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10 outubro 2015

A Crise humanitária no al-Bahr al-al-Abyad Mutawassiṭ, a quem imputar culpas? - artigo

"Desde há umas épocas que o al-Bahr al-al-Abyad Mutawassiṭ (nome árabe do Mar Mediterrâneo, cuja tradução literal é Mar Branco do meio ou Mar Interior) é o palco de imagens e meio de fugas marítimas de migrantes e refugiados para o continente europeu visando procurar melhores condições de vida ou salvação das suas vidas em zonas de risco económico e, ou, militar.

Quantas vezes não assistimos a imagens televisivas de magrebinos e africanos das zonas entre o Sahel e centro-africano tentarem fugir para as possessões espanholas em Marrocos, Ceuta e Melila, procurando passar por cima de muros e vedações que circulam aquelas cidades hispano-marroquinas e, através delas, chegarem ao, aquilo que para ele é, o El Dourado económico, social e, pelo menos, isento de conflitos armados.

Só que as situações pontuais que se verificavam foram substancialmente alteradas.

Primeiro na Líbia, aproveitando a onda da Primavera Árabe, devido a intervenção armada para derrubar o ditador – assuma-se o título que lhe pertencia claramente – Muammar Kadhafi (ou Khadafi, ou al-Gaddafi). Um ditador que “sustentou” alguns políticos e líderes europeus (Blair ou Sarkozy, só como exemplos). Interessante; e o resultado está à vista.

Depois de uma periclitante estabilidade política e militar pós-intervenção o país – considerado por muitos como um exemplo de estabilidade social (ainda que manufacturada e dominada pela cúria kadhafiana) – entrou numa espiral político-militar cujas consequências estão à vista de todos os que a provocaram.

Sabe-se, hoje, que a Europa pagava a Kadhafi para manter no seu país muitos dos migrantes que tentavam aceder ao Continente Europeu. Recordemos a quantidade de africanos que regressatam a alguns dos seus países bem armados e de onde emergiram grupos extremistas e jihadistas bem armados cujas actividades continuam bem evidentes: Boko Haram (Nigéria, Camarões e Chade), Al Qaeda no Magrebe Islâmico – apesar de ter sido criado em 1998, inicialmente sob o nome de Grupo Salafista para Pregação e Combate, recrudesceu com a queda do ditador líbio –, Ansar al-Sharia (Líbia e Tunísia), ou o Ansar Dine (Mali). (...)" (continuar a ler aqui)

Publicado no semanário Novo Jornal, edição 401, de 9-Out.-2015, página 20 (1º Caderno)

16 outubro 2009

A quem interessou a crise dos “expulsados”?

Angola, Congo e República Democrática do Congo uma triangulação que pode ser petroliferamente explosiva (in: N. Lusófonas)

"Nestes últimos dias assistimos a uma pequena batalha de, ora expulso eu, ora expulsas tu, entre Angola e a República Democrática do Congo (RDC), de início, e também da parte da República do Congo, mais recentemente.

Ou seja, Angola expulsava congoleses, na maioria ilegais e garimpeiros, e a RDC respondia com a expulsão de angolanos, a maioria a viverem no Congo há muitos anos e, a maior parte deles, em situação legal.

Não está aqui em causa a legitimidade dos Países em expulsarem estrangeiros quando as condições a isso o levam, mesmo que isso tenha por detrás, e não poucas vezes, razões extra-políticas e, principalmente, atropelos aos Direitos Humanos.

Sabe-se, ou disso foi feito anúncio público que tudo terá começado com a expulsão de muitos congoleses que faziam vida ilegal em Cabinda, onde, se alguns faziam o trajecto diário entre a fronteira e a Cidade diariamente – Cabinda dista da fronteira congolesa cerca de 20 a 25 km e há transportes diários e contínuos – outros assentaram a vida na capital provincial mais a norte do País, de forma permanente e ilegal onde faziam transacções comerciais em competição com os legais e os próprios cabindenses.

Mas também é domínio público que muitos dos congoleses estavam ilegais em zonas diamantíferas – onde o monopólio de certos senhores da nomenklatura predomina – sem cumprirem com os deveres tributários da exploração e delapidando um bem natural público e, principalmente, muito, mas muito, proveitoso para ajudar certas entidades a comprar quintas, bancos e outros bens em zonas fora de Angola, o que, no mínimo, era inaceitável.

