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21 março 2012

Não é uma «teoria da conspiração», mas…

Recentemente o Mundo civilizado foi horrorizado com a fria morte de três crianças e de um rabi, numa escola judaica, em Toulouse, França.

Segundo algumas testemunhas, este ignóbil e hediondo acto, teria sido perpetrado por um único indivíduo, que se fazia transportar numa mota.

As primeiras reacções indicariam que este seria o terceiro acto de uma “peça” já conhecida das autoridades francesas porque, tudo o indicava, que o assassino/executor seria o mesmo que teria praticado actos similares contra militares de origem magrebina 8de confissão muçulmana) e franco-caribenha.

Estranhamente, e segundo a revista Le Point, as autoridades francesas, numa primeira reacção, davam como tendo sido ex-militares expulsos, próximos dos neo-nazis, os autores destas três tristes e abomináveis façanhas.

Posteriormente, e fazendo fé, nas declarações públicas das testemunhas do ataque à escola judaica, tiveram de fazer uma inversão e já admitiam ter sido, talvez só um ex-militar com muita prática.

O actual e ainda presidente da República Francesa, Nicolas Sarkosy, também ele filho de imigrantes e casado com uma imigrante, e que tem criticado, mais que implicitamente, os imigrantes – parece estar a tentar roubar votos à extrema-direita francesa – tal como o seu primeiro-ministro, diz que tem de ser combatido estes actos xenófonos.

Mas… (os dois textos seguintes foram escritos na minha página do Facebook:)

[- Como pode Sarkozy prometer uma coisa que ele próprio, inadvertidamente, admito, criou com as "sanções" para os imigrantes. E esta já parece não ter sido original dado que o mesmo atirador poderá ter estado por detrás da morte de pára-quedistas franceses na semana passada."

"- É interessante que o que até agora era difícil de se apurar - quem era quem – seja tão rápido a ser apanhado e pertencer à Al-Qaeda. Logo uma pessoa que além de ter morto judeus também matou magrebinos, logo, islâmicos, e franco-cribeanos, que nada têm haver com a "Palestina".

Talvez, se analisarmos bem, talvez que pertença à mesma organização que matou um fotógrafo num navio do Greenpeace, em N. Zelândia, ou, como já se especulou e não foi pouco, também tentou - e parece quase conseguiu - destruir a vida política de DSK, evitando assim, que o Poder instituído se reafirmasse e mantenha.

Não esqueçamos que foi o Poder o primeiro a vir a público chorar "lágrimas de crocodilo", logo aproveitado por aqueles que ao Poder desejam subir...

Como acima titulo, não defendo uma “teoria de conspiração”, mas que quem ler as “histórias” da DGSE (Direction Générale des Services Spéciaux) ou das suas antecessoras e da sua subserviência política ao Poder – qualquer que seja a cor de momento – verifica que têm sido muitos os actos praticados e nunca assumidos que se assemelham a autênticos actos terroristas como os acima referidos.

E sempre a favorecer os interesses instalados dos Poderes instituídos.]

Reafirmo que não estou a defender uma qualquer eventual “teoria de conspiração”, mas…

Entretanto, as notícias dão como estando na perspectiva de detenção do alegado assassino, que segundo algumas fontes se terá identificado como membro da Al-Queda. Ora como esta anda, ultimamente, com as costas tão largas – até quando um dos alegados financiadores do senhor Sarkozy também o denunciava como todos os actos praticados no seu país derivavam deles, um tal Kadhafi – já acredito em tudo.

Não é que esteja a defender uma qualquer eventual “teoria de conspiração”, mas…

02 novembro 2008

Afirmações destas indiciam uma expressão bem clara…

De acordo com a Comunicação social portuguesa, a actual (por este andar não deverá ser por muito tempo) líder do PSD terá dito – eu ouvi, mas admito (há que ser politicamente correcto quando os humores andam muito por baixo) que o tenha ouvido deficientemente – que as obras públicas previstas para Portugal só irão beneficiar o desemprego… de caboverdianos e ucranianos,

Se isto fosse dito por um elemento do PNR já ninguém se admiraria, mas por uma líder do segundo (será que ainda é?) partido português isto é inadmissível.

