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22 abril 2022

Juntar visitas oficiais de Estado a campanha eleitoral, não costuma dar bons resultados…

 


 

Não me parece que as assessorias do MPLA e do Presidente João Lourenço estejam a trabalhar muito bem. Para os apoiantes partidários até poderão estar, mas para a população, em geral, e para os analistas, não estarão, quase que certamente.

Juntar, uma vez mais e depois de muitas críticas como o que ocorreu na província do Cunene, uma visita de Estado, neste caso, agora, à província de Cabinda, uma quase imediata actividade política pré-eleitoral, denominada enfaticamente «acto político de massas», é – ou parece ser – pouco inteligente.

É certo que o Presidente da República é elegível como tal, segundo a Constituição da República, o candidato a deputado à Assembleia Nacional (Parlamento) colocado em primeiro lugar da lista partidária (partido ou coligação de partidos) mais votado; na realidade, e ao contrário do que alguns defendem, é uma eleição indirecta, dado que o eleitor vota, globalmente, numa força partidária e não uninominalmente em candidatos.

Para Cabinda onde está, hoje, em visita de Estado e onde inaugurou “obras-feitas”, certamente que o Presidente foi em avião e missão oficial. Ninguém duvida, é normal em todas as democracias que os pré-candidatos aproveitem dos seus cargos, para em “missões oficiais” fazerem pré-campanhas. Como afirmava Cristo, “quem não tiver pecados, que atire a primeira pedra”.

Mas estar a aproveitar-se dessa vantagem – viagem oficial  e uso de meios oficiais – para, 24 horas depois, entrar em efectiva em pré-campanha eleitoral, conforme se pode verificar pelos panfletos distribuídos pelos seu partido de quem mantém o cargo de presidente de partido – posso observar, e atento, que deveria se ter retirado de tal, mas a lei permite essa coexistência, e por isso, tenho de o respeitar – pode ser considerado uso abusivo de meios oficiais e, igualmente, ser avaliado como um possível tiro-no-pé.

Provavelmente, eu até estarei errado nesta apreciação, mas, será que estou?...

Recordo que em certas regiões onde a democracia pluralista e eleitoral está bem implantada, muitas vezes, aproveitar visitas oficiais para campanhas eleitorais, costumam a dar resultados aquém do expectável.

Mas, como já referi, talvez seja eu que esteja errado. Mas será que estou?...

30 setembro 2021

Uma "imprensa plural, rigorosa, isenta e credível" é o que todos almejamos…

 



(imagem via Internet/Google)

O texto que a seguir coloco, era para ter sido publicado num portal nacional – ainda que sedeado no exterior; todavia, por razões técnicas e operacionais do referido portal o mesmo não pôde ser publicado. Por esse facto, o início foi ligeiramente alterado para ficar mais próximo do facto/localização actual…

______________

Num texto de 3 de Maio pp, o portal do Novo Jornal (NJ) publicava um interessante artigo onde anunciava e escalpelava a vontade do MPLA em desejar uma "imprensa plural, rigorosa, isenta ecredível"; e sobre que bases assenta esta “nobre e meritória” vontade?

Esta ideia espiritualista foi transmitida pelo “Bureau Político” – dizer “Bureau” é intelectualmente mais bonito que dizer “Escritório” ou “Departamento” – pela ocasião do Dia Mundial de Liberdade de Imprensa, que se comemora – ou relembra – a 3 de Maio de cada ano.

Há muito que não assistia, directa ou por gravação, ao “Jornal da Tarde” (o das 13 horas) da TPA Internacional. Hoje (04/Maio), durante esse horário, houve um largo período que foi dedicado, quase exclusivamente – retira-se ao encontro que ocorreu com o embaixador sul-africano –, a meras actividades políticas do MPLA; ainda que em várias províncias.

Uma imprensa rigorosa, isenta e credível, pode – deve! – noticiar actividades políticas, mas, e sempre, na base de uma mera informação curta.

Se o MPLA, a UNITA, a CASA-CE ou outra qualquer organização política (OP) deseja ver transmitidas várias das suas actividades, então só tem um de duas soluções:

·         ou compra espaço televisivo num órgão de imprensa – se no caso de televisão, ou rádio, a Comissão Nacional de Eleições (CNE) tem de definir os tempos de antena que as OP podem comprar – o termo é este mesmo, comprar – fora do âmbito eleitoral, e usá-lo em espaços temporais previamente definidos, normalmente, são juntos de períodos noticiosos, para os divulgar, com

·         ou, na linha das modernas OP, criam um espaço numa ou nas principais páginas sociais – Facebook, Instagram e, ou, YouTube – e faz as suas transmissões, como as Instituições Superiores de Educação, por exemplo, para todos os que desejarem seguir essas actividades (sejam, militantes, simpatizantes ou meros curiosos ou analistas políticos).

De contrário, fazer afirmações destas, por muito bem-intencionadas e credíveis que desejam mostrar ser verosímeis, tornam-se meramente especulativas e sem sentido.

Ou melhor, mostram que apesar das "boas vontades" e das "boas intenções" parece querer continuar a haver uma vontade inequívoca de dominar a Comunicação Social.

E isso mesmo é reconhecido, no referido texto do NJ, quer por Teixeira Cândido, secretário-geral do Sindicato dos Jornalistas Angolanos, quer por Luísa Rogério, presidente da Comissão da Carteira e Ética.

Tudo isto acaba por deixar um mau cartão-de-visita, ou transmite um mau presságio, principalmente depois da “aglutinação" de vários órgãos de informação, mais ou menos privados, sob a tutela dos principais órgãos de informação públicos, para as eleições que se avizinham.

