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19 fevereiro 2016

Pode a Síria ser um remake musculado de Cuba? - artigo

«E recordemos que se está a realçar os 100 anos do Acordo Sikes-Picot (16 de Maio de 1916) que desenhou o Oriente árabe. A História não se reescreve, mas a memória histórica pode influenciar os factos históricos futuros!»


(o artigo)

"Antes de mais o que se passa na Síria nada se assemelha com o que se passou em Cuba, em 1962. Todavia, os actores principais são os mesmos e ambos, de novo, candidatos aos prémios Razzies (os prémios para os piores filmes e actores), no caso EUA e Rússia; mas se os actores principais são estes, os secundários são quase os mesmos, só alterando Cuba por Síria e mantendo-se a OTAN/NATO e acrescentando outros que pela sua importância são candidatos naturais aos mesmos prémios mas para actores secundários.

Recordemos que na versão inicial, o enredo tinha como argumentista principal a Guerra-fria e como décor filmatográfico a ilha de Cuba a pouco mais de uma centena de quilómetros dos EUA. Já a base do enredo teve como principal motivo a tentativa de colocação de mísseis soviéticos direccionados de Cuba para os EUA.

A sua possível colocação poderia ter transformado a Guerra-fria em uma quase certa 3ª Guerra Mundial.

Perguntar-me-ão, e bem, o que me leva relacionar Crise dos Mísseis de Cuba (os russos definam-na como Crise Caribenha e os cubanos como Crise de Outubro) com a actual situação caótica político-militar na Síria.

Além dos mesmos actores princiapis já referidos, o facto de, ao contrário de Cuba onde prevaleceu uma surda guerrilha de palavras, aqueles participam militarmente no palco do conflito em posições opostas – embora sob a capa de um inimigo comum, o terrorismo – e com actores secundários a quererem implicar EUA e Rússia em um hipotético confronto directo.

Ora isto só por si não seria motivo suficiente para que os dois caos fossem considerados quase como um remake um do outro. Existem outros factos que levam a esta consideração. (...)" (continuar a ler aqui).

Publicado no semanário Novo Jornal, edição 419, de 19 de Fevereiro de 2016, 1º Caderno, página 18 ,

14 dezembro 2012

Egipto e depois do referendo?


Amanhã o Egipto vai referendar a nova Constituição saída de um Parlamento dominado pela Irmandade (Fraternidade) Muçulmana.

De notar que este Parlamento resultou de um voto popular livre e democrático. Isto se depois, o citado Parlamento não acabasse por ser totalmente dominado pelos Islamitas e as normas de lá emanadas não sejam, primordialmente próximas do dogma político-religioso que sustenta os Islamitas e o actual Presidente que, também ele eleito democraticamente, tentou reverter a seu favor todas as normas que pudessem autocratizar a sua vontade.

Segundo parece, a nova Constituição impõe a Sharia como pedra basilar da vida política, social e de justiça dos Egípcios esquecendo, assim, as outras correntes sociológicas e religiosas do País.

Uma parte qualitativa dos egípcios não deseja esta nova Constituição que está ser imposta não só pelo Parlamento como, e principalmente, pelo Presidente Morsi e seus aliados.

Ora, dever-se-á olhar para o caso egípcio num todo e não só para a potência faraónica que emerge nas margens do Nilo.

Uma vitória de um certo fundamentalismo islâmico poderá ser a vitória não de uma realidade política e social e religiosa) mas o fim de toda uma realidade política que emergiu na Tunísia e que é (re)conhecida como a Primavera Árabe.

Recordemos como uma pequena faísca se tornou numa enorme queimada rejuvenescente e progressiva do Atlântico à margem oriental mediterrânica e ao Gofo pérsico.

Se na maioria dos países por onde essa onda rejuvenescedora se estabilizou, na Síria os rebeldes tentam derrubar o regime de Bashir al-Assad – na realidade é um regime Baath (do Partido Árabe Socialista Baath), inicialmente liderado por Hafez al-Assad (o pai) – e estabelecer, segundo eles, um regime mais democrático, no que é apoiado por pretensos amigos da Síria onde se encontra o Ocidente.

Todavia, a realidade mostra que talvez, e uma vez mais, que o ocidente pode estar a apostar num “equídeo errado” e que, tal como na Líbia o resultado pode ser diferente do esperado.

Actualmente, tal como no Egipto a Síria tem no seu seio diferentes correntes política e, principalmente, religiosas que, conforme as referidas correntes e os interesses instalados, se movimentam com maior ou menor liberdade.

