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30 janeiro 2019

Cooperação, solidariedade, sim, sempre! Mas… paguem!



Segundo as últimas notícias mais de 72,28% do petróleo de Angola vai para a China, sendo o principal exportador para este país, algo que já vem desde 2017, quando ultrapassámos a Rússia, sendo que a India, é o nosso segundo comprador (10% das exportações), seguidos de Portugal e África do Sul.


Mas nada disto me surpreende e por duas fortes (e interligadas) razões:

Amigos, solidários, prontos para a cooperação, mas… paguem!

É o que se pode chamar de, "os bons negócios de e com China” (NJ569); não esquecer que a dívida inclui empréstimos, serviço da dívida (juros) e, em alguns casos até obras que deveriam estar subordinadas aos tais empréstimos por cooperação, mas que surgem como fora destes e dívidas a empresas chinesas – a grande maioria, ou a quase totalidade, como são as grandes empresas chinesas, detidas, maioritariamente, pelo Estado chinês.

Acresce a estes factos que, de acordo com o presidente da Comissão Executiva da Sonangol Comercialização Internacional (SONACI), Luís Manuel, registou, no «quarto trimestre de 2018, um decréscimo de dois milhões de barris, “perdendo-se 512 milhões de dólares (445 milhões de euros) em exportações”» a que não serão alheias as, ainda, tensões políticas e económicas internacionais que envolvem os EUA, a China e o Irão, aliado à ascensão dos norte-americanos à categoria de grandes exportadores.

Com as boas práxis chinesas de “amizade, solidariedade e cooperação” é bom que os países africanos comecem a pensar duas vezes. Talvez fosse assim, ainda que com algumas – boas – reservas e condicionantes – antes de Xi Jiping. Com esse, primeiro a China, a sua economia e as políticas económica externa e diplomáticas chinesas visando um próximo – ainda que não declarado – estatuto de superpotência, como poderão ler na 2ª parte do meu artigo “A Geopolítica e Geofinanças da China em África: depois de 2018, segue-se 2019” cuja 1ª parte foi publicada no Novo Jornal, edição 569, de 25 de Janeiro de 2019.

Reproduzido no Jornal Folha 8, com o título «Solidários e Cooperantes, mas... paguem!» (https://jornalf8.net/2019/solidarios-e-cooperantes-mas-paguem/)

20 abril 2018

O repatriamento de capitais - artigo

"Hoje [06.04.2018], no ISCTE-IUL, pelas 17 horas e no âmbito do Seminário de Estudos Internacionais, vai ocorrer um debate/mesa-redonda sobre "Angola e o Repatriamento de Capitais" com o apoio do CEI-IUL e da Plataforma de Reflexão “Pensar Angola em Tempo de Eleições” – quem quiser pode assistir porque a entrada é livre.

Um tema que está muito na ordem do dia no País, quer pelo tema, em si, quer pelas consequências que a matéria poderia – ou deveria – trazer para os visados e para a economia nacional.
Como se sabe o pedido de livre repatriamento de capitais retirados, ilegítima ou incorrectamente, do País, denominado «Lei de Repatriamento de Recursos Financeiros Domiciliados no Exterior do País» e aprovada em Assembleia Nacional, em Fevereiro passado, passou a ser um dos cavalos-de-batalha do Governo do Presidente João Lourenço.

Aos “incautos” ou “desacautelados” – designemo-los assim –, foi dado um prazo para, livremente e sem penalizações – desde que esses capitais não tenham sido obtidos por via de “origens no tráfico ilícito de substâncias estupefacientes ou drogas afins, terrorismo e seu financiamento, contrabando ou tráfico de armas, extorsão mediante sequestro e organização criminosa” –, para que esses capitais retornassem à economia nacional. Um prazo de 6 meses…

Até agora, parece que a livre-vontade está em débil banho-maria e a vontade de o fazer é nula ou quase nula.

