04 novembro 2008

4 de Novembro, 52 anos podem separar estas fotos


Da "Revolução abafada", a Revolução Húngara atacada pelos soviéticos nesta data, no mesmo dia do nascimento do autor deste blogue na sua bela e amada Restinga, da belíssima cidade do Lobito,

à "Revolução efectiva", com a possível vitória de Barak Obama nas presidenciais norte-americanas.

Yes, they can, but…


Qual dos pin prevalecerá?

Sim, os norte-americanos poderão mudar. O problema é se estão preparados para a Mudança, qualquer que ela seja. Porque, qualquer que seja o candidato vencedor haverá, sem qualquer dúvida, uma mudança na política norte-americana. Um trará mais que outro.

De um lado está um afro-americano, democrata, Barak Obama, que derrotou nas primárias a mais provável candidata e quem melhor teria capacidade para à boca das urnas dizer “I’m a winner”, Hillary Clinton; do outro, um republicano, John McCain, antigo prisioneiro de guerra no VietNam, e pré-candidato derrotado por George W. Bush, numas anteriores primárias e com quem, desde essa data, mantém uma distância surda e forte, apesar o partido, mesmo sabendo que politicamente não seria muito correcto, tivesse gostado de ver mais apoio presidencial.

Os dois candidatos propõem a Mudança. Enquanto Obama avança para um quase completo e radical corte com o status quo vigente nos EUA, McCain, advoga-a mas em menor escala e com os habituais valores norte-americanos bem vincados.

E isto é, ou poderá ser, o grande problema para Obama poder ser eleito: os habituais valores norte-americanos. Mesmo que os primeiros simbólicos resultados, em Dixville Notch e Hart's Location, no New Hampshire, habitualmente republicanos, lhe tenham dado a vitória.

Quer queiramos, quer não, há valores que os norte-americanos não prescindem. E, por vezes, o simples facto de sentirem que alguém pode estar a mandar neles, o que colocaria o seu habitual revolucionarismo e sentido de liberdade em causa, tem um efeito contrário ao desejado.

Os norte-americanos sempre viveram segundo um tríade religiosa: Deus, Armas e Teoria da Conspiração.

Indiscutivelmente são muito religiosos e tementes a Deus, ou não fossem eles os primeiros a advogar o “fundamentalismo religioso” [“Fundamentals”, ver meu livro “Fundamentalismo Islâmico, A Ideologia e o Estado”, pág. 13]; a vida corre e gere-se em torno do sagrado princípio de quem ganha bem a vida na Terra serve a Deus (mais ou menos assim) aliados á crença política da defesa da dignidade essencial do indivíduo, a igualdade fundamental entre todos os homens e o direito inalienável à liberdade, à justiça e a oportunidades justas. Razão que levou Samuel Huntington a criticar a imigração hispânica, porque, segundo ele, no livro “Who Are We? The Challenges to America's National Identity”, a cultura dos hispânicos despreza a educação e as crenças produzidas pela sociedade anglo-protestante engendrada nos séculos 17 e 18. McCain, é o candidato que melhor norteia estes sagrados princípios da ignorância cultural norte-americana e que tem, como expoente máximo, uma forte aliada, a candidata a vice-presidente Sarah Palin.

Um sagrado princípio que leva ao segundo da tríada religiosa: as Armas. Muitos Estados sentem na existência indiscriminada das armas o direito à suprema e total liberdade de escolha, do direito ao seu modo de vida, a imposição dos princípios religiosos já anteriormente referidos. Obama pondera e defende uma restrição ao uso das armas de fogo, o que levou os defensores das mesmas a efectuarem virulentos ataques ao candidato afro-americano, por sinal, filho de um economista e político queniano e de uma antropóloga norte-americana.