Ora os rebeldes têm mostrado que defendem uma maior implementação dos dogmas islâmicos no país, particularmente os de maior reaccionalidade e ortodoxia. Bem ou mal são acusados de gozarem de apoio declarado do Irão.

Tendo por mostra o que se passa no Egipto será que o Ocidente vai continuar a defender o fim do regime de al-Assad em nome de uma pretensa maior liberdade democrática tendo já em conta alguns dos actuais resultados, inclusive, nos países vizinhos?

Veremos se amanhã no referendo irá vingar o fundamentalismo ou o bom senso, porque neste resultado não estará só a vontade dos egípcios como a estabilidade de toda uma enorme região – o lago mediterrânico…

23 novembro 2012

Os imperativos dos poderes maioritários

"É normal que uma classe ou organização partidária maioritária faça impor as suas ideias sem que, em regra, acolha as que emerjam da oposição, mesmo que isso provoque, por vezes, querelas tanto a níveis locais como nacionais. Na realidade mais não são que formas que as oposições têm para tentar reverter as posições imperativas dos poderes maioritários.

Mas quando estes poderes se assentam em dogmas religiosos para criar leis e impor Constituições, essas coacções, por norma, acabam por terminar menos bem. É o que está a acontecer na região da Conflitualidade, ou lato sensu, na Palestina (engloba esta, Gaza e Israel) onde está instituída dois poderes antagónicos e, cada qual e na sua zona, maioritários.

De um lado, um poder político-militar assente na salvaguarda da identidade étnica-cultural dominada por judeus e israelitas: Israel. Do outro, um poder mesclado de uma salvaguarda de uma identidade étnica-cultural, como Israel, com um assento num dogma religioso que tudo resguarda e dele ressalta a legitimidade para definir toda a política social e militar de extremistas.

No meio, um povo que, tal como os judeus – e por sinal primo destes (há quem defenda que é a 13ª tribo da Judeia) – anda errante há milhares de anos sem que lhes devolvam a Terra prometida; os palestinianos.

Recordemos que a Resolução 181/1947 da ONU além de não resolver a questão da Palestina, acabou por provocar a definitiva divisão da mesma entre judeus (Estado de Israel) e árabes (Palestina) – e Jordânia – deixando sem decisão a questão mais cadente, a da cidade de Jerusalém (do grego:Hierosolima; Almeida, 2003**), capital histórica dos dois contendores e religiosa das três principais religiões monoteístas: judaica, cristã e islâmica.

Na primeira oportunidade, Israel ocupou e declarou como sua a cidade santa de Jerusalém. Mandou aqui o poder maioritário instituído que, neste momento, é dos israelitas que impedem os palestinianos de assumirem como sua capital, Jerusalém. (...)" (continuar a ler aqui ou aqui)

Publicado no semanário Novo Jornal, edição 253, de 23/Nov./2012

31 janeiro 2011

Um “La Niña” político ?...

(Fotografia © Mohamed El Ghany/Reuters, in DN/Globo)

O Continente africano está a ser varrido por convulsões políticas e sociais como há muito não se via.

Tudo evidencia que parece ter começado com a crise na Cote d’ Ivoire e que se estendeu à Tunísia e daqui para quase todo o Norte de África – parece que a Líbia é ainda o único “estável” – com ligeira passagem pela península arábica, mais concretamente pelo Iémen, e com retorno a África, ao Gabão.

De facto, tudo parece indicar que na potência do cacau terá começado esta crise social e política como se um “la Niña” político se tratasse. Parece, mas, sê-lo-á?

Creio que, na verdade, tudo começou na eterna política anglófona de “não se entendem que se separem” cuja a última consequência parece ser o Sudão onde se efectuou por pressão anglo-americana e beneplácito da ONU um referendo para a divisão do Sudão entre um Norte, islâmico, pobre – ou maioritariamente pobre – e onde impera a Sharia, e um Sul, cristão e animista, rico – demasiadamente rico em hidrocarbonetos – e onde subsiste uma continuada revolta social que poderá ser – será?! – eventualmente minorada com a independência.

De facto o que se passa no Egipto, mais que uma revolta social e política contra a autocracia, a corrupção e o desemprego, na linha do que aconteceu na Tunísia com a chamada “Revolução do Jasmim”, é também uma crise religiosa entre radicais muçulmanos e cristãos coptas e que teve o seu início na noite de ano novo em Alexandria.

Uma natural sequência do referendo sudanês que irá dividir, como já atrás referi, o país em duas entidades político-religiosas diferentes e pouco dadas à coexistência!

E, claramente, os Irmãos Muçulmanos – ou Irmandade Islâmica, como também é reconhecida – já está a se aproveitar, dada a sua forte implantação social.