Muitos, quer queiram, quer a Lei não o diga, teriam de justificar como é que os capitais saíram e quem o autorizou tal o que se tem visto e o que tem sido detectado e boqueado em bancos estrangeiros; bem como evidenciam, nesciamente, a sua existência e utilização em compra de objectos que, de forma visível, mais não é que ostentação exterior de uma riqueza que, de forma lícita, não o poderiam manifestar.

A prova, está nos processos que a PGR já vai adiantando…

Ora, porque é uma matéria que, directa ou indirectamente, Portugal é parte interessada, já que tem sio um dos receptores de capitais provenientes de Angola e cuja proveniência nunca foi posta em causa, esta mesa-redonda, poderá ser um contributo para um processo que ainda vai a sair do adro até que, de forma clara e objectiva, o Governo deixe de usar luvas de pelica e obrigue os “desacautelados” a se mostrarem, claramente, e comecem a repatriar os capitais. (...)" (continuar a ler aqui)

Publicado no Vivências Press News, em 6.Abril.2018


04 junho 2015

A Grécia e o impasse negocial da sua dívida e efeitos político-militares

(imagem via Google-mapas)

Segundo alguns órgãos de comunicação social portugueses, nomeadamente na área da Economia, afirmam que a Grécia terá solicitado, ao FMI, um adiamento dos pagamentos das tranches intermédias a este organismo, e pagar a totalidade do montante na prestação do final do mês de Junho, no total de cerca de 1.500 milhões de €uros.

As negociações, quer com o FMI – ainda há dias a sua directora-geral, Christine Lagarde, afirmava que tinha convicção de que a Grécia iria pagar, esta sexta-feira os 300 milhões de euros, que deve ao FMI –, como com a UE, está num impasse sem precedentes. Os gregos não querem mais imposições económicas impossíveis de serem aceites pelo povo grego, conforme foi expresso nas últimas eleições legislativas, como parecem sentir pouca solidariedade dos seus parceiros sedeados em Bruxelas.

Mais do que estarem, eventualmente, a criar enormes e incómodos entraves financeiros à Grécia, as Instituições credoras, principalmente a União Europeia (UE) e o FMI, estão a empurrar os gregos não só do €uro, como da EU, mas, e principalmente, estão colocar em causa uma Organização político-militar muito importante no seio do hemisfério norte, a OTAN/NATO (ou dito, o Ocidente).

Segundo já li, algures, creio que já este ano, os EUA avisaram a UE da necessidade dos europeus terem bom senso com a Grécia, precisamente, por causa da NATO.

Os norte-americanos, por certo, não gostariam de ver os gregos entrarem em bancarrota e se aproximarem, talvez em demasia, quer de Russos, quer de Chineses – embora estes já estejam bem instalados na Europa através de significativos investimentos financeiros –, numa zona tão sensível como é o Mediterrâneo bem como da proximidade do Canal do Suez.

Aqui nem a Turquia, que mostra, por vezes e não poucas vezes, estar em situação de catavento conforme as conveniências e posições políticas do momento, poderiam valer aos ocidentais.

Ora, é claro que a posição estratégica da Grécia, e uma inclinação para quem melhor a pode valer, poderia tornar insustentável aquele “desvio” político-económico com, para o Ocidente, evidentes, possíveis e pouco apelativas, sequelas políticas e militares.



Por certo que os senhores da Washington DC como da NATO, estarão a olhar, apreensivos para esta situação e terão de tomar as necessárias precauções para evitar que a bancarrota com os efeitos, já referidos, que a mesma poderia provocar.

Rreproduzido no portal Pravda.ru (http://port.pravda.ru/mundo/06-06-2015/38817-grecia_impasse-0/), em 6/Jun./2015 e reproduzido no blogue Página Global.

02 junho 2015

Angola e o actual ordenado mínimo


Segundo um artigo do Semanário Angolense, assinado por N. Talapaxi S., nas páginas 12 e 13, Angola tem (ou terá, pelo menos, em teoria) o 3º maior vencimento médio da SADC, apesar do nosso ordenado mínimo estar nos 15.003,00 Kwanzas.

