09 novembro 2009

Berlim, e o Muro implodiu há 20 anos!

(Foto EPA/Wolfgang Kumm/Oje)

Faz hoje 20 anos que o então chamado “Muro de Berlim” – ou Muro da Vergonha – caiu depois que Gorbachev mostrou ao então líder da então República Democrática da Alemanha, Egon Krenz, que o Mundo estava em mudança, que na Rússia já decorria uma Perestroika devido a uma quase líquida Glasnost, sem podermos nunca esquecer o enorme contributo polaco através do movimento cívico-sindical Solidarność (Solidariedade).

Pena é que 20 anos depois se veja outros Muros (
aqui e aqui) a serem erguidos ou que algumas personaliaddes ainda não tenham percebido que com a implosão do Muro apareceu um novo ideal político onde as Democracia não se podem assentar no exclusivo predomínio abusador de algumas maiorias…

08 novembro 2009

À mulher de César não basta parecer ser séria…

"Depois da queda do “Muro de Berlim” e do advento da democracia pluralista em África, era sentimento geral que, embora ninguém acreditasse que os ventos da mudanças fizessem logo efeito – em outras partes duraram décadas para se afirmarem – esperava-se, ao menos, que paulatinamente essa mudança minimamente assentasse nos jangos e nas roças da vida africana.

Passou já mais de uma dezena e meia de anos desde que a maioria dos Estados africanos adoptaram a democracia pluralista. E o que se observa e se objectiva?

A presença de uma cada vez maior afirmação de um despotismo iluminado, a confirmação da supremacia de certos partidos sob a capa de liberdade política, a existência de uma cada vez maior conexão entre a política e a economia, a manutenção, apesar de “ilegalizada” pela União Africana, de Golpes de Estado e Intentonas militares, fazem prever que uma pseudo-democracia bem autocrática está firmemente implantada em África.

Por exemplo, o prémio Mo Ibrahim para “boa governação” e que premeia os presidentes africanos que abdicaram democraticamente do poder, não tenha conferido a nenhum antigo líder este ano. As razões, talvez as encontremos nas palavras do presidente ugandês, Yoweri Museveni, quando terá afirmado “Cinco milhões de dólares para mim não é nada. Cinco milhões de dólares é como uma mesada!”. Pois é precisamente este o valor pecuniário do Prémio Mo Ibrahim a ser pago em tranches anuais de 250 mil dólares.

Ora quando um estadista africano, que quando chegou ao poder, em 1986, afirmava que um presidente africano só deveria manter-se no poder durante dois mandatos, e faz uma afirmação destas, pode-se afirmar que, no mínimo, é chocante e… desmotivante!

É que à mulher de César não basta parecer ser séria… (...)
" (continuar a ler aqui)
Publicado no semanário , edição 239, de 7-Novembro-2009

06 novembro 2009

Moçambique pós-eleições, e agora?

Como se sabe Moçambique foi a eleições para as Legislativas, Presidenciais e Provinciais.

Sabe-se que a estas eleições houve constrangimentos que ninguém dos observadores teve coragem de, com clareza, denunciá-los. Bem pelo contrário, aceitou-os, com naturalidade. Recorda-se os impedimentos pouco esclarecidos que levaram os partidos não oficiais – leia-se, de todos os partidos menos FRELIMO e RENAMO – a verem vetados em alguns círculos eleitorais.

Apesar disso, e a fazer fé em todos os relatórios dos diferentes observadores, apesar de certas anomalias o acto eleitoral terá decorrido sem problemas, sendo que o chefe dos observadores da União Africana,
deu nota positiva ao acto.

Por isso, já se sabe, mesmo ainda sem resultados oficiais apresentados pela CNE local, que a FRELIMO e Guebuza foram – ou terão sido – os grandes vencedores.

Como, habitualmente, o também já seria espectável, já se sabe que a RENAMO contestou – ou contesta – os resultados intercalares ameaçando denunciá-los e não aceitá-los por os mesmos estarem feridos de ilegalidades e de fraudes.

Como é habitual neste partido, mesmo ameaçando, como parece que terá acontecido, pôr o País a
ferro e fogo, ao ponto dos observadores estrangeiros, nomeadamente da União Europeia e da SADC dizerem que é aconselhável mais moderação na linguagem, principalmente quando proferida por um líder, ainda por cima da oposição

Ou seja, diplomaticamente, os observadores estão a aceitar que nem tudo decorreu tão bem como propalaram logo.

Entretanto, o Observatório Eleitoral moçambicano decidiu
reunir-se à porta fechada com Afonso Dhlakama. Assim como assim e pelo sim, pelo não, a Polícia moçambicana já irá a caminho das antigas bases da RENAMO em Nampula…

Se fosse só a RENAMO já diríamos, como habitualmente… E para alicerçar as suas habituais queixas e desconfianças apresentou
boletins de voto – em tudo iguais aos oficiais, numerados e verificados – já previamente assinalados que o STAE diz desconhecer.