Em circunstâncias normais isto teria um nome claro e objectivo e alvo de repulsa, penso que sim, por qualquer pessoa que abomine esse tipo de pruridos, nomeadamente, pelo Alto Comissariado português pelas minorias étnicas e para expatriados.

Mas como os humores portugueses não andam muito católicos (desculpem-me os católicos) é melhor deixar no ar a imagem e esta absurda e ignóbil (hipotética claro, é que já não confio nos meus ouvidos…) afirmação que terá sido proferida (hipotética, apesar de
alguns órgãos informativos portugueses também a elas se pronunciarem, e já algumas associações as repudiarem, mas…).

05 junho 2008

Os poetas são como os gatos

Mais uma interessante análise de João Craveirinha sobre a problemática racismo versus xenofobismo, ainda não publicada na imprensa.

"Notas adicionais sobre XENON:

Xenofobia não tem cor mas o racismo tem cor. Não confundir os dois - pois acabam por se diluir se assim for feito.

Ambos são violentos mas o racismo é duplamente violento. No imaginário de séculos e na acção colonizadora do Eu do outro, considerado inferior em África - (NESTE CASO O DENONIMADO NEGRO / BLACK / NOIR / SCHWARZE / T'CHORNI etc etera).

A xenofobia é anti-estrangeiro mesmo sendo da mesma “cor” epidérmica.
O racismo tem cor diferente e é de cima para baixo vindo da superioridade europeia (leia-se do que se diz branco).

Não confundir dos que reagem (mais morenos ou negros ou castanhos) ao se sentirem espezinhados há séculos em tudo que fosse a sua cultura a começar pela língua que passou a ser desvalorizada para dialecto. Indicando que não sofrera evolução como raça humana ao longo de milhares de anos.
(Paradoxalmente apesar dessa raça humana global ter saído de África, Etiópia) numa evolução de cerca de 4 milhões de anos (Lucy)...

... e da transição do dito negro (negróide) para o dito branco (europóide ou caucasiano) numa mudança genética (mimetismo) de cerca de 20 mil anos de África para a Europa via Índia e pelo Cáucaso (entre o mar Negro e o Cáspio – o maior mar interior do mundo. Fronteira do Irão e da antiga União Soviética).

Em 20 mil anos um negro (sem mistura e dependendo do clima) fica branco e muito menos um branco fica negro com a mestiçagem em sentido inverso. Bastam 4 gerações. Avô, Pai, Neto, Bisneto.

Jean-Paul Sartre, dizia a Negritude ser uma forma de “racismo anti-racismo” e a única encontrada pelo negro para se afirmar contra a negação de seu Eu pelo branco.

Foi assim que surgiu a corrente literária da Negritude que nada tem a ver com um pseudo-racismo negro mas sim com o recuperar da dignidade perdida de ser humano, "assumindo" o intelectual negro (ou mestiço) os epítetos derrogatórios (negro, cafre, narro et cetera) de sua condição imposta de infra-humano, numa assumpção irónica dessa negação para desfazer o que lhe impõem de cima para baixo fazendo-lhe crer que era inferior ao que ele recusa:

NEGRO :
SER OU NÃO SER
NÃO É A QUESTÃO!
(é tudo imposição)

Queres que eu seja negro
da cor da noite das trevas?
Então sou!
E depois não digas que a mulher negra não é bela.
É tão bela como pode ser a tua mulher
que dizes ser, da cor da luz branca,
onde vive o divino!
Sou negro e depois?

Ah, não!!

Agora sou racista por aceitar com um sorriso
o que me impões e aceito,
e te devolvo?
Só quero igualdade.
Nada mais!
(JOÃO Craveirinha 02.06.2008)

Na negritude, o negro intelectual ao reagir não era para ser superior, mas igual ao branco que não queria essa igualdade e em muitos casos mantendo-se na actualidade, mesmo quando se afirmam como não racistas contra o negro. Alguma reacção residual surgirá, invertendo os papéis. Analise-se o caso da xenofobia inter-negro na África do Sul para alegria de muitos desse tipo padrão para dizer que o negro é pior que o branco.
Em Moçambique, na comunicação social, tornou-se norma com ajuda de alguns negros à deriva de si mesmos. E na comunicação social em Portugal ainda pior.
Des – contextualiza-se o fenómeno esquecendo que a essência da desumanidade não tem cor. É intrinsecamente genética, e nisso a Europa é a última a acusar de ânimo leve o africano. Foram os senhores e mestres do africano durante muito tempo. E se calhar ainda continuam.