Todavia o nosso vencimento médio está entre os 15.003,00 Kz e os 22.504,50 Kz  (cerca de 202,00 USD) onde só somos ultrapassados pelo Botswana (cerca de 229,83 USD), e da África do Sul (213,41 USD). de notar, sublinha o jornalista, que as ilhas Seychelles não estão reflectidas nos gráficos da SADC, o que, dado o seu elevado PIB poderá estar à nossa frente, ou, talvez, superar e encimar a lista, dado que alguns especialistas sugerem que o vencimento médio dos seychellinos deverá rondar os 400,00 USD. Recorde-se que as Seychelles têm um rendimento per capita de mais de 25.000,00 dólares, tornando este Estado africano como um dos mais ricos do Mundo.

Também a Namíbia (tal como o Zimbabwe) não disponibilizou qualquer informação, em parte devido à liberdade de salário. Mas, segundo o articulista, o vencimento médio dos namibianos, após descontos, no mês de Março, andavam pelos cerca de 650,00 USD.

Já agora, Cabo Verde apresenta um vencimento médio de cerca de 153,75 USD; Guiné-Bissau de cerca de 73,41 USD; e São Tomé e Príncipe cerca de 70,00 USD.

NOTA Complementar: Não se deve esquecer que, apesar destes valores, isto corresponde a menos de 1 USD/dia para (sobre)viverem os angolanos - segundo parâmetros internacionais, significa elevada pobreza -, principalmente para os que vivem numa das cidades mais caras do Mundo!

10 agosto 2014

A que se chama isto?...

(imagem picada da Internet)

Oferece-se, virtualmente, a quem adivinhar o nome…  
     
Quem é a ilustra senhora, por acaso africana, que, recentemente, voltou a readquirir a nacionalidade russa porque, segundo alguns círculos de inteligência, ter uma parte substancial do seu património na Rússia, parece merecer-lhe “maior segurança”.

Acresce que alguns casos de investigação jurídicas e financeiras em certos países europeus, nomeadamente num situado no extremo oeste da Europa, e “a crescente instabilidade política no seio do [seu partido] e do exército, face aos excessos do seu pai”, “leva-a, como a principal guardiã da fortuna do seu progenitor, a procurar lugares mais seguros para esconder a fortuna bilionária.”

Ora tem sido voz corrente, quer nos meios locais, quer nos meios internacionais que “os biliões em posse [da dita senhora] resultam, sobretudo, de saques feitos [a uma empresa nacional] por via de autorizações do seu pai”.

Pois, agora pensem e tentem descobrir quem ela é… já agora, a matéria entre aspas «corre» nos meios electrónicos…

14 março 2014

Os preços nos mercados (formal e informal) de Luanda...


Ficam aqui alguns produtos onde se registam diferenças assinaláveis entre o Mercado informal, no caso o Mercado de Catinton, no distrito urbano da Maianga (o antigo Mercado dos Materiais), e os preços nos Mercado dito formais.

Este gráfico está publicado no semanário Novo Jornal, edição 320, de hoje, nas páginas 18 e 19. Um gráfico bem elucidativo sobre como alguém anda a gasosar em demasia a vida dos luandenses...

Cada um tire as suas conclusões!

27 janeiro 2014

Angola e Portugal: relações não prioritárias - comentário


Comentário (entrevista escrita) para o portal da Lusomonitor (LM) sobre a noticia de Angola não considerar prioritário o desenvolvimento das relações económicas com Portugal.

LM: qual a importância, em termos práticos da relação econômica e comercial de Portugal com Angola, de o ministro relações exteriores nao ter referido Portugal quando anunciou lista dos países com quais relações devem ser reforçadas? Pode significar a perda de mercado para outros países europeus como Espanha e França ou mesmo o Brasil?