Alia-se a esta absurda situação de múltiplas expulsões, o facto de uma pessoa além de ser expulsa de um País onde, não poucas vezes, tem uma vida social estável ou estabilizada e se vir perante o facto de estar confinar a um campo de refugiados sem as condições, muitas vezes, infelizmente, mínimas de sobrevivência tornam a vida de um refugiado preocupante, se vê ainda confrontado com a dúvida, apesar de tudo, legítima, de o questionarem se de facto é ou não angolano, esquecendo-se o seu inquiridor que muitos fugiram do País sem documentos válidos devido a uma confrontação fratricida que grassava em Angola, aliado ao facto de, entre os “expulsos” se encontrarem congoleses que procuram uma nova nacionalidade e uma fuga aos caos social da RDC.

Ora isso provoca problemas psicológicos e muito traumáticos entre os “expulsos” qualquer que seja a sua efectiva nacionalidade. Todos passam a ser vistos pela mesma linha de pensamento, ou seja, todos acabam por ser vistos como intrusos que terão de provar a sua efectiva nacionalidade perante factos pouco edificantes e perante amigos que, naturalmente, não se sabe se também eles não estarão a fazer o jogo do “coitadinho”, ou seja, se serão mesmo angolanos.

Um problema dos países que ainda não dispõem de condições viáveis para que todos os seus cidadãos sejam devidamente enquadrados. Um problema por que passam todos os países onde a palavra “refugiado” é tão comum como a fome ou a miséria.

Se de início esta troca de expulsões era só entre Angola e RDC, acabou por se estender, e por vontade de Brazzaville, à República do Congo.

E aqui se levanta a questão que, muito pertinentemente, alguns analistas já afloraram mas que parecem ter receio de o expor publicamente. A quem, realmente, interessa este caso de múltiplas e paritárias expulsões? (...)
" (continuar a ler aqui ou aqui)
Publicado como "Manchete" do sob o sugestivo título de "A quem interessa uma crise com epicentro em Cabinda?" e retranscrita no portal Angola Digital, sob o título acima, de onde foi retirada a foto para este apontamento, e no Correio Digital

18 junho 2008

Que “Directiva de Retorno”?

(Euro-fortaleza ou a muralha da vergonha? enquanto uns são criticados, e bem, por as construir, outros são mais subtis, fazem-nas virtualmente…)

O Parlamento Europeu que, supostamente, é o garante das normas solidárias e das garantias pessoais dos “habitantes” euro-comunitários aprovou uma proposta da Comissão – na primeira co-decisão entre duas entidades comunitárias – que visa a harmonização a nível comunitário as regras para repatriamento de imigrantes ilegais – dever-se-ia dizer, mais correctamente, irregulares.
A nova lei, que se pensa irá entrar em vigor em 2010, foi aprovada com os votos favoráveis de 369 eurodeputados, votando contra 197, abstiveram-se 106.
Esta directiva, entre outras disposições, prevê o estabelecimento de um prazo máximo durante o qual os imigrantes ilegais podem ficar detidos, que será de seis meses, podendo, todavia e em casos excepcionais, ser ampliado para 18 meses.
Uma directiva que alguns sectores dizem ter sido criada para evitar utilização excessiva de fundos comunitários com os tais ilegais, muito defendida pela Itália e pela Espanha, dois dos principais países que mais têm sido visados com o fluxo de migrações clandestinas.
Ora, a confirmar-se, como vão manter os custos com a detenção durante 18 meses?
Será que esses detidos administrativos poderão ser utilizados, durante esse período, como mão-de-obra barata para obras de grande envergadura?
Se assim for, isso tem um nome…
E viva a Fortaleza Europeia!

03 abril 2008

Emigração clandestina africana, quem a quer?