“DEMOCRACIA, IGUALDADE E LIBERDADE:
“Porque é que os povos democráticos mostram um amor mais ardente e mais durável pela igualdade que pela liberdade?” Alexis de Tocqueville (1805-1859, França).
In Teorias Sociológicas p. 259.

É isso aí - no fundo o negro nem democracia queria porque não sabia o que era. Uma coisa importada e deturpada dos antigos gregos que são europeus. Daí a desconfiança.


Pois o colonialismo da Globalização, veio da Europa. O fascismo veio da Europa. O marxismo veio da Europa. A África pós-colonial tem sido (como no passado) um laboratório de experiências de tudo que já está a ficar ultrapassado na Europa e no mundo ocidental.

Essas modernidades vêm da Europa (assim como os dinheiros da corrupção para África). No fundo mesmo, o negro queria (quer) é ser tratado como igual. Lá dizia o Tocqueville e era europeu.

As coisas positivas deixam de ter cor e nação. Passam a ser universais. O racismo e a xenofobia só assim serão superados.

Saber peneirar na m’benga o capim da mapira.

Exempli gratia:
ADEUS À HORA DA PARTIDA

Agostinho Neto
(Poeta-mor de Angola)

“Eu já não espero
sou aquele por quem se espera
(…)
Hoje
somos as crianças nuas das sanzalas do mato
os garotos sem escola a jogar a bola de trapos
nos areais ao meio-dia
somos nós mesmos
os contratados a queimar vidas nos cafezais
os homens negros ignorantes
que devem respeitar o homem branco
e temer o rico”
(...)

Agostinho Neto (1974). Sagrada Esperança. Livraria Sá da Costa Editora, Lisboa.

Este poema da Negritude é um manifesto contra o racismo colonial português…ao mesmo tempo e duplamente, associando e dissociando “o homem rico” com a cor da pele.

Uma premunição à Angola independente. Em que o homem rico deixou de ter cor. Pois passou a ser da cor do dinheiro.

OS POETAS SÃO COMO OS GATOS. VÊM EM MUITAS DIMENSÕES: ESPREITAM O PASSADO; VIVEM NO PRESENTE; E PROJECTAM-SE NO FUTURO QUE PARA ELES JÁ É PRESENTE.

Em baixo um manifesto contra a xenofobia neste poema do tio paterno do autor destas notas de reflexão:

“TERRA DE CANAÃ

Não, piloto israelita.
Inútil procurares nos incêndios de Beirute
e nos inocentes corpos mutilados pelos estilhaços ardentes
as belas palavras do Cântico dos Cânticos. (…)

Poeta-mor José Craveirinha (10.08.1982 de regresso do Líbano)

in F. Mendonça, N. Saúte (1983). Antologia da Nova Poesia Moçambicana (p.211).
E na hora da partida destas notas de reflexão, saboreiem a poesia de Agostinho
Neto na voz e na autêntica Música de Angola por Rui Mingas, ao alcance de um click:
http://www.esnips.com/doc/93bbecc8-d3e1-48f7-a02e-6a7c26d46894/Adeus-à-hora-da-partida (09.05.2008)
.
©João Craveirinha"

28 maio 2008

Xenofobia, África versus Europa

(Cartoon recebido via e-mail)
.
Sob o título "Xenofobia não acontece só em África na Europa já está em marcha" uma análise de João Craveirinha publicada na rubrica "Dialogando" no moçambicano "O Autarca".
Neste artigo, João Craveirinha faz um a comentário sobre ciganofobia em Itália tendo por base um artigo de Isaac Bigio citado no boletim Análise Global, e que, igualmente, se reproduz, com a devida autorização de João Craveirinha:

"ITÁLIA - Roma tem onda anti-Roma (ciganos)

Isaac Bigio*/Especial para BR Press

(Londres, BR Press) - Na Itália nasceu o fascismo e este é, hoje, o único pais da União Européia em que militantes que provêem desta corrente estão no partido do governo e detêm a prefeitura da capital. Roma está se convertendo no centro da maior onda de ataques contra os imigrantes provenientes de países pobres e contra os ciganos, principalmente os de origem romena.
Berlusconi quer criminalizar os “ilegais” e deportá-los tão logo os localize, mesmo que a maioria deles não seja formada por delinquentes, mas faça parte dos quase dois milhões de empregados domésticos e de cuidadores de pessoas idosas ou enfermeiras que vivem na Itália.