ECA: Na minha perspectiva houve a necessidade de mostrar, por parte do MRE George Chikoty, a vontade de diversificar as relações comerciais angolanas. Não creio que as relações comerciais com Portugal sejam postas em causa, até porque a maioria dos produtos de primeira necessidade não produzidos em Angola vão de Portugal com outros países a, também, se chegarem, mas ainda a uma certa distância.
Se analisarmos bem os países que Chikoty deu como “prioritários” são aqueles que mantém uma longa relação política e económica baseada no petróleo, excepto a Alemanha e a Espanha, dois países que vão produzir produtos industriais pesados para as forças armadas angolanas, nomeadamente, no caso alemão, que vai fabricar navios patrulhas para a marinha angolana, o que talvez venha já tarde face ao eventual e possível sequestro de um navio petroleiro nas águas territoriais – note-se que não foi na zona exclusiva económica mas a poucas milhas da capital – por piratas. No caso espanhol, não esquecer a propalada tentativa de compra de um porta-aviões e o facto de ser um país-sede para tratamentos médicos, como, diga-se, o reino Unido.

LM: considera o gesto consequência direta dos desentendimentos públicos em torno dos casos judiciais angolanos em Portugal? Foi mais uma retaliação?

ECA: Talvez ainda haja resquícios – uma amizade constrói-se bloco a bloco e quando há um sismo há sempre um período de desânimo que necessita de ser minorado para que a reconstrução da amizade volte – do que se passou entre as autoridades judiciais dos dois Estados e as proverbiais e sistemáticas fugas de informação da justiça portuguesa que ninguém consegue entender; nem mesmo os portugueses, mas mantêm-na…
Todavia parece que tem havido uma reaproximação entre as duas partes, principalmente desde que essa matéria entrou no esquecimento e os visados – nunca arguidos ou indiciados – deixarem de estar sob a alçada da PGR portuguesa.
Por isso, e pelas razões atrás evocadas não me parece que haja retaliação, mas tão-somente uma mudança de linhas políticas e económicas; diversificação!

LM: isto é um sinal de que, ao contrário do que foi dito recentemente pelo Mne português, as relações não estão ainda sanadas? São de esperar novas retaliações no futuro?

ECA: Não creio que sejam de esperar mais retaliações ou que as relações não estejam sanadas – talvez não totalmente, mas nos “arrufos de namorados” o que vem a seguir…  –, até porque Angola e os angolanos têm muito capital investido em Portugal e em diferentes áreas económicas; algumas das quais, bem importantes para a economia portuguesa. O que virá a seguir é uma incógnita, principalmente quando se perspectivam eventuais e possíveis mudanças nos órgãos e nas dinâmicas que detêm as relações exteriores de ambos os países. Vamos esperar para ver como São Tomé.

15 novembro 2012

Maputo e Matola às "chapas"...


(todo sítio serve para levar pessoas; imagem macua.com)
Hoje recebi logo de manhã um email de Maputo que rezava assim:

    "Saimos do trabalho a correr cada um para o seu refúgio!
     A Cidade está sitiada pelos grevistas que pegam fogo a carros, tambores de lixo, pneus, 
     e impedem que se circule.
     A semelhança do que aconteceu há dois anos atrás, voltamos a estar ameaçados."

Ora já há muito que se previa que o aumento previsto para as tarifas dos transportes públicos, vulgo “chapas”, iriam ter preocupantes repercussões junto dos utentes.

Não era em vão que o governo da cidade de Maputo andava a protelar o inevitável aumento.

E hoje esse aumento aconteceu com as referidas repercussões a fazerem-se sentir não só na capital como na Matola, com o aparecimento de pneus a arder e veículos a ziguezaguear nas estradas, tal como demonstram as imagens há momentos transmitidas na RTP-África (programa “Repórter África”) embora, surpreendentemente, a mesma RTP num artigo do seu portal diga que “começaram hoje a pagar os novos preços, num clima de normalidade”.

Parece que é altura do município capital – e todos os municípios moçambicanos – deixaram de pactuar com as incongruências, anarquias enão poucas vezes, péssimas conduções dos “chapeiros” – e, já agora, também com os similares “candongueiros” angolanos – e implementarem um efectivo sistema de transportes urbanos mais condicentes com as necessidades dos citadinos e dos seus suburbanos.

Os “chapas” e, no caso angolano, os “candongueiros” deveriam ser revertidos em serviços de “Táxis” normalizados, bem organizados e policialmente controlados.