E, aqui surge o terceiro princípio: a Teoria da Conspiração. Apesar de cristão e, segundo os princípios religiosos anglo-prostestantes, um evangélico, uma parte substancial dos norte-americanos não esquecem que Obama já professou o islamismo. E quem fala em islamismo, pensa em 11 de Setembro. Outro dos factores importantes para os norte-americanos sentirem, como poucos, as teorias conspirativas tem prende-se com a sua história de liberdade e do “excepcionalismo”, ou seja, a convicção de que os EUA são uma nação excepcional, produto de uma trajectória histórica única, e com um papel missionário no mundo igualmente extraordinário onde não cabem “conselhos” ou “interferências adjectivas”. E só o facto de África e a Europa dizerem, com clareza, que preferem Obama a McCain poderá ser um sinal interpretativo para os norte-americanos de interferência na sua vida política. Pensam que o Mundo e os não-americanos (afro-americanos, hispânicos, europeus do sul, asiáticos, judeus, islâmicos) vão querer mandar nos seus sagrados princípios fundamentais, em vez do contrário.

Estes, quer os norte-americanos o admitam, ou não, vão ser os grandes princípios que vão nortear as eleições de hoje.

Ou os norte-americanos sentem que estão preparados para uma efectiva mudança política e social, para uma sã convivência racial e religiosa, e votam Barak Hussein Obama, cumprindo, assim o sonho de Martin Luther King e de JFK, ou continuarão hermeticamente fechados nos seus primados fundamentalistas religiosos e rácicos e votarão John Sidney McCain apesar deste defender alguns valores contrários aos princípios cristãos dos republicanos.

Hoje, caberão aos eleitores norte-americanos mostrarem que, apesar do seu conservadorismo social, continuam a ser um povo revolucionário e aberto como foram os pais fundadores da União. Serão eles que irão dizer 52 anos depois se querem a Mudança ou seguirem aquilo que tanto desprezam e o fizeram os soviéticos, a 4 de Novembro de 1956, na Revolução Húngara (iniciada em 23 de Outubro e feroz e completamente mente abortada a 11 de Novembro): amordaçar a Liberdade e os Ventos da Mudança.

O Mundo e a História estão com os olhos nos norte-americanos. E esse é o meu grande receio. Que pensem que os “outros” lhes estão impor princípios e factos…

E, depois, há que não esquecer os independentes que podem influenciar a votação do Colégio eleitoral e impedir, como já o fizeram no passado, a vitória de Barak Obama e de Joseph Biden.

03 novembro 2008

Zâmbia tem novo presidente… oficial

(imagem daqui)

O Chefe de Estádio interino, Rupiah Banda, no poder após a morte de Levy Mwanawasa, falecido em Agosto na sequência de um ataque cerebral, foi eleito Presidente de Zâmbia por somente 40,09% dos votos válidos, contra 38,13% do principal opositor Michael Sata, de acordo com o anúncio do presidente da Comissão eleitoral, Florence Mumba.

Numas eleições onde só votaram!! 45% das pessoas inscritas nas listas eleitorais, ou seja, cerca de 1,8 milhões eleitores, o candidato eleito, Banda, tem a contestação de Sata que, nos primeiros resultados de sexta-feira passada (as eleições foram no passado dia 29 de Novembro), davam um largo avanço sobre o presidente interino.

Para evitar os conflitos e motins ocorridos nas eleições de 2006 a Polícia e o Exército foram mobilizados e, mesmo assim, não puderam evitar os desacatos registados no bairro pobre de Mandevu, na capital Lusaka, onde dispersar uma multidão em cólera, aliados de Sata incendiaram o mercado local.

O novo presidente, de 71 anos, é antigo diplomata, com um perfil mais tecnocrático mas que prometeu continuar com a política económica levada à cabo pelo falecido Mwanawasa, que conseguiu conter uma inflação enorme e galopante.

02 novembro 2008

Temos de salvar a Restinga

(Restinga do Lobito; imagem de 2004 roubada a alguém que não me recordo, com o meu lamento)

O suplemento “Mundo em Português”, que acompanha o matutino português, Diário de Notícias, da edição de hoje e sem direito a colocação no seu portal, alerta para o perigo da bela Restinga lobitanga – o belíssimo istmo onde nasci há quase 52 anos, num belíssimo dia de domingo de 1956 – de desaparecer devido às alterações climáticas e, por certo, à pouca atenção que as administrações locais têm tido com a protecção daquele istmo, desde sempre, muito sujeito às forças das calemas e aos movimentos de areias.

