06 julho 2008

Há pequenos nadas que definem uma Democracia

A Lei Eleitoral é clara, embora, como qualquer lei, susceptível de ser melhorada ou complementada.
O escrutínio para as legislativas nacionais é efectuado num determinado e único dia proposto pelo Governo depois de ouvida a Comissão Nacional de Eleições e ratificada pelo senhor Presidente da República após audição do Conselho da República.
Por isso não se compreende que depois de tanto se ter falado nas eleições para um dos dias aventados pelo senhor Presidente da República, para o mês de Setembro, depois de alguns meses de especulação quanto à sua efectivação ou não e, finalmente, depois do senhor Presidente ter, enfim, indicado a data para o acto eleitoral que venha agora o MPLA propor que em vez de um dia, o 5 de Setembro, a votação seja efectuada em dois dias seguidos.
Isto é o mesmo que o Girabola ter começado com a indicação que a vitória vale 3 pontos, o empate, um ponto, e a derrota, zero pontos – como é normal –, e por interesses de alguém, a FAF decidisse que a vitória e a derrota valeriam os mesmos pontos mas o empate passaria a valer 2 pontos.
Haveria algum clube que aceitaria essa proposta com o campeonato a decorrer? É claro que não! A nova pontuação só poderia ser aceite a partir do novo campeonato e após a aceitação por uma maioria qualificada dos clubes representados na Federação (ou qualquer coisa parecida).
Por isso é incompreensível que o MPLA, apesar do seu líder parlamentar dizer o contrário, já que segundo este tudo não passava de uma vontade de membros do Conselho da República que nunca ninguém os ouviu confirmar, queira agora fazer valer a sua posição de partido dominante e impor uma nova regra para o acto eleitoral quando aquela já foi marcada, os partidos estão a registar-se legalmente e a campanha já está em marcha.
Isto é uma situação que deveria ter sido ponderada desde o momento que o senhor Presidente anunciou a intenção de marcar eleições até à marcação das mesmas.
É por isso que compreendo e sublinho a posição do senhor presidente da UNITA, Isaías Samakuva quando, na passada quinta-feira, em entrevista à Rádio Ecclésia, afirmou que terá dados orientações ao partido para que os seus deputados “não participarem na sessão da Assembleia Nacional que pretende emendar pela segunda vez a lei eleitoral, para dilatar a duração do pleito”.
Há actos na Democracia que são incontornáveis. E alterar as regras do jogo democrático quando este já está em execução ou em pleno acto eleitoral é sinónimo de autocracia, para não dizer, autoritarismo.
E também há o Tribunal Constitucional que, por certo, irá fazer ver ao MPLA que a Democracia é muito mais que a soma de vontades individuais ou partidárias!
Há que relembrar que os Angolanos não queremos em Angola nem um novo Quénia, nem, muito menos, um Zimbabué!

05 julho 2008

Angola, a pré-campanha já mexe bem…

Depois do MPLA ter feito divulgar a sua pré-lista nacional, talvez para tomar o pulso dos seus votantes quanto à qualidade, ou falta dela, da mesma; depois do avanço que os militantes e simpatizantes da Frente para a Democracia (FpD) que criaram um blogue de apoio a este partido “Cidadãos pela Frente 2008” – e reconheça-se, com bastante força e empenho –; eis que surge um blogue de apoio à UNITA, “Angola Vai Mudar” criado e gerido por militantes e simpatizantes que, tal como afirma na sua “linha quase editorial”, é um blogue de "Angola à Diáspora feito por um grupo de angolanos que aspiram ao sonho. Um sonho de liberdade, de democracia, de dignidade para o Povo Angolano e para o seu país, Angola" e que clama pela participação de todos aqueles que apoiam o Galo Negro ou querem a Mudança no grande País, que é Angola.

É a pré-campanha eleitoral a entrar na velocidade de cruzeiro com a esperança, não só da mudança, que todos almejamos, mas, acima de tudo, com a esperança que os partidos e as forças sociais, por um lado, e o povo, por outro, saibam compreender e respeitar as diferenças prevalecentes e naturalmente saudáveis.

Mais um dia grande para a Morabeza

Cabo Verde celebra o 33º aniversário como Estado independente, livre e mostrando que nem sempre a insularidade e a quase insalubridade provocada pela continuada falta de água são factores para não ser humanamente rico e desenvolvido.

Um país que vai mostrando que a democracia política e social está implantada e consolidada, claramente inserido nos problemas africanos sem, no entanto, dar mostras de qualquer dependência face aos poderes regionais e internacionais, alguns dos quais inoperantes e, ou, autocraticamente subservientes.

Prova-o a última intervenção político-internacional do seu primeiro-ministro José Maria Neves ao criticar frontal e incisivamente o regime de Mugabe e a inoperância da União Africana.