O Parlamento Europeu chegou, inclusive, a questionar Roma pela forma como maltrata os roma (chamados vulgarmente de ciganos) e pretende expulsar grande parte de seus 50.000 ciganos romenos (que são cidadãos da UE e por isso gozam do direito de estabelecer-se em qualquer nação do dito bloco). O ódio aos ciganos foi, juntamente com o anti-semitismo, um dos pilares do holocausto nazista. Se a ciganofobia não for detida, se acentuará a onda que se empenha em expulsar os latinos da Europa."

Xenofobia não acontece só em África
na Europa já está em marcha


por João Craveirinha

Nota à análise de Isaac Bígio: "Se a ciganofobia não for detida, se acentuará a onda que se empenha em expulsar os latinos da Europa."

Com pode ser possível serem expulsos os latinos da Europa latina. Os Italianos são o quê? Os verdadeiros latinos surgiram na antiga Roma hoje Itália por tal são os latinos nº 1 actualmente. Isso só traz confusão aos leitores pouco informados culturalmente sobretudo da América do Sul, Central e nos Estados Unidos da América. Há uma Europa Latina há milhares de anos.

Atenção ao termo latino na Europa: portugueses, espanhóis, franceses, italianos, romenos, parte dos suíços e belgas e os luxemburgueses, são povos latinos ou latinizados... Por essa ordem de ideias também haverá afro-latinos: os das antigas colónias francesas, portuguesas e espanholas em África e um pouco dos italianos na Etiópia e Somália.

O termo utilizado na América do Sul deveria se referenciar mais como América afro-ameríndia latina e não latina ou de latinos (pois não o são): os mestiços sul-americanos devido ao complexo colonial da cor mais clara e cabelo liso, conotar com superioridade por perto do europeu, não querem misturas com os mais escuros ou morenos das Américas de falas (hablas) portuguesa (Brasil) e espanhola (discriminando os mestizos mais morenos; índios e os negros por toda a América dita latina e nos EUA). Em Cuba, Venezuela e Bolívia também existe discriminação mas de outra forma. Das classes mais poderosas politicamente e economicamente. Note-se Chavez é mestiço negro / ameríndio e Morales é ameríndio com algum cruzamento passado com espanhol e antepassado escravo negro. Os escravos negros foram trazidos à força pelos portugueses e espanhóis para desenvolverem as Américas e se misturaram com o dito índio e o europeu incluindo na América central (México) e nos EUA e Canadá.
Resumindo: Na realidade os verdadeiros latinos só existem na Europa e são europeus.

Xenofobia não acontece somente na RSA ou em África. Na Europa já começou. Era isso se calhar que o Prof. britânico-jamaicano, Paul Gilroy (sociologia da cultura) se queria referir sem ferir susceptibilidades na última conferência que concedeu numa Universidade pública em Lisboa - sobre a Europa se estar a tornar mais europeia. Leia-se “branca”.

João Craveirinha

30 março 2007

Não aparo idiotices!!

(nestas alturas já não se importam que hajam imigrantes…)

Antes que me voltem a questionar ou a pedir a minha opinião, informo que não aparo idiotices, nem profiro comentários sobre quem quer, unicamente, publicidade barata e desenvolvida como eles próprios já o terão confessado.
Se não falassem e publicitassem tanto, não talvez não houvessem Le Pen’s e imitações semelhantes por alguns países, nem haveriam problemas como os que se verificam, ultimamente e em pré-eleições – já não é novo –, em terras francesas!
… E não aproveitem para me virem dizer que é um efeito “Salazar”!