.

Ou seja, nas redacções do JN e do DN vai deixar de se fazer Jornalismo. Os habituais e fiéis leitores dos sobreditos jornais poderão, nos próximos tempos, ter tudo (e mais alguma coisa) nas páginas destes dois matutinos lusos de referência, mas não terão a acutilância, a argúcia jornalística a que nos habituamos ao longo de muitos anos.(…)
” (Por favor, deve, continuar a ler aqui)

Manucho vai para Hull City por empréstimo

(foto©ManUnited)

O Manchester United vai emprestar, até ao final da época, Manucho ao Hull City, oitavo classificado da Liga inglesa.

O Hull City que começou a época em grande tem vindo a perder força e nas últimas seis jornadas só consegui marcar três golos tendo perdido a maioria dos jogos.

O Hull City prevê utilizar, já este fim-de-semana, o jogador muangolê contra o Arsenal, assim a
autorização de trabalho para Manucho lhes chegue às mãos.

Isto, a autorização de trabalho, é, no mínimo, estranha dado que Manucho já foi, esta época, utilizado pelo ManUnited num jogo, salvo erro, da Taça da Liga.

Vamos esperar e ver se sábado Manucho se é convocado e se joga ou não.

15 janeiro 2009

Quando a sacanice é rainha

Há alturas que, por muito que estejamos atentos, nem sempre conseguimos impedir que as pedras se atravessem mais depressa do que possamos fazer por as desviar.

Aquilo que hoje fizeram a um grande amigo foi isso mesmo. E quando é feito com sacanice, se não for algo mais abjecto, ainda pior.

Tal como as minas, as traiçoeiras minas, sabíamos, há um tempo que alguém andava a espalhar pedras infames nos caminhos de alguns amigos e amigos de amigos.

Só que esperávamos que os nossos mais próximos pudessem passar incólumes ou que alguém as visse primeiro e as desviasse. Infelizmente e lamentavelmente isso não foi possível.

E mais lamentável quando se sabe que as pedras foram colocadas por quem não deveria fazê-lo, salvo se foi política e economicamente imposto para o fazer, porque há quem, nesta altura do campeonato, ainda deseje manter eréctil a sua coluna vertebral e não se dobre às vontades mesquinhas de quem não é, nem nunca foi, um verdadeiro gestor mas antes um indivíduo que sempore soube andarilhar nos corredores do poder.

E pelo que se apercebe estas foram as primeiras grandes pedras que irão aparecer no caminho de muitos até desfazerem o pouco de bons que ainda havia (Há!).

Meu caro companheiro, meu caro amigo, não há pedra alguma que nos persista no chão. Sei que tens força de leão, argúcia de uma águia e vontade de dragão. Por isso sei que em breve, muito em breve, estarás aí em força a caminhar como sempre o fizeste.

Força amigo!

Faria hoje 80 anos

Se tivessem deixado sobreviver ao sonho, que tentaram abruptamente amordaçar em 4 de Abril de 1969, Martin Luther King veria no próximo dia 20 ao início da realização do seu grande sonho.

Fica a memória, fica o sonho para ser continuamente realizado por toda a Humanidade.

12 janeiro 2009

África e a não presença nas notícias portuguesas

Há dias, Orlando Castro, no seu blogue Alto Hama, referia-se a uma realidade que se tem constatado ultimamente: só há notícias de Gaza e quase nada – para não dizer, nada, – do continente africano. Até parece, segundo se infere das suas palavras, que as incursões em Gaza terão acabado com os conflitos em África.

De facto, parece que de África nada tem acontecido que mereça algum qualquer relevo da comunicação social portuguesa. Não me recordo se foi na passada sexta-feira ou hoje, que na RDP-África o actual comentador residente, actualmente João Diogo, ao analisar os jornais publicados em Portugal só reconhecia que apareciam duas notícias e uma, salvo erro, prendia-se com a viagem da comitiva benfiquista (Luís Filipe Vieira, Eusébio e Mantorras) a Cabo Verde.

Realmente parece que nada está a acontecer em África.

Se lermos, como faço diariamente através das informações diárias do Google sobre Angola, verifico que os títulos têm, na sua grande maioria, proveniência ou dos dois principais – e únicos – órgãos informativos angolanos com internet (Angop e Jornal de Angola) ou provêm do Brasil e, por vezes, de Macau. São raros, quase nulos, os que têm por remetente um órgão informativo português; às vezes lá surge um artigo da Lusa, mas, quase sempre, com endereço do Brasil.

Mas quando conseguimos obter ou aceder a notícias africanas, numa Deutsche Welle, numa Rádio France Internationale, numa BBC, ou na Panapress, lá destapamos notícias como (por acaso também ontem referida, e em caixinha curta, no matutino português Diário de Notícias, ou teria sido no seu irmão Jornal de Notícias) o Zimbabué vê os seus militares abaterem elefantes para saciarem a fome porque não recebem dinheiro suficiente e o que recebem não compra o que não há, que a cólera ao contrário do que afirma os seu putativo dono, um tal senhor Mugabe, ainda não acabou e está longe disso, ou como li no Jornal de Angola que tive o prazer de hoje receber, do passado dia 8 de Janeiro, e que nem vejo reflectido no Google, que o senhor Mugabe demitiu 12 ministros e nomeou 8 sem dar uma palavra ao vencedor das Legislativas.

E depois vemos que em Moçambique as cheias já provocaram 17 mortos e colocaram, como habitualmente – quando será que o Governo tem coragem de “correr” com as pessoas – leia-se, habitações – das orlas ribeirinhas e obrigar os moçambicanos a fazerem casas em pontos mais altos e utilizarem só as zonas banhadas pelas águas para as suas machambas e quintas. A falta de coragem leva que se gaste dinheiro, que poderia ser utilizado em outros fins, em gastos com medicamentos provocados pelas cheias e incapaciadde de recolocação dos povos. E, enquanto isso, também a cólera começa a ter os seus efeiotos em Moçambique. Felizmente parece controlada.