(imigração ilegal detectada aao largo de Cabo Verde; daqui)

"De acordo com o jornal espanhol El Mundo, um portal senegalês (Le Sénégal de Senegalaisement), reconhecido pelo incentivo que faz à emigração clandestina para a Europa, afirma que Espanha é o melhor destino para a emigração senegalesa pelo menos nos próximos 4 anos em Governo socialista porque, segundo aquele portal citado pelo periódico espanhol, o primeiro-ministro Zapatero, recém reeleito, “facilite mucho la obtención de permisos de residencia a los senegaleses”.
Ainda de acordo com o El Mundo o portal senegalês explica como poderão chegar às Ilhas Canárias e, daí, entrar em Espanha onde, pela sua situação na União Europeia, os senegaleses – e por extensão todos os africanos que partem do Senegal – poderão circular livremente no espaço europeu.
Quando se procura que a emigração clandestina seja reprimida, não como forma de evitar a entrada de africanos na União Europeia e forçar as muralhas da “Fortaleza Europeia”, mas como meio de impedir que pessoas sem escrúpulos se aproveitem das deficientes condições humanas que a maioria dos africanos (sobre)vivem no Continente, quando se procura evitar os inúmeros acidentes mortais com os periclitantes barcos ou dongos – cayucos – onde os candidatos a emigrantes se fazem transportar não se entende que um portal incentive os senegaleses – e por extensão os africanos dos países vizinhos – a emigrarem clandestinamente e, mais grave ainda, com o conhecimento das autoridades espanholas.
Mas de acordo com o portal senegalês não é só a Espanha o único país europeu atractivo para a emigração clandestina. Também França, Bélgica e Itália – este devido às suas inúmeras praias turísticas e ao muito sol onde se podem vender facilmente sucedâneos (leia-se falsificações) de uma reconhecida marca de óculos “aviadores” – são países interessantes para se emigrar. (...)
" (pode continuar a ler aqui)
Publicado no santomense , edição 158, de 29 de Março de 2008.

12 março 2008

Portal senegalês inventiva emigração clandestina

(embarcação “cayuco” com clandestinos chegando a Tenerife, Canárias; imagem Reuters/El Pais)

De acordo com o jornal espanhol El Mundo, um portal senegalês, reconhecido pelo incentivo que faz à emigração clandestina para a Europa, afirma que Espanha é o melhor destino para a emigração senegalesa pelo menos nos próximos 4 anos em Governo socialista porque, segundo aquele portal citado pelo periódico espanhol, Zapatero “facilite mucho la obtención de permisos de residencia a los senegaleses”.
Ainda de acordo com o El Mundo o portal senegalês explica como poderão chegar às Ilhas Canárias e, daí, entrar em Espanha onde, pela sua situação na União Europeia, os senegaleses – e por extensão todos os africanos que partem do Senegal – poderão circular livremente no espaço europeu.
Como há grandes empreendimentos a decorrer, é natural que se precise de mão-de-obra menos qualificada – leia-se mão-de-obra barata para fazer o que os gentios não o querem fazer –, logo, há que receber os clandestinos.
Ainda bem que a hipocrisia ainda não mata…
Talvez assim, Portugal possa, e pela mesma dupla razão – imunidade à hipocrisia e a construção do TGV, Aeroporto de Lisboa, auto-estradas, etc. –, começar a colocar menos entraves na entrada de imigrantes palopianos – que raramente são clandestinos – de uma organização linguística de que faz parte e que o seu presidente ainda recentemente considerou de se implementar para bem de todos os países que dela fazem parte. Cavaco Silva, referia-se à CPLP que, parece pensar ainda existir. Só se for no Brasil, onde ainda parece haver objectivos e ideias…

30 março 2007

Não aparo idiotices!!

(nestas alturas já não se importam que hajam imigrantes…)

Antes que me voltem a questionar ou a pedir a minha opinião, informo que não aparo idiotices, nem profiro comentários sobre quem quer, unicamente, publicidade barata e desenvolvida como eles próprios já o terão confessado.
Se não falassem e publicitassem tanto, não talvez não houvessem Le Pen’s e imitações semelhantes por alguns países, nem haveriam problemas como os que se verificam, ultimamente e em pré-eleições – já não é novo –, em terras francesas!
… E não aproveitem para me virem dizer que é um efeito “Salazar”!

18 março 2007

Em Sacavém vivem…

… descendentes de africanos, ciganos e naturais!
(parte mais substantiva de uma reportagem de uma repórter da RTP1, no noticiário das 13,00, hoje sobre acontecimentos ocorridos em Sacavém, arredores de Lisboa).
Sem comentários!!!

