05 abril 2012

Fim da “Reconstrução” em 2013?!...

(Enquanto houver imagens com o estas, não pode haver Reconstrução acabada)

A TPA (Televisão Pública de Angola) afirma, citando o presidente José Eduardo dos Santos – provavelmente na sua alocução de ontem pelos 10 anos de Paz, na cidade de Luena, província do Moxico – que, o “Programa de Reconstrução Nacional será concluído antecipadamente no princípio do próximo ano, em vez de 2015/2016 como estava previsto”.

Sejamos honestos, uma vez, até porque sabemos que as eleições estão à porta, mas...

Como é possível tal ambição com os significativos atrasos no saneamento básico e na distribuição efectiva de energia e água potável?

Propaganda e visão política sim, mas com alguma ponderação.

Como ainda não ouvi nem li as palavras de Eduardo dos Santos e como se sabe que, por vezes e não poucas vezes, a TPA é muito expansiva nas leituras que faz, vou aguardar e ler, logo que as recepcione na íntegra, as palavras de dos Santos e depois comentá-las…

04 abril 2012

10 anos de Paz!

(da Internet)

Estamos hoje a celebrar, e esperamos que continuemos a exaltar por muitos mais anos, neste 4 de Abril, os 10 anos de Paz bélica em Angola.

É bom, muito bom, mas…

Mas só haverá realmente Paz quando não houver algum e qualquer tipo de conflito, nomeadamente, social, e as formações e movimentos políticos sejam vistos e respeitados em pé de igualdade!

Até lá, exaltemos a Paz e fomentemos a vontade de todos os Angolanos serem realmente pares na concórdia e na igualdade.

01 abril 2012

Reorganização da administração local portuguesa

Um devaneio pela política lusitana…

Uma das cláusulas do Memorando do grupo tripartido UE-FMI-BCE (vulgo «troika») financiador da dívida portuguesa, previa que as autoridades governativas lusitanas reduzissem o número de administrações locais, como Freguesias e Câmaras Municipais/Concelhos.

Esta medida prendia-se – ou prende-se – com a redução dos elevados custos, segundo aquele grupo financiador, desbaratados na administração local.

Só que a tal «troika» - não percebo porquê deste termo russo, quando em português existe um, o«Triunvirato», mas, eles lá sabem os seus gostos – desconhecem, ou parecem desconhecer a raiz das Freguesias em Portugal.

Estas remontam ao início da Portugalidade e da (re)implantação do cristianismo no extremo rectângulo peninsular.

O aparecimento das Freguesias deveu, em grande medida à distribuição administrativa, não governativa, mas pastoral da Igreja – as paróquias civis, em certas zonas europeias, – e estendeu-se, mais tarde, para a afirmação da administração local.

Se se compreende a redução de conselhos, alguns dos quais criados não a favor das populações locais, mas de interesses caciquistas de alguns proto-políticos que viam nas Câmaras o seu trampolim para altos postos governativos e políticos, já me parece absurdo, embora sob o ponto de vista economicista o entenda, esta diminuição das Freguesias, embora através de eventuais aglutinações.

As Freguesias, nuns casos por razões bairristas, noutros por razões políticas e, ainda noutros casos, por razões territoriais, se não querem ver perdidas as suas existências, e se por razões económicas elas devem “desaparecer” e em número assinalável, creio haver uma solução intermédia que não só permite manter as suas existências como reduz e em números que presumo, quase absolutos, os seus custos administrativos. (…)(continuar a ler aqui ou aqui)

publicado, hoje, no Portugal em Linha, "Lusofonia"

Quando o futebol pode ser um “hino”

(da Internet)

Ontem tive o prazer de ver dois bons jogos e com o mesmo resultado: 2-1

À tarde, na TPA Internacional, o Kabuscorp-Libolo, com a vitória dos actuais campeões angolanos (Libolo) e com o internacional brasileiro – ainda agora chegou e já enverga a faixa de capitão?!?!?! – Rivaldo a marcar o golo do Kabuscorp.

À noite, na SporTV, um enorme jogo entre dois candidatos ao título lusitano, o Benfica-Braga.

Como benfiquista adorei o resultado; como observador independente, que também sei ser nestes casos, acho que o Braga não merecia a derrota.

Resumindo, quando os jogadores querem – e os dirigentes deixam o futebol consegue ser um hino ao desporto!

29 março 2012

“Eleições” n’ A Gâmbia

(foto ©AP-DW)

Hoje há eleições n’ A Gâmbia…

Num Estado pluralista e democrático, onde as eleições presidenciais são um acto natural, as eleições presidenciais que vão ocorrer, hoje, n’ A Gâmbia, seriam mais uma acção popular para a natural escolha do candidato que irá gerir os destinos da Nação.

Todavia, o que se vai passar n’ A Gâmbia será tudo menos democracia.

Tudo porque a reeleição do golpista, autocrata, quiromante e senhor absoluto do País, Yahya Jammeh, está quase totalmente garantida.

O quase é para tornar um pouco credível a reeleição, até porque aparecem dois candidatos contra Jammeh: Ousaino Darboe, de 63 anos, que concorre pela quarta vez, e Hamat Bah, de 51, que vai na terceira tentativa. De notar que o (re)candidato presidente já está a caminho do garantido quarto mandato de cinco anos…

Tão garantido, que nem a CEDEAO se arrogou em apostrofar o simulacro a que chamam de eleições, abstendo-se, responsavelmente, de comparecer ao acto, evocando que as eleições não tinham garantidas os três principais factores que as deveriam caracterizar: livres, justas e transparentes.

Jammeh é visto como o governante que conseguiu garantir ao País um desenvolvimento como A Gâmbia, há muito, não via.

Mas se esse desenvolvimento é visível a população não consegue obter quaisquer dividendos justos. A maioria vive – ou subvive – com, somente, 2 USD por dia…

Além das eleições presidenciais, A Gâmbia também vai registar eleições parlamentares onde o partido actualmente no poder, Aliança para a Reorientação Patriótica e Construção (APRC), que já detinha 47 dos 53 assentos no Parlamento, irá conseguir aquilo que outros, ainda antes das suas, já dizem ir ter: a quase totalidade do Parlamento.

Quase, porque até ao fecho das urnas tudo pode acontecer.

É que os seis partidos oposicionistas fizeram saber que iriam boicotar as eleições, embora haja, e daí poder haver algum volte-face, quem defenda que, apesar de todas as justas críticas, ninguém deveria boicotar as eleições.

Ainda assim, de notar que apesar de rejeitar as críticas, a CNE local cancelou a votação em 25 dos 48 círculos nacionais.

Vamos aguardar para quem irão os 48 lugares em disputa directa, sabendo que 5 dos assentos são nomeados pelo presidente…

Citado no portal do Jornal Pravda.ru (http://port.pravda.ru/news/mundo/31-03-2012/33214-eleicoes_gambia-0/)