Querem apostar – eu não o faço, porque, certamente, perderia se votasse pela benignidade das intenções, – que será isso o que acontecerá e será isso o que a Oposição – seja ela quem ou o que for – irá proferir, antes, durante e a pós a realização das mesmas?

10.Jun.2021


03 maio 2018

Análise para a RFI - Que moldes para o congresso do MPLA?

Análise proferida para a RFI sobre a convocatória do Congresso extraordinário do MPLA com vista à saída da presidência de José Eduardo dos Santos e a confirmação de João Lourenço como principal - e único, até ver - candidato a substituí-lo:  (ouvir clicando na imagem

«Desde o passado fim-de-semana está oficialmente lançado o processo de preparação para a transição no seio do MPLA, partido no poder em Angola. Ao ser anunciado para Setembro um congresso extraordinário para designar o sucessor de José Eduardo dos Santos na chefia desta formação, foi também validada a candidatura única do Presidente da República, João Lourenço, para a chefia do MPLA, o figurino que tem estado sempre patente e que, do ponto de vista de certas correntes de opinião, evita os incómodos inerentes à bicefalia no poder.

Questionado sobre a necessidade de se mudar os estatutos do MPLA no intuito de evitar esta bicefalia, Eugénio Costa Almeida, investigador angolano ligado ao Centro de Estudos Internacionais do Instituto Universitário de Lisboa, considera que não é preciso mudar as regras do jogo, é preciso -sim- que prevaleça o bom senso.»


16 dezembro 2017

Discurso de João Lourenço trouxe desafios e interrogações

O rescaldo do recente seminário do MPLA, que teve por base o combate à corrupção, ao nepotismo e ao branqueamento de capitais, poderá ter sido mais amargo para algumas pessoas e militantes do partido do que a iniciativa fazia prever.

Se na abertura do Seminário, José Eduardo dos Santos, enquanto presidente do MPLA, defendeu que os militantes deveriam dar um claro apoio ao Executivo, saído das eleições de 23 de Agosto no combate à corrupção e ao nepotismo no país e que o MPLA tem de liderar uma “sociedade mais justa”, algo que já defendera em recentes discursos ao País de Ano Novo e na AN, saltou igualmente à vista dos analistas a total omissão do nome do líder do Executivo e o ênfase ao caminho do partido.

Por isso era esperada com alguma curiosidade as palavras de encerramento de João Lourenço, Presidente da República, líder do Executivo e vice-presidente do MPLA. E elas não decepcionaram; e começou logo pela saudação onde o ricochete da “lapada” se fez sentir: o “Camarada Presidente” foi omitido!

Mas o mais importante que sobressaiu das palavras de Lourenço foram, ou acabaram por ser, além do sublinhar dos combates que o Seminário abordava, foi o repto aos capitais nacionais expatriados retornarem a Angola, sem custos ou penalizações, para serem reinvestidos em empresas geradoras de bens, de serviços, indústrias e outras para benefício dos angolanos.

E sublinhou que esse retorno não só não implicaria algum tipo e investigação – tipo “caça às bruxas” – sobre a forma como teriam sido obtidos esses capitais e como teriam saído, como seria um certo incentivo ao investimento externo no País. E sublinhou que esta exigência não tinha qualquer ideia subentendida de perseguição aos ricos ou a famílias abastadas, mas um claro combate à corrupção.

As dúvidas que se põem prendem-se em duas pertinentes questões: i) findo um prazo apresentado e não havendo cumprimento do livre retorno dos capitai, como é que o Estado angolano poderá considerar, estes, dinheiro de Angola e dos angolanos e como tal agir junto das autoridades dos países de domicílio, para tê-lo de volta, e como é que isso se poderá concretizar, de facto, o seu retorno? ii) e em que medida esta decisão envolverá Portugal, considerado como um dos destinos preferenciais de capitais angolanos?

Duas questões que só as relações jurídicas entre os Estados poderão resolver, depois do Executivo legislar sobre esta matéria. E, no caso de Portugal, será mais interessante, tendo em conta o caso Fizz/Manuel Vicente.

Finalmente, outro facto importante, ou talvez, ainda mais, nas palavras de João Lourenço. O “exigir” que a AN cumpra a sua função de exercer “de facto a sua função fiscalizadora do Executivo, nos termos previstos na Constituição e na Lei”. Ora, sabe-se que o Tribunal Constitucional, a pedido do Executivo de dos Santos declarou que o Parlamento não (de)tinha essa competência. Fica a questão.

Publicado no jornal português Público, em 15 de Dezembro de 2017, página 4, sob o título «Discurso de João Lourenço trouxe desafios e interrogações»; e, na véspera, ao princípio da noite, no portal: https://www.publico.pt/2017/12/14/economia/opiniao/discurso-de-joao-lourenco-trouxe-desafios-e-interrogacoes-1796046

13 novembro 2013

Sucessão à vista?

O Presidente José Eduardo dos Santos, em entrevista à TV Bandeirantes (Brasil), admitiu que já estava há muito tempo no Poder e que a sua possível "sucessão" já estaria a ser debatida no seio do MPLA.

Sobre esta matéria dei um comentário a Adriano Salgueiro, de Radio France Internationale.

Podem ouvir as palavras de Eduardo dos Santos e uma parte do meu comentário aqui.

29 agosto 2012

Hoje fecha a campanha


Interessante a análise que hoje passa na TPA (Internacional) sobre as eleições Gerais com a presença de Walter Filipe e Sebastião Izata.


Apesar de não concordar com uma parte substancial das suas opiniões, talvez porque elas reflitam, de certa forma, mais a linha do partido do poder, ainda assim estão muito equilibrados nas suas análises, não deixando de dizer algumas verdades.