27 setembro 2006

A Europa, África e a imigração: artigo de opinião

Centenas de seres humanos (e digo centenas esperando que não sejam na realidade milhares) morrem afogados nas águas do Atlântico sem que nada possa evitá-lo... E interrogo-me, pergunto a todos, ao governo espanhol, à Europa efectivamente nada pode evitá-lo?”, assim questionou, há uns dias, Adán Martín, presidente do Governo da região autónoma das Canárias.
É assim que a Europa quer manter a sua “Fortaleza” incólume, pura e virginal qual noiva em vésperas da boda celestial?
Como se sabe a Europa, particularmente as Canárias – que vê quase diariamente batidos todos os máximos de clandestino a aportarem às suas costas – os enclaves espanhóis de Ceuta e Melilla e a costa sul espanhola, as ilhas italianas e, mais recentemente, Malta e Chipre, têm sido assoladas por hordas de clandestinos que desejam, quase a qualquer custo, fugir às deficientes e sub-humanas condições que têm nos seus países de origem, a maioria de África, para aquilo que consideram como o novo “el dourado”; uma nova vida...
"
Com o título "A Europa e África face à imigração clandestina" parte do artigo de opinião publicado no Correio da Semana (STP) na edição nº 82, de 16 de Setembro de 2006, página 7.

20 maio 2006

Portugal é do Terceiro Mundo?

(foto de satélite daqui; realmente só com riscos - têm de aumentar a imagem para os ver - se separa Portugal de Espanha, porque da França os Pirinéus mostram a separação)

"A Espanha lançou uma ofensiva diplomática contra a imigração ilegal. Confrontado com uma vaga de clandestinos desde o início do ano, que ameaça bater todos os recordes, o executivo de Madrid tenta resolver o problema na origem…
Maria Teresa Fernandez de la Vega, vice-presidente do governo, explica que a Espanha "é um país do Primeiro Mundo que faz fronteira com o Terceiro Mundo. A escassas milhas encontra-se o continente mais empobrecido, o mais esquecido e o menos atendido
"(in: Notícias Lusófonas)

Tudo isto porque a Espanha quer conter a imigração clandestina tendo, inclusive, arrendado um satélite para controlar as migrações clandestinas.
Até aqui tudo natural num país que deseja salvaguardar as suas fronteiras políticas.
O que já não se entende bem são algumas das palavras da vice-presidente do Governo de Zapatero que a Espanha é um “país do Primeiro Mundo que faz fronteira com o Terceiro Mundo”. Se bem entendo Portugal e França serão países do Terceiro Mundo já que são eles que têm fronteiras com a Espanha. As Canárias, são ilhas e Ceuta e Mellila são enclaves num país, Marrocos, que até tem relações privilegiadas com a União Europeia.
Querem ver que deverá ser só a França.
É que me esquecia que Portugal faz parte do iberismo… embora Portugal esteja dentro do “mais empobrecido e menos atendido…

12 maio 2006

De novo a imbecilidade

Dois partidos portugueses, ditos nacionalistas, vão levar a efeito uma manifestação contra a presença de 50 famílias imigrantes brasileiras em Vila do Rei (Portugal) que se fixaram ao abrigo de um acordo entre esta autarquia e autoridades brasileiras para o repovoamento da localidade.
Provavelmente, o medo daquelas organizações deve estar no facto dos brasileiros que migraram para Portugal serem intelectual e profissionalmente capazes e não grunhos como, por certo, gostariam que fossem.
Chegaram a Portugal para trabalhar e desenvolver o país de acolhimento e não para viverem do erário público ou dos paizinhos de bolsos cheios.