Sabe-se que o grande problema da sua existência está no facto de ambos serem, habitualmente, acusados de estarem dominados, financeira e politicamente por figuras “especiais” que os apoderam-se e subjugam qualquer tipo de concorrência.

Cabe aos Governos saberem ser mais fortes!

E enquanto os “chapas” vão dominando e a população maputense – com possibilidades de a mesma contestação se espalhar pelo país como já aconteceu em situações anteriores – o senhor Dhlakama está no seu "aconchego" a gargalhar!

03 novembro 2012

Jaguares para quem



(cartune do Novo Jornal, edição 250, de 2/Nov./2012)

Se não fosse anedótico até poderíamos pensar que, apesar de não serem autóctones em África  o nosso Governo estava numa de protecção animal e por isso tinha comprado - caso verdade - mais de duas centenas de Jaguares...


Mas...

Consta quer nos mentideros das páginas sociais quer nos semanários independentes nacionais (Angolense, Novo Jornal e Semanário Angolense), que o Governo de Angola terá ofertado, através do Orçamento da Assembleia Nacional, uma viatura de marca “Jaguar” para cada um dos seus (nossos) deputados, no valor, aproximado, de 270 mil USDólares ( qualquer coisa como 210.285 Euros).

Nada demais, até porque os anteriores deputados tiveram à sua disposição, primeiro, viaturas de marca “Citroen” e “Audi” e, mais tarde, receberam as de “BMW”.

Até aqui, e uma vez mais, nada demais.

Só que as referidas viaturas – que, consta-se, entretanto, o líder da UNITA, Samakuva, terá solicitado aos seus deputados que as declinasse – parecem ter chegado a Angola a preços pouco condizentes com o seu valor oficial.

Um dos semanários dá, agora, como hipótese dos “Jaguares” não serem para os deputados mas para os magistrados.

Segundo o portal da Jaguar, cada uma das viaturas, o modelo Classic, custará cerca de 57.335 Euros/cada e o modelo “XJ, Luxury” custa entre 66.608 Euros, preço base, e 106.595 Euros, preço final, enquanto o mesmo modelo “Premium Luxury” vai de 111.794 Euros a 148.368 euros (preços finais com impostos e taxas incluídas, que no caso da Europa são um pouco, permitam-me a simpatia, exageradas) e preços/base a irem de entre cerca de 71 mil e 88 mil euros.

Já o modelo classe XF (modelo XFR, o mais caro), modelo 5.0 V8 sobrealimentado, tem como preço-base cerca de 80 mil euros e preço final na ordem dos 143.727 euros.

Face a estes números, pergunta-se como é que as citadas viaturas, a serem verdade os mugimbos que correm, insistentemente e ainda ninguém parece ter desmentido, podem ser colocadas em Luanda a preços na ordem dos 270 mil dólares ou cerca de 211 mil Euros?

Não creio que as taxas aduaneiras no País tenham a mesma amplitude para órgãos do Estado como para privados.

Logo e a ser verdade estes números e destinatários… fica a questão!

20 maio 2012

Já nem um copo de água...

Mal dos que ainda (sobre)vivem no rectângulo português...

Com tanta austeridade, qualquer dia, seremos todos obrigados a cumprir a "oportunidade" de Pedro Passos Coelho, Pedro, o "Kandimba de Massamá", e pisgarmos todos para fora desta habitual zona balnear da Europa.

Os que têm uma Pátria, mal ou mal, sempre conseguirão alguma cubata e pequena nhara; quanto aos outros, vão procurando abanar algum i(e)mbomdeiro e ver se cai algumas múcuas para fazer fermentar e calar as mentes revoltadas.

Pois em Portugal agora até um simples copo de água é... pago!


Um café na praia de Faro (Algarve) está a cobrar 50 cêntimos por um copo de água da rede, há mais de um ano!

Segundo o proprietário, o “Estado não oferece nada a ninguém, tudo se paga, o terreno, as licenças, os alvarás, e porque é que eu sou obrigado a oferecer a água que pago? Estou aqui a tentar ganhar a vida, a prestar serviços, não sou uma entidade pública”.