 De notar o equilíbrio – possível – nas análises aos partidos e coligações concorrentes por parte da realização do programa;

Transmissão do encerramento das duas forças políticas mais representativas (face a 2008) em Luanda (MPLA) e no Huambo (UNITA) onde se verificam evidentes disparidades organizacionais.

Enquanto em Luanda há festa e houve uma preocupação em saber coincidir os discursos com as emissões televisivas, já no Huambo e apesar de haver, tal como em Luanda, um número significativo de militantes presentes, salvo se o jornalista está num posto de reportagem externo ao comício, há um mutismo tal que mais parece um velório. Nem a chegada de Samakuva, a directoria da UNITA conseguiu saber coincidir com a transmissão televisiva, sob pena de o programa chegar ao fim e isso não ocorrer.

Os principais partidos oposicionistas já têm – ou deveriam ter – a obrigação de saberem estar, organizacionalmente, preparados para gerir tempos de antena.

Se não sabem, façam como o seu forte opositor, contratem especialistas para aprenderem a saber gerir comícios e imagem.

Não basta pedir votos se não sabem como conquistá-los.

Por isso não admira que, nestas como nas anteriores eleições, já se saiba quem, à partida, vai vencer o pleito eleitoral. Falta capacidade organizacional e marketing político às nossas forças políticas oposicionistas, nomeadamente, à UNITA.

O resultado é continuarem no limbo e verem o “vencedor” manter-se eternamente no Poder com a particularidade do “vencedor” até se dar ao luxo de se clamar de social-democrata mas ter atitudes mais próximas de democracia-cristã conservadora (como demonstraram os analistas durante o programa, principalmente nas análises económicas).

Os “vencidos” devem começar já a estudar a partir do dia 1 de Setembro como fazer para daqui a 5 anos poderem ombrear e lutar com as mesmas armas políticas com o “vencedor”.

Aproveitam, pois, o dia de amanhã de reflexão, para reflectir sobre e nos erros cometidos e depois não chorarem no leite derramado.

16 agosto 2012

Na campanha televisiva MPLA ripa na rapakeka e dá cabazada…


Hoje estive a ver a campanha eleitoral na TPA Internacional, no seu espaço do Telejornal, das 21 horas.

Quando liguei já estava a dar alguma coisa, com especial destaque para a visita de José Eduardo dos Santos a Saurimo, não só na qualidade de presidente em exercício, inaugurando um campo de futebol, como de candidato à sua própria sucessão, como nº 1 do MPLA e do País.

Não sei, se antes disso, o que, sejamos honestos, não acredito, se foi dada alguma outra peça de algum outro partido, por razões adiante explicadas. Talvez, talvez não, como não deixei a gravar previamente, não posso afirmá-lo…

Mas do que vi, pode-se dizer que a TPA abordou todos – ou a grande maioria - os partidos e coligações candidatas às eleições do próximo dia 31 de Agosto.
Mostraram a UNITA, a Nova Democracia, a FNLA, o PRS, a FUMA, e creio que de outros, que não me recordo.

Só não vi, daí a minha dúvida quanto terem iniciado com o MPLA ou não, referências à CASA-CE; mas também com tantos partidos até se compreende se fizerem um périplo de modo a acompanhar o máximo dos candidatos diariamente, mesmo que não incluam todos.

É compreensível!

Principalmente, e aqui a prova da cabazada, quando intercalando entre cada peça ou cada duas peças de partidos candidatos, são incluídas peças da JMPLA ou de… JMPLA, ou do… MPLA e, no fim e já depois da secção “campanha eleitoral" recomeçam o Telejornal com uma peça da “Fundação Lwini” onde as actividades apresentadas eram-no com pessoas envergando camisolas do… MPLA!

Resumindo, ninguém pode afirmar que a TPA não mostra no seu espaço noticioso informações sobre a campanha, mas que nesse espaço o MPLA ripa na rapakeka e dá cá uma cabazada…

Talvez seja devido às certezas eleitorais, mas a História às vezes repete-se, mesmo que em Países diferentes e depois…

Citado no portal Club-Khttp://club-k.net/index.php?option=com_content&view=article&id=12444:na-campanha-televisiva-mpla-ripa-na-rapakeka-e-da-cabazada-eugenio-almeida&catid=17:opiniao&Itemid=124

16 julho 2012

Não será altura de “mandarem calar” quem fala demais?


O que segue veio da página social de Facebook do BlocoDemocrático AmigosPortugal BD-Angola, a partir de uma notícia do portal noticioso Club-K:

“As faculdades estão a ser construídas para os jovens estudarem e não para criticarem o governo” - assim terá afirmado Bento Kamgamba (o secretário do comité provincial do MPLA de Luanda para a periferia e dinamizador de um clube de futebol sedeado na cidade da Kianda, mais concretamente no bairro do Palanca)

Se os verdadeiros militantes democratas - que os há, como em todos os outros - do maioritário tivesse força já teriam solicitado que o senhor BK fechasse a matraca porque só coloca em causa tudo de bom que ainda há na periclitante democracia nacional.

Se os jovens criticam é porque as Universidades estão, de facto, ensiná-los a serem Homens pensantes e interventores na vida pública do País e não fantoches autómatos...

Não será altura de dizerem a certos “militantes” (custa-me chamar-lhes isto porque, na prática, não parecem ser mas tão-só, pessoas que querem projecção mediática) – de todos os partidos, porque há-os em todos, infelizmente – para absterem-se de falar demais sobre matérias que, definitivamente, nada sabem?