20 abril 2006

Cabo-verdianos vão ter legalização antecipada

Os cidadãos cabo-verdianos ilegais que se encontrem há mais de cinco anos a trabalhar em Portugal vão usufruir condições especiais de legalização.
O anúncio foi feito ontem pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Freitas do Amaral, no final de uma visita de três dias a Cabo Verde, marcada pela constituição de uma comissão conjunta para debater os problemas da comunidade cabo-verdiana em Portugal.
(…) Depois de revelar ter falado com José Sócrates ao telefone
[é!! não fosse abrir a boca antes do tempo como no caso dos cartunes], o ministro afirmou, citado pela Lusa "Estou em condições de anunciar que (…) dentro de duas a três semanas (…haverá) uma nova legislação para a imigração (...)” (in: Jornal de Notícias)
Não está em causa os legítimos anseios dos imigrantes cabo-verdianos em quererem ser legalizados quando estão a contribuir para o desenvolvimento do país que os acolhe e que, não poucas vezes, lhe é padrasto.
O que se questiona por que é que os outros não são igualmente contemplados e têm de esperar pela nova Lei da Nacionalidade? E como poderão os imigrantes provar que estão há cinco anos a trabalhar em Portugal se, em teoria, não estarão devidamente documentados porque, por certo, as entidades patronais, para não fugir às leis do seu País, não terão feito participação dessa qualidade – trabalhador – às competentes autoridades sociais.
Ora se não podem provar que trabalharam… como poderão solicitar a sua legalização? Ou irão, também, “legalizar” a prevaricação patronal?
.
imagem dos trabalhadores migrantes retirada daqui

07 abril 2006

Imigrantes expulsos de Portugal

© Trabalhadores-migrantes; enquanto úteis…

Muito se tem falado em expulsão de imigrantes…
Só durante o ano de 2005, e de acordo com dados do SEF citados no DN, Portugal terá expulso 784 imigrantes ilegais; mais 270 imigrantes que o ano anterior, representando um aumento de 53% nas expulsões. A maioria dos expulsos é de nacionalidade brasileira, alguns já há uns anos a residir em Portugal e que estavam a atentar obter a sua regularização ao abrigo do “Acordo Lula” mas que, até ao momento, o não conseguiram, na maioria dos casos por dificuldades em obtenção de acordos de trabalho válido junto de empregadores nacionais.
Pois é!! tantas “lágrimas e ranho” por imigrantes portugueses expulsos do Canadá – e que, segundo uma frase dada como sendo de António Vitorino, terá uma legislação menos restritiva que a Europeia – enquanto em Portugal se vai expulsando pessoas sem que esses “fazedores de lágrimas” nada digam.
Há que seguir as normas e fazer como diz o adágio popular: faz o que ele diz [aqui está o legislador português], não o que ele faz [os “biltres” dos canadianos].

31 março 2006

Repatriamento de emigrantes

© “emigração italiana para o Brasil”

Sobre um dos assuntos de momento em Portugal, o repatriamento – leia-se expulsão – de emigrantes portugueses – leia-se clandestinos – no Canadá, um excelente, quanto pertinente, apontamento de Jorge Neto, no Africanidades, de que respigo este trecho:

No entanto, importa lembrar que o que se passa com portugueses, no Canadá, que os média tão intensamente entrevistam no aeroporto de Lisboa, acontece no mesmo aeroporto, mas em sentido inverso ou seja, imigrantes que são expulsos de Portugal. A diferença é que os que chegam são "nossos irmãos" e os que partem são "pretos", e estes não interessam aos portugueses nem à comunicação social lusa.
Não me admira que nos próximos dias, todos os deportados portugueses que cheguem vindos dos mais estranhos países do mundo (todos os dias regressam emigrantes deportados!), sejam entrevistados no tapete das bagagens do aeroporto, de maneira a que a comunicação social mostre a sua humanidade e preocupação para com os "excluídos". Não me admira também que ninguém fale nos imigrantes que todos os dias Portugal reenvia para África, de volta à miséria da qual fugiram. A diferença entre um emigrante português que regressa e um imigrante africano que é expulso, é que o primeiro encontra (nesse regresso) um país com oportunidades, paz, estabilidade; o segundo, encontrará um país sem oportunidades, governado por políticos corruptos, sem paz nem estabilidade.


Podem ler este apontamento, na íntegra, no Africanidades, sob o título “Calem a boca”.