Ora aquele efeito político-religioso acabou por degenerar num ensaio político-social de proporções inimagináveis e com contestações em outros países árabes, nomeadamente, nos já citados, com particular destaque para Marrocos, muito próximo da entrada para a chamada Europa livre, e do Gabão pela proximidade de outros países onde a autocracia já se conta pela vintena de anos de poder ou pelo facto de haver, na zona, certas tendências separatistas.

E, segundo algumas “bocas” já há inúmeros telemóveis com acesso à Internet que podem acender indesejáveis rastilhos sociais e políticos de insondáveis e imponderáveis amplitudes…

Há, claramente, um “La Niña” político-social que as forças do poder não devem, de maneira alguma, descuidar como uma avestruz…
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Publicado no Perspectiva Lusófona, sob o título "Um "La Niña" político ou efeitos do tsunami anglo-americano"

17 outubro 2007

Curdistão, uma permanente bomba-relógio

(mapa daqui)

Fala-se muito, e bem, embora seja sempre pouco, do Tibete e como continua subjugado pelo regime chinês, das diferentes repúblicas ocupadas ou amordaçadas pelo regime moscovita – razão pela qual a jornalista Anna Politkovskaya morreu fez há dias um ano –, do País Basco, incrustado na Espanha e na França, mas fala-se muito pouco, ou nada, de uma região, que é uma Nação, o Curdistão.
Tudo porque está disseminado por vários países: Arménia, Azerbeijão, Iraque, Irão, Síria e… Turquia.
Se no Iraque já goza de uma certa autonomia e alguma certa Paz – é a principal região petrolífera do país e onde os americanos vão buscar algum do seu petróleo – tal como no Irão, apesar de ser uma vasta região, na Arménia, Azrbeijão ou na Síria são regiões pequenas e quase submissas. Ao contrário, na Turquia é a região mais virulenta do País. Por acaso um País que é reconhecido pelos massacres já efectuados e nunca condenados em local próprio – relembremos Arménia…
Por outro lado, tal como os iranianos, os curdos embora islâmicos não são árabes nem turcos!
E à custa disso, um islamita, embora indicando que o faz por pressão militar, quer colocar a região mais em ferro e fogo do que já está, fazendo aprovar no Parlamento turco uma proposta de “invasão” do Curdistão iraquiano sob a desculpa de perseguir elementos curdos do ilegalizado – e rotulado pela União Europeia como terroristas – PKK que combate o regime turco em prole da independência e reunificação do Curdistão – outros países, na região, também tiveram, em tempos, partidos e movimentos rotulados de terroristas, mais tarde considerados de libertação ou heróicos…
A questão real é esta. Será que são mesmo os turcos que desejam combater os curdos devido aos actos de terrorismo que praticam na Turquia? Se assim fosse bastaria que os combatessem eficazmente no seu País e exigissem, na ONU, que os protectores das outras regiões curdas os colocassem sob apertada vigilância. Mas não parece ser isso o que querem.
Das duas, uma: ou querem aumentar a sua área geográfica através de um forte impacto geoestratégico que nem iranianos nem sírios aceitarão de bom grado; ou há quem esteja por detrás desta crise com vista a obter mais e melhores rendimentos através da alta do crude como já se está a verificar com registos de preços como há muito não se viam,
Ou será que são as duas situações coligadas numa só?
É que tanto num possível aumento de influência turca na região como por detrás das principais companhias petrolíferas estão os mesmos patrões, um dos quais ainda é vice-presidente de uma superpotência…

ADENDA: este apontamento foi publicado na edição 084, de 23-Outubro-2007, d' , sob o título "A nação curdistã"

