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30 dezembro 2016

A hipocrisia diplomática tem limites...

As relações entre estados são caracterizadas por actos que são realizados entre os seus representantes, mas sustentadas em instrumentos próprios que institucionalizam essas relações, onde as pessoas que os levam a efeito são meros elos de uma cadeia contínua e sustentada.

Ou seja, as relações são entre Estados e não entre pessoas. Até aqui, tudo natural, não fosse que gere os Estados pessoas "susceptíveis" nas relações pessoais.


E dito isto, é de uma hipocrisia total que nossos representantes critiquem (ainda que, oficialmente, possam nunca ter expresso verbal ou não críticas às alterações governativas na cidade de Niemeyer) o certo é que órgãos oficiosos (imprensa e partido) o fizeram e não forma nada meigos, nomeadamente, com o Presidente substituto e o “seu” novo Governo, e, depois, esperem que Brasília mantenha o seu estatuto de actor privilegiado nas suas relações connosco, pressionando estes a retomarem a linha de crédito que tinham connosco.

Por isso não seria de esperar outra coisa que uma retaliação diplomática de Brasília na suspensão de créditos, nomeadamente, os que eram sustentados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a contas com as investigações sobre esquemas de corrupção a diversas personalidades brasileiras com ligações externas, onde, entre os visados, está a construtora Odebrecht. Esta foi a desculpa necessária e caída do céu para o reforço da retaliação.

Compreendo a posição do ministro Chikoty, principalmente depois posição de Israel, transmitidas pelas absurda, quanto inopinada, atitude do seu diplomata em Luanda, tudo porque Angola apoiou a Resolução 2334 que critica os colonatos judeus na Cisjordãnia, (ainda que esta tomada de posição de Telavive não tenha sido, formalmente, anunciada a Luanda).

Face a estas considerações, é bom que alguns dos nossos diplomatas e jornalistas compreendam que a hipocrisia nas relações diplomáticas - mesmo quando habitual nesta área - tem limites...

23 novembro 2012

Os imperativos dos poderes maioritários

"É normal que uma classe ou organização partidária maioritária faça impor as suas ideias sem que, em regra, acolha as que emerjam da oposição, mesmo que isso provoque, por vezes, querelas tanto a níveis locais como nacionais. Na realidade mais não são que formas que as oposições têm para tentar reverter as posições imperativas dos poderes maioritários.

Mas quando estes poderes se assentam em dogmas religiosos para criar leis e impor Constituições, essas coacções, por norma, acabam por terminar menos bem. É o que está a acontecer na região da Conflitualidade, ou lato sensu, na Palestina (engloba esta, Gaza e Israel) onde está instituída dois poderes antagónicos e, cada qual e na sua zona, maioritários.

De um lado, um poder político-militar assente na salvaguarda da identidade étnica-cultural dominada por judeus e israelitas: Israel. Do outro, um poder mesclado de uma salvaguarda de uma identidade étnica-cultural, como Israel, com um assento num dogma religioso que tudo resguarda e dele ressalta a legitimidade para definir toda a política social e militar de extremistas.

No meio, um povo que, tal como os judeus – e por sinal primo destes (há quem defenda que é a 13ª tribo da Judeia) – anda errante há milhares de anos sem que lhes devolvam a Terra prometida; os palestinianos.

Recordemos que a Resolução 181/1947 da ONU além de não resolver a questão da Palestina, acabou por provocar a definitiva divisão da mesma entre judeus (Estado de Israel) e árabes (Palestina) – e Jordânia – deixando sem decisão a questão mais cadente, a da cidade de Jerusalém (do grego:Hierosolima; Almeida, 2003**), capital histórica dos dois contendores e religiosa das três principais religiões monoteístas: judaica, cristã e islâmica.

Na primeira oportunidade, Israel ocupou e declarou como sua a cidade santa de Jerusalém. Mandou aqui o poder maioritário instituído que, neste momento, é dos israelitas que impedem os palestinianos de assumirem como sua capital, Jerusalém. (...)" (continuar a ler aqui ou aqui)

Publicado no semanário Novo Jornal, edição 253, de 23/Nov./2012

24 setembro 2011

Palestina pede “reconhecimento” como Estado na ONU

(foto © Foto: AP, via Terra.br)

O actual presidente da Autoridade Nacional palestiniana, Mahmoud Abbas, apresentou ao actual secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, o pedido formal de reconhecimento da Palestina como Estado, ao manifestar o desejo de transformar o seu presente estatuto de Observador para Estado de pleno direito.

É certo que a Palestina tem o apoio de muitos Estados com assento na Assembleia-geral. Todavia, também é certo que no Conselho de Segurança que tudo se vai decidir. E já se sabe que os EUA vão vetar essa legitima pretensão palestiniana, tal como Israel o deseja e a União Europeia (UE) não mostra ter uma posição clara.

A grande desculpa norte-americana, e de uma larga franja dos países da União Europeia, é que, independentemente do direito palestiniano terem uma Pátria própria e independente, há que salvaguardar os direitos legítimos dos judeus e dos israelitas. Ou seja, tem que haver uma sincera e correcta Paz entre os dois povos (por acaso são três, já que muitos se esquecem dos jordanos) em viver em harmonia nas terras da Palestina.

Outro dos problemas – insondável problema – é a questão de Jerusalém.

Os dois países arrogam-se no direito de a considerar sua cidade e sua capital política ou religiosa.

Ora aqui volta uma velha questão que se reporta ainda ao tempo da Declaração de Balfour, ao Mandato Britânico da Palestina – que dividiu a área entre Palestina e Jordânia – e, principalmente, ao Acordo Sykes-Picot que dividia o Médio Oriente pela influência entre franceses e britânicos.