16 fevereiro 2006

Portugal e a nova lei da Nacionalidade

© foto Paulete Matos, retirado daqui
A Assembleia da República portuguesa irá, por certo, aprovar hoje a nova lei da Nacionalidade portuguesa que, entre outras coisas, concede a nacionalidade a netos de imigrantes nascidos no estrangeiro, mas desde que os seus ascendentes não a tenham perdido, entretanto.
Mas o mais importante estará na nova forma de concessão da naturalidade aos filhos de emigrantes. Segundo a nova lei, os filhos de emigrantes nascidos em Portugal, pertencentes à terceira geração e desde que um dos progenitores já tenham nascido também em Portugal, acedem automaticamente à nacionalidade portuguesa; por sua vez, os nascidos em Portugal, da segunda geração, filhos de emigrantes e que estes estejam a residir em Portugal há, pelo menos, 5 anos, têm também direito à nacionalidade portuguesa.
Mas a nova lei não fica por aqui. Também as crianças, filhas de emigrantes, que tenham concluído o Ensino básico em Portugal, podem requerer a nacionalidade portuguesa.
Ou seja, o direito à nacionalidade continua a não ser um bem adquirido pela nascença mas só, e tão só, quando as autoridades o assim desejarem conceder.
Até lá, muitas crianças nascidas em Portugal e que, por motivos políticos ou sociais, não foram registadas nos consulados ou embaixadas dos países de origem paternal – alguns países não têm, em Portugal, nem embaixadas nem consulados e alguns pais não estão em situação legal devido a pormenores de somenos – poderão continuar a ser apátridas.
Alguém entende isto?!
E, já agora, interessante a sondagem que está a decorrer no sapo.pt sobre a nova nacionalidade portuguesa: a maioria absoluta afirma desconhecer o teor da mesma.

09 janeiro 2006

A RTP África fez oito anos…

… no passado dia 7 de Janeiro. Até aqui nada de especial salvo dar-lhe os parabéns atrasados.
Mas, não seria altura de dar, definitivamente, o salto e começar a deixar de colocar certo lixo como alguns programas que nos oferece, nomeadamente um da SIC, que em Portugal, não me recordo de ter assim tanta audiência para que obriguem os africanos a se embrutecerem com ele; provavelmente será algum castigo. Lembrava-me do “Não há Pai”; ou a repetição das intermináveis e antiquíssimas novelas – diga-se em abono da verdade, algumas com evidente qualidade – da TVI e da RTP.
Não será altura da programação da RTP África dar, realmente, o salto, oferecendo à Diáspora aquilo que as generalistas não dão. Como, por exemplo, retransmissão dos principais noticiários das Televisões dos PALOP (retransmitir todos os noticiários portugueses que, em regra, de África nada ou quase nada dão e só meia-hora diária de Repórter, é obra), de actividades desportivas – de preferência com directos –, programas culturais dos PALOP (o Bom Dia Portugal, a Praça da Alegria ou o Portugal no Coração, em directo e repetições, são para a RTPi e não para África), ou informações mais pormenorizadas dos respectivos países e, ou, do Continente – a Áfric@Global é muito pouco.
Ficamos à espera (eternamente).

05 dezembro 2005

Carta de um emigrante angolano nos States

Recebi, via correio electrónico, uma interessante mensagem sob a forma de epístola de um emigrante angolano na Florida, EUA, para um seu irmão residente em Luanda.
Apesar de, em algumas partes, não concordar com partes do conteúdo, não posso – nem quero – deixar de aqui colocar esta interessante carta tanto pela ironia da mesma como pela tentativa de pedagogia e crítica social que a referida encerra.
Aí fica ela. Leiam, divirtam-se e, se possível, ponderem. Até porque esta carta poderia ser de um outro qualquer emigrante, africano seja de outro continente, num qualquer outro país de acolhimento teoricamente mais avançado.