Já agora, por que carga de água uma sede da JURA (Juventude Unida Revolucionária de Angola – os jovens da UNITA) da Vila Alice, em Luanda, foi hoje cercada por forças policiais quando iam sair para afixar propaganda política? Não está prevista essa liberdade pela CNE e pela Constituição Nacional? Quem deu essa eventual ordem absurda? E, mais grave ainda, a confirmar-se a notícia, a acompanhar as autoridades iam as nefasta e já habituais milícias (que não existem segundo fontes não identificadas)?

02 junho 2012

Maio de 1991!


(foto da Internet)

Maio de 1991 foi, na época, um dos melhores, senão mesmo o melhor, mês deste ano.

No primeiro dia do mês nascia a minha segunda filha e, no ultimo dia, consagravam-se vários meses de negociações entre a UNITA e o Governo da então República Popular de Angola, liderada pelo MPLA naquilo a que se convencionou chamar de “Acordos de Bicesse” rubricados por Jonas Savimbi e Eduardo dos Santos sob patrocínio dos então primeiro-ministro português Cavaco Silva e do secretário de Estado da cooperação e NE, Durão Barroso.

Era o culminar de meses de conversas e conversas entre os dois principais beligerantes da crise militar de Angola.

Recorde-se que o primeiro grande encontro público entre as duas partes – que já indiciava que algo andava para acontecer – ocorreu na sessão final do I Encontro da Diáspora Angolana em Portugal.

Lembro-me que nesse dia, estava eu sentado com uma ilustre e simpática personalidade – na altura reconheci mas não me recordava de onde – ao meu lado quando os membros oficiais da UNITA entravam no recinto e sentavam-se na primeira fila logo seguidos da representação oficial de Angola que se sentou numa das coxias sob os fortes aplausos dos participantes no Encontro.

Como me recordo também as palavras do meu “colega de assento” dizer, mais ou menos e entre outras matérias de interesse mais pessoal, que isto era os Angolanos no seu melhor e o início de uma nova era para o País.

Mais tarde compreendi as palavras ao ver a sua foto na imprensa. O “meu colega” era o cardeal D. Alexandre do Nascimento.

Como ele tinha razão embora esta só chegasse, definitivamente, muito mais tarde!

NOTA: Este texto foi escrito para ser publicado no dia 31 de Maio, mas razões técnicas só me permitiram colocá-lo hoje!

20 maio 2012

Isto é o Povo…



(Manifestações da UNITA e do MPLA, respectivamente; fotos via ©Club-k)


Uma grandiosa manifestação popular deu direito a uma “contra-manifestação” popular. Tudo dentro da maior naturalidade e normalidade.

A UNITA, apesar de já ter no “saco” a co-vitória da demissão, imposta pelo tribunal Supremo, da Dra. Susana Inglês, como responsável máxima do CNE – os outros vitoriosos foram o Bloco Democrático e as Páginas Sociais – manteve e levou a efeito a suas já convocadas manifestações, nas diversas províncias – em Benguela o governador não a permitiu por razões que, provavelmente, só a sua saúde deve justificar, –, em prole de mais democraticidade e maior transparência governativa.

Mas se a UNITA levou a efeito os seus ajuntamentos, naturalmente que o partido do poder, o MPLA, não quis ficar atrás e convocou, como habitualmente nestes casos, as suas contra-manifestações.

Ambas decorreram, foram casos pontuais descritos pela Polícia Nacional, com total normalidade e civismo como mostraram os diferentes vídeos e fotos que estão estampados nos mais diversos portais; (exceptuando, talvez, a atitude de alguns militantes da UNITA, em Luanda, que terão expulsado o jornalista da TPA; um erro crasso que só dá mais poder aos que não querem a existência de manifestações contrárias ao Poder).

A maior manifestação da UNITA ocorreu no Huambo onde juntou cerca de 150 mil manifestantes. A contrária, do MPLA, segundo o portal do Círculo Intelectual Angolano, convocada para o largo 1º de Maio, não excedeu alguns poucos milhares, mesmo juntando pessoas vindas da província vizinha de Benguela.

Em Luanda, na Praça da Independência, a UNITA terá juntado cerca de 500 mil populares que fizeram a festa, naquela que é talvez a maior concentração que a UNITA alguma vez conseguiu na capital, apesar de convocatórias contrárias a que não terá sido alheia o facto de não ter havido a presença das malfadas milícias armadas e que têm feito a sua aparição sempre que a Oposição se reúne.

Também no Bié e no Lubango a aglomeração popular da UNITA foi evidente.

O maior ajuntamento popular do MPLA em contra-manifestação, nos chamados apoios populares, ocorreu em Luanda, na Cidadela, com a presença de alguns milhares de apoiantes do ainda partido maioritário que, previamente, se terão feito ouvir numa caravana motociclista.

Finalmente o Povo pôde se fazer ouvir sem receios das perversas varas metálicas!


Transcrito no portal Zwela Angola, em 7/Junho/2012 (http://www.zwelangola.com/index-lr.php?id=8861)

10 dezembro 2011

MPLA, 55 anos!

Parabéns pelos seus anos de luta pela libertação e independência nacional.

Tal como felicito pela luta cerrada que fez pela libertação nacional, gostaria, também, de o fazer pela mesma medida no combate à corrupção, ao compadrio, e à democratização do País.

Só que se o fizesse estaria a ser tão corrupto e falso como os que ao abrigo de utopias políticas o praticam!

Mas como entrou na nova idade da razão e vai ter um Congresso, em breve, talvez que aquela também seja um dos congressistas e faça valer a sua influência...