Mas quando lemos no portal noticioso moçambicano, Canal de Moçambique, uma acusação tão forte como “Fraude filmada em Escola Primária na Beira” denunciada por alguém próximo do MDM e cuja transmissão do vídeo parece ter sido vetada pela TV Miramar embora tenha passado na TIM, uma televisão independente. Nas denúncias subsequentes o MDM acusa o presidente da mesa de ter recusado aceitar o protesto do seu delegado.

Mas houve também, segundo aquele portal denúncia forte fraude no distrito de Búzi onde cerca de 11000 (onze mil!!!) votos terão sido anulados e que os recursos apresentados pelas partes denunciadoras não foram aceites pelos membros das respectivas mesas.

Vamos aguardar que a CNE divulgue, definitivamente, os resultados e que as denúncias apontadas, mesmo que não passem só de uma “dor de corno” sejam totalmente analisadas e bem escrutinadas pela CNE e pelo PGR moçambicano. A bem da transparência e para não ferir o
Prémio Mo Ibrahim de Boa Governação, conquistado por Joaquim Chissano, em 2007… (de notar que em 2009 não houve vencedores…)
.
Reproduzido, posteriormente, no portal Zwela Angola, na coluna "Malambas de Kamutangre", em 6/Nov./2009

Sporting, sai PB e entra BP?

(Paulo Bento versus Bernardino Pedroto?)
Depois das palavras que este treinador, já por 5 vezes um campeão nacional, recentemente proferiu e depois da demissão, hoje, deste treinador, não me admiraria nada que o primeiro viesse a substituir o segundo…

Acreditem que não é boca reaccionária de benfiquista mas saber somar dois mais dois, até porque um campeonato ainda vai no primeiro terço e o outro já acabou…

E, depois, haverá mais treinadores acessíveis para quem está
tecnicamente falido?

04 novembro 2009

Mais do mesmo…

(Baía do Lobito vista da Restinga, Lobito; foto ©Elcalmeida, Maio 2009)

Como gostaria de estar hoje aqui, sentindo o doce sopro da maresia, acompanhado de um bom livro ou de uma boa conversa com amigos e com aqueles que me são mais próximos.

Talvez, para o ano, quem sabe, ou, provavelmente… mais do mesmo…

01 novembro 2009

Eduardo dos Santos estará a preparar a reforma?

(A “Casa Amarela”, segundo Semanário Angolense)

"De acordo com a edição online do Semanário Angolense (edição 340, de 31 de Outubro), o senhor José Eduardo dos Santos, engenheiro de petróleos, de formação, e Presidente da República de Angola, de profissão, estará, ultimamente, a usufruir mais vezes – pelo menos quase todos os fins-de-semana – da sua mansão, que terá mandado construir no distinto e selectivo Bairro do Miramar, reconhecida pela “Casa Amarela”.

Nada mais normal quando um presidente está em fase final de mandato e prevê poder não continuar. Normal num país onde os limites de mandatos são rigorosamente levados à risca como determina a Constituição, ainda vigente, ainda que esteja em revisão.

Só que Eduardo dos Santos não está num País normal no que toca às legitimidades Constitucionais.

Quando num País existe uma Constituição que afirma que o Chefe de Governo é o Primeiro-Ministro e um Tribunal determina que, tal como defende o Presidente, o Chefe de Governo é o Presidente e não aquele, não é – não pode ser – um País normal.

Mas, tal como tudo, e na política tal como no futebol o que é verdade agora é uma clara mentira daqui a bocado.

Por isso, considero perfeitamente normal que Eduardo dos Santos comece a pensar na reforma e gozar dos prazeres que uma vivenda, no Miramar, onde por certo, terá uma das mais magníficas vistas sobre a baía e sobre a Ilha, lhe poderá ofertar além de, provavelmente, sentir à sua volta os seus netos com quem gostará de brincar e de quem, por certo, não obterá as ignóbeis subserviências que alguns projectam na esperança de estarem sempre nas boas graças do Presidente.

As crianças podem se malandrecas e oportunistas, mas são-o puras e aliam-no, à bondade, à inocência e à sua proverbial frontalidade crua da verdade. Para eles não há cinzento ou marfim. O branco é branco e o preto é preto!

Mas só o facto de Eduardo dos Santos estar a utilizar com muita acuidade a sua Casa Amarela leva a que a Comunicação social faça disso notícia, sem, todavia, especular.

Para isso existe essa classe absurda e mortal chamada de os especialistas em política, também chamados de analistas políticos. (...)
" (continuar a ler aqui ou aqui)
Publicado na secção "Colunistas" do , de hoje.