Podemos não achar piada e não estarmos habituados, ou parecer-nos incompreensível esta atitude, mas, na realidade, gostemos ou não, o indivíduo tem toda a razão, e, segundo parece, a ASEA diz que tem toda a legitimidade para o fazer!

A justificação do proprietário assim o mostra! (http://ht.ly/b1Ofz)

01 maio 2012

Um 1º Maio diferente...


(imagem de email ximunada de outro sentido)


Eis o que acontece num diferente 1º de Maio, em Portugal, quando se vai a uma grande superfície de consumo; desde que se entra até ao sair...

24 março 2012

Onde anda o dinheiro de Cabinda?

Este é um preocupante artigo da última edição do Semanário Angolense (ed. 458, p.42) e assinada por Paulo Possas.

Preocupante, não a falta de fundos da Chevron - provavelmente devem ter canalizado, os mesmos, para limpar a trampa que parecem ter feito junto das costas cabindenses - mas porque uma parte significativa dos fundos do petróleo, conforme foi outorgado no acordo de Namibe, deveria ser canalizado para a província.

E, pelos vistos, parece que o governo provincial não deve ter esses fundos ou, por certo e de contrário, não permitiria este artigo.

É que, e toda a gente o sabe, o desporto, em geral, e o futebol, em particular, são veículos fomentadores de turismo e de propaganda cívica.

Penso eu de que...

23 janeiro 2012

O contínuo dos outros…

(míssil balístico iraniano Shahab3)

A União Europeia, perdão, os líderes diplomáticos da União Europeia vão fechar hoje a pasta que pondera impor ao Irão um embargo ao consumo (leia-se, importação) do seu crude.

Tudo porque o Ocidente, no alto da sua preventiva sobrevivência teme que a campanha iraniana pelo enriquecimento do urânio, lhe possa permitir usufruir de condições para criar uma arma nuclear.

E isto tudo porque a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) – cujo principal patrão, é os EUA – suspeita que o programa nuclear do Irão tem fins militares. e é uma suspeita credível, porque...

Não se contesta este receio até porque os iranianos já dispõem, segundo eles e alguns dos seus aliados, de mísseis balísticos com capacidade para chegar a algumas das principais cidades europeias.

E, unicamente, cidades europeias e, por exclusão de partes e porque são os seus inimigos religiosos – e só por isso e nada mais – os israelitas/judeus.

Ora, se só chegam à Europa (e mesmo nesta nem em todas) – e aqui incluo, naturalmente, algumas regiões russas, mesmo que asiáticas – e aos seus oficiosos inimigos árabes – o grande problema do Irão é não poder ser árabe – e não chegam aos EUA o seu “enorme” inimigo, a par de Israel, porque é que a União Europeia avança com as citadas sanções?

Vontade de ser vítima e justificar a queda do Euro?

Ou seja, parece que a União Europeia continua a ser a lança de ataque de terceiros e, neste caso, o contínuo dos EUA e dos outros.

Ou será que os “simpáticos” ministros da relações exteriores eurocratas estão a ser os executantes das vontades dos euro-nórdicos (Noruega e Reino Unido/Inglaterra) bem assim, dos os russos, os principais produtores de crude na Europa.

Ou seja, a UE vai meter a cabeça na trampa e os outros é que ganham dinheiro.

E, depois, a União Africana ainda parece querer seguir as pisadas dos eurocratas quando deseja criar mais uma casa a partir do telhado: a livre circulação de capitais, bens e serviços a partir de 2017 sem ter criado condições para a integração plena dos países-membros...

Este apontamento foi citado e transcrito no portal do Jornal Pravda, em 24/Jan./2012 (http://port.pravda.ru/news/mundo/24-01-2012/32816-continuo_ue-0/) e no Zwela Angola (http://www.zwelangola.com/index-lr.php?id=8170)

19 janeiro 2012

Não basta parecer ser sério…

(falta de água, de luz, de gás, de lenha; e assim o papagaio se safou...)