CARTA DE UM EMIGRANTE ANGOLANO NA FLORIDA/EUA, PARA O SEU IRMÃO EM LUANDA

Mano Jossias, como se vê, "as árvores não te deixam ver a floresta".
Como podes clamar-te pobre, e pedires o meu apoio para a compra da casa, quando és capaz de pagar por uma cerveja quase 1 dólar, mais do dobro do que pago eu, e na nossa terra o consumo per-capita de cerveja é o dobro daqui.
Quando te dás ao luxo de pagar tarifas de telefone fixo ou celular, cerca do dobro do que me custam a mim, e ainda por cima permites que essas mesmas tarifas sejam aumentadas sem sequer te avisarem?
Ou quando tu compras uma viatura por US$ 25.000,00, que a mim não me custa mais do que US$ 12.000,00, completa de extras que me permitem viajar a todo o lado em segurança e conforto. Repara bem que só pelos extras que uma viatura vendida aqui tem de série, tu pagas aí mais do que eu compro aqui a viatura toda.
EU NÃO TE ENTENDO!!!
E a gasolina. Sabes quanto pago por litro. US$ 0,36. Quanto pagas tu? Mais de US$ 0,50. AINDA VIAJAS, MANO?
Quando tu queres comprar casa quanto te custa? Falaste em US$ 120.000. E se fores ao Banco pedir financiamento, pagas 10 casas iguais em 15 anos, ao juro anual de 45%. Sabes quanto me custa a mim? Menos de USD 25.000. E posso pagar nos mesmos 15 anos a juros inferiores a 3%.
ÉS UM HOMEM RICO, IRMÃO!!!
Pobres somos nós, os emigrantes que vivemos na Florida, já que o Governo do Estado, tendo em conta a nossa situação financeira, que é precária, nos cobra somente 2,5% de imposto (há outro de 4% que é Federal), o que totaliza 6,5% de impostos ao consumidor final (IVA), e não 17% que pagas, aí, de IVA, por exemplo pela água e pela farinha.
Sabes quanto pago de seguro saúde familiar e reforma? 10% anual do meu salário. Quanto pagas tu de segurança social? 7%. E Imposto de Rendimento? Mais 10%. A diferença até não é grande. Mas sabes que ainda o ano passado a Tina teve os gémeos num hospital que mais parecia um hotel e quanto paguei? ZERO.
Quanto te custa a ti um parto numa qualquer clínica? Mais de US$ 1.500. A alternativa é aquele pardieiro a que chamam hospital que depois de pagares mais de US$ 250 num quarto "especial" por um parto mal assistido, com alimentação à tua conta e 5 dias de internamento, ainda te mandam embora com a mulher e o filho cheios de malária ou outras infecções.
E a tua reforma? Já fizeste os planos de como vais viver quando te reformares e receberes mensalmente menos de US$ 40? Como morreu o Papá, depois de 6 anos à espera de uma reforma que nunca chegou e que acabou por matá-lo? E os quase 40 anos de trabalho dele nos CFB, contaram para quê?
Sabes quanto recebo eu, de cada vez que por doença justificada tenho de faltar ao trabalho. US$ 150 por dia. E daqui a 15 anos quando me reformar? Mais de US$ 5.000 mensais até morrer ou então a totalidade dos meus descontos ao longo da vida, acrescidos de 100%, de uma única vez.
Então de que servem os teus descontos, mano?
ÉS DECERTO MUITO RICO PARA ESBANJARES DINHEIRO ASSIM!!!
Um País que quase não tem indústria, como é capaz de cobrar ás empresas uma contribuição industrial de 35%, como aí na nossa terra, e, ainda por cima, querem que pague adiantado. De facto, só sendo ricos é que se justificaria pagar um imposto desse calibre.
Necessariamente, têm que nadar em abundância, aí em Angola. És pobre porque ganhas US$ 200 por mês. Pobres somos nós que não pagamos tantos impostos e ganhamos US$ 3.000,00. Somos tão pobres, aqui nos EUA, que as escolas públicas emprestam os livros de estudo aos nossos filhos, prevendo que não tenhamos com que comprá-los, enquanto tu gastas por ano nos mesmos livros, dos 3 miúdos, mais que o teu salário de um mês inteiro.
Às vezes, fico, até, com inveja, pensando que, quando em Angola se pede um empréstimo, os bancos são capazes de cobrar mais de 45% de juro, ao ano.
PAGAR ISSO É SER RICO!!!
Não como aqui que chegamos a pagar menos de 4% de juro ao ano, justamente porque não estamos em condições de pagar mais do que isso.
Tu aí em Luanda, de cada vez que te queres deslocar ao Sumbe, pagas de transporte ida e volta mais de US$ 30, arriscas a vida em carros que mal servem para transportar gado, enquanto eu, porque sou emigrante pobre, por cerca de US$ 10 mês, tenho direito a um título que me permite deslocar dentro do Estado da Florida para qualquer local, sem pagar mais um cêntimo, e na maior das comodidades.
Aí, pagas US$ 20,00 a US$ 25 por uma refeição, num restaurante qualquer com direito a vinho, mesa e toalha, enquanto que eu não pago mais de US$10,00 e o vinho vem do mesmo local de onde vem o teu.
E na maioria das vezes nem direito tens de reclamar quando a comida te provoca desarranjo intestinal, enquanto eu nesse caso, imediatamente pediria uma indemnização ao restaurante que chegava a para viver o resto da vida sem problemas. E rapidamente a questão seria resolvida.
Por uma noite num hotel, aí pagas de US$ 80,00 a US$ 150,00, enquanto que, aqui, não pago mais de US$ 50.00. E sou tratado como um igual, enquanto tu, porque és negro, és quase empurrado porta fora, e na tua terra.
Por último, parece que mais de 80% da população activa, aí na nossa terra, está desempregada, enquanto que, aqui, só 4% estão na mesma situação.
Não te parece que, viver sem trabalhar, é um luxo que só os ricos podem ter? E, nesse caso, não haveria em Angola 30 vezes mais ricos do que aqui?
Faz as contas, mano.
Quem é rico e quem é pobre? Se conseguires responder-me a isto de forma convincente, falarei à Tina na possibilidade de te ajudar, apesar de sinceramente me parecer que não precisas.
Um grande abraço do mano Jeremias