05 março 2011

Marcha pela a Paz…

(foto Angola24Horas)
Por iniciativa do MPLA, houve hoje uma manifestação, em contra-ciclo à convocada para 7 de Março, denominada “Marcha patriótica pela Paz” e apoio ao Engº José Eduardo dos Santos, Presidente de Angola, desde 1979, após o falecimento – nunca perfeitamente esclarecido – de Agostinho Neto, o primeiro presidente.

Por razões particulares ainda não me foi possível constatar a dimensão da mesma, o que espero fazê-lo logo, via TPA Internacional.

Todavia, e de acordo a agência noticiosa angolana estatal, ANGOP, a manifestação terá registado a presença de alguns “
milhares de cidadãos nacionais, na sua maioria militantes do MPLA”, mas também com presença de “membros de partidos políticos, igrejas, empresários, desportistas e artistas” a exemplo de Matias Damaso, Maya Cool, Puto Português e C4Pedro.

Até aqui nada de especial. As pessoas devem ser livres de se manifestar quando, onde e como quiserem desde que cumpram, naturalmente, os requisitos impostos no artigo 47 da Constituição da República de 5 de Fevereiro de 2010.

O problema, ou a questão já se põe quando a ANGOP, insuspeita, anuncia a presença de “alguns milhares” (mais próximo do avançado pelo Washington Post -
mais de 20.000 pessoas) e o primeiro secretário do MPLA, para Luanda, Bento Bento, avança com o astronómico e impressionante número de “três milhões” de manifestante na referida marcha.

Cada um defende-se como pode, mas manda o bom senso que não se exagere, tendo em conta, outras informações, talvez pela sua proveniência, mais credíveis (o portal Angola24Horas fica-se pelo "
meio milhão") e que não levem ao exagero que, naturalmente, descredibiliza qualquer anúncio menos consensual.

Além de que, até prova em contrário – e não acredito que alguém o queira contradizer –, Angola está em Paz há cerca de 9 anos, o que já por si, é sinónimo de confiança dos meios políticos mesmo que, por vezes, alguns manifestem, naturalmente, alguma insatisfação…

11 dezembro 2009

Qual é que vai sofrer as consequências?

"Ontem, ao fim da manhã, quando ouvi trechos do discurso do novo (actual e já kota de 30 anos de poder) líder do MPLA, em conversa com um grande amigo e jornalista Norberto Hossi, director deste portal noticioso [Notícias Lusófonas], alertei que as suas palavras – de Eduardo dos Santos, lógico – implicariam uma de duas coisas:

Ou as eleições presidenciais seriam adiadas ou o Projecto Constitucional “C” morreria à nascença.

E tudo porque Eduardo dos Santos tinha afirmado a dada altura – e cito de cor – “que o MPLA deveria dar condições para que o Governo saído das eleições de Setembro de 2008 deveria cumprir toda a legislatura” (mais coisa menos coisa, mas o sentido foi este).

Ora fazendo fé nestas palavras e sabendo que o projecto “C” próximo da versão apresentada pelo MPLA prevê que o Presidente seja o líder do Partido mais votado para a Assembleia Nacional e como nem o MPLA, nem o presidente Eduardo dos Santos e nem mesmo a Sociedade Civil veria com bons olhos umas novas eleições a tão curto prazo, só seria expectável ou o adiamento das eleições presidenciais para 2012, quando termina a actual Legislatura, ou a vontade democrática seria mais forte e o Projecto “C” deixaria de fazer sentido.

Como não me parece que o espírito democrático tenha descido tão depressa com o espírito de Natal e como não vejo o MPLA prescindir da sua força eleitoral mesmo que pareça haver uma importante contestação ao Projecto “C”, nomeadamente junto de um certo sector importante dos militares, mas também entre militantes do MPLA com quem tive o prazer e oportunidade de falar, pelas omissões importantes que o Projecto apresenta, com especial destaque para a eleição/nomeação do Vice-Presidente, tudo leva a crer que serão as eleições presidenciais que serão adiadas. (...)
" (continuar a ler aqui ou aqui)
Publicado no / Colunistas de hoje.

03 dezembro 2009

Moco não fala para as mudas paredes…

(imagem NL)
O Notícias Lusófonas, traz hoje à estampa e em manchete, pela mão do jornalista Jorge Eurico, um «Manifesto» de Marcolino Moco, académico e antigo primeiro-ministro, sob a forma pouco – nada – prazenteira como "Dino Matross" terá tido com ele quando o mesmo “convidou” Moco a ir ter com ele na Assembleia Nacional.

As fortes palavras de Moco merecem uma forte ponderação e devem servir para abrir o debate político não só entre o “seu” MPLA (de que é “Militante livre”, como se identifica) como mesmo entre os diferentes partidos políticos nacionais.

Alguns dos parágrafos bastaria alterar o nome do Partido e de alguns nomes para servir de “chapelinho de soba” a muitos dirigentes e partidos até pela democraticidade que, infelizmente, parecem vir, cada vez mais, perdendo.

Eis algumas das passagens do «Manifesto de Moco» que pode – DEVE – ser lido, na íntegra, no
Notícias Lusófonas:

Na verdade, como deve ter sabido, a minha primeira decisão era não ter ido ter consigo, pela forma como fui abordado, como se eu fosse um desocupado, à chamada de um senhor misericordioso; e também não iria ao seu encontro por desconfiar que me iria dar lições atávicas, sobre as minhas opiniões, como cidadão e académico, em relação ao momento constituinte, (…) já que vocês, sem nenhum pejo, barraram todo o contraditório em relação ao interior do país, simulando uma grande generosidade em fazer participar o país na elaboração de uma constituição que vocês já sabem qual será. (…) Pela forma arrogante como me falou não vou mais insistir nas opiniões que tentei trocar consigo, porque vi que o senhor não estava interessado em dialogar, mas apenas em tentar impor-me ideias que - diga-se, mais do que imaginava, horrorosamente atávicas.