Há um adágio muito antigo, de origem romana – ou latina –, que diz que “à mulher de César não lhe basta parecer ser séria”.

Isto prende-se com o facto de uma empresa de filhos de um governante ter sido contemplada com algumas dezenas de milhões de dólares para transmitir, externamente, uma certa imagem do país de origem.

Não está em causa os fundos entregues, tendo em conta, a ajuda que os mesmos transmitem.

Agora, desconhece-se quando e em que medida houve concurso público para o benemérito outorgamento dos citados fundos à referida empresa.

Tal como nada obsta que a principal empresária do emblemático país, também ela, e por mero acaso, filha do avisado senhorio – a quem não se conhece quaisquer rendimentos elevados para que os filhos sejam tão abonados –, tenha solenizado um contrato entre a sua holding e a de uma congénere portuguesa para a implantação e exploração de uma cadeia de super e hipermercados em todo o país.

Como também não é relevante que a maioria dos fundos capitalizados pelo país sejam provenientes de uma matéria-prima importante não só para a sua economia como para a economia de muitos países.

Agora já é mais importante é saber que gere, administra, superintende, realmente, estes fundos e quem os deve controlar.

Esse, por muito que digam que os organismos internacionais andam atrasados nos seus elementos de estudo e de trabalho, continua a ser o grande embaraço da transparência do país.

Pois, a um líder, como à mulher de César, não lhe basta parecer ser sério. Tem de mostrar, além de todas as evidências, principalmente acima daquelas que parecem querer mostrar o contrário, que o é mesmo!

17 janeiro 2012

O fim do fim do “European Welfare” em Portugal?

(retirado da internet)

Parece que Portugal, e de certa forma pelo que se vai vendo, a Europa, entrou no fim do chamado "european welfare" e no início final da colonização do "american dream"?!

E cantando, cantando... levados, levados.., lá vamos indo ao sabor de mentalidades despudoradas onde os interesses (con)geniais se sobrepõem aos interesses do colectivo...

O Ministro português da Economia e de outros vários ministérios, Álvaro de Santos Pereira, até entrar no Governo de Passos Coelho (PSD/CDS) era professor universitário no Canadá, acordou com uma das duas centrais sindicais portuguesas (com a UGT que a CGTP deu de frosques, como é seu usual, em vez de clamar no lugar próprio…) e com o patronato novas formas de, segundo a sua perspectiva, permitirão incentivar a competitividade da economia portuguesa.

São vários os pontos negociados que podem ser vistos aqui.

Interessantes, nomeadamente, o facto de haver um incentivo a horas extras – quando seria expectável o contrário para obrigar o patronato a ajudar a diminuir o desemprego – tornando-as mais baratas, ou esquecer-se da promessa de contemplar os “recibos verdes” com o direito ao fundo de desemprego – principalmente porque estes pagam impostos como todos os outros excepto o patronato que não precisa de o fazer.

Ou seja, e como o senhor Álvaro afirma – e nisso tem sido coadjuvado por outros seus companheiros – o Governo português foi para além da troika!

08 janeiro 2012

O Kwanza faz hoje 35 anos

(imagens fac-similadas)

Uma das últimas medidas de Saydi Mingas, enquanto ministro da Finanças foi criar a 8 de Janeiro de 1977, a moeda nacional Kwanza que, entretanto, e ao longo destes 35 anos, teve várias vicissitudes e co-denominações.

Passou pelo Novo Kwanza, em Setembro de 1990, depois pelo Kwanza Reajustado, em Julho de 1995, e, de novo, Kuanza, desde Novembro de 1999, que tem mantido uma certa estabilidade face às principais moedas mundiais.

Parabéns ao nosso Kwanza!

Pena que mal chegue aos mais de metade de paupérrimos que ainda persistem no nosso país…

08 dezembro 2011

As dívidas na UE e a memória futura...