A terra crioula que há 33 anos exclamou “Lavanta braço no grita nos liberdadi” continua a lutar pela consolidação como Estado e como Democracia que deve ser claramente estudada por outros Estados africanos.

Efeitos rápido de um (des)Acordo Ortográfico?

Esta foi capeada do portal do Expresso Online (ver imagem acima do portal), considerado como um semanário de referência no espectro comunicacional português:

Exames Nacionais 2007/2008
Dados oficiais do Ministério de Educação
Este ano ouve menos chumbos a Matemática
Os resultados dos alunos nos exames nacionais melhoraram na disciplina de Matemática. A média das notas é de 12,5 valores.

Ainda bem que foi a Matemática; se fosse a Português seria… “menos xumbus” talvez…
Será que isto também é a culpa da subserviência portuguesa aos brasileiros ou aos africanos por um tão livre português?
Por onde andam os revisores de textos? será que ainda os há? ou a produção de conteúdos provoca saídas destas em série?
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NOTA: Registe-se e saúde-se a rectificação que o Expresso já efectuou!

04 julho 2008

Começam a aparecer as listas para as eleições angolanas

Começam a surgir os candidatos a deputados.
O MPLA (cujo Programa, a 4 de Julho, ainda não está disponível) foi um dos primeiros com, pasme-se, José Eduardo dos Santos, exacto, o Presidente (desde quando um Presidente em exercício e sem suspender a sua actividade pode ser candidato a deputado?) a liderar a lista nacional que inclui, entre outros, dois familiares próximas da casa presidencial, nas posições 22 e 93. Inclui também personalidades do mundo da cultura, do futebol, e um régulo, o rei Katyopololo Ekuikui IV, do Bailundo.
Se estes são alguns dos nomes sonantes, outros há que estão, parece, esquecidos ou, então, foram colocados a nível provincial e ainda não estão disponibilizados
Mas o mais interessante candidato a efectivo é o que está na posição nº 128, denominado como… “Substituir por alguém do Comité 4 de Fevereiro”!!! Um candidato muito interessante...
Mas quem quiser conhecer os candidatos todos, efectivos e suplentes pode aceder aqui.
Registe-se que, ao contrário da maioria dos outros partidos, o MPLA não sulfragou os seus candidatos junto das províncias, tendo, pelo contrário, todos sido nomeados pelo Comité Central.
Aguardemos que os outros partidos angolanos, já inscritos na CNE ou em vias de serem legalizados junto do Tribunal Constitucional, nos disponibilizem as suas listas para podermos analisá-las.

E ontem emergiu o “Sou Jornalista, Você é Árabe?”; só não assomaram os jornalistas

(Mesa do lançamento: da esquerda para a direita: Orlando Castro, Eugénio Costa Almeida, a autora Ana Paula Castro, Sheikh Munir, e o editor Manuel Andrade)

"Como previsto o novo livro de Ana Paula Castro, “Sou Jornalista, Você é Árabe?” teve ontem a sua aparição pública na FNAC-Chiado. Tal como previsto foram apresentadores do romance Orlando Castro, que abordou a vertente “jornalismo”, este vosso escriba que abordou a obra em questão (conforme podem ler no blogue Alto Hama – como se o autor não houvesse nada de mais importante em África ou em Portugal para ele analisar, do que perder o seu precioso tempo em publicar rabiscos que só interessam ao ego do autor e à simpatia da autora –) e, como a inicial e oportuna – não prevista de início – intervenção do Sheikh Munir, Imã da Mesquita central de Lisboa, que também prefaciou o romance.
Se a minha intervenção foi claramente uma abordagem do romance, como já referi, se a intervenção curta e intimista do Sheikh se relacionou com os contactos preambulares entre ele e a autora que acabaram num simbólico e objectivo Prefácio, a intervenção de Orlando castro centrou-se num axiomático queixume sobre o actual jornalismo e como o jornalismo parece desaproveitar a cultura.
Tal como Orlando Castro constatou – e como ele, também os restantes presentes – abrangendo a obra a vertente “Jornalismo” excepto ele, que estava na mesa como orador, só estavam presente na sala (totalmente cheia, diga-se) mais dois jornalistas que lá estava não como profissionais do sector, mas como amigos da autora.
Mau, muito mau, como fez questão de relembrar Orlando Castro.

É certo, e aqui abre-se um parêntese, que a Lusa procedeu à sua divulgação para o espaço jornalístico, tal como acabou referenciado no Diário Digital. Que o Jornal de Notícias deu uma pequena informação na sua página cultural, mas, quanto ao resto, foi um deserto de quase muito nada! Naturalmente, também o Notícias Lusófonas deu o destaque que a autora merece. (...)" (Continue a ler aqui ou aqui).
Publicado na secção "Colunistas" do , sob o título "Só não assomaram os jornalistas..."