Reitero, por minha livre vontade, que continuo ligado sentimentalmente ao MPLA (talvez deixe de fazer essa referência pública, e deixe de referir que vocês são meus amigos, se isso tanto vos perturba) conservando o meu respeito ao Presidente do Partido, mas sem temor (como temer um combatente na luta contra o medo colonial e não só!?). O que penso, a partir do nosso último encontro (pode ser que esteja enganado!), é que são vocês que o apoquentam com a ideia de que qualquer referência a ele, desde que seja crítica (mesmo quando positiva) é falta de respeito, é “falar mal do Chefe”, etc., etc., etc.

“(…)Para mim o tempo da vovó Xica de Valdemar Bastos: “não fala política”, já lá vai há muito tempo. Paradoxalmente, o camarada Dino Matross, foi um dos grandes obreiros desta gesta. É pena! Era para nos tirarem o medo dos estrangeiros e nos trazerem o vosso medo?! Eu recuso-me a tremer perante qualquer tipo de novos medos.

Declino o convite que o camarada diz ter pedido para mim, ao Presidente do Partido, para ser convidado ao VI Congresso do MPLA. Não aceito a perspectiva chantagista, condicionante e ameaçadora que deixou transparecer do tipo: "se não for então que não se arrependa" ou "então será abandonado" (…) Como costumo dizer, desde a “Queda do Muro de Berlim”, em 1989, que estou preparado, sobretudo espiritual e psicologicamente, para não viver a custa de lugares em qualquer partido.

Olhem à volta e vejam como arrastam o MPLA à situação de ser o mais retrógrado dos então chamados partidos progressistas de África! Incapazes de perdoar, do fundo do coração (já nem falo da UNITA e dos chamados "fraccionistas") até os próprios fundadores do nosso glorioso Partido, como os irmãos e primos Pinto de Andrade; e um Viriato da Cruz, de cujo punho brotaram estrofes esplendorosas, para uma África chorosa mas em "busca da liberdade", usando palavras de outro vate da liberdade; o Viriato da pena leve e elegante que riscou o próprio "Manifesto", donde nasceria uma das mais notáveis siglas da humanidade (…)”

E, antes de terminar, Moco afirma a certo ponto “(…)Política, na verdade, diversamente do que vocês querem impor, contrariando (mesmo neste tempo de democracia pluralista), o grande Agostinho Neto, que disse não dever ser um assunto de “meia dúzia de políticos”, terá que ser, e será, inexoravelmente, uma questão fora do esoterismo a que vocês a querem submeter, em Angola. Estou cansado das vossas chantagens e humilhações. Por enquanto, é este o meu manifesto contra o medo e contra uma ditadura do silêncio que não aceito.

15 julho 2009

Partido dono de uma praia, não será exagero?

(Será isto? Foto ©Elcalmeida, Maio 2009)

De acordo com um artigo na última edição do Novo Jornal (edição 77 de 10 de Julho de 2009, página 15) uma parte duma praia lobitanga – será da Restinga(?) e se bem me recordo é quase na ponta e onde parece havia em construção um espaço de lazer – estará vedada porque, de acordo com o texto de Flávio Neto, no artigo “Eventual desalojamento de 248 famílias no Lobito Sociedade civil apela à intervenção da Assembleia Nacional”, e citando Carlos Pacatolo, da Administração do Lobito (tem a área social do município) após uma ironia do presidente da Associação Omunga, José Patrocínio, sobre a tal vedação, o terreno em questão seria ou pertenceria ao MPLA.

Dada a estranheza de uma tal observação de alguém que conheço e sei que luta para que o Lobito seja uma cidade aberta e dos lobitangas, contactei-o e confirmou-me que não era bem como tinha sido escrito mas que avisou que era uma parte particular de uma empresa ligada ao MPLA que terá bens junto da beira-mar e por isso estará a fazer obras.

Por vezes é bom investigar-se primeiro e malhar depois. De contrário toda a razão perdemo-la e outros factos deixam de ter credibilidade o que é mau. Mas também não me parece correcto que contactado o MPLA na pessoa do seu 2º secretário este tenha descartado resposta e remetido para o 1º secretário.

Talvez não fosse mal que o(s) articulista(s) e o presidente da Omunga além de denunciarem, e muito bem, os problemas sociais, também deveriam se preocupar em tentar saber porque a Cidade está sem nomes de ruas e porque alguns edifícios de interesse público, como por exemplo, o Museu, é difícil de se dar com ele. E soube que está algures numa transversal na Restinga.

Como também sei de pessoas que têm encontrado artefactos que gostariam de dar ao Museu e desconhecem a sua existência!

07 maio 2009

Acordos: o desmontar de algumas verdades encobertas?

"Embora ainda de forma parcelar, mais vale que a verdade se conheça tarde do que nunca

Desde há muito que ouvia e lia que Savimbi teria tido negociações não só com os madeireiros que trabalhavam na zona controlada pela UNITA antes do 25 de Abril como havia contactado e celebrado acordos com o exército português para deixar de atacar este e se limitar a fazer o que todos os movimentos sempre fizeram: atacarem-se mutuamente.

A UNITA sempre negou, e continua a negar, estas afirmações, mesmo tendo em conta certas declarações do Mais Velho a um jornalista e investigador, creio que Freire Antunes, que sem o confirmar também não deixou de manter no ar, implicitamente, a dúvida.