Tal como parece estar controlado o surto da febre hemorrágica do ébola nos territórios fronteiriços da RDCongo junto a Angola e que obrigou o Governo angolano a tomar medidas políticas, como o fecho de fronteiras com os congoleses democráticos. Congo democrático onde ainda persiste o caos humanitário provocado pelas contendas entre os militares de Kabila e os guerrilheiros anti-governamentais. Quem parece não se ter esquecido deles foi a Caritas Internacional.

E quem diz estes fala em outros casos como o fim da greve dos professores na Guiné-Bissau (só vi uma pequena nota na RDP-África) a pedido do novo Governo e dos alunos, ou que quase tenha passado despercebido o naufrágio na região Bissau-guineense de Biombo, que provocou cerca de 50 mortos, a tentativa de recuperação da pista do aeroporto internacional de São Tomé ou que Itália destaca o papel de Angola na resolução de conflitos locais, que Anália Pereira, a Mãe Coragem, foi hoje a enterrar com a presença de ministros e deputados angolanos, ela que foi deputada na Legislatura anterior e não pertencia ao poder actual – e habitual – ou que Holden Roberto foi recordado como um dos maiores nacionalistas angolanos – precisou de falecer e aconteceu porque alguém se esqueceu que deveria ser devida e medicamente acompanhado – ou que Santana deverá vir mesmo para o Guimarães – e por falar em desporto, que o presidente do Sporting (não vi a entrevista porque sou lampião) terá dito que não se recandidatava porque precisava de gerir as suas empresas que estão fortemente implantadas em Angola e para onde, li recentemente, Portugal terá recolhido uma boa percentagem de exportações, sendo até um dos maiores, senão mesmo o maior, importador de produtos portugueses.

Enfim, ao contrário do que parece esquecer a comunicação social portuguesa, as notícias não começam e acabam em Obama ou em Gaza. Para sul há muita informação que merece ser transmitida aos seus leitores, ouvintes ou telespectadores.

É por estas e por outras que alguns, nomeadamente em Angola e Moçambique, e não são tão poucos assim, se riem quando falam em Lusofonia; por isso não nos admiramos que a China esteja a participar no alargamento do porto mauritano de Nouakchott, esquecendo-se, como habitualmente nestes casos, do golpe de Estado, que seja o principal fornecedor para a construção dos estádios angolanos do CAN2010, entre outras coisas, mais…

10 janeiro 2009

Quando se é tolamente teimoso…

Há dois países, irmãos na língua, na política e no poder instituído que quando toca a debater, analisar e discutir os seus Orçamentos Gerais do Estado e os respectivos Planos são sempre surdos e obstinadamente teimosos nas defesas das suas damas.

Refiro-me, naturalmente, a Portugal e a Angola.

Quanto a Portugal, toda a gente sabia, excepto, pelos vistos, os máximos dirigentes governativos que detém o pelouro da Economia, que o OGE quando foi apresentado já estava desfasado da realidade económica nacional e, subsequentemente, sobre efeitos da crise mundial que atingiu a província eurocrata a norte de Marrocos.

Todos avisaram, até alguns dos seus correligionários políticos, como o governador do Banco de Portugal (BdP) – pensava que desde a criação do Banco Central Europeu (BCR) que o antigo BdP passou a ser uma sucursal do BCE mas… devo estar enganado ou alguém ainda não avisou o BdP e o Governo português do erro –, mas o poder instituído e que manda nas finanças portuguesas fizeram ouvidos moucos. Talvez saibam mais do que nós que andamos a contar, cada vez mais os cêntimos que nos acompanham; porque sobre os euros esses só se vêem nas contas bancárias…

Mas o Governo português já admitiu que talvez tenha de apresentar um OGE rectificativo.

Já sobre Angola, quando foram apresentados o OGE e o Plano o Governo foi alertado da impossibilidade de contar com a manutenção do preço do crude nos preços sobre os quais assentavam o dois programas financeiros e económicos que vão gerir o País.

Mas como o optimismo é um dos factores que animam os angolanos e o Governo não poderia fugir à regra, manteve o valor de referência para o preço do barril de crude e, passados poucos dias, constatou que as vozes sensatas na Assembleia e nas análises político-económicas não eram só para criticar mas válidos alertas.

Por isso não estranhou que no final do ano os nossos dirigentes máximos tenham anunciado a talvez necessária apresentação de um Orçamento rectificativo. Só que parece que não chega como se pode inferir das palavras do Ministro do petróleo, Botelho de Vasconcelos que não só reconheceu que Angola (ao contrário do que sempre disseram) não iria escapar à crise financeira mundial como seria necessário tomarem-se medidas para aumentar o preço do crude.

Se não fossem os dois tão teimosos saberiam que o tempo que se vai gastar com os rectificativos poderíamos dispensar esse tempo em questões mais interessantes.

No caso português como relançar a sua agricultura – os que vivem aqui já estão fartos dos calibres eurocratas e dos sabores sensaborões das frutas e legumes – ou as pescas porque uma alimentação regrada não se faz só de carnes.

Quanto Angola há um problema chamado revisão da Constituição para que possamos, ainda este ano e como inicialmente previsto, colocar as nossas cruzinhas – parece que a Emigração ainda não – nas presidenciais; ou canalizar mais fundos para o combate às epidemias que pululam junto das nossas fronteiras, porque um milhão de casas se não se fizerem em 4 anos fazem-se em 8 ou mais anos, enquanto a saúde é um bem imediato; para quê casas se o povo estiver doente, faminto ou sem condições de salubridade…