02 dezembro 2005

Muro de Berlim!!! Volta, estás perdoado!!!

O próximo, foi respigado do jornal brasileiro GloboOnline.
O México combaterá as propostas de erguer um muro na fronteira do país com os Estados Unidos, disse nesta quinta-feira o ministro das Relações Exteriores mexicano, Luis Ernesto Derbez.
Preocupados com o grande número de imigrantes ilegais que atravessam a fronteira e com a possibilidade de que essas passagens sejam usadas por terroristas, muitos membros do Congresso americano defendem a construção ali de uma barreira semelhante ao Muro de Berlim.

Tudo porque, e na sequência das palavras do iluminado presidente George W. Bush que prometeu ir “intensificar o uso de aviões-robôs, cercas e outras tecnologias para aumentar o controle sobre a fronteira”, o deputado republicano Duncan Hunter propôs “erguer duas cercas paralelas, de aço e com arame farpado, entre o Golfo do México e a costa do Oceano Pacífico”.
Comparada com esta muralha quer a da China, quer a israelita, são meras caricaturas.
Volta Muro de Berlim!!! Estás perdoado.
Aqui fica sem mais comentários

16 novembro 2005

Dia Nacional da Tolerância

Em Portugal assinala-se hoje o Dia Nacional da Tolerância.
Vários eventos vão ocorrer no âmbito do alto-comissariado para as minorias étnicas e imigração.
Mas será que a tolerância se circunscreve a estes dois sensíveis sectores da sociedade portuguesa?

05 novembro 2005

Que se passa em França?

© Foto retirada da SicOnline
Será que alguém consegue explicar, cabal e eficazmente, o que realmente se passa em Paris, primeiro, e nas restantes cidades francesas, actualmente.
Não me parece que dois jovens electrocutados sejam razão suficiente para os distúrbios e autênticos actos de vandalismo que grassam em França.
Também não me parece razão bastante que estes desmandos possam e devam ser motivo para as autoridades começarem já a rotular de terrorismo urbano e alguns certas comunidades sejam acusadas de terem e de estarem por detrás destes actos totalmente gratuitos.
Cerca de 2300 carros destruídos, 500 detidos, uma biblioteca municipal e um ginásio incendiados são razão sim para seja analisada e repensada a forma como as comunidades são inseridas nos diferentes contextos locais.
Por vezes é mais fácil criar e ler rótulos que analisar os conteúdos. E se os assuntos são de raiz afro-magrebina e asiática, então a rotulagem é maior. E aí em vez de diluirmos o perigo, aumentamo-lo.
E marchas silenciosas por muito meritórias que sejam não parecem ser suficientes.

07 outubro 2005

RTP África TRANSMITE o Ruanda-Angola

(c) foto de Conversas da Tanga

Acabou de o dizer o pivot da RTP José Rodrigues dos Santos. É às 15 horas.

Que a expressão de Mantorras seja igual à Força de Angola.
Força Palancas.