E isso parece ter sido um facto indesmentível, pelo menos a fazer fé nas declarações dos responsáveis militares, na época, da Região Leste e em documentos apresentados – mas não fotos confirmadoras – que, em 1972, teria havido o tal acordo de não hostilidades tão amplamente divulgados quer na televisão que emitiu o programa, Guerra Colonial – excelente, diga-se em abono da verdade –, como por outros órgãos dos Média que dele fizeram a devida publicidade e propaganda. Teriam sido intervenientes, por parte de Portugal, o general Bethencourt Rodrigues, que liderou a chamada “Operação Madeira”, sob instrução directa do então general Costa Gomes, à época comandante-geral de Angola e em ligação o, nesse tempo, governador de Angola, Rebocho Vaz, e sob o natural conhecimento da DGS. Por parte da UNITA responsáveis político-militares da altura.

Mas também ficou claro, e ao contrário do que reafirmou o actual tenente-coronel(?) Otelo Saraiva de Carvalho, que não foi a DGS que criou a UNITA – basta recordar o ataque a então Teixeira de Sousa (actual Luau) em vésperas de um Natal – como pouco tempo depois as tréguas morreram e os ataques entre ambos foram bem mortíferos por vontade do novo comandante da região e por haver militares que nunca teriam aceite o referido acordo dado que teriam sido alvo, anteriormente, de ataques da UNITA.

E se este assunto merece relevo por ser propalado, não merece menos relevo, embora pareça que ande meio-mundo português distraído, as declarações do considerado cérebro do 25 de Abril, Otelo Saraiva de Carvalho quanto às preferências políticas dos militares do Movimento das Forças Armadas (MFA) português relativamente a Angola.

Segundo Carvalho, em declarações ao semanário angolano O País e citadas no portal
Angola24Horas.com, os militares preferiam que o poder, em Angola, fosse entregue ao MPLA por considerarem – e nisso creio que todos, mesmos os que não pontuamos pela mesma ideologia e cartilha, estaremos de acordo – como melhor preparados e com mais condições para gerir e governar a Angola independente. (...)" (continuar a ler aqui ou aqui)
Publicado como "Manchete" do , de hoje sob o título "A UNITA e os acordos - O MPLA e os acordos"

30 março 2009

Marcação do Congresso indicia claro adiamento das presidenciais

(imagem montada pelo club-K)

"O MPLA marcou, um acto que está nas suas claras competências e natural no Estado que se quer democrático, o seu Congresso para finais do presente ano, mais especificamente para de 7 a 10 de Dezembro.

Nada seria de espantar, pelas razões já evocadas, se não fosso o facto do MPLA começar a mostrar que também é um partido onde existem, ou se perfilam, tendências, que reclamam mais democratização dentro do partido, e, como será natural, deverá ser no Congresso que se irá definir – até por causa das tais eventuais tendências – quem será o seu natural e real candidato.

Uma coisa é se dizer que o candidato natural é o seu presidente que, por acaso é também Presidente de Angola – num Estado democrático, unicamente, e reafirmo, unicamente, na minha perspectiva, não deveria continuar com tal enquanto presidente de todos (TODOS) os Angolanos, mesmo que ainda que não esteja totalmente legitimado pelo voto –, ou seja, o engenheiro José Eduardo dos Santos.

Outra coisa é confirmar o seu candidato em Congresso como costuma ser natural em todos os partidos ditos democráticos e, principalmente, entre os afiliados da Internacional Socialista, como é o caso do MPLA. E o VI Congresso vai eleger o Presidente e o Comité Central para o quinquénio 2010/2014 onde também vão ser analisados e aprovados os ajustamentos aos estatutos e programas do partido (se perguntar não ofende, é agora que vão actualizar-se e doar o nome à História de Angola e renomear, definitivamente, o partido?).

Ora como a citada tendência afirma ela também que tem um candidato infere-se, naturalmente, que irão apresentá-lo ao Congresso e tentar fazer eleger esse seu candidato como o candidato do MPLA. Nada mais natural em partidos democráticos e populares. (...)
" (continue a ler aqui ou aqui)
Publicado hoje na secção opinião de

28 fevereiro 2009

MPLA questiona Governo MPLA?

(imagem da embaixada angolana na Suécia via Internet)

Há dias falava-se que começava a emergir dentro do MPLA – como seria natural em partidos democráticos e pluralistas – uma tendência ou corrente de opinião, supostamente denominada “União das Tendências do MPLA”.

Nada mais natural, repito, num qualquer partido democrático e pluralista. Mas como a democracia e a pluralidade não se fazem nem se solidificam em poucos anos, principalmente quando se vem duma ortodoxia soviética e se “obriga” o seu líder a concorrer mesmo que tudo indique que não o deva fazer para bem da sua imagem e da imagem do País…

Depois das tendências surge agora que os deputados eleitos pelas listas do MPLA vão questionar o Governo de Paulo Kassoma sobre os efeitos da crise internacional na economia angolana. Nada mais pertinente numa sociedade democrática e não-seguidista.

E não será só o Executivo de Kassoma a ser interpelado. Também o Banco Nacional de Angola (presumo que o Governador) vai ser ouvido no Parlamento Nacional. Perfeito, nada mais que habitual numa sociedade democrática e não-seguidista.

Mas o que se estranha é que esta interpelação só aconteça agora e quando o Governo do primeiro-ministro Kassoma já aprovou um pacote de medidas de combate à crise como, por exemplo, a redução da despesa pública ou mesmo a intervenção no sector dos diamantes através da sua venda a preços “estratégicos” em função da queda da procura nos mercados internacionais e, ou, a proposta de fim de monopolização da extracção dos diamantes.