Este quadro é eloquente!Os maiores caloteiros da Europa são a Alemanha, com mais de doze vezes a dívida pública portuguesa, a Itália e a França. Sozinha, a Itália tem quase o triplo da dívida pública acumulada da Grécia, da Irlanda e de Portugal. Em percentagem do PIB, os campeões são a Grécia (157,7%), a Itália (120,3%) e a Irlanda (112%). Isto não vai acabar bem. Vamos mesmo todos para o buraco! Limpinho.

(tudo isto corre nos meios electrónicos)

Relativamente à minha opinião sobre a União Europeia e as suas derrogações e divagações, proponho-vos a leituras de dois artigos anteriormente escritos (aqui e aqui) ou o que penso da Europa "federada".

01 dezembro 2011

Bobagens... ou caça aos gambozinos?

Tanta preocupação com os feriados que dão prejuízo de milhões às finanças portuguesas (e pensava eu que daria era às das empresas porque são as únicas que não dão pontes) e vem o Estado, o sempre grande patrão Estado a continuar a dar grandes benesses, como as pontes do Natal e Ano Novo (e, provavelmente, as da Páscoa), enquanto os outros são pura e simplesmente "lixados"!...

20 agosto 2011

Reeleição de Obama já está sob fogo intenso… (artigo)

"A agência de notação Standard & Poor’s (S&P) baixou, pela primeira vez desde a sua criação, em 1941, e desde que existem empresas de rating ocidentais – as empresas chinesas já há muito o tinham feito –, a nota dos EUA de Triple A para AA+.

Um golpe forte na chamada maior economia do Mundo e uma severa “humilhação” para a superpotência global.

Mas também um golpe nas intenções de Obama em ser reeleito em Novembro do próximo ano.

Sejamos claros. Este rebaixamento (downgrade) da dívida norte-americana tem mais efeitos políticos – e analistas da S&P já o admitiram em entrevistas – do que económicos para os EUA que não tanto, sublinhe-se e, embora ainda assim um pouco preocupante, para os seus credores.

Recordemos que por quando do crash do imobiliário e do Lehman Brothers nenhuma das agências (S&P, Moodys e Fitch) teve a coragem, como continua a não ter, como já fizeram questão de o preanunciar, de colocar em causa a nota máxima dos norte-americanos. (...)" (continuar a ler aqui)
Publicado na secção de Economia, do semanário , edição de 19 de Agosto de 2011

07 agosto 2011

Obama já está sob fogo intenso…

A agência de notação Standard & Poor’s (S&P) baixou, pela primeira vez desde a sua criação, em 1941, e desde que existem empresas de rating ocidentais – as empresas chinesas já há muito o tinham feito –, a nota dos EUA de “Triplo A” para “AA+”.

Um golpe forte na chamada maior economia do Mundo e uma severa “humilhação” para a superpotência global.

Mas também um golpe nas intenções de Obama em ser reeleito em Novembro do próximo ano.
Sejamos claros. Esta “queda” tem mais efeitos políticos – e analistas da S&P já o admitiram em entrevistas – do que económicos.

Recordemos que por quando do crash do imobiliário e do Lehman Brothers nenhuma das agências (S&P, Moodys e Fitch) teve a coragem de colocar em causa a nota máxima dos norte-americanos.

Havia a expectativa de quem iria tomar o poder em Washington DC e como evoluiria a economia norte-americana.

Por outro lado, não esqueçamos que a colossal dívida federal norte-americana está, em grande medida – há quem aposte que na sua grande maioria – nas mãos dos chineses (cerca de 1,15 biliões “milhões de milhões” de dólares) e na dos japoneses (cerca de 1 bilião de dólares), embora a Índia se perfile como uma das apostadoras no dólar.

Por outro lado, os chineses têm vários milhares de milhões em reservas em moeda estrangeira essencialmente conectados ao dólar.

Ora, esta queda no rating norte-americano mais do que afectar – e de que maneira – o prestígio, já um pouco abalado, de Obama afecta a economia dos credores dos norte-americanos e, por extensão, toda a economia global e, principalmente, a emergente que depende da estabilidade que emana das margens do rio Potomac.

Não há dúvida que Barack Obama está sob fogo intenso dos mais conservadores e da inoperância dos democratas…
6/Ago/2011