Mas, de acordo com aquele suplemento que cita Helena Magalhães (não me parece que seja familiar do Tintin português), docente de Economia do Ambiente, da Universidade Lusíada de Benguela, também o Compão e a Cabaia estão na mesma situação periclitante.

No Ano Internacional do Planeta Terra, é altura de começar a olhar para o Planeta-Mãe com outro olhos e pensar que o fim das calotes polares, uma das razões para o perigo que corra a Restinga, poderá não só atingir um dos meus berços nacionais mas todas as zonas costeiras mundiais e alterar significativamente a vida social e económica mundial.

Os países economicamente emergentes, a China, a Índia, o Brasil, a Rússia e os EUA, os maiores poluidores mundiais devem deixar de olhar para os seus umbigos e pensarem um pouco mais nos outros. Talvez que uma eventual mudança na administração residente na Avenida Pensilvânia possa contribuir para isso.

Afirmações destas indiciam uma expressão bem clara…

De acordo com a Comunicação social portuguesa, a actual (por este andar não deverá ser por muito tempo) líder do PSD terá dito – eu ouvi, mas admito (há que ser politicamente correcto quando os humores andam muito por baixo) que o tenha ouvido deficientemente – que as obras públicas previstas para Portugal só irão beneficiar o desemprego… de caboverdianos e ucranianos,

Se isto fosse dito por um elemento do PNR já ninguém se admiraria, mas por uma líder do segundo (será que ainda é?) partido português isto é inadmissível.

Em circunstâncias normais isto teria um nome claro e objectivo e alvo de repulsa, penso que sim, por qualquer pessoa que abomine esse tipo de pruridos, nomeadamente, pelo Alto Comissariado português pelas minorias étnicas e para expatriados.

Mas como os humores portugueses não andam muito católicos (desculpem-me os católicos) é melhor deixar no ar a imagem e esta absurda e ignóbil (hipotética claro, é que já não confio nos meus ouvidos…) afirmação que terá sido proferida (hipotética, apesar de
alguns órgãos informativos portugueses também a elas se pronunciarem, e já algumas associações as repudiarem, mas…).

Fechou o Girabola 2008

(Petro Luanda (de amarelo) versus Benfica de Luanda; imagem via TPA)

Terminou hoje o campeonato máximo do futebol angolano, o Girabola, com a confirmação da vitória no Campeonato pelo Atlético Petróleos de Luanda (Petro-Atlético) que defrontou e derrotou, na última jornad,a o Benfica do Luanda por 4-0 (muito vai ter a Welwitchea «Tchizé» dos Santos de batalhar se quiser ter uma equipa com mais força e mais garra para ultrapassar o 5º lugar final) no velhinho mas sempre belíssimo Estádio dos Coqueiros.

Nos lugares imediatos ficaram o 1º de Agosto, também de Luanda, e o surpreendente Recreativo do Libolo. Desceram à Segundona (segunda divisão) o Sagrada Esperança (campeão em 2005), o Petro do Huambo e o Benfica do Lubango. O Interclube, campeão destronado, safou-se, na última jornada, à depromoção. Também o Kabuscorp do Palanca e o Desportivo da Huíla conseguiram evitar, nesta última jornada, a despromoção.

De registar ainda, a vitória de Santana, do Petro de Luanda, na bola de prata ao terminar a competição dom 20 golos, três dos quais marcados hoje. Em segundo, ficou Love do 1º de Agosto. (Andam as equipas portuguesas à procura de pontas de lança no estrangeiro, a pagarem fortunas por jogadores que depois mostram não serem os ideais ou terem condições para singrarem quando se olhassem para os seus antigos alfobres talvez tivessem melhores resultados. O problema é que falam português com sotaque diferente do habitual e, no caso do Sport Lisboa e Benfica, pecam por não falar a língua oficial do clube, o castelhano).

Para acabar o ano futebolístico nacional só falta a Taça de Angola que vai ter as meias-finais dentro de dias e a final no Dia da Dipanda.