Estranha-se, a não ser que este “fim” seja também uma deixa para correrem com o executivo do engenheiro – este tem mesmo direito ao título académico – Paulo Kassoma…

Mas como numa sociedade democrática e não-seguidista é usual e natural um Governo ser questionado, acredito que não devem a estar a preparar uma rampa de saída a António Paulo Kassoma. Ou será que se esqueceram que este é mesmo um Governo feito à imagem e medida do e pelo Presidente Eduardo dos Santos?
Publicado no /Colunistas de hoje

26 setembro 2008

Identificar depressa para o que antes era verdade depois já não o seja…

(foto Sem. Angolense)

Há cerca de duas semanas, o Semanário Angolense, na edição nº 282, pág. 6, avançou o nome de António Kassoma, governador da província do Huambo, como o mais que provável futuro primeiro-ministro do Governo saído das eleições de 5 de Setembro (perdão, 5 e 6 de Setembro).

Muito rapidamente, alguém que se identificava como fonte autorizada do MPLA, desmentiu essa notícia e que nada havia ainda em análise quanto a nomes para a chefia do Governo.

Um desmentido que soou a natural até porque quem determina “quem é quem” é o Presidente da República – apesar da Constituição dizer que Angola é uma república semipresidencialista, é-o, na prática, bem presidencialista, – e não o partido vencedor, qualquer que ele seja.

Todavia, não era de descartar a notícia dado que o líder do partido é, também ele, Presidente da República; mas, ao longo da história recente da política angolana, houve nome ventilados, e não poucos pelo Comité Central do Bureau Político do MPLA, que depois se viram vetados ou, pura e simplesmente, ignorados, pela Cidade Alta.

Por isso ficámos, muito naturalmente, sentados a aguardar os próximos desenvolvimentos.

Foram precisos só pouco mais de uma semana para sabermos que o Bureau Político do MPLA, decidiu, em
reunião havida hoje, indicar o nome de António Paulo Cassoma para chefiar o Governo e o de Fernando Dias dos Santos “Nando” para chefiar o futuro Parlamento angolano e João Lourenço e Joana Baptista para os 1º e 2º vice-presidentes das Assembleia Nacional.

Dado que, foneticamente, o nome não me era estranho e porque tal como o indicado pelo Semanário Angolense também é governador provincial do Huambo, só pude chegar à conclusão que a dúvida da tal fonte autorizada confundiu as pessoas por causa da letra inicial. Um escreveu o apelido com “K” e o Bureau identifica-o com um “C”.

Como uma letra pode fazer tanta diferença…

O que se espera é que ambos sejam melhores nos novos postos que o foram nos anteriores e que saibam que estarão a gerir os destinos de Angola e do povo angolano e não umas quaisquer suas eventuais fazendas.

Para eles, principalmente para C(K)assoma, já que dizem que o brilharete da província se deveu a uma pessoa que não ele, infelizmente recentemente falecido em desastre de aviação, o benefício da dúvida.
Nota complementar: Para além de que C(K)assoma poder ir, cada vez mais quase certo a sua nomeação, chefiar um Governo onde nada pôs nem dispôs como se pode inferir do artigo da edição desta semana do Semanário Angolense, nº 284, que, na página 2, claramente afirma que serão o presidente Eduardo dos Santos e o general Hélder Vieira «Kopelipa» Dias, quem estão a cozinhar o Governo.

07 setembro 2008

Não houve transparência, mas não houve fraude!

"Como se pode dizer que há transparência quando a imprensa pública, claramente, fez campanha por um dos partidos concorrentes, incluindo no próprio dia da eleição?

Como dizer que houve transparência quando um dos candidatos “obriga” os votantes esperarem na fila de voto para ser o primeiro votante e em plena urna faz um gesto caracterizador do seu partido à frente de toda a gente, nomeadamente, do presidente da CNE sem que isso fosse criticado (numa democracia consolidada, o que infelizmente ainda não acontece com a nossa, esse gesto dava direito a processo crime)?

Como se pode dizer que houve transparência quando um dos nossos “Palancas”, em plena mesa de voto, declara na TPA que votou bem, dado que votou no “partido do seu coração” símbolo ligado a um dos actores concorrentes ao pleito eleitoral?

Como dizer que houve transparência quando um dos partidos tinha todo o dinheiro e os outros nada tiveram?

Como se pode dizer que houve transparência quando os boletins de voto andaram “perdidos” e as listas dos eleitores em papel ou digital estiveram “desaparecidas”?

Quando pode haver transparência se a maioria das urnas tiveram de ser enviadas para os Centros provinciais porque os locais de voto não tinham condições de luminosidade para os conferir e esta conferência só ter acontecido 24 horas após o encerramento da votação?

Como se pode dizer que houve transparência quando observadores dizem ser um “desastre” e depois virem dar o dito por não dito e esclarecer aquilo que quiseram dizer mas que não souberam sustentar porque Angola é só o maior produtor de crude da África subsaariana?

Como dizer que houve transparência quando um dos observadores afirma que os observadores internos independentes não obtiveram a sua credenciação e depois apareceram algumas centenas de observadores credenciados por um dos actores do pleito eleitoral?

Como se pode dizer que houve transparência quando um dos observadores internacionais afirmou que esta “desorganização” estava bem organizada, nomeadamente quando estava prevista a abertura de cerca de 300 mesas de Assembleia no segundo dia e depois só abrirem cerca de 40 mesas?

É claro que não houve transparência nas eleições legislativas angolanas!

Mas apesar de não ter havido transparência, não me parece, nem é crível que tenha havido fraude eleitoral!" (continuar aqui ou aqui)

Publicado no , de hoje, sob o título "Não houve transparência, mas glória aos vencedores"