02 janeiro 2007

Mísseis para o Irão com a UE na engorda…

Nada como começar bem um mandato. E foram logo dois a terem óptimos começos.
O novo Secretário-Geral das Organização das Nações Unidas (NU), Ban Ki-moon, começa oficalmente o seu mandato da melhor forma. Depois de se ter descartado quanto à pena de morte – granjeou, de certo, mais simpatias do senhor W. Bush –, um membro permanente do Conselho de Segurança, a Federação Russa, ofereceu-lhe uma bela batata quentinha nas mãos.
Então não é que o novo “aliado” da NATO e dos EUA decidiu entregar o primeiro pacote de defesa anti-míssil ao Irão para este proteger as suas futuras fábricas de material atómico, dito centrais nucleares.
Segundo afirmam os russos, e muito bem, registe-se, os contratos são para serem cumpridos e como as NU não impedem a venda de venda de armamento defensivo, como os sistemas de defesa antiaéreos, então amigos iranianos tomem lá mísseis "Tor M1" e passem para cá cerca de 700 milhões de dólares.
Com aliados destes, quem precisa de inimigos…
Mas não foi só o Secretário-geral das NU que começou bem o seu mandato. A nova presidência rotativa da União Europeia (UE), a Alemanha, teve também um auspicioso início.
Por certo que os europeus, os primeiros destinatários de uma eventual bomba nuclear iraniana, logo a seguir a Israel, não esperavam que os russos continuassem a ver as suas fronteiras externas cada vez mais próximas e ficassem quietos.
Ontem a União Europeia, com a entrada da Bulgária e da Roménia, passou dos 25 Estados-membros para uns simpáticos 27 países e cerca de 493 milhões de habitantes.
Para os russos já lhe bastavam os três países bálticos, os finlandeses e a Turquia junto das suas fronteiras para já se sentirem quase asfixiados.
O que vale aos russos é o gás natural com que abastecem, sensivelmente na íntegra, a quase toda Europa. O que se passou com a Bielorrússia (Belarus) mais não foi do que um pequeno aviso à navegação europeia caso os russos venham a sentir o sufoco completo: fecham a torneira e depois os europeus que queimem o resto das florestas – ainda as há? – se quiserem se aquecer!!!
E lá se vai a economia, a “lunática” Constituição europeia e a UE…
Ou seja, os americanos e os russos brincam e a Europa… que recolha os restos.

30 dezembro 2006

Executado!

(imagem tratada por ©Elcalmeida/Pululu; original via TV)

A ser verdade o seu enforcamento ao amanhecer deste sábado, deixaram-no morrer como ele queria; como mártir, como o cordeiro no sacrifício (hoje celebra-se o Eid-al-Adha)!
Será que o Ocidente está preparado para as consequências? Ou será que espera que mais 17 a 20.000 militares que os EUA e o senhor Bush querem colocar em Bagdad serão suficientes para abafar alguma eventual e previsível revolta sunita?
Entretanto, dezenas de processos ficaram sem a possibilidade que poderem realmente virem a ser conhecidos os seus meandros e possíveis consequências políticas, como, por exemplo, quem deu o material utilizado na chacina dos curdos ou porque é que Saddam Hussein realmente começou a guerra com o Irão…
Mais uma execução para o curriculum do xerife do Texas.

13 julho 2006

Quem não quer a Paz na Terra da Conflitualidade

(foto ©daqui)

Alguém pelos vistos, achou que Israel e Palestina estavam há muito tempo, há tempo demais, em Paz mesmo que esta fosse fraca e periclitante.
Até quando?...
Talvez até alguém, ou algum, seja que entidade for, de uma vez, considerar que o Terrorismo tanto pode ser de Estado(s) como de grupos e, em qualquer dos casos, deve ser forte, eficaz e rigorosamente combatido.

03 outubro 2004

Dias de Penitência na Região da Conflitualidade

Uma vez mais a Palestina, a Região da Conflitualidade, está a ferro e fogo.
De um lado os extremistas palestinianos, desprezando as directrizes da Autoridade Palestiniana, atacando indiscriminadamente; do outro os israelitas a responderem com a Lei de Talião; por fim a intensificação da Intifada palestiniana.
Até quando vamos continuar a admitir esta situação.
Até quando o Mundo continuará a admitir um novo Muro da Vergonha mesmo que esteja em causa defesa de civis? (Também a URSS invocava o mesmo).
Até quando o Ocidente vai permitir que a região mais religiosa do Planeta seja palco deste conflito admissivelmente insanável para as potências militares.
Até onde irá o poder do dinheiro nas eleições americanas?
E até onde irá a acoitização e o rearmamento palestiniano por parte das estruturas islâmicas fundamentalistas.
Enquanto isso nem cristãos, nem islâmicos, nem judeus podem orar tranquilamente.
Até quando?
Até quando a Declaração de Balfour, integrada na Declaração de Mandatos da Sociedade das Nações para os territórios dominados pelo Império Otomano, mais tarde ratificada pela Resolução 181, da Assembleia Geral da ONU, de 29 de Novembro de 1947, que além de preconizar a criação dos Estados de Israel e da Palestina previa, igualmente, que Jerusalém deveria ser parte de um território internacional autónomo gerido pela aquela organização, manter-se-á como factor de instabilidade na Região e, por extensão, no Mundo inteiro.
Alguém dizia há relativamente pouco tempo que estamos a caminhar, rapidamente, para a IV Guerra Mundial.
Parece que nada fazem para a estancar.