Ora em todos os Memorandos nunca ficou claramente explicita a questão de Jerusalém.

E essa, na minha opinião, passa pela influência da cidade pelas Nações Unidas. Ou seja, tornar os Hierosolimitas (Hierosolima = Jerusalém) cidadãos de uma “international free city”, uma Cidade-livre de jurisdição internacional!

Talvez nessa altura, e de vez, a Paz possa estar implementada.

Sobre esta matéria e sobre esta região da conflitualidade proponho a leitura de um artigo que escrevi em finais de 2003 e publicada no semanário português Frente Oeste, a 1 de Janeiro de 2004 “A Região da Conflitualidade e a Europa dos Quinze”.

21 janeiro 2009

O que difere Gaza de Kivu ou outras paragens?

"Poderia e gostaria de começar este artigo de outra forma que não fosse relembrar que em Gaza (Palestina), no Kivu (Rep. Dem. do Congo) e em outras paragens, principalmente africanas, os trovões que assinalaram a passagem de ano deveram-se não a festejos pelo Dia Mundial da Paz mas, e tão só, devido à guerra.

E sendo locais “favoritos” da guerra o que as pode diferenciar?

Desde logo, e à primeira vista, o facto de Gaza ser na Ásia, embora mesmo ao lado de África, e Kivu ser no centro de África. Só por si isto já seria um motivo para as diferenciar.

Seria se não fosse o facto de ambas regiões estarem sob o espectro da guerra, de massacres que a mesma sempre provoca e de vítimas inocentes, porque também as há.

Mas há outros factores que diferenciam Gaza de outras regiões onde persistem crises militares, massacres, violações, assassinatos e tudo o que de mais abjecto acompanha as guerras.

Em Gaza os povos que lá a habitam têm uma coloração semelhante às dos países que mais têm vociferado – e bem, diga-se, – contra os cobardes ataques de mísseis sobre populações civis levados a efeito por uma organização considerada, mesmo no areópago que é a ONU, como terrorista, o Hamas, e que não reconhece a existência de Israel; também esses países exigem de Israel o fim dos ataques e o massacre que os seus raids aéreos e terrestres têm provocado sabendo que os terroristas, como cobardes que são, se acoitam entre os civis na esperança de não serem atacados ou passarem incólumes. E como isso não demove Israel, os civis, nomeadamente crianças, acabam por ser alvos fáceis dos ataques.

Em Kivu os povos que lá habitam são, não raras as vezes, vistos como sub-humanos, como não-gente, pelos mesmos Países que agora tão solidariamente se preocupam com uma parte da Palestina. São, de facto, sub-humanos porque são esses países que não se interessam pela sua condição enquanto pessoas, enquanto seres vivos. Como alguns diriam, embora soa pejorativamente como uma crítica racista – e não me admiraria que o editor, por pudor, e muito bem, registo, retirasse esta frase – são somente… pretos!

Mas há mais quanto ao que difere Gaza de outras regiões onde ciclicamente existem focos de guerra ou crises sociais humanitárias: seja em Kivu, no Zimbabué, na Somália, ou seja – ainda se lembram onde é? – no Darfur. (...)
" (Pode continuar a ler aqui)
Publicado no semanário santomense , edição 199, de 17 Janeiro 2009

13 julho 2006

Quem não quer a Paz na Terra da Conflitualidade

(foto ©daqui)

Alguém pelos vistos, achou que Israel e Palestina estavam há muito tempo, há tempo demais, em Paz mesmo que esta fosse fraca e periclitante.
Até quando?...
Talvez até alguém, ou algum, seja que entidade for, de uma vez, considerar que o Terrorismo tanto pode ser de Estado(s) como de grupos e, em qualquer dos casos, deve ser forte, eficaz e rigorosamente combatido.

03 outubro 2004

Dias de Penitência na Região da Conflitualidade

Uma vez mais a Palestina, a Região da Conflitualidade, está a ferro e fogo.
De um lado os extremistas palestinianos, desprezando as directrizes da Autoridade Palestiniana, atacando indiscriminadamente; do outro os israelitas a responderem com a Lei de Talião; por fim a intensificação da Intifada palestiniana.
Até quando vamos continuar a admitir esta situação.
Até quando o Mundo continuará a admitir um novo Muro da Vergonha mesmo que esteja em causa defesa de civis? (Também a URSS invocava o mesmo).
Até quando o Ocidente vai permitir que a região mais religiosa do Planeta seja palco deste conflito admissivelmente insanável para as potências militares.
Até onde irá o poder do dinheiro nas eleições americanas?
E até onde irá a acoitização e o rearmamento palestiniano por parte das estruturas islâmicas fundamentalistas.
Enquanto isso nem cristãos, nem islâmicos, nem judeus podem orar tranquilamente.
Até quando?
Até quando a Declaração de Balfour, integrada na Declaração de Mandatos da Sociedade das Nações para os territórios dominados pelo Império Otomano, mais tarde ratificada pela Resolução 181, da Assembleia Geral da ONU, de 29 de Novembro de 1947, que além de preconizar a criação dos Estados de Israel e da Palestina previa, igualmente, que Jerusalém deveria ser parte de um território internacional autónomo gerido pela aquela organização, manter-se-á como factor de instabilidade na Região e, por extensão, no Mundo inteiro.
Alguém dizia há relativamente pouco tempo que estamos a caminhar, rapidamente, para a IV Guerra Mundial.
Parece que nada fazem para a estancar.